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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Dez20

Energia no Brasil depende das chuvas

Talis Andrade

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Bolsonaro, carreata em Macapá

 

O presidente Jair Bolsonaro visitou a capital do Estado do Amapá, Macapá, depois de 22 dias sem energia.

Visitou no dia em que geradores termoelétricos contratados para contornar as falhas no fornecimento começaram a funcionar parcialmente. Bolsonaro viajou acompanhado do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e do senador Davi Alcolumbre, e foi recebido com xingamentos e vaias da população em Macapá.

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Todo esse civilismo, porque Davi tem um irmão candidato a prefeito. O povo vota amanhã.

Ontem, segundo o diretor-geral da ANEEL foi a primeira vez que um presidente do Senado realizou a sustentação oral de um tema naquele órgão regulador.

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, por unanimidade, a redução 4,12% no valor da tarifa da energia elétrica no Amapá para os próximos 12 meses. Leia mais. No Brasil todo, sobe.

Tanto que Bolsonaro pediu pro povo economizar energia elétrica:

—Eu tenho certeza que você, que está em casa agora, pode apagar uma luz agora. Evitar o desperdício. Tome banho um pouco mais rápido, que ajuda também a deixar os reservatórios mais altos. As chuvas do final de outubro, começo de novembro, não vieram — disse Bolsonaro.

— Foi o período mais seco dos últimos 90 anos — disse Bento Albuquerque.

Segundo informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por monitorar o fornecimento de energia em todo o país, na terça-feira (1º), o nível dos reservatórios das principais hidrelétricas está entre os mais baixos da série histórica  (Reservatórios ameaçados de privatização). Na segunda-feira (30), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) retomou o sistema de bandeiras tarifárias, com acionamento da bandeira vermelha patamar dois, o mais caro. O presidente Jair Bolsonaro chegou a citar risco de novos apagões nas redes sociais.

De acordo com o ONS, os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste estão com 17,7% da capacidade, inferior aos 18,9% registrados em 2019. "Nos últimos anos, o país passou por uma escassez hídrica que não permitiu a total recuperação dos níveis dos reservatórios".

Neste momento, o armazenamento só está superior aos 15,8% verificados em 2014. No mês seguinte, em 19 de janeiro de 2015, o Brasil sofreu um apagão em 11 Estados devido a picos de consumo associados ao forte calor. 

Essa dependência das chuvas se deve à subserviência colonial, entreguista, quinta-coluna da Lava Jato.

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Angra 3: a obra mais enrolada do Brasil que levou Temer à prisão

angra3.jpgAngra 3 segue o padrão já conhecido para outras obras e negócios fechados na Lava-Jato 

 

por Carolina Riveira /Exame

A prisão do ex-presidente Michel Temer pela Lava-Jato do Rio, em 2019, devolveu os holofotes para uma obra que há 35 anos habita o noticiário nacional: a usina nuclear de Angra 3. A prisão, segundo o Ministério Público Federal, está relacionada a desvios de recursos nas intermináveis obras da usina.

As acusações mostram que Angra 3 segue o padrão já conhecido para outras obras e negócios fechados na Lava-Jato, com acusações de desvio de verbas capitaneadas por empreiteiras privadas e políticos. A Petrobras tem uma coleção delas: a questionável compra de 50% da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006, mesmo que as obras exigissem custos extras não previstos; a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, envolvendo desvios com a construtora Camargo Correa; ou ainda a obra do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), envolvendo as construtoras Odebrecht e UTC.

Angra 3, por sua vez, é gerida pela Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras. Iniciada em 1984, a obra até hoje é um elefante branco no cenário energético brasileiro. Sua primeira paralisação veio dois anos depois de iniciadas as obras. Mesmo antes da prisão de Temer, o empreendimento já havia entrado na mira da Lava-Jato em 2015, quando foi preso o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro.

A obra está paralisada desde então. Na ocasião, as investigações apontaram que Pinheiro teria recebido 4,5 milhões de reais em propina entre 2009 e 2014 por esquemas de corrupção relacionados à usina. Outro preso em 2015 foi José Antunes Sobrinho, dono da empresa de engenharia Engevix, uma das contratadas para construir Angra 3. A prisão de Temer é justamente fruto da delação premiada de Sobrinho.

Em sua delação, Sobrinho afirmou que fez pagamentos de propina ao que o MPF chama de “um grupo criminoso liderado por Temer”. Em resumo, o MPF aponta que as empresas contratadas para fazer um dos projetos de Angra 3 — a Argeplan, do Coronel Lima, ligado a Temer — não tinham expertise para tal. Por isso, subcontrataram a Engevix. Mas não de graça: segundo o MPF, o grupo de Temer solicitou à Engevix o pagamento de propina.

O dono da Engevix afirma que pagou 1 milhão de reais em propina a pedido do Coronel Lima e do ex-ministro Moreira Franco, com o conhecimento de Temer. A propina teria sido paga em 2014, depois do início da Lava-Jato.

Os valores pagos às empresas sem capacidade de realizar a obra — que superam 10 milhões de reais — também são vistos como desvio de recursos pelo MPF. A investigação apura crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. A Engevix, tal qual outras construtoras envolvidas na Lava-Jato, prosperou sob o esquema de corrupção envolvendo o governo brasileiro.

Os esquemas de corrupção envolvendo a usina Angra 3 vão além. Também, em um outro caso, o Tribunal de Contas da União (TCU) proibiu as construtoras Queiroz Galvão, Empresa Brasileira de Engenharia, Techint Engenharia e Construção e UTC Engenharia de fechar contratos públicos devido a fraude em licitações de Angra 3. Para construir só com empresas estrangeiras. Os Estados Unidos são contra. 

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13
Nov20

Privatização e o apagão no Amapá

Talis Andrade

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Por Paulo Kliass /Carta Maior

A tragédia que se abateu sobre a população do estado do Amapá tem forte componente de negligência, negociata e irresponsabilidade. O fornecimento de eletricidade aos mais de 900 mil habitantes daquela unidade da federação sofreu um corte inesperado e que se estende por quase uma semana. Famílias, empresas, órgãos governamentais e prestadores serviços de todo o tipo ficaram sem nenhum acesso à rede de energia elétrica. A situação revelou-se ainda mais drástica na capital Macapá e no município vizinho de Santana, que juntos somam quase 80% da população total do estado.

A partir do incêndio ocorrido em uma subestação de distribuição de eletricidade administrada por uma empresa privada de capital espanhol, o estado de calamidade instalou-se e generalizou-se por todo o território do Amapá. Ora, para quem opera nesse tipo de setor, o risco de acidente faz parte do cotidiano e as práticas de simulação dos mesmos deveriam ser uma rotina. Mas ali deu-se o contrário. Diante da notória incapacidade operacional e logística da empresa Isolux em solucionar o problema de sua inteira responsabilidade comercial e jurídica, deu-se aquilo que normalmente ocorre em tais circunstâncias. Chama o Estado! E repete-se a farsa da apropriação privada dos lucros e socialização dos prejuízos.

A suposta maior eficiência do capital privado virou pó e a Eletronorte foi chamada às pressas para dar conta da crise, uma vez que a empresa responsável estava completamente ausente da cena. Ora, face a tal descalabro, a pergunta que qualquer cidadão se coloca é a seguinte: mas como pode? Quer mesmo saber? Pois a situação fica cada vez mais escabrosa à medida que se puxa o fio da meada para compreender a totalidade do processo. Na verdade, a concessionária Isolux Corsán é uma filial brasileira de um grupo espanhol que opera em diversos setores de infraestrutura pelo mundo afora. O grupo vem passando por dificuldades financeiras há vários anos e não consegue se desfazer de seus ativos aqui no Brasil.

Privatização: irresponsabilidade e jogo de empurra

Desde 2017 que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) acompanha a novela e está sabendo de todas essas complicações. Mas como costuma ocorrer na maior parte dos casos envolvendo nossas agências reguladoras, ela não fez absolutamente nada para impedir que essa crônica de uma morte anunciada chegasse a tal desfecho calamitoso. O grupo espanhol não honrou os compromissos assumidos em diversas outras licitações efetuadas na área de energia elétrica. Assim, a Isolux terminou por terceirizar a gestão da unidade do Amapá para uma outra empresa chamada Gemini – na verdade, esta também parece se constituir em uma fachada da própria Isolux. Na realidade trata-se de um verdadeiro jogo de empurra, onde as empresas de capital privado tentam se livrar do enrosco, os órgãos públicos de controle simulam alguma “surpresa inesperada” e as empresas estatais são chamadas a solucionar o problema de urgência.

Esse quadro dramático expõe com toda a crueldade a falácia dos diferentes tipos e arranjos envolvendo a privatização de áreas essenciais e estratégicas do Estado brasileiro. Não se trata de mera coincidência a semelhança verificada com os inúmeros acidentes em que a Cia. Vale está metida por conta da sobrecarga colocada em cima da utilização das barragens da mineradora privatizada por Fernando Henrique Cardoso. Brumadinho e Mariana são apenas os casos que ganharam maior destaque por conta do elevado número de vítimas e da extensão dos estragos humanos, econômicos e ambientais causados. Em ambos os casos observa-se com clareza irresponsabilidade do capital privado, o jogo de empurra e complacência dos órgãos de controle e da justiça, bem como a ausência de aplicação das penalidades em proporção à tragédia provocada. A Vale privatizada atuava em parceria com outra das maiores empresas mineradoras do mundo - a inglesa BHP Biliton.

No dossiê dos aeroportos deu-se quadro semelhante. A Infraero terminou por privatizar uma série deles, por meio de concessão de uso dos mesmos por meio de contratos com validade entre 20 e 30 anos. Como sempre, o Estado brasileiro se responsabilizou pelas obras de ampliação da rede e o capital privado ficou apenas com o filé mignon da operação. Pois nem mesmo assim o modelo deu certo em todas as oportunidades. O caso mais emblemático é o do aeroporto de Viracopos, na cidade de Campinas (SP). Pois ali o consórcio vencedor da licitação anunciou a sua desistência apenas 5 anos após o anúncio do resultado. O grupo deveria operar até 2042, mas devolveu o aeroporto em 2017. Uma loucura! Como sempre, o prejuízo caiu no colo do Tesouro Nacional.

Eletricidade, aeroportos, Vale: sucessão de escândalos

Todos os exemplos mencionados tratam de privatização de empresas estatais ou de serviços públicos. Esse é o enorme equívoco embutido na tese de que a gestão privada seria sempre mais eficiente do que a pública. A partir do momento em que se vende uma empresa governamental ao setor privado ou que se transforma o serviço público em mera mercadoria, o caminho para problemas futuros está aberto. O capital privado não age por nenhum outro interesse que não seja o seu lucro, o retorno econômico e financeiro a seus donos ou acionistas. E ponto final.

Não existe a menor preocupação com a qualidade do serviço oferecido, inclusive pelo fato de que são operados em regime de monopólio ou de oligopólio. Os consumidores são totalmente dependentes da oferta realizada pelos grupos que compraram a empresa estatal ou venceram os leilões de concessão. Atuando sob a lógica da maximização de seus resultados, as empresas privatizadas buscam reduzir suas despesas ao máximo e aumentar suas receitas também da melhor forma possível para o seu caixa. Daí a reduzir programas com manutenção e redução de riscos é apenas um passo. A cumplicidade e a passividade dos órgãos reguladores completam o quadro de estímulo à impunidade e a práticas criminosas.

O apagão do Amapá é o exemplo criminoso do momento. O mesmo governo federal que pretende privatizar a Eletrobrás e suas subsidiárias, como a Eletronorte, agora aparece com a narrativa da surpresa com a negligência da empresa privada e exige rigor na responsabilização. Todos sabemos se tratar de mero jogo de cena para não parecer ausente junto ao drama da população. Mas é essencial lembrar que Paulo Guedes e Bolsonaro desde o início de 2019 pressionam fortemente o governo amapaense para outra privatização local. Eles realizam todo o tipo de chantagem para que a empresa estadual de energia elétrica (Companhia de Eletricidade do Amapá - CEA) também seja privatizada. Imaginemos a catástrofe!

Que este imbroglio sirva como alerta para o conjunto das forças políticas envolvidas no debate a respeito das possibilidades para o futuro do Amapá e de todo o País. Não existe alternativa para superar as dificuldades da crise atual sem a participação direta do Estado. A lengalenga liberal privatizante só funciona para aumentar os lucros privados às custas do enorme esforço coletivo imposto ao conjunto da sociedade. Essa constatação vale tanto para os esforços no combate à pandemia como no desenho do modelo da rede de infraestrutura de que tanto necessitamos.

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08
Nov20

Amapá: “Ou a gente corre risco de pegar o corona ou corre risco de ficar com fome”

Talis Andrade

 

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Nosso repórter conta como os moradores têm dificuldades para dormir, conseguir combustível, água potável e até dinheiro em espécie diante do apagão de energia que já dura cinco dias

 

Por Dyepeson Martins /Agência Pública 

Em um dia comum, a temperatura de quase 40 graus e as medidas restritivas para conter a proliferação da covid-19 seriam mais do que suficientes para evitar a aglomeração de pessoas nas ruas do Amapá. Contudo, apesar da preocupação com a saúde e o desconforto provocado pelo calor, a população precisou escolher entre correr os riscos de contaminação ou atender necessidades básicas, como comer e dormir. 

A escolha desagradável se deu por conta do cenário de caos que se instalou no estado na última terça-feira (2), após o apagão que deixou 89% da população sem energia elétrica — algo entre 765 mil pessoas. Conseguir água potável, combustível, sinal de celular e dinheiro em espécie é um desafio para as pessoas que moram em Macapá e nos outros 12 municípios afetados pela maior crise no sistema elétrico dos últimos anos na região. 

O apagão aconteceu dois dias após o Governo do Amapá manter — por mais sete dias — algumas medidas restritivas no estado em função do aumento de casos e internações por covid-19.

“Ou a gente corre risco de pegar o corona ou corre risco de ficar com fome”, disse a autônoma Deura Costa, que estava há mais de sete horas em uma fila para tentar sacar dinheiro em um dos poucos caixas-eletrônicos que funcionam na capital. “Tenho em casa minha mãe de 81 anos e um neto de dois anos, mas na minha geladeira não tem nada”, lamentou. 

O relato da autônoma reflete a realidade de milhares de moradores desesperados para conseguir dinheiro e comprar, além de comida, materiais de higiene e itens indispensáveis neste período, a exemplo de lanternas, pilhas e cubas de isopor para armazenar alimentos. Cartões de débito e crédito podem ser usados em alguns supermercados que funcionam a base de gerador na região central de Macapá e Santana, cidade localizada a 17 quilômetros da capital. Mas para fazer uma compra simples – de um quilo de arroz, por exemplo – é necessário ter paciência e enfrentar uma fila imensa.

Passar tantas horas na busca por um serviço é uma realidade que todos precisaram se adaptar, inclusive eu. Para abastecer o carro que usei na produção da reportagem, passei cinco horas na fila de um posto de combustível, onde conheci um jovem de 25 anos, que preferiu não se identificar. Sem máscara e em tom de revolta com a atual situação, ele disse ter esquecido da pandemia para sobreviver. “A gente tá mais preocupado em não morrer de fome e de sede do que com o vírus”, ressaltou. 

Por conta do longo tempo de espera, os motoristas preferem ficar com os veículos desligados para ir empurrando os carros e motos para frente até chegar na bomba de combustível. “É um jeito de evitar o desgaste do carro nesse liga e desliga e ainda economizar o pouco combustível que a gente tem”, explicou o vendedor Carlos Gonçaves, de 43 anos, que utiliza o carro para o trabalho. “A gente não consegue táxi e nem motorista de aplicativo. E se acabar a gasolina de casa e a gente precisar ir, sei lá, para o hospital?”.

Para quem já está dentro do hospital a preocupação é outra. A rede particular funciona com geradores e a rede pública foi energizada em uma medida de emergência adotada pela Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA). Mesmo assim, o fornecimento ainda é problemático. 

“Só hoje foram quatro vezes [que o fornecimento de energia foi interrompido]. Ela vai e volta [a energia elétrica] e a gente fica preocupado com os pacientes”, contou uma enfermeira do Hospital de Emergências de Macapá, onde também são atendidas pessoas diagnosticadas com covid-19. 

“No dia [que iniciou o apagão] foi difícil para todo mundo. A gente ‘tava’ fazendo manualmente o oxigênio porque o equipamento estava desligado”, explicou a enfermeira, sobre o processo para ambuzar oxigênio por meio de um equipamento manual para estabilizar um paciente. 

Em frente ao Hospital de Emergências também encontrei a Luceide Serrano. Mesmo tendo 70 anos e, com isso, fazendo parte do grupo de risco de contaminação em meio a pandemia, ela não conseguiu ficar em casa por conta da preocupação com irmão, internado por causa da covid-19.

“Ele precisa de uma UTI e até agora não conseguimos”, contou a aposentada sobre a busca por uma vaga no Hospital Universitário (HU), onde são concentrados os atendimentos de alta complexidade para os pacientes diagnosticados com o novo coronavírus.

 “Eu não sei se a energia tá comprometendo o atendimento dele, eu não sei. Mas a gente fica preocupado, né?”, indagou a idosa, reclamando da falta de informações para os familiares dos pacientes.

O último boletim do Governo do Estado indica mais de 52 mil casos confirmados de covid-19 e 751 mortes. Atualmente, em isolamento hospitalar nas redes pública e privada são 202 pacientes, sendo 128 casos confirmados e 74 suspeitos.

À noite, a iluminação no hospital é da porta para dentro. Nas ruas ao redor, a escuridão é quase que total se não fosse pelos faróis dos carros, lanternas e velas dos moradores. Com uma dessas velas nas mãos, Eliezer Bezerra me recebeu na porta da casa dele, no Centro de Macapá. Aos 65 anos, ele diz só ter presenciado uma situação semelhante na infância. “Naquela época era tudo muito difícil. Mas agora?”. 

Eliezer, como os outros moradores, tem dificuldade em dormir à noite. No Amapá, ar condicionado e ventilador são necessidades, não luxo. O clima quente e úmido faz qualquer pessoa suar muito em um lugar sem refrigeração. Mesmo com todas as janelas de casa abertas, ter uma noite confortável é impossível. “Tô me acostumando a dormir só de ‘manhãzinha’, quando fica menos quente”, relatou o aposentado. 

Hotéis que possuem gerador esgotaram todas as vagas ainda na primeira noite de apagão. A administração de um dos hotéis com o qual entrei em contato, me informou ter montado “um serviço diferenciado para abrigar novos hóspedes”. Pagando uma taxa diária de R$ 100, uma pessoa pode dormir em um colchonete — que precisa ser comprado pelo hóspede – em um salão com dezenas de outras pessoas, mesmo em período de pandemia.  Até a oferta deste serviço está esgotada. 

“Não daria para pagar um serviço de hotel para toda a minha família, mesmo que tenhamos um salário razoável”, lamentou a dona de casa Zânia Ferreira. “Melhor ficar no calor em casa, do que ficar aglomerado e pegar covid-19 depois”, disse a mulher, que faz parte do grupo de risco por ter feito um transplante de rim e, consequentemente, tem imunidade baixa por causa das medicações para que o organismo não rejeite o órgão transplantado. 

Sem água, sem bateria e sem sinal

As tomadas dos supermercados e dos dois shoppings de Macapá que funcionam com sistemas isolados estão cada vez mais disputadas. Uma única tomada chega a ser usada por até cinco pessoas, que se acomodam do jeito que podem: sentadas no chão, escoradas em colunas e, quando não há alternativa, o jeito é ficar em pé esperando o celular carregar. 

“Foi o jeito que encontrei para tentar entrar em contato com a família e meus amigos”, contou o professor Clauber Rosivan, de 38 anos. Ele passou uma manhã inteira em um shopping no Centro de Macapá na esperança de, após carregar o telefone, conseguir o sinal da operadora para fazer ligações. “São poucas pessoas com quem eu consegui falar. Poucas mesmo. Dá uma aflição não saber se todos estão bem.”

Poucos moradores estão tendo o fornecimento regular de água da Companhia de Água e Esgoto do Amapá (CAESA). Mesmo assim, a água da torneira não é a ideal para o consumo. Por isso, milhares de pessoas — sem transporte próprio — precisam andar quilômetros para comprar garrafões de água mineral em distribuidoras e minimercados.

“A nossa água encanada vem meio barrenta, então não tem outro jeito. Tenho um neném em casa e ele precisa de água mineral”, destacou a dona de casa Ediane Gemaque, que precisou ir para outro bairro andando na busca por água para ela e a família. 

O apagão

O apagão foi consequência de um incêndio em uma subestação da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), por volta das 21h de terça-feira (2), na Zona Norte de Macapá. Os três transformadores da subestação foram danificados, provocando a interrupção no fornecimento de energia elétrica.

Na sexta-feira (6), o governador Waldez Góes (PDT) assinou um decreto que estabeleceu situação de emergência no Amapá. O Ministério de Minas e Energia (MME) lançou três planos para normalizar o fornecimento de energia elétrica em até dez dias.  A curto prazo, um dos transformadores – o menos danificado – passa por reparos e, caso o resultado seja positivo, é previsto o restabelecimento de até 70% do fornecimento. Os testes iniciaram na noite de sexta-feira e no sábado alguns bairros de Macapá tiveram o fornecimento restabelecido. Porém, com os problemas de comunicação no estado, não é possível precisar a quantidade de bairros onde houve a normalização.

Um segundo transformador foi transportado do município de Laranjal do Jari – município a 170 quilômetros de Macapá – para a capital. Os testes, segundo o MME, devem iniciar neste domingo. Um terceiro transformador será adquirido de Boa Vista (RR) e deve ser instalado em até 30 dias. 

Conforme o plano apresentado pelo Governo Federal, o funcionamento de dois transformadores será suficiente para garantir 100% do fornecimento de energia elétrica. 

Moradores que conseguem ligação para a CEA são informados que será iniciado um “rodízio de fornecimento” de energia de seis em seis horas nos bairros do estado. O Governo do Amapá montou o Comitê de Crise para amenizar os impactos provocados pelo apagão. São abastecidos a cada 6 horas os geradores dos hospitais, além de um abrigo de idosos e o sistema penitenciário, ainda segundo o Governo do Amapá. 

Fornecimento nunca foi bom

A CEA é uma empresa de economia mista, tendo como o principal acionista o Governo do Amapá. O processo de federalização iniciou em 2013. Desde então, o Governo Federal é o responsável pela presidência, diretorias de administração e financeira, além de indicar os gestores de Gestão e Planejamento e Expansão.

A federalização foi uma saída para a empresa que estava ameaçada de caducidade após contrair uma dívida de quase R$ 1,2 bilhão com a União no acumulado de uma década. Foi necessário um empréstimo com a Caixa Econômica Federal para o pagamento da dívida. 

Mas o fornecimento de energia elétrica na região nunca foi satisfatório para a população. São frequentes as interrupções, principalmente, no período chuvoso. Moradores convivem com eletrodomésticos queimados por causa das quedas de energia, além de outros problemas.

“Nunca foi bom. Três, até quatro vezes por semana a gente fica sem energia em casa. A gente fica uma, duas horas e, às vezes, até mais”, disse a jovem Thais Pelaes, que mora na Zona Sul do município de Santana. “Nunca foi fácil, mas agora essa situação já tá precária demais.”

07
Nov20

PT: apagão no Amapá confirma erro do governo na venda da Eletrobrás

Talis Andrade

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Empresa responsável pela energia no Amapá, que sofre com um apagão há 5 dias, é a espanhola Isolux, mas quem está fazendo o conserto são os trabalhadores da Eletrobras, uma estatal. A Eletrobras enviou técnicos do Pará, Maranhão e Rondônia para solucionar o problema.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (STIU/MA), Wellington Diniz, em 2014, a Isolux já deu um prejuízo de US$ 476 milhões ao estado de Indiana, nos Estados Unidos, onde também prestava serviços.

“O que acontece no Amapá pode acontecer em outros lugares. Bolsonaro e [ministro de Minas e Energia] Bento Albuquerque vêm dizendo que a Eletrobras não tem capacidade de investimento, e apostam na privatização, só que na hora em que acontece um acidente como este são os técnicos da Eletrobras que são convocados para prestarem socorro à empresa internacional porque ela não tem capacidade para resolver o problema”, alerta Diniz.

 

PT denuncia privatização da Eletrobrás

 

O Partido dos Trabalhadores manifesta solidariedade ao povo do Amapá, que experimenta há cinco dias um apagão do sistema elétrico em todo o estado por um acidente em um transformador de um fornecedor privado. É estarrecedora a falta de compromisso do governo de Jair Bolsonaro com o povo. O Palácio do Planalto demorou a reagir. O governado do Amapá decretou estado de calamidade pública.

O episódio traz um alerta que deve ser levado em conta pelo Congresso Nacional: a privatização do setor elétrico é um erro. Nem nos Estados Unidos o controle sobre recursos estratégicos – como água e energia – está nas mãos de interesses privados. A demora da empresa privada espanhola responsável pela Isolux em responder à crise e solucionar a falta de energia no Amapá mostra que a privatização do setor é um grande equívoco.

Hoje, quem está tratando de reverter a crise e garantir o suprimento emergencial de energia no Amapá é a Eletronorte, uma subsidiária da Eletrobrás. A holding responsável pelo sistema elétrico está prestes a ser vendida. O PT reitera: a privatização do setor elétrico é um desserviço para o Brasil e para o nosso povo.

Estranhamente, os militares não fazem qualquer oposição à entrega do setor elétrico brasileiro para empresas internacionais. Não se pode entregar um recurso estratégico aos interesses nacionais – como confirma o apagão no Amapá – à iniciativa privada. Ainda há tempo de impedir esse retrocesso que joga com o futuro do país.

A nota é assinada pela deputada federal Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores.

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Ana Júlia 13013
@najuliaribeiro
Já são 4 dias SEM ENERGIA no Amapá! Em plena pandemia, o Estado também já está ficando sem água. Mas a preocupação de Bolsonaro é protestar contra o resultado das eleições dos EUA e planejar a volta do voto por papel! Inacreditável! #SOSAmapá 
Ana Júlia 13013
@najuliaribeiro
A crise hídrica agravou aqui em #Curitiba. A previsão de chuvas está abaixo da média para os próximos meses. Ratinho Junior não toma medidas cabíveis e parece estar rezando para que nós, curitibanos, sejamos a solução. Uma grande irresponsabilidade por parte do governo.
Ana Júlia 13013
Ana Júlia 13013
@najuliaribeiro
#FaltaÁguaEmCuritiba Vocês imaginam começar a semana sem água durante uma pandemia que exige mais cuidados de higiene? Pois é. Em Curitiba e região metropolitana, mais uma vez, inúmeros bairros estão sem água, com retorno apenas quarta-feira.
Ana Júlia 13013
@najuliaribeiro

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André Trigueiro
@andretrig
Alô Brasília: faltam água e comida no Amapá,que está s/energia desde 3ª feira.Mando daqui um mapa p/facilitar a visualização deste importante estado da Região Norte.A situação é grave e exige mobilização urgente do Governo Federal.O Amapá faz parte do Brasil! Movam-se!
07
Nov20

Haddad cobra Bolsonaro sobre apagão no Amapá: “Esquece o Flávio e Trump. Trabalhe um dia”

Talis Andrade

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O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi às redes sociais na manhã para cobrar ações do presidente Jair Bolsonaro em relação ao apagão de mais de cinco dias no Amapá.

Após forte chuva na terça-feira (3), subestação de distribuição de energia pegou fogo na zona norte de Macapá, afetando 13 dos 16 municípios do estado.

“Bolsonaro, esquece o Flávio e o Trump. Já eram. Faça alguma coisa pelo Amapá. Trabalhe um dia. Um dia. UM dia”, escreveu Haddad.

O senador Randolfe Rodrigues acionou a Justiça para que obrigue os governos estaduais e federal a ajudar o Amapá, com distribuição de água, por meio de carros-pipas, e de cestas básicas.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, anunciou: “Coloquei-me à disposição do governador do Amapá, Waldez Goés, para auxiliar no que for necessário, por solidariedade à população do estado, nossos irmãos e irmãs da Amazônia”.

Hoje, das 16 cidades do estado, apenas três —Oiapoque, Laranjal do Jari e Vitória do Jari— mantêm a energia porque são abastecidas por sistemas independentes.

Apagão | BLOG DO AMARILDO . CHARGE CARICATURA

O Amapá está enfrentando uma série de dificuldades por conta de um apagão que atinge o estado desde a noite de terça-feira. A falta de energia afeta também serviços essenciais como o abastecimento de água e fornecimento de internet, além de problemas comerciais, como a perda de mercadorias que necessitam de refrigeração.

Hoje, das 16 cidades do estado, apenas três —Oiapoque, Laranjal do Jari e Vitória do Jari— mantêm a energia porque são abastecidas por sistemas independentes. A capital Macapá está com o fornecimento de luz completamente suspenso.

Por conta do apagão, houve uma grande procura da população por itens essenciais como combustível e água mineral, já que o abastecimento de água encanada foi paralisado.

O sistema de telefonia também apresenta inconsistência em boa parte do estado devido à falta de energia. Muitas lojas do comércio estão com as vendas suspensas por problemas em seus sistemas.

A população de Macapá lotou todos os hotéis com gerador próprio para dormir com alguma ventilação, luminosidade e serviços como internet

Três planos estão à mesa para solucionar o apagão

Na manhã de hoje, três planos foram apresentados para restabelecer a energia, um deles de forma emergencial que traria o retorno parcial.

A primeira ideia é recuperar um dos transformadores queimados e que foi menos danificado. Isso poderia trazer o retorno de até 70% da energia no estado, mas ainda são necessários testes e a previsão é que a operação possa durar até 48 horas.

Se for bem-sucedido, restabelecerá de 60% a 70% da carga do estado do Amapá. Mas estamos desencadeando outras ações para que em até 30 dias todos os transformadores estejam aqui para dar total segurança energética”, informou o ministro Bento Albuquerque, das Minas e Energia.

O segundo plano é trazer um gerador de energia de Laranjal do Jari, mas que pesa cerca de 100 toneladas e o processo levaria em torno de 15 dias entre desmonte, transporte de balsa e montagem.

Outra alternativa seria trazer de Boa Vista um transformador que viria de avião, mas levaria até 30 dias. Unidades de menor porte também viriam de Manaus para ajudar a suprir o problema.

 
Diogo Cabral
@Diogotapuio
O Amapá entrou no 4º dia do apagão. 13 dos 16 municípios estão afetados pela crise. As prateleiras dos mercados estão se esvaziando. Os serviços públicos essenciais estão afetados. Por favor, divulguem. Há limitação de acesso à internet por lá. #SOSAmapá #ApagaoNoAmapaImage
 
Mateus Aguiar
@mateusaguiarph
Mais de 3 dias sem energia no Amapá (e essa situação pode durar 15 dias) filas pra pegar água, supermercado ficando sem abastecimento, pessoas tendo que tomar banho de rio. E o nosso governo não faz absolutamente NADA!
 
 
Gilmar Mendes
@gilmarmendes
 
O Amapá vive um cenário pós-apocalíptico com a interrupção nos serviços de água, saúde, telefonia e segurança pública. A situação é extremamente grave. É hora de as lideranças políticas superarem dissidências e buscarem uma solução. #SOSAmapa, #ApagaoNoAmapa e #AmapaPedeSocorro.
 
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Abr20

Sem salários, trabalhadores da saúde em Macapá abandonam postos em protesto

Talis Andrade

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por LUCINDO SAMAÚMA

Sem receber salários há vários meses, alguns desde 2019, trabalhadores da saúde do setor de limpeza do Hospital de Emergências (HE) e Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal), os maiores hospitais de Macapá, abandonam seus trabalhos em protesto. Sem nenhuma previsão para resolver a situação, os acompanhantes e até mesmo alguns pacientes internados nos hospitais realizam desde o início de fevereiro de 2020 a limpeza de enfermarias e banheiros seus próprios recursos, conforme vídeos divulgados na internet, devido à negligência dos governos.

Um vídeo do dia 20 de fevereiro que circula na internet mostra acompanhantes recolhendo o lixo gerado pelo fornecimento da alimentação entregue aos pacientes no HE. Em outro vídeo, gravado no dia 24 de fevereiro, é possível verificar em um dos banheiros do Hospital de Clínicas papel higiênico pelo chão e o piso com sujeiras; além disso no local também estão presentes os carrinhos de limpeza que utilizados pelos trabalhadores. Por meio de fotos é possível ver cupins na parede, macas em locais aparentemente sujos, assim como entulhos pelos corredores.

Desde então os acompanhantes e até mesmo alguns pacientes internados se revezam na limpeza das enfermarias e banheiros e, além disso, dividem os valores da compra de materiais de limpeza.

“Em fevereiro, a limpeza deixou de ser realizada e esse serviço é feito nas enfermarias e banheiros por acompanhantes e pacientes que dão conta. Além disso, compramos os detergentes, águas sanitárias, vassouras, panos e rodos. Eles pararam tudo. É um estado de calamidade”, relata Richely Matos, que acompanha seu irmão, que aguarda desde novembro a realização de uma cirurgia neurológica por conta de um aneurisma cerebral.

Outro trabalhador que acompanha familiar e que decidiu não se identificar relata que os acompanhantes realizam essa limpeza diariamente para não agravar o estado clínico dos internados. “A gente é praticamente obrigado a limpar porque, se não fizermos isso, é possível que os pacientes piorem o quadro de saúde, então ficamos sem alternativas. Não podemos deixar nosso familiar ficar no hospital pior do que entrou por falta de uma limpeza”.

AUMENTO DOS CASOS DE COVID-19 EXPÕE CENÁRIO CRÍTICO

Durante essa semana os trabalhadores da saúde de Macapá iniciaram uma campanha na internet denunciando além da falta de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI), falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o cenário caótico da saúde em Macapá que já era assim bem antes do aumento dos casos de Covid-19.

Em 19 de fevereiro de 2020, uma fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) do Amapá no Hcal constatou a falta de diversos materiais, dentre eles EPI, medicamentos de urgência e emergência e falta de materiais para realização de exames laboratoriais. No dia 13 de março o CRM realizou a interdição ética na UTI do Hcal.

Ao longo de todo 2019 trabalhadores da saúde realizaram vários protestos contra esse cenário caótico de precarização em Macapá, conforme noticiou AND.

Em abril de 2019, os trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) denunciaram que estavam com suas atividades prejudicadas por conta da precarização do serviço. O ponto mais crítico foi a noite do dia 24 de abril, onde o Samu chegou a ser interrompido devido à utilização de suas macas como leitos no HE de Macapá que possuía poucas macas para atendimento. Esse cenário agrava o quadro clínico dos pacientes podendo até mesmo ocasionar a morte.

Ainda em abril pacientes e acompanhantes interditaram a rua em frente ao HE de Macapá, denunciando falta de medicamentos, equipamentos quebrados e a demora na realização de cirurgias.

Em novembro de 2019 os trabalhadores terceirizados da saúde realizaram um ato contra a falta de salários. Cansados de promessas do velho Estado, os trabalhadores montaram barricadas com pedaços de madeira e queima de pneus na avenida FAB, umas das principais de Macapá.

 

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