Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

30
Out21

Um banqueiro e dois golpes

Talis Andrade

esteves.jpg

 

 

 

por Cristina Serra

O portal de notícias Brasil 247 publicou o áudio de animada conversa entre o banqueiro André Esteves e um grupo de clientes. É uma aula sobre os donos do poder no Brasil, entrecortada por risadas típicas de quem está ganhando muito dinheiro, ainda que o país esteja uma desgraça. 

O banqueiro faz questão de exibir sua influência junto às mais altas instâncias do poder político, com uma mistura de cinismo e boçalidade envernizada, própria de quem se acha educado só porque sabe usar os talheres. Esteves jacta-se de seu prestígio junto ao presidente da Câmara, Arthur Lira. Gaba-se do acesso ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a ponto deste tê-lo consultado sobre o nível da taxa de juros, atitude que é um escândalo de relações carnais entre o público e o privado. 

Vangloria-se de ter influenciado a decisão do STF favorável à independência do Banco Central, informando ter conversado com alguns ministros antes do julgamento. Só não revelou quais. E expõe o motivo de tanto empenho. Se Lula for eleito, “vamos ter dois anos de Roberto Campos”. Esteves considera que Bolsonaro, se “ficar calado” e trouxer “tranquilidade institucional para o establishment empresarial”, será o “favorito” em 2022. 

Em tortuosa análise sobre o Brasil, Esteves compara o impeachment de Dilma Rousseff ao golpe de 1964: “Dia 31 de março de 64 não teve nenhum tiro, ninguém foi preso, as crianças foram pra escola, o mercado funcionou. Foi [como] o impeachment da Dilma, com simbolismos, linguagens, personagens da época, mas a melhor analogia é o impeachment da Dilma.” 

A comparação é um insulto aos milhares de presos, perseguidos, torturados e assassinados na ditadura, mas o raciocínio de Esteves faz sentido ao aproximar (talvez sem querer) as duas datas infames: 1964 e 2016 foram golpes. A conversa desinibida do banqueiro desnuda, de maneira explícita, um país refém de meia dúzia de espertalhões do mercado financeiro. 

ditadura 1964.jpg

 

26
Out21

André Esteves, o imperador do Brasil

Talis Andrade

Os jornalistas Luis Nassif, Marcelo Auler, o advogado especialista em Direito Eleitoral e Processual André Maimoni, e o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, debatem o vazamento do áudio em que André Esteves mostra-se imperador do Brasil; e o julgamento de duas ações de cassação contra Bolsonaro pelo TSE.

 

28
Mai18

PARENTE QUEBROU O PAÍS PARA DEFENDER TUBARÕES QUE RAPINAM PETROBRAS

Talis Andrade

genildo- fora temer.jpg

 

 

 

por Paulo Moreira Leite

---

 

“Mexer com o preço do óleo diesel é muito diferente de mexer com o preço de um picolé de sorvete”, afirma o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos principais enconomistas do país, com uma obra fundamental sobre as idas e voltas da economia brasileira nas últimas décadas.

 

Explicando a diferença: enquanto uma alta no preço do picolé tem um impacto limitado ao bolso dos consumidores e produtores envolvidos na fabricação e compra de uma ótima sobremesa de verão, o preço do diesel envolve a economia de um país inteiro, como os 210 milhões de brasileiros puderam experimentar nesses dias.

 

“Se a economia já não estava bem, agora complicou de vez”, afirma Belluzzo.

 

“Pode-se prever uma queda no PIB de dois a três pontos por causa do impacto de um imenso desastre como este”.

 

Ao elevar o preço de um produto essencial como diesel a um patamar incompatível com o padrão de renda da sociedade brasileira, com a única finalidade de manter um alinhamento com o mercado internacional – e assim proteger os ganhos de acionistas minoritários que se tornaram a referencia para as decisões da Petrobras sob Temer -, Parente produziu um colapso de efeito geral na economia.

 

A resistência – inevitável – das dezenas de milhares de caminhoneiros a uma política de preços irracional, que ameaça inviabilizar sua atividade, produziu um movimento em círculos, semelhantes aos de uma pedra que se atira num lago.

 

Derrubou o sistema de transportes num país onde caminhões e ônibus – sempre a diesel – se encontram no coração da produção, distribuição e circulação de bens e pessoas.

 

Provocou a falta de mercadorias nos supermercados e feiras, a falta de insumos para a industria, dificultou o transporte de trabalhadores para seus empregos, a ida de milhões de estudantes para suas escolas e assim por diante.

 

Não estamos na guerra do picolé, portanto.

 

O país assiste – e participa – de uma disputa gigantesca para o destino de nossa economia e do futuro de brasileiros e brasileiras, no qual o destino da Petrobras terá um lugar decisivo, para o bom ou para o mal.

 

Não por acaso, a Frente Única dos Petroleiros, principal entidade sindical do setor, programa uma greve a partir de quarta-feira. Quer a redução dos combustíveis e a saída de Parente. Nada mais justo.

 

A política de Pedro Parente é o ponto essencial de um programa de desconstrução de uma das dez maiores economias do mundo. Seu projeto, de natureza colonial, que remonta aos velhos acordos entre Portugal e Inglaterra, aquele dos panos e vinhos – pelos quais Lisboa entregava produtos primários e comprava bens industrializados.

 

Sabemos o resultado desse programa de submissão a Metrópole, não é mesmo?

 

A ideia é andar para trás.

 

Depois de servir, com altos e baixos, ao desenvolvimento do país, pretende-se empregar a estrutura gigantesca da Petrobras para alimentar o atraso e a pobreza, em benefício dos 0,1% que manipulam a riqueza do planeta.

 

É uma visão tão minoritária, do ponto de vista do Brasil e da democracia, que Temer emprega força militar para defendê-la.

 

Não há diálogo nem argumento civilizado que convença. Alguma surpresa?

 

A pressa de Parente, inclusive para acelerar a privatização de grandes refinarias é uma tentativa óbvia de escapar das incertezas inevitáveis do calendário eleitoral para garantir uma medida que representa nova ameaça ao futuro do país.

 

De seu ponto de vista, nenhum parafuso pode ficar fora do lugar.

 

Até por isso mesmo, a resistência, mais do que nunca, é necessária. A saída de Parente é urgente.

 

temer renuncia.jpg

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub