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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

09
Nov20

Bolívia retoma caminho combativo do seu povo

Talis Andrade

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Posse do novo presidente representa luta histórica pela soberania do país e por democracia para o povo

 

por Osvaldo Bertolino /Vermelho

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A posse do novo presidente da Bolívia, Luis Arce, ocorrida neste domingo (8), representa uma vitória das forças democráticas e progressistas de grande impacto. Com bem disse Arce, o seu governo “inicia um novo tempo”.

“A Bolívia inicia um novo tempo. Agradecemos às mulheres e aos homens bolivianos que de todo o país nos acompanham na ascensão ao comando presidencial”, escreveu ele no Twitter.

É a recuperação da democracia, exatamente um ano após o motim policial em 8 de novembro de 2019, lembrou. “Vencemos a batalha apenas com a consciência do povo, sem violência”, afirmou. Nesse período, a Bolívia foi tomada por um governo de extrema direita, semeador de ódio e praticante da violência contra o povo.

O exemplo mais enfático dessa política foram as ameaças ao ex-presidente Evo Morales, a principal vítima do golpe da extrema direita, que se exilou primeiro no México e depois na Argentina. Agora, como a vitória da democracia, Morales deve voltar ao país na segunda-feira (9), ainda em meio a uma campanha midiática que insiste em dizer que ele renunciou pressionado por uma mobilização social. Infelizmente, devido à perseguição criminosa da extrema direita, o ex-presidente não pôde acompanhar a posse de Arce.

Mas vários chefes de estado foram ao país para acompanhar a cerimônia, como o presidente da Argentina, Alberto Fernández; o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza; o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Yavad Zarif; o rei espanhol Felipe VI, acompanhado do vice-presidente e líder do Podemos, Pablo Iglesias; uma delegação dos Estados Unidos chefiada pelo subsecretário da Fazenda para Assuntos Internacionais, Brent Mclntosh; Iván Duque, presidente da Colômbia; Mario Abdo Benítez, presidente do Paraguai; o ex-presidente do Panamá, Martín Torrijos; Wálter Martos, chefe do Conselho de Ministros do Peru; e Francisco Carlos Bustillo e Andrés Allamand, chanceleres do Uruguai e do Chile, respectivamente.

A posse foi precedida de cerimônias ancestrais. Um grupo de “amautas” ou sábios espirituais indígenas aimarás preparou um altar com oferendas para a “Pachamama”, ou Mãe Terra, na Plaza Murillo de La Paz, onde está localizado o Palácio do Governo e a sede do Legislativo boliviano. O ritual de gratidão à “Pachamama” foi para pedir à divindade andina que dê força ao novo governante, segundo a Telesur.

Na última quinta (5), Arce sofreu um atentado em La Paz. Uma dinamite explodiu à frente da sede do comitê de campanha do partido, segundo o porta-voz do Movimento ao Socialismo (MAS), Sebastián Michel. Arce estava no comitê quando uma banana de dinamite foi arremessada na porta do imóvel. Não houve feridos ou danos ao imóvel.

Esse fato comprova que a extrema direita segue ativa na Bolívia. A rigor, sempre esteve. O país tem um longo e combativo histórico de enfrentamento com as forças políticas inimigas do povo. Nos governos Morales, não foram poucas as vezes em que essas forças, apoiadas por movimentos externos, tentaram atacar as políticas de abertura democrática para o povo e de soberania nacional.

Um caso emblemático envolveu diretamente o Brasil. Em questão estavam as áreas de petróleo e petroquímica, riquezas abundantes na Bolívia. A tempestade diluviana que a mídia e os setores direitistas brasileiras despejaram sobre o governo Morales foi impressionante. O que foi denominado “crise boliviana” tinha a ver com o emaranhado de interesses tecido na era neoliberal e escondia o histórico jogo bruto contra a Bolívia.

O levante se deu quando o governo anunciou um plano de recuperação das refinarias pelo Estado. Era a nova Lei de Hidrocarbonetos do país, segundo a qual a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) – a Petrobras boliviana – deveria retornar à condução da cadeia de produção internacional. Essa função havia sido proibida por uma lei do ex-presidente neoliberal Gonzalo Sánchez de Lozada, que permitiu o contrabando de combustíveis e exportações a preços baixos, inclusive mais baixos que no mercado local.

Foi um ato de violência contra a Bolívia. Sánchez de Lozada, um grande empresário de minério, representava uma linha de atuação boliviana estreitamente ligada à história do imperialismo no setor. A indústria do petróleo, que nasceu no final do século XIX, é fonte constante de riqueza e por isso se tornou desde cedo essencialmente monopolista. A Bolívia é exemplo da história da paz e da guerra, das correlações de forças que se modificam, das soberanias nacionais que desaparecem, se restauram ou se conquistam.

Já no começo da década de 1950, o governo do presidente Victor Paz Estensoro nacionalizou 163 minas de estanho debaixo de protestos do governo norte-americano do general Einsenhower e da fúria do senador McCarthy. Naquela época, os liberais — assim como hoje no Brasil — diziam que era equivocado chamar de nacionalização o que seria estatização.

Essa mesma argumentação foi usada por Sánchez de Lozada para atacar a YPFB, segundo ele uma propriedade do Estado que estava sob controle de “políticos” – a mesma conversa mole que se ouve muito no Brasil sob o governo do presidente Jair Bolsonaro e de seu ministro da Economia, Paulo Guedes –, a famosa “caixa-preta” da Petrobras que motivou sucessivos ataques à empresa e o jogo sujo da Operação Lava Jato.

Os ataques dos entreguistas brasileiros é histórico. Depois da Primeira Guerra Mundial os monopólios estrangeiros começaram a disputar a posse das reservas petrolíferas bolivianas. E nesse jogo, tanto governos da Bolívia quanto do Brasil foram usados para defender seus interesses. O mais dramático episódio dessa história é a chamada “Guerra do Chaco”, tramada pela Standard Oil. No seu final, o Brasil assinou os “Tratados de 1938” pelos quais nosso país ganhou uma “área de estudo” para pesquisar petróleo.

O Brasil havia construído a estrada de ferro Corumbá-Santa Cruz de la Sierra e recebeu a “área de estudo” como pagamento. Depois de idas e vindas, no dia 5 de janeiro de 1955 o presidente Café Filho, na inauguração da ferrovia, recebeu de Paz Estensoro, que retornara à Presidência da Bolívia devidamente mancomunado com a Standard Oil, um “Memorial” pelo qual ficaria eliminado o conceito de garantia geográfica e, em consequência, a área de reservas estabelecidas pelos “Tratados de 1938” e convênios complementares. A área até então reservada ao Brasil passaria à YPFB, que por sua vez a repassaria à Standard Oil. Paz Estensoro também disse que ele pagaria a ferrovia Corumbá-Santa Cruz. Seria a hora de o Brasil, por meio da Petrobrás, iniciar as perfurações na “área de estudo”.

Mas no Ministério da Fazenda estava o liberal radical Eugênio Gudin, chamado pelo vice-presidente Café Filho, que assumiu a Presidência após o suicídio de Getúlio Vargas em 1954. Gudin se recusou a liberar os recursos necessários já aprovados pelo Congresso e destinados ao reinício das atividades do Conselho Nacional do Petróleo na região subandina boliviana.

A mídia, que no Brasil combatia ferozmente o monopólio estatal do petróleo, saudou a atitude de Gudin como um gesto de “coragem e bom senso”. Na Bolívia ocorreu o mesmo. Festejavam, assim, o entreguismo brasileiro-boliviano, na pessoa de Gudin. O episódio é tido com mais um lance em que se evidenciou a mão do imperialismo agindo para perturbar a boa vizinhança dos povos do Brasil e da Bolívia. O alvo era a Petrobrás, que surgia como desmentido aos que só acreditavam nas maravilhas da iniciativa privada – como era o caso de Gudin, um liberal “ortodoxo” que fez escola no Brasil.

Os monopólios sabiam que a Petrobras era a solução certa para o problema do petróleo brasileiro e que do seu êxito surgiria a base econômico-financeira que proporcionaria as condições ao Brasil, como de fato aconteceu ao longo de sua história, para cumprir integralmente os tratados com a Bolívia. Foi nesse contexto que surgiu a mais torpe campanha contra a Petrobras – retomada com vigor pelo bolsonarismo, uma conspiração também contra o povo boliviano, nobre e altivo por natureza.

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26
Out20

Bolivia, el verdadero reto

Talis Andrade

En las elecciones del 18 de octubre en el Estado Plurinacional de Bolivia los sectores populares realizaron una demostración de fuerza, organización y movilización que hizo prácticamente imposible un fraude electoral que condujese a una segunda vuelta donde la derecha concentrase los votos en un único candidato.

No sólo se ganó, si no que se ganó de calle, con mayoría absoluta (55%, igualando los resultados obtenidos cuando llegó el MAS al poder político en 2005) y obteniendo la mayoría en las cámaras de diputados/as y senadores/as.

Esta incontestable victoria ha puesto de manifiesto varios aspectos.

La movilización popular ha sido clave. El gobierno golpista que, en principio, iba a permanecer en el poder 3 meses, encontró en la pandemia la excusa para retrasar las elecciones hasta en 3 ocasiones. Hasta que el pueblo organizado dijo basta y bloqueó en agosto las vías de comunicación de todo el país consiguiendo que se fijara por ley la fecha de las mismas. Miles de personas, organizados en torno a organizaciones sindicales, campesinas, populares obligaron a celebrar ya las elecciones. Y consiguieron derrotar en las urnas la maquiavélica maniobra que un año antes les hurtó la presidencia. Esto confirma una lección importante para la izquierda: los triunfos electorales solamente son posibles si primero se derrota a las fuerzas reaccionarias en la calle y con la movilización.

El MAS-IPSP sigue muy vivo. Si bien con un mensaje electoral más centrado en la recuperación económica y con la vista puesta en atraer a algunos sectores de la denominada clase media, el MAS-IPSP ha demostrado seguir siendo la fuerza que representa a la mayoría del pueblo boliviano. ¡Qué imagen tan distinta de la que nos mostraba hace un año la propaganda golpista de un MAS denostado por amplios sectores sociales! El montaje sobre el supuesto fraude en aquellas elecciones ha terminado de caer por su propio peso. Lo que no se les ha caído a algunos ha sido la cara de vergüenza tras aquella patraña. Dígase Luis Almagro (OEA) y varios líderes de derecha que alentaron y participaron del golpe y ahora, ante una derrota irrefutable, felicitan a Arce y Choquehuanca.

La victoria trasciende fronteras. La recuperación del gobierno por el MAS supone un varapalo para la estrategia imperial y autoritaria auspiciada por la OEA, el Grupo de Lima y la Administración estadounidense, a la vez que constituye un triunfo también para los demás pueblos de Abya-Yala/Latinoamérica y del mundo. Una nueva pieza de este tablero que insufla aire fresco al proceso de integración latinoamericana y que juega a favor de los intereses de los pueblos y las clases populares en su permanente lucha contra el imperialismo y la explotación de personas y naturaleza.

El contenido decolonial de esta victoria. No cabe duda que la violencia física y simbólica contra los pueblos originarios materializada en las masacres de Sacaba y Senkata, la quema de wiphalas, el calificar de “salvajes” a quienes protestaban exigiendo elecciones, la imposición de la Biblia y discursos “evangelizadores” negando la cosmovisión de los diversos pueblos indígenas que conforman Bolivia han influido en la enorme movilización de amplios sectores, fundamentalmente aymaras y quechuas, que han dejado claro que no están dispuestos a consentir el retorno al Estado colonial que pretenden las élites golpistas.

La necesidad del relevo. Más allá de las indudables cualidades como líderes políticos y sociales de Evo y Alvaro García Linera, su postulación para un cuarto mandato probablemente no fue la mejor opción. Un nuevo tándem presidencial, en unas condiciones excepcionales, ha logrado recuperar una gran parte del voto perdido en los anteriores comicios. La formación y promoción de nuevos líderes y, especialmente, de dirigencias colectivas sin figuras imprescindibles, es una garantía para los procesos de cambio. En Bolivia y en cualquier otra parte. El pueblo boliviano ha dejado claro que no apoya a una persona sino un proyecto político de emancipación de las clases populares y los pueblos originarios.

La fluctuante “clase media”. Es muy probable que una parte de la denominada clase media que no votó al MAS en 2019 lo haya hecho ahora. ¿Las razones? Probablemente una mezcla de diferente actitud frente al relevo al mediáticamente desgastado binomio Evo-García Linera, cierta toma de conciencia sobre qué es realmente la derecha y los poderes fácticos y de qué son capaces, y una mejor percepción de la gestión de gobierno del MAS frente a la desastrosa gestión y corrupción del gobierno de Añez. La permanente contradicción entre lo que se es y a lo que se aspira, la falta de conciencia de clase y su mentalidad colonizada hace de estos sectores un sujeto titubeante que, sin embargo, puede ser clave en determinados momentos.

Asimismo, el nuevo escenario que se abre ahora plantea varias dudas y retos, que van mucho más allá de cómo hacer frente a la pandemia y a la crisis económica.

No se ha recuperado la democracia. A pesar de que esta expresión se ha repetido profusamente estos días, lo que se ha recuperado (a falta todavía de la investidura…) es el poder político. Ello dista mucho de ser sinónimo de democracia. El poder económico va a seguir en gran medida en manos de una oligarquía golpista y, sin control popular sobre los medios de producción, el Estado es débil y vulnerable frente a un previsible sabotaje económico. En este sentido, el MAS tendrá que dar prioridad a las vertientes de economía comunitaria y al control estatal de los sectores claves planteada en la Constitución y olvidarse de pactos con la oligarquía agroindustrial, actor importante del golpe de Estado.

Los medios de difusión principales, aquellos que resultaron claves para que se fraguara el golpe y para legitimar al gobierno de facto, siguen en manos privadas. Sin una verdadera democratización de la información resulta difícil avanzar hacia una verdadera democracia.

¡Y qué decir de la violencia organizada del Estado! Las armas, la fuerza bruta y mortífera, sigue en manos de aquellos policías que se sublevaron contra el gobierno y de aquellos militares que “invitaron” a Evo a renunciar. Hace un año quedó patente que detentar el poder político y controlar el Estado son cosas muy diferentes. ¿Cómo intentar cambiar la correlación de fuerzas dentro de unas instituciones armadas imbuidas de mentalidad colonial, racista, valedora del poder oligárquico local y sumisa al imperialismo yanqui, cuando en la década y media previa no se consiguió? Tal vez ese sea el principal reto del nuevo gobierno. En este sentido, la creación de milicias populares podría ejercer cierto contrapeso.

¿Habrá justicia y reparación? ¿Se procesará a los/as responsables del golpe? ¿y a quienes tomaron decisiones que no correspondían a un gobierno provisional, como privatizar empresas públicas, cambiar embajadores, expulsar al personal médico cubano…? ¿y a los responsables de las masacres de Sacaba y Senkata, y de otras tantas personas asesinadas, encarceladas, perseguidas…? Los llamados a la unidad y a la reconciliación no pueden servir para sellar la impunidad. Se trata de una cuestión de justicia, de dignidad y de credibilidad para el propio nuevo gobierno ante su pueblo.

¿Aceptarán su derrota? Si bien el golpe electoral recibido les ha podido dejar desconcertados y debilitados, es evidente que las élites económicas de Bolivia y la administración de EEUU no se resignarán a aceptar que el pueblo boliviano tome en sus manos su futuro. Aunque formalmente lo reconozcan, intentaran desde hoy mismo desgastarlo, probablemente utilizando una guerra híbrida que puede combinar agresiones económicas, mediáticas, psicológicas, así como la utilización de grupos dentro de la policía y fuerzas armadas para desestabilizar al gobierno. De forma similar a como llevan años haciendo en Venezuela. Si dieron un golpe para descarrilar el proceso de cambios y apoderarse de Bolivia es ingenuo pensar que ahora aceptarán democráticamente el resultado. No hay más que estudiar un poco la historia de los pueblos.

Autocrítica y tensión imprescindibles. Lo sucedido en Bolivia este último año indudablemente condicionará el accionar del nuevo gobierno del MAS. Será necesario esperar un tiempo para ver el grado de radicalidad de las medidas que se tomen desde el gobierno y si se buscará acelerar el proceso de cambio o si, simplemente, se intentará restaurar un Estado asistencialista que asegure unos servicios básicos a toda la población y que promueva derechos de los pueblos originarios y colectivos sociales pero sin avanzar notablemente en cambios estructurales, evitando el choque frontal con la burguesía boliviana y los demás poderes ligados a ella, eludiendo traspasar ciertas líneas rojas (procesamiento de políticos y funcionarios implicados en el golpe, intervención contra determinados intereses económicos y medios de comunicación, remoción sustancial de mandos policiales y militares…). Ciertamente, la amenaza velada del ejército y la policía, conjuntamente con las élites económicas y sus grupos de choque paramilitares, puede condicionar en gran medida las decisiones del nuevo gobierno, llevándolo a una versión “light” de los años de Evo y García Linera. En este sentido, es imprescindible un ejercicio de autocrítica permanente, así como de mantenimiento de la tensión dentro de las bases y las estructuras del MAS, para que no haya desviaciones respecto al proyecto original y se responda a las necesidades de los sectores que representa y de los cuales es el instrumento político. Es evidente que no ocurrirá como en Ecuador con Moreno (el MAS-IPSP no es, ni de lejos, Alianza País), pero será necesario mantenerse siempre alerta y sin rehuir la inevitable lucha entre el poder burgués y el imperialismo contra la clase trabajadora y los pueblos.

Un año después, ¿volvemos al mismo punto? Sí y no. De la respuesta que se vaya dando a estas cuestiones dependerá el afianzamiento de un cambio necesario para el pueblo boliviano, para los pueblos del Abya Yala y del mundo.

 

 

 

22
Out20

Bolívia tem o direito de punir golpistas

Talis Andrade

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Vitória nas urnas é só o começo. Para restaurar a democracia, após um ano de terror de Estado, país precisará reformar a Polícia e as Forças Armadas, punir criminosos e reconstruir a soberania nacional, longe de interferências da OEA

 

- - -

As eleições bolivianas parecem caminhar para um desfecho mais do que previsto: a vitória de Luis Arce, do MAS, mesmo partido do ex-Presidente Evo Morales, já em primeiro turno. Mesmo antes do fim da apuração, até a atual presidente golpista, Jeanine Áñez, e o principal adversário do vitorioso, Carlos Mesa, já reconheceram a acachapante derrota. Se tudo correr bem, será o triunfal retorno da esquerda ao poder boliviano apenas um ano após o violento golpe militarizado que a direita liberal deu no país.

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O resultado das urnas também deve ser visto como uma grande resposta às dúvidas falsamente levantadas no pleito de 2019. Dúvidas que sequer deveriam existir, é verdade, já que o relatório da OEA que apontava fraudes na vitória de Evo já havia sido desmascarado tempos atrás como mentiroso e com objetivos de favorecer a direita boliviana. Provavelmente com mais de 50% dos votos na eleição do último fim de semana, o MAS parece ter conseguido ampliar ainda mais a vantagem sobre os rivais. Basicamente, o povo boliviano acaba de mostrar ao mundo que Evo Morales fora a verdadeira vítima do golpe de 2019.

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Mas, se estas eleições trouxeram muitas respostas, também é certo que deixam o país com uma série de novas dúvidas. Primeiro porque, após um ano sob um regime militarizado extremamente violento, é difícil crer que a volta do MAS será aceita de forma pacífica pelos setores mais radicais da direita. Vale lembrar que as forças de segurança pública e as Forças Armadas do país desempenharam um papel fundamental no golpe do ano passado.

Além disso, mesmo que aceitos os resultados das urnas e mesmo com o MAS assumindo o poder de fato, restam algumas pontas soltas que não podem ser ignoradas, tanto nacional quanto internacionalmente.

O último ano para o povo boliviano não foi nada bom. Além da crise social e econômica vista de forma geral, o regime chefiado por Áñez cometeu uma série de abusos e violações contra o povo boliviano. O terrorismo de Estado tomou conta do país, que viu oposicionistas e manifestantes sendo presos, torturados e assassinados de forma impune. Com tudo isso, resta a pergunta: o Governo Boliviano poderá exercer seu legítimo direito de punir assassinos, torturadores e golpistas sem que a OEA e grandes potências o acusem de autoritarismo?

É preciso que a soberania da Bolívia seja respeitada, garantindo ao país o seu direito de “rearrumar a casa” para se ver livre de novos movimentos golpistas e garantir o legítimo direito à reparação das vítimas da Ditadura. Seria absurda a ideia de que a comunidade internacional fizesse o povo boliviano engolir uma anistia geral e irrestrita que perdoasse assassinos e torturadores. Já vimos este filme acontecer no Brasil, no pós-Ditadura Militar, e cá estamos três décadas depois com este mesmo fantasma nos assombrando de novo.

Vale lembrar, ainda, o exemplo venezuelano. Hugo Chávez, então Presidente legítimo do país, chegou a ter armas apontadas para sua cabeça na rápida deposição que sofreu através do golpe de 2002. Com a força do povo, que saiu às ruas indignado, voltou ao poder horas depois. Figuras da direita profundamente envolvidas no golpe, como Capriles e Leopoldo López, chegaram a ser punidas, mas acabaram perdoadas após pressão internacional. Essas mesmas figuras nunca mais deixaram de agir sistematicamente para minar qualquer chance de democracia e desenvolvimento no país, agora ao lado de novos atores como Guaidó.

Por isso é importante deixar claro que a soberania boliviana, no atual momento, não pode se limitar ao resultado das urnas. Não basta derrotar o golpismo nas eleições, é preciso que o povo boliviano tenha sua autodeterminação respeitada no que diz respeito ao próprio combate ao golpismo daqui para frente. E isso vai para além da punição a torturadores e assassinos.

Isso porque o Governo Boliviano, sob a chefia do MAS, deve ter respeitado o seu necessário direito a reformar as instituições do país. Conforme já dito, as polícias e as Forças Armadas tiveram um papel essencial no golpe de 2019. Armados e estratégicos, seria inadmissível que a comunidade internacional e a imprensa repudiassem a interferência política nestes setores. Eliminar o golpismo das instituições armadas do país é mais do que uma necessidade, é um verdadeiro direito do povo e do Governo da Bolívia, que não podem nem devem viver como reféns.

Por fim, após tudo o que já foi revelado, que papel terá a OEA? Após claramente ter patrocinado mais um golpe na América Latina, a organização continuará impune e com voz? Almagro não será responsabilizado? A OEA seguirá tendo carta-branca para ingerências no lado sul do continente? Ou será enfim extinta para colocar um fim em suas políticas imperialistas para a América?

A vitória eleitoral da esquerda na Bolívia não foi meramente eleitoral. Ela apenas foi possível pois, neste um ano sob o regime violento e militarizado da direita liberal, o povo seguiu organizado e mobilizado nas ruas, enfrentando toda sorte de repressões. Foi uma vitória Política com “P” maiúsculo, sendo a urna apenas uma consequência. Ainda assim, a vitória foi apenas de uma batalha. Muitas lutas ainda se seguem, não só para a Bolívia, como para toda classe trabalhadora da América Latina. Para vencê-las, o povo boliviano deve exercer o seu direito soberano de extirpar o golpismo de seu próprio país.

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20
Out20

Ernesto Araújo, o lunático do Itamaraty, cumpre agenda de capacho dos EUA

Talis Andrade

Nando Motta

 

por Jeferson Miola

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No dia em que governantes, políticos, líderes internacionais, oposicionistas do MAS [Movimiento Al Socialismo] e até mesmo o mercenário Luis Almagro/OEA felicitaram Luis Arce pela eleição à presidência da Bolívia, o chefe bolsonarista do Itamaraty cumpriu agenda de servidor e capacho dos EUA.

Toda tarde da agenda do lunático Ernesto Araújo nesta 2ª feira [19/10], 1º dia após a eleição realizada no país vizinho, foi inteiramente dedicada à abordagem de assuntos de interesse dos EUA na região.

Tratam-se, aliás, de interesses estrangeiros que ofendem o princípio da integração hemisférica estabelecido no artigo 4º da Constituição, que diz que “A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.

O lunático do Itamaraty, um vassalo estadunidense, não encontrou tempo nem mesmo para emitir uma breve nota de felicitação a Luis Arce. Mas, em compensação, teve todo tempo do mundo para despachar assuntos agendados pelo governo imperial do Norte – ao qual ele e sua “exótica” equipe servem com devotada subserviência e capachismo.

Às 13:30h, por exemplo, o lunático do Itamaraty ocupou-se do “Evento à margem da Assembleia-Geral da OEA sobre as causas estruturais da crise na Venezuela”; ou seja, discutiu e coordenou ações para desestabilizar e interferir na realidade interna do país fronteiriço.

Em seguida, às 16h, o lunático reservou tempo para um “Telefonema com o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo”, seu homólogo e patrão imediato.

No horário das 18:15h a agenda do lunático do Itamaraty foi reservada para a “Assinatura do Protocolo ao Acordo de Comércio e Cooperação Econômica entre os Governos do Brasil e dos EUA Relacionado a Regras Comerciais e de Transparência” – seja lá o que isso significa, que tem cheiro de ser algo desfavorável ao Brasil.

E, finalmente, a agenda do lunático do Itamaraty das 18:30h foi reservada para “Reunião com o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien, e delegação” – órgão de espionagem e inteligência sediado na Casa Branca e vinculado diretamente ao presidente dos EUA.

Se o Congresso tivesse o mínimo de decência, convocaria o lunático do Itamaraty para prestar contas desta agenda oficial de trabalho colocada a serviço de uma potência estrangeira e paga com verbas dos impostos arrecadados junto ao povo brasileiro.

 
19
Out20

Lula exalta vitória da Bolívia

Talis Andrade

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou o ex-presidente da Bolívia Evo Morales e Luis Arce, candidato da esquerda vitorioso na eleição do país vizinho. Os dois integram o Movimento pelo Socialismo (MAS):

Meus parabéns ao povo boliviano, que restabeleceu sua democracia. Parabéns para @LuchoXBolivia e meu amigo @evoespueblo, que depois de um ano difícil podem ver respeitado o voto popular. Que a Bolívia retorne ao caminho do desenvolvimento com inclusão e soberania"

19
Out20

Vitória de Evo Morales: Luis Arce novo presidente da Bolívia

Talis Andrade

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247 - Ao conhecer os resultados não oficiais das eleições de domingi, Luis Arce afirmou que fará um governo de unidade nacional para reconstruir a economia.

A presidente golpista da Bolívia, Jeanine Áñez, felicitou o candidato do Movimento pelo Socialismo (MAS), Luis Arce, pela vitória nas eleições gerais com 53 por cento dos votos. Mais de 20 pontos percentuais de diferença em relação ao segundo mais votado, o ex-presidente neoliberal Carlos Mesa.

“Ainda não temos uma contagem oficial, mas pelos dados que temos, o Sr. (Luis) Arce e o Sr. (David) Choquehuanca venceram a eleição. Parabenizo os vencedores e peço que governem pensando na Bolívia e na democracia", expressou Jeanine Añez por meio de seu Twitter.

Evo Morales Ayma escreveu:
@evoespueblo
El gran triunfo del pueblo es histórico, inédito y único en el mundo: a un año del golpe, recuperamos el poder político democráticamente con la conciencia y la paciencia del pueblo. Somos la Revolución Democrática y Cultural para la transformación nacional. Hemos vuelto
millones.
 
 
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