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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

09
Nov17

Conselheiro de Joesley e Wesley e com offshores no Caribe Meirelles ambiciona ser presidente do Brasil

Talis Andrade

 

 

Pelo menos dois ministros do governo de Michel Temer são mencionados em um grande vazamento de informações do escritório de advocacia Appleby, especializado em empresas offshores. Além de Henrique Meirelles (Fazenda), há também informações sobre uma empresa ligada ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

 

Embora a prática seja legal, empresas offshore podem ser usadas também para cometer crimes, como sonegação de impostos, ocultação de patrimônio (no caso de pessoas que deixam de pagar dívidas) e evasão de divisas. Podem ser usadas também para criar "fundos paralelos" em empresas, possibilitando o pagamento de propinas sem que estas apareçam na contabilidade oficial da companhia. E ainda, para esconder dinheiro de origem ilícita.


Para o Ministério Público Federal, empresas offshores em países como Bahamas, as ilhas Cayman e Bermudas foram usadas pela empreiteira Odebrecht para viabilizar pagamentos a políticos, por exemplo.
"Propósitos de caridade"


Uma das offshores registradas em nome de Meirelles chama-se "The Sabedoria Trust". A documentação da empresa diz que foi estabelecida "a pedido de Henrique de Campos Meirelles, especificamente para propósitos de caridade", segundo um documento mencionado pelo Poder360.


"O objetivo é que, na eventualidade da morte (do ministro) os administradores do trust renunciarão aos seus direitos e apontarão novos beneficiários, cujos nomes estão indicados no testamento datado de 9 de dezembro de 2002", diz o texto.

 

O dispositivo sugere que a offshore de Meirelles foi criada para fins de sucessão - isto é, para facilitar e garantir a transmissão de uma herança após a morte do proprietário. É uma finalidade comum para o uso de offshores. A data de criação da offshore (23 de dezembro de 2009) coincide com a semana anterior à chegada dele ao Banco Central.

 

Vale acrescentar que no Brasil não existem os impostos de fortuna e herança.

 

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Meirelles também aparece nos arquivos vazados da Appleby relacionado a outra offshore, chamada "Boston - Administração e Empreendimentos Ltda". Esta última foi criada em 1990 e encerrada em 2004. Na década de 1990, Meirelles chegou ao posto máximo no Bank of Boston, dos EUA, cargo que ocupou entre 1996 e 1999.

 

Blairo Maggi


O ministro da Agricultura aparece relacionado a uma offshore chamada Ammagi & LD Commodities SA. De acordo com os registros da Appleby, o ministro da Agricultura é diretor da offshore, junto com outros familiares.
A empresa tem o mesmo nome de uma empresa registrada no Brasil, da qual a empresa da família Maggi é sócia. Trata-se de uma joint venture entre os Maggi e o grupo multinacional de origem holandesa Louis Dreyfus Company, especializado na produção e comercialização de matérias primas, principalmente grãos.
A joint venture brasileira é a controladora da offshore em Cayman.

 

Maggi - que já foi governador de Mato Grosso (de 2003 a 2010), é senador licenciado pelo PP, cargo para o qual foi eleito em 2010. A empresa da família chegou a ser a maior produtora mundial de soja, nos anos 1990 e começo dos 2000. Em 2014, a revista Forbes publicou que Blairo Maggi era o segundo político mais rico do país, com uma fortuna estimada em R$ 960 milhões, pela mesma revista.


Segundo o Poder360, a Louis Dreyfus Company e a empresa dos Maggi firmaram uma parceria em 2009 com o objetivo de atuar no mercado de grãos na Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins. O objetivo seria a exportação.

 

Meirelles presidente conselheiro das empresas de Joesley e Wesley Batista


  

Henrique Meirelles contratou a Appleby para criar suas offshores, com dez escritórios espalhados pelo globo, e cerca de 200 avogados para atender os clientes.

 

Não há como Merelles negar. Ao todo, participaram da reportagem 382 jornalistas de 67 países, atuando em 96 veículos de mídia. A BBC participou das investigações por meio do programa Panorama, do canal de TV britânico BBC One. Transcrevi trechos escritos por André Shalders. A imprensa brasileira esconde o escândalo. Henrique Meirelles é um dupla nacionalidade jamais investigado. De 2012 a 2016, foi presidente do Conselho de Administração da J&F Investimentos. É também membro do Conselho de Administração da Azul Linhas Aéreas Brasileiras de David Neeleman.

 

 

J&F Investimentos é uma holding brasileira pertencente a família Batista - os irmãos Joesley e Wesley Batista, atualmente presos na sede da Polícia Federal em São Paulo, na zona oeste da capital paulista -,  e que controla empresas como a JBS, Eldorado Celulose e outras. Todos os diretores chefiados por Meirelles foram investigados pela Lava Jato, e presos. Henrique Meireles, o presidente, passou ao largo sempre navegando águas tranquilas. 

 

Em 31 de maio de 2017, o grupo J&F aceitou pagar o valor de R$ 10,3 bilhões num prazo de 25 anos, no maior acordo de leniência já firmado no mundo, junto ao Ministério Público Federal (MPF). A empresa irá detalhar fatos investigados em cinco operações da polícia federal na qual vinha sendo investigada: Greenfield, Sépsis, Cui Bono, Carne Fraca e Bullish. O pagamento será iniciado em dezembro, e terá o prazo de 25 anos. Nesse período, os valores serão corrigidos pela inflação, o que, segundo o MPF, pode elevar o total para R$ 20 bilhões. Toda a multa ficará no Brasil. Os R$ 10,3 bilhões correspondem à 5,62% do faturamento da J&F em 2016. 

 

Em junho, o grupo anunciou a venda de ativos na Argentina, Paraguai e Uruguai para a rival Minerva, para reduzir seu endividamento e levantar recursos. A JBS também informou a realização de um programa de desinvestimentos na ordem de R$ 6 bilhões. 

 

Jornal de hoje:

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  Tem "orientador azarado". Que a sorte fica para o presidente conselheiro da J&F Henrique Meirelles.

 

Meirelles recebia um ordenado pra lá dos cem mil como presidente conselhereiro. Deixou os irmãos Batista - dizem que indicado por eles - para ser ministro da Fazenda do governo golpista de Temer, e receber um salário três vezes menor.

 

Sergio Moro investigou todos os ministros de Lula, e esqueceu o principal, o do dinheiro, Henrique Meirelles presidente do Banco Central.

 

E assim solto, Meirelles presidente da J&F ambiciona ser presidente do Brasil. 

 

 

01
Jul17

1 - Senadores brasileiros e o tráfico de cocaína, Maggi

Talis Andrade

Barões do tráfico concentram atuação em Mato Grosso


Um deles, o boliviano Rivero, costumava circular ao lado do então governador Blairo Maggi, segundo a revista Época.

 

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Cinco dos oito homens que controlam o tráfico de drogas no Brasil, dentro ou fora da cadeia, atuam fortemente em Mato Grosso e consideram o Estado essencial para ampliação de negócios ilícitos.

 

Um dos chefes do tráfico Huber Velardi Rivero, ex-prefeito de San Matias, município boliviano, que fica a 80 Km de Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá), chegou a ter sua prisão decretada pela Justiça Federal de Mato Grosso, porém, continuou em liberdade e a tocar negócios fraudulentos na Bolívia.

 

De acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF) de Mato Grosso, em 2011, a quadrilha boliviana trocava entorpecentes por carros roubados em Cáceres, Cuiabá e Alto Garças (357 km ao Sul de Capital). De Mato Grosso, a cocaína abastece estados brasileiros como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rondônia.

 

O traficante Huber Rivero costumava se encontrar com o então governador Blairo Maggi (PR), em eventos públicos que debatiam a integração econômica do Brasil com a Bolívia.

 

Um desses encontros ocorreu em fevereiro de 2005, quando Maggi liderou uma expedição estradeiro e foi recebido por Rivero, então prefeito de San Matias. O fato foi registrado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Governo Maggi.

 

Rivero se afastou da política depois que acusações atingiram sua imagem, porém, elegeu como sucessor o sobrinho Denny Villaroel, que se encontra desaparecido. Não se sabe preso ou morto. 

 

Cáceres: entrada para cocaína

 

O município de Cáceres é controlado por megatraficantes, que enxergam no território a porta de entrada para comercializar drogas. Por conta disso, a cidade brasileira que mais favorece a entrada da cocaína no país.

 

Conforme dados fornecidos pelo delegado federal Dennis Maximino do Ó, em 2003, o volume de cocaína apreendida em Cáceres chegava a 100 quilos. Em 2010, saltou para 1,4 mil quilos. Leia mais 

 

Cáceres é um município do estado brasileiro de Mato Grosso, com uma população de 90.881, segundo o IBGE em 2016. Faz fronteira com a Bolívia.

 

Cáceres é o principal município mato-grossense abrangido pelo Pantanal, popularmente conhecida como a "Princesinha do Paraguai".

 

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Catedral, Época Natalina, por Cleidiane 

 

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 Ponte no Rio Paraguai, por Daniela Fernanda

 

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Cachoeira Serra Azul, em Bom Jardim, por Rodrigo Godoi

 

 

Anualmente, acontece na cidade o Festival Internacional de Pesca (FIP), registrado no Guinness Book como o maior campeonato de pesca do mundo em águas fluviais.
O festival é realizado todo ano às margens do Rio Paraguai e atrai milhares de turistas.

 

 

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01
Jul17

Rio de Janeiro da cocaína, a polícia que sequestra, rouba e mata

Talis Andrade

O delegado titular da Divisão de Homicídios de Niterói, Fábio Barucke, afirmou que a delegacia, responsável pela investigação contra policiais militares, foi invadida para que provas fossem apagadas. Barucke comanda a operação que busca 96 PMs acusados de receber propina de 70 traficantes. A investigação acontece em apenas uma das 92 cidades do Estado do Rio de Janeiro. Também deixa de fora a Capital do Rio de Janeiro com mais de um mil e cem favelas dominadas por diferentes quadrilhas, inclusive milícias formadas exclusivamente por policiais civis e militares da ativa e aposentados. 

 

Os policiais acusados denunciam que a Operação Calabar de Niteroi visa abafar, desviar o noticiário da apreensão de 653,1 quilos de cocaína do avião interceptado pela Aeronáutica, que decolou de aeroporto na fazenda Itamarati, de propriedade do grupo Amaggi, da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em Goiás.

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Charge de Genildo Ronchi 

 

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Informa o jornalista Esmael Morais: Partiu de uma fazenda da família do ministro da Agricultura Blario Maggi, no Mato Grosso, o avião interceptado pela FAB, carregado com 600 kg de cocaína.
A aeronave foi abordada pela Operação Ostium, realizada conjuntamente pela Aeronáutica e Polícia Federal.
Em novembro de 2013, um helicóptero de propriedade da empresa Limeira Agropecuária foi apreendido em uma fazenda na zona rural de Afonso Cláudio (MG), após transportar 445 quilos de cocaína.
O helicóptero pertencia à empresa fundada pelo senador Zezé Perrella (PDT-MG).
Tanto Maggi quanto Aécio e Perrella são da base de sustentação do governo Michel Temer. Logo, é lícito afirmar que é muita droga para pouco governo…

 

UM MILHÃO POR MÊS DE PROPINA PARA ABASTECER UM QUARTEL MILITAR

 

Na Operação Calabar, nome de um traidor das tropas portuguesas na Guerra da Invasão Holandesa em Pernambuco, quando do Brasil Colônia, os PMs foram denunciados por organização criminosa e corrupção passiva. Já os civis foram denunciados por tráfico de drogas e corrupção ativa.

 

Além dos acusados com mandados de prisão preventiva expedidos, mais cinco civis foram denunciados, acusados de serem os intermediários das propinas. Eles eram responsáveis por recolher o dinheiro com os homens que vendiam a droga, a fim de remunerar de forma ilícita os policiais.

 

'Contratado’ pelos policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo) só para recolher R$ 1 milhão, por mês, de traficantes de 41 comunidades do município, o único delator do esquema de corrupção revelou em depoimento à Polícia Civil de Niteroi que rejeitou proposta para ‘servir’ aos PMs do 12ª BPM (Niterói), por falta de tempo.

 

A proprina era paga semanalmente. Uma das principais atividades dos PMs era sequestrar traficantes “maus pagadores”. Raptar os criminosos era uma forma de mostrar força e receber mais rápido a propina.

 

O início do inquérito na DH começou com a prisão de um traficante que decidiu delatar o esquema. Gravações telefônicas e imagens de vídeos com os policiais recebendo propina também foram incluídas no processo.

 

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