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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Mai19

Lula: "Bolsonaro não acredita em democracia. Em quase todas as fotos ele simula uma pistola com a mão"

Talis Andrade

Spiegel: Bolsonaro não é um representante da oposição tradicional…

Lula: Ele não é capaz na presidência. Por que ele ganhou de qualquer maneira? Vou citar uma frase do autor moçambicano Mia Couto: “Em tempos de terror, escolhemos monstros para nos proteger”. Lá vem um cara que tem sido um membro do parlamento por 28 anos, mas nunca conseguiu nada e consegue se vender como o “novo”. Ele não foi eleito porque seus seguidores acreditam que ele é a melhor alternativa, mas porque ele é contra o PT, foi uma eleição de protesto.

 

Spiegel: A democracia está em perigo no Brasil?

Lula: Bolsonaro não acredita em democracia. Ele e seu pessoal sabem apenas uma coisa: armas. Em quase todas as fotos ele simula uma pistola com a mão. Em primeiro lugar, ele enviou os médicos cubanos para casa, os únicos a garantir assistência médica em muitas regiões pobres. Então ele fez política ambiental e corroeu os direitos dos trabalhadores. Agora ele está falando de uma grande reforma previdenciária. Pode ajudar os bancos, mas não as pessoas. Esse homem é um perigo para o Brasil. Ele destrói tudo o que construímos.

 

Spiegel: Afinal, ele gosta do apoio das forças armadas.

Lula: Os militares que o apóiam parecem ter esquecido todos os princípios nacionalistas. Na minha opinião, isso não significa apenas proteger nossas fronteiras, mas também nossa biodiversidade, nossa água, nossa região amazônica, nossa indústria.

 

Spiegel: Você teve um bom relacionamento com as forças armadas durante o seu governo. Por que os generais estão se voltando contra você agora?

Lula: Eu também gostaria de saber disso. Se eu sair daqui um dia, quero ter uma conversa séria com vários oficiais. Eu não entendo porque o chefe do exército antes da eleição sugeriu ao Supremo Tribunal Federal a minha condenação, a fim de impedir a minha candidatura. Eu sempre tratei bem os militares durante o meu governo.

 

Spiegel: Os militares ameaçam tomar o poder se o governo Bolsonaro falhar?

Lula: Eu não quero que isso aconteça. O povo brasileiro não merece isso. Espero que Bolsonaro caia em si e ganhe o respeito como presidente deste país. Ele deveria aprender a se comportar civilizado. Se Bolsonaro cai, o vice deve assumir, isso é um general.

 

Spiegel: A sociedade brasileira está profundamente dividida …

Lula: Isso é verdade não só para o Brasil, mas também para a Alemanha, os EUA e outros países. Em todo lugar o ódio é alimentado. Quem semeia vento, vai colher tempestade. O Brasil está nessa situação.

 

Spiegel: A Venezuela está em uma crise ainda mais séria que a do Brasil. A líder do seu partido PT viajou para apoiar Nicolás Maduro. Por outro lado, o governo brasileiro, como a Alemanha e muitos outros, reconheceu Juan Guaidó como presidente interino.

Lula: Foi um erro que a Alemanha reconheceu Guaidó, você pode fazer isso com Angela Merkel. Que Donald Trump faz isso, tudo bem, mas a Alemanha não era obrigada a obedecer aos americanos. Ninguém pode se proclamar presidente. Tal ação destrói as instituições.

 

Spiegel: Guaidó se refere à Constituição.

Lula: Por que a oposição não desafiou a vitória eleitoral de Maduro no ano passado?

 

Spiegel: A eleição foi considerada manipulada.

Lula: Se ela foi manipulada, por que eles não a desafiaram? Eu não concordo com o que está acontecendo na Venezuela. Mas é um problema venezuelano. Eu sou pelo direito de autodeterminação dos povos. Quem quer governar na Venezuela, deve sentar-se com seus adversários e negociar, isso não está pronto. Guaidó é um pavão, ele não é confiável.

 

Spiegel: Você poderia imaginar concorrer à Presidência de novo?

Lula: Na minha idade – tenho 73 anos agora – nem sei se estou vivo em quatro anos. Temos que procurar novos candidatos, há pessoas boas dentro e fora do PT. Eu não estou pensando em uma candidatura agora. Eu me concentro na minha vida e minhas provações.

 

Spiegel: Senhor Presidente, agradecemos por esta entrevista.

26
Mai19

Lula: "Dallagnol, que está me perseguindo, é um fantoche do Departamento de Justiça dos EUA"

Talis Andrade

Spiegel: A acusação alega que houve um gigantesco sistema de corrupção em torno da Petrobras para financiar os partidos.

Lula: Isso é mentira. Pode ter havido um ou outro caso. A Petrobras é uma grande empresa, que movimentou 30 bilhões de reais, o equivalente a 6,6 bilhões de euros no ano. Acabei de ler um livro sobre a história do petróleo e as políticas associadas de poder. Desde então, estou convencido de que o que acontece no Brasil tem a ver com os interesses das companhias petrolíferas americanas.

 

Spiegel: Você está falando sério?

Lula: Os americanos e a elite brasileira não queriam permitir que os recursos petrolíferos descobertos durante meu governo fossem promovidos apenas por uma participação majoritária na Petrobras. Eles se opõem a investir 75% dos royalties no sistema educacional, para que o Brasil possa finalmente alcançar a diferença de 200 anos. Isso financiará a pesquisa, a tecnologia e o sistema de saúde. É por isso que eles expulsaram minha sucessora, Dilma Rousseff. Então todas as manobras ilegais se seguiram para me impedir de correr novamente. Eles sabiam que eu seria eleito presidente mesmo se estivesse na prisão. O promotor Deltan Dallagnol, que está me perseguindo, é um fantoche do Departamento de Justiça dos EUA.

 

Spiegel: Mas nem todas as alegações são feitas no ar: diz-se que o grupo brasileiro de construção Odebrecht, que está no centro das investigações de corrupção, subornou políticos em toda a América Latina. Você tem um relacionamento muito próximo com a Odebrecht?

Lula: Não. E não me arrependo de qualquer relacionamento que tive com empresas, bancos, empresários e trabalhadores. Eu sempre soube da importância da Odebrecht no Brasil. É bem possível que as pessoas que queriam tirar Rousseff e destruir a Petrobras também estivessem interessadas em esmagar as grandes construtoras brasileiras. Você pode perfeitamente investigar denúncias de corrupção, descobrir corrupção e, se o proprietário da Odebrecht praticar corrupção, ele deve ser preso. Mas a empresa deve continuar trabalhando para criar empregos e prosperidade. Quem se beneficia se as empresas de construção desmoronarem? Quem se importa com o fato de as empresas brasileiras não estarem ativas na África ou em outros países da América do Sul? Os concorrentes na Europa e nos EUA.

 

Spiegel: A elite brasileira que você critica tão duramente cortejou você quando estava no governo.

Lula: Eu sempre disse: eu governo para os ricos e os pobres. Mas todos devem saber que minha preferência pertence àqueles que são os mais necessitados. No final do meu governo em 2010, eu tinha índices de aprovação de mais de 80%. Houve união nacional sobre a minha pessoa.

 

Spiegel: Então, como você explica que hoje você é tão odiado por uma parte da sociedade?

Lula: A mídia do Brasil tem alimentado o ódio desde 2005. Mário Soares, o antigo presidente português, disse-me numa visita: Lula, não entendo isso, você é deus na imprensa estrangeira, você é o diabo na imprensa brasileira. Após as manifestações em massa em 2013, esse ódio tornou-se ainda mais forte. Após a eleição de 2014, que minha sucessora Rousseff venceu por pouco, a oposição inicialmente se recusou a aceitar o resultado. A direita sempre prega: nosso inimigo é o Partido dos Trabalhadores, devemos destruí-lo. Mas eles não tiveram sucesso.

 

26
Mai19

Lula: "Bolsonaro é como o imperador Nero. Incendeia o país inteiro"

Talis Andrade

Spiegel: Pouco antes de sua prisão, você estava a caminho do Uruguai na campanha eleitoral. Naquela época, você disse que só precisava dar um passo para se salvar do Judiciário. Você se arrepende de não ter sido exilado?

Lula: Não, havia algumas coisas que eu não queria desistir. Tenho 73 anos, fui presidente do Brasil e sou muito conhecido. Eu não me via como refugiado. Pessoas importantes discutiram comigo se eu preferiria sair do Brasil ou procurar refúgio em uma embaixada. Eu decidi ficar no país. Eu luto pela verdade. Eu quero provar que aqueles que me acusam são mentirosos. E se eu tiver que fazer isso em detenção – tenho uma consciência limpa. O juiz Moro e os promotores que me colocaram atrás das grades não estão dormindo tão bem quanto eu, estou convencido.

 

Spiegel: Você esperava sua prisão?

Lula: Desde que a “Operação Lava Jato” começou, eu estava convencido de que na verdade ela tinha apenas um objetivo: eu. Eu disse para mim mesmo naquela época, não é possível para meus oponentes substituir minha sucessora, Dilma Rousseff, que também vem do Partido dos Trabalhadores, e depois permitir que eu seja reeleito presidente. Isso não se encaixa.

 

Spiegel: Você se vê como um prisioneiro político?

Lula: O juiz Moro, que me condenou, foi nomeado ministro da Justiça, pelo novo presidente, Jair Bolsonaro. Poucos dias atrás, Bolsonaro anunciou publicamente que havia concordado com Moro para içá-lo no próximo posto vago na Suprema Corte. Isso prova que tudo foi um jogo bem organizado.

 

Spiegel: O próprio Moro se protege contra tais acusações…

Lula: Moro garantiu que Bolsonaro fosse eleito presidente impedindo minha candidatura.

 

Spiegel: Sob o seu governo, a economia cresceu e milhões de pessoas saíram da pobreza. Seguiu-se um choque político e econômico. No ano passado, o direitista Bolsonaro foi eleito presidente. O que há de errado com o seu país?

Lula: A política econômica não é mágica. Você tem que ter credibilidade para ser respeitado. É por isso que tive o apoio de Gerhard Schröder e Angela Merkel, George W. Bush, Barack Obama, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy, Tony Blair e Gordon Brown. O Brasil estava a caminho de se tornar a quinta maior economia do mundo e agora temos esse desastre. Bolsonaro é como o imperador romano Nero: ele incendeia o país inteiro. As palavras emprego, crescimento, investimento e desenvolvimento não são utilizadas. Ele não quer construir, apenas destruir. Nós temos um presidente que bate as enxadas na frente da bandeira dos EUA. O Brasil não merece isso.

 

Spiegel: O seu partido, o PT, não é responsável pelo declínio? Uma vez prometeu combater a corrupção, agora o próprio partido está envolvido em vários escândalos de corrupção.

Lula: Não há partido na história do Brasil que tenha criado mais ferramentas anticorrupção que o PT. Nós não apenas criamos leis mais rígidas, mas também demos mais transparência. Então a corrupção veio à luz. Cometemos erros e pagamos por eles. Mas apenas o tesoureiro do nosso partido está na cadeia, embora todos as partidos tenham recebido dinheiro da mesma maneira. O PT não foi punido por seus erros e erros, mas pelo que fez certo.

 

Spiegel: Como é isso?

Lula: A elite brasileira não aceita a ascensão dos pobres. Meu crime era permitir que os pobres estudassem, usassem a mesma calçada que os ricos, para ir aos shoppings e aeroportos de uma só vez. Esta terra pertence a todos. O PT foi generoso com aqueles que precisavam do estado brasileiro, mas não negligenciou os ricos. Eu carrego minha cruz, mas os pecados foram cometidos por outros.

 

 

 

25
Mai19

Lula: "Eu chamo o Judiciário para provar minha culpa. Sérgio Moro fala em 'fatos inderminados"

Talis Andrade

Reproduzo, abaixo, a entrevista do ex-presidente Lula a Jens Glüsing, correspondente da revista alemã Der Spiegel, uma das mais importantes publicações da Europa.

 

Spiegel: Senhor Presidente, como você está? Você sofre de solidão?

Lula: Eu posso lidar com ela. Além disso, sou saudado três vezes por dia por meus seguidores que acampam do lado de fora em uma esquina. Se eu sair daqui, serei eternamente grato a essas pessoas. Espero poder sair deste prédio pela entrada principal e beber um drinque decente com eles.

 

Spiegel: Você sempre foi uma pessoa muito comunicativa e sociável. Como você se mantém em uma pequena cela?

Lula: Vou te contar uma coisa que ainda não disse em ninguém. Quando comecei minha carreira no sindicato muitos anos atrás, eu era muito tímido. Quando falava em um evento, ficava nervoso. Para me preparar, colava fotos de muitas pessoas na parede do meu quarto e praticava meu discurso na frente delas. Falava com um público imaginário. Quando estou na minha cela hoje com o desejo de falar a uma platéia, também coloco fotos na parede.

 

Spiegel: Seu aprisionamento também é um fardo para sua família. Suas contas estão bloqueadas e sua filha está vendendo produtos de confeitaria pela Internet.

Lula: Isso é tudo muito difícil para ela, mas eu não quero reclamar. Quando criança, quando morava com minha mãe, muitas vezes a via acocorada ao lado do fogão aos domingos. Não havia absolutamente nada para preparar uma refeição, mas ela não reclamava. Pelo menos meus filhos têm o suficiente para comer. Claro que eu gostaria que eles não tivessem que passar por isso. Mas com o tempo, a verdade mostrará seu rosto.

 

Spiegel: Você sempre foi uma pessoa muito comunicativa e sociável. Como você se mantém em uma pequena cela?

Lula: Vou te contar uma coisa que ainda não disse em ninguém. Quando comecei minha carreira no sindicato muitos anos atrás, eu era muito tímido. Quando falava em um evento, ficava nervoso. Para me preparar, colava fotos de muitas pessoas na parede do meu quarto e praticava meu discurso na frente delas. Falava com um público imaginário. Quando estou na minha cela hoje com o desejo de falar a uma platéia, também coloco fotos na parede.

 

Spiegel: Seu aprisionamento também é um fardo para sua família. Suas contas estão bloqueadas e sua filha está vendendo produtos de confeitaria pela Internet.

Lula: Isso é tudo muito difícil para ela, mas eu não quero reclamar. Quando criança, quando morava com minha mãe, muitas vezes a via acocorada ao lado do fogão aos domingos. Não havia absolutamente nada para preparar uma refeição, mas ela não reclamava. Pelo menos meus filhos têm o suficiente para comer. Claro que eu gostaria que eles não tivessem que passar por isso. Mas com o tempo, a verdade mostrará seu rosto.

 

Spiegel: Você foi condenado a doze anos por corrupção e lavagem de dinheiro em segunda instância e, recentemente, a sentença foi reduzida para quase nove anos. Você é acusado de ter recebido um apartamento de uma construtora, que, por sua vez, teria sido preferida na aquisição da Petrobras. Como você quer provar sua inocência?

Lula: Eu não tenho que provar que sou inocente, eu chamo o Judiciário para provar minha culpa. Fui condenado em primeiro lugar sem qualquer prova. O promotor fez uma apresentação em PowerPoint para justificar a ação contra mim. A manifestação disse que não há provas claras de que as acusações foram baseadas em “crenças”. Mesmo o juiz Sérgio Moro, que me condenou, não apresentou nenhuma prova, fala em “fatos indeterminados”. O tribunal de apelação me condenou sem ler os arquivos do caso; eles queriam impedir minha candidatura o mais rápido possível.

 

Spiegel: Os promotores acusaram você de atuar como chefe de uma organização criminosa.

Lula: Alguém tem que finalmente provar que eu sou dono deste apartamento e que recebi dinheiro da construtora ou dinheiro da Petrobras. Não importa que alguém esteja sob custódia, esperando que o Judiciário produza provas. Eu luto para que a verdade finalmente chegue à tona.

 

Spiegel: Você pode ter que passar anos na prisão.

Lula: Isso pode demorar um pouco, não tem problema. É difícil, eu prefiro estar em liberdade, mas não vou desistir de uma coisa por um preço único: minha dignidade.

24
Mai19

Lava-Jato produziu o governo Bolsonaro

Talis Andrade

 

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por Guilherme Scalzilli 

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Os antigos defensores da Lava Jato, que festejaram quando a prisão de Lula impediu sua vitória eleitoral, reagem com perplexidade às estultices do governo Jair Bolsonaro. Ignorando a óbvia relação causal dos fenômenos, fingem que o jabuti subiu na árvore sozinho, como se a tragédia anunciada fosse um mero acidente de percurso na Cruzada Anticorrupção. 
 
É fácil notar que a Lava jato enriquece delatores, advogados e multinacionais estrangeiras. Já considerá-la benéfica para o povo que a financia depende do repertório de valores de cada um. Se derrotar o lulismo compensa quaisquer sacrifícios, colapsos e prejuízos, maravilha, deu certo. Se nada justifica eleger milicianos e dementes obscurantistas, a conta não fecha. 
 
O meio-termo, usado por muitos para fugir do dilema, disfarça a escolha pela primeira opção. Um dos apelos do imaginário fascista reside justamente em prender (e matar) bandidos. Não é outra a origem do discurso de que a corrupção supera negativamente a desigualdade social, a incompetência administrativa e o racismo institucionalizado. Ou o próprio fascismo. 

E precificar os lados da balança não ajuda a equilibrá-la. Quantas fortunas recuperadas pagam a destruição da universidade pública, da cultura, dos direitos individuais? Quantos larápios aposentados ou irrelevantes compensam a inelegibilidade de um candidato favorito a presidente da República, o único capaz de impedir a escalada reacionária? 

A agenda saneadora jamais precisaria da Lava Jato e do resultado eleitoral que ela gestou. As condenações de burocratas e políticos metidos em esquemas antigos e notórios seriam resolvidas há décadas, sem rótulos espalhafatosos, desde que policiais, procuradores e juízes cumprissem suas prerrogativas básicas. Todos esses casos dispensariam os arbítrios aplicados a Lula em nome da impunidade alheia. Só a excepcionalidade atingiria o petista

Nisso a Lava Jato, porque ideológica, foi eficaz: partidarizou a constitucionalidade, tornando o antipetismo um alento moral para a naturalização do arbítrio. Nada mais explica o silêncio das cortes superiores diante dos métodos aplicados a Lula, cheios de vícios primários, que teriam derretido qualquer processo “comum”. O fato de não criar precedentes, mas exceções pontuais irrepetíveis, mostra o caráter deliberado e sistemático dessa covardia. 

Basta resumir a trajetória de Sérgio Moro para sabermos que não houve mera coincidência entre as suas atividades e a ascensão fascista. O juiz vazou grampos ilegais para derrubar um governo, condenou por “crime indeterminado” o candidato do mesmo partido, manteve-o incomunicável na disputa eleitoral, ajudou a campanha do seu maior adversário e se tornou ministro da chapa vencedora. A de Bolsonaro, que lhe prometeu uma vaga no STF. 

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Esse pragmatismo oportunista só faz sentido como estratégia de poder. Não há justificativa técnica para encenações midiáticas e vazamentos de dados sigilosos. E é ilustrativo o gosto contraditório pela publicidade numa operação que resguarda seus próprios segredos tão bem, inclusive negando às defesas o acesso a documentos dos inquéritos. 

A evidência final de que a Lava Jato pariu o monstro está na afinidade ética de ambos. O recurso de Moro ao espetáculo obscurantista e a manobras clandestinas sempre que algo ameaça seus interesses é típico do governo que o abriga. As pressões de militares sobre o STF na campanha e a desobediência às ordens de soltura de Lula têm a mesma essência. 

Refém da desgraça bolsonariana, incapaz de sobreviver a uma CPI bem feita, a Lava Jato virou parte do sistema viciado que prometia destruir. É impossível separar cruzados judiciais e administrativos, pois o elo populista que os une também lhes confere sua única fantasia de legitimidade. Eles dependem do mesmo contingente raivoso e vingativo. 

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A normalização do país exige, portanto, que todos os articuladores do golpe que tirou Lula da disputa presidencial respondam juntos pelo desastre resultante. Permitir que os indignados tardios reciclem a agenda salvacionista, quiçá em torno do próprio Moro, seria um aval para novas aventuras tenebrosas da “gente de bem” que o idolatra. Os arrependidos de hoje sabiam, desde o início, aquilo que a Lava Jato preparava.
 

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21
Mai19

Bolsonaro homenageia desembargador que impediu liberdade de Lula

Talis Andrade

Thompson Flores foi agraciado com a Ordem do Mérito Naval, concedida a quem presta serviços memoráveis à Marinha

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Jornal GGN – Jair Bolsonaro entregou nesta terça (21) uma homenagem ao presidente do TRF-4, desembargador Thompson Flores, um dos protagonistas da “guerra de despachos” que impediu Lula de deixar a prisão, em 2018.

Flores, em sintonia com Sergio Moro, defendeu a atuação emergencial de João Gebran Neto, que proferiu uma decisão contra o habeas corpus concedido a Lula por Rogério Favreto, então desembargador plantonista no tribunal.

Gebran, em tese, não tinha autoridade para derrubar a ordem de Favreto. Mesmo a hierarquia entre Flores e o plantonista, naquele caso, deveria ter sido apenas administrativa. O episódio, que contou com a participação de Moro de férias em Portugal – ele acionou a Polícia Federal para não libertar Lula com o HC de Favreto – foi denunciado ao Conselho Nacional de Justiça, que decidiu por arquivar a reclamação.

Flores também ganhou os holofotes da mídia quando defendeu a excelência técnica da sentença de Moro contra Lula no caso triplex, mesmo sem ter tido tempo de ler a condenação na íntegra.

Já Gebran Neto teria recebido de Bolsonaro a promessa de assumir um dos cargos que vagar no Supremo Tribunal Federal nos próximos anos. Leia mais aqui.

Segundo O Globo, Flores foi agraciado com a Ordem do Mérito Naval, que deveria ser concedida a quem presta serviços memoráveis à Marinha. Segundo a BBC Brasil, o presidente do TRF-4 tem um tio trisavô que era coronel. Moro e outras 400 pessoas, entre ministros, militares e juízes, estavam na lista de homenageados.

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Antonio Conselheiro construiu a segunda maior cidade da Bahia. Líder do povo, depois de morto foi desenterrado, para o coronel Tomás Thompson Flores cortar a cabeça para colocar em um museu. O desejo mais secreto do descendente e decadente desembargador Carlos Thompson Flores é exibir a cabeça de Lula como troféu. Assim fica justificada a medalha de mérito naval.

 
18
Mai19

Moro é brando com Flávio e Severo com Temer, comprova Josias de Souza. Entenda a conspiração imperialista da Lava Jato

Talis Andrade

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por Josias de Souza

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A proximidade é complacente. A distância é implacável. É o que revela o ministro Sergio Moro (Justiça) ao adotar pesos e medidas diferentes para analisar os dramas penais que assediam as biografias do senador Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Michel Temer. Quando fala sobre o filho 'Zero Um' de Jair Bolsonaro, Moro é brando. Quando se refere a Temer, soa draconiano.

 

Em entrevista à GloboNews, na noite desta quarta-feira, o ex-juiz da Lava Jato foi instado a comentar a penúltima notícia que despencou sobre o primogênito do presidente. Documento do Ministério Público do Rio de Janeiro anota que o senador aplicou R$ 9,4 milhões na aquisição de 19 imóveis. Farejaram-se nas transações indícios de lavagem de dinheiro.

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Moro deu um voto de confiança ao investigado: "Acredito que o senador vai ter plenas condições de esclarecer esses fatos com o tempo, desde que seja dado a ele algum tempo." Considerou "inapropriado emitir qualquer juízo a esse respeito." Escorregadio, alegou que "o ministro da Justiça não é um supertira, não cuida de todas as investigações do país."

 

Perguntou-se também a Moro que diferenças enxerga entre os casos de Lula e de Michel Temer. Menos evasivo, o ex-juiz realçou que Lula está preso porque foi condenado na primeira e na segunda instância. [Transcrevi trechos do comentário de Josias de Souza. Fica mais uma vez demonstrado que Moro possui corruptos de estimação. Pela cobiça de um cargo de ministro, e pela promessa de ir para o STF, passou a ser babá dos pimpolhos de Bolsonaro. 

 

A realidade é dura, o maleável ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, "adota pesos e medidas diferentes para analisar os dramas penais que assediam as biografias do senador Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Michel Temer"

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"Quando fala sobre o filho 'Zero Um' de Jair Bolsonaro, Moro é brando. Quando se refere a Temer, soa draconiano", escreve Josias de Souza, em sua coluna no UOL.

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"É uma pena que a proximidade impeça Sergio Moro de tratar Flávio Bolsonaro com a mesma objetividade", conclui o colunista, cobrando de Moro que "falta advogar em nome do interesse público, aplicando ao filho do presidente a mesma simplicidade: 'Se cometeu crimes, tem que responder pelos seus atos'".

 

Moro uma pessoa lamentável. Indigno e medíocre, diz primeiro-ministro de Portugal

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Para o ex-primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, "é impossível ler declaração do ministro da Justiça brasileiro sem um esgar de repugnância".

As palavras produzidas [por Moro] confirmam o que já se sabia do personagem: Como juiz, indigno; como político, medíocre; como pessoa, lamentável"

Diz mais Sócrates sobre Moro, ministro da Segurança Pública do governo Bolsonaro:

Põe em causa os princípios básicos do direito e da decência democrática. Conhecemos o significado dos discursos governamentais que celebram golpes militares, defendem a tortura e recomendam o banimento dos adversários políticos", disparou.

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Lava Jato operação colonial: Serviços de espionagem dos EUA tramaram prisão de Lula

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O papel de Moro como agente dos Estados Unidos vem sendo denunciado pela imprensa internacional. A Lava Jato é uma réplica da Operação Condor, da Cia, que instalou regimes militares, em países da América Latina e África e Ásia, a partir dos anos cinquenta do século passado.

A Lava Jato troca os tanques dos militares pela espada da justiça. Já derrubou governos de esquerda no Paraguai (Fernando Lugo), no Brasil (Dilma Rousseff), e elegeu governos da direita e extrema direita na Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Equador, Paraguai, Brasil. A mesma ameaça de prisão de Lula paira sobre Rafael Correa e Cristina  Kirchner, para impedir suas candidaturas presidenciais. 

Em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald, o presidente Lula da Silva afirma que tem "clareza" que o departamento de Justiça dos Estados Unidos está por trás da Lava Jato e, consequentemente, de sua prisão.

"O senhor tem evidências, provas?", perguntou Greeenwald, ao que Lula respondeu ironizando declaração do procurador Deltan Dallagnol: "Tenho convicção".

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Para jurar "Estados Unidos acima de Tudo", Bolsonaro esquece "Deus acima de Todos"

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Na cerimônia em que recebeu o prêmio oferecido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Dallas, no Texas, o presidente Jair Bolsonaro fez um discurso de 11 minutos nesta quinta-feira 16, no qual mudou o bordão de seu governo para "Brasil e Estados unidos acima de tudo", gerando uma avalanche de críticas nas redes sociais.

 

E termino com o meu chavão de sempre. Meu muito obrigado a todos. Brasil e Estados Unidos acima de tudo, Brasil acima de todos", declarou, errando a parte final, onde entraria "Deus acima de todos".

Ele também voltou a bater continência para a bandeira americana, como já havia feito antes de ser eleito presidente. 

Para promover a Operação Lava Jato, a Câmara, que tem sede em Nova Iorque, premiou Sergio Moro, Doria, Bolsonaro. 

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15
Mai19

Mídia rifa Moro, o ministro que virou bagaço

Talis Andrade

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Os abusos da Operação Lava-Jato, que ajudaram a demonizar a política e a chocar o ovo da serpente fascista no país – resultando na eleição do miliciano Jair Bolsonaro –, só foram possíveis graças ao apoio entusiástico da mídia falsamente moralista. Sem cumprir o seu papel informativo, ela nunca questionou os métodos arbitrários e ilegais de Sergio Moro. 

O juizeco de primeira instância, também apelidado de “marreco de Maringá”, virou herói do Partido da Imprensa Golpista – o PIG. Ele foi homenageado inúmeras vezes pela Rede Globo e paparicado por outras emissoras de rádio e tevê, ocupou várias capas da Veja e de outras revistonas e teve espaço generoso, quase diário, nos jornalões. 
 
Como prêmio pelos serviços prestados – principalmente com a prisão e o impedimento da candidatura de Lula, que aparecia com folgada vantagem em todas as pesquisas eleitorais –, Sergio Moro ganhou um superministério do eternamente grato Jair Bolsonaro. Ele não vacilou em se unir com “laranjas”, milicianos, fascistas, fundamentalistas e outros trastes. 

A vaidade e a ambição pelo poder, porém, rapidamente desmascararam o justiceiro da Lava-Jato. No mundo, Sergio Moro já é tratado como oportunista e venal. Recentemente, José Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal, afirmou que o juizeco “é um ativista político disfarçado de juiz”, um sujeito “indigno, medíocre e lamentável” – veja abaixo o petardo. 

No Brasil, a sua máscara também vai caindo. Ele chegou ao governo sendo tratado como “futuro presidente” – ou, no mínimo, como ministro do Supremo Tribunal Federal, o que seria como “ganhar na loteria”, disse excitado. Aos poucos, porém, o superministro virou bagaço no “laranjal” de Jair Bolsonaro. Sua imagem se desgasta a cada dia que passa. 

No Congresso Nacional, Sergio Moro coleciona derrotas. Na semana passada, a comissão especial que analisa a reestruturação administrativa retirou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do “superministério” da Justiça, devolvendo-o ao Ministério da Economia. Foi a maior humilhação do juizeco até agora. O seu pacote anticrime – que na verdade representa uma licença para matar – também está estacionado no parlamento. 

Sergio Moro também é humilhado pelo próprio chefe, que nada fez para manter o Coaf na mão do seu cabo-eleitoral de luxo – muito pelo contrário. Ele sequer conseguiu indicar a especialista em segurança pública Ilona Szabó para um conselho consultivo do ministério. O nome dela foi vetado pelo presidente-capetão. Até hoje, o justiceiro segue quieto sobre os “laranjas” e os condenados que são seus parceiros na Esplanada do Ministério. 

Diante de tantas derrotas e humilhações, a mídia udenista, que fabricou a farsa do heroico justiceiro, já começa a entregar os pontos. Neste final de semana, Estadão e Folha deram adeus às ambições de Sergio Moro. “Um superministro sem força”, ironizou o editorial do jornalão da famiglia Mesquita. Já o diário da famiglia Frias publicou um duro artigo sobre as “derrotas de Moro”. Pelo jeito, nem a promessa do carguinho no STF, feita de forma matreira pelo “capetão” Jair Bolsonaro, está garantida. 
 
 
O que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz
 
 
A nota oficial de José Sócrates: 

O juiz valida ilegalmente uma escuta telefônica entre a Presidente da República e o anterior Presidente. O juiz decide, ilegalmente, entregar a gravação à rede de televisão Globo, que a divulga nesse mesmo dia. O juiz condena o antigo presidente por corrupção em “atos indeterminados”. O juiz prende o ex- presidente antes de a sentença transitar em julgado, violando frontalmente a constituição brasileira. O juiz, em gozo de férias e sem jurisdição no caso, age ilegalmente para impedir que a decisão de um desembargador que decidiu pela libertação de Lula seja cumprida. 

O conselho de direitos humanos das Nações Unidas decide notificar as instituições brasileiras para que permitam a candidatura de Lula da Silva e o acesso aos meios de campanha. As instituições brasileiras recusam, violando assim o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos que o Brasil livremente subscreveu. No final, o juiz obtém o seu prêmio: é nomeado ministro da justiça pelo Presidente eleito e principal beneficiário das decisões de condenar, prender e impedir a candidatura de Lula da Silva. 

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O espetáculo pode ter aspectos de vaudeville mas é, na realidade, bastante sinistro. O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz. Não é apenas um problema institucional, é uma tragédia institucional. Voltarei ao assunto. 

José Sócrates - Ericeira, 22 de abril de 2019
 

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14
Mai19

Clarín: Estados Unidos manejam a Lava Jato para destruir o Brasil e a América Latina

Talis Andrade

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Reportagem jornal Clarín – um veículo independente que faz referência ao Clarín argentino, mas que não tem ligação com o grupo – mostra como o governo norte-americano forma procuradores e influencia no fenômeno do lawfare para derrubar chefes de governo e impor novas lideranças comprometidas com as políticas de austeridade neoliberal 

 

Por El Clarín Chile, com tradução da Carta Maior

Num discurso feito em julho deste ano, no qual felicitava a si mesmo, o subprocurador geral estadunidense Kenneth A. Blanco, que dirigia a Divisão Penal do Departamento de Justiça (porque logo o Secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, o escolheu para encabeçar a Direção de Investigação sobre Delitos Financeiros), se referiu ao veredito condenatório ditado contra o ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, como o principal exemplo dos “resultados extraordinários” alcançados graças à colaboração do Departamento de Justiça (DOJ, por sua sigla em inglês) com os promotores brasileiros na operação “anti corrupção” chamada Lava Jato.

A unidade da Divisão Penal do DOJ que colabora com a Lava Jato é a Seção de Fraudes. De novembro de 2014 até junho de 2017, quem dirigia a Seção de Fraudes do DOJ era ninguém menos que Andrew Weissman. Ao deixar essa função, ele foi transferido e passou a formar parte do grupo de choque contra Trump encabeçado pelo Procurador Especial do FBI, Robert Mueller. Weissman tem sido, há muito tempo, o principal assessor de Mueller, e seu histórico de conduta indevida lhe valeu o apelido de “pitbull judicial de Mueller”.

Agora que se está ficando evidente o assalto judicial de Mueller contra a Presidência dos Estados Unidos, com cada vez mais membros de sua equipe ficando expostos por sua corrupção e atos ilegais, é de se esperar que sua operação latino-americana, a Lava Jato, terá a mesma sorte.

Como se sabe, Weissman foi retirado da equipe de caça às bruxas porque transcendeu à luz pública sua parcialidade a favor de Hillary Clinton. Agora cada vez que se menciona a Weissman na imprensa estadunidense é para fazer referência à profunda corrupção que inunda o Departamento de Justiça e o FBI.

As ex-presidentas do Brasil e da Argentina, Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, respectivamente, denunciaram na semana passada que os líderes nacionalistas e progressistas de todo o continente estão sendo submetidos sistematicamente ao que denominam lawfare, o uso da lei como arma de guerra, com o propósito de impor mudanças de governo e instalar chefes de Estado comprometidos com as políticas de austeridade neoliberal que vão destruindo a região. O discurso de Blanco demonstra que por trás do tal lawfare estão os mesmos interesses imperiais que buscam dar um golpe de Estado em seu próprio país, depor o presidente Donald Trump do seu cargo e instalar alguém ainda mais fiel aos interesses do mercado.

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Em discurso mais recente, Blanco se jactou do papel do DOJ em toda esta farsa, durante um evento chamado Diálogo Interamericano, na palestra “Lições do Brasil: Crise, corrupção e cooperação global”. Na ocasião, Blanco deu as boas-vindas ao seu amigo Rodrigo Janot, quem foi há até pouco tempo, e durante anos, o Procurador Geral da República do Brasil, e um dos principais sicários da Lava Jato.

“É difícil imaginar, na história recente, uma melhor relação de cooperação que esta entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os procuradores brasileiros. Esta cooperação nos ajudou de forma substancial com uma série de temas públicos que agora estão resolvidos, e continuamos juntos em uma série de investigações”, afirmou Blanco.

“A cooperação entre o DOJ e o Ministério Público brasileiro levou a resultados extraordinários. Só em 2016, por exemplo, o FBI e a Lava Jato estiveram cooperando e se coordenaram nas resoluções de quatro casos relacionados com a Lei sobre Práticas Corruptas no Exterior (FCPA por sua sigla em inglês), ligado às empresas Embraer, Rolls Royce, Braskem e Odebrecht. O caso da Odebrecht em particular é notável, devido ao seu alcance e sua extensão”, continuou Blanco, que também lembrou que “os procuradores brasileiros conseguiram um veredito condenatório contra o ex-presidente Lula da Silva, acusado de receber subornos da empreiteira OAS em troca de contratos com a Petrobras. Casos como este são os que colocaram o Brasil no topo do ranking dos países que trabalham para combater a corrupção tanto dentro quanto fora do país”.

Blanco revelou, nesse discurso, que a cooperação entre o DOJ e os procuradores brasileiros é tão grande que “operam inclusive fora dos processos formais, como nos tratados de assistência judicial mútua”, que consistem em simples ligações telefônicas de uns para outros, para trocar informações ou solicitar evidências driblando as formalidades legais quando é necessário.

Procuradores e promotores de toda a região entram e saem dos escritórios do Departamento de Justiça estadunidense (o mexicano Raúl Cervantes, quem Blanco considera um “bom amigo”, a panamenha Kenia Porcell”, e muitos outros na Colômbia, no Equador e em vários países do continente) para falar sobre as ações “contra a corrupção”, segundo o discurso do subprocurador. Embora o mesmo não tenha citado os juízes Claudio Bonadio e Sérgio Moro – responsáveis pelas condenações a Lula da Silva e Cristina Fernández de Kirchner, respectivamente – sabe-se que ambos também são parte desse esquadrão de elite judiciário, e figuras centrais da nova política de choque para o continente.

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13
Mai19

SÉRGIO MORO NO STF, INDICADO POR BOLSONARO, É A SUPREMA BAIXARIA!

Talis Andrade

 

 

por Emanuel Cancella

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Sérgio Moro é o juiz que prendeu Lula sem nenhuma prova, às vésperas da eleição, num claro intuito de beneficiar Bolsonaro. Segundo o Ibope, Lula ganharia a eleição em primeiro turno (2). E Moro, com essa baixaria, conquistou o lugar de titular no ministério da Justiça de Bolsonaro (1).
 
E mais: a advogada Rosângela Moro, esposa de Moro trabalha para o PSDB e para a Shell (3,4). Talvez por força do contrato da esposa com o PSDB, nenhum tucano foi preso, nem no escândalo do Banestado e muito menos na Lava Jato, ambas as operações chefiadas pelo juiz Sérgio Moro.
 
No Banestado, segundo palavras do ex-governador do Paraná, Roberto Requião: “A mãe de todos os escândalos no Brasil não é o Mensalão ou o Petrolão, é o do Banestado, que surrupiou dos cofres públicos meio trilhão de reais. Um escândalo exclusivamente tucano e nenhum deles foi preso” (5).
 
E na lava Jato, nem o tucano ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, foi preso, mesmo sendo recordista em denúncias na Lava Jato e Aécio, como deboche, ainda cobra arrependimento de Lula (6).

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O também tucano Pedro Parente conseguiu assumir a presidência da Petrobrás mesmo sendo réu em ação em 2011 que deu um rombo na Petrobrás de R$ 5 BI (7).

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Assim a direção da Petrobrás pagou ao banco JP Morgan R$ 2 BI de um empréstimo que só venceria em 2022 e Pedro Parente é sócio do banco (8).

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Estranho também que a Lava Jato tenha se calado com a articulação e aprovação da lei da Shell pelo golpista Michell Temer. Por essa lei as petroleiras estrangeiras ficaram isentas em um trilhão de reais em impostos e a mais beneficiada a Shell (9 a 11). Seria por conta do contrato da esposa de Moro com a Shell, o silêncio da Lava Jato?

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E para aqueles que acham que a esposa de Moro, Rosangela Moro, não tem nada a ver com os negócios do marido, segundo a revista Veja, com base em informação da Receita Federal, Rosangela Moro recebeu depósito do advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran (13).
 
Duran, ao ser entrevistado pela jornalista Monica Bergamo, disse que foi procurado por Carlos Zucoloto Junior,  advogado oficial da Lava Jato, compadre de Moro e ex-sócio de sua esposa. E, na ocasião Zucoloto pedira US$ 5 milhões “por fora” para uma delação premiada que daria a Duran a prisão doméstica e perdão de US$ 10 milhões em multa da Odebrecht.

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Moro, em resposta à entrevista de Duran, disse que ele é um fugitivo da lei e foragido da justiça. Sendo desmascarado pela Veja com o depósito de Duran na conta da esposa. Moro não perdeu a pose e disse que o depósito foi para pagar cópias do processo (13 a 16).
 
Não dá para acreditar nas palavras de Moro, é preciso quebrar o sigilo bancário da sua esposa para comprovar o valor do estranho depósito de Duran.
 

A indicação de Bolsonaro e possível aprovação do nome de Sergio Moro para o STF é a suprema baixaria (12)!

 

Fonte:

1https://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/373762/Moro-prendeu-Lula-para-eleger-Bolsonaro.htm

2http://atarde.uol.com.br/politica/noticias/1124938-ibope:-lula,-com-47,-ganharia-no-primeiro-turno

3https://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/12/06/mulher-de-moro-trabalha-para-o-psdb

4https://www.ocafezinho.com/2014/12/05/sergio-moro-e-casado-com-advogada-do-psdb/

5https://www.ocafezinho.com/2015/10/03/requiao-relembra-banestado-roubalheira-tucana-desviou-meio-trilhao/

6https://www.brasil247.com/pt/247/minas247/255474/Recordista-em-dela%C3%A7%C3%B5es-A%C3%A9cio-Neves-cobra-arrependimento-de-Lula.htm

7https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2016/06/presidentes-da-petrobras-e-do-bndes-sao-reus-em-acao-por-rombo-bilionario-9872.html

8https://www.brasil247.com/pt/247/poder/356221/Banco-presidido-por-s%C3%B3cio-de-Pedro-Parente-recebeu-R$-2-bi-da-Petrobras.htm

9https://horadopovo.org.br/temer-sansiona-lei-que-da-r-1-trilhao-de-presente-para-as-multis-no-petroleo/

10https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/camara-envia-ao-senado-a-%E2%80%9Cmp-do-trilhao%E2%80%9D-que-isenta-de-impostos-petroliferas-estrangeiras/

11https://www.fup.org.br/ultimas-noticias/item/22010-shell-se-mobiliza-para-aprovar-no-senado-mp-do-trilhao

12https://www.brasil247.com/pt/247/poder/393140/Bolsonaro-confirma-'ter-compromisso'-para-indicar-Moro-ao-STF.htm

13https://veja.abril.com.br/blog/radar/moro-poderia-ser-impedido-de-julgar-ex-advogado-da-odrebecht/

14https://www.google.com/search?ei=RYrYXJWSIdWV0Abdw7FI&q=entrevista+de+Duran+na+Folha&oq=entrevista+de+Duran+na+Folha&gs_l=psy-ab.12..35i39.22947.25215..30561...0.0..0.164.288.0j2......0....1..gws-wiz.HgDd0cNkTPU

15https://www.jb.com.br/index.php?id=/acervo/materia.php&cd_matia=875037&dinamico=1&preview=1

16https://jornalggn.com.br/coluna-economica/advogado-espanhol-fez-pagamentos-a-rosangela-moro/

 

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