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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Jul21

Campanha Lula Livre Brasil Livre

Talis Andrade

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O Comitê Nacional Lula Livre Brasil Livre impulsiona uma nova fase em torno da defesa de um projeto de nação, mantendo a vigilância em torno de qualquer ameaça antidemocrática contra Lula e contra o Brasil. Uma ampla unidade de forças sociais, entre movimentos populares, igrejas, partidos políticos, têm afinado o diálogo em torno da nova fase da Campanha, que conseguiu vitórias importantes no último período.

“Lula Livre Brasil Livre! Nós vamos continuar em vigília em relação aos processos que envolvem o ex-presidente Lula, nós vamos continuar denunciando o desmonte da economia promovido pela operação lava Jato e vamos continuar na luta por um Brasil livre da fome, do desemprego, da ameaça antidemocrática e por vacina em massa para todos os brasileiros”, declara Márcio Macedo, vice-presidente do Partido dos Trabalhadores.

De Norte a Sul do Brasil, a hora é de um diálogo mais amplo: a necessária construção de um Brasil Livre, da fome, livre do desemprego, das ameaças antidemocráticas e imperialistas. Esta nova fase induz a uma integração permanente ainda mais forte com as frentes de luta que congregam as forças populares, como a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo e a Campanha Fora Bolsonaro.

“Uma luta que já foi extremamente vitoriosa que uniu todas as forças da esquerda e eu penso que deva continuar por esse caminho. Lula Livre é, nas palavras de Walter Sorrentino, do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), uma luta pra ser assegurada sempre, “mas agora mais do que nunca ela se imiscui com essa grande luta que travam os brasileiros pelo Brasil livre, da crise, da fome, da miséria, do desmonte nacional, da dependência atroz, da desmoralização nacional que o governo Bolsonaro está propiciando”, explica. “O PCdoB conclama a esta luta!”, coloca Sorrentino.

Unidade para as lutas

João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), observa que “conseguimos, com toda essa luta dos últimos anos, libertar o companheiro Lula. Lula está livre, mas o Brasil não. Então agora nossa missão é termos Lula Livre e o Brasil também Livre. Livre da fome, livre desse insano genocida que já causou mais de 540 mil mortes, livre do desemprego e livre das desigualdades”. O dirigente conclama: “Nós mudaremos esse país com a força de todo o povo!”

“Devemos permanecer alertas, atentos, mobilizados. Se faz muito importante a participação dos Comitês Lula Livre Brasil Livre nas manifestações do próximo sábado, 24J, por Fora Bolsonaro e tudo que ele representa”, aponta Valério Arcary, da direção do Partido Socialismo e Liberdade.

Um novo ciclo de lutas se apresenta para a classe trabalhadora com a retomada das manifestações de rua em todo país. Seguindo todos os protocolos de cuidado sanitário, o povo decidiu recolocar seu projeto de nação no centro da disputa.

23
Jun21

O que pode explicar o nervosismo do presidente Jair Bolsonaro

Talis Andrade

 

Recepcionado em Guaratinguetá com gritos de “fora” e “genocida”, Bolsonaro teme muitas coisas que ainda estão por vir

 
 
O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro chegou ao ponto de ele não querer nem mesmo ouvir o que dizem a seu respeito, embora saiba o que é dito. Esse foi um dos motivos da sua explosão de fúria em Guaratinguetá, interior de São Paulo, quando tirou a máscara, encarou a repórter que lhe fizera uma pergunta, e sentiu-se tentado a agredi-la, para desespero de sua comitiva.
 

Não sobrou só para a repórter. Sobrou acima de tudo para o militar responsável por sua segurança. O que Bolsonaro disse a ele não se escreve nem se publica. Contada por um membro da comitiva presidencial a um deputado federal do Centrão que apoia o governo, a história foi passada adiante porque era muito boa para ser guardada. Quem a ouviu na Câmara ficou estupefato.

Bolsonaro chegou a Guaratinguetá sob a pressão de muitos fatos negativos para ele. No sábado, mais de 700 mil pessoas foram às ruas de todas as capitais do país pedir seu impeachment e mais vacinas. Pesquisa de intenção de voto aplicada por uma empresa americana indicou que ele seria derrotado com folga por Lula se a eleição presidencial tivesse acontecido há 15 dias.

Àquela altura, Bolsonaro já sabia que a CPI da Covid-19 dispõe de informações sobre a compra superfaturada da vacina indiana, e do envolvimento na negociata do líder do seu governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR) e de servidores do Ministério da Saúde, à época comandado pelo general da ativa Eduardo Pazuello, agora com gabinete no Palácio do Planalto.

Para um presidente que nega a existência de corrupção em suas proximidades, isso pode ser péssimo. Como péssimo é carregar no colo um ministro investigado por contrabando de madeira nobre da Amazônia, no caso o do Meio Ambiente, seu queridíssimo Ricardo Salles. Bolsonaro teme que a qualquer momento, o Supremo Tribunal Federal possa afastar Salles do cargo.

Não é só o que teme, e o que o levou a livrar-se das algemas que o prendiam ao modelo de presidente relativamente contido, fantasia que veste e desveste de acordo com o pulsar das crises provocadas por ele mesmo. O ex-governador Wilson Witzel, do Rio, prometeu revelar segredos em uma sessão secreta da CPI da Covid ainda a ser marcada. E nenhum deles será favorável a Bolsonaro.

Tem mais o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, a queixar-se dia sim e o outro também, de ter sido marginalizado por Bolsonaro. De tanto dizer, demarca-se dele ostensivamente para – quem sabe? – estar pronto ante a eventualidade de ter de substituí-lo. Bolsonaro desconfia da própria sombra, quanto mais de ex-companheiros de farda.

Não os perdoa por tê-lo defenestrado do Exército por mau comportamento, e pela humilhação de não ter podido sequer matricular seus filhos em colégios militares.

30
Mai21

Capitã Cloroquina: o tênis e o pênis do Fon-fon

Talis Andrade

por José Ribamar Bessa Freire /Taqui Pra Ti

- - -

Essa versão cearense daquela piada manjada e preconceituosa aconteceu de verdade na Praia de Iracema, em Fortaleza, a antiga Praia do Peixe. Taí minha irmã Tequinha que não me deixa mentir. Ou deixa? Da varanda de sua residência de veraneio, ela viu quando uma jovem senhora que passeava no calçadão parou na Ponte dos Ingleses para curtir o pôr do sol e foi logo abordada por Chico Feitosa, figura popular que vendia aos banhistas água de coco e até protetor solar, competindo com um batalhão de vendedores ambulantes. 

Chiquinho Feitosa tinha o lábio leporino ou “goela de lobo”. A fissura no lábio superior, agravada por um buraco no céu da boca, atingia a base do nariz, o que dificultava a pronúncia especialmente das consoantes bilabiais. Não se ofendia com o apelido de Fon-fon, mas a situação piorou quando um câncer de alto risco se instalou em sua próstata.  Para controlar a doença que podia ser mortal, um cirurgião extraiu-lhe os testículos. A crueldade da turba enriqueceu o apelido: Fon-fon Capado. Tristonho e macambúzio, consultava todos os médicos que passavam pela praia para tentar recuperar o bem perdido que lhe haviam cortado.

Foi aí que naquele belo entardecer o Fon-fon cruzou com a pediatra neonatologista Mayra Pinheiro, bastante conhecida naquela praia. Numa manifestação pública em 2013, ela havia gritado raivosa aos médicos cubanos que voltassem “para a senzala”. Um ano depois se candidatou a deputada federal e em 2018 ao Senado (Partido Novo, vixe vixe), sendo derrotada em ambas com votação inexpressiva. O Fon-fon, seu cabo eleitoral, distribuíra gratuitamente “santinhos” na praia. Agora, perguntava de que maneira ela podia retribuir, ajudando-o a reaver o falo ausente.

A fala e o falo

 A Tequinha, que quase não é fofoqueira, nada ouvia de onde estava. Despachou seu filho Fabico, jornalista, como enviado especial, para fazer a cobertura daquele encontro na Ponte dos Ingleses. Ele desceu rapidamente e acompanhou tudo. Reproduzo aqui aquilo que meu sobrinho apurou.

Mayra, conhecida como “Capitão Cloroquina”, receitou o remédio para curar a fala e o falo do fanho Feitosa. Tirou da bolsa Vuitton um vidro com um líquido espesso. Era uma “garrafada” em cuja composição entrava cloroquina, ivermectina, azitromicina, mel de rapadura e o caríssimo leite condensado de quartel. O “lambedor” prescrito para covid-19 curava ainda castração do pênis, lábio leporino, pereba no pé, maneba na mão, coceira no corpo e curuba não-digo-onde, além de frieira, febre aftosa e tristeza parasitária bovina. A “Garrafada da Mayra”, válida até as eleições de 2022, garantia no rótulo que trazia de volta a fala e o falo.

– Tome uma dose três vezes ao dia – ela recomendou.

O Fon-fon tomou logo a primeira lapada ali mesmo. Os dois caminhavam pela praia quando viram uma lâmpada na areia. A médica derramou sobre ela o líquido cloroquinado, transformando-a na lâmpada mágica de Aladin. De dentro dela saiu um gênio que se curvou diante do Chico Fon-fon:  

– Faz três pedidos, atenderei tuas súplicas.

Estimulado pela doutora Mayra, o Fon-fon, com sua fala sem consoantes como o “p” de Pazuello, rogou: 

– Um …into. Um …into.

O gênio pensou, pensou… e colocou ao seus pés um cinto. Fon-Fon sinalizou o equívoco do gênio e fez o segundo pedido com um sinônimo iniciado com o “c” de cloroquina:

–  Eu …ero um …aralho.

Quando viu diante dele o baralho, abriu o zíper da calça onde outrora residira sua “alavanca-de-arquimedes”, apontou pra lá e berrou desesperado o último pedido numa palavra que começava também com “p”:

– Um …ênis,

O gênio ouviu o “t” de Traticov e entregou-lhe o par de Nike Moon Shoe anunciado por Neimar antes de ser acusado de assediador.

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CPI e CTI

O episódio foi tão marcante que levou Mayra a ver pênis por todos os lados e até no Kremlin, visão compartilhada por Damares e Carlucho, colegas no gabinete das sombras. Durante seu depoimento na sessão desta terça (25), o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) exibiu áudio no qual Mayra, alucinada, acusa a Fundação Oswaldo Cruz – uma instituição respeitada no mundo inteiro – de ter “um pênis na porta” de sua sede. Nem Freud explica.

– Eu ouvi “tênis” – declarou o leniente presidente da CPI, Omar Aziz, cujos ouvidos similares aos do gênio da lâmpada foram herdados do seu avô árabe que falava “babai” por “papai”. De fato, os fonemas P & T distinguem significados de palavras em português, mas os meios eletrônicos podem dificultar a distinção entre eles e aí cada pessoa ouve de acordo com seus interesses e seus fantasmas. É por isso que, ao telefone, se faz necessário informar: “P” de “pato” ou “T” de “tatu”, para não transformar uma CPI em uma CTI.

No entanto, a aguerrida Capitã Cloroquina, atual secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, desdenhou a tentativa de contemporização do Omar Aziz e reafirmou com todas as letras que ela não era fanha e havia dito “pênis” mesmo, com “p” de Pazuello, tal como aparece no áudio:

–  […] Eles têm um pênis na porta da Fiocruz, todos os tapetes da porta são a figura do Che Guevara, as figurinhas são do Lula Livre, Marielle Vive. Então é um órgão que tem um poder imenso, porque durante anos eles controlaram a saúde do país através do movimento sanitarista que foi todo construído pela esquerda, eles mandam no Ministério da Saúde”.

Questionada por Randolfe se ainda concorda com o que disse na gravação, Mayra respondeu que sim, o que podia comprovar com o pênis inflável representado no logo da instituição.

O chá e a vacina

A fala despirocada da Capitã Cloroquina, ridicularizada no Brasil e no exterior, se auto propagou em memes e trendig topics no Twitter. É inacreditável ser sua protagonista a médica do Ministério da Saúde, cujo mentor é o Capitão Cloroquina, que após visitar comunidades indígenas em São Gabriel da Cachoeira (AM), recomendou nesta quinta (27) contra a covid-19 o uso de “chá de carapanaúba, saracura ou jambu usada pelos índios Balaios”, povo que não existe.

O que ele chamou rudemente de “Balaios” são vários povos de etnias, línguas e culturas diferentes: Tukano, Tuyuka, Baniwa, Baré Desana, Koripako, Kubeo, Piratapuya e Tariana, que vivem na Terra Indígena Balaio homologada pelo presidente Lula em 21/12/2009. No atual governo, não foi reconhecida nenhuma terra indígena.

O Capitão aproveitou sua visita para ironizar os conhecimentos tradicionais indígenas ao colocá-los no mesmo nível da cloroquina, que não tem eficácia comprovada e pode ser fatal quando usada por pacientes com covid:

– Você pode tomar o chá disso daqui e pode curar. Pode não curar também. Agora, se não tomar, vai para o beleléu” –  disse o Capitão Cloroquina, omitindo-se sobre a distribuição de vacinas aos índios.

Como escreveu Thomaz, outro sobrinho que me enviou a notícia, “a declaração do presidente da República pode levar a uma nova onda de preconceito em relação à medicina e aos saberes indígenas, que aparecem aqui descontextualizados”. Ele exibe aqui o seu projeto político des-educativo, não só nos modos, que não primam pela cortesia, mas pelos conteúdos anti-ciência em qualquer área do conhecimento.

O Capitão Cloroquina entrou em terra indígena sem estar vacinado, sem máscara, com uma comitiva igualmente negacionista, capaz de transmitir vírus e bactérias, demonstrando aquela competência que defendeu em discurso no dia 15 de abril de 1998, publicado no dia seguinte no Diário Oficial da Câmara:

– A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país”. 

A cavalaria está operando atualmente aqui. Os Yanomami e os Munduruku que vêm sofrendo frequentes ataques de garimpeiros ilegais estimulados por Ricardo Salles, ministro Contra o Meio-ambiente, sabem o que é essa “competência”. Os invasores estão usando armamento pesado, como metralhadora e outras armas liberadas por este (des) Governo.

O Brasil, sinceramente, não merece o Capitão e a Capitã Cloroquina, nem muito menos o seu “gordinho de estimação”. Eles representam a derrota da inteligência e do pensamento, a vitória do terraplanismo, da cloroquina e das armas.

Chico Feitosa, que agora vive jogando baralho, calçado com o tênis da Nike e ostentando um cinto de couro cor café com fivela dourada, acabou ofendendo as mulheres ao definir o atual mandatário:

– Ele é …ilho da …uta. Um …enocida.

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17
Abr21

"É preciso agora processar o vende-pátria Moro"

Talis Andrade

Sérgio Moro

247 – O líder do MST, João Pedro Stédile, avalia que a anulação dos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, repõe apenas parcialmente a justiça no Brasil. Segundo ele, é também necessário punir o ex-juiz Sérgio Moro, condenado por parcialidade pelo Supremo Tribunal Federal, e que, segundo reportagem do jornal francês Le Monde, trabalhou a serviço dos Estados Unidos e contra os interesses do Brasil.

"O STF confirmou a inocência do @LulaOficial e devolveu seus direitos políticos. Antes tarde do que mais tarde ou nunca! Agora, falta processar o vende-pátria do ex-juiz e ex-ministro e ex-tudo Sérgio Moro. Que se exile em Miami com a vergonha que está passando", postou Stédile em seu twitter.

João Pedro Stédile
@stedile_mst
Governo cortou 36 bilhões no orçamento do SUS para este ano. E o ministro da saúde, disse que isso não é problema! Santa paciência! Fora Bolsonaro! Vacina já para todos e todas!

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Vejam o nível da tragédia que estamos enfrentando. Durante a segunda guerra mundial, morreram 457 militares brasileiros da FEB. Agora no Covid, já perdemos 809 militares brasileiros, entre os 351 mil brasileiros. FORA BOLSONARO! Vacina já para todos e todas. O governo neofascista de Bolsonaro matou mais militares brasileiros do que os fascistas do Mussolini.

O Império americano é decadente, mas é cada vez mais violento. As eleições do Equador revelaram isso. Gastaram mundos e fundos e todas as táticas de Guerras Hibridas para eleger um dos seus, banqueiro e ex-CEO da coca-cola.+ Repetindo um cenário de 8 anos passados, no Mexico.O Equador teve sua economia dolarizada no período neoliberal.Quem controla a moeda e o banco central deles são os EUA diretamente, sem intermediários, como aqui. E tem muito petróleo e recursos naturais. E por isso sempre foi um pais com muita atuação da CIA.

A Petrobras, a bolsa e os cães de guerra – blog da kikacastro
Em março de 2019, participei da caravana do Lula pelo sul do pais.Em maio de 2019, o MPF de Curitiba, aquele mesmo da lava-jato, entrou com uma denuncia contra mim.
Com a seguinte acusação, por incitação pública ao crime de dano, por ter dito: "O primeiro é nós nos comprometermos a não deixar que a burguesia prenda o Lula. O segundo compromisso é vocês saírem de casa com spray e em cada muro escreverem ‘Lula inocente, Lula presidente". Nenhum juiz acolheu a denuncia e ficou parada. Ontem, os advogados foram notificados que o processo prescreveu. E todo mundo sabe quais as motivações que movem aquela turma. Que não tem nada a ver com democracia e a defesa da constituição.AEPET
As empresas transnacionais que exploram o Brasil estão em 3.º lugar do mundo em transferir seus lucros para paraísos fiscais. Ou seja em vez de reinvestir, escondem-se de governos e impostos. Ano passado em plena crise foram US$14,9 bilhões. Esse é o capitalismo senil!Nani Humor: CORRUPÇÃO NA PETROBRAS

Segue a politica colonial do governo neofascista. Agora entregou 22 aeroportos pra os capitalistas e todos os 7 aeroportos da amazônia para a empresa francesa Vinci Airports. Perguntem se a França ou EUA privatizam seus aeroportos para empresas estrangeiras?A Terra a Quem a Trabalha on Behance

De Emiliano Zapata a bandeira “Terra para quem nela trabalha“. Síntese de todas as lutas pela terra no continente. Ele também articulou com os dirigentes camponeses mexicanos o primeiro plano de reforma agraria das Américas, o Plano Ayala. Que foi aplicado na marra pela revolução

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Há exatos 25 anos, em 17 de abril de 1996, uma 4ª feira, centenas de trabalhadores rurais acampavam com suas famílias no local conhecido como curva do S, na atual BR-155, município de Eldorado dos Carajás, região sudeste do Pará, quando foram cercados por policiais militares vindos do quartel de Parauapebas, de um lado, e do batalhão de Marabá, pelo outro.

 

 
17
Abr21

Jornais e personalidades internacionais destacam volta dos direitos políticos de Lula

Talis Andrade

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247 - A recuperação do ex-presidente Lula de seus direitos políticos, após decisão, na quinta-feira, 15, do Supremo Tribunal Federal (STF), repercutiu internacionalmente. Quase todas as notícias destacaram a elegibilidade de Lula. 

 

Notícia da agência norte-americana Reuters destacou a volta do petista para disputar as eleições presidenciais de 2022 e foi replicada em mais de 2.800 veículos de imprensa pelo mundo.

O britânico The Times declarou o fim “da maior mentira judicial já contada em 500 anos de história do Brasil”. Enquanto a Bloomberg destacou a popularidade do ex-presidente, lembrando que as recentes pesquisas o colocam à frente de Jair Bolsonaro em uma eventual disputa pela Presidência.

A francesa AFP repercutiu declarações de agradecimento do PT e de sua presidenta, deputada federal Gleisi Hoffmann. “Dia histórico. Demorou, mas chegou! Ainda tem muita coisa a ser colocada no lugar, mas a incompetência de Moro era o passo fundamental para isso, o primeiro pedido da defesa. Obrigada a todos(as) q estiveram ao nosso lado nessa luta. Parabéns, Lula!”, comemorou a parlamentar.

Personalidades internacionais

Além de governadores, sindicalistas, intelectuais e parlamentares brasileiros, a vitória de Lula no Supremo brasileiro também foi comemorada por personalidades internacionais, como o atual presidente da Argentina, Alberto Fernández.

“A Justiça brasileira deu uma lição demonstrando sua capacidade de se reexaminar e decidir com total autonomia. Ontem a qualidade do Estado de Direito deu um passo muito importante em nosso amado Brasil”, escreveu Fernández no Twitter.

“Ambos sonhamos com uma América Latina unida que luta neste momento contra o flagelo da pandemia. Que busquemos políticas que garantam a igualdade social que não temos hoje”, continuou.

Alberto Fernández
@alferdez
Dias atrás expresé preocupación ante el temor que el STF revocara la anulación de procesos y condenas que padeció en los años recientes. Ayer se conoció la decisión del TSF de confirmar esas nulidades. ha recuperado así todos sus derechos políticos.
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Alberto Fernández
De ese modo, la Justicia brasileña ha brindado una lección demostrando su capacidad de revisarse a sí misma y de decidir con plena autonomía. Ayer la calidad del Estado de Derecho dio un paso muy importante en nuestro querido Brasil.

Ainda, o deputado francês Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa, expressou “imensa alegria” por Lula ter retomado seus direitos políticos. “O juiz ladrão Moro repudiado pela Suprema Corte do Brasil. Lula livre e elegível”, comemorou o deputado.

24
Mar21

Kássio Nunes Marques, vergonha nacional

Talis Andrade

 

por Eric Nepomuceno

 

Nenhuma surpresa, nenhuma decepção: em sua estreia num caso de real importância, Kássio Nunes Marques, indicado por Jair Messias para ocupar uma das vagas do Supremo Tribunal Federal, mostrou uma mediocridade estrondosa, aliada a uma tentativa de manipulação do óbvio. Fez exatamente o que qualquer pessoa com um mínimo de lucidez esperava, ou seja, atendeu com abjeto servilismo a vontade de seu nomeador.

Que semelhante nulidade tenha tido sua indicação aprovada pelo Senado apenas confirma que o atual Congresso é o pior em décadas.  

Se a primeira consequência do voto de Nunes Marques foi a satisfação de Jair Messias, a segunda foi uma vergonhosa, humilhante resposta de Gilmar Mendes.  

Dele, aliás, pode-se pensar o que quiser, mas a contundente, quase perversa sova que ele aplicou no monumento à mediocridade foi iluminada e iluminadora.

Não recordo, ao menos em tempos recentes, semelhante humilhação, semelhante vergonha pública na corte suprema de justiça. Mendes, aliás, aproveitou seu momento de indignação para acabar com o pó da raça que sobrou da funesta dupla Moro-Dallagnol.  

Claro que cabe a pergunta inevitável: só agora ele percebeu o que estava mais que visível e palpável desde sempre? Seja como for, trata de desfazer o absurdo do qual foi cúmplice.

Voltando a Nunes Marques, tivesse ele um mínimo de dignidade, de respeito por si mesmo, depois de ter sido triturado por Gilmar Mendes trataria de sair de fininho do lugar em que foi depositado por seu mentor e chefe. Mas se foi indicado por Jair Messias, é evidente que mantém distância oceânica de qualquer vestígio de dignidade e, a menos a julgar pela sua intervenção, de conhecimento jurídico. Ou carece desse último ponto, ou é outro manipulador barato.  

Além de Gilmar Mendes, a patética figurinha ainda levou nova lavada, mais suave, é verdade, e indireta, já que seu nome não foi mencionado, de Ricardo Lewandovski.

E então Nunes Marques pediu para falar. Falou, falou e não disse absolutamente nada. Vestiu a carapuça da vergonha nacional. Mais que intimidado, parecia apavorado.

A última pá de cal no caso veio pela ministra Carmem Lúcia. Ao mudar seu voto de 2019, ela mandou Moro, Dallagnol e toda a caterva da República de Curitiba para o beleléu. E devolveu a Lula o que foi negado a ele ao longo de anos: justiça.

11
Mar21

Lula denunciou o projeto genocida de Bolsonaro e anunciou a esperança de um Brasil digno, com comida na mesa e vacina para todos 

Talis Andrade

 

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Em discurso histórico após anulação de seus processos na Lava jato e início do julgamento do Habeas Corpus sobre a suspeição de Moro, Lula agradeceu aos que lutaram por sua liberdade

Transcrição Brasil de Fato.

Eu estava sentado no teu lugar e eu estava com um pouco de dificuldade de entender todas as palavras que você falava, possivelmente porque estava de máscara. Acho que o Soventino é médico.

Eu acho que o seguinte: primeiro, espero que todo mundo esteja de máscara aqui, que todo mundo esteja se cuidando, espero que brevemente todos vocês tenham tomando vacina. Eu queria falar com o médico aqui, se eu posso tirar minha máscara pra falar. Eu estou há dois metros de distância, vocês todos já fizeram o teste. Vocês todos estão livres. Então, eu gostaria de tirar minha máscara para poder falar com vocês.

Bem, faz quase três anos que eu saí da sede desse sindicato para me entregar à Polícia Federal. Eu fui, obviamente, contra a minha vontade, porque sabia que estavam prendendo um inocente. Muitos dos que estavam aqui não queriam que eu fosse me entregar.

Eu tomei a decisão de me entregar porque não seria correto, um homem na minha idade, um homem com a construção da história construída junto com vocês, pudesse aparecer na capa dos jornais e na televisão como fugitivo. 

Como eu tinha clareza das inverdades contadas sobre mim. Eu então tomei a decisão de provar a minha inocência dentro da sede da Polícia Federal, perto do juiz [Sergio] Moro. 

Antes de eu ir, nós tínhamos escrito um livro. Eu fui a pessoa que dei a palavra final no título do livro, que é “A Verdade Vencerá”. Eu tinha tanta confiança e tanta consciência do que estava acontecendo no Brasil, que eu tinha certeza de que esse dia chegaria. E ele chegou.

Espero que todo mundo esteja de máscara aqui, que todo mundo esteja se cuidando, espero que brevemente todos vocês tenham tomando vacina

Queria dizer para vocês que eu nasci politicamente nesse sindicato. Em 1969, eu virei delegado de base desse sindicato, trabalhando na Villares. Em 1972, eu virei primeiro secretário, e cuidava da previdência social. Na verdade, eu cuidava dos velhinhos aqui. Em 1975, eu virei presidente. Em 1978, nós fizemos as primeiras greves desde as greves de Osasco e de Contagem, em 1968. E depois vocês já conhecem a história. Veio a criação de muitos dos movimentos que estão aqui, e eu participei de quase todos eles.

E o movimento mais importante foi a minha tomada de consciência de que, através do sindicato, eu não iria conseguir resolver os problemas do país. Eu poderia, no máximo, conseguir alguma conquista dentro da fábrica, mas era uma luta muito economicista. É aquela que você ganha uma hoje, e perde amanhã com a inflação. É aquela que você pensa que está ganhando, e daqui a pouco a empresa fecha, como fechou a Ford aqui, sem prestar contas a ninguém. 

Então, resolvi que era necessário entrar na política e construir uma consciência política no país. Eu digo sempre que eu sou, na política, um resultado da consciência política da classe trabalhadora brasileira. Na hora que ela evoluiu, eu evoluí. E eu acho que isso justifica o convite que eu fiz a vocês para estarem aqui.

O sofrimento que o povo brasileiro está passando, o sofrimento que as pessoas pobres estão passando neste país é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim. É maior do que cada dor que eu sentia quando estava preso na Polícia Federal

Porque todas as pessoas que foram convidadas para estarem aqui foram as pessoas que estavam aqui para ir para a Polícia Federal, e foram as pessoas que acreditavam antes, e continuaram acreditando na minha inocência, e por isso eu fiz questão de convidar vocês aqui. Falta, obviamente, um coordenador ou uma coordenadora da Vigília de Curitiba, que foi uma das coisas mais extraordinárias que aconteceram na minha vida. 

Quando resolvi marcar essa entrevista, muita gente ficou preocupada com o meu humor. “Como é que o Lula vai estar? Ele vai estar bravo? Ele vai estar xingando alguém? Ele vai falar palavras de esperança?”.

E, às vezes, eu me sentia como a história de um escravo que eu li num livro. O escravo foi condenado a tomar 100 chibatadas. Depois que o cara da chibata deu 98, chegou pra ele e falou: “eu vou parar de dar chibatada se você agradecer ao seu dono. Se você agradecer ao seu dono, eu não dou mais as duas que faltam.” E o cara falou: “como é que eu vou agradecer? Eu já estou todo arrebentado. Por que eu vou parar? Me dê as outras duas.”

Então, se tem um cidadão que tem razão de estar magoado com as chibatadas, sou eu. Não estou. As pessoas pensam que depois de dar chibatadas, joga um pouco de sal e pimenta e a pessoa vai se curar ao longo do tempo. Não importa as cicatrizes que ficam nas pessoas. 

Eu sei que fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história. E que a minha mulher, a Marisa, morreu por conta da pressão, e o AVC [Acidente Vascular Cerebral] se apressou.

Eu fui proibido até de visitar o meu irmão dentro de um caixão, porque tomaram uma decisão que queria que eu visse para São Paulo, que eu fosse para o quartel do 2º Exército, no Ibirapuera, e meu irmão, dentro do caixão, fosse me visitar. E ainda disseram que não podia ter nenhuma fotografia.

Então, se tem um brasileiro que tem razão de ter muitas e profundas mágoas, sou eu. Mas não tenho. Sinceramente, eu não tenho porque o sofrimento que o povo brasileiro está passando, o sofrimento que as pessoas pobres estão passando neste país é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim. É maior do que cada dor que eu sentia quando estava preso na Polícia Federal.

Porque não tem dor maior para um homem e mulher em qualquer país do mundo do que levantar de manhã, e não ter a certeza de um café e um pãozinho com manteiga pra tomar. Não tem dor maior para um ser humano do que ele chegar na hora do almoço, e não ter um prato de feijão com farinha para dar pro seu filho. Não tem nada pior do que o cidadão saber que ele está desempregado, e que, no final do mês, ele não vai ter o salário para sustentar a sua família.

Vocês sabem que a questão da vacina não é uma questão se tem dinheiro ou se não tem dinheiro. É uma questão se eu amo a vida ou amo a morte. É uma questão de saber qual é o papel de um presidente da República no cuidado do seu povo. Porque o presidente não é eleito para falar bobagem e fake news. Ele não é eleito para incentivar a compra de armas, como se nós tivéssemos necessitando de armas

É essa dor que a sociedade brasileira está sentindo agora que me faz dizer pra vocês: a dor que eu sinto não é nada, diante da dor que sofre milhões e milhões de pessoas.

É muito menor que a dor que sofrem quase 270 mil pessoas que viram seus entes queridos morrerem. Seus pais, seus avós, sua mãe, sua mulher, seu marido, seu filho, seu neto, e sequer puderam se despedir dessa gente na hora que nós sempre consideramos sagrada: a última visita e o último olhar na cara das pessoas que a gente ama. 

E muito mais gente está sofrendo. E por isso eu quero prestar a minha solidariedade nesta entrevista às vítimas do coronavírus. Aos familiares das vítimas do coronavírus. Ao pessoal da área da saúde, sobretudo. De toda a saúde, privada e pública.

Mas sobretudo dos heróis e das heroínas do SUS, que durante tanto tempo foram descredenciados politicamente. Foram descredenciados no exercício da sua profissão. Porque só mostravam as coisas ruins que aconteciam no SUS, e quando veio o coronavírus, se não fosse o SUS a gente teria perdido muito mais gente do que perdeu. Apesar de o governo tirar tanto dinheiro do SUS e de o governo ser um verdadeiro desgoverno no trato à saúde. 

Vocês sabem que a questão da vacina não é uma questão se tem dinheiro ou se não tem dinheiro. É uma questão se eu amo a vida ou amo a morte. É uma questão de saber qual é o papel de um presidente da República no cuidado do seu povo. Porque o presidente não é eleito para falar bobagem e fake news. Ele não é eleito para incentivar a compra de armas, como se nós tivéssemos necessitando de armas.

Quem está precisando de armas são as nossas forças armadas. Quem está precisando de arma é a nossa polícia, que muitas vezes sai pra rua pra combater a violência com um 38 velho todo enferrujado. Mas não é a sociedade brasileira.

Não são os fazendeiros que estão precisando de armas para matar sem terra ou para matar pequenos proprietários. Não são milicianos que estão precisando de armas para fazer um terrorismo na periferia deste país. Para matar meninos e meninas, sobretudo, meninos e meninas negras, que são as maiores vítimas das armas e das balas perdidas neste país. 

Nós, então, estamos vivendo um momento delicado. E eu vou querer conversar um pouco com vocês sobre isso. Mas, antes de conversar, eu queria continuar os meus agradecimentos, Wagner.

Primeiro a você, agradecendo, mais uma vez, esse sindicato por ceder esse espaço democrático para que a gente possa fazer essa conversa.

Não poderia deixar de agradecer ao presidente Alberto Fernandez, da Argentina, que teve a decência de, enquanto candidato a presidente da república do seu país, contra a extrema direita, ele teve a coragem de ir à Polícia Federal de Curitiba me visitar. E mais ainda. Eu até pedi pra ele não dar entrevista pra não ser prejudicado pela direita na Argentina. Ele me disse: “Lula, não tenho nenhum problema com o que a direita vai falar. O meu problema é o que eu vim fazer aqui. Eu vim aqui ser solidário a você, porque acredito que você está sendo vítima da maior mentira política já havida na América Latina”.

Então, ao presidente Alberto Fernandez, que foi a primeira pessoa a me ligar depois da decisão do Fachin, e ao povo argentino solidário, os meus agradecimentos. 

Meus agradecimentos ao nosso querido Papa Francisco. Não só porque ele mandou uma pessoa me visitar em Curitiba, me entregar uma carta, que a Polícia Federal não deixou entrar, porque achou que ele era um ‘embusteiro’, que ele não era representante do Papa, e ele era representante do Papa. E depois eu recebi a carta do Papa, além dos belos pronunciamentos do Papa, em vários momentos.

E o fato do Papa ter a coragem de me receber no Vaticano, e termos uma longa conversa, não sobre o meu acaso, mas sobre a a luta contra a desigualdade, que é o maior mal que hoje paira no planeta Terra, um planeta que é redondo, que não é retangular ou não é quadrado. E o Bolsonaro não sabe disso.

Portanto, é sempre importante reiterar, quem puder: o planeta é redondo. Ele tem um astronauta no governo. O ministro Pontes, da Ciência e Tecnologia, sobrevoou num foguete russo quando eu era presidente. Se ele não dormiu, ele viu que o planeta era redondo.

Então, ele poderia dizer para o presidente dele: “ô, presidente, não fala mais essa bobagem, não. Não acredita no tal do Olavo de Carvalho, sabe? Assume que o mundo é redondo”. Eu, então, sou grato, porque o Papa Francisco é, inegavelmente, o religioso mais importante que temos neste momento.

Quero agradecer às pessoas, companheiro Aloizio Mercadante, do Grupo de Puebla. Líderes da América Latina inteira, que foram solidários e confiaram na minha inocência. Quero agradecer ao Foro de São Paulo, que é uma organização da esquerda latino-americana. E quero agradecer a muitos líderes políticos. Eu não poderia deixar de citar aqui o companheiro Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, uma das pessoas mais extraordinárias que conheci.

Não poderia deixar de reconhecer aqui a solidariedade do Bernie Sanders, um companheiro senador dos Estados Unidos, quase candidato a presidente da república, e que se afastou da campanha. 

Quero reconhecer com muito carinho o comportamento da prefeita Anne Hidalgo, prefeita de Paris, que na disputa da eleição dela, teve a coragem, quando a direita escrevia artigos nos jornais que ela iria perder as eleições porque tinha me levado lá, falou: “Lula, pra mim, a solidariedade vale mais do que uma eleição. Eu trouxe você aqui pra dar um prêmio de cidadão parisiense pra você, e vou ganhar as eleições por conta desse meu gesto”. E ganhou as eleições. Por isso, eu quero agradecer à nossa querida prefeita de Paris.

Quero agradecer ao companheiro [José Luis Rodríguez] Zapatero, ao companheiro Evo Morales, à monja Coen, ao nosso querido Martinho da Vila, o nosso querido Chico Buarque, o nosso querido Noam Chomsky, um dos maiores intelectuais vivos, hoje, na humanidade.

Quero agradecer ao meu querido, velhinho… Antes de falar o nome dele, esse companheiro passou quatro anos querendo dar uma fazenda dele no interior de São Paulo para a USP fazer um campus lá. E a USP passou quatro anos sem dar respostas. Quando foi um dia, ele me procurou, através de um assessor dele, que ele tinha uma fazenda pra doar pra fazer uma universidade.

Em menos de 20 horas, o companheiro Fernando Haddad, que está aqui, aceitou o terreno, e nós pegamos o terreno. E esse companheiro, eu tive o prazer de visitar a universidade com ele, já funcionando. Não sei como ela está hoje, depois da destruição do [Michel] Temer e do Bolsonaro, mas é o meu querido companheiro Raduan Nassar. Companheiro que já está com mais de 80 anos. 

Quero agradecer o companheiro, o meu biógrafo, que nunca termina o meu livro, o companheiro Fernando Morais. Quero agradecer o Martin Schulz, que é ministro na Alemanha e representa a social democracia. O Roberto Gualtieri, do Podemos espanhol, e o ex-primeiro ministro italiano [Massimo] D’Alema. 

Quero agradecer, de coração, o pessoal da vigília. Aqui tem muita gente que foi na vigília, aqui tem muita gente que ficou muito tempo na vigília, mas aquelas pessoas enfrentaram loucuras da Polícia Federal. 

Tinha um delegado, que eu não sei se ele era saudável ou não, se ele bebia ou não, mas ele provocava a vigília. Chegou a atirar pra fazer medo à vigília.

Tinha polícia, tinha vizinhos que ofendiam gente da vigília todo dia. E esse pessoal ficou lá 580 dias. Todo santo dia de manhã, de domingo a domingo, gritando “presidente Lula”, almoçando e gritavam “presidente Lula”, às duas horas da tarde. E às sete horas da noite, gritavam “presidente Lula”. E todo santo dia. Eu acordava, almoçava e dormia com mulheres e homens do Brasil inteiro gritando o meu nome. 

Então, a cadeia não foi o sofrimento que eu pensava que fosse, porque eu não sei quantos presos na história da humanidade tiveram tanta gente. 

E aí eu tenho que agradecer ao movimento sindical. Agradecer, João Paulo, ao Movimento Sem Terra, porque o companheiro Baggio, lá no Paraná, foi um herói.

Agradecer aos companheiros do MAB [Movimentos dos Atingidos por Barragens], que trabalharam de forma extraordinária, e aos companheiros dos partidos de esquerda que estão aqui. Eu lamentavelmente não tenho o nome de todas as pessoas, mas eu tenho que agradecer.

Antes de agradecer aos meus advogados, e aos outros advogados, que não sendo meus advogados no processo, foram advogados, participaram de solidariedade, fizeram muita coisa nesse país.

Mas vocês, jornalistas, precisam ser livres. E o compromisso de vocês é escreverem o que vocês viram. É escreverem o que as pessoas falaram pra vocês, e não escrever o que o editor quer que vocês escrevam

Eu quero agradecer a uma pessoa, que eu não conheço, mas é uma pessoa chamada Claudio Wagner. Esse é o perito que está investigando todas as mensagens do hacker pra provar a veracidade da denúncia. 

O que é engraçado é que durante longos cinco anos, amplos setores da imprensa não exigiram nenhuma veracidade do Moro. Não exigiram nenhuma veracidade dos procuradores, não exigiram nenhuma veracidade da Polícia Federal para divulgar as mentiras que eles contavam ao meu respeito.

Mas agora nós estamos com perito, fazendo investigação nos documentos, que está na Polícia Federal. Portanto, não é uma coisa do PT, é da Polícia Federal, autorizado pelo ministro da Suprema Corte. E, mesmo esse perito avalizando, vocês acompanham a imprensa.

E eu acho muito engraçado porque o Moro fala “não reconheço essa veracidade”. Os procuradores falam “não reconheço”, mesmo tendo um peritagem, e a divulgação sendo autorizada pela Suprema Corte. 

No meu caso, eles nunca pediram autorização. Era até engraçado porque muitas vezes eu ia fazer o inquérito, e a maior preocupação do delegado que ia fazer o inquérito não era com a pergunta, era com o vazamento. E o vazamento era selecionado. 

Tinha jornalista específico na Folha; jornalista específico no Estadão; jornalista específico na Época, na Veja, na IstoÉ; jornalistas específicos em vários canais de televisão. E todo mundo se lembra.

Quantas e quantas matérias do principal jornal da televisão aparece um oleoduto, uma gasoduto saindo dinheiro, para falar vinte ou trinta minutos das denúncias dos procuradores, sem nenhuma prova.

Mas eles colocavam. Contra o Lula não precisava provar que o documento tinha seriedade. Era preciso destruir. Afinal de contas, um torneiro mecânico, sem dedo, já tinha feito demais nesse país. Era preciso evitar que esse cidadão pensasse em voltar a governar o país.

Porque a América Latinha nunca trabalhou em 500 anos com política de inclusão social. A inclusão social é pra 35% da sociedade. Quem pode ir a teatro é uma parte pequena da sociedade. Quem vai a cinema é uma parte pequena. Quem vai a restaurante é uma parte pequena. Quem vai aos parques bonitos, quem vai às vernissages nesse país, quem vai às exposições é só uma parte pequena. 

À maioria, fique no seu lugar. Afinal de contas, o papel do trabalhador é trabalhar. E o papel dos pobres é esperar as políticas de ajuda do governo quando ela vem.

E, por conta disso, eu digo pra vocês, anteontem foi um dia gratificante. Eu sou agradecido ao ministro Fachin porque ele cumpriu uma coisa que a gente reivindicava desde de 2016.

A decisão que ele tomou, tardiamente, cinco anos depois, foi colocada por nós desde 2016. A gente cansou de dizer: a inclusão do Lula, e inclusão da Petrobras na vida do Lula, como criminoso, era a razão pela qual a quadrilha de procuradores da Lava Jato, não o Ministério Público, a quadrilha de procuradores da força-tarefa, e o Moro, entendiam que a única forma de me pegar era me pegar pra Lava Jato, porque eu já tinha sido liberado em vários outros processos fora da Lava Jato, mas eles tinham como obsessão, porque eles queriam criar um partido político, de tentar me criminalizar.

Eu fiquei muito feliz porque, depois da divulgação de tanta mentira contra mim, ontem [terça-feira] eu acho que nós tivemos um Jornal Nacional épico. Ontem, eu acho que quem assistiu televisão não estava acreditando no que estava vendo. Pela primeira vez, a verdade prevaleceu.

Dita, não por alguém do PT, dita pelo presidente da segunda turma do STF no discurso do Gilmar Mendes; dita pelo Ricardo Lewandowski e dita até pela Carmen Lucia, que nunca tinha visto nada igual àquilo. 

E eu, como acho que tenho um pouco de experiência, fiquei feliz com a verdade, porque é pra isso que servem os meios de comunicação. Jornalista não existe pra sair pra rua pra cumprir a ordem do editor.

Vocês não sabem, mas aqui nesta sala não tem ninguém que tenha lidado com a imprensa 10% do que eu lidei. Desde 1975 eu lido com a imprensa, e com muita imprensa. E eu sempre disse que o papel da imprensa, quando o jornalista sai pra rua, ele sai com o compromisso de dizer a verdade. A verdade nua e crua.

Não tem importância que ela seja contra o PT, contra o PCdoB, contra o PSOL, contra o PMDB, contra qualquer um. A verdade nua e crua, é pra isso que nós precisamos de imprensa livre.

Não é uma imprensa que divulga aquilo que politicamente ou que ideologicamente ela quer. A ideologia da notícia, do jornal, da televisão ou da revista deve ser colocada num cantinho, no editorial, como pensamento da revista. Mas vocês, jornalistas, precisam ser livres. E o compromisso de vocês é escreverem o que vocês viram. É escreverem o que as pessoas falaram pra vocês, e não escrever o que o editor quer que vocês escrevam.

Portanto, eu fiquei feliz porque eu espero que a verdade, a verdade versada pela Globo ontem, seja o novo padrão de comportamento da Globo com a verdade.

A Globo não tem que gostar ou não gostar de presidente. Ela não tem que gostar ou não gostar de partido. Isso ela decide na hora de votar. Mas na hora de informar, tem que informar a verdade, e apenas, somente, a verdade.

E ontem eu fiquei feliz porque eu vi a verdade proferida na íntegra por dois ministros da Suprema Corte. E eu espero que continue assim. Porque antes o Gilmar [Mendes] também não aparecia. Antes, o Lewandowski também não aparecia. Apareciam os acusadores durante meia hora, e, às vezes, o Gilmar e o Lewandowski, que se votassem contra os acusadores, tinham 30 segundos.

Os meus advogados eu nem falo, porque o esforço para que meus advogados aparecessem 30 segundos era monumental, e nem sempre apareciam. Mesmo assim eu continuo dizendo que a liberdade de imprensa é uma das razões maiores pela manutenção da democracia em qualquer país do mundo, em qualquer lugar do planeta Terra.

Os governadores do Nordeste que estão brigando, sabe, e do país inteiro, para dar vacina. É uma luta titânica contra um governo incompetente, contra um ministro da Saúde incompetente e contra as pessoas que não respeitam a vida

Então, meus companheiros, eu quero agradecer aos meus advogados. É uma coisa engraçada, os meus advogados não eram criminalistas, e por isso eu fui muitas vezes provocado para contratar alguém famoso. Alguém muito importante, que fosse ex-ministro, alguém que fosse…

Eu dizia: pra defender a verdade, eu não preciso disso. Uma vez pediram pra eu conversar com uma pessoa, e essa pessoa falou assim pra mim: “eu posso até participar, mas eu preciso de R$ 3 mi. Aí eu fiquei pensando: se uma pessoa pra me defender pede R$ 3 mi, e se eu pago, tá confirmado que eu sou ladrão. Aonde é que eu vou arrumar R$ 3 mi para pagar o advogado?

E eu queria dizer ao meu querido Cristiano Zanin e à minha querida Valeska Teixeira, e ao escritório, muito obrigado! Porque só foi possível acontecer o que aconteceu segunda-feira pela coragem.

Vocês estão lembrados quando eu disse que não trocava a minha dignidade pela minha liberdade e disse que a minha canela não era canela de pombo. Eu não ia colocar, sabe, tornozeleira, e que não ia pra casa preso, porque a minha casa não era cadeia. Muita gente achou que eu estava radicalizando, e eu estava apenas dizendo o que eu sentia. Eu tinha certeza que esse dia chegaria.

Esse dia chegou com o voto do Fachin, de reconhecer que nunca teve crime cometido por mim. De reconhecer que nunca teve envolvimento meu com a Petrobras. E toda a amargura que eu passei, todo o sofrimento que eu passei, acabou.

Eu estou muito tranquilo. O processo vai continuar? Vai. Tudo bem, eu já fui absolvido de todos os processos fora de Curitiba. Mas nós vamos continuar brigando para que o Moro seja considerado suspeito. Porque ele não tem o direito de se transformar no maior mentiroso da história do Brasil, e ser considerado herói por aqueles que queriam me culpar. Deus de barro não dura muito tempo. 

Eu tenho certeza que hoje ele deve estar sofrendo muito mais do que eu sofri. Eu tenho certeza que o [procurador Deltan] Dallagnol deve estar sofrendo muito mais do que eu sofri. Porque eles sabem que eles cometeram erros, e eu sabia que eu não tinha cometido erro.

Então, meus agradecimentos aos meus advogados. E meus agradecimentos a todos os advogados do Brasil que foram solidários. Todos. Teve muita gente que foi solidária a mim, muitos documentos assinados, e eu sou, sinceramente, agradecido a todo mundo. 

Quero agradecer. Antes de agradecer, falar que uma vez eu tive um advogado muito importante. Quando saiu a notícia do tríplex, esse advogado falou assim pra mim: “ô, Lula”, um dos maiores criminalistas do Brasil, “ô, Lula, é o seguinte: você não tem que ter preocupação com esse negócio do tríplex, porque não há como isso andar. Não tem como isso prosperar. Isso não vai pra frente.”

Eles inventaram um offshore do Panamá, inventaram uma empresária do offshore, pra dizer que essa empresária tinha, e que essa offshore tinha compromisso com a OAS e com a Petrobras, e, portanto, era o que eles precisavam pra me condenar.

E o tríplex, que não ia pra frente, que eles nunca apresentaram um documento, nunca apresentaram um centavo, foi a razão para eu ser condenado a nove anos de prisão. E a pagar uma multa que vale cinquenta vezes o apartamento.

E agora quem é vítima do apartamento é Boulos, que está sendo indiciado porque ocupou o apartamento. E é engraçado que, se eu era o dono, não fui eu que processei o Boulos. Então quero saber quem foi que processou o rapaz que invadiu um apartamento que eles diziam que era meu. E eu não o processei, e alguém o processou. 

Agora, pode ficar sabendo, Boulos, que você tem toda a minha solidariedade. Se for preciso invadir por sua causa, nós invadiremos. 

Bem, quero cumprimentar a minha querida Gleisi Hoffmann, que teve um papel, não só na presidência do partido, mas na defesa do PT e na minha defesa.

Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde. Tome vacina. Tome vacina porque a vacina é uma das coisas que pode livrar você do covid

Vocês sabem que é muito difícil. Nunca queiram, nunca queiram sair na página dos jornais com a cara de vocês taxada por um crime qualquer. Porque vocês vão perceber que muitas pessoas que vocês achavam que eram amigas de vocês desaparecerão logo. Vocês passarão semanas ou meses sem receber um telefonema.

Pessoas que viviam atrás de você, 24 horas por dia, vão desaparecer. Eu não desejo esse mal pra ninguém, por isso, quando eu era presidente, fiz três discursos em posse de procurador geral. Paulo Okamoto, eu dizia: eu considero o Ministério Público uma instituição muito importante. Pela instituição ser muito importante, é preciso que a pessoa que esteja procurador seja muito honesta e muito séria. 

A gente não pode ficar divulgando o nome das pessoas antes de ter prova. A gente não pode tentar criminalizar as pessoas antes de provar que cometeram um crime. E foi o que aconteceu. A Lava Jato fez um pacto com o setor da mídia. E que era preciso, porque essa era a teoria do Moro, num artigo que ele escreveu em 94 em que ele dizia: “só a imprensa pode ajudar condenar as pessoas.” E aí vale qualquer coisa. 

Então, eu quero agradecer à Gleise, por todo trabalho Gleise, como companheira, como advogada e como presidenta do partido. Quero agradecer ao companheiro Fernando Haddad, que também ia me visitar como advogado, não era como companheiro do PT não, ele ia como advogado. O Rui Costa foi como advogado, meu companheiro de partido, o Emílio ia como advogado me visitar.

Eu ganhei duas amizades extraordinárias, pessoas que eu não conhecia, dois advogados de Curitiba que me visitaram durante 580 dias, todo santo dia. Um ia de manhã e o outro à tarde. Só não ia de sábado e domingo. Mas imagina o que que é duas pessoas irem me visitar todo santo dia. 

Um chegava com almoço, mandado pela Janja, e outro chegava à tarde pela janta mandada pela Janja. Sabe, às vezes a comida chegava fria, mas eu comia e não reclamava, porque sabia que o povo estava passando fome lá fora. Eu esquentava porque eu tinha um negocinho de esquentar comida. Peão de fábrica sabe como esquentar marmita. Então, eu não comi comida fria não, era toda quentinha.

Bem, uma vez, a Janja mandou pra mim uma sopa, uma sopa dentro de uma garrafa térmica. E eu acho que a sopa continuou cozinhando dentro da garrafa térmica, e ela não saia da garrafa. Os caroço cresceram, eu acho que era lentilha. Os grãos cresceram dentro da garrafa térmica e eu não consegui tirar a comida, sabe. Mas eu fui puxando, fui puxando com a colher, fui dando tapa no fundo da garrafa térmica até que a sopa já não era mais sopa, mas tava gostosa.

Eu quero agradecer os governadores Rui Costa, Wellington Dias, Camilo Santama, Fátima Bezerra e todos os governadores do Nordeste que estão brigando, sabe, e do país inteiro, para dar vacina.

É uma luta titânica contra um governo incompetente, contra um ministro da Saúde incompetente e contra as pessoas que não respeitam a vida. Então aos governadores, a minha solidariedade.

Quero agradecer a todos os companheiros das centrais sindicais, agradecer a todos os companheiros dos partidos políticos aqui presentes, quero agradecer aos movimentos sociais, a CUT, a Força Sindical, a CGTB, o MST, o MTST, os companheiros da UNE, que tiveram um papel extraordinário durante todo o período em que eu fui governo.

E quero agradecer a vocês, a imprensa brasileira, porque depois de tudo que falei aqui, vocês podem ter certeza que nem o João Roberto Marinho gosta mais da imprensa do que eu. Nem ele quer mais democracia do que eu na imprensa, e muito menos o presidente da República.

Meus agradecimentos a vocês. Porque eu sei que vocês vão continuar trabalhando para tentar melhorar o papel da imprensa na construção da democracia brasileira.

Então esse país está totalmente desordenado e desagregado porque não tem governo nenhum. Eu vou repetir: esse país não tem governo

Companheiros e companheiras, eu fiquei pensando o que eu iria falar com vocês hoje aqui. Ontem eu fiquei até quase meia noite rascunhando coisa, tirando coisa, mudando coisa e cheguei à conclusão de que eu precisava falar com vocês um pouco sobre a situação desse país. Seria um erro da minha parte não falar pra vocês que o Brasil não merece estar passando o que está passando. 

Eu tenho 75 anos de idade. Eu falo brincando que eu tenho energia de 30 e tesão de 20. Eu acho que é por isso que eu não tomei vacina ainda, porque o pessoal não sabe se é 30, se é 20 ou 75. Então, agora eu estou dizendo que é 75 e na semana que vem, se Deus quiser, eu vou tomar a minha vacina. Vou tomar a minha vacina.

Não me importa de que país, não me importa se é duas ou uma só; sabe, eu vou tomar minha vacina e quero fazer propaganda pro povo brasileiro.

Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde. Tome vacina. Tome vacina porque a vacina é uma das coisas que pode livrar você do covid.

Mas mesmo tomando vacina, não ache que você possa tomar vacina e já tirar a camisa, já ir pro boteco e pedir uma cerveja gelada e ficar conversando, não! Você precisa continuar fazendo o isolamento, e você precisa continuar utilizando máscara e utilizando álcool em gel. Pelo amor de Deus.

Esse vírus, essa noite, matou quase 2 mil pessoas. É que as mortes estão sendo naturalizadas, porque a gente ouve de manhã, de tarde e de noite, a gente liga um canal de televisão, lê um jornal, liga um rádio, ou seja, é falando da morte, então você vai naturalizando na cabeça das pessoas, mas eram mortes que, muitas delas, poderiam ser evitadas. Evitadas se a gente tivesse um governo que tivesse feito o elementar.

Você sabe que a arte de governar não é fácil; é a arte de saber tomar decisão. Então, o presidente da República que se respeitasse e que respeitasse o povo brasileiro, a primeira coisa que ele teria feito em março do ano passado, era criar um comitê de crise. 

Envolvendo o seu ministro da Saúde, envolvendo secretários da Saúde dos estados, envolvendo cientistas da Fiocruz, cientistas do Butantan e outros cientistas. E toda semana orientar a sociedade brasileira sobre o que fazer.

Era preciso priorizar o dinheiro e comprar as vacinas que pudesse comprar em qualquer lugar do planeta Terra. Nós tivemos momentos que teve vacina que a gente sequer aceitou. A própria Pfizer tentou oferecer vacina, e a gente não quis, a Organização Mundial da Saúde.

Porque nós tínhamos um presidente que inventou uma tal de cloroquina. Nós tínhamos um presidente que falava que quem tem medo do covid é maricas, que o covid era uma gripezinha, que o covid era coisa de covarde, que ele era ex-atleta, e que portanto ele não ia pegar. Esse não é o papel, no mundo civilizado, de um presidente da República.

Um presidente da República deveria ter esse comitê de crise, e toda semana ter uma voz oficial do comitê de crise orientando a sociedade, visitando os estados, visitando as cidades, vendo as condições dos hospitais, trabalhando pra fazer hospital de campanha onde não tivesse hospital. Tentando evitar que faltasse oxigênio como faltou em Manaus. Esse era o papel do presidente da República.

Agora, ele não sabe o que é ser presidente da República. Ele a vida inteira não foi nada. Ele não foi nem capitão. Era tenente e foi promovido porque se aposentou. E se aposentou porque queria explodir quartel, porque ele virou um dirigente sindical dos soldados, queria mais aumento de salário.

Depois que ele se aposentou, ele nunca mais fez nada na vida. Ele foi vereador e deputado durante 32 anos. Exerceu o mandato e conseguiu passar pra sociedade a ideia de que ele não era político.

Vocês imaginaram o poder da força do fanatismo? Através de fake news, o mundo elegeu o Trump. Através das fake news, o mundo elegeu o Bolsonaro.

Porque o pai de vocês ou a mãe de vocês deve um dia ter falado: “Filho, a mentira anda de avião supersônico, a verdade anda montada num casco de tartaruga”. Então, a mentira tem muito mais força, porque é mais fácil acreditar. A verdade você tem que explicar, a mentira não.

Eu fiquei sabendo esses dias que tem 50 milhões de pessoas no mundo que acreditam que a terra é plana. Ou seja, vocês percebem a loucura que está tomando conta desse país?

Muitas mortes poderiam ter sido evitadas, muitas mortes. E que o papel das igrejas é ajudar para orientar as pessoas, não é vender grão de feijão ou fazer culto cheio de gente sem máscara, dizendo que tem o remédio pra sarar.

Eu acredito que Jesus pode salvar as pessoas, mas as pessoas precisam se ajudar. Se a pessoa for ignorante, não usar máscara, não fazer o isolamento, não fizer a lavagem das mãos necessária, Deus vai dizer: “Peraí, eu tenho muita gente pra cuidar meu filho. Se cuide”. 

Então esse país está totalmente desordenado e desagregado porque não tem governo nenhum. Eu vou repetir: esse país não tem governo.

Esse país não cuida da economia, esse país não cuida do emprego, esse país não cuida do salário, esse país não cuida da saúde, esse país não cuida do meio ambiente, esse país não cuida da educação, esse país não cuida do jovem, esse país não cuida da meninada na periferia. Ou seja, do que eles cuidam?

Há quantos anos vocês, companheiros dirigentes sindicais, não ouvem a palavra investimento, desenvolvimento, geração de emprego e distribuição de renda? Faz muito tempo.

Eu não sei se a CUT já publicou o documento, se já reuniu com o movimento sindical, mas tem uma coisa que eu tava há muito tempo querendo que fosse produzida, e finalmente parece que o Dieese produziu… vocês lembram de quando Ministério Público utilizava os meios de comunicação para vender a grandeza de que esse país tinha recuperado R$ 4 bilhões pra Petrobras? 

Vocês cansaram de ouvir isso: “Ah, o Dallagnol vai lá na Globo se reunir e vai dizer que recuperou R$ 1 bilhão, R$ 2 bilhões”. Você sabe qual o prejuízo que a Lava Jato, eu tô falando da Lava Jato, que a Lava Jato poderia ter apurado a corrupção, ter prendido o dono da empresa que é ladrão, ter prendido o político que é ladrão, e manter as empresas funcionando.

O povo não tem o direito de permitir que um cidadão que causa os males que o Bolsonaro causa ao país continue governando e continue vendendo o país. Eu não sei qual é a atitude, mas alguma atitude nós vamos ter que tomar, companheiros, para que esse povo possa voltar a sonhar

Porque, afinal de contas, só pra vocês terem ideia, por conta da operação Lava Jato, o Brasil deixou de ter de investimento R$ 172 bilhões. Só por conta da Lava Jato. Segundo esse estudo do Dieese, o país perdeu 4 milhões. Eu não tô falando dos 14 milhões de desempregados, eu tô dizendo que, só por conta da Lava Jato, a destruição que ela fez na corrente geradora de emprego nesse país, gerou 4 milhões e 400 mil empregos.

Só direto na construção civil, 1 milhão e 100 mil. Agora, você pega a cadeia produtiva de óleo e gás, da indústria naval, da indústria metalúrgica, sabe, você vai ver quantos milhões de empregos…

isso nunca foi falado. Nunca nenhum instituto teve a coragem de publicar qual foi o prejuízo que teve nesse país. Esse país que, no tempo que o PT governava, chegou a ser a sexta economia do mundo.

Eu lembro que em Copenhagen, quando estava disputando as Olimpíadas, eu brincava com a França e a Inglaterra: “Se preparem, porque nós já passamos vocês, agora eu quero passar é a Alemanha”. Vai se preparando, porque o Brasil não nasceu pra ser pequeno, o Brasil nasceu para ser grande.

E é por isso que tem governante que pensa grande, porque quem pensa pequeno, é pequeno. Esse país chegou à sexta economia do mundo. Em todas as pesquisas, era o país mais admirado do mundo, era o país em que o povo tinha mais felicidade, que o povo acreditava mais no futuro.

Era um país altamente respeitado pela China, pela Rússia, pela Índia, pela Alemanha, pela França, pela Inglaterra, pelos Estados Unidos. Esse país tinha um projeto de nação. O que que o país tem hoje? 

Vocês nunca ouviram da minha boca falar em privatização. Quem é que acha que só iniciativa privada é boa?

Uma empresa pública, como o Banco do Brasil, uma empresa pública, como a Petrobras, bem dirigida, como foi no nosso governo, se transformou na quarta empresa de energia do mundo.

A Petrobras investia R$ 40 bilhões por ano. Nós não descobrimos o pré-sal para exportar petróleo cru. Descobrimos o pré-sal pra exportar derivados, para ela ter uma indústria petroquímica poderosa no Brasil.

É por isso que nós cunhamos a frase: “o pré-sal é o passaporte do futuro”. É por isso que nós colocamos 50% dos royalties pra educação, é por isso que nós pensamos em criar um fundo do povo brasileiro. Tudo isso está sendo destruído.

Venderam a nossa BR, a gente não sabe pra quem venderam. Uma empresa que arrecadou, em 2019, R$ 70 bilhões, foi vendida por R$ 3 bilhões e 900 mil.

Você já viu o Guedes falar uma palavra em crescimento econômico, em desenvolvimento e distribuição de renda? Não, é vender. Vamos vender. Agora, quando eles venderem e gastarem o dinheiro em custeio, o país vai estar mais pobre.

O PIB não vai crescer e a dívida vai continuar crescendo. Porque a única forma de você diminuir a dívida do Brasil não é parar de gastar com o que é necessário. Porque, se você tiver que investir em educação e saúde, se você tiver que investir em transporte e infraestrutura, você tem que colocar dinheiro.

O que vai fazer nossa dívida diminuir em relação ao PIB é o crescimento econômico, é o investimento público. Porque, qual é a lógica do investimento público? Se o Estado não confia na sua política e não investe, porque o empresário haveria de investir?

Eu vou contar um dado que talvez vocês não saibam, eu vou contar porque eu tô aqui dentro do sindicato.

Quando esse país tinha como presidente da República um metalúrgico em 2008, a indústria automobilística vendia 4 milhões de carros por ano nesse país. Passados 13 anos, esse país vende 2 milhões de carros. Ou seja, hoje a indústria automobilística é metade do que era em 2008. Porque não há possibilidade de investimento se não houver demanda. Para ter demanda, tem que ter emprego. 

Porque vocês acham que o PT está brigando por um salário emergencial de R$ 600? Não é porque a gente acha que o Estado tem que pagar R$ 600 a vida inteira. É porque o Estado só pode deixar de pagar quando o Estado tiver gerando emprego e as pessoas tiverem obtendo renda, às custas do seu trabalho, aí não precisa do salário emergencial.

Mas, enquanto o governo não cuida de emprego, não cuida de salário, não cuida de renda, você tem que ter um salário emergencial para que as pessoas não morram de fome. Isso não precisa ler Marx pra entender, não precisa artigo do Delfim Neto pra entender. É a lógica da casa de vocês.

Se a mulher tiver dinheiro, a mulher de vocês e a família tiver dinheiro, ela vai no supermercado, vai na feira, vai comprar um caderno novo, vai comprar um sapato, vai comprar uma camisa e tudo começa a funcionar. Se não tem, ela fica em casa prostrada, na frente de um fogão esperando: “quando é que eu vou ter dinheiro pra comprar alguma coisa?”.

Porque governar um país… um presidente da República tem que conversar com sindicalistas. Não é possível que um presidente da República não converse com a força do trabalho.

Um presidente tem que conversar com os empresários, e me parece que o Bolsonaro só conversa com o louro da Havan. Morreu o louro da Ana Braga, o Louro José, mas está lá o Louro da Havan, parece que é conversa, porque não tem reunião produtiva com os empresários.

Eu tinha um conselho com 100 pessoas. Participavam os dirigentes dos sindicatos, os grandes empresários, participava índio, participava pastor da igreja evangélica, participava padre, participava bispo, participava negro. Porque eu queria ouvir a sociedade. Nós fizemos, no meu mandato, 74 conferências nacionais pra ouvir o que a sociedade queria.

O Bolsonaro não junta ninguém. Ele junta os milicianos. Não mostra a cara nas entrevistas. Na saída do Palácio, para pra dizer: “Tô liberando armas, tô liberando mais quatro armas, mais dois fuzil, logo logo vai ter canhão pra todo mundo”. 

Esse povo não está precisando de armas, David. Esse povo está precisando de emprego, de carteira profissional, de salários, de livros, de educação. O Estado precisa estar presente na periferia desse país. O Estado tem que estar lá com educação, com cultura, com saúde, com política de assistência social. É esse o papel de um presidente da República.

Será que o Bolsonaro não leu nada do que a gente fez? Você, Haddad, não produziu nenhum livrinho pra dar pro Bolsonaro ler? Tantas cartilhas que a gente fez. O PCdoB não fez uma cartilha pra mandar pro Bolsonaro dizendo que é possível governar diferente? Ô Miguel, você pode fazer da Força Sindical e o Sérgio fazer da CUT para ele saber que é possível.

O Brasil não é dele e dos milicianos. O Brasil é de 230 milhões de pessoas. E essas pessoas querem trabalhar, querem comer, querem morar, querem ter lazer. 

Você não sabe como eu ficava feliz quando eu via um trabalhador mostrar uma picanha e falar: “Eu vou comer picanha e vou tomar uma cerveja”. É uma coisa fantástica.

Vocês não sabem a alegria de ver o pequeno produtor desse país, representado aqui pelo companheiro João Paulo dos sem terra, produzir e saber que tinha garantia de preço, saber que o produto dele não ia ficar no porão da casa dele ou estragando no sol e na chuva. 

A gente comprava esse produto e a gente distribuia se fosse necessário, mas a gente tinha que construir o estoque regulador, até para regular preço. Ô gente, como é que pode o gás de cozinhas estar R$ 105,00? Como é que pode a cebola aumentar 60% e o tomate aumentar não sei quanto? Como é que pode a luz elétrica aumentar tanto?

Como é que pode a gasolina, ô David, você é petroleiro, eu vou aproveitar dizer uma coisa na tua frente. Não é possível permitir que o preço do combustível brasileiro tenha que seguir o preço internacional se nós não somos importador de petróleo. O Brasil é exportador.

Se nós produzimos a matéria prima aqui, se nós tiramos do fundo do mar, se nós conseguimos refinar aqui… nós produzimos gasolina de avião, nós produzimos diesel e nós produzimos na qualidade que produz a União Europeia.

Porque, antes de eu chegar na Presidência, é uma coisa que vocês não sabem, porque a imprensa nunca divulgou. A nossa gasolina tinha 1500 ppm, partículas por… sei lá por quanto, por milhão, era uma coisa assim. Eu não entendo, mas eu sei que era.

Nós fizemos ser 50, padrão europeu, sabe o que é? Padrão europeu pAra quando vocês tiverem andando, sabe, eu acho errado andar nas ruas, mas de vez em quando, quando vocês andam na rua, não ficar respirando gás carbônico coma gasolina tão poluida e óleo diesel tão poluído. Então, a gente fez as nossas refinarias ser padrão mundial. E agora a gente está importando gasolina dos EUA e óleo diesel dos EUA. Não tem lógica. 

Em 1953, quando a gente estava criando a Petrobras, o jornal O Estado de São Paulo e o seu editorial escrevia artigos que o Brasil era ignorante, que o Brasil não tinha que ter petróleo, que o Brasil não precisava de petróleo, que o Brasil  tinha que comprar dos Estados Unidos.

Agora, nós voltamos a 53: o Brasil tem a matéria prima…vocês são jovens e vocês talvez não lembrem de tudo, mas quando nós descobrimos o pré-sal, sabe o que a Miriam Leitão falava? Ela falava assim: “É, descobriu o pré-sal, mas não pode explorar porque não tem tecnologia e o preço do barril vai ser muito caro”. Está lembrado, David? Fala isso com a maior desfaçatez.

Não só a gente está buscando petróleo a 6, 7 mil metros de profundidade, como o custo do barril fora da terra é apenas um dólar mais caro do que o barril da Arábia Saudita, que é quase a luz do sol. Percebe o que significa isso?

Significa investimento em pesquisa e tecnologia que nós fizemos na Petrobras. É por isso que teve o golpe contra a Dilma, porque é preciso não ter
petróleo aqui no Brasil na mão dos brasileiros. É preciso que esteja na mão dos americanos porque eles têm que ter o estoque para guerra.
 
Depois da 2ª Guerra Mundial, eles aprenderam que só ganha guerra quem tem muito estoque de combustível, porque eles sabem que a Alemanha perdeu a guerra porque não chegou em Baku, na Rússia, para ter acesso à gasolina.

Então, os países ricos todos têm grande estoque de combustível. Todos. E nós, que somos um puta dum país grande, que estamos num país que tem a mais importante tecnologia em prospecção de petróleo em águas profundas, estamos nos desfazendo disso para poder atender aos interesses do Deus mercado do petróleo.

A economia tá mal e o covid está tomando conta desse país. A cepa de Manaus parece que mata, que é 10 vezes mais contagiante que a outra cepa e mata pelo menos duas vezes mais, pelo menos é o que eu vi os cientistas falarem.

Esse país poderia estar pesquisando vacina e fazendo vacina. Quando veio a H1N1, em dois mil e não sei quanto, eu era presidente da República, a gente vacinou 80 milhões de brasileiros em três meses. Esse país tem um sistema de saúde que sabe fazer isso.

Cadê o Zé Gotinha? Cadê o nosso querido Zé Gotinha? O Bolsonaro mandou embora porque pensou que ele era petista. Não era petista. Ele foi inventado por gente muito importante da saúde sanitária desse país, não teve nada com o PT. Ele era suprapartidário, ele era humanista. E cadê o Zé Gotinha? Acabou.

Eu queria que vocês meditassem.

Esse país não tem governo, esse país não tem ministro da Saúde, esse país não tem ministro da Economia, esse país tem um fanfarrão. O presidente, por ele não saber de nada, ele fala “é tudo conta do Guedes, é tudo conta do Guedes, é tudo conta do Guedes”.

E quanto a isso, vocês sabem que o país está empobrecido. O PIB caiu, a massa salarial caiu, o comércio varejista caiu, a produção de comida das pessoas estava insustentável e o presidente não se preocupa com isso. O presidente está prepcupado sim: “preciso vender mais armas”.

É preciso que se repita muitas vezes à Marielle. É preciso. Ele tem que dar garantia aos fazendeiros dizendo: “compre fuzil, compre metralhadora, se chegar um sem terra aí, passe fogo”. 

Como o Trump dizia: se encontrar alguém falando mal de mim num restaurante, bata que eu garanto advogado. O Bolsonaro garante milicianos.

Por último, companheiros e companheiras, eu queria dizer pra vocês, que quando você chega na idade que eu cheguei e quando você obtém de Deus a generosidade que eu recebi, não há mais espaço pra guardar ódio, não há mais espaço pra perder tempo remoendo, eu diria, raiva ou ódio. Eu sou abençoado por Deus por muitas coisas.

Se a gente for olhar do ponto de vista sociológico ou filosófico – gostou Boulos, de eu falar sociológico? – se a gente fosse analisar Haddad, por conta disso, a gente não teria feito aqui, ô Nobre, a revolução da criação do novo sindicalismo em 78, porque era impossível criar qualquer coisa, e a gente criou.

A gente não teria criado a liberdade de organização partidária, e eu não teria tido o prazer de criar o partido mais importante da esquerda latino americana. E muito menos eu ser presdiente.

Vocês lembram com quem eu disputei a primeira eleição, com dr. Ulisses Guimarães, com dr. Leonel de Moura Brizola, com dr. Paulo Salim Maluf, com dr. Mario Covas, com dr. Afif, com dr. Aureliano… era só doutor.

O único cara que não era doutor era eu. E fui pro segundo turno.  E não ganhei porque a Globo me roubou. A Globo fez aquela mutreta do debate, reconhecido pelos diretores da Globo da época. 

Bem, então eu sou abençoado por Deus, então quero terminar dizendo pra vocês o seguinte: eu tô muito de bem com a vida. A Lava Jato desapareceu da minha vida. Eu não espero que as pessoas que me acusam parem de me acusar, não espero.

Eu estou satisfeito que tenha sido reconhecido aquilo que os meus advogados vêm dizendo há muito tempo: o presidente é inocente, o presidente não é dono do apartamento.

Nós derrubamos 11 ações ao longo de cinco anos. Ou seja, nós tivemos 100% de êxito na decisão do Fachin. De repente, eu tinha quatro processos e eles desapareceram. Por que o Fachin não fez isso antes? Eu estou dizendo isso há cinco anos.

Eu sei que é constrangedor para muita gente que me acusou, parar de acusar. É duro, porque quando você envereda no caminho da mentira, é difícil voltar atrás. Mas olha como eu estou muito mais sereno do que o William Bonner ontem dando a notícia. Ó como eu estou com o semblante tranquilo, de que a verdade venceu, de que a verdade vai continuar vencendo.

Por isso, companheiros e companheiras, eu quero dizer para vocês: eu quero dedicar o resto de vida que me sobre, e eu espero que seja muita, muita eu espero. A gente começa a gostar da vida quando está mais próximo do céu. Eu quero voltar a andar por esse país para conversar com esse povo.

O povo não tem o direito de permitir que um cidadão que causa os males que o Bolsonaro causa ao país continue governando e continue vendendo o país. Eu não sei qual é a atitude, mas alguma atitude nós vamos ter que tomar, companheiros, para que esse povo possa voltar a sonhar.

Esse país já sonhou, esse país já realizou. Ô, gente, a gente sonhava em fazer esse país ser grande. Nós construímos e fortalecemos o Mercosul. Nós construímos a Unasul, porque a gente queria criar um grande bloco econômico latino americano, um bloco de 400 milhões de habitantes, de um PIB razoavelmente grande, para negociar em condições de igualdade com a Europa.

Porque a Europa só quer negociar para eles venderem os produtos industriais deles e a gente vender os produtos agrícolas. Não. A gente não quer fazer do agronegócio, a gente respeita o agronegócio, eu acho que o agronegócio tem muita tecnologia, é muito importante, mas o Brasil quer ser um país industrializado. O Brasil quer ter novas indústrias, o país quer ter novas tecnologias.

A gente sonhava com isso. Nós criamos os Brics, nós criamos o banco dos Brics, nós criamos o banco do Sul. O Brasil tinha um projeto de nação, o Brasil tinha um projeto de soberania. Porque faz 500 anos que nós fomos descobertos.

Quando é que nós vamos tomar conta do nosso nariz? Quando é que eu vou acordar de manhã sem ter que pedir licença pra respirar para o governo americano? Quando é que eu vou levantar de manhã sabendo que o meu povo está tomando café, que ele vai almoçar e vai jantar, que as crianças estão na escola, que as crianças estão tendo acesso à saúde e à cultura? Quando é que nós vamos acordar? Isso é possível. Nós provamos isso.

Então, companheiros e companheiras, é pela construção desse sonho e ajudar a torná-lo realidade que eu me sinto muito jovem. Me sinto jovem para brigar muito. Então, eu queria que vocês soubessem: desistir, jamais; a palavra desistir não existe no meu dicionário.

Eu aprendi com a minha mãe: lute sempre, acredite sempre, tente sempre, porque se a gente não acreditar na gente, ninguém vai acreditar. Se você não se respeitar, ninguém vai ter respeitar. 

Às pessoas que me destratam durante todos esses anos, eu quero dizer pra vocês. Eu quero conversar com a classe política. Porque, muitas vezes, Haddad, muitas vezes, Boulos, muitas vezes, a gente se recusa a conversar com determinados políticos; é da nossa natureza.

Mas veja, eu gostaria que no Congresso Nacional só tivesse gente boa, gente de esquerda, gente progressista, mas não é assim. O povo não pensou assim. O povo elegeu quem ele quis eleger. Nós temos que conversar com quem está lá para ver se a gente conserta esse país. 

Eu preciso conversar com os empresários. Eu quero saber aonde é que está a loucura deles de não perceberem que, se eles quiserem crescer economicamente, se eles quiserem que a bolsa cresça, se eles quiserem que a economia cresça, é preciso garantir que o povo tenha emprego, que o povo tenha renda, que o povo possa viver com dignidade, senão não há crescimento.

Será que é difícil ou será que nós vamos ficar reféns do “Deus mercado”, que só quer ganhar dinheiro não importa como?

Nós já vimos a experiência da crise de 2008, com o subprime americano e, depois, com a quebra do Lemman Brothers. E quando eles quebram, quem é que coloca dinheiro para salvá-los? O Estado! O Estado que eles repudiam, o Estado que eles destroem. Quando eles quebram, quem põe dinheiro é o Estado pra salvá-los.

Nos Estados Unidos, quando quebrou o sistema habitacional pela bolha, com o subprime, eles ajudaram primeiro os bancos, para somente depois pensar nos coitados que perderam as casas. Quando é que a gente vai pensar nos debaixo primeiro?

Então, não tenham medo de mim. Eu sou radical. Eu sou radical porque eu quero ir à raiz dos problemas desse país.

Eu sou radical porque eu quero ajudar a construir um mundo justo. Um mundo mais humano. Um mundo em que trabalhar e pedir aumento de salário não seja crime. Um mundo em que a mulher não seja tripudiada por ser mulher. Um mundo em que as pessoas não sejam tripudiadas por aquilo que querem ser. Um mundo em que a gente venha a abolir definitivamente o maldito preconceito racial nesse país. Um mundo que não tenha mais bala perdida. Um mundo em que o jovem possa transitar livremente pelas ruas de qualquer lugar sem a preocupação de tomar um tiro. 

Um mundo em que as pessoas sejam felizes onde quiserem ser, que as pessoas sejam o que elas decidirem. Um mundo em que a gente tem que respeitar a religiosidade de cada um, cada um é o que quer, cada um tem a espiritualidade que quiser. Ninguém é obrigado a ser da minha religião, seja a que você quiser, a que você acredita. As pessoas podem ser LGBT, e a gente tem que respeitar o que as pessoas fazem. Esse mundo é possível, esse mundo é plenamente possível.

E é por isso que eu convido vocês para a gente lutar nesse país para garantir que todo, todo, todo brasileiro, independentemente da idade, tome vacina.

E, para isso, a gente tem que obrigar o governo a comprar a vacina, mas, ao mesmo tempo, nós temos que brigar pelo salário emergencial, e ao mesmo tempo brigar por investimento em geração de emprego, sobretudo a partir de infraestrutura.

Temos que brigar por uma política de ajuda aos microempreendedores, ao pequeno empresário brasileiro, que não se suporta e quebra. Quantos restaurantes estão fechando? Quantas farmácias estão fechando. Quantas lavanderias estão fechando. Quantos institutos de beleza estão fechando? Para que que existe governo? É para tentar encontrar solução para essa gente. 

Então, gente, eu agora quero pedir desculpas a vocês, porque como o Gilmar Mendes falou muito ontem, eu também falei muito hoje, mas vocês hão de convir que faz cinco anos que eu não falo com a imprensa.

Você sabe qual foi a última vez que dei uma entrevista pra televisão? Foi pro Roberto D’avila, na Globonews, há uns 5 ou 6 anos atrás. Uns 4 anos atrás.

Eu virei uma espécie de vírus: não encosta no Lula, não ouça o Lula. Uma vez eu fui condenado a três anos de cadeia em Manaus. Sabe qual era a minha arma? O juiz disse que eu tinha a língua felina. Então, eu quero dizer pra vocês, para defender o povo brasileiro, para defender as coisas que vão salvar esse país, vou continuar com minha língua felina.

E quero agradecer porque, se não fossem vocês, possivelmente eu não teria chegado aqui.

Muito obrigado.

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10
Mar21

Villas Boas funcionário do governo Bolsonaro

Talis Andrade

 

Oficiais da ativa e da reserva, empregados do governo Bolsonaro, criticaram a fala do ex-presidente Lula, que em sua coletiva à imprensa nesta quarta-feira, 10, fez críticas ao general Eduardo Villas Bôas, após ser questionado pelo jornalista Rodrigo Vianna do Brasil 247. 

Villas Bôas foi comandante do Exército de 2014 a 2019 e, em abril de 2018, ameaçou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que não concedesse um habeas corpus que evitaria a prisão de Lula.AO VIVO - General Villas Bôas tenta mudar a narrativa do golpe, mas comete  um erro: ou é mentiroso, ou insubordinado

Vilas Bôas foi nomeado por Dilma, a quem traiu, conspirando com Michel Temer, partidos da extrema direita, do centrão, bancadas da bala, da bíblia, do boi, liderados por Eduardo Cunha, que presidiu o impeachment na Câmara dos Deputados.

Lula também criticou carta do Clube Militar atacando a decisão do ministro Edson Fachin (STF) de anular as condenações do petista no âmbito da Lava Jato em Curitiba.

O mais luxuoso clube do Brasil, com várias sedes no Rio de Janeiro e principais cidades do Brasil. Um clube exclusivo dos ofíciais. Lá soldados, cabos e sargentos entram para realizar serviços dos escravos no Império.

Recente carta do Clube Militar ataca o STF e defende o deputado miliciano Daniel Silveira. 

O Clube Militar participou da Revolta da Vacina em 1904, e continua negacionista, apoiando Bolsonaro, cujo governo militar recusa reconhecer a importância da vacina para conter o genocídio, a pandemia, a letalidade por Covid - 19, por asfixia, por falta de socorro médico, de cuidados paliativos. 

Na coletiva, Lula tirou sarro da carta do Clube Militar desta terça-feira, 9, mas disse que Villas Boas o preocupou. “Não acho correto que um comandante das Forças Armadas faça o que ele fez”, afirmou o petista, que acrescentou que se fosse presidente exonerava o general do serviço público “na hora”. 

Geberal da reserva Villas Boas e filha são funcionários comissionados do governo Bolsonaro. Mais de 8,5 mil militares de farda ou pijama estão mamando nas tetas do governo. É a maior ocupação militar da história do Brasil. 

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, um almirante disse que “cutucar Villas Bôas reforçou a ojeriza usual que as Forças Armadas nutrem em relação a Lula e ao PT”. Já um coronel teria dito que “haverá dificuldades claras de diálogo caso Lula de fato seja candidato e tenha chances de ganhar”.

“Os militares não distinguem Lula de Dilma Rousseff (PT), a quem nutrem verdadeiro horror por ter patrocinado a Comissão da Verdade, que veem como instrumento revanchista”, relata matéria da Folha.

Historia a Wikipédia: 

Comissão Nacional da Verdade (CNV), abreviadamente Comissão da Verdade, foi um colegiado instituído pelo governo do Brasil para investigar as graves violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. As violações aconteceram no Brasil e no exterior, praticadas por "agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio ou no interesse do Estado" brasileiro.

A comissão foi composta de sete membros nomeados pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que foram auxiliados por assessores, consultores e pesquisadores. A Lei 12.528/2011, que a instituiu, foi sancionada em 18 de novembro de 2011, e a comissão foi instalada oficialmente em 16 de maio de 2012. A cerimônia de instalação contou com a participação de todos os ex-Presidentes da República desde o restabelecimento da democracia após a ditadura militar (1964-1985). A CNV concentrou seus esforços no exame e esclarecimento das violações de direitos humanos praticados durante esta última ditadura. Leia mais

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10
Mar21

Dallagnol: A hashtag "um cabo e um soldado", para fechar o STF, entre as mais compartilhadas 

Talis Andrade

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Laura Tessler sobre liminar do ministro Marco Aurélio que soltou presos em segunda instância: "Que vergonha!!!!. Isso é coisa de bandido!!! MA passou de todos os limites!!! (...) É de uma canalhice sem tamanho!"

Conheça os bastidores da quadrilha da Lava Jato. A organização criminosa criou uma Liga da Justiça para peitar o STF, e criar uma Suprema Justiça paralela, tendo Sérgio Moro como juiz universal, e Dallagnol o ressuscitado Savonarola da Santa, três vezes Santa, Santa Inquisição. 

Dallagnol bancava o santo do pau oco. Até jejum fez, pela prisão de Lula. 

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Dallagnol tão incompetente, tão suspeito quanto Sérgio Moro, de quem recebia ordens de serviço sujo. 

Escreve Sérgio Rodas, no ConJur:

Após liminar, lavajatistas articularam plano para manter Lula na prisão

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Após o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, mandar, no fim de 2018, soltar todos os que cumpriam pena após condenação em segunda instância, os integrantes da força-tarefa da "lava jato" no Paraná articularam um "plano B" para pedir nova prisão do ex-presidente Lula e impedir que ele deixasse a prisão.

As mensagens constam de petição apresentada pela defesa do petista, nesta segunda-feira (8/3), ao Supremo Tribunal Federal. O diálogo faz parte do material apreendido pela Polícia Federal no curso de investigação contra hackers responsáveis por invadir celulares de autoridades.

O ministro do STF Luiz Edson Fachin anulou nesta segunda as condenações de Lula no caso do tríplex do Guarujá, do sítio de Atibaia, da sede do Instituto Lula e das doações ao instituto. Fachin declarou incompetente a 13ª Vara Federal de Curitiba, que tinha como titular o ex-juiz Sergio Moro, para processar e julgar o ex-presidente. Com a decisão, o petista volta a ter direitos políticos e pode disputar uma eleição. No entanto, a decisão de Fachin não impede que a 2ª Turma do STF julgue a suspeição de Moro nos casos de Lula.

Em 2016, o Supremo Tribunal Federal passou a permitir a execução da pena após decisão de segunda instância. Ao negar Habeas Corpus de Lula em abril de 2018, a corte reafirmou esse entendimento em abril de 2018 e permitiu a prisão do petista.

Diversas ações questionaram a mudança de jurisprudência do STF, pedindo a declaração de constitucionalidade do artigo 283 do Código de Processo Penal. O dispositivo proíbe prisões antes do trânsito em julgado da condenação, exceto em casos de flagrante ou imposição de medida cautelar. No entanto, os julgamentos dessas ações foram adiados por diversas vezes.

Em 19 de dezembro de 2018, Marco Aurélio suspendeu a execução antecipada da pena de prisão e mandou soltar todos os que estivessem presos nessa condição. Em liminar, o ministro se disse convencido da constitucionalidade do artigo 283 do CPP. O magistrado criticou o uso de "argumentos metajurídicos" para justificar a execução antecipada quando a Constituição não a permite. Entre esses argumentos, os altos índices de violência e de corrupção na sociedade brasileira.

Em grupo de mensagens no Telegram, a procuradora Laura Tessler compartilhou a notícia sobre a liminar de Marco Aurélio e comentou: "Que vergonha!!!!". "Isso é coisa de bandido!!! MA passou de todos os limites!!! Liminar no último dia antes do recesso nessa extensão é de uma canalhice sem tamanho!", disse Laura.

O chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, avaliou que a decisão do ministro iria ajudar a “lava jato” e enviou notícia do jornal Folha de S.Paulo que dizia que a hashtag "um cabo e um soldado" estava entre as mais compartilhadas no mundo no Twitter.

hashtag referia-se a uma fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro em julho de 2018. Em uma "aula" para concurseiros que se preparavam para participar de seleção da Polícia Federal, o parlamentar foi questionado sobre o que aconteceria se o Supremo Tribunal Federal ou o Tribunal Superior Eleitoral tentasse impugnar a candidatura de seu pai, Jair Bolsonaro, a presidente.

"Eu não acho isso improvável não, mas aí vai ter que pagar pra ver. Será que eles vão ter essa força mesmo? Pessoal até brinca lá, cara, se quiser fechar o STF sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe, cara, manda um soldado e um cabo. Não é querendo desmerecer o soldado e o cabo não. O que que é o STF, cara? Tipo, tira o poder da caneta de um ministro do STF, que que ele é na rua?", respondeu Eduardo.

Após a decisão de Marco Aurélio, a defesa de Lula protocolou um pedido de soltura do petista na 12ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

Com receio de que o ex-presidente fosse solto, os integrantes do MPF passam a discutir o cenário. O procurador Januário Paulo prevê que a juíza Carolina Lebbos "vai peitar sozinha". Já o procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho opina que a julgadora não precisa ter o desgaste de descumprir a liminar de Marco Aurélio — "basta segurar!!!". "Afinal de contas, o Lula não tem prioridade, tem outros presos lá."

Dallagnol sugere que o espere os próximos movimentos. "Januário, não devemos protocolar nada agora, e sim expandir o tempo da decisão. Vamos ver o prazo que a juíza nos dará em vista."

Pouco tempo depois, o chefe da força-tarefa informa que falou com Carolina Lebbos e que "ela vai abrir vista pra nós". "Podemos até pedir que seja suscitado o supremo". Temos que ver quem é o regional de plantão. Parece que o desembargador é o Thompson [Flores, então presidente do TRF-4] durante o recesso todo e ele segura, mas é bom checar".

"Januário, Vc checa isso? Como a Carolina vai dizer que preliminarmente não é o caso de soltura imediata, pode haver HC contra essa decisão que nos abre vist[a]", pede Dallagnol a Paludo. Este informa que já tem manifestação pronta pelo indeferimento da soltura de Lula. Porém, Dallagnol solicita que ele ainda não a protocole e afirma não achar ruim “ganharmos tempo". "Então deixo a manifestação para o plantão", diz Paludo.

Alegando que a decisão de Marco Aurélio não foi publicada no Diário de Justiça Eletrônico (DJe), a juíza Carolina Lebbos negou o pedido de soltura de Lula e enviou o requerimento ao Ministério Público Federal, para parecer. 

"Plano B" para manter Lula na prisão

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Em seguida, Deltan Dallagnol diz que falou com o subprocurador-geral da República Nicolao Dino e que o plantão judicial no Superior Tribunal de Justiça seria conduzido pelos ministros João Otávio de Noronha, então presidente da corte, e Maria Thereza de Assis Moura, vice, ambos "péssimos", conforme Dallagnol.

Diante desse cenário, o chefe da "lava jato" sugere uma alternativa. “O plano B é pedir prisão aqui [Paraná]. tEremos que fazer brainstorming pra razões. Dentre elas, temos que incluir o tumulto pra prisão dele última como razão de ordem pública”.

"Não dá para pedir preventiva", avalia Paludo. E Carvalho prevê que Dias Toffoli, presidente do STF à época, irá suspender a liminar de Marco Aurelio. No mesmo dia, Toffoli cassou a decisão, informando que o Plenário iria julgar a questão em abril. 

Em novembro de 2019, por seis votos a cinco, o Plenário do Supremo retomou o entendimento de que a pena só pode ser executada após o trânsito em julgado da sentença condenatória. Prevaleceu o voto do relator, Marco Aurélio.

Em 8 de novembro, um dia depois que o STF fixou entendimento sobre a execução provisória, o ex-presidente Lula foi solto beneficiado pela decisão da corte. O petista, que foi detido após condenação em segunda instância, estava preso há 580 dias na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba.

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09
Mar21

Reinaldo Azevedo lembra que, com Lula, o Brasil alcançou o grau de investimento

Talis Andrade

Associações de jornalismo criticam divulgação de conversa de Reinaldo  Azevedo | Cotidiano | A Crítica | Amazônia - Amazonas - Manaus

Jornalista condena o terrorismo de mercado e cobra mais ética nos argumentos

247 – "Os mercados estariam assustados com Lula. Por quê? O Brasil passou a Grau de Investimento a 30 de abril de 2008, 6° ano do sua  gestão. Fato ou versão? Qual o medo? Não deve ser do socialismo, né? Ou da intervenção na Petrobras. Ou do morticínio em massa. Mais ética nos argumentos, sim?", postou o jornalista Reinaldo Azevedo, em suas redes sociais.

 

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