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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

22
Fev21

"Faz tempo que não tenho vergonha na cara", disse Dallagnol sobre cooperação informal (vídeo)

Talis Andrade

 

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COLABORAÇÃO ILEGAL

 

Os diálogos voltam a mostrar que a cooperação internacional feita entre os integrantes do Ministério Público Federal e autoridades estrangeiras ocorria por fora dos canais oficiais, ignorando a competência do Ministério da Justiça para centralizar a colaboração brasileira com outros países. 

ConJur manteve abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas conversas. 

"Li o email de Mônaco, ainda, e é bem melhor do que havia achado… dá a entender que é possível regularizar [a cooperação] a posteriori… enfim, vamos nos falando e fique à vontade", afirmou em 2015 Orlando Martello. 

Para Dallagnol, não havia problema seguir com essa metodologia. "Faz tpo [tempo] que não tenho vergonha na cara kkkk". Na mesma ocasião, o então chefe da "lava jato" disse que havia recebido um email do ex-procurador suíço Stefan Lenz e que os dois trocaram informações pelo Telegram.  "Não comenta com ninguém do e-mail com Stefan. Se vazar algo não mandaram…", diz Dallagnol. 

Em alguns casos, as informações de brasileiros e empresas nacionais eram encaminhadas a autoridades norte-americanas por pen drives, segundo mostra uma mensagem de Orlando Martello.

"Pessoal do RJ, na próxima semana Christopher do DOJ [Departamento de Justiça dos EUA] estará aí, certo? Quem de Vcs estará com ele, pois preciso encaminhar um pen drive para ser entregue a eles", diz o procurador. 

Não é a primeira vez que os integrantes citam a cooperação ilegal com Mônaco. Em um diálogo recentemente publicado pela ConJur, Dallagnol admite que usava elementos obtidos fora dos canais oficiais e diz que se a cooperação informal caísse, "chega pelo canal oficial e pedimos de novo”. 

"Estou recebendo informações de Mônaco diretamente por email e foi autorizado o uso oficial…", diz Dallagnol. O procurador, no entanto, foi repreendido por Vladimir Aras, então responsável pela cooperação internacional da Procuradoria-Geral da República. "Delta, melhor ter cuidado. Que tipo de situação é? As defesas podem questionar o canal. O DRCI também."

DRCI é o "Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e responsável por toda a cooperação brasileira com outros países.

Decretos estabelecem que a colaboração deve necessariamente passar pelo Departamento, ao contrário do que se vê nos diálogos entre procuradores. 

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08
Jun18

Os descaminhos da Justiça no Brasil

Talis Andrade

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Por Luis Nassif

 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autoriza um credor a sequestrar a carteira de motorista do devedor, atropelando todos os princípios que impedem as penas indiretas.

 

O corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autoriza um juiz a presidir julgamentos armado de revólver. A inacreditável Carmen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ minimiza, dizendo que a decisão não está definindo normas, mas analisando um caso particular, como se a jurisprudência não fosse formada pelos julgamentos de casos particulares.

 

O Ministro Luis Roberto Barroso muda o princípio da irrelevância, sustentando que quem é reincidente em crimes de pequena monta, torna-se relevante. Ou seja, o furto de uma caixa de fósforos é irrelevante; de duas, passa a ser.

 

Na Câmara, um ex-advogado da Odebrecht acusa frontalmente o melhor amigo do principal símbolo da luta anticorrupção de cobrar US$ 5 milhões em propina para influenciar o acordo de delação. Apresenta documentos periciados da proposta de suborno e da proposta de delação que lhe foi enviada no dia seguinte por procuradores da Lava Jato. E a imprensa se cala, enquanto no Principado de Mônaco, o principal símbolo da luta anticorrupção experimenta o gozo supremo de se confraternizar com a elite do mundanismo global.

 

A Procuradora Geral da República considera que a greve dos caminhoneiros afronta direitos básicos da população, mas se cala ante a explosão dos preços do gás que devolve famílias para a era da lenha.

 

O sub-procurador envia os processos do político amigo para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo. E, na semana seguinte, denuncia que os TREs são tribunais contaminados pelos interesses privados – mas não volta atrás em sua decisão.

 

No Palácio do Planalto, o país continua sob o comando de um presidente que o país inteiro aguarda que seja preso assim que deixar o poder. E ele continua planejando as maiores tacadas da história, à luz do dia, e no escurinho da noite, como se tudo transcorresse dentro da normalidade.

 

Ao mesmo tempo, o PCC amplia seu poder econômico e seu domínio sobre as periferias das metrópoles, estendendo sua influência sobre o interior. E ninguém tem dúvida de que o próximo Congresso terá uma bancada eleita pelo crime organizado, outra pelas igrejas, outra por policiais. E outra, obviamente, pelos filhos de Eduardo Cunha e Michel Temer.

 

O Ministro Luis Roberto Barroso, que tornou-se Ministro devido à sua atuação pública pro bono em causas humanitárias, enquanto elaborava pareceres discretos (e caros) em favor do amianto, da CBF e da Globo, diz que o Brasil encontrou o caminho do futuro.

 

Há um cheiro de podre no ar com o caráter do brasileiro. E, por brasileiro, não se entenda a empregada do amigo de Barroso, que acumulava o salário de doméstica com o Bolsa Família.

07
Jun18

O que os Ronaldo Fenômeno, Galvão Bueno e Boni e os presidenciáveis João Doria e Flávio Rocha têm em comum com Sérgio Moro?

Talis Andrade

Projeto que premiou Moro valoriza globais e já sediou jantar com Doria

ONG que organizou gala em Mônaco convidou o tucano e Flávio Rocha para um jantar em SP. No principado, Galvão, Ronaldo e Boni já deram as caras

 

 

Para além de possíveis preferências politicas, o que os 'globais' Ronaldo Fenômeno, Galvão Bueno e Boni e os presidenciáveis João Doria e Flávio Rocha têm em comum com Sérgio Moro? Todos participaram de eventos organizados nos últimos anos pela ONG Brasil Mônaco Project, uma iniciativa da consueleza brasileira Luciana de Montigny, mulher do cônsul honorário do Brasil no principado, André Montigny.

 

Moro foi o homenageado da quarta edição de uma gala organizada pela ONG em Mônaco. De acordo com a colunaPainel, da Folha de S.Paulo, ele assistiu a um concerto no camarote real da Opera Garnier, no cassino Monte Carlo, ao lado do princípe de Mônaco, Albert II. Participou em seguida de um jantar e de um leilão beneficente. Posou ainda para uma foto com o DJ MP4, um dos integrantes da atração de funkanejo Baile da Atrevida.

 

 

Criado em 2012, o projeto Brasil Mônaco tem como "presidência de honra" o príncipe Albert II. Segundo sua página oficial no Facebook, é uma plataforma de intercâmbio entre o Brasil e Mônaco nas áreas de cultura, saúde, esportes e economia. O objetivo é "promover a amizade e a parceria entre os dois países".

 

Em sua primeira edição, o homenageado foi o ex-jogador de futebol Ronaldo "Fenômeno", atualmente comentarista da Rede Globo. O atleta estava ladeado pelo locutor esportivo global Galvão Bueno e pelo piloto de automobilismo Felipe Massa.

Em 2010, na festa de milhões da Traffic, Ronaldo.

Em 2010, na festa de milhões da Traffic, Ronaldo. Leia

 

Em 2014, o homenageado foi Ayrton Senna, um dos principais vencedores do Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1. Sua irmã, Viviane Senna, participou da comemoração no principado. Massa esteve presente mais uma vez.

 

Em 2015, um dos presentes à gala foi Boni, que já foi homem forte da TV Globo e atualmente é sócio da TV Vanguarda, afiliada à emissora no interior de São Paulo.

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Boni e Aniz Abraão David e o reinado de Momo dos bicheiro e rede Globo

 

Além dos eventos no principado, a ONG já organizou, em 2015, um jantar em São Paulo com a presença do príncipe de Mônaco e de João Doria Junior e Flávio Rocha. Ambos ainda não haviam enveredado para a política. O tucano tornou-se prefeito de São Paulo no ano seguinte e atualmente é pré-candidato ao governo do estado. Rocha tem se posicionado como um possível candidato a presidente nestas eleições.

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 O que nos diz a foto de de Flávio Rocha carregado por um homem negro leia aqui

 

Aparatemente habitués dos mesmos círculos da alta sociedade, Doria e Moro protagonizaram uma polêmica recentemente. Premiado em Nova York, o magistrado posou para fotos com o ex-prefeito nos Estados Unidos.

 

Além dos eventos no principado, a ONG já organizou, em 2015, um jantar em São Paulo com a presença do príncipe de Mônaco e de João Doria Junior e Flávio Rocha. Ambos ainda não haviam enveredado para a política. O tucano tornou-se prefeito de São Paulo no ano seguinte e atualmente é pré-candidato ao governo do estado. Rocha tem se posicionado como um possível candidato a presidente nestas eleições.

 

Aparatemente habitués dos mesmos círculos da alta sociedade, Doria e Moro protagonizaram uma polêmica recentemente. Premiado em Nova York, o magistrado posou para fotos com o ex-prefeito nos Estados Unidos. [Transcrito Carta Capital]

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07
Jun18

Como Sérgio Moro avalizou um centro internacional de lavagem de dinheiro

Talis Andrade

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por Luis Nassif


A homenagem prestada a Sérgio Moro, no Principado de Mônaco, não foi apenas um espetáculo deprimente de deslumbramento mundano. A exemplo dos eventos com Moro, bancados na LIDE pela Gocil - a suspeitíssima empresa de serviços terceirizados de São Paulo -, a intenção do Principado foi valer-se do juiz para se precaver contra eventuais operações identificadas pela Lava Jato, a exemplo da conta de Jorge Zelada, ex-executivo da Petrobras.

 

Desde antes da Primeira Guerra. a reputação de Monaco é a de um centro de traficância, de negócios escusos, de evasão fiscal, de transações mal explicadas no campo dos esportes, do entretenimento, do comércio de armas, e outros tráficos.

 

Os eventos em Mônaco são todos a serviço desses interesses. Nada é altruístico, filantrópico, tudo é falso e viscoso, destinam-se a plataformas de negócios, que são a única razão da existência do Principado, algo que interessa à França exatamente como um guichê de transações que ela quer esconder.

 

Justamente por interessar aos círculos de poder de Paris, a França tolera o Principado de Mônaco, uma ficção territorial.

 

Nos bastidores desse enclave está a Societé des Bains de Mer, a verdadeira dona do Principado, proprietária do Casino, maior fonte de renda do Principado, do Hotel de Paris, o mais luxuoso, do Hotel Hermitage, o segundo mais caro, dos clubes de praia por onde se tem acesso ao mar, e também da maior parte dos imóveis de Mônaco.

 

Logo depois da Primeira Guerra, a SBM-Societé des Bains de Mer foi comprada pelo homem mais rico da Europa e o mais sinistro, Sir Basil Zaharoff, um grego russificado, nascido em Constantinopla que começou a vida preso por furto. Depois, se tornou o rei dos armamentos, fomentador de guerras, maior acionista da Vickers Armstrong , maior empresa bélica da Inglaterra, da Maxim Nordenfeldt, empresa que inventou a metralhadora, da Societé des Torpilles Whiehead, a empresa que inventou o torpedo, da fabrica de armamentos Putiloff, a maior do ramo na Rússia Imperial.

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Zaharoff é uma lenda. Sua biografia por Richard Lewinsohn, um francês que fundou a revista Conjuntura Econômica na Fundação Getulio Vargas, "Zaharoff O Mercador da Morte", é um clássico, editado pela Civilização Brasileira.

 

Esse personagem sinistro mandou em Mônaco. O Principe era seu serviçal. Zaharoff morreu em 1937 sem deixar herdeiros e, em 1953, as ações da SBM caíram nas mãos do armador grego Aristoteles Onassis, um dos reis dos petroleiros gregos, figura de ficha tão pesada que não podia entrar nos EUA onde tinha processo criminal por fraude até se casar com a ex-primeira dama do Pais, Jacqueline ex-Kennedy.

 

Onassis sediou sua firma Olympique Maritime em Mônaco. As ações da SBM novamente rodaram após a morte de Onassis e hoje estão em mãos do Emir do Qatar e outra parte com o atual Principe. Há também ações com bilionários árabes residentes na África Ocidental.

 

Por toda essa história a reputação de Mônaco, no mundo politico europeu sempre foi a de um paraíso fiscal da pior espécie, centro mundial de lavagem de dinheiro e evasão de impostos, centro europeu do tráfico de armas. As principais empresas de comércio de armas pesadas estão sediadas em Mônaco, como a INTERARMS e outras geralmente comandadas por russos, europeus orientais e israelenses, que fornecem para terroristas e rebeldes na África e Oriente Médio.

 

Mônaco é um dos pousos mais apreciados por oligarcas russos e potentados do petróleo do Oriente Médio. O Casino, onde Moro desfilou, continua sendo um grande negócio do Principado, com a vantagem de lá se poder legalizar qualquer dinheiro.

 

Até alguns anos atrás, era um dos sete países que integravam a lista negra de paraísos fiscais da OCDE: Andorra, Ilhes Marshall, Libéria, Liechtenstein, Mônaco, Nauru e Vanuatu. As pressões levaram o país a se enquadrar em alguns tratados. Mas apenas este ano decidiu integrar a rede de troca automática de informações financeiras, com seus potentados devidamente reciclados para outros centros.

 

Diz-se que Mônaco ajudou a repatriar o dinheiro de Jorge Zelada. Perfeitamente normal, é preciso sacrificar algum pé de chinelo que não mais vai trazer dinheiro ao Principado para dar uma demonstração de colaboração com a "justiça" internacional e com isso proteger as contas de oligarcas russos, que jamais serão entregues. Está ai o exemplo trágico do banqueiro Edmond Safra, que morreu queimado em Mônaco, depois que denunciou um russo, seu cliente.

 

06
Jun18

Moro recebido como rei no "principado de Monaco que tem como maior atrativo a fama de paraíso fiscal"

Talis Andrade

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 SUPER INTERESSANTE Moro recebe bola do príncipe Alberto II de Monaco. Para homenagear o País do Futebol e lembrar o primeiro homenageado da Associação Brasil Mônaco, o jogador Ronaldo 

 

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O último final de semana foi de novas homenagens internacionais ao juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Depois da honraria de Pessoa do Ano, promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em Nova York, nos Estados Unidos, foi a vez de Moro ser o homenageado na quarta edição do Brasil Mônaco Project, festa anual organizada no pequeno principado europeu por Luciana de Montigny, mulher do cônsul brasileiro, informa a revista Veja.

 

Conjunto de jantar, baile de gala e leilão beneficente, a ação está na sua quarta edição e tem a renda revertida para projetos sociais e já destinou verbas, no passado, a projetos como o Criança Esperança. De acordo com a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, o custo de um convite individual para participar do jantar era de 1.000 euros (4.426 reais, pela cotação desta terça-feira).

 

A propaganda de Moro esconde: o primeiro homenageado do Painel, em maio de 2013, foi o jogador Ronaldo. Veja vídeo:

 

Além do jantar em si, segundo a Folha, o juiz Sergio Moro assistiu a uma ópera no camarote real do cassino Monte Carlo, ao lado do príncipe de Mônaco, Alberto II. Em seu discurso, Moro agradeceu às autoridades do principado pela cooperação internacional com as investigações da Lava Jato – "diversos citados na operação enviaram valores desviados da Petrobras para contas no principado". Com o uso do "diversos", quando foi pego, e solto, apenas um traficante de moedas, fica registrada uma informação mentirosa do juiz ou da revista Veja

 

Creio que um cassino não é o local ideal para se falar de combate à corrupção. Seria o mesmo que ser homenageado em um cassino de Las Vegas ou Goa.

 

Tem mais, informa a Wikipédia: "O maior atrativo do Mónaco é a fama de 'paraíso fiscal' do principado: lá, os investidores não estão sujeitos a impostos sobre renda".

 

 

 

 

 

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