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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Ago18

São mais de cem tribunais. Aparece uma nova juíza contra Lula

Talis Andrade

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 TRF- 4, em Porto Alegre

 

A cada notícia sobre a prisão de Lula, o aparecimento de um desconhecido nome de magistrado. Uma impressionante mostra de que o Brasil tem juízes de sobra.

 

São mais de cem tribunais com suas cortes luxuosas. Os palácios da justiça são os mais suntuosos, vistosos, deslumbrantes das capitais brasileiras. Nenhuma universidade tem tanta imponência.

 

O País gasta uma fortuna com essa gente togada. Bando de parasitas regiamente pagos.

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Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre

 

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Tribunal de Contas, em Porto Alegre

 

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 Tribunal Militar, em Porto Alegre

 

A juíza federal Bianca Georgia Cruz Arenhart, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), rejeitou pedido apresentado pelo Partido de Trabalhadores (PT) para que o ex-presidente Lula participe de debate eleitoral televisionado. Preso desde abril deste ano após condenação de 12 anos e 1 mês de reclusão, em segunda instância, o petista pretendia participar da sabatina organizada pela TV Bandeirantes e marcada para a noite da próxima quinta-feira (9/8).

 

No pedido, o PT recorre de decisão da juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução penal de Lula, e que já havia negado pedidos de participação em atos de campanha. No agravo, a sigla argumenta que "o cerceamento precário a liberdade do reeducando não tem envergadura para lhe afastar a liberdade de expressão e que requerimentos de entrevistas representam afronta à liberdade de imprensa".

 

Ainda de acordo com o PT, "a Lei de Execuções Penais não proíbe a realização de atos de pré-campanha, não podendo o Judiciário então restringi-los; e a alegada dificuldade logística [para participação nos debates] não se respalda em atos motivados pelo órgão responsável pela custódia".

 

Além da participação na sabatina da TV Bandeirantes, o partido pedia permissão para que Lula — confirmado candidato à Presidência da República em convenção no último domingo (5) — participasse também de outros atos de campanha.

 

Para a juíza Bianca Arenhart, no entanto, não há amparo legal para o recurso do PT. "A agremiação política busca obter provimento jurisdicional precário sob a ótica da tutela recursal emergencial, instrumento fértil no Processo Civil, mas que não tem lugar no Processo Penal, tendo em conta disposição expressa em sentido contrário registrada pela Lei de Execuções Penais", afirma.

 

A magistrada alega ainda que "a decisão atacada pela via do agravo de execução penal enfrenta pedido genérico para a prática de atos de pré-campanha e, posteriormente, de campanha, como entrevistas e debates." "A indicação de realização de debate entre presidenciáveis, com a devida vênia, refoge ao escopo da decisão de primeiro grau, porquanto a pretensão de uma autorização geral para todos os casos e atos que o reeducando pretende praticar extrapola a cognição específica com relação ao caso concreto", afirma com o mais douto e hermético juridiquês do golpe de 2016, que substitui o economês da ditadura de 1964. Vide aqui dicionário de juridiquês para entender os autos de fé da três vezes santa Santa Inquisição do douto Savonarola da corriola de Curitiba, formado nos serviços secretos de inteligência dos Estados Unidos contrários à política do Petróleo é nosso na Venezuela, na Bolívia, no Equador, no Brasil. 

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 Tribunal Eleitoral, em Porto Alegre

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Tribunal do Trabalho, em Porto Alegre 

 

 

27
Jul18

MORO BURLA SISTEMA DO CNJ E NÃO REGISTRA PALESTRA PARA JOÃO DORIA

Talis Andrade

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 Moro em Nova Iorque com os patrocinadores João Doria e Pedro Parente

 

 

 

Sergio Moro não registrou no sistema de transparência da Justiça Federal sua participação como palestrante em Nova York num evento promovido pelo Lide, empresa de "networking" e lobby fundada por João Doria e controlada até hoje pelo político tucano. Realizada em 16 de maio, a palestra de Moro no chamado Lide Brazilian Investment Forum contou com a presença de cerca de 190 analistas de rating, banqueiros, empresários e investidores, segundo informou a empresa posteriormente. O registro desse tipo de atividade é obrigatório para os magistrados.

 

A revelação é do repórter Ricardo Mendonça. A falta de registro é um desrespeito a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, em tese, deveria controlar a atividade dos juízes no país. A participação de juiz como palestrante, conferencista, moderador ou debatedor em evento privado é considerada "atividade de docência" e deve ser informada ao respectivo tribunal em até 30 dias. Serve para eventuais aferições de situações de impedimento -ou seja, para verificar se há conflito de interesse na presença do magistrado num evento, como foi o caso da presença de Moro num encontro de João Doria. O magistrado deve registrar a data de participação, tema da palestra, local do evento e entidade promotora - Moro escondeu sua participação do sistema do CNJ.

 

A Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou ao repórter que não possui registro da participação de Moro no evento. "Cabe informar, em complementação, que no período de 11 de maio a 19 de maio de 2018 o referido juiz federal esteve de férias", ressaltou. "À reportagem, sem analisar o caso específico de Moro, o CNJ afirmou que sua resolução sobre palestras de magistrados 'não faz exceção' para os que estão em férias", escreveu Mendonça.

 

A listagem das cinco palestras registradas de Moro em 2018 no site da Justiça Federal do Paraná exibe tema, data e local de cada evento, mas, diferentemente do que determina o CNJ, não há qualquer informação sobre quais foram as entidades promotoras. Sem a indicação do organizador ou contratante da palestra, ou seja, daquelas organizações ou pessoas que financiam a atividade, o "sistema de transparência" fica opaco e impede uma avaliação mais precisa de uma situação de suspeição.

 

A assessoria de imprensa de Moro afirmou em nota, a título de explicação, wue ele não inseriu a palestra ao grupo de João Dória no sistema do CNJ por falta de tempo.

 

Tem mais: A Petrobras patrocinou o evento internacional da Lide. Falta saber, através da Lide, que empresas financiaram a palestra e noite de gala de Sergio Moro em Nova Iorque. Se na lista aparecem acionistas estadunidenses da Petrobras, empresas petroleiras que já participaram de leilões do Pré-Sal, empresas e pessoas investigadas pela Lava Jato. A partir de uma notícia no 247

 

 

26
Jul18

Bahia compra 80 carros por R$ 7, 490 milhões para 60 desembargadores

Talis Andrade

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O presidente do TJ baiano, Gesivaldo Nascimento. Toyota foi a vencedora da licitação

 

 

O Tribunal de Justiça da Bahia fez uma licitação para comprar 80 novos automóveis para o uso de seus desembargadores. O processo foi conduzido pela administração do presidente do TJ baiano, Gesivaldo Nascimento Britto, e vai custar R$ 7,490 milhões.

 

Eta vida maneira e luxuosa na Bahia de Todos os Santos e de todos os pecados.  

 

Cada carro deve ser de “tipo executivo”, modelo 2018, ter capacidade para até 5 pessoas, cor preta, biocombustível e com 4 portas.

 

A vencedora da licitação foi a montadora Toyota. Não está claro qual será o modelo exato a ser fornecido. Cada uma das 80 unidades deve custar em R$ 93.625.

 

Eis o aviso de homologação do resultado da licitação, publicado no dia 19 de julho de 2018, no “Diário de Justiça” da Bahia:

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O TJ da Bahia troca os veículos que servem os desembargadores (eis a lista dos 60 magistrados) com alguma frequência. Em 2014, os carros de luxo foram comprados da montadora Renault. Agora, 4 anos depois, haverá mais uma renovação completa. Os juízes baianos não ficaram satisfeitos com o carro da fabricante francesa, sobretudo porque muitos foram entregues com atraso.

 

Os novos automóveis dos desembagadores baianos serão conduzidos por motoristas contratados de maneira terceirizada, segundo o site Licitação.net. Segundo o Bahia Notícias, o “Tribunal de Justiça da Bahia também se prepara para a contratação de motoristas. O valor do contrato, com uma empresa terceirizada, poderá chegar a R$ 22 milhões por um ano, com aportes mensais de R$ 1,8 milhão, conforme cotações de mercado. O valor é o máximo que o tribunal poderá gastar com a terceirização do serviço”.

 

 

13
Jun18

Quantas empresas estão blindadas e presos a viver no luxo e na luxúria por decisão de Moro?

Talis Andrade

Moro apela ao direito americano para bloquear investigações contra empresas e delatores da Lava Jato

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 Ilustração Marilena Nardi

 

 

O juiz Sergio Moro impôs uma trava à atuação de órgãos de controle e do governo federal, proibindo o uso de provas obtidas pela Lava Jato contra delatores e empresas que reconheceram crimes e passaram a colaborar com os procuradores à frente das investigações, diz a Folha.

 

A decisão de Moro, que conduz os processos do caso em Curitiba, foi proferida no dia 2 de abril e atinge a AGU (Advocacia-Geral da União), a CGU (Controladoria-Geral da União), o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o Banco Central, a Receita Federal e o TCU (Tribunal de Contas da União).

 

No despacho, que é sigiloso, o juiz altera nove decisões anteriores em que autorizara o compartilhamento de provas da Lava Jato com esses órgãos, que têm a atribuição de buscar reparação de danos causados aos cofres públicos e aplicar multas e outras penalidades de caráter administrativo.

 

Com a decisão, que atendeu a um pedido do Ministério Público Federal, o juiz blinda delatores e empresas contra o cerco dos outros órgãos de controle. Para os procuradores, a medida é necessária para evitar que a insegurança jurídica criada pela falta de coordenação entre os vários órgãos de controle desestimule novos colaboradores, prejudicando o combate à corrupção.

 

Moro admite que não há jurisprudência sobre o tema no Brasil e recorre ao direito americano para embasar sua opinião, argumentando que nos Estados Unidos “é proibido o uso da prova colhida através da colaboração premiada contra o colaborador em processos civis e criminais.”

 

Reportagem de Gil Alessi, no El País (março deste ano), informa: "Delatores da Lava Jato: penas menores do que o previsto e patrimônio mantido.

 

Executivos e doleiros que colaboram com a Justiça firmam acordos para manter patrimônio obtido de forma ilícita.

 

Enquanto presos comuns se amontoam em cubículos, empresários, diretores e doleiros que firmaram acordos de colaboração premiada com a Justiça no âmbito da Operação Lava Jato vivem uma realidade bem diferente.

Responsáveis por desvios milionários, pagamentos de propina a agentes públicos, lavagem de dinheiro, formação de cartel entre outros crimes que lesaram os cofres públicos, eles negociaram com o Ministério Público Federal acordos nos quais puderam manter parte do patrimônio obtido muitas vezes de forma ilegal, além de terem as penas reduzidas além do que prevê a lei de colaborações.

Hoje muitos estão em coberturas de luxo e condomínios abastados cumprindo suas penas. O juiz Sérgio Moro já condenou, até o momento, 87 pessoas, e no total a Lava Jato firmou mais de 140 acordos de delação.

 

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 Ilustração Anne Derenne

Com informações da Folha de São Paulo, El País da Espanha, DCM e Nocaute

12
Jun18

Sala VIP do STF só no aeroporto de Brasília custa 374,6 mil

Talis Andrade

Pela bagatela de R$ 374,6 mil por ano, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) terão uma área especial de embarque no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. Os integrantes da Corte tinham uma outra sala, no terminal de passageiros, mas o STF entendeu que era preciso garantir a proteção dos ministros. O novo espaço foi contratado em julho do ano passado.

 

Na Sala Vip antiga, os ministros já eram dispensados da fila do check in, mas se juntavam aos pobres mortais passageiros no momento do embarque no portão determinado pela companhia aérea. Agora, a Suprema Sala Vip, no Terminal 2, fica a dois quilômetros do caminho de outros passageiros, e permite que os ministros aguardem pelo momento do embarque protegidos.

 

Daí são levados de van até o local onde está o avião da companhia aérea. São embarcados por escada lateral no finger e não precisam mais percorrer corredores intermináveis usados por passageiros e muito menos aguardar pela chamada para embarque no saguão de frente ao portão onde está a aeronave.

 
 

Como justificativa está a notoriedade que os ministros ganharam nos últimos anos e que cresceu desde o advento da Lava Jato, integrantes hostilizados por ‘militantes’. Fachin, relator da Lava Jato, diz o jornal O Globo, revelou em março que havia pedido auxílio da Polícia Federal para investigar ameaças dirigidas à sua família. Não foi no aeroporto. Mas ele anda com seguranças até hoje.

 

O Supremo se justifica, em nota, informando que a nova área entrou em cena depois que o antigo contrato de aluguel da sala de espera do tribunal, dentro do aeroporto, venceu. Segundo a nota, o Supremo teria tentado se desfazer da sala, mas assegurando as credenciais de segurança para acesso livre às áreas restritas do aeroporto. O que foi negado. Publicado no Jornal GGN. O STF não revelou quem negou as crendencias de segurança. Ninguém sabe que diabo o STF chama de credencias de segurança, quando vivemos em uma ditadura do judiciário.

 

Comenta Emanuel Cancella:"Essa história de sala VIP para o STF é para quem quer se esconder da sociedade. O ministro Gilmar Mendes e o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima já foram submetidos a teste de chão de fábrica. Gilmar foi saudado por uma chuva de tomate e Lima foi hostilizado no avião".

 

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23
Ago17

Os salários de luxo da justiça

Talis Andrade

Quando um juiz ou desembargador pratica uma corrupção - venda de uma setença, de um habeas corpus para um bandido, de um despejo coletivo da especulação imobiliária, de super, super faturado precatório com correção monetária, o engavetamento mil de processos - é punido, ou melhor dito, beneficiado com uma aposentadoria precoce. E continua sendo o mais bem pago funcionário das cortes palacianas da justiça, de um País Sem Males, a parasidíaca Hiz Brazil.   

 

Receber salário acima do teto, violentando a Constituição deixou de ser crime. Passou a ser legal, legal demais para quem recebe. 

 

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BRESSER-PEREIRA EXPLICA COMO JUÍZES E PROCURADORES VIOLARAM O TETO CONSTITUCIONAL, QUE ELE AJUDOU A CRIAR

 

“Teto” e captura do patrimônio público

 

Nesta semana a remuneração dos magistrados afinal se transformou em escândalo. O jornal O Estado de S.Paulo informou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso autorizou o pagamento de cerca de meio milhão de reais a um juiz. Naturalmente o juiz se defendeu afirmando que tinha direito ao montante recebido porque ele se refere a vantagens legais que deixou de receber. Ao mesmo tempo, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, assinou portaria que obriga os tribunais de todo o país a publicarem a folha de pagamento dos magistrados de forma detalhada incluindo todos os benefícios.

 

Parece uma boa reação do Poder Judiciário à captura do patrimônio público que continuam a fazer altos servidores públicos, principalmente juízes e procuradores. Parece, mas não creio que seja. O que o Supremo Tribunal Federal deveria fazer é tornar efetivo o teto de remuneração dos servidores públicos que a emenda constitucional 19, de 1998, estabeleceu.

 

Nessa emenda cujo autor original fui eu, em minha qualidade de então ministro do Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, foi estabelecido o “teto” dos servidores públicos: a remuneração dos membros do Supremo Tribunal Federal da época. Fizemos então um grande esforço para que ficasse claro que esse teto era “absoluto”, ou seja, incluía toda e qualquer vantagem recebida pelo servidor. Leia mais

 

 

 

08
Ago17

Os marajás do TJSP, o maior tribunal do mundo

Talis Andrade

O Tribunal de Justiça de São Paulo o mais inchado do mundo com 360 desembargadores e uma vida de luxo.

 

Cada gabinete de desembargador uma invejada corte, em deslumbrantes palácios (conheça um deles), colorida por incontáveis funcionários, notadamente as Marias Antonieta, Candelária, e estagiárias recrutadas pela beleza e/ou nome de família. 

 

Tenho listados vários escândalos aqui

 

Publica hoje a Gazeta do Povo: Com adicionais ao salário como indenizações, gratificações e as chamadas “vantagens pessoais e eventuais”, 718 de um total de 2.536 juízes e desembargadores da Justiça de São Paulo receberam líquido, em junho, mais do que a maior remuneração entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) naquele mês – R$ 44,3 mil. Em média, esses magistrados receberam R$ 52,6 mil líquido, contra os R$ 33 mil pagos aos 11 ministros do Supremo.


Considerando o rendimento bruto, 569 juízes e desembargadores da Justiça Estadual de São Paulo receberam mais do que a maior renda do Supremo (R$ 57,5 mil), numa média de R$ 66,4 mil, enquanto os ministros do STF ficaram na média de R$ 48,5 mil.


O subsídio (salário básico) dos desembargadores (de R$ 30,4 mil) corresponde a 90,25% da remuneração dos ministros do STF (R$ 33,7 mil), que fixa o teto remuneratório do serviço público. O total de crédito de juízes e desembargadores é ampliado com indenizações por férias e licenças-prêmio não usufruídas, auxílio-moradia, antecipação de parcela do 13º salário, abono permanência, serviço extraordinário, pagamentos retroativos – rubricas que não se sujeitam à aplicação do teto remuneratório, segundo declaração do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) à Gazeta do Povo. Ministros do STF também recebem adicionais como terço de férias, antecipação do 13º e abono de permanência.


A folha de pagamento de junho do TJSP – R$ 122,6 milhões – foi a menor do ano. As maiores foram as de fevereiro – R$ 154,8 milhões – e de janeiro – R$ 159,1 milhões. Em seis meses, elas somaram R$ 823,6 milhões.


Entre os adicionais, o maior peso vem das “vantagens eventuais”, com R$ 272,8 milhões nesse período. Estão incluídos nesse item pagamentos como abono de 1/3 de férias, indenização de férias, licença-prêmio ou compensação de horas credoras não usufruídas por necessidade de serviço, antecipação de férias, serviço extraordinário, substituição, pagamentos retroativos e Parcela Autônoma de Equivalência (PAE), que corresponde a diferenças salariais relativas ao período de 1º de setembro de 1994 a 31 de dezembro de 1997. Leia mais aqui, e conheça as onze maiores remunerações do TJSP, a remuneração dos onze ministros do STF e o rendimento dos juízes de São Paulo este ano in reportagem de Lúcio Vaz. 

 

Acrescente que o Brasil tem a justiça mais cara do mundo, e os que têm sede de Justiça precisam solicitar a um juiz o humilhante e degradante  atestado de miserabilidade

15
Jul17

Casamento ostentação da deputada filha do ministro da Saúde

Talis Andrade

A deputada estadual Maria Victória Barros (PP), filha do ministro da Saúde, Ricardo Barros, e da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, foi alvo de protestos no dia de seu casamento em Curitiba (PR). Veja vídeos 

 

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 ... A plebe rude não convidada 

 

 

O escracho no casamento foi um protesto contra as reformas do governo Temer, apoiadas pela família Barros, e uma forma de escancarar a “ostentação” da cerimônia, feita em uma igreja de escravos e com festa em estrutura considerada ilegal.

 

A ação começou por volta das 18h30, com batucada, faixas, como a com a frase “Deputada do camburão tem casamento ostentação”, “Viemos brindar a sua boa vida”, e palavras de ordem como “Golpistas”, “Fora Beto Richa” e “Chega de deboche, eu quero o meu brioche”.

 

 

Pelo menos 15 viaturas da polícia militar e integrantes da Tropa de Choque foram ao local para garantir a “segurança” da cerimônia e atacaram os manifestantes com balas de borracha, spray de pimenta e cassetetes. Ao menos uma pessoa ficou ferida e o protesto, após a intervenção policial, foi dispersado. Veja fotos 

 

Maria Victoria é mais um zero à esquerda que vive do dinheiro da família, ou seja, público. Ficou conhecida ao defender o pai no Facebook quando este pediu o corte de bilhões destinados ao Bolsa-Família.

 

“É triste ver o governo federal dando o peixe, ao invés de ensinar a pescar”, escreveu na época a filha, neta, irmã e sobrinha de políticos. Um triunfo da meritocracia.

 

Eles são donos de Maringá, terra de Sergio Moro. Maria Victoria precisa saber que é odiada pela população que finge representar. Odiada e desprezada. Leia mais 

 

 

 

 

 

15
Jul17

A revolta de Garibaldi e o pesadelo dos Barros

Talis Andrade

por Manolo Ramires

Fotos Théa Tavares

Pinga Fogo e Crônicas Curitibanas

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É quase certo, por outro lado, que muitos repudiam a manifestação em momento tão sagrado. Principalmente os escribas e suas penas digitais.

 

Era uma vez, uma bela jovem, cujo sonho era se casar de princesa em um lindo palácio. Seu sonho se concretizaria quando sua mãe fosse alçada ao cargo de duquesa das Araucárias, tornando-se parte do ducato dos Richas, e seu pai conquistasse o título de Dom Ministro da Saúde, patrono das empresas privadas, na Era Temer, um monarca voltado para agradar a aristocracia Cisnes Amarelos.

 

Como se fosse o seriado “Once Upon a Time”, o passado e o presente se confundem belamente. A noiva aluga sua pequena catedral no centro da República de Curitiba, terra das Araucárias imperiais, e em seguida recebe os convidados no Palácio Garibaldi, no nostálgico Largo da Ordem.

 

Na adaptação, a carruagem movida a puros sangues cede lugar a um elegante modelo branco clássico da marca Rolls Royce Silver Wraith 1955. Uma limusine que passou a ser produzida após a II Guerra Mundial para transportar chefes de estado. As taças e talheres são do mais fino cristal e fina prata com toques dourados. Os fraques são substituídos por belos ternos cortados e camisas e gravatas de seda. Já as damas trocam os vestidos de grandes frisas por peças justas e decotadas que possam evidenciar corpos esculpidos em salas de tonificação dos músculos contemporaneamente conhecidas como academias.

 

No centro disso tudo, a noiva, linda, jovial, com a face mais branca do que a carne de uma maçã gala. Seu longo vestido branco é bem comportado, como se recomenda a uma dama da sociedade. As transparências dão lugar a delicado bordado em volta do dorso que disputa atenção apenas com os lábios discretamente delineados. A sobriedade se completa com o véu que remete a uma coroa cristã pintada pelos mais zelosos florentinos. É a imagem da santa vitoriosa, como o nome da noiva indica, sobre todos os percalços que a vida impõe nessa matilha que é a Ilha de Vera Cruz.

 

Contudo, os fantasmas dos Garibaldis não gostaram de tanto ostentação da nobre corte paranaense em um momento de sacrifícios e dores para o povo. A celebração ocorreu na semana em que direitos trabalhistas foram retirados em massa, devolvendo os labutadores quase cem anos no tempo. Na semana em que o grande monarca Michel Temer, que usurpou o poder da presidente Dilma Rousseff, uma espécie de princesa Merida tupiniquim, era salvo de denúncia de corrupção por vassalos parlamentares em troca de moedas e emendas de ouro. Na semana em que o proletário Lula, o presidente libertador da fome do povo, era condenado sem provas por um inquisidor Moro. Tudo isso reunido fez com que os Garibaldis lançassem uma maldição: “Seu casamento será lembrado na história como a ‘noite das ovadas’ e a desforra aos Barros”. Eis a data: 14 de julho de 2017.

 

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Pobre noiva, pensaram uns. Que males podem cair sobre seus ombros para merecer tal infortúnio e reprovação dos plebeus? Desavisados desconhecem que a noiva pertence a um clã cujas riquezas aumentam na medida que o pão e o circo faltam aos populares

 

Ela é filha da duquesa que chancela o governo dos Richas quando esse toma a aposentadoria dos servidores, aumenta impostos e distribui os lucros entre os ricos do condado paranaense. Já seu pai traiu o governo que participava apenas para ganhar um novo título e mais poder. Dom Barros – o doente – é capaz de cortar recursos do sistema de saúde que atende a população e ainda falar que os médicos têm preguiça de trabalhar. Para ele, se cogita, uma peste negra seria um importante aliado na redução da demanda por atendimento público.

 

A própria princesa noiva também tem seus devaneios. Ela, cujo primeiro labor já foi na corte dos deputados, votou por tirar benefícios dos mais pobres no programa conhecido como Bolsa Família. Contrariando seu santo nome e toda a proximidade que carrega com os mais humildes, Maria Victória disse que ao povo não se pode dar nada, mas ele deve lutar para conquistar, como se a pobreza fosse uma punição divina.Contra auxílios moradias de togados, evidentemente, sua cândida voz não se levanta. Foram insanas palavras ditas por uma dama que é transportada por carruagens brancas, mas também por veículos grandes e pretos, conhecidos como caveirões, para votar pela retirada de direitos daqueles que jurou servir.

 

A reação da plebe a corte é quase natural. É a resposta à dama que pesquisava vestido de noiva em abril de 2015 enquanto ao povo a polícia distribuía bombas e gás de pimenta para impedir que eles impedissem a votação que lhes tomara R$ 2 bilhões de seus cofres. Dessa vez, no entanto, as bombas deram lugar ao véu de ovos e a opulência da data está marcada pela vulgaridade de quem escolhe governar zombando de seu povo. Pobre é a elite que acredita poder se fechar em castelos e distante da ralé.

 

É quase certo, por outro lado, que muitos repudiam a manifestação em momento tão sagrado. Principalmente os escribas e suas penas digitais. Mas também é quase certo que se dependesse desses, Dom Pedro I não teria dado seu grito às margens do Ipiranga, a República não teria sido instalada em 1889 e tampouco teria sido abolida a escravidão que agora retorna – once upon a time – transvestida de modernização das leis trabalhistas e pejotização. Enfim, tudo ao seu tempo e com sua história de uma estória que não tem nada de conto de fadas.