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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

15
Ago21

“Bolsonaro produz um som estridente cada vez mais alto, mas sem efeito”

Talis Andrade

Mitolândia! | Humor Político – Rir pra não chorar

Cientista política diz que instituições até agora têm conseguido frear o golpismo do presidente, mas alerta: “há sempre risco de ruptura, pois temos um presidente que gostaria de destruir a democracia”

 

 
20
Abr21

Mídia estrangeira critica atuação de Bolsonaro no controle da pandemia

Talis Andrade

 

Segundo os jornais internacionais, o colapso de saúde no Brasil representa uma ameaça a todo o mundo

Mig - Nas últimas semanas, jornais de todo o mundo têm dado destaque, de forma negativa, à atuação do presidente Jair Bolsonarona condução da pandemia, já que o país caminha no sentido oposto do resto do mundo, que dá sinais de melhora e controle da doença.

Segundo a mídia internacional, o colapso de saúde no Brasil representa uma ameaça a todo o mundo. As reportagens destacam, por exemplo, o perigo da variante brasileira do coronavírus, também chamada de P1, se espalhar pelo globo, colocando todos os países em risco.(Imagem: Arte Migalhas: Imagem: Raul Spinassé/Folhapress)

The Guardian, jornal inglês, em artigo intitulado "A visão do Guardian sobre Jair Bolsonaro: um perigo para o Brasil e para o mundo", diz que "a perspectiva de o extremista de direita Jair Bolsonaro se tornar presidente do Brasil sempre foi assustadora. Era um homem com histórico de denegrir mulheres, gays e minorias, que elogiava o autoritarismo e a tortura. O pesadelo se revelou ainda pior na realidade".

De acordo com o folhetim, Bolsonaro permitiu que o coronavírus aumentasse sem controle, atacando as restrições de movimento, máscaras e vacinas. "Mais de 60.000 brasileiros morreram apenas em março", lamenta o texto.

(Imagem: Reprodução)

Washington Post, por sua vez, afirmou que o Brasil "se tornou o maior evento da América do Sul".

"Há uma ansiedade crescente em partes da América do Sul de que P1 possa rapidamente se tornar a variante dominante, transportando o desastre humanitário do Brasil - pacientes adoecendo sem cuidados, um número de mortos disparado - para seus países."

(Imagem: Reprodução)

Já para o Financial Times, Bolsonaro minimizou consistentemente a pandemia e está mais "isolado do que nunca".

"A saída repentina dos generais ocorre em meio a um desastre de saúde pública, com um número recorde de mortes por coronavírus, tornando o Brasil o epicentro global da pandemia. A mudança aprofundou a crise política sobre a oposição teimosa de Bolsonaro aos bloqueios e as ameaças do ex-capitão do exército de usar o exército contra as autoridades locais que tentaram impô-lo."

(Imagem: Reprodução)

Autoridades também se manifestaram

Chefes do Executivo de outros países também fizeram duras críticas ao presidente brasileiro. Nicolás Maduro, da Venezuela, em pronunciamento, disse que a variante brasileira do coronavírus deveria se chamar "Bolsonaro".

"Ele é o culpado por abandonar o seu povo e por ser louco, insensível, um psicopata. Um psicopata! Insensível! Não lhe dói o povo do Brasil. Não lhe dói nada. A ele só interessa sua loucura. Vejam a situação que ele meteu o Brasil e a humanidade. O Brasil é o epicentro mundial das variantes mais perigosas e da expansão do coronavírus. Essa é a verdade."

13
Fev21

A confissão do general

Talis Andrade
23
Jan21

NA PANDEMIA, EXÉRCITO VOLTA A MATAR BRASILEIROS

Talis Andrade

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Pazuello e outros generais operam o projeto de Bolsonaro: fazer com que morra um número cada vez maior de pessoas
 
22
Jan21

Bolsonaro não agradece oxigênio; xinga Maduro e mente

Talis Andrade

 (crédito: Divulgação/HUB)

por Fernando Brito

- - -

A live presidencial das quintas-feiras, desta vez, só dedicou atenção à tragédia de Manaus para debochar grosseiramente do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que mandou quatro carretas com mais de 100 mil metros cúbicos para Manaus, destinado aos brasileiros que estavam morrendo sufocados .

Se o Maduro quiser dar oxigênio, carne [que] tá sobrando lá, mantimentos, ele é bem-vindo. Afinal de contas, nós recebemos, eu não sei o número certo, dezenas milhares de venezuelanos, fugindo para o Brasil. Depois, tomamos conhecimento que foi a White Martins, empresa sediada na Venezuela [quem fez a doação].

A checagem da Agência France Press, uma das mais respeitadas do mundo é taxativa ao afirmar que, segundo a própria White Martins, nada tem a ver com a empresa: ““Esta ação específica que está sendo divulgada na imprensa de que chegará oxigênio da Venezuela em Manaus […] não tem o envolvimento da White Martins”, disse a porta-voz da empresa, Daniela Melina.

- - -

Nota deste correspondente: Bolsonaro é, realmente, um mito, mitomaníaco. Publica o Correio Braziliense: "Ao contrário do que o presidente disse, porém, o oxigênio recebido pelo Brasil não pertence à White Martins. "Esta ação específica que está sendo divulgada na imprensa de que chegará oxigênio da Venezuela em Manaus (...) não tem o envolvimento da White Martins", disse a porta-voz da empresa, Daniela Melina, na terça-feira (19/1). O governo de Manaus também confirmou que se trata de uma doação do país vizinho. "O oxigênio foi doado pelo governo do estado venezuelano de Bolívar. O governador de Bolívar, Justo Nogueira, foi quem entrou em contato com o governador Wilson Lima se colocando à disposição para doar", afirmou em nota. Manaus recebeu cinco caminhões com oxigênio doados pela Venezuela na terça-feira (19/1), depois que o país anunciou que ajudaria o Brasil a suprir a falta do insumo no Amazonas".

Disse Bolsonaro: "Lá eles não têm cachorros, por que? Alguma praga? Comeram todos os cachorros, comeram todos os gatos. E aí vêm uns idiotas elogiando: olha o Maduro, que coração grande!", acrescentou.

Informa Boatos.org /Metrópoles: "Em resumo: a história que diz que o oxigênio doado pela Venezuela à Manaus (AM), na verdade, foi doado pela empresa White Martins é falsa! A doação de mais de 100 mil m³ de oxigênio, de fato, foi fornecido pelo governo venezuelano. Ou seja, a história (contada por Bolsonaro) não passa de balela". 

Publica O Estado de Minas: "Em 14 de janeiro, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, informou que “por instrução do presidente Nicolás Maduro” havia oferecido ao governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), o “oxigênio necessário”para atender à emergência de saúde em Manaus. Dois dias depois, anunciou que os primeiros caminhões com litros de oxigênio estavam saindo da fábrica da siderúrgica estatal Sidor, localizada no estado venezuelano de Bolívar, a caminho de Manaus. No dia 17 de janeiro, o próprio governo do Amazonas comunicou que estava previsto para chegar a Manaus, no dia seguinte, “107 mil m³ de oxigênio doados pelo governo do estado venezuelano de Bolívar”. Enquanto o ministro Eduardo Pazuello voava para Manaus com o kit tramento precoce, o governo venezuelano oferecia o oxigênio, para os brasileiros que morriam asfixiados. 

Bolsonaro é mentiroso. Publica Aosfatos org: "Publicações nas redes sociais (veja aqui) falseiam ao alegar que a Venezuela não doou oxigênio hospitalar ao Brasil, como anunciou o governo de Nicolás Maduro na semana passada. O oxigênio doado pelo governo da Venezuela vem de uma fábrica da estatal SIDOR (Siderúrgica del Orinoco Alfredo Maneiro) em Puerto Ordaz, no Estado de Bolívar. A planta fica a 1.500 km de Manaus, e imagens dos caminhões a 300 km da fronteira com o Brasil foram divulgadas neste domingo (17), pelo Opera Mundi. O comboio cruzou a fronteira com o Brasil na tarde desta segunda-feira, com 132 mil metros cúbicos de oxigênio, informou o G1. Além disso, as informações sobre o envio da ajuda humanitária foram constantemente atualizadas pelo perfil do Consulado da Venezuela em Manaus, no Twitter, nos últimos dias."

 
22
Jan21

Venezuela confirma chegada de 5 caminhões de oxigênio do país a Manaus

Talis Andrade

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Chanceler venezuelano Jorge Arreaza divulgou imagens da chegada de caminhões de oxigênio a Manaus

 

Por Diego Freire /CNN

Autoridades venezuelanas confirmaram, no fim da noite desta terça-feira (19), a chegada de cinco caminhões de oxigênio do país a Manaus, capital do Amazonas. O país vizinho anunciou a doação do insumo na última semana, diante da crise de saúde pública enfrentada pelo estado com o aumento de casos de Covid-19.

"Os caminhões com bandeiras venezuelanas foram recebidos pela população em meio a aplausos", noticiou a rede de televisão estatal Telesur.

Ao confirmar a chegada, o chanceler venezuelano Jorge Arreaza pediu que seja aprofundada a solidariedade na região em meio à panademia. 

"Chegam agora a Manaus os primeiros caminhões com cilindros de oxigênio enviados pelo presidente Nicolás Maduro para enfrentar a crise de saúde causada pela pandemia de Covid-19. Verdadeira solidariedade! Ajuda humanitária real!", escreveu Arreaza em sua conta no Twitter.

"Estamos aqui trazendo paz", disse Patricia Silva, cônsul da Venezuela em Manaus, presente na chegada dos veículos.

Antes da chegada do comboio com tanques de oxigênio, o governador do estado venezuelano de Bolívar, Justo Noguera Pietri, participou de uma cerimônia de entrega na fronteira, com participação do senador Telmário Mota (PROS-RR).

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Nicolás Maduro
@NicolasMaduro
Amigo Lula, en Venezuela amamos profundamente a los pueblos de la Patria Grande y nos llena de indignación tantas injusticias. Cuenten siempre con nuestra mano amiga y solidaria ante cualquier adversidad. Más temprano que tarde consolidaremos la unión; la del sueño bolivariano.
Quote Tweet
Lula
@LulaOficial
·
Quero agradecer a grandeza política que @NicolasMaduro teve ao ser solidário ao povo de Manaus, na crise por falta de oxigênio hospitalar, resultado da ausência de responsabilidade do governo Bolsonaro. É possível fazer política sem ódio. lula.com.br/em-carta-lula-
18
Jan21

Derrotado na vacina, Bolsonaro ameaça com ditadura e reconhece que Liberdade temos com Democracia

Talis Andrade

capim democracia gado governo .jpg

247 - Após ser derrotado politicamente, com o início da vacinação no estado de São Paulo, governador por João Doria (PSDB), seu desafeto, Jair Bolsonaro voltou ao discurso mais ideológico, nesta segunda-feira (18). Em fala a apoiadores, ele enalteceu as Forças Armadas e afirmou que delas depende a democracia ou a ditatura em um país.

"Por que sucatearam as Forças Armadas ao longo de 20 anos? Porque nós, militares, somos o último obstáculo para o socialismo. Quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não apoiam", disse no jardim do Palácio da Alvorada.

De acordo com Bolsonaro, "no Brasil, temos liberdade ainda". "Se nós não reconhecermos o valor destes homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar. Imagine o Haddad no meu lugar. Como estariam as Forças Armadas com o Haddad em meu lugar?", questionou Bolsonaro em referência ao seu adversário na eleição de 2018, Fernando Haddad (PT).

Leonardo Attuch
Se você achava que a constituição brasileira definia nosso regime político como uma democracia, o coiso pensa diferente. A democracia, na visão dele, é uma concessão militar aos civis. Ou seja: mais um crime de responsabilidade.
Folha de S.Paulo
Quem decide se um povo vai viver democracia ou ditadura são as Forças Armadas, diz Bolsonaro www1.folha.uol.com.br/poder/2021/01/
David Miranda
Bolsonaro afirma que quem decide sobre ditadura ou democracia são os militares. Ele disse que o Brasil ainda tem liberdade, mas que 'tudo pode mudar' se a população não reconhecer o valor dos militares. É grave demais! É o anúncio de golpe militar.
Helder Salomão
É sempre assim: toda vez que Bolsonaro se sente acuado, ele fala em volta da ditadura. Mais um motivo votarmos com urgência o seu impeachment! #ImpeachmentBolsonaro
Carlos Latuff
Os militares da "ditabranda" de Bolsonaro conseguem ser ainda mais obtusos e retrógrados do que seus antecessores na ditadura militar de 1964.
Erika Kokay
Derrotado e acuado na guerra da vacina, Bolsonaro volta a flertar com o o golpismo e o autoritarismo ao dizer que quem decide se o povo vai viver democracia ou ditadura são as forças armadas. O povo quer a democracia e o seu impeachment!
O Globo Brasil
Líderes criticam declaração de
@jairbolsonaro
Newton Messias
Esse negócio de vacina não interessa a Bolsonaro. Ele tem tesão mesmo é por cloroquina, arma, tortura, extermínio, milícia, ditadura, Ustra, guerra cultural, teorias da conspiração, garimpo, queimada, grilagem, agrotóxico, desmatamento, rachadinha, fakenews, racismo, homofobia...
que vincula eventual ditadura a decisão das Forças Armadas
 
15
Jan21

Após ajuda de Maduro, Estadão deixa de chamá-lo de “ditador” e adota “presidente”

Talis Andrade

247 - O Jornal Estado de S.Paulo, que possui uma linha editorial voltada para atacar o governo de Nicolás Maduro, publicou uma matéria nesta sexta-feira (15) chamando-o de presidente, após ajuda que ele ofereceu ao governo de Manaus na aquisição de oxigênio para as UTI´s. 

A matéria publicada no portal Estado diz que “Maduro autoriza e empresa vai buscar oxigênio para hospitais do Amazonas” e explica que “Jair Bolsonaro considera presidente veneuelano um rival”, trocando o termo “ditador” ao se referir ao chefe de estado venezuelano. 

A população manauense sofre com o colapso no sistema de saúde. Ontem, médicos e pacientes relataram óbitos por falta de oxigênio nas uti´s

Yahoo Brasil
@YahooBr
Ajuda foi oferecida pelo governo da Venezuela, que em comunicado de Jorge Arreaza, ministro das Relações Exteriores do país, enfatizou que a "solidariedade latino-americana" está acima de tudo

Maduro confirma decisão de enviar oxigênio a Manaus, mas Bolsonaro ainda não aceitou

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Enquanto Bolsonaro recusa e faz corpo mole diante da tragédia que atinge o Amazonas, especialmente a capital, Manaus, o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, disse no Twitter que colocou imediatamente oxigênio à disposição do Estado. Arreaza informou ter conversado com o governador Wilson Lima a pedido do presidente Nicolás Maduro. Lima respondeu, também na rede social: “O povo do Amazonas agradece”.

Jair Bolsonaro tentou, nesta sexta-feira (15), se eximir da responsabilidade pela crise da falta de oxigênio para pacientes internados com Covid-19 nos hospitais de Manaus ao afirmar que o governo “fez a sua parte”. Na ocasião, ele também voltou a defender o uso de medicamentos sem comprovação eficaz para o tratamento da doença.

"A gente está sempre fazendo o que tem que fazer. Problema em Manaus, terrível o problema lá. Agora nós fizemos a nossa parte, [com] recursos, meios", disse Bolsonaro em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo

Em seguida, ele voltou a defender o tratamento precoce e o uso da hidroxicloroquina e ivermectina para tratar a Covid-19. As drogas, porém, não possuem eficácia cientifica contra o coronavírus e o seu uso não é recomendado por entidades internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS). 

28
Nov20

Para melar a campanha de baixarias, a turma do Melo inventou que Manuela tinha tatuagens de Fídel, de Che

Talis Andrade

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A turma do Melo inventou tatuagens e outras estórias, de quem não tem programa de governo, para melar com baixarias a campanha idealista e séria e dígna de Manuela. Campanha de esperança de quem acredita no futuro, de que lutará para tirar Porto Alegre do abandono. 

Pararam com os fake news, depois que a imprensa internacional revelou estes dias as tatuagens de Maradona, comunista, e amigo de Che Guevara, de Fídel, de Hugo Chávez. Eles pararam de mandar o eleitor de esquerda para Venezuela e Cuba, países hermanos da Argentina de Maradona.

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MARADONA IMORTAL

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por Urariano Mota

Quando soube ontem da morte de Maradona, senti um abalo, que me deixou sem compreender a emoção. Foi como um sentido de perda pessoal, semelhante à perda de um amigo, cuja partida sentimos sempre como uma parte de nós que se vai e se esvai. Maradona, um amigo, que coisa mais contraditória. E por quê? Havia em mim, como na maioria dos brasileiros, um sentimento de rivalidade por seu brilho, ao qual sempre contrapomos o de Pelé. Maior é Pelé, Pelé é o maior jogador do mundo! O mais brilhante, genial é Pelé, etc. etc. Coisa sobre a qual o coração da gente protesta.

E por quê? Eu e amigos alcançamos uma idade em que a compreensão se torna mais elástica. Isso não é bem condescendência. Talvez seja uma ciência da experiência. Mas no abalo do peito, nos olhos cuja umidade eu reprimia, havia também uma ciência da idade. O tempo que acumulamos nos deixou todos mais emotivos. Vezes há em que de repente embargamos a voz, viramos o rosto de lado envergonhados por cedermos de modo tão imprevisível às lágrimas. E fiquei sem explicação, como um sentimento expresso no soneto de Camões:  

“ferida que dói e não se sente;
um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer”.

Mas depois compreendi. A razão que o peito agitava é que estava guardada na memória mais que uma absurda rivalidade entre dois gênios do futebol. Maradona era, foi um daqueles atletas fora da alienação política. Ele esteve sempre ao lado da esquerda, contra a corrente, contra o conforto da conformação. Então vi as fotos da tatuagem de Che no seu ombro, a de Fidel na perna esquerda, e suas declarações em defesa de Lula e Dilma, a favor  de Hugo Chaves e de Maduro. Nisso residia o meu abalo no peito, a emoção pelo Pibe.  Então pude ver sem olhos de rivalidade, então pude ver como um cidadão do mundo o seu belíssimo segundo gol contra a seleção inglesa. 

 

https://www.youtube.com/watch?v=1wVho3I0NtU&feature=emb_logo 

Meu Deus, um craque desses é do mundo, é da confraternização universal, está além da conflagração. Quase há um grito oculto neste gol: “abaixo o imperialismo inglês!”.

E vi, e soube algumas das suas declarações, que o sentimento adivinhou e não sabia:

"Eu não quero que Havelange diga que me quer como um pai. Eu não sou um filho da puta.  

Me dei conta depois que as dores de barriga da minha mãe eram porque ela não comia para dar de comer aos filhos.

Eu cresci em um bairro privado de Buenos Aires. Privado de luz, privado de água, privado de telefone."

Então pude compreender com olhos da razão aquilo que o sentimento viu antes. E mais sereno, agora posso dizer que a morte de Maradona deixa na gente algumas reflexões. No espaço dos seus 60 anos, ele cresceu, amadureceu para o gênio que foi, sofreu e se redimiu no campo com brilho único. E  em posições políticas que desejavam mudar o mundo. 

E por isso ele se tornou imortal. E procuro esclarecer de que gênero com perguntas do meu  romance “A mais longa duração da juventude” num trecho: 

“o que faremos da imortalidade? O que plantaremos no lugar do que é efêmero, que retira do próximo fim o seu gozo? Como teremos a saciedade sem a fome? Seria a imortalidade o paraíso sem o seu contrário, uma duração eterna do que é fluido e fugaz? Será como uma estrada que leva a lugar nenhum, uma reta de asfalto infindo sem marcos e placas de cidades?,,,” 

E mais:

“Nós alcançamos a imortalidade, isto é, o que transcende a sobrevivência ao breve, porque a imortalidade não é a permanência de matusaléns decrépitos, nós só a alcançamos pelo que foi mortal, mortal, e sempre mortal não morreu. A imortalidade é isto, o trompete de Louis Armstrong, a voz de Ella Fitzgerald”, o jogo e vida de Maradona.  

Ele foi canhoto no campo e fora do campo. Ele foi canhoto por chutar de esquerda e canhoto na política. Canhoto também no que existia de desajeitado, no uso e abuso de substâncias para diminuir a dor. E lembro de Cartola na canção O Mundo é um Moinho. Num dos versos o nosso compositor canta “em cada esquina cai um pouco a tua vida”. Assim foi a sua pessoa e gênio que não cabia em si. 

Os jornais falam que Maradona estava ansioso, deprimido e angustiado nos últimos dias.  Que a sua esperança era voltar para Cuba, a terra onde recebeu  a mais ampla solidariedade e tratamento de hermano para hermano. Mas a última dor chegou antes. Então fica isto, para sempre: 

Maradona imortal no futebol, no cidadão político, no homem alto, altíssimo,  fora do campo, quando abraçava e amava as referências socialistas. Ele foi mais que um tango. Para mim, mais que um deus. Um homem, enfim. 

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21
Set20

Governo Bolsonaro deve ser principal processado por política de devastação no Pantanal

Talis Andrade

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Da decisão do presidente vieram cortes de verbas, redução dos quadros técnicos e científicos e nomeações de dirigentes inabilitados

 

por Janio de Freitas

- - -

O governo Bolsonaro deve ser o primeiro e principal processado pelo crime de devastação incendiária do Pantanal. As leis de proteção ambiental e numerosos acordos internacionais de que o Brasil é signatário, assim como a própria Constituição, foram e continuam transgredidos na meticulosa desmontagem do sistema de vigilância, prevenção e combate às agressões ao patrimônio natural. Esta é, notoriamente, uma rara política de governo em um governo sem políticas.

É notória, aqui e no mundo, a responsabilidade pessoal e direta de Bolsonaro. Da sua decisão vieram os cortes de verbas, a redução dos quadros técnicos e científicos, e as nomeações de dirigentes inabilitados em setores como Ibama, Funai, ICMBio, INPE, e os outros de importância vital para a Amazônia, o Pantanal e os povos indígenas.

Amazônia tem 2º pior agosto de desmate, atrás só de 2019” (já governo Bolsonaro). “Em 14 dias, Amazônia queimou mais que em setembro de 2019.” Títulos como estes recentes, da Folha, sucederam-se desde a posse de Bolsonaro. E, por consequência, a do executor do projeto de desmonte da proteção ambiental, Ricardo Salles —já condenado por improbidade na secretaria do Meio Ambiente de um governo paulista de Geraldo Alckmin.

A indiferença de Bolsonaro ao clamor interno e internacional, a cada pesquisa de desmatamento e queimadas, só não foi completa por suas provocações e represálias administrativas. Entre elas, a demissão escandalosa do cientista Ricardo Galvão, conceituado presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que divulgou, como de hábito e do seu dever, o crescimento alarmante da devastação amazônica no então novo governo.

Constatado que o fogo no Pantanal tornava-se incontrolável, a explicação foi imediata: não era tanto pelo fogo, mas pela falta de equipes habilitadas para combatê-lo. Explicação complementar: a verba deste ano para combatentes a queimadas, em comparação com a de 2019, foi cortada em mais de metade. A dimensão da tragédia pantaneira não estava prevista, mas o fogaréu na Amazônia já exigia maior investimento, e não perda de verba.

Acima das necessidades está a política contra a Amazônia e a riqueza ambiental. Com mais provas oferecidas pelo próprio governo. O Orçamento para 2021 mandado por Bolsonaro ao Congresso, por exemplo, corta ainda mais os recursos dos setores de monitoramento, defesa e pesquisa visados pela destruição programada.

Essa política transgride a legislação. É criminosa. Proporciona a apropriação de terras do patrimônio da União, o desmatamento e o contrabando de madeira valiosa. Protege o garimpo ilegal e se incorpora a toda essa criminalidade. Bolsonaro e seu governo são passíveis de processo criminal — e o merecem.

Voz séria

A esquerda brasileira está chamada a refletir sobre o apoio incondicional a Nicolás Maduro e ao regime venezuelano. O mais recente relatório a pedir “investigações imediatas” do governo Maduro, sobre torturas e execuções extrajudiciais, saiu sob a responsabilidade de Michelle Bachelet. Alta comissária do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a ex-presidente do Chile não se confunde com instrumentos da guerra de propaganda e outras guerras dos Estados Unidos contra o governo Maduro.

Conquistas proporcionadas à maioria desde sempre desvalida, mantidas ou mesmo ampliadas por Maduro, não se confundem com criminalidade política.

Em cena

Durante alguns dias, as notícias foram inflando: a equipe econômica quer congelar aposentadoria por dois anos, governo quer cortar R$ 10 bilhões do auxílio a idosos e pobres com deficiências, senador bolsonarista (Márcio Bittar, MDB-AC) quer congelar salário mínimo. Então Bolsonaro saca a espada e salva os ameaçados. Com a TV devidamente preparada para o ato. Quem de nada desconfiou tem, ainda, uma chance. O que Abraham Weintraub fez para receber cargo precioso, quando deveria ser excluído do governo pelos insultos vagabundos ao Supremo e seus ministros? Nada. A menos que alguém lhe devesse uma compensação, por se dar mal em um gesto, como diziam, a pedidos.

 

 

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