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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Abr21

“Tráfico humano lá é pesado”: alunos de medicina fazem comentários racistas contra a Bolívia em grupo de WhatsApp

Talis Andrade

Charge/Cartum - Junião

As denúncias contra o kit cloroquina me engana, o tratamento precoce, a falsa cura da Covid-19 deveria partir dos estudantes universitários, na sua maioria brancos e bolsonaristas.

Acusar o não tem do governo militar de Bolsonaro, estigmatizar o não tem da militarização do Ministério da Saúde. 

O não tem acesso ao teste, não tem acesso a uma maca, não tem acesso a um leito, não tem acesso à intubação, não tem acesso aos cuidados paliativos.

Criminar a macabra condenação de ficar na fila da morte.

É o genocídio. O falta tudo. Falta UTI. Falta medicamentos. 

A falta de oxigênio causou o morticínio de Manaus, agora investigado por uma CPI no Senado Federal.

Falta cilindros, seringas e agulhas. 

Falta principalmente vacinas, que o governo genocida 'cuidou' de não comprar no ano de 2020. 

A última campanha dos estudantes foi contra o Programa Mais Médicos, notadamente a campanha xenófoba contra os médicos cubanos.Charge/Cartum - Junião

MPF/PA disponibiliza material didático de combate ao preconceito contra  indígenas — pt-br

 

por David Nogueira /DCM - Diário do Centro do Mundo

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O Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALM) enviou ao DCM, nesta quarta-feira (14), uma nota de repúdio aos comentários racistas feitos por estudantes da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) contra alunos da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).

Os insultos são dirigidos particularmente aos bolivianos, já que o município de Cáceres, onde fica o campus, faz fronteira com o país.

Um dos alunos diz que os livros da Unemat “foram trocados por cocaína”.

Outro estudante chega a dizer: “Tráfico humano lá [na Bolívia] é pesado”.

“Vou pegar dengue assistindo a aula”, afirma outro babaca.

Leia na íntegra a nota do CALM:

O Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALM) vem, por meio deste, repudiar uma triste situação que chegou até nós no dia 13 de abril de 2021. Com a abertura do Sistema de Seleção Unificada (SISU), no dia 6 de abril de 2021, inúmeros grupos de Facebook e Whatsapp foram criados por acadêmicos dos cursos de Medicina nas universidades públicas em todo Brasil.

Tais grupos foram criados na intenção de compartilhar informações sobre o SISU, trocar ideias com outros participantes sobre notas parciais, classificação, além disso, os participantes poderiam se informar mais sobre as universidades e as respectivas cidades com os veteranos presentes nos grupos. Essa propositura, desde o princípio, tinha uma finalidade positiva de integrar estudantes e compartilhar ideias.

No entanto, infelizmente, um caso específico aconteceu em um dos grupos do SISU, sendo esse o da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), em que diversos comentários ofensivos e extremamente preconceituosos foram dirigidos a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), aos acadêmicos do curso de Medicina, ao município de Cáceres e a Bolívia, país esse que faz fronteira com Cáceres.

O CALM expressa total repúdio e contrariedade a esse tipo de atitude, ainda que de modo digital, que propaga inverdades e ofensas. É válido salientar que, de acordo com a LEI Nº 9.459, DE 13 DE MAIO DE 1997:

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”

“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Pena: reclusão de um a três anos e multa.

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

Por fim, o Centro Acadêmico gostaria de aproveitar essa nota para dizer que, ao contrário de tudo o que foi dito, o curso de Medicina da Unemat tem uma comunidade acadêmica extremamente exímia, empenhada e com enorme potencial. A exemplo disso, têm-se as 6 turmas já formadas, com vários alunos aprovados nas melhores e mais concorridas residências e concursos nacionais, além de serem excelentes profissionais e seres humanos, dos quais nos orgulhamos imensamente.

A todos os acadêmicos da Medicina Unemat que já passaram, bem como a todos os docentes engajados, o nosso muito obrigada por toda persistência nas lutas e batalhas enfrentadas para chegarmos onde estamos, toda a evolução do nosso curso é graças a essas pessoas que acreditaram e lutaram pela melhora da qualidade do nosso ensino.

Aos nossos atuais acadêmicos, gostaríamos de expressar que acreditamos no potencial de cada um de vocês e sabemos que, em breve, vocês todos serão profissionais magníficos, que espalharão empatia, cuidado, respeito e a verdadeira Medicina por todo Brasil.

Ao município de Cáceres, nossa gratidão por abrir espaço aos nossos acadêmicos, pela receptividade e pela oportunidade de aprendizado diário que vivenciamos. Nosso desejo é poder aprender cada vez mais e que a comunidade cacerense também possa ser beneficiada com a nossa formação acadêmica e com os futuros profissionais da instituição.

À população boliviana, expressamos nosso total respeito, uma vez que muitos bolivianos se encontram em Cáceres, de tal forma que esses também são pacientes atendidos pelos acadêmicos da Medicina, contribuindo, assim, para nossa formação acadêmica e intercultural.

Aos envolvidos nessa triste circunstância, expressamos a nossa mágoa e frustração com todos os comentários ofensivos, esperamos que tal situação não venha a se repetir nem conosco e nem com nenhuma outra instituição de ensino. À partir dessa nota, espera-se que vocês possam refletir profundamente com o acontecido, que isso não seja reflexo do caráter de vocês, uma vez que os mesmos anseiam em serem futuros médicos e tal profissão, assim como qualquer indivíduo na sociedade, precisa de princípios embasados na empatia e no respeito ao próximo.

Aos demais estudantes que irão colocar sua nota do SISU na Unemat, saibam que vocês serão extremamente bem recebidos por toda comunidade acadêmica, pela instituição e pelo município de Cáceres. Já estamos ansiosos para conhecê-los!

Atenciosamente,

CALM
Sociodiversidade e Multiculturalismo — ENADE

Nota deste Correspondente: Em memória dos profissionais das Ciências Médicas que tombaram no combate à pandemia, em homenagem e apoio e reconhecimento aos bravos que continuam no front contra a Covid-19, os estudantes da Universidade Estadual de Montes Claros deveriam apoiar a CPI da Covid no Senado Federal. E não participar das campanhas bolsonaristas da direita volver. 

charge do gilmar fraga: Últimas Notícias | GZH

21
Mar21

Conselho e Associação abandonam médicos e são responsáveis pelo genocídio que está acontecendo no Brasil

Talis Andrade

morrer miseria vaccari.png

 

Ricardo Parolin faz perguntas que deveriam quebrar o "silêncio" do Conselho Federal de Medicina.

Ricardo Parolin Schnekenberg MD
@parolin_ricardo
Por que a letalidade hospitalar de COVID19 no Brasil é tão alta? Cerca de 30-40% de todos que entram no hospital, cerca de 60% dos que vão para UTI, e inacreditáveis 80% dos intubados. Essa é uma questão muito longa para o twitter, mas espero que algum jornalista escreva sobre. +
 
 
Image
 

Reportagem de Luis Barrucho, para BBC News, informa: Desde início da pandemia, 420 bebês morreram em decorrência da covid-19 no Brasil, contra 45 nos EUA; descontrole, falta de diagnóstico, comorbidades e pobreza explicam quadro trágico brasileiro. 

Reinaldo Azevedo tem cobrado respostas

Reinaldo Azevedo
@reinaldoazevedo
O silêncio do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira diante dos despropósitos de Bolsonaro é assombroso. As diretorias merecem ter seus respectivos nomes inscritos na história.
Não conseguem nem mesmo apontar a inocuidade da cloroquina. O papinho estúpido de q nem há prova de q funciona nem de q ñ funciona é uma aberração. Esse tipo de “prova negativa” em direito e ciência é coisa de energúmenos ou de gente de má-fé.
Agora, suspensão de compra de seringas e agulhas. Mais silêncio. Contra médicos cubanos - e eu critiquei aspectos negativos do programa -, armaram uma guerra. Os cubanos se foram, os pobres estão sem médicos, Bolsonaro se entrega ao negacionismo, e CFM e AMB se calam. VERGONHA!
 
O médico Arruda Bastos, ex-secretário de Saúde do Ceará e um dos coordenadores do Movimento Médicos pela Democracia, disse, em entrevista à TV 247, no programa Boa Noite, que o Conselho Federal de Medicina é responsável pelo genocídio da pandemia da Covid-19 no Brasil.
 
Publica 247: Ao comentar o apoio de médicos do Ceará à política de Jair Bolsonaro para a crise sanitária, Arruda Bastos falou da luta dos Médicos pela Democracia contra um setor bolsonarista.
 

“No final do ano passado nós conseguimos deslocar todo um grupo bolsonarista raiz da Associação Médica Brasileira. Estamos caminhando para tirar também o Conselho Federal de Medicina, que é responsável pelo genocídio que está acontecendo no Brasil", afirmou.

Segundo o ex-vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), “o Conselho Federal de Medicina não tem posições corretas, pela ciência”.

Situação da pandemia é mais grave do que a grande imprensa mostra

Arruda Bastos ainda comentou que a situação da pandemia do novo coronavírus “é muito grave, mais grave até do que a grande imprensa mostra”. “Não temos leitos de UTI, não temos profissionais para UTI, não temos medicamento para intubar, não temos oxigênionão temos presidente e nem ministro da Saúde”, afirmou.

“É a pior catástrofe sanitária da história do mundo em todos os tempos”.

mortes por alecrim.jpg

Rogério Correia
@RogerioCorreia_
Mais de 10.000 pacientes em estado grave aguardam desesperadamente em algum lugar do Brasil uma vaga de UTI. Aniversário do #Genocida tem 300 mil velas apagadas. Revoltante! #ImpeachmentBolsonaroUrgente

Capas dos jornais de hoje:Capa do jornal Folha de S.Paulo 21/03/2021

 
Capa do jornal O Tempo 20/03/2021
Capa do jornal Diário Gaúcho 20/03/2021
Capa do jornal Correio 20/03/2021
 
Capa do jornal Diário da Região 21/03/2021
Capa do jornal Jornal do Commercio 21/03/2021
 
10
Jan21

O silêncio do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira

Talis Andrade
 
Reinaldo Azevedo
@reinaldoazevedo
A CANALHA FASCISTOIDE USA OS DIREITOS QUE LHES CONCEDEMOS NA DEMOCRACIA PARA SOLAPAR A DEMOCRACIA, CONVERTENDO-OS EM CRIMES. Chegando ao poder, eles buscam nos negar por má-fé o que lhes concedemos por boa-fé. Temos de aprender a nos defender desses pulhas. E já!
Congresso tem de votar uma Lei de Defesa do Estado Democrático e de Direito. É preciso pôr fim à latrina golpista do Palácio do Planalto.
30
Jul20

Megaoperação sacrificou potencial soberano do Brasil

Talis Andrade

 

bova bandeira brasil estados unidos.jpg

 

II - A Lava Jato atuou como um partido político representante de interesses estrangeiros

por Larissa Ramina, Carol Proner, Gisele Ricobom

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Após todas as revelações proporcionadas pelo The Intercept Brasil e pela Agência Pública a respeito dos abusos cometidos pela Lava-Jato restou evidente seu funcionamento como sucursal de agências estadunidenses, entre as quais o Departamento de Justiça (DOJ) e o FBI.  No momento em que há uma expectativa real de julgamento do Habeas Corpus de n.164.493/PR, acerca do reconhecimento da suspeição do ex-juiz federal Sérgio Moro em face dos direitos do ex-Presidente Lula, não pairam mais dúvidas de que o real objetivo disso tudo não era o combate à corrupção.

A Lava-Jato atuou como um partido político representante de interesses estrangeiros, viabilizando a extraterritorialidade com riqueza de provas e acesso a investigados e ainda está por se mensurar as consequências do ataque avassalador promovido contra a soberania e o patrimônio nacionais, para só então poder se pensar em estratégias de recuperação de ambos.

Calcular o prejuízo exato causado pelo lavajatismo, expressão que já virou sinônimo de violação de garantias ao devido processo penal, parece tarefa impossível sem antes identificarmos todos os componentes do patrimônio nacional que foram dilapidados.

Como já se sabe, a atuação seletiva no suposto combate à corrupção de determinadas empresas nacionais, exatamente aquelas que significavam uma ameaça aos interesses econômicos dos EUA, visava não o nobre objetivo de combater a corrupção, mas a destruição total dessas empresas, altamente competitivas no cenário internacional. A prova é que nos depoimentos prestados em Curitiba apareceram inúmeras menções a outras empresas, a exemplo do Banco Safra e do Bradesco, que não foram investigadas. Ao contrário, os principais alvos da operação, a Petrobrás e a Odebrecht, altamente vinculadas às políticas públicas dos governos do PT e voltadas para a América Latina e para a África, disputavam de forma eficiente espaço no cenário internacional.

Portanto, os primeiros números a integrar o cálculo dos referidos prejuízos devem ser aqueles que decorrem da destruição da Petrobrás e da Odebrecht e de toda a cadeia produtiva da indústria de construção civil e da indústria energética da exploração de petróleo, abrangendo a perda de receita, de empregos, os valores pagos em acordos de leniência, os lucros cessantes, as perdas decorrentes do processo de privatização de poços de petróleo altamente produtivos, a capacidade de geração de riquezas e suas consequências. A quebradeira impactou de forma significativa o PIB brasileiro.

A destruição dessas empresas aconteceu junto com a crise constante em que o Brasil se encontra desde 2015, com recessão, crescimento baixíssimo, e aliada à pior crise do capitalismo, provocada em 2020 pelo coronavírus. O golpe de Estado contra Dilma Rousseff em 2016 viabilizou a retomada de um projeto ultraneoliberal derrotado nas urnas por quatro vezes consecutivas, efetivado com as reformas trabalhista e da previdência, ambas relativas à gestão da força de trabalho, e com as privatizações.

Em 2018, viabilizou a eleição de um presidente de extrema-direita, taxado de genocida por grandes líderes políticos ao redor do globo, que promove abertamente a destruição ambiental permitindo o desmatamento da Amazônia e se afastando de tratados internacionais na matéria, permitindo o genocídio indígena, o extermínio da população negra, a perseguição à população LGBTI, a misoginia que resulta em taxas altíssimas de feminicídio. Tudo isso compõe o patrimônio nacional. E mais: há perdas enormes na área da educação, com o ataque ostensivo às universidades públicas; na área da saúde com o enfraquecimento do SUS e a expulsão dos médicos cubanos; na cultura com a volta da censura à arte e a escassez de financiamento público; na área da preservação da vida com os índices exorbitantes de mortes por COVID-19, que poderiam ser muito menores se a gestão da crise fosse minimamente eficiente.

Como quantificar esses valores? Quanto valem as áreas devastadas da Amazônia, os médicos e engenheiros que não se formaram, os filmes que não puderam ser produzidos, as vidas dos povos guardiões das florestas? Quanto valem as vidas perdidas para o coronavírus? Quanto vale a perda do orgulho nacional perante a sociedade mundial, diante de um governo que desrespeita instituições internacionais e suas diretrizes? Quanto vale a honra de um país diante da vassalagem constrangedora de seu líder, inclusive acusado de genocídio no Tribunal Penal Internacional? E quanto vale a soberania de uma nação ajoelhada voluntariamente diante de interesses e da jurisdição extraterritorial alienígenas?

Muitos anos ainda serão necessários para quantificar, mensurar e amargar os danos dessa megaoperação que sacrificou o potencial soberano de um país como o Brasil, mas é urgente que sejam compreendidos os mecanismos que permanecem ativos neste plano regional de submissão dos interesses nacionais aos cálculos geoestratégicos dos Estados Unidos. É urgente compreender a trama da extraterritorialidade sancionatória coercitiva que tem sido aplicada a pretexto de combater a corrupção.

bolsonaro trump chaves brasil.jpg

 

13
Jul20

As críticas de Gilmar Mendes e os desastres à vista das Forças Armadas

Talis Andrade

Resumindo, duas áreas centrais para a segurança nacional - saúde e Meio Ambiente - estão sob responsabilidade de militares sem nenhuma experiência no setor (caso da saúde) ou com uma visão oposta à missão que foram incumbidas (o meio ambiente)

por Luis Nassif / GGN

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O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, acusou os militares de estarem promovendo um genocídio no país, pelo descontrole na área da saúde. Os militares reagiram, através de nota conjunta do Ministro da Defesa e do Comandante das Forças Armadas, mostrando o envolvimento das FFAAs em ações por todo o país, de combate ao coronavirus.

Ambos os lados têm razão. Mas a razão invocada pelas FFAAs não responde às críticas de Gilmar.

Uma coisa é seu envolvimento com questões de saúde, montando hospitais de campanha, chegando aos mais distantes rincões do país. 

Em várias pandemias passadas, montaram ações de inegável importância regionais e social, articuladas com o Ministério da Saúde. Mas obedeciam a uma estratégia sanitária, desenvolvida por especialistas em saúde, com grande conhecimento de causa. Essa estratégia foi responsável por projetar o Brasil como referência no combate às grandes pandemias.

O que está ocorrendo agora é diferente. Trata-se da apropriação do Ministério da Saúde por um oficial da ativa –  general Eduardo Pazuello – que está promovendo o desmanche da equipe técnica e a ocupação de cargos por outros militares. Está militarizando a saúde, sem ter conhecimento sobre o tema, em um campo que mexe com o destino de milhões de brasileiros.

É esse o tema, e as FFAAs não podem fugir desse assunto.

Poderiam alegar que não têm nada com isso, que é decisão pessoal do Presidente da República. É argumento falacioso. Se o Presidente convoca militares, que empregam militares, que ocupam cargos para os quais não têm nenhuma experiência, e essa ocupação resulta em desarticulação das ações de saúde e aumento da morte de brasileiros, é uma questão militar, sim. Envolve diretamente a imagem das FFAAs, e os interesses da corporação, mesmo que esses militares obedeçam a um comandante desnaturado – o Presidente da República.

A melhor resposta do Alto Comando seria soltar um comunicado regulando de forma clara a ida de militares ao governo. E deixando de forma clara os limites de sua responsabilidade no combate ao Covid-19.

O general Pazuello foi indicado como interventor do Ministério da Saúde por ser militar, não por seus atributos de especialista em saúde – que, decididamente, não é. Seu currículo foi dourado com a informação de que é especialista em logística. Tal especialidade o torna apto para trabalhos de logística, não para planejamento da saúde. E poderia ser de grande utilidade se fizesse o meio campo com as FFAAs para maior sinergia com as ações de saúde. Em outras pandemias, havia essa colaboração, mas sob o planejamento de técnicos especializados em saúde.

Até o governo Temer, a Saúde nunca foi território político ou de partidos. Todos os Ministros pós-Constituinte eram especialistas ligados à bancada da saúde, mesmo alguns tendo feito carreira política. E a política de saúde foi sendo implementada no país através do mais bem sucedido pacto federativo contemporâneo, articulada com o Conselho de Secretários Estaduais de Saúde, definindo papéis claros para estados e municípios, organizando programas de apoio à saúde da família.

O início da destruição desse arcabouço começou no governo Temer, com a entrega do Ministério ao deplorável deputado Ricardo Barros, e foi ampliada no governo Bolsonaro, com o fim injustificável do Mais Médicos. 

Responsável por esse transtorno, no entanto, a partir de determinado momento o Ministro Luiz Eduardo Mandetta se cercou de quadros técnicos da Saúde. E montou um eficientíssimo sistema de comunicação com o público, que poderia ter transformado o Ministério em um agente de coordenação das ações de estados e municípios contra o coronavirus.

Foi defenestrado por Bolsonaro e a estratégia ruiu. 

Com Pazuello, o quadro deteriorou de vez, fruto de características militares típica, essenciais para a guerra, inadequadas para a governança civil, ainda mais em um país federativo.

A visão militar é do comando unificado. Tem que haver uma hierarquia e um comando cego às ordens que vêm de cima. Só se confia em agentes da própria força. E há uma solidariedade total com os companheiros alvos de ataques. Aliás, não há outra maneira de conduzir uma guerra.  Informações são armas estratégicas, que devem ser tratadas como tal. É o oposto de políticas de saúde, nas quais a boa informação é o melhor agente coordenador de ações.

Quando se traz essa visão para o terreno da gestão pública, é um desastre. Especialmente na gestão da Saúde, há a necessidade imperiosa de se articular com a ponta – estados e municípios – e se embasar em argumentos técnicos, fundados em informações confiáveis.

O próximo desastre 

salles madeira.jpg

 

Não apenas na saúde. O próximo capítulo de desmoralização das FFAAs ocorrerá na ação comandada pelo general Hamilton Mourão, de defesa do meio ambiente.

Mourão montou um conselho da Amazônia composto apenas por militares. Não há governadores, prefeitos, ONGs ambientais, especialistas da Universidade. Isso porque quer controle absoluto sobre a estratégia.

Pior, Mourão compactua com a  mesma visão do Ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, de exploração da Amazônia, de abertura para o garimpo e para a pecuária. E enxerga  na defesa do meio ambiente uma estratégia de apropriação da Amazônia por interesses externos.

É significativo o apoio dado por Mourão ao Ministro Ricardo Salles.

No ano passado, Salles indicou para superintendente regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) no Pará, o coronel da Polícia Militar Evandro Cunha dos Santos. Ele foi exonerado tempos depois por ter cometido uma inconfidência: recebera ordens de Brasília para não mais destruir equipamentos de garimpeiros retidos pelo órgão. Sua informações jamais foi desmentida.

Meses atrás, Salles demitiu Renê Luiz de Oliveira, coordenador-geral de fiscalização ambiental, e Hugo Ferreira Neto Loss, coordenador de operações de fiscalização, logo após uma operação de combate ao garimpo ilegal na Amazônia. Para o lugar de Oliveira, Salles indicou Walter Mendes Magalhães Júnior, coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, e ex-comandante da ROTA.

É esse o Ministro abertamente defendido por Mourão.

Como dois e dois são quatro, Mourão montará algumas políticas para evitar queimadas. Mas fechará os olhos para o desmonte da fiscalização, para o afrouxamento das regras ambientais, para a invasão do garimpo. Mais à frente, quando se tornarem mais nítidos os sinais dessa política, o país será jogado definitivamente no limbo das nações civilizadas.

Resumindo, duas áreas centrais para a segurança nacional – saúde e Meio Ambiente – estão sob responsabilidade de militares sem nenhuma experiência no setor (caso da saúde) ou com uma visão oposta à missão que lhe foi conferida (o meio ambiente).

O passivo cairá na conta das FFAAs. E não adiantará mostrar cenas de militares na Amazônia, em operações contra queimadas, ou em rincões, em operações de apoio à saúde. 

 

16
Jun20

PF faz buscas na casa de Luís Felipe Belmonte, nº 2 do Aliança pelo Brasil

Talis Andrade

Luis Felipe Belmonte

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, ele é vice-presidente do novo partido do chefe do Executivo e suplente do senador Izalci Lucas (PSDB)

HUGO BARRETO/METRÓPOLES

 

Alvo de operação da Polícia Federal (PF) contra atos antidemocráticos, o empresário Luís Felipe Belmonte tem patrimônio milionário. Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, ele é vice-presidente do novo partido do chefe do Executivo, o Aliança pelo Brasil.

Casado com a deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), o advogado atualmente atua como suplente do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), nome cotado para assumir o Ministério da Educação, após fritura do ministro Abraham Weintraub.

Belmonte é uma figura conhecida no meio jurídico brasilense. Com escritórios em Brasília e São Paulo, ele atua no ramo do direito empresarial.

Nas últimas eleições, ocupou o segundo lugar na lista dos maiores doadores para campanhas de candidatos no Distrito Federal, e distribuiu quase R$ 3,3 milhões para 30 concorrentes. Somente para a campanha de Izalci, o advogado doou R$ 1,5 milhão, sendo R$ 430 mil em setembro, quando Izalci despontou nas pesquisas, segundo o TSE.

Enquanto suplente de senador pelo PSDB em 2018, seu patrimônio beirava os R$ 66 milhares de reais, de acordo com o Tribunal de Contas Eleitoral. Entre os bens, acumulam-se fazendas e carros de luxo.

247 - Alvo de uma Operação da Polícia Federal contra atos pró-golpe, o empresário Luís Felipe Belmonte foi denunciado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro em 2017, pelo pagamento de propina em troca de decisões judiciais favoráveis ao seu escritório de advocacia. Na ação, ele teria pago R$ 800 mil ao ex-desembargador Vulmar de Araújo Coelho Júnior, do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, em Rondônia.

O dinheiro teria sido repassado por meio da compra de um imóvel do desembargador por R$ 1,2 milhão. Deste valor, R$ 800 mil seriam referentes à liberação de precatórios que beneficiariam clientes de Belmonte. A diferença do valor da casa, orçada em R$ 400 mil, seria retribuição à decisão do magistrado, segundo informações publicadas pelo site Metrópoles

Gazeta do Povo - O site de Felipe Belmonte o descreve como um músico por vocação que entrou para o mundo jurídico por acreditar no princípio da justiça. Apesar de ter perfil que destoa do bolsonarismo clássico, Belmonte, de 66 anos, conquistou em pouco tempo um lugar no restrito circulo íntimo do clã e assumiu o papel que um dia foi do também advogado Gustavo Bebianno, hoje desafeto da família. No organograma do partido em formação, ele é o terceiro nome, abaixo apenas do presidente e do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ).

Desconhecido dos bolsonaristas, Belmonte se encontrou pessoalmente com o presidente em fevereiro, no almoço de aniversário do cantor Amado Batista. Na ocasião, o contato foi protocolar. O primeiro encontro de fato entre os dois se deu apenas no dia 19 de novembro, no Palácio do Planalto, e teve a participação dos advogados Karina Kufa e Admar Gonzaga, que assumiram a missão de definir o destino do presidente após ele deixar o PSL.

"Ele conhecia alguns dirigentes de partidos pequenos e tinha algumas opções", disse Karina. Depois, quando se constatou que o melhor caminho para o presidente era criar a própria agremiação, Belmonte seguiu ajudando. "Ele acabou ficando envolvido com o projeto e realmente se jogou", afirmou a advogada, que foi quem "descobriu" o novo aliado.

Belmonte desembarcou em Brasília em janeiro do ano passado, após um período sabático de oito anos na Inglaterra – onde aprendeu inglês e foi a shows de rock –, disposto a gastar parte de sua fortuna de R$ 65,8 milhões para entrar na política com a mulher, Paula Belmonte.

DCM - Escreve Mauro Donato: Até cerca de 2 anos atrás, Luís Felipe Belmonte vivia sua vida de milionário com a esposa e filhos na Inglaterra.

De lá, gerenciava seus negócios no Brasil, entre eles um time de futebol, o Real Brasíllia.

Ao perceber as nuvens do bolsonarismo formando-se sobre o céu do Brasil e sentindo aquele aroma de oportunidades no ar, em 2018 Felipe Belmonte pegou as malas e a esposa e voltou.

Projeto: entrarem, ambos, na política. Já de cara conseguiram eleger Paula, a esposa Belmonte, como deputada federal. Ele filiou-se ao PSDB e bancou a campanha de Izalci Lucas, o gênio do Escola Sem Partido.

Felipe Belmonte então aproximou-se ainda mais dos Bolsonaro e desde o ano passado é um dos principais nomes por trás da criação do Aliança pelo Brasil.

Ele hoje é o número três na hierarquia do Aliança, atrás apenas de Bolsonaro e do filho Flavio, o homem das rachadinhas de chocolate. Como é advogado, Belmonte ocupa hoje um papel que já foi de Gustavo Bebianno. Que sirva de aviso.

Mas voltemos ao que interessa. O que faz um milionário que vivia na Inglaterra nos últimos anos decidir retornar e exercer a ‘vida pública’? Um surto de patriotismo?

As atitudes do empresário Belmonte e seus posicionamentos em relação a alguns aspectos da política, do Aliança, e regras eleitorais ajudam o leitor a formular a resposta.

 

Felipe Belmonte é a favor da volta do financiamento privado em campanhas eleitorais. Caso clássico de quem tem dinheiro para comprar a tudo e a todos (patrimônio declarado de R$ 65,8 milhões), ele contorna essa questão com um discurso revestido de retidão.

“É preciso estabelecer que cada doador só pode doar para um candidato, de mesma base eleitoral. Não dá para apostar em dez e, quem ganhar, é com aquele estou, entende?”, declarou ele em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira.

Curioso é que o próprio Belmonte não segue seus preceitos.  No ano passado ele injetou quase R$ 4 milhões em candidatos os mais variados. Até do PCdoB!! Ele foi o segundo maior doador na campanha em Brasília.

Bolsonarismo explícito é isso, vende uma imagem e pratica o oposto.

Como empresário/advogado Belmonte também tem esqueletos no armário a serem explicados. O Ministério Público Federal o denunciou sob acusação de pagar propina a um ex-desembargador do Tribunal Regional do Trabalho em Rondônia.

Segundo a acusação, Belmonte conseguiu liberar um pagamento de R$ 107 milhões de um processo trabalhista, relacionado a um precatório da União.

Em poucas palavras o caso é o seguinte: o desembargador Vulmar de Araújo Coelho Junior havia suspendido o pagamento do precatório. Estranhamente, após atuação do escritório de advocacia de Belmonte, o desembargador reviu a própria decisão e liberou que a União pagasse. O escritório de Belmonte faturou R$ 11 milhões do precatório e logo depois, ainda segundo a denúncia, Belmonte usou um laranja para comprar um imóvel do desembargador.

A denúncia foi apresentada em maio de 2017 pela Procuradoria-Geral da República, o Ministério Público Federal ratificou os termos da denúncia, mas ainda não houve abertura de ação penal. Portanto, até agora Belmonte não é réu no caso.

A relação advocacia/imóveis/União faz parte do universo nababesco de Belmonte.

O escritório Luís Felipe Belmonte e Advogados Associados é especializado em processos contra a União que chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ou seja, seu combatente habitual é a Advocacia-Geral da União (AGU).

Como proprietário de imóveis, Belmonte possui, entre outros, os prédios da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em Brasília. Só com os aluguéis desses dois bens, o empresário tem uma renda mensal de R$ 769 mil (segundo reportagem da Veja). Dá pra viver tranquilamente na Inglaterra ou em qualquer lugar do planeta.

E onde entra a esposa, Paula Belmonte, nisso tudo?

Ela entrou para a política em 2018 e já se elegeu deputada federal em sua primeira participação. O que o dinheiro não faz, não é mesmo?

Paula passou o ano de 2018 envolvida com a CPI do BNDES. Chegou a viajar para Washington para fazer ruído com a suposta ‘utilização do banco de desenvolvimento para comprar companhias americanas durante os governos Lula e Dilma’.

Como a auditoria já revelou que não houve irregularidade nenhuma no BNDES, Paula agora volta a se submeter aos americanos e está à disposição para oferecer informações sobre o programa Mais Médicos e também investimentos que o Brasil tenha feito em Cuba.

Seu comportamento em Brasília é digno de uma dondoca.

Ainda no ano passado, Paula chegou atrasada em uma cerimônia do governo do DF e do Ministério da Cidadania. Por ter perdido um lugar entre as autoridades presentes, fez um barraco à la Big Brother, chegando a puxar pelo braço – e aos berros – a primeira-dama, Mayara Noronha.

O governador Ibaneis Rocha interveio: “Não aceito meninice de dondoca”.

Paula é do Cidadania e Felipe Belmonte é ex-PSDB. Os planos do casal são grandes. Pra já, a estratégia é tornar governador um dos dois em 2022. Mesmo que na cédula o nome conste como Izalci Lucas, não se engane.

Até lá saberemos se o partido que terá como número de legenda o 38 estará de pé. Depois disso, segura o casal.

 
 
 

 

15
Abr20

Ou Bolsonaro ou a vida

Talis Andrade

bolsonaro virus.jpg

 

por Fabianna Freire Pepeu

Como é público e notório, não tenho nenhuma simpatia por quem foi contrário ao programa Mais Médicos e optou, na carreira de saúde, pela medicina privada misturando isso a mandatos legislativos clientelistas, com evidente desinteresse pelo SUS.
 
Em relação à torcida formada por oportunistas sem nenhum caráter que envergonhados pelos atos assassinos de Bolsonaro, seu presidente, resolveu transformar ministro de governo fascista em herói — apenas pra se sentir menos desconfortável pela tragédia da qual é corresponsável —, todo meu desprezo no atacado e no varejo.
 
Apesar dessas duas ponderações — e a vida não é filme e você não entendeu —, a saída de Mandetta, supostamente por conta da reportagem do Fantástico no domingo passado — obviamente, uma inverdade, pois Bolsonaro apenas vem adiando a picada de escorpião —, sempre me pareceu favas contadas, mais cedo ou mais tarde, com ou sem entrevista, porque Bolsonaro é invejoso e paranóico, então não tinha possibilidade de acordo.
 
Agora, discordo que Bolsonaro e Mandetta sejam iguais e que tudo não passava de um jogo de cena.
 
Os dois não são iguais. Em terra de cego, já dizia o ditado popular, quem tem um olho é rei. Assim sendo, Mandetta compreender que o isolamento social é, na falta de vacina e remédio (testado, aprovado e disponível em larga escala), o único instrumento pra evitar o colapso hospitalar, como já está em curso, no estado do Amazonas, por exemplo, já é digno de reverência.
 
Pois é. Fazer o quê? As coisas são o que são. Em certas situações, é isso ou é isso mesmo e as coisas são dinâmicas e eu não vejo nenhuma contradição em apoiar, em um determinado momento, a permanência de um maloqueiro porque é o que há de menos trágico numa situação excepcional como a que estamos vivendo de pandemia.
 
É por isso que a saída dele hoje — ou amanhã ou mesmo na próxima sexta-feira — é muito ruim. É a tragédia dentro da tragédia que já é tragédia há muito tempo e muito mais que apenas um par de anos e só tem piorado vertiginosamente.
 
Não é ruim a troca de Mandetta porque ele é insubstituível. Todo mundo é substituível no sentido prático das tarefas do mundo.
 
É muito ruim porque, claro, pode vir alguém ainda mais alinhado à perversão de Bolsonaro (e também a de militares muito próximos que apenas simulam não ser do mesmo time por pura conveniência), mas também porque a mudança de um ministro implica em alteração de técnicos com efeito cascata por toda administração, entre muitas outras implicações burocráticas. E essas alterações todas podem significar mais atrasos nas decisão, negociações de compra de insumos e equipamentos de saúde e mais mortes pela Covid-19.
 
Seja quem for o substituto do atual ministro da Saúde, e é pouco provável que gente realmente séria de fora do governo tope ser subordinado a Bolsonaro, a mudança é sinônimo de mais uma queda. Caímos todos porque nada relativo a Bolsonaro e suas performances perversas visam o bem, a saúde, a vida.
 
Enquanto houver Bolsonaro e seus anjos do mau, estaremos, com ou sem vírus nos contaminando o corpo, rumando para a morte
 

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22
Mar20

Falta médico, na linha de frente e na última trincheira da vida

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Janio de Freitas, na coluna de hoje na Folha de S. Paulo diz que Bolsonaro inaugurou seu desgoverno com devastação do Mais Médicos e fala da dispensa de 12 mil médicos cubanos.

Sim, e estes profissionais farão muita falta na hora de bloquear a chegada da pandemia do Covid-19 não só às periferias como às localidades mais remotas, considerando que o contágio se dá “de fora para dentro” e é das cidades de grande e médio porte que ele chegará lá, onde sequer há hospital, que dirá equipamento para casos graves, difíceis de remover pela distância e pela precariedade das vias.

Fui, então, buscar os números de nosso suporte de pessoal de saúde, com a ajuda de um amigo médico.

Temos, no país, 412 mil médicos. Isso representa 1,9 médico por mil habitantes. Para a comparação: Espanha, Itália e Alemanha, mergulhadas na crise sanitária, têm 4 médicos por mil pessoas. Cuba, a “maldita”, tem 8, na mesma comparação.

São poucos e são mal distribuídos no país: 53,3% estão no Sudeste, 18,45% no Nordeste, 16,5 % no Sul e 8% no Centro-Oeste (concentrados, claro, em Brasília, e 4,7% na Região Norte.

Para atuar na última barreira para a morte, com experiência em envolvidos com intubação e ventilação assistida, temos 3.139 intensivistas (destes 75,9% atendem no SUS) e 15.086 anestesistas, dos quais 81,4% com vínculo com o SUS, embora haja médicos de outras especialidades com habilidade para isso.

Claro que nem todos estarão envolvidos neste esforço, e, ainda que estivessem, seriam poucos. Não podem trabalhar 24 horas por dia e o procedimento de intubação, nestes casos, onde o paciente é mantido sob sedação, exigem a presença do médico a cada movimentação do paciente – cuidado necessário em doenças pulmonares , ao menos duas vezes ao dia.

E as enfermeiras e enfermeiros com curso superior, que são a “infantaria” dos hospitais, quem percebe sintomas, dá os primeiros cuidados e o alarme, traz o médico a quem precisa dele e não descansa na vigilância do paciente? Nos cuidados intensivos ou semi-intensivos são necessários em número bem superior ao dos médicos, por estas funções.

São 251 mil, 84% vinculados ao SUS e com a mesma distribuição regional com distorções que a dos médicos.

Este pessoal, mesmo com os trajes adequados, como em países mais ricos, está sofrendo “baixas” de 10% por contágio. Quanto mais sob estresse forem mantidos, por longas semanas e cargas monstruosas de trabalho, mais vulneráveis estarão.

Se queremos que enfrentem esta guerra por nós, é preciso reforçar a tropa, e já, porque isso demanda treinamento.

O governo Federal tem de abrir um programa de contratação para ontem e capacitação para anteontem.

Ninguém se iluda, se alguém puder salvar a sua vida este alguém será do SUS.

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22
Mar20

Médicos cubanos são recebidos com aplausos na Itália

Talis Andrade

 

247 – Depois de passar anos combatendo o programa Mais Médicos e atacando os profissionais cubanos, a quem chamava de espioões e terroristas, Jair Bolsonaro usou suas redes sociais para prometer a contratação de 5,8 mil novos agentes de saúde. Confira seu tweet e também notícia sobre a ajuda que Cuba oferecerá à Itália:

Jair M. Bolsonaro
@jairbolsonaro
 
As inscrições para a seleção de 5.800 profissionais para atuação no programa Mais Médicos e a renovação da adesão de municípios foram prorrogadas e vão até domingo (22/03), às 18h. Detalhes: bit.ly/2WvyyPD@minsaude
 

Sputinik – O governo cubano informou ter enviado uma brigada de médicos à Itália, após receber pedido formal da Lombardia. Cuba tem alta taxa de médicos per capita, mas já confirmou 21 casos de coronavírus na ilha.

Desde a revolução de 1959, Cuba exerce o que se convencionou chamar de "diplomacia médica". Na década de 2010, médicos cubanos estiveram na linha de frente do combate à cólera no Haiti e do ebola na África ocidental. No Brasil, médicos cubanos foram enviados para os confins do país para ajudar no combate à dengue e na falta de atendimento continuado.

No entanto, essa é a primeira vez que Cuba está enviando seu "exército de jaleco branco" a um país desenvolvido, a Itália.

"Estamos com medo, mas temos uma missão revolucionária a cumprir, então pegamos esse medo e colocamos ele de lado", disse Leonardo Fernandez, especialista em cuidado intensivo de 68 anos, a caminho da Itália.

Fernandez contou à Reuters que essa será a sua oitava missão internacional, que incluiu trabalho na Libéria, durante a crise do ebola.

Quem fala que não tem medo é um super herói. Mas nós não somos super heróis, somos médicos revolucionários", disse Fernandez.

 

A Itália é o país com maior número de mortes pelo coronavírus, contabilizando 4.825 vítimas fatais, com 53.378 casos confirmados de COVID-19. Como comparação, a China, mesmo com mais de 81 mil pacientes infectados, registrou 3.144 vítimas fatais.

"Iremos cumprir uma tarefa honrosa, baseada no princípio da solidariedade", disse o médico cubano Graciliano Díaz, de 64 anos.

Desde o início da pandemia de COVID-19, Cuba já enviou brigadas de médicos para a Jamaica, Venezuela, Nicarágua, Suriname e Granada.

No Brasil, o ministro da Saúde declarou que irá solicitar que os médicos cubanos que permaneceram no Brasil após serem dispensados do programa Mais Médicos voltem ao trabalho para combater a COVID-19.

Ivan Valente
@IvanValente
 
Médicos cubanos, com a missão de combater o coronavírus, são recebidos sob muitos aplausos por italianos. Já no Brasil, Bolsonaro, que atacava esses médicos e os mandou embora, segue minimizando a gravidade da crise.
 
Janio de Freitas:
 
Bolsonaro inaugurou seu desgoverno com devastação do Mais Médicos. A cota de responsabilidade do presidente pelas consequências da pandemia vai muito além de suas suposições idiotas" 
 

 

22
Mar20

Desmonte do Mais Médicos foi responsabilidade construída por um irresponsável, diz Jânio de Freitas

Talis Andrade

máscara bolsonaro.jpg

 

 

247 - "A cota de responsabilidade de Jair Bolsonaro pelas consequências da pandemia, no Brasil, vai muito além do atraso imposto por suas suposições idiotas —“muita fantasia sobre coronavírus”, “muita histeria”— às medidas administrativas urgentes”, diz o jornalista Jânio de Freitas em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo. “É uma responsabilidade construída, a desse maior irresponsável entre os irresponsáveis”, ressalta ele em referência ao desmonte do programa Mais Médicos feito por Bolsonaro por razões ideológicas. 

“A conduta dos chamados meios de comunicação nesse assunto foi deplorável, desde o início, com o tema posto na campanha eleitoral. Orientaram-se pela nacionalidade e não pelas qualidades que o programa tivesse”, complementa. 

“Ora, o Mais Médicos e a inclusão de estrangeiros vieram solucionar a recusa dos brasileiros a exercer a medicina onde menos era, e voltou a ser, alcançável.  Neste março, dia 11, o ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde (?!), lançou mais um de sucessivos editais para preencher o Mais Médicos. Nos anteriores, sempre a repetição: muitas inscrições, redução grande na hora das apresentações e abandono do serviço médico em pouquíssimo tempo, com volta à cidade de origem” relembra.

“Há condutas de governantes que não figuram nos Códigos Penais, mas têm tudo de crimes. Crimes contra a humanidade”, finaliza.

 

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