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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Mar21

Algum morto pode abalar Bolsonaro?

Talis Andrade

 

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por Moisés Mendes

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A porção emotiva do Brasil convive com uma dúvida aparentemente sem fundamento: chegará o dia em que Bolsonaro irá se emocionar ou se abalar com a morte de alguém pela Covid-19?

Não um lamento protocolar, como poderia ter feito, e nem isso fez, em homenagem ao Major Olímpio. Bolsonaro ignorou Olímpio na live feita logo depois de saber que o ex-amigo estava morto. Foi num silêncio ofensivo.

Só alguém muito crédulo pode esperar de Bolsonaro um lamento genuíno, um sentimento verdadeiro de quem também sofre a perda de um parente, amigo, conhecido, colega.

Bolsonaro está cercado de gente infectada. Ele foi um dos primeiros. Reúne-se todos os dias com ministros e assessores de todos os escalões que já passaram pelo medo de morrer por não terem o histórico de atleta.

Só no Palácio do Planalto, são mais de 450 casos de infectados. Dos assessores mais próximos de Bolsonaro, incluindo ministros, são mais de 40 pessoas. O vírus circula em ares promíscuos. Por causa do medo imposto por Bolsonaro, usar máscara no Planalto é um acinte.

Essa semana morreu o 2º sargento do Exército Silvio Kammers, supervisor da ajudância de ordens do gabinete de Bolsonaro. O palácio escondeu a morte do sargento.

Um presidente normal faria uma declaração dizendo que lamentava a morte de alguém próximo, porque os ajudantes de ordens são pessoas do cotidiano de um governante.

Se tivesse dito que lamentava a morte do militar, Bolsonaro passaria empatia e se aproximaria do sofrimento das famílias que já perderam alguém para a pandemia. Mas o Planalto determinou que escondessem a morte do sargento, como faziam na ditadura.

Bolsonaro ainda não experimentou a sensação da perda de alguém muito próximo, e aí pode estar a diferença, ou não.

Já morreram muitos políticos que conviveram com ele. Morreu o general Antonio Miotto, ex-comandante militar do Sul.

Miotto era um aglutinador com grande capacidade de gestão e liderança. Bolsonaro não disse nada de específico sobre as virtudes do general quando se referiu a ele. Disse que pode ter morrido por não ter feito o tratamento precoce com cloroquina.

No dia do enterro de um comandante, um tenente comete a grosseria de dizer publicamente que o general não soube se cuidar.

Talvez falte o teste da perda de alguém do seu núcleo duro ou dos seus afetos, para que o sujeito sinta o que milhões de pessoas já sentiram.

As famílias brasileiras ainda não ouviram de Bolsonaro uma manifestação de pesar pela tragédia que ele ajuda a provocar ao combater as ações dos governadores e sabotar a máscara, a vacina, a ciência.

Ainda não aconteceu uma morte que mexesse com Bolsonaro, se é que poderá mexer. Falta uma morte que o abale. Até agora, as quase 300 mil mortes de brasileiros passaram ao longe, como se tivessem acontecido na Ucrânia.

Essa é a dúvida que talvez não tenha qualquer fundamento. O que Bolsonaro sentirá quando alguém muito próximo morrer de Covid-19? É provável que diga, como já disse, que um dia todos morrerão.

Major Olímpio foi muito chegado a Bolsonaro, até virar inimigo da família toda. Que ressentimentos o silenciaram diante da morte do major?

Nesta quinta, o sujeito iria ao Senado para participar do ato simbólico de entrega de MPs ao Congresso. Quando soube da morte de Olímpio, desistiu.

Um presidente normal faria o contrário. Avisaria que nenhum outro compromisso o impediria de ir ao encontro dos colegas do senador morto, para que assim homenageassem juntos sua memória.

Bolsonaro fugiu de um confronto. Não quis que o olhassem na cara logo depois da notícia da morte de um desafeto que foi seu aliado por muitos anos e deveria saber muito dos podres da família.

O Planalto escondeu a morte do sargento, e Bolsonaro escondeu-se da morte do major. Falta o morto que ofereça a chance de humanizar Bolsonaro, mesmo que a humanização seja improvável.

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18
Mar21

Morre Major Olímpio e Bolsonaro questiona lotação de UTIs

Talis Andrade

Senador Major Olímpio morre aos 59 anos, vítima de Covid-19

O Brasil registrou nesta quinta-feira (18/03) 2.724 mortes associadas à covid-19, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass). É o segundo maior número de mortes em 24 horas desde o começo da pandemia. Por problemas, técnicos, os dados não incluem os números do Rio Grande do Norte. 

Entre os mortos, o senador Major Olimpio (PSL) , de 58 anos. Ele estava internado em São Paulo desde 3 de março.

Sérgio Olímpio Gomes é o terceiro senador a morrer vítima da covid-19.

Antes de Major Olímpio, os senadores Arolde de Oliveira (PSD-RJ), 83, em outubro de 2020, e José Maranhão (MDB-PB), 87, no início de fevereiro.

O ex-governador de Goiás Helenês Cândido, de 86 anos, morreu numa ambulância na madrugada enquanto estava sendo transferido para um hospital em Caldas Novas, ao sul do estado.

Havia três dias que ele aguardava por uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva UTI. 

Bolsonaro questiona lotação de UTIs no Brasil: 'Parece que só morre de Covid'

As declarações do presidente ocorrem em meio ao agravamento da pandemia de Covid-19 no Brasil

por Daniel Fernandes /CNN
 

Em meio ao colapso da rede de saúde nacional, o presidente Jair Bolsonaro questionou o motivo da lotação das UTIs em todo o país durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, nesta quinta-feira (18), e afirmou que “parece que só morre de Covid” no Brasil. 

Ao falar com seus apoiadores, Bolsonaro disse que um tio seu morreu no mês passado e um homem, então, o questionou se a causa era o novo coronavírus. Na sequência, o presidente alega que fez o comentário de propósito.

“Tá vendo, olha só, eu fiz aqui hipotética. Qual é a pergunta dele? Um eu sabia que ia cair... Morreu de Covid. Parece que só morre de Covid. Você pega aí, pode ver, os hospitais tão com 90% da UTI ocupada. O que a gente precisa fazer? (Saber) Quantos são de Covid e quantos são de outras enfermidades”, disse o presidente.

Bolsonaro também disse que nenhum país do mundo está lidando bem com a Covid-19 e que as críticas que ele recebe são de pessoas que querem derrubar o presidente.

“A gente pergunta aí: ‘qual país do mundo tá tratando bem a questão do Covid?’ Todo local tá morrendo gente. Agora aqui virou uma guerra contra o presidente”, afirmou Bolsonaro.

“Acho que um dos raros países do mundo onde querem derrubar o presidente é aqui. Eles não apresentam soluções. Quando eu digo ‘me apresente um país onde está dando certo o combate à Covid’, não tem. Esses caras que querem me derrubar, o que fariam no meu lugar? ‘Comprar vacina’. Onde é que tem vacina para vender?”, complementou.

Capa do jornal Super Notícia 18/03/2021

Capa do jornal Estado de Minas 18/03/2021

Capa do jornal Estadão 18/03/2021

16
Nov20

Joice perde a linha com Jair e Eduardo Bolsonaro: ‘frouxo’, ‘fumador de maconha’

Talis Andrade

EDU BANANINHA - YouTube

 

247 - A deputada Joice Hasselmann, deputada federal e candidata a prefeita de São Paulo pelo PSL, disparou sua metralhadora contra o clã Bolsonaro no Twitter neste domingo (15).

Sobre Eduardo Bolsonaro, seu colega na Câmara dos Deputados, ela interveio na discussão entre ele e Major Olímpio - Eduardo chamou o militar de “traíra” depois que o ex-aliado de Bolsonaro defendeu Joice em uma entrevista e criticou “robôs” de Bolsonaro contra a canddiata nas redes sociais.

Joice reforçou uma resposta dada por Major Olímpio ao filho do presidente: “Esse picaretinha, preguiçoso; fumador de maconha e surfista de araque nunca terá vergonha na cara. Dudu bananinha é um covarde de quinta categoria”.

Já sobre Jair Bolsonaro, diante da notícia que o presidente apagou neste domingo uma publicação de seu Facebook em que ele pedia votos para aliados que disputam as eleições municipais. “Frouxo”, escreveu Joice.

08
Fev20

Veja aponta que procuradores de Curitiba receberam dinheiro de traficante

Talis Andrade

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Procuradores do Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), órgão responsável pelas denúncias da Lava Jato em primeira instância, também receberam dinheiro de Dario Messer, conhecido como o "doleiro dos doleiros". Ele já havia pago propina ao procurador Januário Paludo, que inspirou o grupo no Telegram "filhos de Januário" e fez vários ataques ao ex-presidente Lula. A informação é da coluna Radar. Membros do Rio de Janeiro (MP-RJ) estão constrangidos com o inquérito, e com o pedido desavergonhado, corruto, inconveniente de propina. 

A vida de luxo do intocável Messer era bem paga. Escrevem os jornalistas Chico Otavio e Thiago Prado na revista Época:

"Desde os anos 90, a cobertura de Dario Messer na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, o metro quadrado mais caro do Brasil, foi palco de festas que misturavam os mundos do samba, do futebol e da política. A última delas, memorável para quem participou, ocorreu no ano passado [2018], meses antes da Operação Câmbio, Desligo, que ordenou sua prisão. O doleiro abriu o terceiro andar do apartamento para a despedida de solteiro do filho Dan, de 27 anos. A celebração para 80 convidados foi marcada por champanhe Veuve Clicquot e charutos Gurkha Black Dragon, itens costumeiros em seus rega-bofes para a elite carioca.O tríplex do doleiro no Leblon (segundo prédio à esquerda) foi palco de festas regadas a champanhe e charutos. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

O tríplex (de três andares) do doleiro no Leblon (segundo prédio à esquerda) foi palco de festas regadas a champanhe e charutos. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo



Reportagem de Chico Otavio, Daniel Biasetto e Juliana Castro (jornal O Globo) historiam a lucrativa parceria de Messer com o ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes: envolve tráfico de moedas, de drogas, de cigarros, de armas. Messer era o chefe da máfia judia, assim como Alberto Youssef era chefe da máfia libanesa. Essas máfias elegiam de deputados a presidente da República no Cone Sul da América Latina. 

É exemplável a parceria de Youssef com o deputado federal José Mohamed Janene no Paraná (1955/2010). 

Os diálogos de Dario sobre a propina ocorreram em 2018 e foram obtidos pela Polícia Federal do Rio de Janeiro durante as investigações que basearam a operação Patrón, última fase da Lava Jato do Rio.

Nas conversas obtidas pela PF, Messer fala a sua namorada, Myra, sobre o andamento dos processos que responde e diz que uma das testemunhas de acusação contra ele teria uma reunião com Paludo. Depois, afirma à namorada: "Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês."

De acordo com as investigações, os "meninos" são Claudio Fernando Barbosa de Souza, o Tony, e Vinicius Claret Vieira Barreto, o Juca. Os dois trabalharam com Messer em operações de lavagem de dinheiro investigadas pela Lava Jato do Rio. 

Em depoimento prestados em 2018 à Lava Jato no MPF-RJ, Juca e Tony disseram ter pago US$ 50 mil (cerca de R$ 200 mil) por mês ao advogado Antonio Figueiredo Basto em troca de proteção a Messer na PF e no Ministério Público. Basto já advogou para o doleiro.

Levaram 29 anos para prender Messer. Por trás dessa prisão está o aborto do impeachmente do atual presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, em meio a uma crise política detonada pela assinatura de um acordo enérgico com o Brasil. 

Um acordo de 200 milhões de dólares para compra de energia da empresa estatal hidrelétrica binacional de Itaipú.  Acordo meio secreto que ameaçava Benítez e, na rasteira do escândalo, poderia também derrubar Bolsonaro. Não deu outra: Bolsonaro, Moro e Bretas armaram para enfraquecer Cartes (Brasil chegou a pedir a prisão dele, em novembro último).  

A oposição esquerdista do Brasil para derrubar Bolsonaro e do Partido Colorado de Cartes é para inglês ver. 

O acordo de 200 milhões de dólares envolve o senador major Olímpio, e os empresários da Leros, Kléber Ferreira da Silva e Adriano Tadeu Deguirmendjian. Uma série de reportagens de autoria de Mabel Rehnfeldt, do jornal paraguaio ABC, mostrou que a dupla tinha por trás deles Alexandre Giordano, filiado ao PSL e suplente do senador Major Olímpio, do PSL-SP.




30
Nov19

Lava Jato escreve meia-verdade quando nega a propina de Januário Paludo

Talis Andrade

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Transcrevo do ConJur

Conhecido como o "doleiro dos doleiros", Dario Messer disse a sua namorada, em uma conversa interceptada pela Polícia Federal, que pagou propina mensal ao procurador Januário Paludo, integrante da força-tarefa da "lava jato" no Ministério Público Federal do Paraná. A propina, segundo o doleiro, seria para evitar que ele fosse investigado.

Os diálogos entre Messer e a namorada foram revelados neste sábado (30/11) pelo UOL. Segundo a reportagem, a conversa ocorreu em agosto de 2018 e foi obtida pela Polícia Federal do Rio de Janeiro. Em um relatório produzido em outubro, a PF classificou o fato como "grave" e cobrou providências. O documento já foi enviado à Procuradoria-Geral da República.

Na conversa, Messer diz à namorada que uma testemunha de acusação de um dos processos contra ele teria uma reunião com Paludo. "Sendo que esse Paludo é destinatário de, pelo menos, parte da propina paga pelos meninos todo mês", afirmou o doleiro. Os meninos citados por Messer, segundo o UOL, seriam seus auxiliares em operações de lavagem de dinheiro e que, hoje, se tornaram delatores da "lava jato".

Januário Paludo é um dos mais antigos integrantes da força-tarefa da "lava jato" e também um dos mais experientes. Atuou no caso Banestado nos anos 90. O nome dele apareceu algumas vezes na "vaza jato", série de reportagens com conversas privadas de procuradores que atuam na operação. Em uma delas, Paludo desdenhou do pedido do ex-presidente Lula para deixar a prisão e acompanhar o velório do irmão. "O safado só queria viajar", disse.

Em nota, o MPF-PR repudiou "suposições infundadas contra o procurador". "A ação penal que tramitou contra Dario Messer em Curitiba foi de responsabilidade de outro procurador que atua na procuradoria da República no Paraná, o qual trabalhou no caso com completa independência. [Tem procurador sem independência?] Nem o procurador Januário Paludo, nem a força-tarefa atuaram nesse processo", diz a nota. [Outro procurador, qual? Por que esconder o nome? Certamente um amigo íntimo de Paludo]

Ainda segundo o MPF, Messer é alvo de investigação na "lava jato" do Rio de Janeiro, "razão pela qual não faz sequer sentido a suposição de que um procurador da força-tarefa do Paraná poderia oferecer qualquer tipo de proteção". [A proteção paga por Messer - safadezas de banqueiro - foi para não ser investigado na lavagem e remessa de grana via BanEstado - Banco do Estado do Paraná, que foi levado à falência, e depois doado]

Por fim, os integrantes da força-tarefa afirmam ter plena confiança no trabalho de Paludo, "pessoa com extenso rol de serviços prestados à sociedade e respeitada no Ministério Público pela seriedade, profissionalismo e experiência". [Ninguém nega a experiência. Paludo, Carlos Fernando dos Santos Lima, Sergio Moro estiveram em ação, e juntos, sempre juntinhos, nas investigações do BanEstado e Lava Jato, e prenderam e julgaram os principais doleiros do Brasil, a exemplo de Alberto Youssef, chefe da máfia libanesa dos tráficos de moedas, pedras preciosas, cocaína, e dos 'meninos' de Dario Messer. Por vontade do trio - Paludo, Santos Lima, Moro - que comandou as operações do BanEstado e da Lava Jato de Curitiba - nenhum doleiro estaria hoje preso. Protecionismo, ou sorte grande de quem chora na barriga da mãe?

Misteriosa e inesperada prisão de Dario Messer

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Escreve Jeferson Miola, agosto de 2018:

O “doleiro dos doleiros” do Brasil, como Alberto Youssef – o doleiro-delator íntimo do Moro, dos procuradores e dos policiais da Lava Jato – se refere a Dario Messer, foi o alvo principal da operação “Câmbio, Desligo!”, executada pela Polícia Federal em 3 de maio, depois das delações dos doleiros Vinícius Claret e Cláudio Barbosa. Dario Messer, provavelmente avisado que seria alvo de mandado de prisão preventiva, conseguiu fugir e não foi encontrado nos endereços conhecidos no Brasil naquele dia da operação Câmbio, Desligo!. A prisão do doleiro era tida como líquida e certa, tanto que o jornalista tarimbado e dono de fontes privilegiadíssimas d´O Globo, Lauro Jardim, no dia da operação anunciou que “Dario Messer, alvo principal da operação da Lava-Jato de hoje, e finalmente preso, é um personagem ligado aos escândalos nacionais desde o caso Banestado”. Aventou-se a hipótese de que Dario Messer pudesse estar escondido na sua mansão no Paraguai, porém lá também não foi encontrado. Joaquim Carvalho, em minuciosa reportagem no Diário do Centro do Mundo, cita que “Antigos aliados acreditam que ele esteja em Israel, onde também tem cidadania, por ser judeu. Messer não foi o único a escapar. O doleiro René Maurício Loeb fugiu do Rio de Janeiro para a Europa a bordo de um navio de luxo, semanas antes da operação ser deflagrada”. A fuga e o desaparecimento de Dario Messer adquire ainda maior relevância e valor investigativo depois da denúncia feita por doleiros acerca da existência de esquema mafioso mediante o qual o advogado Antônio Figueiredo Basto recebia US$ 50 mil dólares mensais como “taxa de proteção” para garantir que “eles [doleiros] seriam poupados nas delações decorrentes do caso Banestado, que correu na jurisdição de Sergio Moro” [DCM]. Esse mesmo advogado é considerado o especialista em delação premiada no Brasil – ou da indústria da delação, como o GGN e o DCM vêm investigando – cuja experiência inaugural foi a delação premiada de Alberto Youssef no rumoroso caso Banestado, conduzido pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima e pelo juiz Sérgio Moro. Na coluna d´O Globo de 6 de maio de 2018, o taribado Lauro Jardim publicou a nota “Tudo errado”, com a notícia errada de que Dario Messer tinha sido“preso na quinta-feira passada”. É difícil imaginar tamanha “barrigada” jornalística de profissional bem abastecido de informações e depois de 3 dias do fato consumado! Houve alguma falha na linha direta de comunicação Globo-Lava Jato – só não se conhece o motivo para tal falha.

Com Dario Messer acontece de tudo. Tudo de bom. Não é proteção divina, mas bem que dá para acreditar nos santos. Messer teve outras fugas anunciadas. Para parar qualquer investigação jornalística foi inclusive noticiada sua morte. Também Youssef teve a morte propagada na imprensa. Também Janene, amigo do pai de uma juíza amiga de Moro, que terminou morto de verdade. A prisão de Messer, chefe da máfia judia, vai além da proteção de um Taludo, fez parte de uma armadilha para pegar uma caça maior. Nada mais nada, nada menos que um ex-presidente do Paraguai. Uma operação internacional com cheiro de vingança. Escrevi no dia 19 último, confira aqui

Sergio Moro e os procuradores da "organização criminosa" da Lava Jato sempre livraram as caras de Messer, de Youssef & outros doleiros. Durante as prisões do BanEstado e no início da Lava Jato, as autoridades dessas operações espalharam o boato de que Messer estava morto. O pedido de prisão de Cartes, o voto do partido que ele comanda, o Colorado, decide o impeachment do atual presidente do Paraguai Mario Abdo Benítez, no caso Itaipu, que envolve o presidente Jair Bolsonaro, o partido PSL, o senador major Olímpio. Vide aqui e links, o segundo maior escândalo de roubalheira, que o primeiro foi a construção da usina, 1975/82, pelas ditaduras dos dois países. O serviço de propaganda de Bretas Informa: "Messer estava foragido desde maio de 2018, quando foi deflagrada a Operação Câmbio Desligo. De acordo com as investigações, doleiros movimentaram US$ 1,6 bilhões em 52 países. A ação que tem Cartes,  amigo íntimo do senador Perrella como alvo, pretende  cumprir 37 mandados judiciais expedidos por Bretas em Búzios (RJ), São Paulo e em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. São 16 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 3 de prisão temporária. O ex-presidente paraguaio é um empresário considerado um dos mais ricos do seu país. A eleição dele em 2013 representou o retorno ao poder do Partido Colorado, que dominou a política local durante 60 anos, contando com os mais de 30 anos da ditadura de Alfredo Stroessner. O executivo preside o Grupo Cartes, um conglomerado de empresas que produzem bebidas, cigarros e charutos, roupas e carnes. Também faz o gerenciamento de centros médicos.]

Rede Brasil Atual informa: Na troca de mensagens, Messer segreda a Myra sobre o andamento dos processos pelos quais responde e afirma que uma das testemunhas de acusação contra ele faria uma reunião com Januário Paludo, afirmando: “Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês”. A PF aponta que os “meninos” mencionados por Messer são Claudio Fernando Barbosa de Souza, o Tony, e Vinicius Claret Vieira Barreto, o Juca, que trabalharam com o doleiro em operações de lavagem de dinheiro e que, mais tarde, se tornaram delatores.

Juca e Tony, em depoimentos prestados ao Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro, afirmaram ter pago US$ 50 mil (aproximadamente R$ 210 mil) mensais ao advogado Antonio Figueiredo Basto em troca de proteção a Messer tanto na Polícia Federal como no Ministério Público.

“Que Enrico [Machado, apontado como sócio de Messer] passou a dizer que o escritório deveria pagar US$ 50 mil por mês para fornecer uma proteção a Dario e as pessoas ligadas ao câmbio”, afirma Tony na delação. “Que essa proteção seria dada pelo advogado Figueiredo Basto e outro advogado que trabalhava com ele, cujo nome não se recorda.”

Segundo o Uol, a força-tarefa da Lava Jato do Paraná declarou que “essas ilações já foram alvo de matérias publicadas na imprensa no passado e, pelo que foi divulgado, os fatos apontam para suposta exploração de prestígio por parte de advogado do investigado [Figueiredo Basto]”. De acordo com a força-tarefa, Paludo prefere não se manifestar.

Os “filhos de Januário”

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Januário Paludo integra a Lava Jato desde sua criação, em 2014, e é um de seus membros mais influentes. O fato de ser o mais experiente fez com que um dos grupos de Telegram que contém mensagens reveladas pela Vaza Jato se chamasse “filhos de Januário”.

O procurador é tido como conselheiro do coordenador-chefe Deltan Dallagnol. Nesta semana, saiu em defesa do amigo por conta da advertência recebida pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em função de Dallagnol, em entrevista, ter dito que havia uma “panelinha” no STF. Em rede social, afirmou que “ninguém deve ser punido pelo legitimo exercício do direito à livre manifestação e expressão”.

Em 10 de novembro, pela mesma rede, Januário atacou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Insuflar manifestos radicais como os que ocorrem no Chile não é só abominável como atenta contra o estado democrático e a garantia ao sagrado direito à livre expressão. O cárcere não lhe serviu de lição”, declarou, se referindo ao discurso proferido por Lula em São Bernardo do Campo, após sua saída da prisão.

Segundo mensagens reveladas pelo The Intercept, em 24 de janeiro de 2017, o procurador escreveu: “Estão eliminando testemunhas”, referindo-se à internação da esposa de Lula, Marisa Letícia, que tinha sofrido um acidente vascular cerebral (AVC). Já em 2019, ele afirmou que “o safado só queria viajar”, aludindo ao pedido da defesa do ex-presidente para que saísse da prisão para acompanhar o enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá.

 

 

 

 

19
Nov19

Bretas pede a prisão de Cartes que é amigo de Messer o elo entre Lava Jato e BanEstado

Talis Andrade

Bretas amigo de Moro pede a prisão de Cartes, cujo voto aprova o impeachment do presidente do Paraguai Mario Abdo Benítez amigo de safadezas de Bolsonaro, senador Major Olímpio e outros figurões das repúblicas bananeiras do Paraguai e Brasil

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As duas caras do doleiro dos doleiros Dario Messer

 

O ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes é alvo de mandado de prisão preventiva da Operação Lava Jato que ocorre nesta terça-feira (19). A suspeita é que tenha ajudado na fuga de Dario Messer, considerado o doleiro dos doleiros. A decisão é do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, e Cartes terá o nome inserido na difusão vermelha da Interpol. O ex-mandatário, que atualmente ocupa o cargo de senador vitalício, governou o País vizinho de 2013 a 2018 e pertence ao Colorado, partido conservador. 

Que lorota boa do Bretas, sócio de Sergio Moro, nos conchavos políticos do golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, prendeu o ex-presidente Lula da Silva e elegeu Jair Bolsonaro, cuja posse foi assistir, pegando bigu no avião do governador do Rio de Janeiro.

Para a imprensa, Dario Messer, máfia judia, era o elo perdido entre o assalto ao BanEstado do Paraná e a Lava Jato também do Paraná, junto com o doleiro Alberto Youssef, mafia libanesa.

Dario Messer, com banco sediado no Rio de Janeiro, foragido da polícia desde os tempos gordos das privatizações de Fernando Henrique, foge do Brasil e o culpado é o presidente do Paraguai. 

Narra o jornal El País: "É difícil mencionar um escândalo de corrupção brasileiro no qual Messer não tenha ajudado a azeitar as negociações e pagamentos. Segundo informações do Ministério Público Federal, ao menos 1 bilhão de dólares teriam sido movimentados pelo doleiro entre 1998 e 2003. Mas o nome de Dario veio à tona a partir das investigações do caso Banestado (antigo Banco do Estado do Paraná), ocorrido na segunda metade dos anos de 1990 e que envolveu remessas de dinheiro ilegais para o exterior via contas correntes, onde Alberto Youssef, o mesmo que deu o ponto de partida à Lava Jato, era personagem central.  O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou o escândalo do banco paranaense recomendou, em 2004, o indiciamento de Messer por sua atuação no envio de valores para outros países. A menção ao seu nome o elevou ao status de gigante do setor." Messer sempre foi o intocável.

Acrescentam os jornalistas Gil Alessi e Santi Carneri: Na condição de doleiro mor no Brasil, Messer servia como fiador de transações realizadas por outros doleiros menores, fazendo com que, ainda que indiretamente, ele tivesse participação em centenas de operações ilegais. Por isso as autoridades brasileiras o consideram uma espécie de “instituição financeira” própria. Segundo a revista Veja, por exemplo, o doleiro Benjamin Katz, tido como um dos operadores do ex-deputado Eduardo Cunha, era cliente de Messer. Ele também teria participado do esquema que lavou dinheiro para o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

O ofício de intermediar remessas, empréstimos e pagamentos no exterior escapando do radar do fisco e sem ser detectado pelas autoridades foi aprendido com o pai, o polonês Mordko Messer, considerado um pioneiro no ramo dos doleiros e morto em data desconhecida. A família chegou a ser dona de um banco, o Dimensão, e possui casas de câmbio e outros empreendimentos no Brasil, Paraguai e os Estados Unidos. É proprietária de um apartamento de dois quartos no Upper East Side, em Manhattan, um dos bairros mais nobres de Nova York.

Sergio Moro e os procuradores da "organização criminosa" da Lava Jato sempre livraram as caras de Messer, de Youssef & outros doleiros. Durante as prisões do BanEstado e no início da Lava Jato, as autoridades dessas operações espalharam o boato de que Messer estava morto.

O pedido de prisão de Cartes, o voto do partido que ele comanda, o Colorado, decide o impeachment do atual presidente do Paraguai Mario Abdo Benítez, no caso Itaipu, que envolve o presidente Jair Bolsonaro, o partido PSL, o senador major Olímpio. Vide aqui e links, o segundo maior escândalo de roubalheira, que o primeiro foi a construção da usina, 1975/82, pelas ditaduras dos dois países.

O serviço de propaganda de Bretas Informa: "Messer estava foragido desde maio de 2018, quando foi deflagrada a Operação Câmbio Desligo. De acordo com as investigações, doleiros movimentaram US$ 1,6 bilhões em 52 países.

A ação que tem Cartes,  amigo íntimo do senador Perrella como alvo, pretende  cumprir 37 mandados judiciais expedidos por Bretas em Búzios (RJ), São Paulo e em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. São 16 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 3 de prisão temporária. 

O ex-presidente paraguaio é um empresário considerado um dos mais ricos do seu país. A eleição dele em 2013 representou o retorno ao poder do Partido Colorado, que dominou a política local durante 60 anos, contando com os mais de 30 anos da ditadura de Alfredo Stroessner.

O executivo preside o Grupo Cartes, um conglomerado de empresas que produzem bebidas, cigarros e charutos, roupas e carnes. Também faz o gerenciamento de centros médicos."

 

 

 

 

14
Ago19

Itamaraty mente sobre mutretas de Itaipu

Talis Andrade

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Por Jeferson Miola, em seu blog:

A edição dominical [11/8] do jornal paraguaio ABC traz como manchete de capa a denúncia de que o “Itamaraty mente e enche de armadilhas Ata sobre Itaipu” [aqui].

Em 4 páginas de reportagem, o jornal analisa o acordo secreto que o governo Bolsonaro tentou impor ao Paraguai para viabilizar um esquema milionário de corrupção para favorecer a Léros, empresa que tinha seus interesses representados pelo político do PSL Alexandre Giordano, suplente do líder do Bolsonaro no Senado, Major Olímpio.

“A Ata Bilateral assinada em segredo em 24 de maio passado contém armadilhas e mentiras dos negociadores”, afirma o jornal; concluindo que se o acordo fosse aplicado, “se traduziria em danos muito severos aos interesses do país, da ANDE e da própria Itaipu Binacional”.

A reportagem afirma que o “ponto 6”, exigido pela direção técnica da ANDE porque garantia a soberania paraguaia sobre sua energia excedente, foi excluído da Ata pelos negociadores “porque se contrapunha aos interesses da Eletrobrás, em primeiro lugar, e dos funcionários corruptos de ambas margens do [Rio] Paraná […]”.

Entrevistado na reportagem, o ex-senador liberal Miguel Abdón Saguier/PLRA avalia que a nota conjunta publicada pelos ministérios de Minas e Energia e de Relações Exteriores do Brasil no dia 9 passado [aqui] antecipa o que “serão no futuro as negociações sobre Itaipu, no sentido de que Brasil unilateralmente buscará nos impor tratados ou convênios sumamente gravosos e prejudiciais para nosso país”.

Para Saguier, essa postura caracteriza abuso de direito do Brasil, que impõe condições que “vão contra o objetivo do Tratado de Itaipu”, que é o aproveitamento compartilhado entre as duas nações do recurso hidroelétrico do Rio Paraná.

“Desta forma se incorre em abuso de direito, e o abuso de direito é a antítese da boa fé”, afirma o político liberal.

No artigo Carta da Léros mostra inverdades da explicação do governo sobre acordo secreto [aqui] se confirma que a nota oficial do governo Bolsonaro manipula a verdade para ocultar os propósitos espúrios por trás da imposição do acordo lesivo ao Paraguai.

O jornal ABC agora deixa claro que o Itamaraty, uma instituição até o passado recente reconhecida mundialmente pela seriedade e excelência do seu corpo diplomático, foi instrumentalizado para agenciar corrupção binacional do bolsonarismo, em prejuízo da relação amistosa e respeitosa com a nação vizinha.

A ponta visível do empreendimento corrupto é a empresa Léros, o político do PSL Alexandre Giordano e o próprio presidente Bolsonaro, que em 20 de junho mandou o Itamaraty convocar o embaixador do Paraguai para expressar “mal estar” com o fato do esquema de corrupção não estar andando na velocidade pretendida.
11
Ago19

Carta de intenções da Léros contradiz explicação de Bolsonaro sobre Itaipugate

Talis Andrade

carta da leros.png

Carta da LÉROS mostra inverdades na explicação do governo sobre acordo secreto

por Jeferson Miola, em seu blog   

Em nota à imprensa divulgada pelos Ministérios de Minas e Energia e de Relações Exteriores [Itamaraty] no final do dia 9 de agosto, o governo manipula a verdade para esconder que a Ata Bilateral foi concebida para viabilizar um esquema de corrupção para a comercialização da energia excedente do Paraguai.

Caso o acordo secreto não tivesse sido denunciado pelos dirigentes técnicos da estatal paraguaia ANDE, a empresa LÉROS poderia ser beneficiada com um negócio superior a 300 milhões de dólares.

Alexandre Giordano, suplente do senador do PSL Major Olímpio, o líder do Bolsonaro no Senado, intermediava os interesses da LÉROS junto à ANDE.

De acordo com José Rodríguez, que se apresentava como representante do vice-presidente paraguaio na montagem do esquema, Alexandre Giordano, o lobista da LÉROS, “vem em representação da família presidencial do país vizinho”.

Na nota oficial, o governo Bolsonaro se defende dizendo que “Diferentemente do que tem sido divulgado, todo o processo de negociação que resultou na assinatura da Ata Bilateral não foi secreto”.

E justifica o suposto caráter “não secreto” da negociação no fato de que, “Em todas as reuniões houve a participação dos representantes dos Ministérios das Relações Exteriores de ambos os países, da Eletrobras, da Ande e da Itaipu Binacional”.

A realidade, contudo, contraria a nota.

Está fartamente publicado pela imprensa paraguaia que a negociação foi secreta.

Os termos lesivos do acordo somente foram conhecidos depois que o titular da ANDE renunciou devido às pressões do governo Bolsonaro para que a estatal paraguaia aceitasse a imposição das mudanças.

Em mensagem de WhatsApp ao presidente do Paraguai Mario Abdo Benítez em 4 de julho, o ainda presidente da ANDE Pedro Ferreira queixou-se: “A prova de que o acordo é claramente inconveniente é que querem que o mantenhamos secreto. Por que os que firmaram e viram a Ata não saem a defendê-la publicamente?”

Na nota, o governo ainda explicou que:

“Cabe destacar que o Tratado de Itaipu somente permite a venda da energia produzida pela usina para a Eletrobras e para a Ande. Portanto, não tem qualquer fundamento a especulação sobre a possibilidade de comercialização da energia da usina binacional por parte de alguma empresa que não seja a Eletrobras e a Ande;”.

A explicação do governo contém um equívoco, uma omissão e uma inverdade.

O equívoco: o Tratado de Itaipu, no artigo XIV [aqui], permite que a ELETROBRÁS e a ANDE adquiram a energia da hidroelétrica por intermédio de outras empresas ou de entidades dos dois países. A questão fundamental é a modalidade de aquisição da energia, que deve ser definida pelos entes estatais, não por particulares.

A omissão: o governo omitiu que, no texto final da Ata Bilateral assinada secretamente em 24 de maio passado em Brasília, foi retirado o “ponto 6” defendido pela diretoria da ANDE, que atribuía à estatal paraguaia a prerrogativa de gestão do comércio da energia paraguaia excedente. A retirada do “ponto 6” abriu brecha para a LÉROS.

A inverdade: ao contrário do que diz o governo, de que que não houve participação de qualquer empresa “que não seja a Eletrobras e a Ande”, a carta de intenções assinada pelo diretor e fundador da empresa LÉROS, Kleber Ferreira, e protocolada na ANDE em 12 de julho passado desmente este argumento.

Fato relevante é que, até o momento, somente se tem conhecimento de que uma única empresa – uma única empresa– apresentou proposta para a ANDE. E esta empresa, ao que se sabe por ora, é justamente a LÉROS. Isso é estranho, considerando a atratividade de num negócio de centenas de milhões de dólares.

Ao final da nota, o governo ainda explica “que o resultado da Ata Bilateral foi fruto de consenso entre os representantes dos dois países”, o que é outra inverdade, porque as mensagens divulgadas mostram as imposições da delegação brasileira não aceitas pelo lado paraguaio.

A surpreendente convocação do embaixador do Paraguai em 20 de junho para conhecer o “mal estar” do governo brasileiro é prova não só da inexistência de consenso, como também de que o governo Bolsonaro pressionou o Paraguai e direcionou a negociação.

Este escândalo de corrupção binacional instalou uma grave crise política que poderá resultar no impeachment do presidente e do vice-presidente do país vizinho.

Não é aceitável que, enquanto no Paraguai as mensagens reveladas produzam os efeitos correspondentes, no Brasil o assunto não é investigado e noticiado como corresponderia.

O envolvimento de políticos do partido do Bolsonaro [PSL], a convocação do embaixador do Paraguai, assim como a menção de que o intermediário da empresa LÉROS [Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio] agiu “em representação da família presidencial do” Brasil lança a suspeita de que este esquema escabroso pode ter sido coordenado desde a mais alta esfera do governo brasileiro.

 
11
Ago19

Outra armação em Itaipu

Talis Andrade

 

 

Por Tereza Cruvinel

 
Todo governo descobre seu “grande negócio”, seja a pretexto de financiar o partido e o projeto político, seja simplesmente para enriquecer seus membros. 

Está ficando claro que para o governo Bolsonaro, Energia é o grande negócio.

Embora Jair Bolsonaro tenha descartado a privatização da Eletrobrás na campanha, aí está o ministro das Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, confirmando através do jornal Valor Econômico que o governo já optou pela pulverização das ações da estatal, de modo que a União deixe de ter o seu controle acionário. 

Só este já será um grande negócio.
 
Mas é pela binancional Itaipu que estão passando, neste momento, as jogadas mais importantes para os amigos do governo em relação aos negócios com energia. 

Há outras armações em Foz do Iguaçu, além do escândalo que agita o Paraguai, e deveria estar agitando o Brasil, uma vez que o nome dos Bolsonaro foi usado ostensivamente pelos operadores do acordo secreto que, após descoberto, quase levou ao impeachment do presidente Benítez e ainda ameaça seu mandato.

Uma grande armação é o “engravidamento” do Conselho de Administração da estatal brasileira por agentes que representam altos interesses do setor privado na área de energia. 

Já no governo Bolsonaro foram nomeadas duas figuras que todo mundo no mercado sabe quem são e a quem servem. 

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Wilson Ferreira Junior



Um deles é Wilson Ferreira Junior, ex-executivo da CPFL e atual presidente da Eletrobras. Mas, embora presida a estatal, ele foi posto por Michel Temer no cargo exatamente para comandar a sua privatização. Ele é tido como o ponta de lança dos interesses privados no setor. Por isso foi mantido no cargo por Bolsonaro.

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Luiz Fernando Vianna foi indicado por Beto Richa no governo Temer



O outro é Luiz Fernando Vianna, ex-presidente da Copel e ex-diretor geral brasileiro na Itaipu Binacional. Nomeado no início do governo Temer, ele deixou o cargo em maio do ano passado para aceitar uma proposta milionária do setor privado. Foi comandar a Delta Energia, uma das maiores comercializadoras do setor, detentora de um dos maiores fundos de energia do país. 

Wilson e Luiz Fernando são amicíssimos e articularam juntos o ingresso no Conselho da Itaipu porque entendem do negócio. As nomeações só saíram no governo Bolsonaro, com o apadrinhamento do Ministro de Minas e Energia. 

Para isso, pesou muito a relação de Viana com o almirante. 

Eles foram colegas na Marinha durante dois anos, antes de Vianna abandonar a carreira militar para estudar engenharia. Acabaram se reencontrando recentemente, o almirante como ministro das Minas e Energia, Viana como executivo de um grande fundo comercializador de energia. Deu liga.

Vianna falava aos amigos que trabalhava para integrar o Conselho de Itaipu para "acompanhar" a modernização tecnológica da binacional, um negócio estimado em US$ 500 milhões de dólares, e também as negociações do Anexo C do Tratado Binacional de Itaipu. No fundo, este segundo ponto é o que interessa. 

O Anexo C vence em Fevereiro de 2023 e precisa ser renegociado até lá. Trata-se da fixação das regras de comercialização da energia de Itaipu no Brasil e no Paraguai nos anos seguintes. A posição ocupada por eles é estratégica e a crise política no Paraguai expôs esses interesses de forma evidente.

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Sumplente do senador major Olímpio



Figuras ligadas à família Bolsonaro, como Alexandre Giordano, representante da empresa Léros e suplente do senador Major Olimpio (PSL), líder do governo no Senado, tentaram se adiantar e garantir vantagens no acordo firmado para a repartição de energia no ano que vem. Como a reação paraguaia foi enorme, e ainda ameaça o presidente Benitez com o impeachment, o acordo secreto gorou. 

Mas as armações para a revisão do Anexo C, que acontecerão durante o mandato de Bolsonaro, seguem a vapor. Trata-se de uma disputa para ver quem vai controlar a revenda do excedente de energia dentro do Brasil. Negócio de gente grande.

Teoricamente, esta energia deveria ser comprada pela Eletrobrás mas a empresa deixará de ser estatal. Sua privatização é condição preliminar para que a revenda caia em mãos privadas. Mas muita coisa terá que ser definida antes de fevereiro de 2023. 

Qual será o papel das comercializadoras? O Paraguai tem direito a 50% da energia de Itaipu é só vem usando em torno de 15% desse total. Hoje, os 35% não utilizados pelo Paraguai vêm para o Brasil a preço de custo - previsto no anexo C. Quanta energia virá a partir de 2023, e a quê custo virá? Estas regras assanham o setor privado. Só para se ter ideia do volume do negócio: A energia total de Itaipu em 2018 gerou um orçamento de US$ 4,2 bilhões. Como haverá o excedente de 35% da produção total de energia não utilizada pelo Paraguai, é só fazer a conta. No mínimo US 1,5 bilhão em jogo.

Tudo isso, naturalmente, passará pelo Conselho de Administração de Itaipu, onde foram instalados dois representantes do setor privado, dos grupos interessados em estabelecer as novas regras, que podem ter como subproduto o encarecimento da energia consumida pelos brasileiros. 

No Paraguai, a explosão da crise em torno do acordo secreto mobilizou a sociedade civil, que agora se lançou contra os "vendepátrias" que atuavam em Itaipu. 

E aqui, eles continuarão em posições de mando, com a bênção do governo e sob os olhos fechados da sociedade?

Prestemos mais atenção aos negócios com energia.
 
10
Ago19

O escândalo de Itaipu ainda vai assombrar o presidente do Paraguai. E Jair Bolsonaro

Talis Andrade

dario- messer.jpg

Dario Messer

por Murilo Matias

___

O recuo de última hora do Partido Colorado, o MDB paraguaio, salvou o pescoço do presidente do país, Mario Abdo Benítez. Por causa de um acordo secreto, mal explicado e prejudicial ao Paraguai, assinado com o brasileiro Jair Bolsonaro, Benítez corria sério risco de sofrer impeachment. Segundo o acerto, desconhecido pelo Congresso e pela população, Benítez e o vice paraguaio, Hugo Velázquez, assinaram uma revisão do tratado da Usina de Itaipu que geraria um prejuízo calculado entre 200 milhões e 300 milhões de dólares aos cofres públicos. A desistência dos parlamentares colorados de apoiar o processo de cassação deu uma sobrevida à dupla, não se sabe até quando. “Tivemos muitos governos entreguistas, mas nenhum se atreveu a lesar a nossa soberania de maneira tão grave”, afirma o deputado Ricardo Canese, um dos representantes dos vizinhos no Parlamento do Mercosul.

O acordo não é um problema apenas para o Paraguai. As investigações têm potencial para atingir a empresa Leros, que explora jazidas de diamante e nióbio no Brasil e estava interessada em adquirir excedentes de energia gerados pelo lado paraguaio de Itaipu. Um dos representantes da Leros é Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio, filiado ao PSL e líder do governo Bolsonaro.

giordano suplente de Ollimpio.jpg

 

Leia entrevista de Ricardo Canese aqui: O impeachment depende do Partido Colorado "que responde ao ex-presidente Horácio Cartes, e deu a entender que votaria pelo afastamento, mas eles voltaram atrás. Tanto na Câmara quanto no Senado são necessários dois terços dos votos". Cartes mudou o voto Colorado depois que Bolsonaro mandou prender Dario Messer, o "doleiro dos doleiros", considerado o elo perdido entre as operações BanEstado e Lava Jato. De Messer se dizia, para não prende-lo: está com o presidente de Israel, está com o presidente do Paraguai. Eta figura misteriosa protegida da Lava Jato.

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