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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

12
Mai22

Brasil registrou uma morte violenta de LGBTs a cada 27 horas em 2021

Talis Andrade

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Ao todo, foram registradas 316 mortes, número 33,33% maior que em 2020, quando ocorreram 237 óbitos

 
 

Dossiê divulgado nessa quarta-feira (11/5) aponta que, em 2021, a cada 27 horas uma pessoa morreu vítima da violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no Brasil. Ao todo, foram registradas 316 mortes, o que representa um aumento de 33,33% em relação a 2020, quando ocorreram 237 óbitos.

Entre as causas, 262 foram vítimas de homicídio e, 23, de latrocínio. Juntos, os crimes violentos representam 90,19% das causas dos óbitos relacionados à orientação sexual e identidade de gênero. Também foram documentados 26 suicídios e cinco pessoas morreram por outras causas.

As principais populações afetadas foram homens gays (145) e travestis e mulheres trans (141), que somaram 286 óbitos. Em menor número, aparecem mulheres lésbicas (12), homens trans e pessoas transmaculinas (8), bissexuais (3), outros segmentos (3) e aqueles que não tiveram a identidade de gênero ou orientação sexual não informada (4).

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Subnotificação

O documento foi produzido por meio do Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+, coordenado pelo Acontece – Arte e Política LGBTI+ e pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), em parceria com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT).

As organizações apontam que, apesar dos índices serem alarmantes, os números ainda podem ser subnotificados. Isso ocorre porque o levantamento tem notícias publicadas em veículos de imprensa como principal fontes dos dados. Além disso, quando também são consultadas denúncias feitas por meio das redes sociais.

 

“Como dependemos do reconhecimento da identidade de gênero e da orientação sexual das vítimas por parte dos veículos de comunicação que reportam as mortes, é possível que muitos casos de violências praticadas contra pessoas LGBTI+ sejam omitidos.”

 

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Mai22

Maioria dos deputados da Frente Parlamentar Evangélica apoia pautas antiambientais

Talis Andrade

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Levantamento da Agência Pública mostra que a maior parte dos parlamentares foi favorável aos ‘PLs da Morte’, apontados como ameaças ao meio ambiente e aos povos tradicionais

 

 

 

por Bárbara Poerner /Agência Pública

 

  • Liderança evangélica no Congresso confirma alinhamento e troca de favores entre as bancadas do boi e da Bíblia

 

  • Atuação da frente destoa da opinião de 85% dos evangélicos brasileiros, que consideram pecado não proteger o meio ambiente, segundo pesquisa

 

Entre falas e textos fervorosos contra a legalização do aborto no perfil do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), um vídeo publicado na última quarta-feira (6) pode até passar despercebido. Ele mostra o encontro do atual líder da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) com presidentes de cooperativas indígenas para falar sobre o Projeto de Lei (PL) 191/2020, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Na postagem, os presentes encerram a conversa com uma oração, ao mesmo tempo em que mais de sete mil indígenas, de diferentes etnias, protestavam no Acampamento Terra Livre (ATL) contra o PL, que abre as porteiras para exploração de mineração e geração de energia em territórios indígenas. Sóstenes foi favorável ao caráter de urgência para apreciação do projeto, ainda em tramitação.

A Agência Pública analisou os votos dos deputados da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) em pautas antiambientais que tiveram discussão recente no Congresso Nacional, nesta legislatura. A maioria dos deputados da FPE votou a favor da aprovação dos chamados ‘PLs da Morte’, um combo de cinco projetos que têm sido apontados como ameaças ao meio ambiente e a povos tradicionais. Além do PL 191, essa lista de projetos inclui o PL 3729/2004, que trata sobre licenciamento ambiental; o PL 6299/2002, conhecido como o Pacote do Veneno; o PL 2633/2020, conhecido como o PL da Grilagem; e o PL 490/2007, que altera o Estatuto do Índio e defende a tese do Marco Temporal, que limita o reconhecimento de territórios tradicionais.

Dentre os 196 deputados signatários da FPE, segundo a Câmara dos Deputados, 131 (66%) foram favoráveis ao caráter de urgência do PL 191/2020. Outro PL, o 3729/2004, aprovado no dia  13 de maio de 2021 na Câmara e em tramitação no Senado, flexibiliza as regras para o licenciamento ambiental no Brasil. Novamente a maioria dos deputados signatários da FPE – 131 (66%) dos 196 – foram favoráveis ao projeto.

Aprovado recentemente na Câmara, o PL 6299/2002, conhecido como Pacote do Veneno, flexibiliza a liberação de agrotóxicos no país, entre outras alterações. Aguardando apreciação no Senado, o projeto contou com apoio de 135 (68,8%) deputados federais signatários da Frente Parlamentar Evangélica. Também está no Senado o PL 2633/2020, projeto que possibilita a regularização fundiária de terras da União por autodeclaração. A aprovação na Câmara, no dia 3 de agosto de 2021, contou com apoio de 136 (69%) deputados signatários da FPE.

O quinto projeto do pacote chamado de “PLs da Morte” foi aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e aguarda votação na Câmara. O PL 490/2007 pretende alterar o Estatuto do Índio, e com isso validar a tese do Marco Temporal. Dentre os 40 votos totais favoráveis ao projeto na CCJ no dia 23 de junho do último ano, 17 foram de deputados signatários da FPE. Nos 21 votos totais contrários, apenas um foi de um deputado signatário da FPE.

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A Frente Parlamentar Evangélica (FPE) é composta por 196 deputados (14 estão fora do exercício) e sete senadores signatários, conforme o site da Câmara dos Deputados. Embora chamada de evangélica, ela inclui parlamentares que professam a fé católica, espírita ou ainda quem não assume nenhuma religião. O grupo reúne 19 partidos. O Partido Liberal (PL), partido atual do presidente Jair Bolsonaro, tem a maior representatividade, com 42 parlamentares. O Republicanos, vinculado a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e que tem como presidente o bispo e deputado Marcos Pereira, e o Partido Social Democrático (PSD), vêm em sequência, com 29 e 28 signatários, respectivamente. Tanto o PL, quanto o Republicanos e o PSD orientaram voto afirmativo para os cinco PLs antiambientais citados na reportagem.

A Frente Parlamentar Evangélica não é, necessariamente, um sinônimo da bancada evangélica. “Enquanto a FPE é uma entidade formal, balizada pelo regime estatutário do Congresso Nacional, a bancada reúne deputados e senadores que têm uma articulação mais sólida em torno de pautas em comum”, explica Lívia Reis, coordenadora de Religião e Política do Instituto de Estudos da Religião (ISER). Atualmente, a bancada evangélica congrega 121 parlamentares (110 deputados e 11 senadores), segundo o gabinete do presidente da FPE, deputado Sóstenes Cavalcante, que também é uma das lideranças.

A reportagem também analisou os votos dos 110 deputados da bancada evangélica em quatro ‘PLs da morte’ que tiveram votação na Câmara dos Deputados. No PL 191, 82 (74,5%) votaram sim e 11 (10%) votaram não. No PL 3729/2004, 82 (74,5%) votaram a favor, e 7 (6,3%) contra. 79 (72%) apoiaram o PL 6199, e 12 (11%) foram contra. No PL 2633, 87 (79%) foram favoráveis e 05 (4,6%) contrários.

Discursos ambientais

Sóstenes Cavalcante assumiu o posto de líder da Frente Parlamentar Evangélica no último dia 16 de fevereiro, sucedendo Cezinha Madureira (PSD-SP). O deputado se posiciona como um “um político conservador, mais à direita” e “liberal na economia e conservador nos costumes“. Em entrevista recente, ele afirmou que a meta do seu mandato é “focar na eleição para ampliar a bancada com o máximo de colegas”. O líder apoiou a eleição de Bolsonaro à presidência em 2018, mas já esboçava proximidade com o chefe de estado há alguns anos. O deputado é apadrinhado por Silas Malafaia, pastor da Assembléia de Deus Vitória em Cristo.

À Pública, Sóstenes disse que não existe uma orientação específica para os membros da FPE em votações que versam temas ambientais. Os votos de apoio a pautas antiambientais, segundo ele, sinalizam uma sinergia entre grande parte da bancada evangélica com o atual governo. “Não tiramos uma decisão da FPE desse assunto, mas pela Frente ter no mínimo 80% de deputados de partidos da base aliada ao governo, temos uma tendência de votar a [favor da] redução dessas demarcações conforme os projetos que tramitam na casa. Não é decisão da bancada ou FPE, mas das bancadas partidárias, e quando é [de interesse] do governo, passa a ser daqueles que compõem [sua] base”, afirma o deputado.

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Jair Bolsonaro (à direita), Sóstenes Cavalcante (ao fundo), Silas Malafaia (à esquerda) e Magno Malta (ao centro) na Marcha Para Jesus, em 2015

 

O deputado também afirma que as lideranças evangélicas no Congresso são “liberais na economia e progressistas em projetos econômicos”. “Se tivermos que alinhar algum segmento não será com segmentos indígenas que queiram impedir o progresso e prosperidade do seu povo”, diz. Ele também comenta que já realizou reuniões com lideranças indígenas, e que, na sua percepção, “nem sempre a questão da exploração de territórios tradicionais é um ponto pacifico dentro da comunidade indigena”. Também diz que não vê “nenhum dano ambiental, de maneira nenhuma, [com as propostas dos PLs].”

Proteger o meio ambiente é algo que, segundo Sóstenes, faz parte da sua religiosidade, mas ele discorda do que chama “pauta do meio ambiente com viés de esquerda e ideológico”. “Leremos com a responsabilidade que se requer, mas não leremos na mesma cartilha da pauta de esquerda nem de ONGs sustentadas por países estrangeiros, que lamentavelmente é o que aconteceu com a pauta de meio ambiente no Brasil”, completa o deputado.

Dentre os projetos de lei propostos por ele na atual legislatura e analisados pela Pública, apenas um versa sobre temática ambiental. Trata-se do PL 2014/2021, que propõe a garantia de porte de armas aos fiscais ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Sóstenes é o terceiro presidente da atual legislatura da FPE. Silas Câmara (Republicanos-AM) presidiu a Frente até o final de 2020. Pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ele votou a favor, quando compareceu às votações, de todos os projetos de lei apreciados na Câmara analisados nesta reportagem pela Pública.

Silas Câmara foi eleito pelo estado do Amazonas em 2018 e já se manifestou sobre alguns episódios envolvendo seu estado. Em novembro de 2021, imagens de balsas de garimpeiros na extensão do Rio Madeira, que corta o Amazonas e Rondônia, chamaram a atenção da imprensa, sociedade civil e ativistas. O episódio mobilizou uma ação do Ibama e da Polícia Federal, que queimou e dispersou a maioria das embarcações. Na época, Câmara se posicionou a favor do garimpo ilegal na região e pela legalização da prática. Em discurso no plenário, o deputado disse que “o extrativista mineral familiar não é bandido”. “São homens e mulheres responsáveis, que conhecem a região, que zelam pelo meio ambiente, que amam o próximo e que precisam sobreviver desta atividade”, afirmou, clamando até ao presidente: “eu peço ao Presidente Jair Messias Bolsonaro, que tem compromisso com o meio ambiente e tem compromisso também com as pessoas, com as vidas, com as famílias, que pare esta ação e tome uma atitude coerente, racional e responsável para que essas famílias possam ser abordadas pelo Governo Federal”.

A narrativa favorável ao garimpo apareceu novamente em sua votação no PL 2633. Câmara afirmou em discurso que “esse projeto de lei atende a necessidade de muitos, como disse ainda há pouco o companheiro que me antecedeu, proprietários legítimos das terras que supostamente pela esquerda estão sendo tituladas como terras públicas. Na verdade, esse projeto dá um norte ao monitoramento para que, por exemplo, a preservação ambiental seja realmente eficiente, através do mapeamento de quem se torna de fato proprietário”.

Durante sua presidência na FPE, Câmara foi autor do PL 4447/2019, apensado ao PL 1610/1996, que “permite exploração sustentável em terras indígenas”; do PL 2348/2019, que altera lei de distribuição de terras no país e permite a regularização daquelas que estão em uso indevido; e do PL 5829/2019, que versa sobre energia solar e estabelece o marco da geração distribuída no país. Ainda, em 2019, presidiu a Comissão de Minas e Energia na Câmara dos Deputados.

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Sóstenes (no centro da mesa) em reunião com lideranças indígenas

 

Alinhamento entre as bancadas do boi e da Bíblia

A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) é uma das maiores do Congresso Nacional, e seu desdobramento, a bancada ruralista, é apontada por organizações socioambientais como o núcleo estruturante de várias pautas que ferem direitos de povos originários e de proteção à natureza. O pesquisador em sociologia da religião e ecologia na USP, Renan Willian dos Santos vê pontos múltiplos de articulação entre as bancadas ruralista e evangélica, “não só morais, mas econômicos, já que a união de ambas se dá prioritariamente pela troca de favores”. “Eles [FPE] são uma espécie de centrão, fisiologismo puro, e podem fazer acordos para votar em outros assuntos que não os interessem”, argumenta.

O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Sóstenes Cavalcante, confirma o alinhamento e a troca de favores entre as frentes evangélica e do agronegócio. “Normalmente a gente trabalha com a frente do agronegócio. Temos uma tendência a se alinhar com essa frente, nos nossos temas que são prioritários [para nós], mais ligados a costumes, a gente também conta com a ajuda da frente do agronegócio. Nesses assuntos a nossa tendência será também alinharmos, dentro da responsabilidade necessária, com a [FPA]”.

Entre os 196 deputados signatários da FPE, 99 fazem parte também da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Zequinha Marinho (PL-PA) é um deles. O senador integra a mesa diretora da atual legislatura da FPE, e é também vice-presidente da frente do agronegócio. Zequinha foi apontado como um dos agentes favorecedores do garimpo ilegal no Pará, estado onde foi eleito. Segundo a Repórter Brasil, o senador “pressiona os diretores da Agência Nacional de Mineração (ANM) para que as lavras garimpeiras sejam autorizadas com mais rapidez”.

Outro ponto de convergência entre as bancadas pode estar relacionado à uma prática histórica de igrejas evangélicas no Brasil: as missões evangelizadoras em terras indígenas, que promovem pregações e ações para pessoas não convertidas à fé cristã. O pesquisador Renan diz que existe uma “vantagem colateral [da aliança entre as frentes parlamentares], que é o financiamento da construção de templos nas bordas das reservas indígenas, com obras de missionários. Por isso, os evangélicos vão votar a favor de maior demarcação em TI ou para flexibilização? Para flexibilizar”, elucida ele.

Sóstenes Cavalcante nega a relação entre a votação dos parlamentares da FPE em pautas antiambientais e as práticas missionárias em territórios indígenas. Ele reforça que os votos refletem alinhamentos com a base do governo, e critica a decisão, em setembro de 2021, do ministro do STF Luís Roberto Barroso, que proibiu a entrada de missões religiosas em terras de povos originários isolados. “Por princípio constitucional, existe liberdade religiosa, em todos os territórios, inclusive os indígenas, mas o STF insiste em ferir o próprio texto constitucional”, diz o deputado.

O deputado Silas Câmara também já defendeu as missões da Assembléia de Deus, afirmando que a prática é importante para reduzir as desigualdades sociais. “Todos sabem que os missionários, principalmente os cristãos evangélicos e católicos, prestam um grande serviço aos indígenas do Brasil, aliás serviço esses que o Estado brasileiro não presta”, disse Câmara ao site Direto ao Ponto.

Bruna Galvão, diretora executiva da Casa Galileia, organização que busca fortalecer o campo da democracia e da justiça socioambiental com foco em públicos cristãos, acredita que a “convergência de interesses [entre as bancadas ruralista e evangélica] não são trabalhadas de maneira óbvia”. Ela afirma que a tentativa de barrar a tese do Marco Temporal, que compromete demarcações de territórios tradicionais, incomoda líderes evangélicos “não só porque afeta os projetos missionários ideológicos, mas também interesses econômicos” em terras indígenas.

Além disso, o pesquisador Renan acrescenta que o agronegócio tende, hoje, a se aproximar especificamente dos evangélicos por desentendimentos históricos com parte da igreja católica. “Existe o CIMI [Conselho Indigenista Missionário] e a teologia da libertação, então uma parcela do catolicismo já foi uma pedra no sapato do agro”, explica. “Do ponto de vista desse setor, os evangélicos têm uma vantagem, por ser uma religião mais solvente”, completa, ao se referir a um tipo de discurso religioso de algumas igrejas evangélicas que induzem o rompimento de laços dos recém convertidos com seu território, origem e crenças anteriores.

Maioria dos evangélicos é contra degradação ambiental, diz pesquisa

Os posicionamentos e votos antiambientais de lideranças evangélicas no Congresso Nacional não condizem com o que pensam a maioria dos evangélicos brasileiros. A constatação é da pesquisa realizada, em 2020, pelo Evangélicos Pelo Clima (coalizão co-fundada por Bruna, Flávio Conrado e Camila Mantovani), em parceria com a Purpose. Por meio de entrevistas com duas mil pessoas que professam a fé evangélica, a coalizão descobriu que 67% dos fiéis dizem que o candidato defender pautas de preservação ambiental influencia na hora do voto; 85% acham que é pecado o ser humano atacar o meio ambiente; e 82% acham que um crime contra a natureza é um pecado contra Deus.

Na análise da diretora de campanhas da organização Casa Galileia, Camila Mantovani, a bancada evangélica não espelha a população evangélica brasileira. “Enquanto a primeira é majoritariamente composta de homens brancos e de alto poder aquisitivo, a segunda integra uma maioria de mulheres, pessoas negras e pobres”. Ela também acredita que o posicionamento da frente em pautas ambientais muitas vezes passa despercebido, e que isso não acontece por acaso. “Tem uma certa sabedoria na maneira que utilizam da não polarização [da pauta ambiental]. Enquanto você tem um alarde sobre gênero, justiça reprodutiva etc., você está blindado, porque as pessoas estão preocupadas em olhar para isso. Então, se você acha que ninguém está fiscalizando seus votos na pauta ambiental, você pode passar a boiada o quanto quiser. Tem uma certa sagacidade para isso não ser usado”, completa.

A simpatia com a preservação ambiental dos evangélicos, constatada na pesquisa do Evangélicos Pelo Clima, acompanha a média geral dos brasileiros. Contudo, conforme a análise, não há tanto engajamento. Dados do documento apontam que 60% dos entrevistados não têm acessos ou não recebem informações sobre a preservação do meio ambiente em suas igrejas, mas 77% acham importante que elas apoiem atividades de preservação ambiental.

Para o pesquisador da USP Renan, a temática não é central para as lideranças evangélicas, mas isso não significa um antiambientalismo ou negacionismo das igrejas em relação ao apocalipse climático. Ele lembra falas de pastores conservadores como Silas Malafaia, que já afirmou que “o maior responsável pelo desequilíbrio ambiental é o ser humano.” Ainda, Flávio Conrado citou Abner Ferreira, líder da Assembléia de Deus de Madureira e próximo do deputado Cezinha de Madureira. O bispo participou, em outubro, do encontro Fé e Ciência: rumo à COP26, no Vaticano, quando reforçou a importância de cuidar do meio ambiente citando a Bíblia: “Foi Deus quem responsabilizou os homens sobre esta tarefa. Gênesis 2:15 está escrito: ‘Tomou pois o Senhor Deus o homem e o pôs no Jardim do Éden, para o lavrar e o guardar’. Trabalhar e proteger, proteger e trabalhar. O cristão não deve violar os mandamentos de Deus quanto à preservação das espécies por causa do progresso”.

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12
Dez21

Damares promove ataque a política de direitos humanos consolidada

Talis Andrade

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Editorial de O Globo 

 

 

É atordoante o festival de estultices que tem emanado nos últimos dias do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), sob o comando da pastora Damares Alves. Ex-assessora do ex-senador Magno Malta, Damares caiu no ministério meio por acaso, quando o chefe submergiu em meio às intrigas do bolsonarismo. No cargo, ela não perdeu a oportunidade de tornar a pasta um veículo de sua militância conservadora, exercida em nome da pretensa defesa das crianças, da família e da moral cristã.

A ministra conhecida no início do governo por declarações caricatas — a visão de Jesus numa goiabeira ou a inesquecível “menino veste azul, menina veste rosa” — transformou-se num blindado eficaz no avanço bolsonarista sobre as políticas de direitos humanos consolidadas. Escolheu como alvos fetiches da extrema direita: a pedofilia e a famigerada “ideologia de gênero” (termo que pouco significa na realidade, além do preconceito contra gays e a comunidade LGBTQIA+).

Pois a tal “ideologia de gênero”, mesmo sem sentido real, foi incluída no manual para tratar as mensagens recebidas no Disque 100, canal de denúncias do MDH, usado, no caso das crianças, sobretudo para relatar abusos. Com base nessa orientação e numa denúncia anônima, revelou reportagem do GLOBO, o diretor de uma escola de Resende (RJ) foi intimado a dar explicações na polícia. Os professores foram acusados de promover “o comunismo e a ideologia de gênero”.

Diante do despropósito, uma vez que a escola informou apenas seguir o programa de ensino regular, obviamente a denúncia foi arquivada. Mas não se trata de caso isolado. Episódios similares têm se multiplicado pelo país, sob o beneplácito do MDH e insuflados pelo movimento Escola sem Partido, cujo projeto que pretendia regular o ensino segundo os cânones conservadores foi derrotado tanto no Parlamento quanto no Supremo Tribunal Federal (STF).

Não bastasse a tentativa de cercear a liberdade de cátedra dos professores, partiu agora do ministério de Damares outra proposta sem cabimento: classificar garimpeiros e pecuaristas como povos tradicionais da Amazônia. Desse modo, os principais responsáveis pelo desmatamento ilegal receberiam o mesmo tratamento dispensado a indígenas, quilombolas e ribeirinhos. A intenção é óbvia: proteger grupos bolsonaristas que atuam na ilegalidade. O ministério alega que apenas “repassou a demanda de segmentos específicos solicitando análise” da questão.

Damares já tivera desempenho sofrível quando encarregada da estratégia de proteção dos povos indígenas na pandemia, corrigida depois de reprovada pelo STF. Agora, aparentemente pretende proteger aqueles que atacam índios — não quem precisa ser protegido. O governo de um presidente que elogia a ditadura, a tortura e não cansa de demonstrar desprezo pelos direitos humanos encontrou nela um representante à altura para cuidar da questão. Quanto mais tempo permanecer no cargo alimentando fantasias ideológicas, pior para quem precisa do apoio do Estado garantido na Constituição.

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10
Set21

Depois do blefe, só resta mesmo o impeachment

Talis Andrade

 

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Ele prometeu mais de um milhão na avenida Paulista, em São Paulo, foram só 125 mil. Fiasco. E um recado para os pastores Claudio Duarte, Silas Malafaia, Marco Feliciano e Magno Malta, que ficaram ao lado de Bolsonaro no palanque, na Paulista – não têm vergonha de usarem o nome de Deus e de Cristo para apoiarem esse presidente de discurso golpista e considerado nazifascista?

 
 
por Rui Martins

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Agora não há mais motivo para o presidente da Câmara, Arthur Lira, adiar a discussão do impeachment do ainda presidente Jair Bolsonaro. Além dos mais de 150 pedidos, desta vez é o governador de São Paulo, João Dória, quem decidiu também pedir o impeachment desse presidente de fancaria.

Nos seus dois discursos malfeitos, nas análises da comentarista da Band, Dora Kramer e do ex-ministro Aldo Rebelo, seja pela falta de uma estrutura seja pela falta de dados concretos e precisos, o presidente Bolsonaro repetiu a ladainha de sempre contra o voto eletrônico e contra dois dos membros do Supremo Tribunal Federal. Com uma novidade: ousou desafiar o Juiz Alexandre Moraes, dizendo que não acatará e nem cumprirá suas decisões.

Será mesmo capaz disso? Ninguém mais acredita naquele que, depois de ser chamado de coveiro, genocida e uma recente palavra ofensiva, corre o risco de acumular a alcunha de faroleiro, depois desse blefe do Sete de Setembro. Havia muitos seguidores fanáticos na Praça da Esplanada e na avenida Paulista, porém, muito aquém do alardeado por Bolsonaro. Apesar das ameaças proferidas pelas matilhas bolsonaristas pelas redes sociais, que faziam pensar no ocorrido no Capitólio depois da derrota de Donald Trump, não houve nenhuma invasão de prédios da praça dos Três Poderes, nenhuma briga, nenhum ferido e nenhum morto. Só ameaças.

Não havia ali, felizmente, entre o gado bolsonarista reunido nenhum Jacob Chansley, o arruaceiro mais conhecido como bisão ou xamã do QAnon, como bem lembrou nosso colega Celso Lungaretti, no seu blog. É verdade que alguns deles foram presos por antecipação, porém tanto o chefe como seus seguidores, no dizer do velho ditado, “latem, mas não mordem”. Os latidos foram tão fortes que acabaram atravessando o oceano, inquietando, em Genebra, a própria ONU. Os jornais europeus também publicaram ressonâncias dos latidos, chegando-se mesmo a se falar no risco de um golpe de extrema-direita no Brasil.

O colunista da Isto É, Marco Antônio Villa, ficou impressionado com as ameaças bolsonaristas a ponto de considerar ter sido declarado o golpe, mas um golpe por etapas, pedindo para Lira e Pacheco reagirem logo e também passarem para a ofensiva não deixando isolado o STF. Porém, o professor Paulo Ghiraldelli, com suas centenas de milhares de seguidores no YouTube, não se impressionou com o risco do golpe bolsonarista, mais acostumado em ironizar a fraqueza, a covardia e os blefes de quem para ele não passa de um bufão.

Governando e desgovernando o Brasil sem programa definido, resta ao presidente Bolsonaro a tática de cultivar o fanatismo de seus seguidores com ameaças, mas fica evidente não ser a melhor opção. O aumento do custo de vida, do preço do gás, da gasolina e a crise energética acabarão sendo mais importantes, mesmo para seus fiéis, do que a guerra declarada contra o juiz Alexandre de Moraes.

A crise econômica brasileira, o isolamento do Brasil, o próximo processo das rachadinhas, mais a acusação de prevaricação na crise sanitária do coronavírus pela CPI não permitirão a Bolsonaro governar até 31 de dezembro de 2022. A oportunidade de provocar um golpe já passou, seus delírios e a falta de competência para governar fizeram perder muitos seguidores. A própria ideia do Sete de Setembro acabou se transformando num tipo de suicídio político.

Sem poder oferecer o fechamento do STF e a tomada do poder para implantar uma ditadura militar, Bolsonaro precisava encontrar rapidamente um engodo, para seu gado não retornar frustrado às suas casas. Surgiu o recurso de anunciar uma reunião do Conselho da República, mas não tendo havido convocação prévia dos participantes, logo se percebe ser outra tapeação ou burla. Mesmo porque o Conselho é consultivo e não tem o poder de decisão.

Só restou aos bolsonaristas enrolar ou dobrar suas faixas pedindo golpe, ditadura ou fechamento do STF, e retornar às suas casas com a ilusão de que o Conselho da República poderá fechar o STF. Ninguém se lembrou dos quase 600 mil mortos e nem dos lotes de centenas de milhares de vacinas, no valor de centenas de milhões de reais, que não foram usadas e serão destruídos, nesta semana, por estarem com a data vencida.

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06
Jul20

Moro e Dallagnol, cônsules dos EUA

Talis Andrade

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“Nossa influência aqui é muito maior do que nossas pegadas”. 

Liliana Ayalde, Embaixadora dos EUA no Paraguai e depois no Brasil, em telegrama ao Departamento de Estado [2009] vazado pelo wikileaks.

 

por Jeferson Miola

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As provas documentais dos laços da Operação Lava Jato com o FBI trazidas a público pelo Intercept e Agência Pública [1/7] corroboram as suspeitas que veículos da imprensa independente aventavam pelo menos desde o final de 2014/início de 2015.

À época, Carta Maior, GGN, Brasil247, DCM, Viomundo e outras publicações lançavam suspeitas acerca da atuação de agências e órgãos do governo dos EUA por trás dos propósitos que moviam a Lava Jato e os movimentos de extrema-direita surgidos em 2013.

Na época, esta abordagem lamentavelmente foi recebida com desconfiança e incredulidade por autoridades do governo, dirigentes partidários e políticos da base de apoio do governo petista.

Em meio à catatonia reinante, na ocasião prevaleceu a crença – vê-se, agora, totalmente ingênua – de que tal hipótese não passava duma “exótica” teoria da conspiração. Como se percebe hoje, tratava-se não de teoria, mas de conspiração no sentido clássico do termo – inclusive com dispositivos de guerra híbrida dominados por militares.

O plano original da Lava Jato, fracassado no primeiro momento, era eleger o tucano Aécio Neves na eleição de outubro de 2014 ajudado por graves imputações de corrupção a petistas. Com a reeleição da presidente Dilma, a Operação chefiada por Moro e Dallagnol então passou a incendiar e desestabilizar o ambiente político para, junto com Globo, Eduardo Cunha, Temer, Aécio, Serra, FHC e malta, criarem o clima irresistível do impeachment.

O vazamento criminoso, para a Rede Globo, das conversas telefônicas entre Dilma e Lula, gravadas ilegalmente pelo então juiz Sérgio Moro [16/3/2016], foi o clímax do engajamento da Lava Jato na consecução do golpe. Com o sistema de justiça já corrompido pela Lava Jato, o STF, na figura de Gilmar Mendes, estuprou a Constituição para impedir a posse do Lula na Casa Civil, fato que poderia ter interrompido o prosseguimento do golpe.

A prisão ilegal do Lula [7/4/2018], fruto da farsa jurídica que envolveu desde a 1ª instância do judiciário até a Suprema Corte, passando pelo TRF4 e STJ, foi a contribuição transcendental dada pela Lava Jato para a manutenção do golpe e o aprofundamento do Estado de Exceção.

Somente com a prisão do Lula, associada a fraudes eleitorais gritantes acobertadas pelo TSE [fake news, WhatsApp, financiamento empresarial], a extrema-direita conseguiu tomar de assalto o poder para executar o catastrófico plano anti-soberania, anti-nação e anti-povo de que o país padece hoje.

Superada a surpresa inicial com as ações espalhafatosas e midiáticas da Operação, se pôde perceber com clareza a associação da Lava Jato com a conspiração. A investida golpista, coordenada com notável inteligência estratégica com participação estrangeira, não enfrentou maiores resistências para golpear um governo desprovido de sistemas de informações, de inteligência e contra-inteligência minimamente confiáveis.

Procuradores, policiais federais, juízes, empresários, políticos e grupos de mídia tiveram papel central no empreendimento golpista que derrubou a presidente Dilma Rousseff com o objetivo de reverter a inserção soberana e altiva do Brasil no sistema mundial que afrontava os interesses geopolíticos dos EUA.

Além de fortalecer a integração regional via MERCOSUL, durante os governos petistas o Brasil foi artífice da criação da UNASUL e da CELAC, esta última uma comunidade que congrega todos países latinos do hemisférico americano – ou seja, uma espécie de OEA latino-americana, sem EUA e Canadá.

Ao lado disso, em termos geopolíticos, o Brasil conquistou respeito e protagonismo em fóruns centrais de poder como G7, G20, OMC, FAO etc e, de sobra, fundou os BRICS e se tornou sócio de iniciativas relevantes deste bloco de competidores dos EUA [China e Rússia], como o Novo Banco de Desenvolvimento.

Thomas Shannon foi embaixador dos EUA no Brasil de 2010 a 2013. A estadia dele no país coincide com a eclosão de movimentos de rua de direita e extrema-direita e, também, com os episódios de espionagem da presidente Dilma e da PETROBRÁS por órgãos do governo dos EUA.

Em entrevista alguns anos depois da passagem pelo Brasil, já em 2019, Shannon confessou a contrariedade dos EUA com a proeminência do Brasil no cenário regional e mundial [aqui]. Segundo reportagem do Poder360, que entrevistou Shannon, “para os americanos, o projeto petista se opunha à ideia americana de eventualmente reavivar uma integração comercial do Alasca à Patagônia, nos moldes da Alca [Área de Livre Comércio das Américas]”.

Na visão de Shannon, era inaceitável para os EUA o projeto brasileiro de “construção de uma grande e coesa América do Sul”. Para ele, a unidade regional apregoada por Lula visava a formação de um bloco político “que compartilharia a mesma mentalidade progressista do Foro de São Paulo” [sic].

A reportagem ainda explicita que “os Estados Unidos eram o segundo parceiro estratégico mais importante para a Lava Jato — o primeiro era a Suíça, que já apurava o uso do sistema bancário daquele país por funcionários públicos e empreiteiras corruptas do Brasil”.

Esta interação e intercâmbio da Lava Jato com órgãos suíços e norte-americanos deu-se ilegalmente, sem amparo no ordenamento jurídico brasileiro e/ou em tratados de cooperação internacional e caracteriza um ato de grave violação à soberania do Brasil.

A matéria com Thomas Shannon cita que “as conversas da Lava Jato com autoridades estrangeiras ocorriam em Curitiba, mas contavam com o aval do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot”, que “poucos meses após a prisão dos primeiros executivos de construtoras, viajou ao Estados Unidos para encontros com representantes do Departamento de Justiça, do FBI e com o órgão que investigava se a corrupção na Petrobras tinha causado prejuízos a investidores americanos, a Securities and Exchange Comission”.

A sucessora de Shannon na embaixada dos EUA no Brasil foi Liliana Ayaled. Ela aterrissou em Brasília em 2013, no “rescaldo” das controvertidas jornadas de rua. E permaneceu no país até 2017, já com o processo do golpe consolidado.

Antes de servir no Brasil, Liliana Ayaled havia sido embaixadora dos EUA no Paraguai, onde fez test drive em neo-golpismos do século 21. Liliana supervisionou a farsa do impeachment sumaríssimo que golpeou o presidente Fernando Lugo em menos de 48 horas.

Em telegrama de 2009 vazado pelo wikileaks, Liliana Ayaled reportava ao Departamento de Estado dos EUA que “nossa influência [dos EUA] aqui é muito maior que nossas pegadas” [sic].

modus operandi dos EUA em conspirações e atentados contra a soberania de países e o direito à autodeterminação dos povos é amplamente documentado. Só contra Fidel Castro, os EUA realizaram 638 tentativas de assassinato. Uma média superior a 1 atentado terrorista em cada mês que Fidel esteve no comando da revolução cubana.

A história comprovou, mais cedo que se imaginava, que a Lava Jato fraudou a bandeira do combate à corrupção e corrompeu o sistema de justiça para materializar um projeto de poder ultraliberal, anti-soberania, anti-povo, anti-nação e subjugado aos EUA.

As novas provas divulgadas pelo Intercept/Agência Pública, que surgem depois de um “período de estiagem”, são altamente incriminadoras. Nas mensagens observa-se não só a promiscuidade dos elementos da força-tarefa com agentes do governo dos EUA; mas, sobretudo, uma relação de subordinação e obediência funcional a um governo estrangeiro.

Moro, Dallagnol e os integrantes da Lava Jato atuaram como agentes dos interesses econômicos, estratégicos e geopolíticos dos EUA no Brasil; atuaram como cônsules “representantes do governo romano nas províncias anexadas”.

Um simples levantamento das viagens e diárias pagas a policiais federais, procuradores e juízes da Lava Jato aos EUA entre 2005 e 2020 leva a achados surpreendentes. No cargo de ministro bolsonarista, Moro fez raríssimas viagens ao exterior, mas pelo menos 4 dessas raras viagens internacionais tiveram os EUA como destino, incluindo visitas ao Pentágono e ao Centro de inteligência e espionagem de El Paso.

São claríssimas, portanto, as evidências de que Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, embora pagos com dinheiro público, na realidade atuam como cônsules dos EUA no Brasil e servem a interesses estrangeiros, em detrimento dos interesses brasileiros.

 

 

 
22
Jul19

Damares trepa na goiabeira para suicidar Glenn Grenwald

Talis Andrade

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Tem gente que acha Damara Alves abestalhada e despreparada. Para laçar os tolos, Damares vende essa imagem. Quando é doutora em safadezas da velha política, formada na escola do senador Magno Malta. Informa a Wikipédia:

Nascida no Paraná, Damares, mudou-se com a família, para o Nordeste. Ainda criança, viveu na Bahia, em Alagoas e Sergipe. Também morou em São Carlos, no interior paulista. Essas mudanças estão ligadas à profissão do pai, o pastor Henrique Alves Sobrinho, da Igreja Quadrangular, fundador de quase uma centena de templos em todo o Brasil. Damares também tornou-se pastora.

Graduou-se em Direito pela extinta FADISC (Faculdades Integradas de São Carlos), instituição descredenciada pelo MEC em 2011 e proibida de realizar exames vestibulares desde 2012.

Em São Carlos, trabalhou na Secretaria Municipal de Turismo, atuando na antiga COMTUR (Comissão Municipal de Turismo), durante o governo do prefeito Vadinho de GuzziEm 1999, pouco antes de obter seu registro na OAB-SP (subseção São Carlos), tornou-se auxiliar parlamentar júnior, em Brasília. 

Foi pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular e da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte.

Foi coordenadora do projeto educacional do Programa Proteger, organização criada por Guilherme Zanina Schelb, procurador regional da República no Distrito Federal e membro da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (organização da qual Damares foi Diretora de Assuntos Parlamentares), conhecido por defender o projeto apelidado "Escola Sem Partido".

Em 1999, Damares mudou-se para Brasília, para trabalhar como auxiliar parlamentar, no gabinete do deputado Josué Bengtson (PTB-PA), também pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular. Trabalhou também para o deputado federal Arolde de Oliveira (PSD), senador eleito pelo Rio de Janeiro, em 2018, e cujo sucesso nas urnas em outubro se deveu, em grande parte, ao suporte do chamado “clã Bolsonaro”. Exerceu também a função de auxiliar parlamentar no gabinete do senador Magno Maltaanterior ao vínculo com o senador pelo Espírito Santo. Foi chefe de gabinete de outro expoente da bancada neopentecostal na Câmara dos Deputados, o deputado federal goiano João Campos (PRB).

Da mares, dos rios, é cobra criada por muito parlamentares, e nas intrigas evangélicas de posse de igrejas e conquista dos dízimos de fiéis. Assessora, foi escolhida por Magno Malta para trabalhar junto ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, o cargo de ministro. Trabalhou tão bem, que Magno foi por estaleiro, e Damares virou ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) considerou uma provocação a escolha de Damares Alves ministra. "Se antes parecia uma ingratidão, agora fica claro que há uma intenção de afrontar o Magno Malta", disse o parlamentar que é membro do núcleo duro da frente evangélica na Câmara.

Preterido, o senador Magno Malta (PR-ES) divulgou vídeo em que afirma que não é o responsável pela indicação de sua assessora Damares Alves para o Ministério para o qual ele mesmo já foi cotado. "Esclareço que ela não é uma indicação minha. É uma escolha pessoal do presidente". 

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Damares vem fazendo seu papel de santinha em meio as feras na arena política olaviana. Após a posse de Jair Bolsonaro, um vídeo em que Damares comemora a vitória, proclamando que "a nova era começou, e que agora menino veste azul e menina veste rosa", tornou-se popular nas redes sociais. O vídeo levou ao movimento "cor não tem gênero".

Damares também aparece pregando noutro vídeo, em que relata os frequentes abusos que teria sofrido quando criança. Diz que pegou o veneno e subiu em uma goiabeira, onde pretendia se matar. Empoleirada na árvore, teria visto a figura de Jesus, que a teria convencido a desistir do suicídio.

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Damares vem sendo escalada para, via algum besterol, afastar a imprensa de assuntos desinteressantes para a clã Bolsonaro. Faz o papel de palhaço da corte, e de serpente cujo veneno o senador Malta experimentou. 

É bom lembrar a estória da adoção da filha de Damares, Kajutiti ("Lulu") Kamayurá, uma indígena Kamayurá, nascida em 20 de maio de 1998. Segundo os Kamayurá, Lulu foi tirada irregularmente da aldeia, aos seis anos de idade. Levada pela missionária Márcia Suzuki, amiga de Damares, a garota teria deixado a aldeia para, supostamente, fazer um tratamento ortodôntico em Brasília, mas nunca foi trazida de volta.

Dizem que Damares ostenta títulos universitários que não possui, de mestre em Educação, mestre em Direito Constitucional e mestre em Direito de Família. Equivalem ao mentiroso doutorado do procurador Deltan Dallagnol, do governador do Rio Wilson Witzel, e dos ministros do Exterior Ernesto Araújo e da Educação Abraham  Weintraub.

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O jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do Intercept Brasil, afirmou que deu risada, após um site paranaense afirmar ter descoberto um suposto "manuel do crime" dele na chamada "deep web", uma parte da internet que não é indexada pelos mecanismos de busca como o Google. A notícia foi compartilhada pela ministra de Direitos Humanos, Damares Alves.

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"Ainda tô rindo sobre isso. É difícil escolher, mas acho que Damares é minha ministra favorita de Bolsonaro", escreveu Glenn Greenwald no Twitter.

É de assustar! Leiam e compartilhem! Eu conheço pessoalmente o Jornalista Otávio, é um profissional sério e muito ético

Ei gente, na postagem anterior digitei o nome do jornalista errado, é Oswaldo Eutasquio e não Otávio. Desculpas.

 

Em resposta a 

Que coisa feia Damares. Mostrando indignação e a fake news veio de dentro do seu gabinete. Você não é doida, é desonesta.

02
Jul19

Moro se bolsonariza

Talis Andrade

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Por Alex Solnik

Jornalistas pela Democracia 

 

No início, Bolsonaro dependia de Sérgio Moro.

  Moro era o avalista de seu governo.

  Era o símbolo do combate à corrupção, a sua principal falsa bandeira.

  Depois das revelações do The Intercept a questão se inverteu. Agora é Moro quem depende de Bolsonaro.

  Bolsonaro é o avalista de Moro.

E depender de Bolsonaro não é bom negócio, como temos visto. Apoiar alguém não é a sua especialidade. Ele não é leal a ninguém. Não foi leal a Magno Malta, Paulo Marinho, Gustavo Bebbiano, general Santos Cruz... e o próximo da lista é Ônix Lorenzoni.

  Depender de Bolsonaro significa ficar refém de um universo que tem Queiróz, Adriano da Nóbrega, Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, companhias que não são recomendáveis a um ministro da Justiça, dado o nível de envolvimento com o Judiciário.

  O ato de domingo foi a conversão de Moro. Ele se converteu ao bolsonarismo.

 O que não quer dizer que teria apoio do fuhrer se quisesse disputar o Planalto.

  Bolsonaro já avisou que vai mandá-lo ao STF logo na primeira vaga que abrir, para não haver risco de ele querer disputar a presidência da República e atrapalhar a sua reeleição.

  Moro se bolsonariza para garantir a sua vaga no Supremo.

  Mas só a terá se conseguir se segurar na cadeira de ministro.

 
 
 

 

 
12
Dez18

Jovem acusa nova ministra dos Direitos Humanos de querer ocultar estupro cometido por Marcos Feliciano

Talis Andrade

 

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Patrícia Lélis publicou no Facebook conversa via Whatsapp entre ela e Damares Alves, a chefe do novo Ministério da Mulher, Família e DH de Bolsonaro, além de um vídeo de outra pastora da igreja de Feliciano, que confirma ser amante dele e cúmplice no caso

 

A jovem jornalista Patrícia Lélis, 23, que denunciou em agosto de 2016 o deputado federal Marco Feliciano (ex-PSC, atual Podemos) por estupro, cárcere privado, sequestro e danos morais, publicou no último 1º de dezembro em seu Facebook que a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos escolhida por Jair Bolsonaro, Damares Alves, sempre soube destes supostos crimes, anexando, ao post, prints de uma conversa entre as duas por Whastapp. A jovem a acusa de querer esconder o estupro e todos os crimes supostamente cometidos por Feliciano, assim como os do senador Magno Malta (Partido da República), a quem Damares prestou assessoria parlamentar durante os seus mandatos, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), ex-namorado de Patrícia, que a ameaçaram para se calar sobre o caso.

 

De acordo com a postagem, por diversas vezes, a agora ministra, que também é pastora e advogada, pediu para que Patrícia não contasse a ninguém sobre o estupro. “Na Polícia Federal, falei sobre todos que sabiam do meu caso, e também deixei o celular para perícia. E digo mais: Ela não sabe apenas do meu caso, sabe de muitos, mas como sempre tenta silenciar as vítimas. Esses são os cidadãos de bem do governo Bolsonaro. Aos pais que frequentam a igreja e colocam pastores acima de tudo, eu só peço que tenham cuidado e escutem mais seus filhos, eles podem estar sofrendo assédio, estupro e ameaças para ficarem calados”, alertou.

 

Patrícia Lelis acrescentou: Eu conheci a Damares dentro do PSC e sempre tive um bom relacionamento com ela. Quando parei de ir trabalhar na câmara por conta do estupro, logo nos primeiros dias ela me procurou, porque a Marisa Lobo, então psicóloga do Feliciano, já sabia do caso e pediu a ela para que conversasse comigo.

 

Jornalistas Livres: E qual a sua relação com a outra pastora, Dani Alexandria, do vídeo que você publicou no Facebook no último dia 2? Como se conheceram? Eram da mesma igreja?

Patrícia Lélis: A pastora Dani era da mesma igreja do Feliciano, em São Paulo. Ela me procurou via mensagem no Instagram, disse que tinha várias provas contra o Feliciano e que queria denunciar. Inicialmente eu achei que se tratava de outra vítima de estupro.

 

Jornalistas Livres: Mas, de acordo com o vídeo, a pastora Dani era amante dele e recebia dinheiro para manter segredo sobre o caso deles e ainda oferecia dinheiro a mando de Feliciano para meninas que eram estupradas se calarem… Por quem essas meninas eram estupradas? Por membros da igreja ou por ele mesmo?
Patrícia Lélis: Exato. Eles eram amantes, Feliciano dava uma “mesada” a ela….e quando ele queria ter relações sexuais com outras mulheres, ela o ajudava a chegar nessas mulheres e, quando elas recusavam, o Feliciano abusava, estuprava. E a pastora Dani vinha logo depois oferecendo dinheiro para essas meninas não contarem o que ocorreu, e sempre com o mesmo papo de “não foi estupro, ele é um homem de Deus…”.

 

Jornalistas Livres: Quantos processos você move contra Feliciano e por quais razões?
Patrícia Lélis: Um processo criminal, que é sobre o estupro, cárcere privado e sequestro, e um de danos morais.

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Jornalistas Livres: Você também move processo contra Eduardo Bolsonaro, não é? Vi matéria sobre ameaças que ele teria lhe feito pelo whatsapp…

Patrícia Lélis: O processo de ameaça do Eduardo Bolsonaro foi aberto pela própria PGR logo após perícia no meu celular. Desde o dia em que o Eduardo, assim como outras pessoas do PSC ficaram sabendo do estupro do Feliciano, todos, sem exceção, tentaram me coagir a receber dinheiro em troca do silêncio, e quando viram que eu não aceitaria dinheiro, começaram as ameaças. Leia mais  

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Na campanha eleitoral Lélis foi ameaçada pelos eleitores de Eduardo Bolsonaro. Veja aqui.

 

18
Set18

Quem conhece a trupe de Bolsonaro não vota nele para presidente nem no filho para senador

Talis Andrade

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por João Filho

 

 

SÓ NÃO VAMOS FAZER pacto com o diabo”, afirmou Bolsonaro em julho, enquanto costurava uma aliança com o clã dos Barbalho no Pará. O candidato do PSL tentou se coligar com diversos partidos de direita, mas não teve sucesso. Apesar de vender a imagem de que não formou uma coalizão ampla por ser alérgico a conchavos, Bolsonaro não está isolado porque quer, mas por incapacidade política. Mesmo estando muito bem colocado nas pesquisas, não teve habilidade para formar uma base de apoio fora do seu clubinho reacionário.

 

Em um contexto de demonização da política, em que lamentavelmente as alianças políticas são confundidas com práticas criminosas, o isolamento de Bolsonaro vira virtude aos olhos dos eleitores mais incautos.

 

Onyx Lorenzoni, coordenador da campanha, garante haver 110 deputados eleitos que apoiam a candidatura e que apoiariam um governo Bolsonaro. Como em um programa de auditório, Lorenzoni exibiu para os jornalistas um envelope que conteria os nomes dos deputados, mas, claro, não os revelou. O fato é que o PRTB, do caricato Levy Fidelix, é o único partido que apoia a candidatura de Bolsonaro.

 

Outro responsável pela articulação política de Bolsonaro é o advogado Gustavo Bebianno, um cara que até dez anos atrás estava nos EUA, lutando jiu-jitsu e trabalhando como sócio de um integrante da família Gracie em uma academia. Apesar de ser um neófito na política, foi escolhido para ser o presidente do PSL e um dos comandantes da campanha. Bebianno tem um perfil bastante similar ao do candidato e já está implantando no partido o jeito Bolsonaro de fazer política. Quando surgem divergências com apoiadores, grita e os chama de “viadinho”.

 

Muito religioso, Bebianno acredita piamente que Bolsonaro representa o Bem na luta contra o Mal. Assim como nós, ele também não sabe muito bem como foi parar na presidência do PSL: “Eu não sei o que eu tô fazendo aqui, nunca me envolvi em política, não entendo nada de política, não tenho perfil político, sou um cara impaciente. Não era para estar aqui, não era para estar aqui. É inexplicável”. Este é o homem que está à frente de uma candidatura presidencial que lidera as pesquisas.

 

O PSL é um partido essencialmente formado por militares da reserva e da ativa. Setenta e quatro candidatos a deputado federal do partido se apresentam com patentes militares em seus nomes oficiais de campanha. Três candidatos a governador e três a senador também aparecerão nas urnas com seus nomes acompanhados de cargos militares. Há muitos pastores também. Em comum, todos eles compartilham das mesmas obsessões: aborto, armas, homossexualidade, comunismo e crime. Não há nada muito além dessas esferas.

 

Apesar de tantos militares, a campanha de Bolsonaro tem sido marcada não pela ordem e disciplina, mas pela bagunça. Isso ficou mais evidente após o ataque em Minas Gerais. Após a segunda cirurgia, Bolsonaro segue bastante debilitado e não poderá fazer campanha, inclusive no segundo turno. A ausência expôs ainda mais a fragilidade de suas alianças. O vice, General Mourão, sem o aval de Bolsonaro e do PSL, honrou seu DNA golpista e entrou com um pedido no TSE para poder participar dos debates em seu lugar. Aproveitou também para propor uma nova Constituição que não seja feita por uma Assembléia Constituinte, mas por “notáveis” escolhidos sabe-se lá por quem.

 

Tudo o que cerca a candidatura da extrema-direita parece ser caricato. Pincei alguns expoentes do bolsonarismo que disputarão vagas no Congresso e que têm grandes chances de se elegerem. Tracei um mini-perfil de cada um para termos ideia do quão surreal será a base de apoio de um governo Bolsonaro, que mais parece um circo de horrores.

 

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Joice Hasselmann (PSL) – famosa por ter plagiado mais de 60 textos escritos por 42 jornalistas, a jornalista é candidata a deputada federal pelo partido de Bolsonaro. Depois que deixou a TVEJA (canal do Youtube da revista Veja), onde era apresentadora, Joice se tornou influenciadora digital das redes de direita e ativista bolsonarista das mais empolgadas. Sem combinar com ninguém do PSL, a paranaense chegou a anunciar sua candidatura ao governo de São Paulo, o que foi negado prontamente pelo presidente do partido em São Paulo, que afirmou que ela “atravessou o samba para querer aparecer”.

 

Nesta semana, Joyce causou novamente dentro do PSL. Gravou um vídeo em que diz ser a única candidata do PSL (além de Janaína Paschoal e Eduardo Bolsonaro) que é de fato apoiada por Jair. Seus correligionários ficaram revoltados. O candidato Alexandre Frota xingou muito no Twitter. Além de chamá-la de “biscate” e “ratazana que anda pelos bastidores”, afirmou que ela recebeu R$ 100 mil do fundo eleitoral da direção nacional do partido. A jornalista pretende representar Frota criminalmente e na Justiça Eleitoral. É esse o nível do debate interno do PSL.

 

A candidatura de Joice está sub judice, já que o TRE-SP indeferiu sua candidatura esta semana. A paranaense teria perdido o prazo para mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo.

 

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Magno Malta (PR-ES)  – o senador-pastor era o “vice dos sonhos” de Bolsonaro e quase topou o convite, mas preferiu garantir a vaga no Senado, onde está desde 2002. Sua principal bandeira na política, para não dizer a única, é o combate à pedofilia. Sempre foi um político fisiológico e chegou a prestar apoio aos governos Lula e Dilma. Foi indiciado por participar da Máfia dos Sanguessugas. Na semana passada, The Intercept Brasil revelou que o gabinete do senador comprava gasolina em apenas dois postos, cujo dono é seu aliado político e já foi condenado por roubo. No intervalo do debate da Rede TV, o Senador Magno Malta afirmou que o filho de Lula comprou uma lancha de R$ 32 milhões, um famoso boato compartilhado em grupos de WhatsApp.

 

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Alexandre Frota (PSL-SP) o ex-ator é candidato a deputado federal e chegou no PSL com a benção de Bolsonaro, que chegou a convidá-lo publicamente para ser seu ministro da Cultura. Depois de ganhar fama nas novelas da Globo e antes de virar ativista político, Frota trabalhou como DJ, ator pornô, cantor de funk, modelo, comediante, jogador de futebol americano e por aí vai. Agora tentará a sorte na carreira de política. A sua repentina tomada de consciência política se deu durante os protestos pelo impeachment de Dilma. Como líder dos Revoltados Online — grupo reacionário famoso por espalhar fake news —, chegou a ser recebido em Brasília pelo ministro da Educação de Temer, que quis ouvir suas propostas para área.

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Onyx Lorenzoni (DEM-RS)  – apesar do seu partido apoiar Alckmin, é um dos coordenadores da campanha de Bolsonaro. Sempre com discurso moralizador, o gaúcho foi o relator das “10 medidas contra a corrupção” e se tornou um aliado de Deltan Dallagnol — um dos autores da proposta feita pelo Ministério Público. Logo após a revelação do áudio que registrou a famosa conversa entre Temer e Joesley, Onyx bradou contra a elite política do país, dizendo que ela “apodreceu, perdeu credibilidade, perdeu o respeito do eleitor, da eleitora, do cidadão, do trabalhador”. Um dia após essa declaração moralizadora, Onyx apareceu como recebedor de caixa 2 nos documentos apresentados pela JBS em sua delação. Depois que rodou bonito, o deputado se viu obrigado a admitir o crime. Continua usando, porém, o figurino de paladino da moral e dos bons costumes. Em junho deste ano, porém, o STF arquivou o inquérito que investigava o crime do qual Onyx é réu confesso.

 

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Major Olimpo (PSL-SP)  –  é um ex-policial militar que gosta de resolver as coisas no grito e, apesar de recentemente ter se consolidado como um quadro de direita ideológico, já foi do PDT e chegou a ser cogitado para ser candidato a vice-governador de São Paulo na chapa de Mercadante (PT). Em 2015, saiu do PDT e se filiou ao PMB, o partido da Mulher Brasileira, mas ficou pouquíssimo tempo e logo pulou para o Solidariedade. Com a candidatura de Bolsonaro na praça, foi para o PSL e imediatamente virou presidente do partido em São Paulo. Quando Joice Hasselmann “atravessou o samba” e se lançou candidata ao governo do estado, Major não resolveu a questão internamente. Preferiu publicar um vídeo repudiando a colega de partido, com tom agressivo, afirmando que o PSL “não é casa da mãe Joana”.  

 

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Delegado Éder Mauro (PSL-PA) – o deputado federal mais votado pelo Pará na última eleição, que teve a Odebrecht como maior doadora de campanha, o delegado Éder Mauro vem fazendo campanha para Bolsonaro desde o ano passado, quando gastou  R$ 14 mil para espalhar 400 outdoors por Belém em sua homenagem. Mauro já foi alvo de um inquérito no STF (arquivado por Gilmar Mendes) por prática de tortura e é investigado por outros crimes, como extorsão e ameaça. Integrante da bancada da bala, ele também defende abertamente um golpe militar no país. Éder Mauro já se envolveu em confusões na Câmara e, por muito pouco, não trocou socos com o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) durante uma audiência na Câmara no ano passado.

 

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Delegado Waldir (PSL-GO) – foi o deputado federal mais votado da história de Goiás. Eleito pelo PSDB, seu número de campanha era 4500 e o slogan era “45 é o calibre e 00 é da algema”. O delegado pulou para o PR e, logo em seguida, foi para o PSL para ficar pertinho de Bolsonaro. “Tivemos uma presidente terrorista. Um presidente sociólogo, que defende a liberação da maconha. Agora, chega! Tá na hora de mudar e colocar um presidente disciplinador e que entenda de hierarquia. E é o Bolsonaro”.

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Capitão Augusto (PR-SP) –  é aquele deputado federal conhecido por desfilar com a farda militar pela Câmara. O policial tentou fundar o Partido Militar Brasileiro, mas não conseguiu o número de assinaturas necessárias. Seu desejo era que o número da nova legenda fosse 38, “por causa do famoso três oitão, revólver mais usado pelas corporações militares”, ou 64, “em homenagem a nossa revolução democrática”. Com atuação parlamentar irrelevante, o capitão apresentou neste ano um inacreditável projeto de lei que obriga árbitros de futebol e seus auxiliares a declararem por escrito o time que torce. Dessa forma, eles seriam impedidos de apitar os jogos dos times do coração.

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) –  descendente de Dom Pedro, o príncipe do Brasil saiu do Novo e se filiou ao PSL para poder apoiar Bolsonaro. Para ele, o verdadeiro golpe militar no Brasil se deu com a proclamação da República, e não em 1964. O príncipe sempre foi muito amigo do MBL e é autor do livro cujo título é involuntariamente irônico: “Por que o Brasil é um país atrasado?”.

 

A turma do Bolsonaro não é apenas conservadora e reacionária. São extremistas amalucados movidos por fanatismo religioso, boatos de WhatsApp ou qualquer coisa que lhes dê na telha. Assim como Jair Bolsonaro, são saudosos do regime militar, mas jamais prestaram nenhum serviço relevante ao país em seus mandatos concedidos democraticamente pelo povo. Entre pastores, delegados, majores, capitães e um príncipe, todos ali têm um quê de Cabo Daciolo. Como disse Ciro Gomes em um dos debates, “a democracia é uma delícia, uma beleza, mas tem certos custos”.

 

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13
Set18

General Mourão sobre atentado a Bolsonaro: "Esse troço já deu o que tinha que dar"

Talis Andrade

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O PRTB, partido do general Hamilton Mourão, vice de Jair Bolsonaro (PSL), entrou no Tribunal Superior Eleitoral para o militar substituir o presidenciável nos debates televisivos. Isso foi feito sem consultar o PSL, segundo reportagem do Valor Econômico.

 

Ainda de acordo com o jornal, a decisão foi tomada numa reunião nessa terça-feira (11) com a presença de Mourão, militares do programa de governo e Levy Fidelix, presidente do PRTB – sem aliados do PSL. “Neste momento o Mourão pode ficar como [candidato] a presidente. O Bolsonaro pode ficar 40 dias no hospital, não vamos perder esse tempo todo”, disse Fidelix.

 

Procurado pela reportagem do Nocaute, o presidente do PRTB afirmou, por meio de sua assessoria, que não falará com a imprensa nesta semana e que está com todos os seus esforços voltados na recuperação de Bolsonaro e na reta final de sua campanha. Fidelix é candidato a deputado federal.

 

De acordo com o general Augusto Heleno, um dos coordenadores do programa de governo de Bolsonaro, os filhos do candidato concordam que Mourão assuma um papel mais importante na campanha. “Eles serão participantes da campanha do pai. Mas, é óbvio, isso não é ação em família, não é quermesse da igreja”.

 

 

Mourão disse que Bolsonaro só deve voltar à campanha na metade de outubro então ele e o economista Paulo Guedes gravarão vídeos para divulgar as propostas nas redes sociais e o vice irá a reuniões pelo país com empresários e produtores rurais.

 

Sobre o ataque a Bolsonaro, o general disse ontem que “esse troço já deu o que tinha que dar” e que era preciso “acabar com a vitimização”. “É uma exposição que eu julgo que já cumpriu sua tarefa. Bolsonaro vai gravar vídeo do hospital, mas não naquela situação, não propaganda”.

 

Mourão também criticou o “oba oba” no hospital após o senador Magno Malta (PR) visitar o quarto do presidenciável e transmitir ao vivo, nas redes sociais, falas do candidato.

 

“Exageraram, exageraram totalmente. Totalmente fora de propósito”, disse o general. “Não pode, senão vira carnaval. É uma área de isolamento, qualquer resfriado que ele pegue ali ele morre”.

 

Declarações controversas de Mourão já tinham chamado atenção e sido noticiadas em agosto, quando disse que o povo brasileiro tem uma herança de “indolência”, vindo dos indígenas, e de “malandragem”, oriunda da população africana.

 

 

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