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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Jun21

Grupo de médicos assina manifesto contra Conselho Federal de Medicina

Talis Andrade

Mais de 100 profissionais assinam documento, que veio após vídeo em que presidente do CFM critica a CPI da Covid-19

 

 
Um grupo de centenas de médicos, incluindo Margareth Dalcolmo (foto em destaque), pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), fizeram um manifesto em que discordam da postura do Conselho Federal de Medicina (CFM). O documento, publicado na quinta-feira (3/6), afirma que o CFM se mostra contra “a apuração das responsabilidades e omissões para o enfrentamento da pandemia de Covid-19″.
 

Os médicos pedem que “nesse momento em que o padrão de transmissão da Covid-19 segue elevado, nossa atenção seja a necessidade de políticas baseadas na ciência e em boas práticas”.

O documento veio após o presidente do CFM, Mauro Ribeiro, divulgar um vídeo em que critica a CPI da Covid-19 e afirma que “não sabemos nada, temos todas as dúvidas do mundo”, o que justificaria o uso de tratamentos como a cloroquina. O vídeo foi compartilhado por Jair Bolsonaro nas redes sociais.

O médico e presidente do conselho é acusado pela 31ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul de não ter se apresentado para o trabalho na Prefeitura de Campo Grande por 28 meses entre de junho de 2013 a outubro de 2015.

Jair M. Bolsonaro
O Presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Dr. Mauro Ribeiro, classifica a CPI como tóxica e vergonhosa. Falta coragem moral para a maioria de seus integrantes para apurar desvios de recursos e ouvir autoridades como, p. ex., o Presidente do CFM.
 
 

Compromisso com a Vida, Compromisso com a Verdade

Como médicos, comprometidos com a melhoria da saúde no país, discordamos de posições do Conselho Federal de Medicina contrárias à apuração das responsabilidades e omissões para o enfrentamento da pandemia de covid-19. Nesse momento em que o padrão de transmissão da covid-19 segue elevado, nossa atenção se volta para a necessidade de políticas baseadas na ciência e boas práticas. Polarizações e divisões da categoria são contraproducentes. Consideramos relevante e apoiamos quaisquer iniciativas para mudar o rumo do dramático contexto epidemiológico e social do país. Precisamos somar esforços para fortalecer o SUS e a ciência brasileira, que conjugados são a melhor resposta para a pandemia. 

Se voce concordar com esse texto divulgue para seus colegas médicos para que circule e informe que muitos médicos se negam ser cúmplices desse desastre.

14
Mai21

Médico não é cientista! A batalha da cloroquina chega à CPI

Talis Andrade

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por Wilson Gomes /Cult
 

A CPI da Pandemia começou a todo vapor esta semana e com grandes revelações. Mas, como se deve esperar, as diversas forças políticas no campo já estão disputando os temas a serem investigados, as interpretações a serem dadas aos fatos e as grandes narrativas que serão apresentadas aos cidadãos brasileiros nos telejornais da noite e nos jornais da manhã seguinte.

Nesse contexto, e torcendo por uma CPI realmente esclarecedora para a opinião pública, há um caminho já testado esta semana que particularmente me preocupa, e que envolve ciência e medicina, tudo misturado, infelizmente, com doses cavalares de ideologia. Trata-se do modo como será tratada a responsabilização do governo pelos seus investimentos na promoção de falsos medicamentos, ao mesmo tempo em que deixava de tomar as medidas sanitárias recomendadas com base no estado da questão na pesquisa científica. 

Descrita deste modo é uma questão clara e precisa, mas é óbvio que os partidários do governo querem tudo, menos este tipo de descrição. Começou, então, a “controversa da cloroquina”, um julgamento dentro do inquérito do Senado, que provavelmente se dará no Brasil e em nenhum outro lugar do mundo, pois expressa a nossa triste singularidade política. Consiste na tentativa dos governistas de fazer pensar que havias boas razões médicas e científicas em favor da cloroquina, da ivermectina e das outras drogas do engodo que o governo empacotou como “tratamento precoce” ou “kit covid”. 

Mas como um argumento desses pode prosperar se num dos raros consensos da comunidade científica internacional essas drogas foram consideradas inócuas ou claramente perigosas para a saúde dos que as tomaram? Para isso estão de plantão os médicos que foram capturados pela extrema-direita ou a ela servem voluntariamente, por afinidades eletivas. Segundo declaração do presidente da CPI, por exemplo, quando chegou ao seu gabinete na quinta-feira, dia 6 de maio, por volta das 8 da manhã, já era esperado por Nise Yamaguchi, a médica bolsonarista paulistana por antonomásia, que se ofereceu para vir defender a cloroquina no Senado Federal. Isso prova que não faltarão os chamados “doutores cloroquinas” escalados pelo bolsonarismo para a missão de, vejam só, enfrentar as conclusões e recomendações da OMS e da ponta de lança da ciência mundial em defesa da opinião de Bolsonaro.

Irão faturar sobre confusão dos que não conseguem distinguir entre médicos e cientistas da área de Saúde, ou entre o “doutor” como pronome de tratamento bordado nos jalecos, de lado, ou como título acadêmico reservado a quem conclui um doutorado. Inutilmente, muitos têm repetido desde o início de 2020 que médico não é cientista, médico é quem faz graduação em medicina, enquanto cientista é quem faz mestrado, doutorado, uns pós-docs, vive literalmente no laboratório, faz experimentos, publica papers em periódicos científicos competitivos, está sob crítica constante dos pares, vê experimentos fracassarem, tenta de novo. Médicos em consultórios e hospitais se ocupam de curar as pessoas ou de tratá-las, os cientistas em seus laboratórios se ocupam de pesquisar, experimentar, revisar as descobertas uns dos outros, formular e testar hipóteses, tudo isso em moto contínuo.

Neste momento da pandemia, milhares de laboratórios e centros de pesquisa, em universidades e na indústria, publicam outros milhares de trabalhos diários tentando fazer avançar lenta e cautelosamente a pesquisa em todas as áreas implicadas neste grande problema científico. É evidente que um médico na frente de batalha, com enormes jornadas de trabalho e no desespero por salvar vidas, não tem o menor tempo ou possibilidade de revisar uma quantia, por ínfima que seja, da pesquisa que está sendo feita. É por essa razão que não podem ser os médicos as autoridades para determinar se cloroquina serve ou não, são os cientistas os que podem fazê-lo. 

Não é um argumento para diminuir os médicos. Cientistas não são melhores do que quem trabalha todo dia para salvar vidas e aliviar o sofrimento dos que padecem. São apenas diferentes, exercem outras funções. Cada um cumpre o seu papel e não há necessidade social de que os médicos exorbitem a sua competência para usurpar uma autoridade, a autoridade científica, que, enquanto médicos, não têm. E isso só acontece quando, como agora, a versão mais feia da atividade política – a política suja, baseada em enganos e manipulação – invade a área de Saúde e captura uma parte dos seus agentes. 

Isso, obviamente, nada tem a ver com o campo científico da área de Saúde, que, aliás, no Brasil, é provida de cientistas de extrema competência, agora em desesperada e intensa dedicação em seus laboratórios para encontrar resposta para o problema da Covid-19. Os que realmente fazem ciência estão exaustos e ocupados demais para perseguir senadores em seus gabinetes e em seus telefones a fim de defender causas políticas. O campo científico sabe muito bem que é cientista e quanto ele vale relativamente dentro da sua especialidade. São a política e os jornalistas que não respeitam as hierarquias do campo científico, dando megafones a militantes de jalecos que os cientistas não consideram ou respeitam e tratando espertalhões como se fossem grandes autoridades. 

A coisa mais assombrosa desses dias de CPI da Pandemia foi ver se formar um consenso entre os senadores de que é preciso ouvir os “cientistas de um lado e do outro”. Falou-se até em ouvir médicos de direita e de esquerda, equitativamente, como se em questão não estivesse a verdade científica, mas a opinião política. Sim, há dois lados, como entre os que creem que a Terra é plana e que foram à escola aprender o básico de astronomia. No caso em tela, de um lado temos a OMS e a ciência de ponta, que nenhum país sério do mundo ousou desafiar, enquanto, do outro, médicos-ativistas bolsonaristas que foram artificialmente promovidos a “cientistas” por jornalistas, por políticos e militantes da facção a que eles pertencem. 

Assim, os governistas trabalharão na CPI para impor uma representação da ciência como uma mera questão de preferência e opinião. Como gosto e opinião, cada um pode ter o próprio, há que se tolerar as diferenças, dirão, há de chegar a um meio termo, respeitar as diversas posições. Isso é justamente o que não pode acontecer. A ciência é o contrário disso. Tratar a atividade científica como se fosse da mesma natureza da política é um erro brutal, pois a primeira necessariamente se move pelos ideais de certeza e verdade enquanto a política trabalha com negociação e acomodação de interesses. 

A ciência, claro, também comporta questões disputadas e busca por consensos, mas os consensos são entre cientistas, e baseados em provas e evidências. Não há que se buscar consenso entre cientistas e militantes, mesmo que os militantes sejam também médicos. Permitir o rebaixamento da ciência à opinião e à preferência política, assim como igualar cientistas e médicos-ativistas, é realizar a desqualificação da ciência e da política que interessa apenas ao bolsonarismo e que nos levou ao morticínio que testemunhamos. 

Em ciência, quando há dois lados, e frequentemente há muito mais que dois, do outro lado está outro cientista, não um militante. 

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13
Mai21

Se liguem na catastrófica situação da UFRJ

Talis Andrade

calos latuff consciencia negra.jpg

Marcia Tiburi no Twitter
 
Marcia Tiburi
Mobilização contra o racismo
@coalizaonegra
É hoje!
Se não nos deixam viver em casa, vamos protestar nas ruas!
#13DeMaioNasRuas contra as chacinas e o genocídio!
O povo negro quer viver!

Use máscara, álcool-gel e mantenha-se em distanciamento.

distanciamento.jpgConsulte a agenda nacional de atos: bit.ly/33Elk5m

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Já pensou se fosse um filho seu? O que aconteceu com Fernando, Alexandre e Lucas?
Quote Tweet
Rubens R R Casara
@RCasara
O que fizeram com essas crianças? Os familiares têm o direito de saber.
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@marciatiburi
Toda a solidariedade a deputada atacada mais uma vez pelos covardes e canalhas que não suportam a sua coragem na defesa dos direitos fundamentais, a sua elegância e o seu senso de humanidade.
A deputada Zambeli aplicando táticas de guerrilha indireta, tentando atrapalhar a CPI do genocídio. Que seja feita a investigação e a justiça de que nosso Brasil precisa e que todos os criminosos sejam responsabilizados!
“Era um dia frio e luminoso de abril e os relógios davam 13 horas”.
ATELIÊ ABERTO - Lendo Marcia Tiburi
Ao me formar, em 1984, jamais imaginaria que, em 2021, abriria um texto com a célebre frase de George Orwell: “Era um dia frio e luminoso de abril e os relógios davam 13 horas”.
tendenciasmag.com.br
Marcia Tiburi
Se liguem na catastrófica situação da UFRJ, mais uma do governo corrupto que governa o Brasil
youtu.be/4gmgrmgtyZE via
Professores brasileiros, uni-vos. O que lhes parece uma greve geral em nome da #Ufrj e de todas as universidades atacadas pelo governo neoliberal/fascista no Brasil?
16
Abr21

“Tráfico humano lá é pesado”: alunos de medicina fazem comentários racistas contra a Bolívia em grupo de WhatsApp

Talis Andrade

Charge/Cartum - Junião

As denúncias contra o kit cloroquina me engana, o tratamento precoce, a falsa cura da Covid-19 deveria partir dos estudantes universitários, na sua maioria brancos e bolsonaristas.

Acusar o não tem do governo militar de Bolsonaro, estigmatizar o não tem da militarização do Ministério da Saúde. 

O não tem acesso ao teste, não tem acesso a uma maca, não tem acesso a um leito, não tem acesso à intubação, não tem acesso aos cuidados paliativos.

Criminar a macabra condenação de ficar na fila da morte.

É o genocídio. O falta tudo. Falta UTI. Falta medicamentos. 

A falta de oxigênio causou o morticínio de Manaus, agora investigado por uma CPI no Senado Federal.

Falta cilindros, seringas e agulhas. 

Falta principalmente vacinas, que o governo genocida 'cuidou' de não comprar no ano de 2020. 

A última campanha dos estudantes foi contra o Programa Mais Médicos, notadamente a campanha xenófoba contra os médicos cubanos.Charge/Cartum - Junião

MPF/PA disponibiliza material didático de combate ao preconceito contra  indígenas — pt-br

 

por David Nogueira /DCM - Diário do Centro do Mundo

- - -

O Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALM) enviou ao DCM, nesta quarta-feira (14), uma nota de repúdio aos comentários racistas feitos por estudantes da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) contra alunos da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).

Os insultos são dirigidos particularmente aos bolivianos, já que o município de Cáceres, onde fica o campus, faz fronteira com o país.

Um dos alunos diz que os livros da Unemat “foram trocados por cocaína”.

Outro estudante chega a dizer: “Tráfico humano lá [na Bolívia] é pesado”.

“Vou pegar dengue assistindo a aula”, afirma outro babaca.

Leia na íntegra a nota do CALM:

O Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALM) vem, por meio deste, repudiar uma triste situação que chegou até nós no dia 13 de abril de 2021. Com a abertura do Sistema de Seleção Unificada (SISU), no dia 6 de abril de 2021, inúmeros grupos de Facebook e Whatsapp foram criados por acadêmicos dos cursos de Medicina nas universidades públicas em todo Brasil.

Tais grupos foram criados na intenção de compartilhar informações sobre o SISU, trocar ideias com outros participantes sobre notas parciais, classificação, além disso, os participantes poderiam se informar mais sobre as universidades e as respectivas cidades com os veteranos presentes nos grupos. Essa propositura, desde o princípio, tinha uma finalidade positiva de integrar estudantes e compartilhar ideias.

No entanto, infelizmente, um caso específico aconteceu em um dos grupos do SISU, sendo esse o da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), em que diversos comentários ofensivos e extremamente preconceituosos foram dirigidos a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), aos acadêmicos do curso de Medicina, ao município de Cáceres e a Bolívia, país esse que faz fronteira com Cáceres.

O CALM expressa total repúdio e contrariedade a esse tipo de atitude, ainda que de modo digital, que propaga inverdades e ofensas. É válido salientar que, de acordo com a LEI Nº 9.459, DE 13 DE MAIO DE 1997:

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”

“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Pena: reclusão de um a três anos e multa.

§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

Por fim, o Centro Acadêmico gostaria de aproveitar essa nota para dizer que, ao contrário de tudo o que foi dito, o curso de Medicina da Unemat tem uma comunidade acadêmica extremamente exímia, empenhada e com enorme potencial. A exemplo disso, têm-se as 6 turmas já formadas, com vários alunos aprovados nas melhores e mais concorridas residências e concursos nacionais, além de serem excelentes profissionais e seres humanos, dos quais nos orgulhamos imensamente.

A todos os acadêmicos da Medicina Unemat que já passaram, bem como a todos os docentes engajados, o nosso muito obrigada por toda persistência nas lutas e batalhas enfrentadas para chegarmos onde estamos, toda a evolução do nosso curso é graças a essas pessoas que acreditaram e lutaram pela melhora da qualidade do nosso ensino.

Aos nossos atuais acadêmicos, gostaríamos de expressar que acreditamos no potencial de cada um de vocês e sabemos que, em breve, vocês todos serão profissionais magníficos, que espalharão empatia, cuidado, respeito e a verdadeira Medicina por todo Brasil.

Ao município de Cáceres, nossa gratidão por abrir espaço aos nossos acadêmicos, pela receptividade e pela oportunidade de aprendizado diário que vivenciamos. Nosso desejo é poder aprender cada vez mais e que a comunidade cacerense também possa ser beneficiada com a nossa formação acadêmica e com os futuros profissionais da instituição.

À população boliviana, expressamos nosso total respeito, uma vez que muitos bolivianos se encontram em Cáceres, de tal forma que esses também são pacientes atendidos pelos acadêmicos da Medicina, contribuindo, assim, para nossa formação acadêmica e intercultural.

Aos envolvidos nessa triste circunstância, expressamos a nossa mágoa e frustração com todos os comentários ofensivos, esperamos que tal situação não venha a se repetir nem conosco e nem com nenhuma outra instituição de ensino. À partir dessa nota, espera-se que vocês possam refletir profundamente com o acontecido, que isso não seja reflexo do caráter de vocês, uma vez que os mesmos anseiam em serem futuros médicos e tal profissão, assim como qualquer indivíduo na sociedade, precisa de princípios embasados na empatia e no respeito ao próximo.

Aos demais estudantes que irão colocar sua nota do SISU na Unemat, saibam que vocês serão extremamente bem recebidos por toda comunidade acadêmica, pela instituição e pelo município de Cáceres. Já estamos ansiosos para conhecê-los!

Atenciosamente,

CALM
Sociodiversidade e Multiculturalismo — ENADE

Nota deste Correspondente: Em memória dos profissionais das Ciências Médicas que tombaram no combate à pandemia, em homenagem e apoio e reconhecimento aos bravos que continuam no front contra a Covid-19, os estudantes da Universidade Estadual de Montes Claros deveriam apoiar a CPI da Covid no Senado Federal. E não participar das campanhas bolsonaristas da direita volver. 

charge do gilmar fraga: Últimas Notícias | GZH

15
Mar21

EUA pressionaram Brasil a não comprar a vacina russa Sputnik V

Talis Andrade

bozo vacina.jpg

 

 

Informação está em relatório obtido pelo Brasilwire e revela também pressão contra atuação de médicos cubanos na América Latina

 

 
Enquanto o número de mortos no Brasil com a pandemia Covid-19 se aproxima de 275.000, documentos revelam que Washington pressionou o governo brasileiro a não comprar a vacina "maligna" Sputnik V da Rússia – uma decisão que pode ter custado milhares de vidas.
 

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos publicou recentemente seu Relatório Anual para 2020. “2020 foi um dos anos mais desafiadores da história do nosso país e da história do Departamento de Saúde e Serviços Humanos”, apresenta o ex-secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Alex Azar. “Há um fim à vista para a pandemia”, ele continua, “com a entrega de vacinas seguras e eficazes por meio da Operação Warp Speed”.

Escondido na página 48, o relatório revela de forma chocante como os EUA pressionaram o Brasil a rejeitar a vacina russa Sputnik V.

Sob o subtítulo “Combatendo influências malignas nas Américas”, o relatório anuncia:

O Departamento usou as relações diplomáticas na região das Américas para mitigar os esforços dos Estados, incluindo Cuba, Venezuela e Rússia, que estão trabalhando para aumentar sua influência na região em detrimento da segurança dos Estados Unidos. O Departamento coordenou com outras agências governamentais dos EUA para fortalecer os laços diplomáticos e oferecer assistência técnica e humanitária para dissuadir os países da região de aceitar ajuda desses estados mal intencionados. Os exemplos incluem o uso do escritório do Adido de Saúde da Departamento para persuadir o Brasil a rejeitar a vacina russa COVID-19 e a oferta de assistência técnica do CDC no lugar do Panamá aceitar uma oferta de médicos cubanos. [enfase adicionada]

Também é surpreendente que os EUA tenham dissuadido o Panamá de aceitar médicos cubanos, que estão na linha de frente global contra a pandemia, trabalhando em mais de 40 países.

Além do Brasil, os Estados Unidos despacharam Adidos de Saúde para a China, Índia, México e África do Sul, provavelmente encarregados de realizar atividades semelhantes.

Os documentos demonstram como Washington vê a saúde global em termos estritos de poder, disposto a sacrificar incontáveis ​​vidas para negar aos Inimigos Oficiais a vitória do soft power.

Resposta catastrófica

tiago bozo vacina.jpg

 

O Brasil sofreu o segundo pior número de taxas de mortalidade por Covid-19 do mundo, com a política Covid-19 de Bolsonaro sendo descrita como "homicida negligente".

Ao longo de 2020, o governo brasileiro se recusou consistentemente a buscar qualquer vacina, exceto a AstraZeneca.

Um grupo de prefeitos brasileiros exortou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a renunciar, escrevendo: “Sua liderança não acreditava na vacinação como saída da crise e não fez o planejamento necessário para a aquisição das vacinas”.

Com o número de mortes aumentando, Bolsonaro eventualmente e tardiamente abriu discussões para a entrega de vacinas contra o Sputnik V.

Documentos secretos publicados pela Brasil Wire também revelaram que o Reino Unido fez lobby no Brasil em nome da AstraZeneca e também das mineradoras britânicas, mostrando que os Estados Unidos não são o único país a alavancar poder em nome de multinacionais farmacêuticas na América Latina.

Este é apenas o último episódio escandaloso na forma como Bolsonaro está lidando com a pandemia.

 

24
Fev21

Saiba quem está por trás do "informe publicitário" negacionista e pró-cloroquina em jornais

Talis Andrade

nero bolsonaro cloroquina.jpg

 

Entre os 70 profissionais que constam no site da associação Médicos Pela Vida, que assina a publicação de um anúncio pró-cloroquina, de teor negacionista e anticientífico sobre a Covid-19 , estão alunos do “guru” do bolsonarismo Olavo de Carvalho

 
 

O CNPJ apresentado no pé do anúncio conduz à Associação Dignidade Médica de Pernambuco (ADM/PE), inaugurada em dezembro de 2013. O presidente é Antonio Jordão de Oliveira Neto, conhecido por liderar a publicação, em maio, de um tratamento “pré-hospitalar” contra a covid-19, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O protocolo tem 39 páginas, e as palavras cloroquina e hidroxicloroquina aparecem 46 vezes no documento. Medicamentos à base dessas substâncias não têm eficácia comprovada contra o novo coronavírus e não devem ser usados em nenhuma etapa do tratamento devido aos possíveis efeitos colaterais.

O grupo, que geralmente aparece ao público sob o nome Médicos Pela Vida, reuniu-se com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em setembro de 2020, sem a presença de Eduardo Pazuello, ministro da Saúde. O ex-deputado federal e ex-ministro Osmar Terra (MDB-RS) intermediou o encontro e falou como membro da associação em defesa da hidroxicloroquina.

Em entrevista à jornalista Leda Nagle, a anestesiologista Luciana Cruz afirmou à epoca que o “movimento” teria “próximo de 10 mil médicos”.

O site da associação não informa o número total de filiados, mas apresenta uma lista de 70 membros que ofereceriam “tratamento precoce” contra a covid – expressão incorreta e de uso inadequado.

Entre os 70 profissionais que constam no site da associação, estão alunos do “guru” do bolsonarismo Olavo de Carvalho, como o médico Carlos Eduardo Nazareth Nigro, de Taubaté (SP). Durante a pandemia, ele se tornou conhecido no Facebook e em grupos conservadores no Whatsapp por fazer postagens contra o isolamento social e a vacinação.

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Nigro é citado como referência em uma das notícias falsas mais difundidas sobre a covid, publicada pelo site Estudos Nacionais. O texto afirma que o uso de máscaras é prejudicial à saúde, não reduz o risco de contágio e tem como único objetivo instaurar o pânico. A informação não procede.

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O negacionismo sobre as medidas de biossegurança na pandemia e o uso frequente das redes sociais são características comuns a quase todos os nomes da lista. Wilse Segamarchi, outra integrante da associação, assina textos com informações já desmentidas pelas principais revistas científicas do mundo e se refere ao Sars-CoV-2 como “vírus chinês”. A OMS não tem comprovação de que a pandemia começou em Wuhan, na China.

DerrotadosUm dia depois de se recuperar de covid-19, Osmar Terra volta a criticar OMS  | Poder360

Osmar Terra não é a única pessoa próxima ao governo Bolsonaro que integra o grupo. O médico defensor da cloroquina Luciano Dias Azevedo, que consta na lista da associação, foi nomeado por Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, para o Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em junho do ano passado.

Annelise Meneguesso, que também faz parte do Médicos pela Vida, foi candidata a vice-prefeita de Campina Grande (PB) pelo PSL em 2020. A chapa em que ela concorreu ficou em quarto lugar no pleito.

A associação reúne outros candidatos derrotados nas eleições 2020, como o médico Gustavo Rosas (PROS), que concorria como vice de Jorge Federal (PSL) em Olinda (PE) e também ficou em quarto.

Jandir de Oliveira Loureiro Junior (PROS), um dos membros da associação mais ativos nas redes sociais, recebeu apenas 27 votos e não foi eleito vereador em 2020 no município de Rio Bonito (RJ). Suas últimas postagens no Facebook são em defesa do deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL), preso este mês por atentar contra a democracia.

A lista também inclui médicos que levaram “puxões de orelha” de autoridades locais por propagarem informações falsas durante a pandemia. É o caso de Blancard Torres. Em 9 de setembro de 2020, o Conselho Estadual de Saúde de Pernambuco (CES/PE) fez uma nota de repúdio à participação do profissional em evento com Bolsonaro e disse ver “com muita preocupação a defesa do médico sobre a profilaxia em pacientes contaminados pelo novo coronavírus, pois não há até agora, nenhuma evidência científica atestando a eficiência desta droga na cura desta doença.”

Repúdio à veiculação

Artistas publicaram na manhã desta quarta-feira (24) uma carta em repúdio à publicação do anúncio com informações falsas sobre a pandemia que já matou mais de 248 mil brasileiros.

Confira:

O coletivo 342Artes  repudia os “informes publicitários” de conteúdo negacionista, recentemente publicados nos jornais  @folha (SP), @JornalOGlobo (RJ), @jc_pe (PE), @em_com (MG), @correio (DF), @correio24horas (BA), @opovoonline (CE), @gzhdigital (RS). A sociedade civil brasileira sofre com um governo sem qualquer planejamento para a pandemia e suas  consequências sanitárias, sociais e econômicas são catastróficas. O anúncio, que prega o negacionismo, foi pago pela Associação Médicos pela Vida e enaltece o uso antecipado de medicamentos como a cloroquina para curar pacientes infectados pela Covid-19.

Esta indicação contraria a orientação da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI ) que está alinhada com as recomendações de sociedades médicas científicas e outros organismos sanitários nacionais e internacionais, como a Sociedade de Infectologia dos EUA (IDSA) e a da Europa (ESCMID), Centros Norte-Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil (ANVISA).

É um descalabro que veículos de imprensa em um período tão grave como passa o Brasil, vejam o lucro acima de tudo. Como disse Maria Bethânia precisamos de: vacina, respeito, verdade e misericórdia.

Assinam a carta:

Mari Stockler
Paula Lavigne
Bel Coelho
Carla Nieto Vidal
Sandro Vinícius Couto
Marco Aurélio De Carvalho
Daniela Thomas
Luciana Costa
Marina Dias
Paula Amaral
Ian Black
Douglas Belchior
Magda Gomes
Tainá Marajoara
Deborah Osborn
Caetano Scannavino
Carla Guagliardi
Paulo Machline

Joana Mariani
Beth Ritto
Celso Curi
Pedro Coutinho
Ná Ozzetti
Larissa Bombardi
Carlos Rittl
Marco Mattoli
Fabiano Silva dos Santos
Kakay
Karla Ricco
Afonso Borges
Márcio Toledo
Juca Kfouri
Maria Edina O Carvalho Portinari
João Candido Portinari
Hugo Leonardo
Suely Rolnik
Maneco Muller

Carlos Gradim
Mara Fainziliber
Carlito Carvalhosa
Astrid Fontenelle
Paulo Sergio Duarte
Maureen Santos
Daisy Perelmutter
Caze Pecini
Noemi Jaffe
Edson Leite
Susana Jeha
Marcus Vinicius Ribeiro
Muriel Matalon
Domingos Pascali
Caetano Veloso
Helena Bagnoli
Juliana Souza
Toni Vanzolini
Claudelice Santos
Rico Lins
Lia Rodrigues
Sara Grosseman Venosa
Zilda Moschkovich

Lia Rodrigues
Guilherme Aranha Coelho
Fernanda Barbara
Marcia Fortes
Eduardo Ortega
Augusto de Arruda Botelho
Paula Signorelli
Caio Mariano
Lisette Lagnado
Márcio Rolo
Rosângela Rennó

Natalia Pasternak, PhD 
@TaschnerNatalia
Reconhecimento de um bom trabalho! e o melhor foi receber a notícia do próprio juiz ! Parabéns Eugenio pelo trabalho e pela coragem. que outros sigam seu exemplo.
Justiça determina a suspensão do "kit covid" em Porto Alegre | Brasil de Fato
Conforme destaca a decisão, até o momento o tratamento precoce não tem suporte em evidências científicas robustas e assentadas em pesquisas clínicas conclusivas sobre a sua eficácia
brasildefators.com.br
15
Jan21

Imprensa internacional repercute caos nos hospitais de Manaus

Talis Andrade

Image

Por G1

A imprensa internacional repercute a notícia sobre o caos no sistema de saúde de Manaus, capital do Amazonas. Com falta de oxigênio nos hospitais, pacientes agonizam e médicos e familiares buscam cilindros por conta própria.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reconheceu o colapso na saúde de Manaus e afirmou que a fila por um leito é de quase 500 pacientes. O Ministério Público e a Defensoria dizem que a responsabilidade pela crise no Amazonas é do governo federal.ImageImage

Veja a repercussão em jornais, sites e televisões do exterior:

 

The Guardian

O jornal britânico "The Guardian" estampa em sua página principal na internet que "profissionais de saúde no maior estado do Brasil estão implorando por ajuda e suprimentos de oxigênio após uma explosão de mortes e infecções em Covid".

The Guardian: imprensa internacional repercute caos nos hospitais de Manaus — Foto: Reprodução/theguardian.com

 

BBC

A rede britânica de televisão destaca que hospitais de Manaus "atingiram o ponto crítico ao tratar pacientes da Covid-19 em meio a relatos de grave falta de oxigênio e equipe desesperada".

BBC: imprensa internacional repercute caos nos hospitais de Manaus — Foto: Reprodução/bbc.com

BBC: imprensa internacional repercute caos nos hospitais de Manaus — Foto: Reprodução/bbc.com

 

Clarín

O site do jornal argentino "Clarín" diz que a situação da epidemia de coronavírus na capital do Amazonas é "desesperadora". A reportagem destaca que profissionais da saúde têm que escolher quem vai ou não receber o pouco oxigênio disponível.

Clarín: imprensa internacional repercute caos nos hospitais de Manaus — Foto: Reprodução/clarin.com

Clarín: imprensa internacional repercute caos nos hospitais de Manaus — Foto: Reprodução/clarin.com

 

Público

O jornal português relembra a primeira onda de casos na capital manaura para destacar que, "oito meses depois das valas comuns, Manaus volta a viver momentos dramáticos".

30
Jul20

Vídeos com desinformação sobre a pandemia proliferam e causam mortes

Talis Andrade

 

fake bolsonaro.jpg

 

Lúcia Müzell entrevista Nina Santos
 

A pandemia de coronavírus trouxe à internet uma invasão de informações no mínimo duvidosas sobre a Covid-19, a sua gestão e eventual cura. O ambiente virtual, terreno fértil para as fake news, influencia o comportamento das pessoas neste momento tão delicado da história. O assunto foi tema da pesquisa "Ciência Contaminada”, que analisou mais de 11 mil vídeos disponíveis na rede, a respeito da pandemia.

A pesquisadora de Comunicação Nina Santos e seus colegas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) identificaram quatro principais grupos de publicações no Youtube que incluem a palavra “coronavírus”: vídeos de cunho religioso, complotistas, médicos e de cientistas especializados ou jornalísticos que contêm comentários de especialistas. As conclusões a respeito dos três primeiros grupos são assustadoras. “Eles estão majoritariamente pautados em desinformação, com informações falsas ou imprecisas sobre a doença”, explica a doutora pelo Centro de Análise e Pesquisa Interdisciplinar sobre as Mídias, da Universidade Panthéon-Assas - Sorbonne, na França.

Entre os religiosos, que têm o pastor Silas Malafaia como principal porta-voz, o foco é atribuir a pandemia a uma “praga ou punição divina”, indica Nina. “Por adotarem esse tipo de discurso, acabam minimizando formas de combater e se prevenir do coronavírus”, nota a pesquisadora.

Médicos vendem produtos

Na segunda rede, estão os adeptos das teorias conspiratórias, seguidamente apoiadas em teorias globalistas. Estes vídeos centram o debate sobre o tema nas implicações políticas internacionais, como a hipótese de que o vírus foi criado propositalmente pela China para dominar o mundo, como de pano de fundo.

Na terceira, são os médicos que tomam a palavra – mas não para reforçar a mensagem majoritariamente adotada pela comunidade científica a respeito do combate à Covid-19, com medidas de isolamento. “Isso nos surpreendeu porque poderia ser uma boa notícia, mas na verdade esses médicos se apropriam desse momento para vender alguma coisa. Eles disseminam um discurso de fortalecimento da imunidade e da vida saudável, como se bastasse para combater a pandemia”, conta a professora. “Nas descrições dos seus vídeos, eles aproveitam para vender coisas: um e-book, um curso, um suplemento alimentar.”

A quarta rede, baseada em informação científica comprovada, é composta pelos veículos jornalísticos, que promovem cobertura e debates a respeito do assunto, com a presença de especialistas reconhecidos. “Algumas personalidades cresceram muito neste período, como Átila Iamarino e outros divulgadores científicos, que ajudam a tornar mais palatável a linguagem médica e da pandemia”, observa Nina.

Próxima etapa: hidroxicloroquina

A equipe da UFBA analisa, agora, um segundo relatório específico sobre a hidroxicloroquina, num momento em que o presidente Jair Bolsonaro utilizou, em ampla escala, a sua própria contaminação para fazer propaganda do medicamento. “Ao falar de fake news, é preciso entender que estamos em um momento de crise epistêmica, ou seja, a crise dos centros da sociedade que são capazes de produzir verdades, conhecimentos aceitos por todos. No momento em que temos uma grande crise entre esses atores, que não conseguem entrar num acordo sobre quem é capaz de decidir a verdade, fica muito difícil conseguirmos construir acordos democráticos”, analisa a pesquisadora, citando o exemplo dos dados oficiais de desmatamento da Amazônica, minimizados pelo próprio governo federal.

“O mais grave é que, numa situação de saúde e, especificamente, dessa pandemia, não apenas a gente tem uma dificuldade de construir acordos, mas a gente tem a defesa de discursos que são graves e notadamente falsos, sem nenhum tipo de sustentação científica. Numa situação de pandemia, isso leva a situações concretas como a morte das pessoas”, adverte Nina.

Uma pesquisa recente mostrou que, nos lugares onde Bolsonaro é mais apoiado, o índice de contágios pelo coronavírus é superior. Além disso, a cada vez que o presidente defende publicamente a reabertura da economia ou se reúne em grupo sem proteção contra o vírus, o número de casos de Covid-19 volta a subir nessas cidades.

Combate às fake news: uma necessidade de difícil aplicação

Nina Santos avalia que o combate às fake news deve vir de várias frentes – institucional, pelos governos e a justiça, mas também pelas próprias plataformas digitais. Entretanto, ela é receosa quanto à possibilidade de “privatização” do controle do que é falso ou verdadeiro na internet.

"As plataformas precisam tomar medidas, mas baseadas numa discussão e em guias do que deve ser considerado falso na rede, num acordo social mais amplo, porque senão a gente perde completamente o controle de como o debate público está sendo construído, do que pode ser incluído ou não”, pontua a professora.

Recentemente, a tese de doutorado de Nina Santos foi premiada como uma das melhores do ano de 2019 da universidade Sorbonne, uma das mais respeitadas da França.

 

15
Jul20

Coronavírus: os polêmicos vídeos de médicos que recomendam tratamentos sem comprovação para covid-19

Talis Andrade

insistencia cloroquina.jpg

 

Vinicius Lemos
Da BBC News Brasil em São Paulo

 

"Bom dia! Estão recomendando tomar esse remédio. Há alguma contraindicação no meu caso?", perguntou um paciente para o infectologista Alexandre Naime, por meio de um aplicativo de mensagens.

O paciente, sem qualquer sintoma, manifestou interesse em consumir o antiparasitário ivermectina para, segundo ele, evitar uma possível infecção pelo novo coronavírus. O homem disse que havia assistido a um vídeo no qual a médica Lucy Kerr compartilhou um "protocolo para a ivermectina contra a covid-19". Na publicação, ela orienta sobre o modo como os pacientes devem consumir o remédio para obter bons resultados.

Em resposta ao paciente, Naime informou que não há qualquer comprovação científica sobre o medicamento para combater a covid-19. O médico também alertou que até o momento não há nenhum remédio comprovadamente eficaz para prevenir o novo coronavírus ou evitar que casos leves se agravem.

Naime classifica como "show de horrores" as constantes publicações sobre indicações de tratamentos para a covid-19 nas redes sociais. Para ele, a situação dificulta ainda mais as ações de prevenção e combate ao novo coronavírus, que já infectou quase 2 milhões de pessoas e deixou mais de 70 mil mortos no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde.

Assim como Naime, outros médicos também relatam que vídeos e textos, que afirmam que alguns remédios podem curar ou prevenir a covid-19, têm gerado dúvidas entre os pacientes sobre o tratamento para a doença causada pelo novo coronavírus.

Os médicos que compartilham tratamentos precoces ou profilaxia para a covid-19 nas redes sociais defendem que há alguns estudos e casos de regiões que obtiveram bons resultados com determinada medicação. Em razão disso, afirmam que é importante que esses remédios sejam adotados no tratamento da doença e, por isso, compartilham relatos positivos sobre esses medicamentos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e outras entidades de saúde internacionais frisam que não há, ao menos por enquanto, comprovação científica de que uma medicação que possa prevenir a covid-19 ou evitar, se usada no início dos sintomas, o agravamento do quadro de um paciente.

Em todo o mundo, há diversos estudos com possíveis medicamentos para combater a covid-19. No entanto, ainda não há tempo hábil para a conclusão de qualquer investigação aprofundada sobre o tema. Isso porque são necessários diversos níveis de testes para chegar a um possível medicamento que possa trazer benefícios aos pacientes.

Desta forma, a principal orientação de organizações médicas é que os tratamentos sejam feitos de forma individualizada, conforme as respostas de cada paciente.

Entidades médicas se preocupam com esses vídeos que defendem determinadas medicações contra a covid-19, pois consideram que eles propagam tratamentos que não têm evidência científica.

Vídeos sobre a covid-19

Os vídeos de médicos defendendo tratamentos sem comprovação costumam citar remédios como a cloroquina e a hidroxicloroquina, a ivermectina e o antibiótico azitromicina. Essas medicações costumam ser as mais citadas entre aqueles que defendem o suposto tratamento preventivo contra o novo coronavírus — mesmo sem respaldo científico.

Nos vídeos, médicos defendem situações como o uso desses remédios logo nos primeiros sintomas da doença, para, segundo eles, evitar que o quadro de saúde do paciente se agrave. Há ainda conteúdos que aconselham que essas medicações sejam usadas de modo profilático, para impedir que o paciente seja infectado pelo Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronavírus.

No fim de junho, por exemplo, a live "Tratamento precoce salva vidas" reuniu médicos que afirmam que existe um tratamento que pode evitar que pacientes desenvolvam quadros graves da covid-19. No vídeo, os profissionais defendem o uso de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, o antibiótico azitromicina e os antiparasitários nitazoxanida e ivermectina.

Os profissionais de saúde que participam da live afirmam que o paciente pode evitar que seu quadro de saúde se agrave se, logo nos primeiros sintomas, começar a tomar um dos remédios citados. Segundo eles, essa é a única forma de evitar mortes pela covid-19 neste momento. Sem respaldo científico, dizem que tiveram bons resultados em seus locais de trabalho ao adotar protocolos que envolvem os medicamentos que defendem.

Na live, que durou mais de duas horas, os especialistas afirmam que não há nenhum viés político por trás das informações, apesar de adotarem discurso semelhante ao do presidente Jair Bolsonaro sobre o tratamento da covid-19. Todo o vídeo é conduzido pelo jornalista Alexandre Garcia, grande apoiador do presidente. No Twitter, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) compartilhou a live, que atualmente tem mais de 1,8 milhão de visualizações no YouTube, e a classificou como "esclarecedora".

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Assim como os médicos, Bolsonaro também defende o uso de medicamentos mesmo sem comprovação científica. Meses atrás, o presidente exigiu que o Ministério da Saúde criasse um protocolo de tratamento contra a covid-19 no qual recomenda o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina para todos os casos, dos mais leves aos mais graves. Ele também já se mostrou favorável ao uso de ivermectina em tratamento precoce contra o novo coronavírus.

Outro ponto abordado sobre o tratamento da covid-19 na live "Tratamento precoce salva vidas" é o uso de medicamentos como forma de profilaxia, para impedir que uma pessoa seja infectada pelo vírus. No vídeo, os profissionais de saúde citam a ivermectina para essa finalidade. No entanto, não há qualquer comprovação científica de medicamento que possa impedir que alguém seja infectado pelo Sars-Cov-2.

Há, entre os inúmeros vídeos de médicos defendendo determinados tratamentos para a covid-19, publicações nas quais são dadas orientações sobre o modo como a pessoa deve consumir os remédios. Nos comentários desses vídeos, muitos discutem, sem qualquer orientação médica, como tomar as medicações para ter um melhor resultado, para prevenir ou tratar o Sars-Cov-2.

Uma das publicações mais famosas na internet sobre a ivermectina é da médica Lucy Kerr, especializada na área de ultrassonografia. Em um vídeo do YouTube, com mais de 1 milhão de visualizações, a médica defende o uso do medicamento e orienta como utilizá-lo de modo profilático ou nas fases iniciais da covid-19.

Lucy diz que os vídeos são fundamentais, pois, segundo ela, "a grande mídia não fala sobre a ivermectina". A médica afirma que teve bons resultados ao tratar pacientes com o medicamento. "Há um monte de trabalho comprovando a eficácia da ivermectina. Na República Dominicana, por exemplo, foram tratadas 1,3 mil pessoas com a covid-19 e isso mostrou que há 99% de chances de cura com a ivermectina", diz à BBC News Brasil.

Apesar das afirmações da médica, os estudos com a ivermectina estão em fase inicial em todo o mundo. Portanto, não é possível atestar a eficácia do medicamento, nem os efeitos colaterais que ele pode ter no tratamento do novo coronavírus. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não reconhece o medicamento, ou qualquer outro, como indicado para a covid-19, por não haver, até o momento, estudos conclusivos sobre o tema.

Críticas a vídeos

Os vídeos compartilhados por profissionais de saúde que defendem tratamentos precoces ou profilaxia contra a covid-19 são duramente criticados por sociedades médicas.

No fim de junho, a Sociedade Brasileira e Pneumologia e Tisiologia (SBPT) lançou uma nota, logo após a live "Tratamento precoce salva vidas". No comunicado, a entidade afirmou que há quantidade enorme de informações falsas "sobre o tratamento da covid-19 circulando nas mídias sociais, as quais, não raro, envolvem médicos que alegam ser pneumologistas".

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também se manifestou após a live. "Nos últimos dias, muito tem se divulgado nas redes sociais a respeito do uso de medicamentos para a covid-19. Várias destas divulgações que circulam nas mídias sociais são inadequadas, sem evidência científica e desinformam o público", disse nota da entidade.

A SBI ressaltou ainda que o país vive "uma séria crise de saúde pública" e afirmou que o compartilhamento de informações de tratamento sem evidência científica coloca em risco a saúde da população brasileira. "A avaliação do uso de qualquer medicamento fora de sua indicação aprovada (off-label) deve ser uma decisão individual do médico, analisando caso a caso e compartilhando os possíveis benefícios e riscos com o paciente, porém é vedado a publicidade sobre tal conduta.", afirmou a SBI.

Assim como a SBI e a SBPT, outras sociedades brasileiras da área da saúde — como a de bioética, a de cardiologia, a de imunologia e a de Medicina da família — também criticam a divulgação de conteúdos sem respaldo científico.

Membro da SBI, o infectologista Alexandre Naime, chefe de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), explica por que os médicos não devem tornar público tratamentos sem comprovação científica.

"O médico pode prescrever uma medicação que não esteja sólida na ciência, mas deve fazer isso no ato médico em particular, durante uma consulta. Isso se chama prescrição. Mas ele não pode fazer apologia ou indicar em redes sociais. Ao falar sobre isso em lives ou vídeos, eles estão divulgando abertamente tratamentos sem benefícios comprovados e incentivando as pessoas a recorrerem a esses remédios, que podem ter efeitos colaterais", diz Naime à BBC News Brasil.

O temor de entidades médicas é que publicações como os vídeos que defendem tratamentos não comprovados cientificamente possam culminar em automedicação, induzir alguns médicos a receitarem determinado medicamento mesmo sem respaldo científico e trazer a falsa sensação de segurança àqueles que adotam determinadas medicações de modo profilático.

Em relação aos medicamentos mais citados nos vídeos dos médicos, a SBI ressalta que grandes estudos com a cloroquina e a hidroxicloroquina não trouxeram bons resultados no combate à covid-19 e ainda apontaram para riscos de saúde, principalmente para o coração. Muitos testes com o medicamento pelo mundo foram suspensos.

Sobre a azitromicina, a SBI ressalta que até o momento não foi comprovado o benefício do medicamento em pacientes com a covid-19.

Em relação aos antiparasitários ivermectina e nitazoxanida (comercializada como o vermífugo Annita), estudos in vitro (em laboratório) apontaram que os medicamentos podem ter atividade contra o Sars-Cov-2. No entanto, essa é apenas a primeira fase das pesquisas Ainda são necessárias outras inúmeras avaliações até chegar aos testes em humanos. Por isso, entidades de saúde consideram que é altamente arriscado que pacientes consumam a medicação por conta própria, se baseando em vídeos da internet

Já os estudos com o corticoide dexametasona apontaram que ele pode ser eficaz em casos graves, para pacientes que necessitam de oxigênio suplementar ou ventilação mecânica. Sobre casos leves de covid-19, não há qualquer evidência científica de que a medicação possa ajudar.

Especialistas apontam que muitas pessoas podem sentir melhoras depois de usar determinada medicação, mas ainda não é possível ter certeza, ao menos por ora, se isso se deve ao remédio ou ao curso natural da covid-19. Isso porque a taxa de letalidade da doença mostra que a imensa maioria dos infectados vai sobreviver — estudos mostram que somente 5% deles desenvolvem quadro grave, que pode levar à morte.

Posicionamento do CFM

O Código de Ética Médica, do Conselho Federal de Medicina (CFM), afirma que é proibido que médicos divulguem, fora do meio científico, "processo de tratamento ou descoberta cujo valor não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente".

A reportagem procurou o CFM para saber o posicionamento do conselho sobre as diversas lives e outros vídeos compartilhados por médicos que usam as redes sociais para defender medicações sem comprovação científica. A entidade não respondeu especificamente sobre o tema, mas encaminhou um texto com perguntas e respostas sobre a conduta dos profissionais de saúde nas redes.

O texto encaminhado pelo CFM recomenda que os médicos usem, nas redes sociais, informações validadas cientificamente, no intuito de "promover a adoção de comportamentos e hábitos saudáveis". Ainda segundo o texto do CFM, "não é recomendável aos médicos e a qualquer outra pessoa distribuir informações sem que as fontes sejam confiáveis".

"Os médicos devem agir de acordo com o que é preconizado pelo Código de Ética Médica, ou seja, sem utilizar de artifícios que estimulam o sensacionalismo ou o pânico, por exemplo. Por isso, devem buscar abrigo na ciência, em métodos, técnicas e procedimentos que são reconhecimentos pela comunidade médica e científica", diz o texto do conselho.

Segundo o CFM, se uma pessoa identificar que um médico infringiu o Código de Ética, pode denunciar ao Conselho Regional de Medicina (CRM) do Estado em que o profissional trabalha. "Com base nisso, o CRM que vai apurar o assunto e tomar as medidas cabíveis", diz.

De acordo com a entidade, a denúncia faz com que o CRM abra uma sindicância para apurar os fatos. Caso as irregularidades sejam confirmadas, é aberto um processo ético-profissional, "no qual são asseguradas às partes direito à ampla de defesa e contraditório".

"Em caso de condenação, o acusado pode receber penalidades que vão da advertência confidencial até a cassação do seu CRM. Esse processo corre no âmbito do CRM. Após a decisão, caso esteja insatisfeito com o resultado, qualquer uma dos envolvidos - denunciado ou denunciante - pode recorrer ao CFM, que funciona em grau de recurso", explica trecho do texto do Conselho Federal de Medicina.

O CFM não informou se há apuração em algum Estado referente a possível denúncia de médicos que compartilham tratamentos para a covid-19 sem respaldo científico.

Nesta semana, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Estado em que atuam muitos dos médicos que divulgam vídeos sobre remédios para a covid-19, emitiu um alerta sobre o tema. A entidade afirmou que a divulgação e "prescrição de medicamentos/protocolos informais e sem comprovação científica relevante, no contexto da covid-19, por meio de canais públicos, como redes sociais e imprensa, pode configurar infração ao Código de Ética Médica".

"Pela falta de evidências, o profissional não pode divulgar o tratamento com tais medicamentos como eficaz", diz o comunicado do Cremesp.

Nas redes, os médicos que compartilham vídeos nos quais defendem tratamentos contra a covid-19 negam que estejam cometendo qualquer irregularidade. Isso porque alegam que falar sobre o assunto é fundamental para informar a população sobre o tema, pois, segundo eles, os benefícios das medicações que defendem comprovam que há cura para a covid-19.

O impacto dos vídeos e publicações na rede

Médicos ouvidos pela reportagem relatam que esses vídeos de profissionais da saúde que defendem tratamentos sem comprovação científica têm mudado a rotina em consultórios. Isso porque eles consideram que essas publicações influenciam na opinião do paciente sobre os tratamentos contra a covid-19.

De acordo com uma pesquisa online da Associação Paulista de Medicina (APM), 48,9% dos médicos que estão na linha de frente contra a covid-19 afirmam que têm sido pressionados por pacientes ou familiares a prescreverem tratamentos sem comprovação científica.

Ainda segundo o levantamento, 69,2% dos médicos disseram que as fake news, informações sensacionalistas ou sem comprovação técnica interferem negativamente no combate ao novo coronavírus, pois podem incentivar as pessoas a minimizar ou negar o vírus, deixar de seguir recomendações de isolamento social ou não procurar serviços de saúde.

A pesquisa da APM, divulgada na semana passada, foi feita por meio de um questionário respondido por 1.984 profissionais que estão na linha de frente contra a covid-19 em todo o país.

Apesar das críticas de sociedades médicas, as lives e os outros vídeos que divulgam tratamentos para a covid-19 sem comprovação científica continuam se multiplicando pela internet.

A reportagem entrou em contato com representantes das redes sociais, que afirmam que estão atentos aos conteúdos propagados em meio à pandemia do novo coronavírus.

Não há um posicionamento oficial das redes sociais sobre os vídeos dos médicos que defendem tratamentos para a covid-19 com medicamentos que não têm, ao menos por enquanto, comprovação científica. Enquanto outros tipos de publicações recebem alertas nas redes ou até são apagadas por propagar notícias falsas ou duvidosas sobre o novo coronavírus, os compartilhamentos sobre tratamentos sem comprovações científicas se propagam sem qualquer interferência.

17
Jun20

Deputado bolsonarista invade hospital na Bahia e ameaça prender funcionários em ala com paciente nua

Talis Andrade

 

247 - O deputado estadual Alden (PSL), que é capitão da polícia militar, invadiu o hospital de campanha Riverside, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia, na tarde desta quarta-feira (17). O local é dedicado ao tratamento de pacientes com coronavírus. 

De acordo com o governo baiano, Alden de tal chegou acompanhado de seguranças, e aparentava estar armado. Ele também teria ameaçado dar voz de prisão aos funcionários. O Executivo estadual também disse que um dos seguranças que acompanhavam o parlamentar se posicionou na porta de um dos quartos, e teve acesso a uma paciente que estava com as partes íntimas expostas, pois tomava banho em seu leito. 

A invasão acontece menos de uma semana após Jair Bolsonaro, em live nas redes sociais, ter incentivado seus seguidores a invadirem hospitais e filmarem a oferta de leitos. 

De acordo com o secretário de Saúde da Bahia, Fabio Vilas-Boas, "é lamentável que um parlamentar, ainda mais sendo ele policial, cometa um atentado contra a paz de um ambiente hospitalar, onde pacientes isolados estão sofrendo e lutando por suas vidas". Os relatos foram publicados na coluna Painel.

"É lamentável que o deputado e os seus seguranças coloquem em jogo a própria saúde, sob risco de serem infectados com à Covid-19, bem como a de pacientes e profissionais", disse a administração estadual, em nota.

Um boletim de ocorrência foi registrado para a apuração do crime cometido.

 

 

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