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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Mar21

Onde está a PF para saber quem ameaçou “quase ministra”?

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

Imagina-se que o Ministério da Justiça esteja, neste momento, despachando equipes para o hotel onde ficou a Dra. Ludhmila Hajjar, para obter as imagens de câmaras de segurança que registraram as imagens das pessoas que, segundo ela declarou ao G1, tentaram acessar seu quarto alegando serem “de sua equipe”.

Se não pertenciam, como ela garante, certamente eram pessoas que procuravam intimidá-la ou, pior, agredi-la, para que o governo Bolsonaro não nomeasse uma “esquerdopata” e “médica da Dilma” para o cargo de Ministro da Saúde.

Os grupos de assalto bolsonaristas agem assim e vão continuar agindo se continuar a não haver consequências de suas atividades intimidatória.

Começaram lá atrás, com o ataque à casa do falecido ministro Teori Zavascki, à época em que eram esquadrões “moristas”, que decaíram a Falanges do Capitão.

O senhor André Mendonça não precisa esperar ordens de Jair Bolsonaro para agir. Ele não as dará, mesmo sendo a Dra. Hajjar sua convidada e, portanto, digna de proteção ainda mais cuidadosa do que aquela que seria devida a qualquer cidadã.

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Nota deste correspondente: Ludhmila Hajjar era uma convidada de Jair Bolsonaro. Somente ele sabia da presença da médica em Brasília. Sabia a hora de chegada, nome do hotel. Marcou o dia e a hora de um encontro. Audiência para tratar do honroso convite para substituir um incompetente general da ativa, Eduardo Pazuello, no ministério da Saúde. Quem, da compadrice palaciana, quebrou a confidencialidade, e ameaçou a vida de uma cientista de renome internacional?Image

Charge do Zé Dassilva: oportunidade de emprego | NSC Total

16
Mar21

‘Maior responsável pela tragédia da pandemia é Bolsonaro’, afirmam CNBB, governadores e entidades

Talis Andrade

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Encontro virtual teve a entrega de documento ‘O povo não pode pagar com a própria vida’, elaborado pela CNBB, OAB e outras instituições

Por Felipe Mascari, RBA

O negacionismo e a omissão de Jair Bolsonaro ante a pandemia, foram amplamente criticados nesta segunda-feira (15), em conferência organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O evento teve a participação de governadores, cientistas e entidades da sociedade civil. Para os participantes, em unanimidade, a tragédia causada pela covid-19, que já custou a vida de 278 mil brasileiros, tem o presidente da República como o maior responsável.

O encontro virtual teve como objetivo a entrega do documento “O povo não pode pagar com a própria vida” ao governador do Piauí e coordenador do Fórum Nacional dos Governadores, Wellington Dias (PT). A carta declara apoio aos esforços de governadores e prefeitos para garantir o cumprimento das medidas sanitárias de proteção, paralelamente à imunização rápida e consistente da população, neste que é o momento mais grave da crise causada pela pandemia.

A carta dos bispos afirma que “não há tempo a perder e negacionismo mata” e aponta o governo de Jair Bolsonaro como o “primeiro responsável” pela tragédia que assola o Brasil. “O vírus não será dissipado com obscurantismos, discursos raivosos ou frases ofensivas. Basta de insensatez e irresponsabilidade. Além de vacina já e para todos, o Brasil precisa urgentemente que o Ministério da Saúde cumpra o seu papel, sendo indutor eficaz das políticas de saúde em nível nacional, garantindo acesso rápido aos medicamentos e testes validados pela ciência, a rastreabilidade permanente do vírus e um mínimo de serenidade ao povo”, defende o texto.

Neste domingo (14), o Brasil bateu novo recorde na média móvel de mortes decorrentes da covid-19 dos últimos 7 dias, com 1.831 óbitos diários em média. Em pleno domingo, foram oficialmente notificadas mais 1.138 mortes pela doença, o que totalizou 278.327 óbitos, desde o início do surto, em março de 2020.

Incompetência de Bolsonaro

Durante o encontro, governadores e representantes de entidades civis fizeram duras críticas a Bolsonaro. O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, lembrou que a sociedade está “exausta, empobrecida e vive realidade aviltante”.

Ele ainda citou a provável saída do ministro da Saúde Eduardo Pazuello, divulgada pela imprensa, desde ontem, e a recusa do convite por parte da cardiologista Ludhmila Hajjar para assumir a pasta, nesta segunda-feira. “O pior ministro da Saúde da história do país, no governo mais incompetente da história do Brasil, não será substituído por uma médica. Pois nenhum médico em sã consciência comprará a agenda política do governo. Bolsonaro trabalha para ver o Brasil pegar fogo e ver romper os limites da institucionalidade. Precisamos estar prontos para defender a democracia. A covid-19 mata, mas a irresponsabilidade na condução da pandemia, por parte de Jair Bolsonaro, mata também a nossa democracia”, alertou o presidente da OAB.

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Governadores unidos

Os chefes estaduais de governo endossaram a culpa de Bolsonaro na ascensão da pandemia de covid no país e o colapso no sistema de saúde. Wellington Dias lembra que todos os estados enfrentam fila de UTI para atender as vítimas do vírus, o que comprova a necessidade de o Brasil aderir ao isolamento social, através de uma coordenação nacional.

“Precisamos criar um movimento nacional para que os protocolos de proteção sejam cumpridos. Não adianta fazer o trabalho nos estados e municípios sem o apoio do governo federal”, disse o governador do Piauí. Ele listou algumas das medidas necessárias. “Precisamos de apoio para a área da saúde. O governo federal apresentou, em 2021, um orçamento com R$ 43 bilhões a menos que o ano passado. Destaco ainda o apoio às medidas sociais, como o auxílio emergencial. Ele ajudará a deixar as pessoas em casa. É preciso fechar bares e comércios, mas dar suporte às pessoas para que fiquem casa”, acrescentou.

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Pauta única

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que os verdadeiros defensores da economia e dos empregos, são os chefes de Estado que defendem a vida e a saúde. “Criar uma dualidade sobre as pautas é uma ideologia falaciosa, afastando o Brasil do rumo correto”, disse.

A carta das entidades, na avaliação de Dino, é um convite para um novo caminho a ser adotado pelos governos estaduais. “O problema do Brasil não está no ministro, vai além disso. Acreditar nisso é cair na armadilha do maior responsável pelo caos do Brasil. Precisamos endossar o humanismo, criar laços humanitários, porque é assim que se responde ao fascismo e sua política do ódio”, finalizou.

Fátima Bezerra, governadora do Rio Grande do Norte, e Camilo Santana, governador do Ceará, ambos do PT, também atrelaram a tragédia da pandemia ao desprezo de Bolsonaro pela ciência. “Quando nós, governadores e prefeitos, adotamos medidas de restrição, fazemos pela absoluta necessidade e são avalizadas pela ciência”, explicou a governadora potiguar.

Entidade civil mobilizada

A carta da CNBB teve o apoio do presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizetti. Em sua participação no evento, ele afirmou que a entidade endossa as medidas de restrição e o aumento de investimento público para garantir renda e dinheiro para quem gera emprego.

Já o presidente da Comissão Arns, José Carlos Dias, lembrou que o isolamento social é o único caminho para o Brasil reduzir seus números de casos. Ele alertou ainda para a lentidão na vacinação da população: apenas 9,7 milhões de pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a covid-19, ou seja, 4,5% da população. “Precisamos estar sensibilizados e nos unir por mais vacinas. Temos estrutura para vacinação em massa, o processo se arrasta com uma lentidão inaceitável. A inoperância e negacionismo matam e o governo federal é conivente com a tragédia nos abate, que se omitiu na compra das vacinas e propalou risco para quem se imunizasse”, criticou.

Ciências e imprensa

O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, lembrou que, desde o começo da pandemia especialistas em saúde e ciência pedem medidas para salvar vidas. No entanto, tiveram seu clamor negado por Bolsonaro. “O governo não fez nada e continua a propagar opiniões negacionistas, oferecendo kit de cloroquina aos infectados, mesmo que ineficazes.O nosso manifesto é político e humanitário para lutar contra a insensatez que está causando muitas mortes no país. Devemos esperar até chegar a 300 mil mortos? Quantos aviões isso representa por dia?”, questionou.

Por fim, o jornalista Juca Kfouri, que representou a ABI, disse que a salvação para o país é o impeachment de Bolsonaro. “A ABI defende o auxílio emergencial pelo tempo que for necessário e somos a favor do impeachment de Jair Bolsonaro. Conclamamos os governadores a pressionarem suas bancadas no Congresso Nacional. Maior do que a covid-19 é a pandemia chamada Jair Bolsonaro que assola o país.”

Assinam o documento:

A carta endereçada aos governos estaduais, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF) é assinada, além da CNBB, pela:

  • Ordem dos Advogados do Brasil (OAB);
  • Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns;
  • Academia Brasileira de Ciências (ABC);
  • Associação Brasileira de Imprensa (ABI);
  • e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
16
Mar21

Médica que disse 'não' a Bolsonaro foi ameaçada de morte por bolsonaristas

Talis Andrade

Ludhmila Hajjar

247 - A médica cardiologista Ludhmila Hajjar, que nesta segunda-feira (15) recusou o convite de Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde, disse ter sido ameaçada de morte após ter seu nome cogitado para a chefia da pasta. “Tive meu celular publicado em grupos de WhatsApp e [sofri] duas tentativas de entrada em quarto de hotel. Coisas absurdas”, disse em entrevista à CNN Brasil. 

Segundo ela, as ameaças não foram o motivo de ter recusado o convite do governo. “Eu não tenho medo. São pessoas radicais, que estão polarizando o Brasil”. 

Ludhmila disse, ainda, que se “pauta pela ciência” e criticou a defesa feita por Bolsonaro sobre o uso da cloroquina e os ataques feitos por ele contra as medidas de distanciamento social adotadas por governadores e prefeitos no enfrentamento à Covid-19. 

“Infelizmente, acho que esse não é o momento para que eu assuma a pasta, principalmente por motivos técnicos. Eu sou médica, cientista, tenho todas as minhas expectativa em relação à pandemia. Eu acho que isto está acima de qualquer ideologia, essa é a minha posição. Eu fiquei honrada com o convite, mas pautei minha vida toda na ciência”, afirmou. 

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Nota deste correspondente: Uma médica de renome internacional, recebe um convite do presidente Bolsonaro, para tratar de assuntos da mais alta rele√ância: a saúde do povo em geral, especialmente a compra de vacinas para conter a propagação do vírus da Covid-19 e variantes. Certamente viajou com passagem do governo e hotel reservado pela presidência da República. É a praxe. Que figura maligna revelou para extremistas a presença de Ludhmila Hajjar em Brasília? 

15
Mar21

O descarte do general Pazuello

Talis Andrade

 

por Maíra Mathias e Raquel Torres /Outra Saúde

 

Quando o general da ativa Eduardo Pazuello assumiu interinamente o Ministério da Saúde, no dia 15 de maio, o Brasil registrava pouco menos de 15 mil mortes na pandemia. Dez meses depois, estamos chegando à marca das 280 mil vidas perdidas para o coronavírus. O pano de fundo da saída de Nelson Teich e da demissão de Luiz Henrique Mandetta foi basicamente o mesmo: a pressão de Jair Bolsonaro em prol da defesa de uma panaceia, a cloroquina, e da livre circulação de vírus e pessoas. O general assumiu o cargo para cumprir essas ordens. Ao longo da gestão, cumpriu outras mais, sendo o episódio da volta atrás na aquisição da CoronaVac o mais humilhante. Justamente porque obedeceu aos desmandos do presidente, Pazuello agora será descartado por um Bolsonaro em busca de um novo figurino político que o dissocie do caos sanitário que ele ativamente promoveu.

E neste novo figurino as vacinas ganharam centralidade. A postura vacilante de Pazuello nunca foi segredo, mas a mudança de cronograma cinco vezes em uma semana – e, principalmente, o ofício entregue ao Congresso onde ainda constava um número desatualizado de doses de vacina para março e sua afirmativa de que não havia alteração na previsão – foi a brecha que faltava para que o Planalto fosse convencido a fazer a substituição. 

A movimentação partiu do Centrão e ganhou corpo ainda na sexta-feira. No sábado, o assunto foi tratado entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no Palácio do Alvorada. A partir da reunião, Lira fez chegar à imprensa sua avaliação: Pazuello teria ‘perdido o rumo’ – e também a “confiança mínima” da sociedade para liderar a pasta. Bolsonaro, é claro, não tinha nada com isso.

Naquela noite, Bolsonaro se reuniu com o próprio Pazuello no hotel de Trânsito do Exército, onde o general mora. Acompanharam a conversa outros militares do primeiro escalão: Walter Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Fernando Azevedo (Defesa).  Eles deixaram o local sem dar declarações à imprensa.

No domingo, porém, começaram a pipocar as reportagens com ‘fontes próximas ao Planalto’ que tentavam emplacar uma mentira tão descarada que só pode ter saído da cabeça de um militar. Segunda essa história ouvida por O Globoo próprio Pazuello teria pedido para deixar o cargo para tratar da saúde – de modo que sua substituição não tinha nada a ver com a pressão do Centrão ou com o grau de deterioração na condução da pandemia. Ao Valor, um militar com mais respeito à inteligência alheia afirmou que a saída do general se daria “em prol da unidade com o Legislativo”.

O zum-zum-zum provocou uma resposta engraçada do Ministério da Saúde. Em nota divulgada à imprensa na tarde de domingo, a pasta afirmou que “até o presente momento” Pazuello seguia no comando do ministério. Partiu de Markinho Show, o marqueteiro de Pazuello, uma declaração menos vaga. “Não estou doente, não entreguei o meu cargo e o presidente não o pediu, mas o entregarei assim que o presidente solicitar. Sigo como ministro da saúde no combate ao coronavírus e salvando mais vidas”, escreveu o assessor no Twitter, atribuindo as aspas ao general.

A aliados, Jair Bolsonaro informou que pretende escolher o substituto de Pazuello na manhã de hoje.

QUEM SERÁ?

No domingo, o presidente recebeu uma candidata à ministra: a cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar. Atendendo na rede de hospitais Vila Nova Star, ela tratou das infecções de covid-19 de uma longa lista de autoridades: o procurador-geral da República, Augusto Aras, o ministro Fábio Faria, das Comunicações, o ministro Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, o ministro Dias Toffoli quando presidia o Supremo, e também os ex-presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre. Além disso, ela foi médica do próprio Eduardo Pazuello e… atendeu o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.

Segundo diversos veículos, o líder do Centrão teria apontado nomes do seu próprio partido, o PP, mas estaria fazendo campanha em favor de Ludhmila, tendo sido responsável por essa sugestão ainda na manhã de sábado.

“O enfrentamento da pandemia exige competência técnica, sem dúvida nenhuma. Mas exige ainda mais uma ampla e experiente capacidade de diálogo político, pois envolve todos os entes federativos, o Congresso, o Judiciário, além do complexo e multifacetado Sistema Único de Saúde”, escreveu Lira no Twitter, dando a entender que preferia a indicação de Ricardo Barros (PP-PR), Hiran Gonçalves (PP-RR) ou de seu amigo pessoal Dr. Luizinho (PP-RJ) – os políticos cotados. Depois, ele usou seu perfil para elogiar a médica e dizer que “torce” para que, “caso nomeada ministra, consiga desempenhar bem as novas funções”.

Não dá para saber se a aposta de Lira no nome da médica faz parte de uma estratégia para não parecer que o partido está indo com muita sede ao pote. O fato é que depois de conversar por três horas com Bolsonaro, Ludhmila Abrahão passou a ser atacada pelos apoiadores do presidente nas redes sociais.

Isso porque a médica criticou a condução do governo federal da pandemia em entrevista ao jornal Opção, de Goiás, afirmando que o país fez tudo errado, que a cloroquina não funciona, que deveríamos ter comprado uma variedade maior de vacinas e que faltou coordenação para a adoção de medidas que pudessem frear as transmissões. Além disso, desenterraram um vídeo em que ela elogia Dilma Rousseff e a chama de “presidenta”. Por fim, Bolsonaro teria recebido um áudio atribuído a Ludhmila no qual ela o teria chamado de “psicopata”

Diante de toda essa campanha, Lira manteve a sinalização em apoio à indicação da cardiologista, dizendo que ela “vai ser ponte de todos os Poderes e setores” e “contará 100 %” com ele. Segundo a coluna Painel, outros líderes partidários também estavam incidindo no Planalto para defendê-la dos ataques.

Outro médico aparece cotado para o Ministério da Saúde: Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia que foi indicado por Jair Bolsonaro para assumir um cargo de diretor na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Queiroga participou da transição do governo. Em entrevista à Folhaele disse que o presidente conhece seu trabalho.

COMO FICA?

Com a saída do Ministério da Saúde, Pazuello vai perder o foro privilegiado. Com isso, o inquérito que apura sua responsabilidade na crise da falta de oxigênio em Manaus deixará o Supremo. Segundo a Folhaa tendência é que seja remetido à Justiça Federal do DF

DÉJÀ VU

Há exatos dois meses, a crise do oxigênio levava o sistema de saúde de Manaus ao seu segundo colapso na pandemia. O problema foi muito pior do que em abril e maio. Na primeira onda, o dia 15 de maio foi o que teve maior número de óbitos, com 79 registros. É verdade que cerca de 200 mortes ocorridas ao longo desses dois meses foram não-especificadas inicialmente e depois reclassificadas para covid-19 – mas, mesmo assim, o total não chega nem perto do pico de 183 óbitos registrados apenas no dia 30 de janeiro. 

Agora, a chance de o mesmo acontecer em outras partes do Brasil é cada vez mais palpável. Na sexta-feira, representantes da indústria química se reuniram com a Anvisa e definiram como “preocupante” a oferta de oxigênio em todo o país. A Anvisa determinou que os fabricantes de oxigênio medicinal devem mantê-la informada sobre estoques, enviando semanalmente informações sobre capacidade de produção, envase e distribuição.

A região mais complicada continua sendo a Norte: Acre e Rondônia são os estados com maior risco de desabastecimento. Mas, no Sul, o Paraná já está enfrentando problemas. Segundo a secretaria de saúde do estado, o problema não está na produção, mas na disponibilidade de cilindros para que a reposição seja feita no tempo necessário. 

AGORA MESMO

Uma falta generalizada de oxigênio agravaria a crise, mas de todo modo ela segue recrudescendo sem alívio no país. A Folha analisou municípios com mais de cem mil habitantes e comparou a semana com mais mortes em dois períodos: entre março e outubro; e entre novembro e agora. Em 190 das cidades (mais de metade delas), a segunda onda está mais letal do que a primeira. E, em 50 (ou 15% do total), o pico agora é pelo menos 80% maior que o anterior. Tem mais: quase 70% dessas grandes cidades estão em estágio acelerado (com rápido crescimento nos casos) ou estável (com crescimento estagnado, mas em um patamar alto). 

Ontem houve registro de 1.111 novas mortes e uma média móvel que, pelo 16º dia consecutivo, bateu recorde: está em 1.832. O número representa um crescimento de 50% em relação a duas semanas atrás, e os três estados com pior aumento são Goiás (197%), Rio Grande do Sul (132%) e Tocantins (104%). Goiás e Rio Grande do Sul estão com todas as UTIs ocupadas e com filas de espera – no RS, aliás, isso já dura mais de dez dias. Goiás está quase lá, com 93% de ocupação.

Ainda segundo a Folha, nove em cada dez grandes cidades da região Sul bateram recorde de óbitos em uma única semana, e a diferença entre os picos é brutal. Em Chapecó (SC), exemplo extremo, o recorde anterior da média móvel era de um óbito por dia em setembro. Na última semana de fevereiro, a média diária passou para 13.

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre informou ontem o fechamento de sua emergência para covid-19, com 132% de ocupação. Neste fim de semana a cidade teve fila até em um cartório, com pessoas em busca de certidões de óbito

Mas, ontem, apoiadores de Jair Bolsonaro se reuniram em várias capitais para protestar contra medidas restritivas em várias capitais, inclusive na região Sul. Em Curitiba, houve ameaças de invasão e de “fogo na prefeitura”, e as manifestações em espaços públicos acabaram sendo proibidas pela Justiça. Mesmo assim, teve carreata. Em São Paulo, os gritos eram contra as restrições, contra o governador João Doria (PSDB), contra o ex-presidente Lula e, claro, pela intervenção militar. “São Paulo está sendo governado por um psicopata”, dizia uma faixa carregada pela Avenida Paulista… Também houve manifestações em Brasília, Rio, Niterói, Belo Horizonte, Campinas e Teresina.Image

Em tempo: desde o começo da pandemia, pelo menos 72 pessoas morreram por covid-19 antes de conseguirem transferência para um leito de UTI, segundo a Folha. Isso é mais de um quarto de todos os mortos pela doença. 

JOVENS E IDOSOS

Embora as hospitalizações tenham crescido 10% no país desde o fim de janeiro, elas caíram 20% para os idosos acima de 90 anos. Os números, calculados pelo Estadão, vêm acompanhados de uma pergunta: poderíamos estar diante do primeiro impacto da campanha de imunização? É cedo para dizer – na reportagem, especialistas lembram que são necessárias de três a seis semanas para conferir a proteção total demonstrada pelos ensaios clínicos. Porém, antes desse prazo, é possível que alguma proteção seja alcançada. 

“Esse dado, ainda que preliminar, confirma estudos de efetividade feitos em países com vacinação mais acelerada e que viram quedas nas mortes e hospitalizações. São resultados da vida real que mostram que a vacina funciona”, diz Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Seja como for, os números confirmam que os mais jovens estão puxando as novas internações para cima. Considerando idosos de todas as idades (isto é, acima de 60 anos), houve queda de 2,7% no período. Enquanto isso, as hospitalizações de pessoas entre 30 e 39 anos subiu 50%.

Algumas reportagens têm citado médicos que, de maneira informal, sugerem uma possível relação entre esse fenômeno e o espalhamento de novas variantes, como a P.1: elas poderiam oferecer maior risco para crianças, adolescentes e jovens adultos. Mas é preciso lembrar que não há, ainda, evidências que apontem para isso, porque não parece ter havido mutações que interfiram na atuação do vírus no organismo. Assim, se houver maior agressividade, ela deverá se manifestar globalmente, e não apenas em determinadas faixas etárias. A alta nas internações de jovens pode ser apenas efeito da enorme circulação dessas pessoas, muitas vezes sem proteção. Mesmo que eles sejam menos afetados pela doença, quando o número de contaminados é muito alto, consequentemente os casos graves e as mortes crescem também.

15
Mar21

Ex-diretor do Incor denunciado por corrupção é cotado para Ministério da Saúde

Talis Andrade

José Antonio Franchini Ramires já fala com colegas como ministro da Saúde. A médica Ludhmila Hajjar também foi cotada, mas recusou o cargo após reunião com Bolsonaro

 
Por Luisa Fragão /Revista Forum
 

O cardiologista e professor do Instituto do Coração (Incor), José Antonio Franchini Ramires, entrou na lista dos nomes cotados para substituir Eduardo Pazuello no comando do Ministério da Saúde. O nome dele é defendido pela chamada “ala ideológica” do governo Bolsonaro. A informação é da CNN Brasil.

Ramires foi diretor do Incor e, em 2005, foi afastado do cargo pelo conselho deliberativo do Hospital das Clínicas, acusado de má gestão. Três anos depois, no entanto, foi reintegrado no instituto. Na época, o Ministério Público Estadual chegou a abrir diferentes inquéritos para investigá-lo.

Um dos inquéritos investigou a contratação de uma consultoria acusada de superfaturamento para liberar equipamentos importados. Outro inquérito também apurou que o Incor foi indicado sem licitação para implantar o Programa Saúde da Família em Caraguatatuba (SP) e Ponta Grossa e repassou os valores à VAE (Valorização Empresarial). As informações são do jornal Estado de S.Paulo.

Segundo apurou o diretor da Fórum, Renato Rovai, o médico já fala com colegas como ministro da Saúde. Ele é desafeto do diretor do Incor, Roberto Kalil, e do ex-secretário de Saúde de São Paulo, David Uip.

Ludhmilla Hajjar

Ludhmila Hajjar não será ministra | Lauro Jardim - O Globo

Defendida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), líder do centrão, para substituir Eduardo Pazuello, a médica cardiologista Ludhmila Hajjar deve comunicar oficialmente o governo nesta segunda-feira (15) que não aceitará o cargo.

Neste domingo (14), Ludhmila viajou para Brasília propensa a aceitar ser a nova ministra da Saúde, segundo fontes ouvidas pela Fórum. Contrária ao tratamento precoce e defensora das medidas de isolamento para conter a propagação do coronavírus, ela já havia dito a interlocutores que aceitaria o desafio. Mas, após encontro com Jair Bolsonaro teria desistido do convite.

rodrigo vianna 
@rvianna
Lula nomeou Dra Ludhmila como nova Ministra da Saúde: médica, amiga da Dilma, profissional seria. Seu Jair está tão perdido que topou a indicação. Depois, desistiu, pressionado pelos apoiadores fanáticos. Esse governo acabou, Pede o quepe e cai fora, caphetao!

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