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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Out21

Os senadores da CPI da Covid envolvidos com médicos da escola de Mengele, o anjo nazista da morte

Talis Andrade

bolsonaro onu tratamento precoce.jpeg

 

 

A CPI da Covid tem que denunciar senadores envolvidos na necropolítica. Pela divulgação de medicamentos ineficazes.

Hospital da polícia militar do RS testou proxalutamida sem autorização da Anvisa em pacientes com Covid-19

Pacientes internados no Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre receberam remédio fabricado na China e tratado por Bolsonaro como a “nova cloroquina”. Não havia liberação para testá-lo em seres humanos na capital gaúcha.

 

Participação na CPI da Covid

Os responsáveis pelo experimento, segundo o major médico Christiano Perin, foram o endocrinologista Flávio Cadegiani e o infectologista Ricardo Zimerman, que trabalha como especialista terceirizado no hospital desde 2017, e teria sido o coordenador principal dos testes rodados na capital gaúcha. 

Em maio, Zimerman depôs na CPI da Covid a convite do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), para defender o uso de medicamentos ineficazes contra o coronavírus, de antiparasitários a antimaláricos. Na ocasião, também defendeu o uso de antiandrogênicos, como a proxalutamida. Outro suposto estudo semelhante ao de Porto Alegre, mas realizado em Manaus na mesma época, com participação de Cadegiani e Zimerman, está sob investigação da Conep por indícios de irregularidades e infrações éticas. O órgão prepara uma denúncia ao Ministério Público Federal com base em uma apuração interna sobre as irregularidades cometidas no estado do Amazonas.

 

Topa tudo por dinheiro

Essa ideia de testar bloqueadores de testosterona para conter o coronavírus existe desde o início da pandemia e tem sido promovida pela Applied Biology, um centro de pesquisas norte-americano focado em inventar e patentear terapias contra a calvície. Um dos idealizadores da tese do potencial dos antiandrogênicos contra a Covid-19 foi o presidente da empresa, o dermatologista norte-americano Andy Goren, que se define como um especialista na “descoberta de novas terapias”.

Infográfico: Pedro Papini

 

Antes mesmo de publicar o primeiro artigo sobre a teoria ou testar sua eficácia clinicamente, a empresa deu entrada para uma patente do tratamento antiandrogênico contra a Covid-19 nos EUA ainda em março de 2020, com menos de dois meses de pandemia decretada. Esse pedido de patente da Applied Biology tem validade internacional desde julho de 2020, após ter sido registrado na Organização Mundial de Propriedade Industrial (OMPI), na qual o Brasil é signatário. Isso significa que, no caso da aprovação de eventuais tratamentos antiandrogênicos contra a Covid-19, governos e hospitais deverão royalties à Applied Biology pela invenção. E o tratamento com proxalutamida sequer seria a primeira patente da clínica norte-americana no Brasil, que já reserva royalties a duas terapias para calvície criadas pelo centro de pesquisas.

Inicialmente, o tratamento em vias de ser patenteado para Covid-19 previa o uso de outros antiandrogênicos já disponíveis no mercado, como a dutasterida. A escolha pela proxalutamida como droga-propaganda da teoria surgiu após a Kintor, a farmacêutica chinesa que fabrica o medicamento, fazer sua primeira oferta pública de ações na bolsa de valores de Hong Kong, em maio daquele ano. Desde a sua fundação, em 2009, a startup opera no vermelho. A empresa se beneficiou de uma mudança de lei no mercado de capitais chinês que permitiu a oferta de ações de companhias que operam no prejuízo – mas a crise financeira que surgiu no início da pandemia atrapalhou parte do otimismo da startup, que foi forçada a fechar as portas de um centro clínico em Miami. A ideia da abertura das ações era viabilizar os trâmites necessários para a comercialização da proxalutamida, que recém concluía estudos preliminares que sugeriam sua potencial eficácia contra o câncer.

Na época, as ações da Kintor foram vendidas a preços entre HK$ 17,80 e HK$ 20,15 (em valores de dólares de Hong Kong), o equivalente a R$13,30 e R$ 15, segundo o câmbio do período, conforme a calculadora do Banco Central. Dois meses depois, em julho de 2020, a farmacêutica fechou uma colaboração com a Applied Biology dias após o pedido da patente para a terapia antiandrogênica ser registrado pelos norte-americanos. Hoje, com mais de um ano de parceria e as especulações sobre a eficácia da proxalutamida contra a Covid-19, o valor das ações da companhia em Hong Kong atingiu HK$ 79,95 em julho deste ano, o equivalente a R$ 54 por ação, uma valorização de quase 350%, que tem atraído ceticismo de agentes do mercado financeiro. 

Um dos motivos dessa desconfiança são informações duvidosas divulgadas pela própria Kintor a investidores: em julho, os chineses anunciaram uma aprovação emergencial para uso da proxalutamida no Paraguai que não existiu, conforme apuração da Agência France-Press. Procurado, o Ministério da Saúde paraguaio não respondeu às tentativas de contato do Matinal. No caso da Covid-19, a vigilância sanitária paraguaia depende das aprovações de nações vizinhas para autorizar vacinas em caráter emergencial – porém, o órgão não explica bem como funciona o processo para a aprovação de outros medicamentos contra o coronavírus. Sobre o caso, a Kintor Pharmaceutical se limitou a indicar as informações oficiais contidas em seu site, que não respondiam a nenhuma das perguntas enviadas.


Após a divulgação de resultados sem revisão de cientistas do estudo com indícios de fraude no Amazonas, em 11 de março, as ações da Kintor Pharma valorizaram mais de 300%. Fonte: Google Finance

 

O endocrinologista Flávio Cadegiani, um dos coordenadores do experimento realizado em Porto Alegre, foi diretor clínico da Applied Biology, conforme sugerem os “conflitos de interesse” apontados pelo próprio médico nos artigos sobre a proxalutamida que assinou com pesquisadores da companhia. Junto a Andy Goren, o presidente da empresa norte-americana, Cadegiani se reuniu com o ministro de Ciência e Tecnologia Marcos Pontes no ano passado com o objetivo de promover a teoria antiandrogênica no país. Desde ao menos outubro de 2020, o médico promove o uso da proxalutamida em supostos testes clínicos, inclusive com postagens públicas em suas redes sociais e recrutamento de voluntários via WhatsApp – o que não é usual em pesquisas médicas por criar um viés em que apenas os pacientes com tendência a “acreditar” na terapia são selecionados.

Além do experimento realizado no Hospital da Brigada, a dupla Cadegiani e Zimerman também assinou a pesquisa que amparou a criação do TrateCov, um aplicativo promovido pelo Ministério da Saúde que receitava um combo de medicamentos sem eficácia contra a Covid, como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina, e que foi tirado do ar após dez dias, em janeiro, por causa da recomendação de doses cavalares dos medicamentos para crianças. O estudo que amparou a iniciativa do governo brasileiro teve participação da Applied Biology, e incluiu perguntas sobre calvície aos pacientes do app. O próprio aplicativo TrateCov foi hospedado nos Estados Unidos. Na época, mais uma vez, essas inconsistências motivaram questionamentos da Conep.  

No início do ano, a mesma Applied Biology, com apoio da Kintor Pharmaceutical e em parceria com o grupo hospital amazonense Samel, rodou o já mencionado estudo clínico com indícios de irregularidades no estado do Amazonas, com participação da dupla de médicos. Nessa época, Ricardo Zimerman havia viajado para Manaus a convite do Ministério da Saúde para promover o uso de cloroquina no estado por meio do TrateCov. Lá, encontrou-se com Cadegiani e passou a auxiliá-lo na pesquisa com proxalutamida. Em seguida, os dois médicos ampliaram o uso do medicamento para o Hospital da Brigada Militar, onde Zimerman trabalha. O infectologista gaúcho havia sido convidado pela pasta para viajar ao Amazonas por indicação do médico Helio Angotti, o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde da pasta, um dos principais entusiastas do tratamento precoce no governo federal, que apresentou o experimento com proxalutamida realizado no Amazonas ao presidente Jair Bolsonaro.  

Na época, Bolsonaro se animou com a divulgação dos supostos resultados milagrosos da droga e chegou a usar um almoço que debateria a demissão do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para discutir uma eventual aprovação do uso emergencial do medicamento. A Anvisa marcou duas reuniões com uma consultoria especializada em regulação de medicamentos contratada pela Applied Biology para discutir a aprovação da proxalutamida no Brasil, mas o escritório desmarcou e nunca mais procurou a agência reguladora. 

Em abril, o governo federal tentou convencer a Fiocruz a produzir a proxalutamida no Brasil, diante da falta de interesse de farmacêuticas da iniciativa privada brasileira. À Fiocruz, a Kintor Pharmaceutical garantiu que poderia entregar 100 milhões de comprimidos do medicamento ao País a partir de junho, segundo uma reportagem da CNN Brasil, mas as negociações novamente travaram na falta de anuência da Conep aos experimentos realizados no Amazonas. 

No mês seguinte, em maio, na CPI da Covid, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, chegou a ser perguntado sobre uma eventual aprovação do uso da proxalutamida pelo senador Eduardo Girão (PODE/CE), um dos defensores do uso do medicamento. Torres relatou o que discutiu sobre o remédio em conversas realizadas nos dias 11 e 15 de março, das quais participaram a Applied Biology, autoridades da Anvisa e o médico Flávio Cadegiani. “Um dos pontos que apresentamos foi, sim, a necessidade da interlocução com a Conep, porque, sem ética em pesquisa, absolutamente, não dá para fazer nada, a ética tem que prevalecer na seleção dos voluntários testadores, enfim, é fundamental. E esse grupo não voltou mais a nos contatar”, respondeu Torres na ocasião

Apesar dos entraves burocráticos e regulatórios, a droga continuou a ser defendida por Bolsonaro. Em julho, o presidente voltou a defender a liberação da droga. Com isso, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reforçou que o medicamento precisa ser melhor estudado. [Transcrevi trechos de reportagem de Pedro Nakamura (com edição de Marcela Donini e Sílvia Lisboa e checagem de Juan Ortiz) para Matinal Jornalismo. Leia mais ]

Anvisa veta uso de remédio defendido por Bolsonaro contra a COVID-19Charges - Fotografia - Folha de S.Paulo

O medicamento proxalutamida, que vinha sendo testado no tratamento da COVID-19 no Brasil, foi barrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Diretoria Colegiada da agência reguladora decidiu, por unanimidade, suspender o uso da droga em pesquisas científicas no país e a importação da substância. A proibição foi feita de forma cautelar diante de denúncias e investigações que estão sendo feitas a respeito dos estudos com o fármaco, exaltado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em agosto, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul abriu um inquérito civil público para investigar o uso irregular da proxalutamida em testes no Hospital da Brigada Militar, em Porto Alegre. A medicação teria sido aplicada em cerca de 50 pacientes, em um ensaio supostamente clandestino, apesar de a Brigada ter assegurado que "o estudo obedeceu às exigências dos órgãos competentes e as normas legais aplicáveis aos procedimentos em questão" - afirmou em nota.
 
Porém, a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão vinculado ao Conselho Nacional de Saúde (CNS) - responsável por autorizar a realização de pesquisa com seres humanos no país -, negou ter recebido "qualquer solicitação para a realização de estudo com a substância proxalutamida no Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre" [Transcrevi trechos de reportagem de Maria Eduarda Cardim, para o Correio Braziliense]. É desconhecido o número de mortos nesse experimento nazista à Mengele em Porto Alegre. 
 

Unesco denuncia 200 mortes com experiência bolsonarista da proxalutamida no Amazonas como "das mais graves da história"

Arquivos josef mengele - Rede Brasil Atual

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) considerou a denúncia de 200 mortes de voluntários de pesquisa clínica com a proxalutamida feita no Amazonas uma das infrações éticas mais graves da história da América Latina. A declaração foi divulgada nesse sábado (9) por meio da Rede Latino-americana e Caribenha de Bioética (Redbioética-Unesco). A informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.

A Unesco deu seu posicionamento, após a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) fazer uma denúncia à Procuradoria-Geral da República no mês passado. A entidade é responsável por regular a participação de seres humanos em pesquisas científicas no Brasil.

Jair Bolsonaro defendeu o uso da substância no combate ao coronavírus, mas o remédio não teve eficácia comprovada contra a Covid-19. O uso da substância em pesquisas científicas também foi vetado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo do mês passado.

De acordo com o comunicado da rede de bioética da Unesco, a denúncia da Conep incluiu graves violações dos padrões éticos de pesquisa com a proxalutamida. "É ética e legalmente repreensível, conforme consta do ofício da Conep, que os pesquisadores ocultem e alterem indevidamente informações sobre os centros de pesquisa, participantes, número de voluntários e critérios de inclusão, pacientes falecidos, entre outros", disse.

"Qualquer alteração em um protocolo de pesquisa deve ser aprovada pelo sistema de ética em pesquisa local", afirmou.

Por que o senador Marcos do Val deu “ombrada” no deputado Luis Miranda?

O deputado Luis Miranda passou a ser conhecido depois que denunciou ao presidente Jair Bolsonaro favorecimento na compra das vacinas Covaxin pelo Ministério da Saúde, crime que vem sendo investigado pela CPI da Covid 19.

Escreve Caio Barbieri: Em mensagens disparadas por WhatsApp no dia 23 de março deste ano, as quais o Metrópoles teve acesso, Luis Miranda questionou ao ajudante de ordens de Bolsonaro o motivo da falta de respostas do presidente sobre a pressão sofrida pelo irmão dele, Luis Ricardo Miranda, que é concursado do Ministério da Saúde, para autorizar a aquisição do imunizante indiano. 

“Bom dia irmão, o PR [presidente da República] está chateado comigo? Algo que eu fiz? Só precisamos saber o que fazer em uma situação como essa”.

Como resposta, o militar que assessora o presidente da República respondeu: “Bom dia. Negativo, deputado. São muitas demandas. Vou lembrá-lo”.

“Obrigado irmão! Você sabe que a vontade é de ajudar. Estamos juntos”, agradeceu o deputado, mas acabou ficando sem respostas.

Esta denúncia levou os irmãos Miranda à CPI. 

Pressão

À coluna Janela Indiscreta, ainda nesta quarta-feira (23/6), o deputado Luis Miranda afirmou que o coronel Marcelo Pires foi um dos nomes dentro da alta cúpula do Ministério da Saúde a pressionar o irmão dele, Luis Ricardo Fernandes Miranda, para a compra da Covaxin.

O militar chefiava desde janeiro a Diretoria de Programas do ministério, mas foi exonerado em meados de abril após a chegada do atual ministro Marcelo Queiroga.

“O coronel Pires foi um dos que pressionou meu irmão a assinar a compra da Covaxin, mas o processo estava todo errado e cheio de falhas. Esse foi um dos pontos que levamos ao presidente Bolsonaro sobre o que estava acontecendo no Ministério da Saúde”, garantiu o congressista em conversa exclusiva.

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No print encaminhado à coluna Janela Indiscreta, o militar que ocupava a diretoria da pasta escreveu: “Obrigada, meu amigo, estamos com muitos brasileiros morrendo. Precisamos fazer tudo para ajudar. O representante da empresa veio agora a noite falar com o Elcio para agilizar a LI para embarcar as vacinas esta semana. Quatro milhões”.

Bolsonarista e propagandista do tratamento precoce, do kit cloroquima, o kit me engana, o senador Marcos do Val não gostou do atrapalho dos irmãos Miranda, que colocaram uma pedra no meio do caminho do gabinete paralelo e o gabinete de Bolsonaro.

O deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o senador Marcos do Val (Podemos-ES) se desentenderam durante intervalo de sessão da CPI da Covid na sexta-feira 25/6. No vídeo é possível ver que outros parlamentares precisaram apartar a briga entre as partes.

Marcos do Val é instrutor da SWAT desde o ano de 2000 e membro de Honra da SWAT de Beaumont no Texas desde 2003. Fundador e instrutor-chefe do CATI - International Police Training, inc, primeira e única empresa de treinamento policial Multinacional da atualidade, com filiais na Europa e EUA. Criador das inovadoras técnicas de IMOBILIZAÇÕES TÁTICAS®, hoje difundidas em várias unidades policiais ao redor do mundo. Treina policiais para derrubar com pernada, golpe de mão e ombrada

Do Val era mediador da entrega do kit covid (vide tags). Victor Fuzeira e Luciana Lima registraram: Luís Miranda reclamou da briga. “Aqui mesmo, no intervalo. Sempre admirei o Marcos Durval, e ele teve um descontrole comigo. Onde está a nossa história?”, disse. Onde? Uma história que precisa ser contada. Ninguém bate no próximo, dentro do Senado, de graça. 

 

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25
Ago21

Heinze gastou R$ 731 mil com aluguel de veículos em 12 anos

Talis Andrade

Heinze afirma que países acusam o Brasil de desmatar para prejudicar  exportações do agro

 

Locadora é do filho de liderança do PP em São Borja (RS); pai do empresário foi administrador financeiro da campanha do senador

 

Tony Chastinet /Record TV /Brasil R7Brasil R7

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O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) gastou R$ 731 mil da cota parlamentar com aluguel de veículos em uma empresa de São Borja, cidade onde já foi prefeito e tem base eleitoral. Os registros mais antigos são de abril de 2009, quando Heinze ainda era deputado federal. Foi neste ano que a Câmara dos Deputados passou a divulgar os gastos parlamentares.

De acordo com a prestação de contas do Senado, Heinze declarou ter gastado de janeiro a agosto deste ano, R$ 64 mil para a locação de uma caminhonete Toyota Hilux da Pedrinho Automóveis, nome fantasia da empresa Machado & Barroso Comércio de Automóveis. As notas fiscais que constam na prestação de contas indicam pagamento de R$ 8.000 por mês.

O aluguel de um Jeep Compass em uma outra locadora da mesma cidade sai por R$ 4.100 mil por mês. O parlamentar informou na declaração de bens à Justiça Eleitoral ter três veículos, um deles um utilitário Toyota. Heinze também tem fazendas na região de São Borja.

Segundo dados do cadastro da Receita Federal, um dos sócios da Pedrinho Automóveis é Pedro Rodrigues Machado Junior, que é filho de Pedro Rodrigues Machado. De acordo com dados da Justiça Eleitoral, Pedro pai foi o administrador financeiro da campanha de Heinze ao Senado. Ele recebeu R$ 6 mil pelo serviço.

A Pedrinho Automóveis também foi fornecedora da campanha. Na prestação de contas, consta que a empresa alugou três carros para a campanha de Henize – um Gol e dois Onix, com total de R$ 10.500 de aluguel.

Pedro Rodrigues Machado é uma liderança do PP em São Borja. Ele é presidente do Hospital Ivan Goulart e também tem uma empresa de venda de veículos: a Pedrinho Automóveis Eireli que fica no mesmo endereço da empresa do filho.

Em julho deste ano, a imprensa local registrou a inauguração das novas instalações da Pedrinho Automóveis, apontada como a maior loja de venda e revenda de veículos novos e usados da região.

 

Empresa é idônea, diz senadorO menino de Rancho Queimado se queimou?', ironiza leitor - 02/08/2021 -  Painel do Leitor - Folha

O senador Luiz Carlos Heinze diz não ver “nada de errado” em locar os veículos da Pedrinho Automóveis. “É idônea, correta e foi a única que nos atendeu dentro do que precisávamos: preço, modelo e quilometragem livre. De Porto Alegre a São Borja são cerca de 1,2 mil km para ir e voltar. Soma-se a isso os vários municípios que visito entre sextas e segundas-feiras”, afirma.

O parlamentar considera também que a opção pelos carros da empresa é válida: “Jeep Compass não atende as minhas necessidades, tampouco oferece a segurança e agilidade nos deslocamentos. Além disso, em qualquer locadora, o veículo que alugo, com quilometragem livre e seguro, não se encontra por menos de R$ 12 mil por mês. O preço pago está abaixo dos valores cobrados por outras locadoras”, justifica Heinze.

Sobre o fato de possuir três carros declarados à Justiça Eleitoral e utilizar os veículos alugados, o progressista afirma que um deles foi vendido, o outro é de uso da esposa e o terceiro é um Toyota Bandeirante de 1987, para uso em propriedade rural.

(colaborou Tiago Muniz, da Record TV em São Paulo)

 

13
Jun21

Piso e a narrativa sobre a “cloroquina da maloca”

Talis Andrade

por José Ribamar Bessa Freire

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“Submeti ao exame e à praxe tudo o que do amplíssimo teatro da natureza observei ou recebi dos indígenas” (Guilherme Piso, História da Medicina Brasileira, 1648)

 

Supunhetemos que a CPI da Pandemia que ouve os vivos, especialmente os vivíssimos, tenha o poder de convocar também os mortos, entre eles o médico Guilherme Piso, considerado o pai da medicina tropical. Advertido que poderia ter sua alma presa no inferno se mentisse, ele jurou dizer a verdade. Deram-lhe, como de praxe, 15 minutos para se apresentar:

– Meu nome é Willem Pies, em português Guilherme Piso. Nasci em Leiden, Holanda, em 1611, e morri em Amsterdã numa segunda-feira, 28 de novembro de 1678. Viajei em 1637 para Pernambuco como médico particular do príncipe Maurício de Nassau e ali vivi oito anos, com o salário pago em florins pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais. Orientei a política sanitária nos serviços públicos como coleta de lixo, drenagem de terrenos, construção de jardins e praças, pavimentação de ruas, construção de pontes. Ajudei a sanear e a urbanizar Recife.

Piso faz breve pausa para beber água (e para poupar o leitor de um parágrafo demasiado longo). Prossegue:

– Retornei a Amsterdam, lá me casei e passei a clinicar. Ocupei o cargo de inspetor do Colégio Médico, do qual fui deão – a autoridade máxima deste órgão colegiado. Sou autor da primeira História da Medicina Brasileira (1648) e da História Natural e Médica da Índia Ocidental (1658) edição impressa em latim. Descrevo lá 22 doenças e as propriedades de 114 plantas Todo esse saber fitoterápico aprendi com os índios, o uso de plantas adstringentes, afrodisíacas, venenosas e até abortivas. Dito isto, coloco-me à disposição dos senhores senadores.

Omar Aziz – Com a palavra o nobre relator.

Renán Calheiros –  Sim ou não, o senhor teve experiência na luta contra alguma epidemia?

Guilherme Piso – Sim.

Renán – Qual?

Piso – A epidemia de varíola, conhecida popularmente como “bexiga”, matou em 1641 muitos escravos dos engenhos e milhares de índios, cujos corpos ficavam cheios de manchas vermelhas, pústulas e bolhas com pus que atingiam as mucosas nasal e da boca. Era como se estivessem atacados por uma lepra mortal, que deformava o corpo inteiro. Quem escapava da morte podia ficar cego e com a cara esburacada.

Renán – O senhor fez tratamento precoce? Usou cloroquina? Salvou algum paciente?

GP – A varíola não tinha cura, senador. Os remédios não matavam o vírus, mas aliviavam os sintomas parecidos com os da gripe – febre, dor de cabeça, dor muscular, mal-estar. O contágio se dava através de secreções e da saliva.  A gente isolava os doentes. Foi o que fiz com Margarida, filha do pastor Soler, que se salvou e que era, por sinal, muito gostosinha. Não gosto de fofoca, mas preciso dizer que ela era amante do Príncipe Nassau e, quando  ficou com a cara de areia mijada, cicatrizes e olhos chorões, foi por ele abandonada. Só um século após minha morte é que descobriram a vacina.

Omar – Quero foto da “gostosinha” para anexar ao relatório. Depois falo com o senhor em particular. Agora passo a palavra ao senador Oto Alencar.

Oto Alencar – Sou também médico e já vi que, ao contrário do general Pazuello e da doutora Nise, o senhor sabe a diferença entre o vírus e o protozoário.  Gostaria que comentasse o deboche de Jair Bolsonaro, quando em vez da vacina recomendou contra a covid-19 o “chá de carapanaúba, saracura ou jambu dos índios Balaios”, um povo que nem sequer existe.

Piso – Senador, minha resposta está no meu livro editado em 1957 pelo MEC. Permita-me ler um trecho curto do que escrevi:

– “De fato, creio ser não só indigno, mas detestável, num assunto tão sério de que depende a salvação de tantos homens, ensinar coisas não acordes com os experimentos, expondo assim a perigo a vida dos doentes” (pg.8).

Oto – Não podia ser mais atual. A cloroquina, muito boa no combate à malária, é ineficaz para a covid. O chá seria, então, uma espécie de “cloroquina da maloca”? Existe mesmo medicina indígena?

Piso – “Cada qual, sobretudo os velhos, preparam sem dificuldades remédios de diversos gêneros obtidos por toda parte nas florestas. Usam remédios simples e se riem dos nossos. Nisso merecem vênia. […]. Todos os íncolas das Índias exercem a medicina e pesquisam o conhecimento das doenças e tendo ambas as Índias mais providas de medicamento do que de médicos teóricos, ninguém se admire de que até agora não estejam divulgadas as propriedades de muitíssimos remédios de notáveis virtudes, ocultos em seu seio e dignos de sair à lume. […] São utilíssimos e podem até impressionar os médicos mais eruditos [pg.74]

Humberto Costa – Sou médico pós-graduado em medicina geral comunitária e não sabia. Na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco nunca me falaram disso. Gostaria de ouvi-lo sobre como os pajés curaram soldados com pernas gangrenadas, depois do ataque da armada luso-espanhola aos holandeses, em 1640.

Piso – Senador, responderei com outro trecho do meu livro:

– “Lembro-me que os bárbaros, nos acampamentos, por meio de gomas frescas, sucos e bálsamos, livraram do ferro e do fogo e restabeleceram com êxito os membros dos soldados feridos por balas de espingardas, que estavam para ser amputados por cirurgiões europeus, lusitanos e batavos… Na preparação, prescindem de laboratórios e, ademais, sempre tem à mão sucos verdes e frescos de ervas… (pg. 9).

Humberto Costa –  Embora trate os índios de “povos ignorantes, bárbaros, atrasados e de nenhumas letras”, o senhor se maravilhou ao descobrir como os pajés indígenas impediram que soldados com pernas gangrenadas virassem saci como receitava a medicina oficial europeia da época. 

Omar – Isso acontece ainda hojeQuando eu era governador do Amazonas, uma menina de 12 anos, LB, foi picada por uma cobra jararaca em Pari Cachoeira. Os médicos do Hospital João Lúcio, que queriam amputar o pé esquerdo dela, não permitiram a pajelança, ela foi então transferida para o Hospital Universitário Getúlio Vargas, onde foi tratada por pajés e por um cirurgião e de lá saiu caminhando normalmente. Ocorreu caso semelhante com Fernando José Baniwa, 62 anos. Médicos queriam decepar a perna dele, a família resistiu, levou-o de volta à comunidade e lá não deixaram que virasse saci.

Marcos Rogério – Protesto. Indubitavelmente essa é uma narrativa po-li-ti-ca para desmoralizar a narrativa robusta do presidente Bolsonaro, mas nós temos outra narrativa técnica robusta sobre a “cloroquina da maloca” que se contrapõe à narrativa do depoente. Não perderemos essa guerra de narrativas.   

Piso – Senador, nunca ouvi falar o nome de Bolsonaro, no entanto, a estratégia dele aqui exposta parece demonstrar um discurso que já era obscurantista no séc. XVI, produto de mentes colonizadas. Suas opiniões retrógradas me fazem pensar que ele viveu em séculos anteriores e desapareceu há muito tempo.

Randolfe Rodrigues – Segundo as atas dessa CPI, o senador bolsonarista Marcos Rogério já usou 16.853 vezes a palavra “narrativa”, que ele descobriu recentemente, por ela se deslumbrou e por ela morre de paixão, assim como pela palavra “robusta”. Suplico que se contenha. Que seja argumentativo em lugar de narrativo.  Doravante, ele será multado em R$ 50,00 reais cada vez que “narrativizar” e “robustizar”, destinando-se a multa ao pagamento da dívida externa brasileira. O troco será aplicado em obras sociais. (Randolfe, que substituiu Omar na presidência, faz uma pausa e bebe água. Prossegue)

– Na qualidade de historiador formado pela Universidade Federal do Amapá, reconheço a importância do depoimento do médico Guilherme Piso, cujo livro foi lembrado na segunda-feira (7) no evento Raízes-RJ – I Encontro de Saberes Populares e Tradicionais em Saúde, organizado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, com a participação de Célia Xacriabá (APIB), Cleonice Pankararu (Aldeia Cinta Vermelha), e do autor do Taquiprati. Declaro a sessão suspensa.

P.S. 1 A abertura do evento Raízes, que contou com a fala do sábio Carlos Tukano, foi feita por José Jorge de Carvalho (UnB): “Encontro de Saberes. Uma aliança entre a Academia, o SUS e os Mestres e Mestras dos Saberes”. No encerramento, Antônio Bispo dos Santos discorreu sobre “Colonização e a Resistência dos Saberes Tradicionais”.

P.S. 2 – Referências bibliográficas:

a) Guilherme Piso. História Natural e Médica da Indias Ocidentais (escrito em 1648). Coleção de Obras Raras. Rio. MEC – Instituto Nacional do Livro. 1957 (Traduzida e anotada por Mário Lôbo Leal, com esboço crítico do historiador José Honório Rodrigues.

b) CHAMBOULEYRON, Rafael; BARBOSA, Benedito C.; BOMBARDI, Fernanda A.; SOUSA, Claudia R. de. ‘Formidável contágio’: epidemias, trabalho e recrutamento na Amazônia Colonial (1660-1750). História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v. 18, n. 4, p. 987-1004.

P.S. 3 – O livro de Piso está esgotadíssimo, tinha alguém vendendo na internet por R$ 650,00. Sugiro à Editora Valer, de Manaus, que o publique (está isentado de direitos autorais) e chame para fazer o prefácio (aí sim, pagando) o tukano João Paulo Barreto, cofundador do Centro de Medicina Indígena da Amazônia e doutor em antropologia.

P.S. 4 – A gente sente vergonha do Brasil quando ouve na CPI as falas oportunistas, medíocres e mentirosas de Eduardo Girão (Phodemos-CE), Jorginho Melo (PL-SC), Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Marcos Rogério (DEM-RO). Nesta sexta (11) sentimos orgulho de ser brasileiro com a aula dada por Natália Pasternak e Cláudio Maierovitch, acusados de buscarem a fama. “Natália, com fama ou sem fama, nós te ama”.

12
Jun21

CPI: "Ciência não tem dois lados", diz Natalia Pasternak para Eduardo Girão senador da cloroquina

Talis Andrade
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por Gustavo Garcia /G1
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A microbiologista Natalia Pasternak afirmou nesta sexta-feira (11) à CPI da Covid no Senado que a ciência "não tem dois lados".

Ela deu a declaração após o senador Eduardo Girão (Pode-CE), defensor de medicamentos do chamado tratamento precoce, defender um debate de especialistas contrários e favoráveis ao uso desses remédios, comprovadamente ineficazes contra a doença.

"Ouvir um lado e ouvir o outro. Isso seria mais interessante do ponto de vista de ver eventuais contradições", afirmou.

Natalia Pasternak disse que esse princípio não se aplica à ciência.

"É importante salientar que princípios do jornalismo — e da política também — de sempre observar o contraditório, eles não se aplicam para a ciência porque a ciência é um processo investigativo, dos fatos, da realidade. E aí não cabe o contraditório. A ciência não tem dois lados. E isso não é por desrespeitar opiniões alheias, mas pelo modo como a ciência trabalha, que é um processo empírico de investigação", afirmou a especialista.

Ao lado do médico sanitarista Cláudio Maierovitch, ela foi convidada pela CPI a participar de uma audiência pública da comissão.

Eduardo Girão sugeriu que os especialistas tinham "viés político". Ele também disse que o trabalho da CPI não pode ser politizado, de forma a antecipar as eleições presidenciais de 2022.

"Eu espero que sexta-feira (18) nós não tenhamos nenhum cientista que tenha viés político, defendendo A, B, bolsonarista, lulista, para que a gente possa realmente ter um resultado coerente, que as pessoas possam acreditar no trabalho da CPI", afirmou o parlamentar cearense.

Simone Tebet (MDB-MS) pediu aos colegas que não colocassem "em xeque" a credibilidade dos especialistas convidados para participar da audiência pública.

O sanitarista da Fiocruz Cláudio Maierovitch disse que as posições políticas que tem "não se confundem" com o que, cientificamente, defende. Ele acrescentou não ser filiado a nenhum partido político. Sobre o tratamento precoce, o especialista declarou que não há atualmente nenhuma terapêutica desse tipo eficaz contra a Covid-19.

Natalia Pasternak reconheceu que, no Brasil, a orientação de uso de determinados medicamentos foi politizada e que isso não é positivo.

 

Mortes evitáveis

 

Crítica da gestão da pandemia do governo Jair Bolsonaro, Natalia Pasternak afirmou que há, por parte do Executivo, um "processo de desinformação" que acabou "levando muito mais vidas" do que teria ocorrido se o Brasil tivesse adotado campanhas de informação da população.

 

"A mensagem passada pelo presidente da República tem sido uma mensagem de descaso e de negação. E essas duas mensagens são muito prejudiciais para a população brasileira. O descaso com que ele trata a pandemia e as mortes, as famílias que perderam os seus entes, mostra uma total falta de empatia que chama a atenção. Isso acaba incitando discursos de ódio, violência e uma maior politização", afirmou a pesquisadora da USP.

"Pessoas mudam o seu comportamento de acordo com o que o presidente fala e faz. Se o presidente diz que é 'só uma gripezinha', pessoas vão seguir esse exemplo", completou.

Para Maierovitch, não há dúvidas de que milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se o governo federal tivesse uma postura diferente da que tem em relação ao coronavírus.

"Numa crise desse tamanho, precisamos de uma resposta à altura, de organização, de uma equipe capaz de responder. O Ministério da Saúde esteve virtualmente ausente, inexistente, exceto no papel de repassar recursos. Não coordenou e não implantou medidas. O Ministério da Saúde inexistiu, e a resposta foi nenhuma", afirmou o médico sanitarista.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (10) que que pediu um parecer do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para desobrigar o uso de máscaras por quem estiver vacinado contra a Covid ou já tiver contraído a doença.

A proposta é criticada por médicos e pesquisadores, que consideram imprescindível o uso do equipamento de proteção.Image

Cláudio Maierovitch afirmou que a utilização da máscara, como medida de prevenção à Covid, deve ser a última "a cair".

"É um instrumento fácil e barato, que não interfere no funcionamento da economia, em qualquer necessidade das pessoas, exceto um leve desconforto que alguns têm. Não devemos ter pressa nenhuma em suprimir a máscara. E a minha é impressão é que isso ganhou um caráter simbólico para o presidente", disse.

 

 
 
11
Jun21

Natalia Pasternak debocha de Heinze sobre efeito da cloroquina: 'chazinho da vó e voltas no quarteirão também funcionam' (vídeo)

Talis Andrade

Natalia Pasternak e Luis Carlos Heinze

 

247 - Em depoimento à CPI da Covid nesta sexta-feira (11), a microbiologista Natalia Pasternak deu uma reposta cheia de ironia ao negacionismo do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que mais uma vez defendeu o suposto "tratamento precoce" contra a Covid-19, mesmo diante de dois especialistas que atestaram a ineficácia de medicamentos como a hidroxicloroquina contra o coronavírus.

Heinze citou o número de brasileiros recuperados da Covid-19 afirmando, sem citar nenhuma fonte, que tais pacientes foram medicados com remédios ditos sem eficácia contra o coronavírus. "Essas 15.670.754 têm cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, annita, ivermectina e vitaminas. Hoje tem 16 ou 17 drogas reposicionadas que foram responsáveis por essas 15 milhões de vidas salvas".

Natalia, então, destacou que tomar medicamentos sem eficácia para o tratamento da Covid-19 têm o mesmo efeito de não tomar nada. "Essas 15 milhões de pessoas também tomaram chazinho da vó, deram três pulinhos e uma volta no quarteirão, senador".

Veja mais vídeos aqui

 

03
Jun21

Mia Khalifa responde à insistência do senador Heinze

Talis Andrade

Mia Khalifa e Luis Carlos Heinze

247 - A ex-atriz pornô Mia Khalifa utilizou o Twitter nesta quinta-feira (3) para responder à fixação do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) em citá-la na CPI da Covid.

Por mais de uma vez, Heinze mencionou Mia como proprietária de uma empresa que supostamente teria contratado uma pesquisa, publicada na revista científica The Lancet, que desacreditava o "tratamento precoce" contra a Covid-19.

Em tom de ironia, Mia afirmou que o senador pode encontrá-la no OnlyFans, site adulto, e não no WebMD, site de notícias e informações relacionadas a medicina. "Digam ao senador Carlos Heinze que estou no OnlyFans, não no WebMD", escreveu.Image

Mia K.
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Sensacionalista
@sensacionalista
Mia Khalifa entra com pedido de medida restritiva contra Senador Heinze
Image
Mia K.
@miakhalifa
I’m sorry your mental capacity can’t fathom issues past your own personal agendas. Ban me from all Arabic speaking countries and I’ll still be screaming “free Palestine” and “pray for Beirut” in every other language under the sun.
Quote Tweet
The Daily Wire
@realDailyWire
·
Someone Should Remind ‘Ex-Porn Star’ Mia Khalifa That Porn, Same-Sex Relationships And Alcohol Are Banned In Gaza dlvr.it/S0s4PnImage

 

03
Jun21

Discutir cloroquina é 'escolher de que borda da Terra plana a gente vai pular'

Talis Andrade

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva de médica infectologista e ex-secretária de enfrentamento à Covid do Ministério da Saúde. No início de maio, o nome da médica chegou a ser anunciado pelo ministro da Saúde, mas a nomeação foi cancelada dez dias depois. O objetivo então, é saber as razões pela desistência de sua nomeação no Ministério da Saúde.  Mesa:  médica infectologista Luana Araújo - em pronunciamento; presidente da CPIPANDEMIA, senador Omar Aziz (PSD-AM);  relator da CPIPANDEMIA, senador Renan Calheiros (MDB-AL).  Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Foto Waldemir Barreto

Com posição notória contrária ao uso de cloroquina e hidroxicloroquina como tratamento contra a covid-19, a médica infectologista e epidemiologista Luana Araújo, que chegou a ser anunciada em 12 de maio pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para assumir o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, afirmou em depoimento à CPI da Pandemia, nesta quarta-feira (2), ter sido informada pelo próprio Queiroga, após dez dias de trabalho no ministério, que seu nome não teria aval da Casa Civil.

Graduada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e epidemiologista mestra em saúde pública pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, a consultora em saúde pública para organizações internacionais garantiu que não lhe foi explicado o motivo da não aprovação de seu nome para a pasta.

A médica explicou que essa secretaria faz parte de uma estrutura e foi criada para coordenar os esforços do governo federal relativos à pandemia, auxiliar na interlocução com estados e municípios, além de concatenar as sociedades científicas nacionais e internacionais no suporte aos esforços brasileiros no combate à covid-19.

— A secretaria tem por objetivo maior dar agilidade e precisão às informações sobre a pandemia para que os gestores tenham condição de lidar melhor com o que está acontecendo. Então, a minha função e o meu desejo naquela secretaria era que ela funcionasse como um antecipador de problemas.

Ao destacar em sua apresentação que de "ontem para hoje" 12 grandes aviões lotados caíram no país, em referência às mortes pela covid-19, Luana enfatizou que saúde pública é muito mais que médicos e hospitais, e que a discussão sobre o que chamou de “pseudo tratamento precoce” é “esdrúxula”. Ela afirmou ainda que não se pode imputar sofrimento e morte a uma população para se alcançar a imunidade de rebanho.

Luana negou ter conversado com Queiroga ou qualquer outra pessoa no ministério sobre cloroquina e outros medicamentos.

— Quando eu disse que um ano atrás nós estávamos na vanguarda da estupidez mundial, eu infelizmente ainda mantenho isso em vários aspectos, porque nós ainda estamos aqui discutindo uma coisa que não tem cabimento. É como se a gente estivesse escolhendo de que borda da Terra plana a gente vai pular, não tem lógica — declarou ela, que, além disso, elogiou o posicionamento do ministro Queiroga por ter atendido seu pedido de autonomia.

Questionada pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), se haveria relação entre a sua não nomeação no ministério e o seu posicionamento contrário ao uso desses medicamentos, notoriamente defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro, Luana disse que, “se isso aconteceu, é extremamente lamentável, trágico” e que há no país uma "politização criminosa".

— Eu abri mão de muitas coisas pela chance de ajudar o meu país. Não precisava ter feito isso. Os senhores [senadores] acham que as pessoas, de fato, que têm interesse em ajudar o país e têm competência para fazer isso, neste momento, se sentem muito compelidas a aceitar esse desafio? Não se sentem. Então, infelizmente, a gente está perdendo.

A médica, que disse sofrer diversas ameaças, afirmou haver estudos randomizados e controlados que mostram aumento de mortalidade com o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, e que é preciso haver responsabilização por quem o propaga.

— Quando a gente transforma isso em uma decisão pessoal é uma coisa, quando você transforma isso numa política pública é outra. A autonomia médica faz parte da nossa prática, mas não é licença para experimentação. A autonomia precisa ser defendida, sim, mas ela precisa ser defendida com base em alguns pilares: no pilar do conhecimento, da plausibilidade teórica do uso daquela medicação, do volume de conhecimento científico acumulado até aquele momento sobre aquele assunto, no pilar da ética e no pilar da responsabilização. 

Para o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), a não nomeação de Luana foi uma questão política, por ela não compactuar com o uso da cloroquina no tratamento da covid-19.

— É inacreditável que alguém formada por uma das melhores universidades do mundo seja vetada. O ministro Queiroga disse aqui para nós que teria autonomia para nomear quem ele quisesse. Já está provado que não é verdade; ele mentiu aqui para a gente — declarou o presidente.

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) questionou a “histeria no âmbito do Parlamento” sobre nomeações.

— É inquestionável a qualificação técnica da doutora Luana. Apesar da estranheza, todos sabem que em nenhum poder Executivo existem nomeações automáticas. Nos municípios elas são feitas pelos prefeitos e nos estados e no governo federal pela Casa Civil. Não é razoável querer criminalizar isso. Há uma liberdade plena para nomear — afirmou.

Desinformação

Única infectologista em nível de secretariado no Ministério da Saúde, ao ser questionada pelos senadores sobre declarações e atos do presidente da República — após exibição de vídeos — que incentivam o uso da cloroquina, o não uso da máscara, as aglomerações e as desconfianças quanto às vacinas, Luana Araújo afirmou que, “a partir do momento em que se vulnerabiliza a população com informações incorretas, não se pode esperar resultado positivo”.

— Eu entendo que existam consequências de determinadas políticas públicas. Não é possível ouvir uma declaração, de quem quer que seja, sem sofrer um impacto quase que emocional, além do racional. Como médica e infectologista, isso me suscita a ideia de que preciso trabalhar mais.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que a Presidência da República é a liderança máxima e referência para aquilo que deve ser guiado pela ciência.

— Se há o contraditório entre a ciência e o Presidente da República, que, publicamente e ostensivamente, faz essa contradição com a ciência, nós estamos diante de uma encruzilhada, porque não dão certo as duas coisas.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) declarou que não há comprovação a favor ou contra o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina, apresentando estudos que contrariam a afirmação de maior número de mortes pelo uso desses medicamentos. Ele disse estar muito claro que a ciência está dividida e questionou sobre a restrição na atuação dos médicos na prescrição.

Para a médica, não há que se demonizar qualquer medicamento.

— Medicação só tem valor quando bem indicada. Uso off label tem que estar limitado a fatores claros.

Luana afirmou que a distribuição de “kits anticovid” aconteceu fartamente em território nacional e que, se tivessem surtido efeito, o país não teria os atuais números de infectados e mortos. Para ela, os gestores não agiram de má-fé, mas precisam de mais preparo.

Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Luis Carlos Heinze (PP-RS) divergiram sobre informações que apontariam menor número de casos e mortes no estado do Amapá pelo uso do protocolo cloroquina-hidroxicloroquina. Randolfe garantiu serem dados "mentirosos", enquanto Heinze afirmou serem oficiais.

Heinze defendeu pesquisadores que recomendariam o “tratamento precoce”, entre eles o francês Didier Raoul. A infectologista contestou as posições desses cientistas e afirmou que o pesquisador francês recebeu o prêmio Rusty Razor, entregue a promotores da "pseudociência".

Depoimentos anteriores

Divergências sobre o uso da cloroquina em pacientes com covid-19, amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, também pesaram na decisão de saída do Ministério da Saúde dos ex-titulares da pasta Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, conforme depoimentos que eles prestaram à CPI nos dias 4 e 5 de maio, respectivamente.

Teich explicou que a cloroquina é uma droga com efeitos colaterais de risco, sem dados concretos sobre seus reais benefícios no tratamento da covid-19, e que havia ainda preocupação com o uso indiscriminado e indevido por parte da população. 

Em depoimento à CPI no dia 6 de maio, Marcelo Queiroga — que foi reconvocado pela CPI da Pandemia e deve ser ouvido na próxima terça-feira (8) — não respondeu se concorda ou não com o uso de cloroquina como "tratamento precoce” contra a covid-19, mas reconheceu que o uso indiscriminado do medicamento pode causar arritmia cardíaca. 

Queiroga alegou que, como integrante da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), precisará se manifestar futuramente sobre o assunto, após ouvir a opinião de diversas sociedades científicas sobre o tema para se chegar em um consenso.

A utilização de cloroquina como tratamento inicial foi amplamente defendida na terça-feira (1º) na CPI pela oncologista e imunologista Nise Hitomi Yamaguchi. Para ela, o tratamento "rápido e prematuro" dos pacientes pode impedir que a doença evolua e não compete com as vacinas.

Durante a audiência com Nise, o senador Humberto Costa (PT-PE) lembrou que, de março de 2020 a março de 2021, foram vendidos 52 milhões de comprimidos de quatro medicamentos integrantes do chamado kit anticovid, sendo 32 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina. Diante desses números, segundo ele, seria esperado que houvesse menos mortes no Brasil, que tem 2,7% da população mundial e 13% dos óbitos, caso o medicamento fosse efetivo. 

—  Para mim ficou evidente que ela [Nise] foi voz importante para essa concepção equivocada do presidente Bolsonaro, que conduziu o Brasil para essa tragédia econômica e social — declarou Humberto.

Fonte: Agência Senado

30
Mai21

Bolsonaro é motivo para que atual sistema de votação e apuração seja preservado

Talis Andrade

João Ferreira: "Coronelismo, enxada e voto"

 

por Janio de Freitas

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Nada do que presidente diga ou faça está isento de interesse pessoal

Na Folha

Nada do que Bolsonaro diga ou faça está isento de interesse pessoal seu, que só se estende, com fortes motivos, aos filhos. Nesta regra, que faz a exceção de repelir a tradicional exceção a toda regra, tem inclusão automática o retorno ao voto impresso pretendido por Bolsonaro. E já engatilhado para discussão na Câmara.

A preocupação com fraude eleitoral, muitas vezes referida por Bolsonaro desde a campanha a presidente, é verdadeira —o que, nele, não deixa de ser afinal admirável. Mas não é para dificultar tal crime ainda mais, como sugerem sua denúncia de fraude e a promessa, em março do ano passado, de exibir as provas já em suas mãos —o que, nele, não deixa de ser sua mentira múltipla e continuada.

Ainda que o brasileiro sistema de votação e apuração eletrônica negue, um dia, a perfeição apregoada, a nossa pequena urna não figura em fraude alguma. O nome de Jair Bolsonaro está relacionado à fraude eleitoral constatada e provada, diz o termo técnico, com materialidade.

Na apuração das eleições de 1994, o juiz da 24ª zona eleitoral no Rio surpreendeu fraudes para quatro candidatos a deputado federal. Eram votados com cédulas (impressas) em papel diferente, mais fino. A constatação se deu em uma cédula para cada um dos quatro. O primeiro: Jair Bolsonaro.

A notícia sob o título “Roubo no ‘varejo'”, na pág. 5 do Jornal do Brasil de 17 de novembro de 1994, foi reproduzida na internet com Bolsonaro já na Presidência. E quando trazida ao jornal essa reaparição, algumas imprecisões e omissões a sujeitaram a reparos apresentados, e aceitos, como invalidações da notícia de fraude e de sua reprodução. Bolsonaro não tinha a ver com aquilo, nem sabia, o ingênuo.

A descoberta se deu com a apuração em pleno curso. Sem recontagem para verificar possíveis cédulas falsas já computados. Nem houve certeza de que todos os mesários estivessem atentos para a espessura das cédulas, na continuação da contagem.

Quanto ao crime, uma cédula ou cem fazem a mesma caracterização de fraude, que não é quantidade, é qualidade.

Não foi outro competidor que, providenciando a falsificação para si, resolveu ajudar Bolsonaro com segunda encomenda. Não foi alguém alheio à disputa que decidiu colaborar, à sua custa e risco, com quatro candidatos nem ao menos do mesmo partido, mas de quatro. Vem a pergunta sempre útil: a quem interessava introduzir fraude em benefício de Bolsonaro, como se poderia perguntar também dos três perdidos no tempo?

Eram quatro candidatos, dissociados e com fraudes idênticas. Logo, contratantes do mesmo fornecedor. Um esquema de fraude eleitoral. Logo a eleição para deputados estaduais precisou ser anulada, tamanha a quantidade de fraudes, e exigiu nova eleição.

O crime eleitoral na 24ª zona não resultou em mais do que sua constatação. Mas, por certo, miram o infinito os limites éticos e legais de quem seja capaz, por exemplo, de imaginar explodir um ponto crucial do abastecimento de água do Rio, para chantagear por aumento salarial dos novos tenentes.

Uma frase de Bolsonaro, repetida algumas vezes, clareia mais seu propósito: “Tem que ter pelo menos um comprovante impresso do voto dado, pelo menos isso”. Nada menos do que um documento comprovador do chamado voto de cabresto, pago ao cabo eleitoral. Já seria um expediente valioso. A frase, porém, diz mais: “pelo menos” significa que o objetivo é mais fundo. E só pode ser este: o voto em cédula de papel, aquele que foi preciso extinguir pelo excesso de fraudes eleitorais. Com papel adequado ou não.

Bolsonaro é motivo bastante para que o atual sistema de votação e apuração seja preservado, a menos que um dia se mostre vulnerável como o próprio Bolsonaro.

Mais processos

Subscrevo todos os conceitos e palavras que motivaram Augusto Aras, procurador-geral da República bolsonara, e os senadores Luis Carlos Heinze e Eduardo Girão a agir; o primeiro, policialmente contra Celso Rocha de Barros; e os dois, judicialmente, contra Conrado Hübner Mendes. O sociólogo e o professor de direito são duas esplêndidas conquistas recentes da imprensa, pela inteligência e o rigor ético, admiráveis na Folha.

Na Central

De um carioca que viu e ouviu mais do que precisava, ao saber da mudança de Sergio Moro para Washington: “Aqui, no Brasil, ele fazia home office”.

 

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