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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

14
Out20

Covid-19: França adota toque de recolher em Paris e mais oito metrópoles de 21h a 6h

Talis Andrade

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O presidente Emmanuel Macron anuncia toque de recolher na região de Paris e em oito metrópoles francesas, em entrevista em rede nacional no dia 14 de outubro de 2020.
 France 2


O presidente francês Emmanuel Macron anunciou nesta quarta-feira (14) as novas medidas do governo para conter a segunda onda da pandemia Covid-19, que já matou 33 mil pessoas no país. Um toque de recolher, que será aplicado em oito metrópoles francesas, além da capital, terá início à zero hora deste sábado (17) e vai durar pelo menos quatro semanas. As outras metrópoles atingidas são Grenoble, Lille, Lyon, Aix-Marselha, Rouen, Montpellier, Saint-Etienne e Toulouse.

Teatros, cinemas, bares e restaurantes terão de fechar imperativamente às 21h nestas cidades. A multa para quem for pego quebrando o toque de recolher é de 135 € (e de 1500 € em caso de reincidência). 

"O toque de recolher vai durar quatro semanas e iremos ao Parlamento para prorrogá-lo até 1º de dezembro. Seis semanas é o tempo que nos parece útil", disse o chefe de Estado em entrevista televisionado, especificando que a medida entraria em vigor no sábado à meia-noite

A decisão, explica o presidente, foi baseada em experiências feitas na Guiana Francesa e no departamento de Mayenne, que conseguiram frear a difusão do vírus. "No momento do confinamento, fomos um dos países que melhor acatou as medidas e é por isso que eu conto com os franceses como atores da luta contra a segunda onda", disse o presidente, chamando os cidadãos para a responsabilidade individual e coletiva. 

O chefe de Estado disse que não vai voltar a fechar escolas e empresas, como aconteceu no confinamento de março e abril. "No trabalho, nas escolas, colégios e universidades, a gente usa máscara e consegue se proteger. Mas é nos contatos mais festivos que a gente se contamina", disse o presidente, pedindo que os franceses evitem encontros "desnecessários" e não se reúnam em grupos de mais de seis pessoas em restaurantes e em lugares fechados. 

 
 

 

06
Mai20

Macron quer indenizar artistas até meados de 2021: a cultura pós-Covid na França

Talis Andrade

 

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O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou uma série de medidas a favor da comunidade artística, cujas atividades estão interrompidas desde meados de março. Martin BUREAU / AFP

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nesta quarta-feira (6) um plano de recuperação para o setor cultural na França, gravemente afetado pela pandemia e pela quarentena, em vigor desde 17 de março no país. Entre as principais diretrizes para a cultura na França, Macron anunciou que manterá o sistema de remunerações dos artistas, produtores e técnicos das artes até agosto de 2021 e a criação de um “fundo de indenização” para todos os profissionais do audiovisual francês cujas produções foram canceladas devido à crise do coronavírus.

Artistas e técnicos das artes puderam finalmente respirar um pouco aliviados nesta quarta-feira (6), após o anúncio do presidente francês com as primeiras medidas destinadas à recuperação do setor cultural na França pós-pandemia. O país começa a sair da quarentena na próxima segunda-feira, 11 de maio, mas o processo deve ser longo e será realizado através de etapas, inclusive para o setor cultural.

Muito criticado pelo setor, e pressionado por grandes nomes da cultura francesa, que recentemente se manifestaram publicamente sobre o “esquecimento da cultura” na França, Macron realizou os anúncios por meio de uma videoconferência com uma dúzia de artistas para tranquilizar a comunidade cultural. Entre eles, a cantora Catherine Ringer, os diretores de cinema Eric Tolédano e Olivier Nakache, o diretor de teatro Stanislas Nordey, o escritor Aurélien Bellanger, o rapper, escritor e diretor de cinema Abd Al Malik, e a atriz Sandrine Kiberlain, entre outros.

Macron defendeu que os direitos [de indenização salarial por parte do governo francês] dos chamados “intermitentes do espetáculo”, como são conhecidos os artistas, produtores e técnicos das artes na França, “sejam prolongados de um ano", num período em que sua atividade será "impossível ou muito degradada, ou seja, até final de agosto de 2021". "Muitos não poderão trabalhar. Quero que nos comprometamos que artistas e técnicos intermitentes tenham seus direitos estendidos até o final de agosto de 2021", disse ele durante a videoconferência com representantes do setor cultural.

O sistema da intermitência, uma especificidade francesa, garante a sobrevivência de artistas e técnicos do espetáculo durante o período em que não estão em atividade na França. Para ter direito a esta indenização especial e dedicada à classe artística, cada profissional deve cumprir e comprovar 507 horas de trabalho por ano, sem as quais não se consegue o subsídio. Ao estender a indenização até metade de 2021, Macron garante a remuneração à classe artística, que não poderá cumprir suas horas de trabalho até lá, devido à crise sanitária.  

 

Pela "reinvenção" da Cultura

Resta saber agora se as medidas anunciadas pelo presidente francês estarão realmente à altura do desafio. Segundo Franck Riester, ministro da Cultura da França, "o que está em jogo é a capacidade de nosso país permanecer um país cultural. Em 30 de abril, um manifesto assinado por cem dos maiores artistas franceses exigiu não ser esquecido nesta crise sem precedentes provocada pelo Covid-19. Hoje, no diário Le Monde, mais de 200 artistas e cientistas de todo o mundo, incluindo Madonna, Robert de Niro, Juliette Binoche e Guillaume Canet, publicaram uma coluna dizendo não ao retorno 'ao normal' após a crise de coronavírus. Entre outras coisas, eles querem uma 'transformação radical' do sistema contra o consumismo", alertou Riester.

A indústria cultural da França emprega 1,3 milhão de pessoas. Ela pesa tanto quanto a indústria de alimentos e muito mais que a indústria automotiva na economia francesa. Só o cancelamento do Festival de Avignon representou uma perda de € 100 milhões para a cidade e a região. A Ópera de Paris já anunciou um prejuízo de € 50 milhões este ano. Na indústria do entretenimento, a perda de bilheteria apenas até o final de maio é estimada em € 590 milhões.

“Um novo relacionamento com o público”

O destino dos trabalhadores intermitentes da cultura era uma das demandas mais importantes do setor na França, que se mobilizou nas redes sociais para deixar de ser a grande "esquecida" das autoridades na crise da saúde. "É necessário que os locais de criação revivam, adaptando-se às restrições da epidemia, e, sem dúvida, inventando um novo relacionamento com o público", sublinhou Macron, que disse contar com o "bom senso" e "criatividade" do setor.

"Precisamos reabrir livrarias, museus, lojas de discos, galerias de arte e os teatros devem poder começar se abrir para ensaios”, disse o presidente francês. Como o setor audiovisual é bastante fragilizado pelo risco da volta da pandemia e uma possível nova quarentena, o presidente francês se declarou a favor de um fundo de compensação temporário para filmes e séries que foram canceladas devido à crise sanitária. "Colocaremos seguradoras e bancos frente às suas responsabilidades", disse o chefe de Estado, com o objetivo de retomar as filmagens, analisando "caso a caso" após o final de maio.

Ajudas e mudanças no setor audiovisual na França

É exatamente nesse período que Macron decidiu reabrir espaços culturais. Enquanto as livrarias e galerias de arte se preparam para reabrir, a cortina permanece fechada até novo aviso em cinemas, festivais e outras salas de concerto, por causa das necessidades de isolamento social, que devem continuar na França.

No setor audiovisual, o primeiro ramo do setor cultural na França em investimentos, o presidente francês defendeu a transposição "antes do final de 2020" da diretiva europeia AVMS (serviços de mídia audiovisual). Este regulamento planeja reequilibrar as regras entre canais de televisão, sujeitos a inúmeras obrigações, e plataformas on-line, contribuindo para a criação audiovisual francesa. 

Macron finalmente anunciou o lançamento de um "grande programa de contratações públicas", visando especialmente "jovens criadores com menos de 30 anos", com a ambição de "inventar uma temporada extraordinária" e procurar públicos às vezes esquecidos no mundo da cultura. "Vamos com tudo", sublinhou ele, "seja para o artesanato, performances ao vivo, literatura, ou as artes plásticas", detalhou. "Estou pensando em criadores com menos de 30 anos", destacou o chefe de Estado.

“Verão diferente”

Emmanuel Macron pediu ao mundo da cultura que ajude a "reinventar" um "verão diferente" para os "milhões de jovens" que não sairão de férias, devido à crise do coronavírus. "A nação não poderá viver suas férias como de costume. Precisamos criar um verão cultural e de aprendizado", declarou o chefe de Estado ao fim da conversa por videoconferência com os artistas e representantes do setor cultural.

Macron insistiu em particular na necessidade de mobilização cultural para os "milhões de crianças, jovens e adolescentes" que "não poderão sair de férias" neste verão, especialmente aqueles "de origem migrante" cujas famílias têm o hábito de viajar várias semanas nas férias para seus países e que não poderão fazê-lo neste verão do Hermisfério Norte em 2020, devido à crise sanitária.  

 As fronteiras devem permanecer fechadas nos próximos meses entre a França e os países do Magrebe, no norte da África, impedindo o retorno de muitos franceses que têm raízes familiares na região. As ligações aéreas foram suspensas com a Argélia e Marrocos desde meados de março.  

"Nos nossos subúrbios, em outros distritos da República, já pedimos um grande esforço aos habitantes em quarentena", sublinhou Emmanuel Macron, convocando a população a "reinventar os acampamentos de verão". O presidente francês disse ainda que os artistas podem ser mobilizados através de uma "plataforma" para coordenar iniciativas. Ele esperava que o Estado "dê aos artistas e suas equipes a possibilidade de inventarem de maneira diferente neste verão".

Jean-Marc Dumontet, proprietário de seis teatros parisienses, elogiou no canal BFMTV "o apoio ao mundo da intermitência cultural" e o tom "voluntarista" do chefe de Estado. "É uma mensagem de esperança e precisamos dela", afirmou.   Na manhã desta quarta-feira, o deputado de oposição do partido França Insubmissa, Alexis Corbière, chegou a exigir do presidente francês a declaração de um "estado de emergência cultural" e uma ajuda de "quantia comparável" aos € 7 bilhões prometidos à Air France para "salvar a cultura".

(Com informações da AFP e imprensa francesa)

04
Mai20

Coronavírus: 329 prefeitos da região parisiense pedem que escolas continuem fechadas em 11 de maio

Talis Andrade

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A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou no domingo (3) uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, pedindo que as escolas não sejam reabertas em 11 de maio - data prevista para o início do relaxamento da quarentena na França. AFP - DAMIEN MEYER

 

A Associação dos Prefeitos da Região Parisiense publicou uma carta aberta direcionada ao presidente francês, Emmanuel Macron, neste domingo (3), pedindo que as escolas não reabram em 11 de maio. A data, que marca o início do relaxamento das medidas de quarentena na França, é considerada precipitada pelas autoridades locais.

"Senhor presidente da República, na região parisiense, o Estado não pode se abster de sua responsabilidade da reabertura das escolas em 11 de maio. Esse calendário é impraticável e irrealista", escreve a Associação dos Prefeitos da Região Parisiense em uma carta aberta publicada no site do jornal francês La Tribune.

O documento, assinado por 329 prefeitos - entre eles, a de Paris, Anne Hidalgo - denuncia a falta de organização do governo, além da impossibilidade de receber os alunos em boas condições. “A preparação do fim do confinamento se faz em um calendário forçado, quando ainda não temos todas as informações para orientar a população”, afirma a carta aberta.

A associação pede, desta forma, o adiamento da abertura das escolas. “A flexibilização e a adaptação às condições locais são necessárias e os prefeitos desejam, evidentemente, estar associados às negociações. (…) Mas a falta de engajamento do Estado de suas responsabilidades em matéria educativa e sanitária, em plena crise e quando o estado de emergência será prolongado, é inimaginável”, reitera o documento.

 

Polêmica volta às aulas

Várias organizações sindicais já haviam criticado, nos últimos dias, a data de volta às aulas, considerada “arbitrária”. A principal organização do ensino primário, a SNUipp-FSU lembrou que esse calendário não foi aprovado por nenhuma autoridade médica. Já a central sindical Sud reivindica a reabertura das escolas em setembro devido “às exigências impraticáveis”.

“As condições sanitárias não estão reunidas e não permitem uma volta às aulas em maio em boas condições para os alunos e profissionais. Recomeçar em setembro permitiria ter tempo para preparar melhor as aulas e os estabelecimentos tanto na organização do material quanto em contratações suplementares”, afirma o sindicato.

Pais também se preocupam com a reabertura das escolas em um momento em que vários países europeus, entre eles a França, registram casos da Síndrome de Kawasaki em crianças contaminadas pelo coronavírus. O próprio Conselho Científico francês – criado pelo governo durante a pandemia – recomendou a reabertura das escolas somente em setembro. Mas o governo insiste na volta às aulas em 11 de maio.

Nesta segunda-feira (4), ao apresentar o projeto do fim gradual da quarentena ao Senado, o primeiro-ministro Edouard Philippe afirmou que a reabertura das escolas é uma prioridade do governo. “Onde ela pode acontecer, ela vai acontecer, se possível para as crianças que mais precisam”, afirmou.

Os estabelecimentos escolares estão fechados desde 16 de março na França devido à epidemia que já deixou 24.895 mortos no país. O projeto do governo prevê a abertura dos maternais e do ensino primário a partir de 11 de maio. As classes seguintes devem voltar as aulas a partir de 18 de maio. Já a situação do ensino médio será reavaliada no final do mês, segundo o primeiro-ministro. As medidas foram aprovadas pela Assembleia, na semana passada, e passam por exame e votação no Senado nesta segunda-feira.

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30
Mar20

“A norma é se curar”: relatos de idosos que sobreviveram à covid-19 se multiplicam na França

Talis Andrade
O presidente Emmanuel Macron visitou, em 6 de março, uma casa de repouso em Paris para tentar tranquilizar os idosos, que são a população mais vunerável ao coronavírus.
O presidente Emmanuel Macron visitou, em 6 de março, uma casa de repouso em Paris para tentar tranquilizar os idosos, que são a população mais vunerável ao coronavírus. Ludovic Marin / POOL / AFP

Os casos trazem esperança diante dos balanços cotidianos dramáticos da epidemia do novo coronavírus na França. Entre os 7.132 pacientes com covid-19 que se curaram e puderam deixar o hospital no país, estão vários idosos que contam com emoção a superação da doença.

Eles pertencem ao grupo de alto risco. Na França, apenas 35% dos pacientes com coronavírus têm mais de 65 anos, mas quase 80% dos 2.606 mortos registrados no país até esse domingo (29) têm mais de 75 anos. Por isso, os relatos de idosos que conseguiram se recuperar da covid-19 são encorajadores.

Os testemunhos de pessoas mais velhas que deixaram os hospitais curadas começaram a crescer na semana passada. Os ex-pacientes estão entre os primeiros infectados no país, em fevereiro, quando a epidemia começou na França.

Georges, de 86, é um deles. Morador de Crépy-en-Valois, no departamento de Oise, um dos primeiros focos do coronavírus no país, ele passou mal em casa na noite de 16 de fevereiro e chamou o SAMU. Ninguém sabia ainda que o vírus se propagava rapidamente na região. O diagnóstico inicial foi de uma bronquite e ele foi hospitalizado em um quarto duplo ao lado de uma outra pessoa, como “um doente qualquer”, conta o idoso ao jornal La Croix.

O quadro se agravou, a contaminação pelo coronavírus foi confirmada e Georges foi isolado. Começou então o “combate” contra a doença. Ele ficou hospitalizado 15 dias em Compiègne e hoje, em casa, diz que “faz parte dos privilegiados que podem viver normalmente”. Mas o idoso detesta que a mídia o trate como um “caso milagroso”: “temos que nos preparar para a doença, mas devemos continuar a pensar que a norma é o doente se curar”, filosofa.

 

“A Terra inteira está contaminada e eu escapei”

Daniel, de 88 anos, foi o primeiro morador do departamento de Ardennes, no norte da França, a ser diagnosticado com a covid-19. Ao contrário de Georges, ele vive a cura como um “milagre”. Ele deu entrada no hospital de Charlesville-Mezières em 6 de março, passou 10 dias internado e se considera um “sobrevivente”.

“Quando fui hospitalizado, estava muito fraco, vomitava, não tinha paladar nem apetite e qualquer gesto me cansava”, recorda em entrevista ao Aujourd’hui em France. Hoje, ele quase não tem mais sequelas da grave doença respiratória, apenas perde o fôlego de vez em quando. Daniel tem uma “gratidão enorme” pela equipe que cuidou dele e que o reconfortou nos momentos difíceis, mas também pelos vizinhos do pequeno vilarejo onde mora, que o apoiaram e continuam apoiando. “Ajuda a manter o moral”.

Daniel não consegue mais desgrudar os olhos da TV para acompanhar a progressão da epidemia: “Me arrasa ver todos esses mortos. A Terra inteira está infectada e eu escapei”, compara o ex-doente que espera que a epidemia acabe logo.

Cura de casal emociona o país

A cura de um casal de idosos emocionou particularmente o país. Henri Marchais, de 90 anos, e a mulher, Monique, de 88, ficaram doentes e internados juntos, no mesmo quarto, no hospital Bichat de Paris. Sãos e salvos, eles contaram, sorridentes e descontraídos, mas com a voz embargada, a provação que passaram à reportagem da TV France 2.

Henri ficou doente primeiro, mas demorou para chamar o médico e quase morreu. “Eu nunca fico doente. Quando comecei a ter febre, não liguei. Achei que ia passar”. Mas os sintomas se agravaram, ele começou a ter dificuldades para respirar e quando foi internado, em 8 de março, no serviço de doenças infecciosas do hospital, seu estado era crítico.

A família foi chamada. “Ligaram às duas horas da manhã para avisar que era grave e pudemos ir ao hospital abraçá-lo”, lembra, chorando, a esposa. Por causa da idade, ele não foi sedado nem entubado, teve apenas uma ajuda respiratória, mas não viveu sozinho essa batalha. Poucos dias depois, Monique também foi diagnosticada com o coronavírus e colocada no mesmo quarto. “Quando soube que o resultado era positivo, não senti medo pois me disseram que eu iria ficar ao lado dele”.

Juntos eles venceram a doença e “agradecem a gentileza e a maneira excepcional” com que foram tratados pela equipe médica. Henri e Monique estão em casa há uma semana, mas continuam cumprindo um distanciamento social. Enquanto aguardam para poder abraçar e beijar de novo os 26 netos e bisnetos, o casal, que simboliza esperança para milhares de doentes, aproveita da varanda de casa o sol da primavera que principia na França.

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26
Mar20

Operação "Resiliência" do Exército francês contra coronavírus já está em ação

Talis Andrade

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O presidente francês, Emmanuel Macron, é acompanhado por militares durante visita a Mulhouse, no leste da França. REUTERS - POOL

 

Texto por: RFI


A ministra francesa da Defesa, Florence Parly, detalhou nesta quinta-feira (26) alguns aspectos práticos da operação militar "Resiliência", anunciada ontem à noite pelo presidente Emmanuel Macron para ajudar no combate à epidemia da Covid-19 na França metropotilana e nos territórios ultramarinos.

A nova missão das Forças Armadas francesas representa um esforço inédito de à prestação de serviços públicos à população. A França enfrenta uma aceleração da epidemia, com mais de 25.000 casos de infecção pelo coronavírus, 3.000 pessoas em reanimação e mais de 1.300 mortos.

"Resiliência é a capacidade de absorver os choques e superá-los", disse Florence Parly em entrevista à rádio RTL. Segundo a ministra, diferentemente da operação antiterrorista "Sentinela", a nova missão atuará de forma integrada às estruturas civis em funcionamento em todo o território.

O Exército poderá, por exemplo, apoiar as brigadas de bombeiros no transporte de doentes. Aviões A330 Phénix, equipados com material sanitário da Aeronáutica, já participaram nos últimos dias da transferência de pacientes ligados a aparelhos de ventilação artificial de Mulhouse, no leste, onde os hospitais estão saturados, para cidades do sul e do oeste do país.

O porta-hélicópteros anfíbio Tonnerre evacuou outros pacientes de Ajaccio, na iha da Córsega, para estabalecimentos do continente. No último fim de semana, em Toulouse (sul), caminhões do Exército escoltaram material médico para hospitais.

Os militares poderão garantir uma "presença dissuasora" nos locais de armazenamento de máscaras ou respiradores. "Proteger esses locais contra o roubo é absolutamente crucial", insistiu a ministra. Parly não especificou o número exato de militares envolvidos na operação. "Algumas centenas de soldados já estão mobilizados e aumentaremos o contigente de acordo com as solicitações e onde for necessário", declarou.

"Estamos em guerra"

Em seu discurso de 16 de março, Macron repetiu seis vezes a frase "estamos em guerra". Ontem à noite, diante das tendas do recém-inaugurado hospital de campanha de Mulhouse, construído por militares, o presidente francês continuou explorando o léxico militar. Vinte e quatro milhões de franceses acompanharam o novo pronunciamento do chefe de Estado na TV. Pela primeira vez, Macron apareceu diante das câmeras usando uma máscara de proteção.

Além do porta-hélicópteros anfíbio Tonnerre, outros dois porta-aviões da Marinha francesa – Mistral e Dixmude – serão enviados aos territórios franceses no Oceano Índico e nas Antilhas. As duas embarcações possuem pequenos hospitais de bordo e helicópteros que poderão realizar transporte sanitário entre as ilhas. Em função do pequeno número de leitos de reanimação nessas áreas distantes da França metropolitana, as autoridades poderão pedir ajuda a países próximos para a hospitalização dos pacientes em estado grave.

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02
Mar20

Lula recebe título de cidadão honorário de Paris

Talis Andrade

Lula, acompanhado de Dilma e Haddad, recebe título de cidadão de Paris da prefeita Anne Hidalgo

Lula, acompanhado de Dilma e Haddad, recebe título de cidadão de Paris da prefeita Anne Hidalgo

 

Na capital francesa, ex-presidente critica ataques à democracia no Brasil e agradece apoio da prefeita Anne Hidalgo. Honraria é concedida a personalidades que se destacam pela defesa dos direitos humanos.

por DW Deutsche Welle

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (02/03) o título de cidadão honorário de Paris em uma cerimônia na prefeitura da capital francesa, onde aproveitou para criticar o que chamou de "enfraquecimento do processo democrático" no Brasil.

A honraria a Lula foi concedida pela prefeita de Paris, Anne Hidalgo, em outubro do ano passado, quando ele ainda estava preso, e aprovada pelo Conselho da cidade. De acordo com a prefeitura, a cidadania honorária parisiense é concedida a personalidades que se destacam na defesa dos direitos humanos. Um dos homenageados foi o ex-líder africano Nelson Mandela.

Hidalgo disse que a sucessora de Lula na Presidência, Dilma Rousseff, havia lhe pedido uma ação em favor da libertação do petista, o que a levou a sugerir sua indicação como cidadão honorário de Paris. A prefeita, em plena campanha para a reeleição, destacou o legado do PT na luta pela igualdade social – a qual, segundo ela, está comprometida com a chegada ao poder de Jair Bolsonaro.

Lula@LulaOficial

Merci, Paris!

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A relação entre os governos do Brasil e da França vem se deteriorando, após Bolsonaro entrar em várias ocasiões em confronto com o presidente francês, Emmanuel Macron.

Em seu discurso na prefeitura de Paris, com a presença de Dilma e do ex-candidato do PT à Presidência Fernando Haddad, Lula fez uma série de críticas ao governo Bolsonaro e alertou para o empobrecimento da população brasileira.

Ele disse que o Brasil vive o enfraquecimento da democracia "estimulado pela ganância de poucos e pelo desprezo em relação aos direitos do povo", e denunciou o que chamou de "ataques ao Estado de direito e à Constituição".

Lula contou que, ao saber da homenagem de Paris quando estava preso, teve renovadas as esperanças de recuperar a liberdade. O ex-presidente valorizou o reconhecimento vindo de uma cidade que, segundo ele, "tem um apego especial aos direitos humanos e que sempre acolheu os brasileiros e latino-americanos que os defenderam".

O petista ainda prometeu unir a esquerda nas eleições presidenciais de 2022. Ele disse que, aos 74 anos, está "mais motivado do que nunca para reconquistar a democracia em nosso país".

François Hollande@fhollande
 

Très heureux d’avoir reçu l’ancien président @LulaOficial, @dilmabr et @Haddad_Fernando aujourd’hui à Paris. Nous avons échangé sur la question climatique et la lutte contre les inégalités, qui doivent être au cœur de tous les combats d’aujourd’hui et de demain.

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Lula foi preso em 2018 por corrupção no caso do apartamento tríplex no Guarujá, quando foi acusado de receber propinas de empreiteiras em troca da concessão de contratos públicos. Ele foi libertado em novembro do ano passado, após 580 dias de encarceramento, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) mudar as regras para as prisões em segunda instância.
 

Antes da cerimônia na prefeitura da cidade, Lula se reuniu com líderes da esquerda francesa, como o ex-presidente francês François Hollande e o líder do partido França Insubmissa e ex-candidato à presidência, Jean-Luc Mélenchon.

Ainda em Paris, o ex-presidente participará, juntamente com Dilma e Haddad, de um evento de campanha de Hidalgo, antes de partir para Genebra e Berlim.

Na Suíça, ele deverá participar de uma reunião do Conselho Mundial das Igrejas (CMI), que reúne representantes de mais de 120 países, sob o tema da desigualdade social.

Na capital alemã, Lula se reunirá com líderes políticos e representantes de sindicatos e participará de um ato público em defesa da democracia no Brasil.

RC/efe/ots/rtr

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Veja a TRAJETÓRIA POLÍTICA DE LULA (galeria de 22 fotografias aqui)

 
14
Set19

"Estoy preso, pero no me quejo, me siento más libre que millones de brasileños que no comen, no trabajan, no tienen vivienda"

Talis Andrade

Cien minutos en la cárcel con Lula

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Al expresidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, encarcelado en la ciudad de Curitiba, en el sur del país, solo le permiten la visita de dos personas por semana. Una hora. Los jueves en la tarde, de cuatro a cinco. Hay que esperar turno. Y la lista de quienes desean verle es larga... Pero hoy 12 de septiembre, nos toca a Adolfo Pérez Esquivel, premio Nobel de la Paz, y a mí. Lula está en prisión, cumpliendo una pena de 12 años y 1 mes «por corrupción pasiva y lavado de dinero», pero no ha sido condenado definitivamente (aún puede apelar) y sobre todo, sus acusadores no han podido demostrar su culpabilidad. 
 
Todo ha sido una farsa. Como lo han confirmado las demoledoras revelaciones de The Intercept, una revista de investigación on line dirigida por Glenn Greenwald. Lula ha sido víctima de la arbitrariedad más absoluta. Una trama jurídica totalmente manipulada, destinada a arruinar su popularidad y a eliminarlo de la vida política. A asesinarlo mediáticamente impidiendo de ese modo que pudiese presentarse y ganar las elecciones presidenciales del 2018. Una suerte de ‘golpe de Estado preventivo’... 

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Además de ser juzgado de manera absolutamente arbitraria e indecente, Lula ha sido linchado permanentemente por los grandes grupos mediáticos dominantes - en particular O Globo -, al servicio de los intereses de los mayores empresarios, con un odio feroz y revanchista contra el mejor presidente de la historia de Brasil, que sacó de la pobreza a cuarenta millones de brasileños y creó el programa ‘hambre cero’... No se lo perdonan... 
 
Cuando falleció su hermano mayor, Genival ‘Vavá’, el más querido, no le dejaron asistir al entierro, a pesar de ser un derecho garantizado por la ley. Y cuando murió de meningitis su nietecito Arthur, de 7 años, el más allegado, sólo le permitieron ir una hora y media (!) al velatorio... Humillaciones, vejaciones, venganzas miserables... 
 
Antes de poner rumbo hacia la cárcel - situada a unos siete kilometros del centro de Curitiba -, nos reunimos con un grupo de personas cercanas al expresidente para que nos expliquen el contexto. Roberto Baggio, dirigente local del Movimiento de los Sin Tierra (MST), nos cuenta cómo se organizó la movilización permanente que llaman la « Vigilia ». Cientos de personas del gran movimiento « Lula livre! » acampan en permanencia frente al edificio carceral, organizando reuniones, debates, conferencias, conciertos... Y tres veces al día - a las 9h, a las 14h30 y a las 19h -, lanzan a todo pulmón un sonoro: « Bom día!», « Boa tarde!», « Boa noite, Sr Presidente! »... « Para que Lula nos oiga, darle ánimo - nos dice Roberto Baggio -, y hacerle llegar la voz del pueblo... Al principio, pensábamos que eso duraría cinco o seis días y que el Tribunal Supremo pondría en libertad a Lula... Pero ahora estamos organizados para una Protesta Popular Prolongada...» 
 
Carlos Luiz Rocha es uno de los abogados de Lula. Va a verlo casi todos los días. Nos cuenta que el equipo jurídico del expresidente cuestiona la imparcialidad del juez Sergio Moro, ahora recompensado por Bolsonaro con el Ministerio de Justicia, y la imparcialidad de los procuradores... «The Intercept lo ha demostrado», nos dice, y añade: «Deltan Dallagnol, el procurador jefe, me lo ha confirmado él mismo... Me afirmó que ‘en el caso de Lula, la cuestión jurídica es una pura filigrana... el problema es político». Rocha es relativamente optimista porque, según él, a partir del próximo 20 de septiembre, Lula ya habrá cumplido la parte de la pena suficiente para poder salir en ‘arresto domiciliario’... «Hay otro elemento importante, nos dice, mientras la popularidad de Bolsonaro está cayendo fuertemente, las encuestas muestran que la de Lula vuelve a subir... Actualmente, ya más del 53 por ciento de los ciudadanos piensan que Lula es inocente. La presión social va siendo cada vez más intensa en favor nuestro...» 
 
Se ha sumado a nosotros nuestra amiga Mônica Valente, secretaria de relaciones internacionales del Partido de los Trabajadores (PT) y secretaria general del Foro de Sao Paulo. Juntos, con estos amigos, nos ponemos en ruta hacia el lugar de encarcelamiento de Lula. La cita con el expresidente es a las 4 de la tarde. Pero antes vamos a saludar a los grupos de la Vigilia, y hay que prever las formalidades de ingreso en el edificio carcelario. No es una prisión ordinaria, sino la sede administrativa de la Policía Federal en cuyo seno se ha improvisado un local que sirve de celda. 
 
Sólo entraremos a ver a Lula, Adolfo Pérez Esquivel y yo, acompañados por el abogado Carlos L. Rocha y Mônica Valente. Aunque el personal carcelero es cordial, no deja de ser muy estricto. Los teléfonos nos son retirados. El cacheo es electrónico y minucioso. Solo es permitido llevarle al reo libros y cartas, y aún... porque Adolfo le trae 15.000 cartas de admiradores en un pendrive y se lo confiscan para verificarlo muy atentamente... luego se lo devolverán. Lula está en la cuarta planta. No lo vamos a ver en una sala especial para visitas sino en su propia celda donde está encerrado. Subimos por un ascensor hasta el tercer piso y alcanzamos el último a pie. Al final de un pasillito, a la izquierda, está la puerta. Hay un guardia armado sentado delante que nos abre. En nada esto se asemeja a una prisión - excepto los guardianes -, parece más bien un local administrativo y anónimo de oficinas. Nos ha acompañado hasta aquí el carcelero jefe, Jorge Chastalo (está escrito en su camiseta), alto, fuerte, rubio, de ojos verde-azules, con los antebrazos tatuados. Un hombre amable y constructivo quien tiene, constato, unas relaciones cordiales con su prisionero. 
 
La habitación- celda es rectangular, entramos por uno de los lados pequeños y se nos presenta en toda su profundidad. Cómo nos han confiscado los teléfonos, no puedo sacar fotos y tomo nota mental de todo lo que observo. Tiene unos seis o siete metros de largo por unos tres y medio de ancho, o sea unos 22 metros cuadrados de superficie. Justo a la derecha, al entrar, está el baño, con ducha y váter; es un cuarto aparte. Al fondo, enfrente, hay dos grandes ventanas cuadradas con rejas horizontales de metal pintadas de blanco. Unos toldos de color gris-plata exteriores dejan entrar la luz natural del día pero impiden ver el exterior. En el ángulo izquierdo del fondo está la cama individual recubierta con un cubrecama color negro y en el suelo una alfombrita. Encima de la cama, clavadas en la pared, hay cinco grandes fotografías en colores del pequeño Arthur, recien fallecido, y de los otros nietos de Lula con sus padres. Al lado, a la derecha, y debajo de una de las ventanas, hay una mesita de noche de madera clara, de estilo años 1950, con dos cajones superpuestos, de color rojo el de arriba. A los pies de la cama, un mueble también de madera sirve de soporte a un pequeño televisor negro de pantalla plana de 32 pulgadas. Al lado, también contra la pared izquierda, hay una mesita bajita con una cafetera y lo necesario para hacer café. Pegado a ella, otro mueble cuadrado y más alto, sirve de soporte a una fuente de agua, una bombona color verde esmeralda como las que se ven en las oficinas. La marca del agua es ‘Prata da Serra’.

El otro ángulo del fondo, a la derecha, es el rincón gimnasio, con un banco recubierto de falso cuero negro para ejercicios, gomas elásticas para musculación y una gran caminadora. Al lado, entre la cama y la caminadora, un pequeño calentador eléctrico sobre ruedas, color negro. En lo alto de la pared del fondo, sobre las ventanas, hay un aire acondicionado de color blanco. En medio de la habitación, una mesa cuadrada de 1,20 mts de lado, cubierta con un hule azul celeste y blanco, y cuatro sillas confortables, con reposabrazos, de color negro. Una quinta silla o sillón está disponible contra la pared derecha. Finalmente, pegado al tabique que separa la habitación del cuarto de baño un gran armario de tres cuerpos, color roble claro y blanco, con una pequeña estantería en el lado derecho que sirve de biblioteca. Todo modesto y austero, hasta espartano, para un hombre que fue durante ocho años el présidente de una de las diez principales potencias del mundo... Pero todo muy ordenado, muy limpio, muy organizado... Con su cariño de siempre, con calurosos abrazos y palabras de amistad y afecto, Lula nos acoge con su voz característica, ronca y potente. Viste una camiseta adidas del Corinthians su equipo paulista de fútbol favorito, un pantalon de sudadera gris clarito de marca nike, y unas chanclas blancas de tipo havaianas. Se le ve muy bien de salud, robusto, fuerte: «Camino nueve kilómetros diarios» nos dice. Y en excelente estado psicológico: «Esperaremos tiempos mejores para estar pesimista - afirma - nunca he sido depresivo, jamás desde que nací; y no lo voy a ser ahora».

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Nos sentamos en torno a la mesita, él frente a la puerta, dándole la espalda a las ventanas, Adolfo a su derecha, Mônica enfrente, el abogado Rocha un poco aparte entre Adolfo y Mônica, y yo a su izquierda. Sobre la mesa hay cuatro mugs llenos de lápices de colores y bolígrafos. Le entrego los dos libros que le he traído, las ediciones brasileñas de «Cien horas con Fidel» y «Hugo Chávez, mi primera vida». Bromea sobre su propia biografía que está escribiendo, desde hace años, nuestro amigo Fernando Morais: «No sé cuándo la va a terminar... Todo empezó cuando salí de la Presidencia, en enero de 2011. Unos días después fui a un encuentro con los cartoneros de Sao Paulo... Era debajo de un puente y allí una niña me preguntó si yo sabía lo que había hecho en favor de los cartoneros... Me sorprendió y le dije que, bueno, nuestros programas sociales, en educación, en salud, en vivienda, etc. Y ella me dijo: «No, lo que usted nos dio fue dignidad...» Una niña...! Me quedé impresionado... y lo comenté con Fernando... Le dije: «Mira, sería bueno hacer un libro con lo que la gente piensa de lo que hicimos nosotros en el gobierno, lo que piensan los funcionarios, los comerciantes, los empresarios, los trabajadores, los campesinos, los maestros.... Ir preguntándoles, recoger las respuestas.... Hacer un libro no con lo que yo puedo contar de mi presidencia, sino con lo que la propia gente dice... Ese era el proyecto.... (se ríe) pero Fernando se ha lanzado en una obra titanesca porque quiere ser exhaustivo... Sólo ha escrito sobre el período 1980-2002, o sea antes de llegar yo a la presidencia... y ya es un tomo colosal... porque en ese periodo de 22 años ocurrieron tantas cosas... fundamos la CUT (Central Única de Trabajadores), el PT, el MST, lanzamos las campañas «Direitas ¡ja!», y en favor de la Constituyente.... transformamos el país... El PT se convirtió en el primer partido de Brasil... Y debo aclarar que aún hoy, en este país, sólo existe un partido verdaderamente organizado, el nuestro, el PT». Le preguntamos sobre su estado de ánimo. «Hoy se cumplen, nos dice, 522 días desde mi entrada en esta cárcel, el sábado 7 de abril de 2017... Y exactamente ayer se cumplió un año de cuando tuve que tomar la decisión más difícil, escribir la carta en la que renunciaba a ser candidato a las elecciones presidenciales de 2018... Estaba en esta celda, solito... dudando... porque me daba cuenta de que estaba cediendo a lo que deseaban mis adversarios.... impedirme ser candidato... Fue un momento duro... de los más duros... y yo completamente solo aquí... Yo pensaba: Es como estar pariendo con mucho dolor y sin nadie que te tenga la mano...» Abre el libro Cien horas con Fidel y me dice: «Conocí a Fidel en 1985, exactamente a mediados de julio de 1985... Estaba en La Habana por primera vez participando en la Conferencia Sindical de los Trabajadores de América Latina y del Caribe sobre la Deuda Externa... Yo ya había salido de la CUT, ya no era sindicalista, estaba a tiempo completo de Secretario General del PT y era candidato en las elecciones legislativas del año siguiente... Pero no sólo había sindicalistas en esa Conferencia, Fidel había invitado también a intelectuales, profesores, economistas, y dirigentes políticos... Recuerdo que eran ya como las cinco de la tarde, en el Palacio de Congresos, Fidel presidía y aquello estaba muy aburrido... Entonces Fidel, que yo no conocía personalmente, me mandó un mensaje preguntando si yo iba a hablar... Le contesté que no, que no estaba previsto... Él entonces casi me dio una orden: «Usted tiene que hablar, y será el último, cerramos con usted...» Pero la CUT no quería de ninguna manera que yo tomase la palabra... Así que yo no sabía qué hacer... A eso de las siete de la tarde, desde la presidencia de la mesa, sorpresivamente, Fidel anuncia que yo tengo la palabra... Casi me vi obligado a tomarla, me levanté, fui a la tribuna... y empecé a hablar... sin traducción... hice un largo discurso y terminé diciendo: «Compañero Fidel, quiero decirles a los amigos y amigas aquí reunidos que los Estados Unidos tratan por todos los medios de convencernos de que son invencibles... Pero Cuba ya los venció, Vietnam ya los venció, Nicaragua ya los venció y El Salvador también los va a vencer... ¡No debemos tenerles miedo!» Hubo fuertes aplausos. Bueno, termina la jornada y yo me voy a mi casa que me habían asignado en el Laguito... Y cuando llego... ¿Quién me estaba esperando en el saloncito de la casa? ¡Fidel y Raúl ! Los dos ahí sentados aguardándome... Fidel empezó a preguntarme dónde yo había aprendido a hablar así... Les conté mi vida... Y así fue como nos hicimos amigos para siempre...». «Debo decir, añade Lula, que Fidel, siempre fue muy respetuoso, nunca me dio un consejo que no fuera realista... Nunca me pidió que hiciera locuras... prudente... moderado... un sabio... un genio...» 
 
Lula le pregunta entonces a Pérez Esquivel, quien preside el Comité internacional en favor del otorgamiento del Premio Nobel de la Paz al expresidente brasileño, cómo avanza el proyecto. Adolfo da detalles del gran movimiento mundial de apoyo a esa candidatura y dice que el Premio se anuncia, en general, a principios de octubre, o sea en menos de un mes...Y que según sus fuentes este año será para una persona latinoamericana. Se le ve optimista. Lula insiste en que es decisivo el apoyo de la Alta Comisaría para los derechos humanos de la ONU que preside Michelle Bachelet. Dice que esa es la «batalla más importante». Aunque no lo ve fácil. 
 
Nos cuenta una anécdota: «Hace unos años, cuando salí de la Presidencia, ya me habían propuesto para el Premio Nobel de la Paz. Un día me encontré con la reina consorte de Suecia, Silvia, esposa del rey Carlos XVI Gustavo. Ella es hija de una brasileña, Alice Soares de Toledo, así que hablamos en confianza. Y ella me dijo: «Mientras sigas siendo amigo de Chávez, no creo que puedas avanzar mucho... Aléjate de Chávez y tienes el Premio Nobel de la Paz...» Así son las cosas...» Le pregunto cómo juzga estos primeros ocho meses de gobierno de Jair Bolsonaro. «Bolsonaro está entregando el país, me contesta. Y estoy convencido de que todo lo que está ocurriendo está piloteado por Petrobras... A causa del superyacimiento de petróleo off shore Pre-Sal, el mayor del mundo, con reservas fabulosas, de muy alta calidad... descubierto en 2006 en nuestras aguas territoriales... aunque está a gran profundidad, más de 6.000 metros, su riqueza es de tal dimensión que justifica todo... Hasta puedo afirmar que la reactivación de la IV Flota por parte de Washington, que patrulla a lo largo de las costas atlánticas de América del Sur, se decidió cuando se descubrió el yacimiento Pre-Sal... Por eso, nosotros, con Argentina, Venezuela, Uruguay, Ecuador, Bolivia, etc... creamos el Consejo de Seguridad de Unasur... Es un elemento determinante.

Brasil, prosigue Lula, siempre fue un país dominado por élites voluntariamente sometidas a los Estados Unidos... Sólo cuando nosotros llegamos al poder, en 2003, Brasil empezó a ser protagonista... Entramos al G-20, fundamos los BRICS (con Rusia, India, China y Suráfrica), organizamos - por primera vez en un país emergente - los Juegos Olímpicos, la Copa Mundial de fútbol... Nunca hubo tanta integración regional en América Latina.... Por ejemplo, nuestros intercambios en el seno de Mercosur eran de 15.000 millones de dólares, cuando acabé mis dos mandatos se elevaban a 50.000 millones... Hasta con Argentina, cuando llegué eran de 7.000 millones, cuando terminé de 35.000 millones... Los Estados Unidos no quieren que seamos protagonistas, que tengamos soberanía económica, financiera, política, industrial, y menos aún militar... No quieren, por ejemplo, que Brasil firme acuerdos con Francia sobre los submarinos nucleares... Nosotros habíamos avanzado en eso, con el presidente François Hollande, pero con Bolsonaro se derrumbó... Hasta esa miserable declaración, tan espantosamente antifeminista, contra Monique, la esposa del Presidente de Francia Emmanuel Macron, hay que situarla en ese contexto... El tiempo impartido se termina, hablamos de muchos de sus amigos y amigas que ejercen aún responsabilidades politicas de muy alto nivel en diversos países o en organizaciones internacionales. Nos ruega que les transmitamos a todas y a todos su recuerdo más afectuoso, y agradece su solidaridad. Insiste en lo siguiente: «Digan que estoy bien, como lo pueden constatar. Estoy consciente de por qué estoy preso. Lo sé muy bien. No ignoro la cantidad de juicios que hay contra mi. No creo que ellos me liberen. Si el Tribunal Supremo me declara inocente, ya hay otros juicios en marcha contra mi para que nunca salga de aquí. No me quieren libre para no correr ningún riesgo... Eso no me da miedo... Yo estoy preparado para tener paciencia... Y dentro de lo que cabe, tengo suerte... hace cien años ya me habrían ahorcado, fusilado o descuartizado... para hacer olvidar cualquier momento de rebeldía... Yo tengo conciencia de mi rol...No voy a abdicar... Conozco mi responsabilidad ante el pueblo brasileño... Estoy preso, pero no me quejo, me siento más libre que millones de brasileños que no comen, no trabajan, no tienen vivienda... parece que están libres pero están presos de su condición social, de la que no pueden salir...

"Prefiero estar aquí siendo inocente, que fuera siendo culpable... A todos los que creen en mi inocencia, les digo: No me defiendan sólo con fe ciega... Léanse las revelaciones de The Intercept. Ahí está todo argumentado, probado, demostrado. Defiéndanme con argumentos... Elaboren una narrativa, un relato... Quien no elabora una narrativa, en el mundo de hoy, pierde la guerra. Estoy convencido de que los jueces y los procuradores que montaron la manipulación para encarcelarme no duermen con la tranquilidad que tengo yo. Son ellos los no tienen la conciencia tranquila. Yo soy inocente. Pero no me quedo de brazos cruzados. Lo que vale es la lucha". 

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06
Set19

“Qual é o problema do governo brasileiro? Bando de grosseiros”, reage ex-ministra de Sarkozy a ofensa de Guedes

Talis Andrade
media
A ex-ministra da Educação de Nicolas Sarkozy, Valérie Précresse.Wikipedia

 

Várias lideranças da oposição na França, da esquerda radical à extrema direita, demonstraram indignação nesta sexta-feira (6) após o ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, dizer que a esposa do presidente francês, Brigitte Macron, era "realmente feia". Os protestos vieram de nomes como Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, até  Florian Philippot, da extrema direita, passando por Valérie Précresse, da direita conservadora francesa.

 

"O presidente disse isso, e essa é a verdade, essa mulher é realmente feia", disse Paulo Guedes, um ministro peso pesado do governo brasileiro, depois dos recentes comentários de Jair Bolsonaro sobre a esposa de Emmanuel Macron, um fato que provocou indignação na França e no Brasil. O ministro da Economia brasileiro pediu posteriormente desculpas por esta "piada".

Mas o episódio não passou em brancas nuvens na França. Nesta sexta-feira, a ex-ministra da Educação de Nicolas Sarkozy e atual presidente da região de Ilê-de-France, Valérie Précresse, não se conteve em seu Twitter, e exclamou: “Mas qual é o problema com o governo brasileiro? Depois de Jair Bolsonaro, o ministro da Economia? Bando de grosseiros! Quando eles insultam Brigitte Macron, são todas as mulheres francesas que se sentem insultadas”, publicou, incluindo uma hashtag em português: #Vergonha.

Valérie Pécresse@vpecresse
 

C’est quoi leur problème au gouvernement Brésilien? Après Jair Bolsonaro, le ministre des finances? Bande de soudards grotesques! Quand ils insultent Brigitte Macron, c’est toutes les femmes françaises qui se sentent insultées #Vergonha #AvecBrigitte http://www.leparisien.fr/politique/brigitte-macron-de-nouveau-insultee-par-un-ministre-bresilien-06-09-2019-8146575.php 

Brigitte Macron de nouveau insultée par un ministre brésilien

Après les remarques déplacées du président Bolsonaro, c’est cette fois, le ministre de l’Economie brésilien qui a lancé en public que l’épou

leparisien.fr
 

Em uma mensagem também no Twitter, endereçada à Brigitte Macron, o líder do partido França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon, garantiu que os brasileiros que conheceu estão "indignados com a grosseria de seus líderes" em relação à primeira-dama. "Como eu", acrescentou o chefe da LFI, em viagem pela América Latina. "Quem insulta você é quem aprisiona Lula inocente. Saiba que sentimos repulsa por tais brutos", continua Mélenchon.

 
 

Campeonato mundial dos misóginos

Para a eurodeputada Agnès Evren, "no campeonato mundial dos misóginos, machistas e insultantes, os ministros brasileiros merecem a medalha de ouro, que vergonha!". O presidente do partido ultraconservador France Débout, Nicolas Dupont-Aignan, julgou o comportamento dos líderes brasileiros "indigno e inaceitável!". Florian Philippot, ex-braço direito de Marine Le Pen e presidente de Os Patriotas, também twittou "Que baixeza" .

Jair Bolsonaro já havia causado alvoroço ao publicar no final de agosto, antes de se retirar, um comentário de um post ofensivo no Facebook sobre o físico de Brigitte Macron, no meio da batalha entre Brasília e Paris sobre os incêndios na Amazônia. Leia mais:

 

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Paulo Guedes e Maria Cristina: ministro da Economia e sua mulher em “As Rainhas” .

Foto: Cecilia Mendes de Almeida

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua irmã, Elizabeth, ambos com vínculos com a educação privada e a distância

 
11
Ago18

Dez juristas internacionais denunciam “injustiça e parcialidade”no caso Lula

Talis Andrade

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O juiz Sérgio Moro e sua corte de desembargadores do TRF-4 de Porto Alegre nem aí. Permanecerão de ouvidos moucos como diz aquela delegada da Polícia Federal que colocou o reitor Cancelier nu em uma masmorra.

 

Dez juristas cousa pouca. Mais de 270 advogados, professores de Direito e juristas assinaram uma carta pública contra uma das manobras do Edson Fachin. Resposta do ministro foi dar cambalhotas, merecendo de um amigo íntimo, desde os tempos de estudante, a alcunha de "verme".

 

O STF se rebaixa para repetir Moro. Essa do Papa Francisco se preocupar com Lula total besteira. Que outros chefes de países mais importantes que o Vaticano denunciaram a "injustiça", a "parcialidade" de Moro que está na arena circense criando fake news, promovendo suítes de delações premiadas para render notícias negativas contra os candidatos petistas, para favorecer os tucanos de Geraldo Alckmin, os emedebistas de Herique Meirelles.

 

Moro faz das delações peças de propaganda política. Uma verdadeira fábrica.  Pela última contagem, um mil e 63 delações premiadas. Delações antigas, notícias frias para esquentar. Uma das especialidades de Moro, que o caso triplex permanece recheado de notas fiscais frias. Moro tudo pode, mas as candidaturas de Alckmin, de Meirelles, de Álvaro Dias são frias. Sobra para Moro Bolsonaro. 

 

Um mil e 63 delações premiadas. Diz Tacla Durán, que Moro acusa de ser uma testemunha não confiável, que uma delação custa cinco milhões de dólares de propina para a corriola de Curitiba. É uma feira grande tipo leilão do Pré-Sal. Ou leilão da fatiada Petrobras, saqueada pela quadrilha de Temer que tem Pedro Parente como capo.

 

Faz a conta: 1 063 delações premiadas x 5 milhões de dólares... Muita grana. Tanto dinheiro que o judiciário teme investigar.

 

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Por meio de uma carta, grupo formado por renomados juristas da Espanha, França e Argentina expressa preocupação pelo andamento do processo

Documento será entregue a mandatários da França, Espanha e Portugal

 

 

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O casal Sérgio Moro e o tucano corrupto Pedro Parente em uma noite de gala em Nova Iorque  

 

El País (Espanha) - Dez juristas e advogados europeus e latino-americanos, entre eles o renomado ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, denunciaram nesta quinta-feira o que chamam de irregularidades no julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva —que encontra-se preso desde abril, depois de ter sido condenado a 12 anos e um mês de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva— e pediram que a lei seja respeitada "com rigor e independência".

 

Promovida pelo advogado francês William Bourdon, presidente e fundador da associação de proteção e defesa das vítimas de crimes econômicos Sherpa, a denúncia foi feita por meio de uma carta assinada em Paris e endereçada à presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, com cópias enviadas aos demais membros do STF e ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Fux.

 

O documento, que também será encaminhado aos presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Espanha, Pedro Sánchez, assim como ao primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa, expressa a preocupação dos juristas pela parcialidade do processo que levou o ex-presidente brasileiro à prisão e os obstáculos para a sua liberdade.

 

O grupo de juristas e advogados —entre os quais também se encontram Emilio García, presidente da Fundacção de Direitos Humanos Sur Argentina, e o presidente honorário da Liga de Direitos Humanos (LDH), Henri Leclerc— denunciou, por exemplo, a atitude do juiz federal Sérgio Moro ao autorizar a publicação na imprensa da gravação de uma conversa telefônica entre Lula e a ex-presidenta Dilma Rousseff.

 

No mesmo dia em que Lula foi anunciado como o novo ministro da Casa Civil do Governo de Rousseff, em 17 de março de 2016, Moro levantou o sigilo da investigação contra o ex-presidente e divulgou o diálogo em que ambos tratavam da posse dele no cargo. Caso assumisse, Lula não poderia ser preso porque a decisão teria sido tomada por um juiz de primeira instância e, como ministro, só o Supremo Tribunal Federal poderia mandar prendê-lo. A gravação teve imediato impacto político e contribuiu para insuflar ainda mais as manifestações de rua contra o ex-presidente.

 

Na carta, os juristas questionam o caráter "precipitado, injusto e parcial" do processo e afirmam estar preocupados com a "grave afronta aos direitos da defesa" de Lula, refletidas, por exemplo, no fato de que seus advogados foram submetidos à vigilância telefônica. Em sua opinião, essas "irregularidades e anomalias" não seriam alheias a "uma forte pressão da mídia, alimentada pelo jogo das ambições pessoais".

 

Garzón e seus colegas ressaltaram que seu apelo não tem a intenção levantar questões sobre a culpa ou inocência do ex-presidente, mas salientaram que o fato de o mundo estar passando por um período problemático, "quando não caótico", faz, na opinião deles, com que seja "ainda mais necessário que todos os princípios da legalidade sejam respeitados com rigor e independência". Por isso, exigem respeito por "todos esses princípios, amparando-os de qualquer estratégia", que busque impedir a aplicação imparcial da lei.

09
Ago18

JURISTAS INTERNACIONAIS DENUNCIAM IRREGULARIDADES NO JULGAMENTO DE LULA

Talis Andrade

Em carta enviada de Paris ao Supremo Tribunal Federal, dez juristas e advogados europeus e latino-americanos denunciaram nesta quinta-feira ilegalidades no processo contra o ex-presidente Lula e pediram que lei brasileira seja respeitada "com rigor e independência"; signatários, liderados pelo advogado francês William Bourdon, disseram estar igualmente preocupados com as "graves afrontas aos direitos da defesa" de Lula, como submeter seus advogados a escuta telefônica; essas "irregularidades e anomalias" não seriam alheias "a uma pressão midiática muito forte, alimentada pelo jogo de ambições pessoais"

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EFE - Dez juristas e advogados europeus e latino-americanos denunciaram nesta quinta-feira irregularidades no processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pediram que a legalidade seja respeitada "com rigor e independência".

 

A denúncia foi feita em uma carta enviada hoje de Paris à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, e que também será remitida hoje aos presidentes da França, Emmanuel Macron, e do Governo espanhol, Pedro Sánchez, assim como ao primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa, e aos respectivos chanceleres.

 

A iniciativa foi impulsionada pelo advogado francês William Bourdon, presidente e fundador da associação de proteção e defesa das vítimas de crimes econômicos Sherpa.

 

A carta também é assinada por outros nomes, como o jurista Emilio García, presidente da Fundação Sul Argentina, e o presidente de honra da Liga de Direitos Humanos (LDH), Henri Leclerc, e expressa sua preocupação com a parcialidade do processo e os obstáculos à libertação.

 

Lula está preso desde abril deste ano, condenado a 12 anos por corrupção.

 

O grupo de juristas e advogados denunciou, entre outros pontos, o fato de o juiz Sergio Moro ter autorizado divulgar na imprensa elementos como a gravação de uma conversa telefônica entre o ex-presidente e sua sucessora, Dilma Rousseff, e questionou "o caráter precipitado, injusto e parcial do processo".

 

Os signatários disseram estar igualmente preocupados com as "graves afrontas aos direitos da defesa" de Lula, como submeter seus advogados a escuta telefônica.

 

Essas "irregularidades e anomalias" não seriam alheias "a uma pressão midiática muito forte, alimentada pelo jogo de ambições pessoais".

 

Os juristas apontaram que não pretendem se manifestar sobre a inocência ou culpabilidade de Lula, e ressaltaram que o fato de o mundo estar passando por um período problemático, "quando não caótico", faz com que "seja ainda mais necessário que todos os princípios da legalidade sejam respeitados com rigor e independência".

 

Por isso, exigiram o respeito "ao conjunto desses princípios, protegidos de qualquer estratégia" que busque impedir a aplicação imparcial do direito.

 

Uma cópia da carta também será enviada de forma simultânea aos dez ministros do STF e ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Fux.

 

 

 

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