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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

20
Jul20

“A Lava Jato foi desde o começo uma máfia”

Talis Andrade

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por Amanda Massuela

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“Ideias envenenadas e juízes corruptos no lugar de bombas e balas”. Essa frase, que abre um dos capítulos do novo livro de Jessé Souza, Guerra ao Brasil (Estação Brasil), resume o conceito de soft power, utilizado pelo sociólogo para explicar a dominação estadunidense moderna. Trata-se de um imperialismo indireto ou informal, baseado no poder simbólico de ideias e valores que se prestam à expansão econômica do capital estadunidense, no caso. “Não existe exploração econômica duradoura se a inteligência do oprimido não for colonizada”, escreve.

Lava Jato, segundo ele, é resultado desse processo, no qual o discurso da corrupção é utilizado tanto para fragilizar instituições quanto a imagem que o brasileiro tem de si. São ideias que, de acordo com o autor, encontram respaldo na ciência, e por isso são tão poderosas. Ele cita Talcott Parsons, nos Estados Unidos, e Sérgio Buarque de Holanda, no Brasil, como expoentes de uma “pseudociência culturalista cujo fim é legitimar situações de dominação”.

A crítica a Sérgio Buarque não é inédita e aparece em A elite do atraso (2017), livro em que apontou pela primeira vez a influência estadunidense na Lava Jato. “Moro ia para os Estados Unidos aprender com o FBI desde 2007. Isso foi montado. A Lava Jato foi desde o começo uma máfia”, diz em entrevista à Cult, por videoconferência. No início de julho, uma série de reportagens da Pública em parceria com o Intercept comprovou a proximidade entre a operação, Polícia Federal, procuradores e FBI. 

 


Você vem afirmando que há influência americana na Lava Jato desde pelo menos A elite do atraso (2017), ideia que muitos consideraram uma “teoria da conspiração”. O que te levou para esse raciocínio?

O estudo de autores que me ensinaram a perceber como o jogo da estratégia política e social funciona. O que eu tentei mostrar foi exatamente como a ciência hegemônica no Brasil – percebida como crítica e verdadeira apenas porque aponta o dedo para a corrupção estatal – é no fundo um mecanismo de dominação. O que acontece com a Lava Jato é que ela assume uma forma judicial de uma espécie de representação de um partido extraparlamentar, que se utiliza mafiosamente das estruturas do Estado. São máfias na Polícia Federal, no Ministério Público e na Justiça que, junto com a imprensa – boca da elite financeira -, queriam tirar o PT do poder. Para isso, era preciso destruir esse projeto de forma extra-eleitoral, dada a hegemonia eleitoral petista, e a Lava Jato foi isso. O que fizeram com Lula foi feito exatamente nos Estados Unidos contra um senador do Alasca, Ted Stevens, um caso que foi reconstruído pelos advogados de Lula. [procuradores do Departamento de Justiça americano pretendiam implicar Stevens em um caso de corrupção tendo como base uma reforma de 200 mil dólares que este havia realizado em seu chalé no Alasca. Foi inocentado em 2009]. Se você vê a mesma estratégia sendo aplicada no Brasil, por que vai precisar de um print do Telegram para acreditar? Claro que agora isso foi levado para o olhar leigo, para o grande público, que confia mais nesse tipo de prova, mas a gente não precisa depender disso porque mesmo sem acesso às mensagens é possível traçar uma cadeia causal, uma vez que a estratégia é a mesma. (Continua)

17
Fev20

Peça 2 – o relatório Mentor e Dario Messer

Talis Andrade

 

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Xadrez das suspeitas do doleiro que encantava procuradores

por Luis Nassif

Na CPMI do Banestado, houve conflito entre os parlamentares, o que resultou em dois relatórios. Um deles teve como relator o deputado José Mentor (PT-SP). Nele, o nome de Dario Messer é mencionado 276 vezes e apontado como o cabeça central do esquema de doleiros em torno do Banestado.

O relatório se baseou em informações enviadas por autoridades americanas.

Página 180 – menciona as transferências de Messer para o exterior através da Real Cambio, que operava com “autorização especial”  do Banco Araucária, principal instituição do escândalo das contas CC5;

Página 233 – menções a Messer pela diretora de câmbio do Araucária.

Página 327 – a principal operadora externa do caso Banestado, a conta Bacon Hill, da Bacon Hill Service Corporation, da família Anibal Contreras, foi financiada por Messer. A revelação foi do próprio Anibal Contreras. Além disso, Messer controlava as contas Midler e Rigler e participava da Depolo Corporation, empresa com conta no Banco MTB de Nova York, e que recebeu mais de US$ 400 milhões de transferências de contas de diversas agências do Banestado.

Página 340 – identifica os seis doleiros com atuação mais efetiva, entre eles Alberto Youssef, Dario Messer e Toninho Barcelona.

Página 342 – aponta Messer como um dos maiores doleiros do país. E diz que seu nome é sempre lembrado quando se trata de contrabando de diamantes e pedras preciosas.

Página 343 – descreve o depoimento de Contreras a autoridades americanas. Diz que ele e Messer foram sócios do Banco Dimensão (de grande envolvimento no Escândalo dos Precatórios). Admite também ter sido financiado por Messer.

Página 345 – reportagem do Jornal do Brasil, de 20/04/2003, sobre o envolvimento de Messer com o escândalo dos fiscais do Rio de Janeiro. A matéria diz que a PF tinha informações sobre contas de Messer nos EUA. Fala de seu envolvimento com o escândalo dos precatórios.

Página 351 – o papel do Banco Dimensão no esquema de doleiros. Depois, seu fechamento e substituição pela FPLM Participações Ltda. Mostra o envolvimento da família no escândalo da Máfia o INSS, no início dos anos 90, que desviou mais de Cr$ 64,8 bilhões.

Página 373 – procuradores da Força Tarefa do Banestado, Vladimir Aras e Carlos Fernando Lima, conseguiram depoimento de ex-gerente do Merchants Bank, na qual ela indica que Messer era sócio de Setton.“Apesar de ‘Nolasco, ter dito apenas Messer e não Dario Messer, isso não modifica a logica que leva a Dario como líder da maior quadrilha de doleiros do Brasil na última década. Além da historia de Dario e de seu pai, Mordko, publícada pelas colunas ,sociais dos jornais, esta Comissão tem dados que, confrontados com o depoimento de Nolasco, não deixam duvidas quanto a quem é e a importância do papel que, Dario exercia – ou ainda exerce – no esquema criminoso”. [Continua]

 

 
16
Fev20

Xadrez das suspeitas do doleiro que encantava procuradores

Talis Andrade

Todos os procuradores de roupa nova

Peça 1 – o histórico de Dario Messer

Mas as informações confirmam as suspeitas que o GGN, e outros sites independentes, divulgaram desde 2015, e que foram solenemente ignoradas pela mídia, sobre os advogados da delação premiada. A blindagem da mídia sobre a Lava Jato era tão formidável que passou aos procuradores a sensação da impunidade perpétua. Ganharam poder absoluto, porque as suspeitas contra eles eram jogadas no caldeirão geral do petismo.

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