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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

29
Jun21

O mito com pés de Barros: o deputado paranaense no centro de um escândalo nacional

Talis Andrade

 

Bolsonaro precisou do Centrão, e acabou colocando Barros para gerir sua articulação. Agora, a relação está dando dor de cabeça para os dois lados

por JOÃO FREY /Plural Curitiba

Em novembro de 2018, Cida Borghetti, então governadora do Paraná e esposa do deputado Ricardo Barros (PP), deu a Jair Bolsonaro, à época presidente eleito, a Ordem do Pinheiro, principal honraria do estado. A homenagem seria entregue no dia 19 de dezembro em uma cerimônia no Palácio Iguaçu, mas Bolsonaro, o principal homenageado, não apareceu. A ausência deu pistas de que Ricardo Barros, habituado a portas abertas no Palácio do Planalto desde o governo FHC, não teria a mesma influência política.

No começo do governo, quando Bolsonaro ainda tentava sustentar o discurso de repúdio à política tradicional e à sua principal expressão, o Centrão, Barros cortejava o governo numa relação que não era correspondida. Com as trapalhadas do PSL, então partido de Bolsonaro, e a incapacidade do governo em articular uma base sólida na Câmara, o presidente começou seu namoro com o Centrão e Barros conseguiu o posto de vice-líder do governo no Congresso. A relação ficou mais séria e, assumido o casamento com o Centrão, Bolsonaro nomeou Ricardo Barros para a liderança do governo na Câmara. 

Em agosto de 2020, o paranaense estava de volta ao principal cargo de articulação entre o Executivo e o Legislativo. Hábil, ele foi estendendo sua influência pelo governo. Sua esposa, Cida Borghetti, por exemplo, hoje ocupa o cargo no Conselho de Administração de Itaipu, com remuneração de cerca de R$ 30 mil para comparecer a reuniões bimestrais.

Barros conhece o Ministério da Saúde

A pandemia já havia matado 105 mil brasileiros quando Barros assumiu a liderança. Com a experiência de ex-ministro da Saúde, cargo que exerceu no governo de Michel Temer (MDB), o deputado passou a atuar também em questões relativas à pandemia. Disse que enquadraria a Anvisa para agilizar os processos de aprovação de vacinas e articulou a interlocução entre grupos interessados na compra de imunizantes e a burocracia do Ministério da Saúde. 

O caso da Covaxin, que arrastou Barros ao centro da principal suspeita de corrupção que pesa contra o governo Bolsonaro, não é o único em que ele intermediou negociações de imunizantes. O deputado  também articulou conversas entre o governo e a farmacêutica Belcher, interessada em importar a vacina chinesa do laboratório CanSino. As conversas são parte de um projeto de empresários bolsonaristas – entre eles Luciano Hang e Carlos Wizard – para que empresas privadas possam comprar vacinas. A Belcher tem sede em Maringá, cidade de Barros.

“Na condição de ex-ministro da Saúde e coordenador da Frente Parlamentar da Indústria Pública de Medicamentos sou procurado por muitos parceiros do SUS e coopero naquilo que está ao meu alcance em todos os temas da Saúde. Em relação à pandemia da Covid o objetivo maior é que todos os brasileiros possam ser imunizados e tratados o quanto antes. É minha obrigação como parlamentar”, disse o deputado em relação às negociações Belcher/CanSino.

Os reflexos no Paraná

O turbilhão em que Barros se meteu na política nacional aconteceu poucos dias após ele revelar seus planos para as eleições do ano que vem no Paraná. O PP, partido presidido por sua filha, a deputada estadual Maria Victoria, anunciou que estará no palanque de Ratinho Jr. (PSD) em 2022. O plano, a princípio, é o seguinte: Maria Victoria disputaria seu terceiro mandato de deputada estadual. Cida Borghetti, dessa vez, ficaria sem disputar eleições e permaneceria na Itaipu, Barros tentaria a reeleição para a Câmara e o grupo tentaria emplacar o prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), como vice na chapa de Ratinho Jr.

Plural ouviu deputados e fontes ligadas ao governo para entender quais as consequências que as suspeitas envolvendo Barros podem ter para a política local. A única convergência é de que ainda é cedo para ter certezas. A história pode evoluir de modo a prejudicar Barros ainda mais, ou pode seguir por um caminho mais favorável ao deputado. 

Evandro Araújo (PSC), deputado estadual da mesma região da família Barros, acha que há ainda a possibilidade de Barros tentar disputar uma vaga no Senado pela chapa de Ratinho. Esse plano, em sua análise, pode ser prejudicado.

“O PP perde um pouco de poder de negociação dentro do cenário estadual. Fica ruim para o governo, que não precisa desse tipo de desgaste, já que tem outras opções”, avalia.

O deputado, entretanto, alerta que Barros tem o “corpo fechado” e que já passou por outros momentos de desgaste sem prejuízos a sua atuação política. Seu pragmatismo e sua habilidade como negociador são o segredo dessa capacidade de sobrevivência. 

“Ninguém apoia o Ricardo porque gosta, é porque acham um bom negociador, que leva recursos para os municípios e tem parcerias pragmáticas”, avalia. 

A força de Barros pode ser medida pela relutância dos deputados estaduais em comentar o caso. O Plural procurou outros parlamentares, que preferiram não falar sobre o caso. 

“Prefiro não fazer nenhum comentário, eu gosto do Ricardo Barros e creio que ele tem inteligência suficiente para fazer as explicações necessárias”, disse um experiente deputado. 

No governo, a tentativa parece ser a de manter uma distância segura, que possa tanto condenar a atitude de Barros caso se comprove alguma irregularidade, como  abraçá-lo no palanque no ano que vem caso ele consiga manter sua força política. 

“Nós não temos nenhum encaminhamento com ele, temos com os deputados do PP que fazem parte da nossa base política. Não temos nenhum encaminhamento de aliança, então para nós não muda absolutamente nada”, disse um importante articulador do governo. 

Sobre os planos políticos para 2022, Barros disse ao Plural que “está tudo tranquilo”. 

O que diz o deputado

Após as revelações do deputado Luís Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, servidor concursado do Ministério da Saúde, de que Barros teria atuado para facilitar a negociação de vacinas superfaturadas, o deputado divulgou uma nota, que publicamos na íntegra abaixo. 

Tenho acompanhado as repercussões e entrevistas a partir da citação de meu nome na CPI da Covid, na última sexta-feira (25). 

Fica evidente que não há dados concretos ou mesmo acusações objetivas, inclusive pelas entrevistas dadas no fim de semana pelos próprios irmãos Miranda.

Assim, reafirmo minha disposição de prestar os esclarecimentos a CPI da Covid e demonstrar que não há qualquer envolvimento meu no contrato de aquisição da Covaxin. 

Dos temas levantados até o momento, já posso esclarecer que, no caso da servidora Regina Célia reafirmo que não é minha a indicação para cargo. Deve ser observado que ela é uma servidora concursada desde 1995, não podendo haver escolha ou não de sua participação na rotina do ministério da Saúde. Ocupou mais de 5 cargos de livre nomeação em 4 gestões presidenciais anteriores ou ao longo do período de seis ministros da Saúde ao longo de sua carreira. Link com todas as nomeações: https://bityli.com/WbOc2

Do ainda impreciso diálogo com o presidente da República, na transcrição da CPI, o caso em questão seria sobre a empresa Global e a compra de medicamentos não entregues. Trata-se de processo judicial, em que provo a minha conduta em favor do SUS, quando fui ministro da Saúde. Link com a defesa completa: https://bityli.com/Y03KX

Na minha gestão no Ministério promovi uma economia superior a R$ 5 bilhões ao sistema de saúde que pode ser reinvestido, implementando novos sistemas de compra. São processos que afrontaram grandes interesses, mas promoveram mais serviços à população. Embora a Global seja sócia da Precisa Medicamentos, em análise pela CPI, esse processo em nada se relaciona com a aquisição de vacinas da Covaxin. Não participei de qualquer negociação para a compra desse produto. 

Sobre a emenda da MP que autorizou a compra de vacinas da Índia, o maior produtor mundial de imunizantes, o tema foi motivo de emendas de 8 parlamentares, entre eles o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, que cita especificamente a autoridade indiana, e o deputado Renildo Calheiros, irmão do relator da comissão. A legislação é complementar ao que já previa o texto de fevereiro de 2020, da lei 13.979, artigo 3º VIII a, que permitia a importação excepcional de produtos registrados por autoridades sanitárias estrangeiras. Link com todas as emendas: https://bityli.com/Yhf1h

Sobre a minha defesa pública em favor de mais agilidade por parte da Anvisa e da oferta de imunizantes e produtos para o combate à Covid-19, além da minha obrigação como ex-ministro da Saúde, sou presidente da Frente Parlamentar da Indústria Pública de Medicamentos desde 2015. O Legislativo deve fazer sua parte para o acesso às melhores práticas e benefícios e ampliação do atendimento à população. 

Reitero que sempre busquei a transparência e o diálogo na minha vida pública e me coloco à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários à apuração da CPI.

28
Jun21

Mais um escândalo: governo comprou R$ 5,2 bilhões de vacina CanSino, representada por empresa de amigo de Ricardo Barros

Talis Andrade

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247 - O governo de Jair Bolsonaro pode estar envolvido em mais um esquema de corrupção na compra de vacinas, além da indiana Covaxin, cujo caso veio à tona na CPI da Covid na última sexta-feira (25). Tratam-se agora de suspeitas na compra da vacina Convidecia, do laboratório chinês CanSino.

Desta vez, a empresa intermediária é a BelCher Farmacêutica Brasil, com sede em Maringá, terra do líder do governo, Ricardo Barros, que teve o nome citado na sexta pelo deputado Luis Miranda como alguém que comandava o esquema na Covaxin, do qual Bolsonaro sabia e não fez nada. Um dos sócios da empresa é Daniel Moleirinho, cujo pai é parceiro político de Barros.

As revelações foram feitas pelo jornalista Hugo Souza, em seu Facebook. Em um outro texto, ele ainda resgatou uma relação mais antiga entre o líder do governo e a Precisa, representante no Brasil da fabricante da vacina indiana, Barath Biontech, desde quando a empresa fornecia preservativos femininos ao Ministério da Saúde.

"Há 15 dias, meados de junho, o Ministério da Saúde assinou intenção de compra de 60 milhões de doses de uma vacina contra a covid-19 chamada Convidecia, do laboratório chinês CanSino. O preço é de nada menos que 17 dólares a dose, mais cara que a Covaxin. A se confirmar o negócio, que está na dependência da Anvisa, será a vacina mais cara negociada pelo Brasil (É dose única, mas a Janssen também e custa US$ 10)", escreveu o jornalista.

Hugo Souza detalha a próxima relação de Ricardo Barros com o empresário Francisco Feio Ribeiro Filho, conhecido como Chiquinho Ribeiro, e lembra que a Belcher Farmacêutica do Brasil, há um ano, "foi alvo da Operação Falso Negativo, contra empresas que se lambuzaram em superfaturamentos aproveitando-se da dispensa de licitação para aquisição de testes rápidos de covid-19".

O contrato do Ministério da Saúde, lotado de políticos do “Centrão” em áreas estratégicas para aquisição de vacinas, tem intenção de compra de 60 milhões de doses da vacina CanSino.

Em coluna na Revista Fórum, o jornalista Renato Rovai informa que o governo federal iria pagar 17 dólares por dose - quer dizer, R$ 5,2 bilhões por 60 milhões de doses, conforme revelou a CNN em 23 de junho. Trata-se do valor mais alto de todas as vacinas compradas pelo governo, incluindo a superfaturada Covaxin, 15 dólares.

Rovai lembra que o paranaense Emanuel Catori, diretor presidente da Belcher Farmacêutica do Brasil, junto com os empresários bolsonaristas Luciano Hang, das lojas Havan, e Carlos Wizard, "liderou um movimento para que empresas privadas conseguissem permissão para comprar e distribuir imunizantes, criando o ‘camarote das vacinas’. Em março deste ano, ele esteve em Brasília para uma conversa com o governo federal acerca deste tema".

Leia abaixo o texto de Hugo Souza sobre o caso:

Atenção, CPI e colegas jornalistas:

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, apontado ontem por Luis Miranda como o homem acobertado por Bolsonaro na fraude da Covaxin, é próximo do empresário Francisco Feio Ribeiro Filho.

Conhecido como Chiquinho Ribeiro, o dono da Pneumar foi presidente da Urbamar, empresa de urbanização de Maringá, quando Barros foi prefeito da cidade, lá no início da década de 90. Na declaração de Imposto de Renda de Barros para o exercício 2002 aparece o nome de Francisco Feio Ribeiro Filho na seção "pagamentos e doações efetuados", e o valor de R$ 16 mil, algo que hoje seria em torno de R$ 50 mil, pela correção IPCA.

Quando Chiquinho Ribeiro completou 70 primaveras, em 2016, o irmão de Ricardo, Silvio Barros - que também já foi prefeito da terra do Marreco -, publicou no Instagram uma foto sua e de sua consorte na comemoração: "festa linda, merecida e abençoada do nosso amigo Chiquinho Ribeiro".

Quando Cida Borghetti, esposa de Ricardo Barros, tornou-se governadora do Paraná, em 2018, Chiquinho foi parar na direção da Companhia de Saneamento do estado (Sanepar).

Há dois meses, Cida Borghetti foi nomeada por Bolsonaro para o Conselho de Administração de Itaipu Binacional, rendendo o indefectível Carlos Marun e com salário de R$ 27 mil para participar de umas reuniões.

Há 15 dias, meados de junho, o Ministério da Saúde assinou intenção de compra de 60 milhões de doses de uma vacina contra a covid-19 chamada Convidecia, do laboratório chinês CanSino. O preço é de nada menos que 17 dólares a dose, mais cara que a Covaxin. A se confirmar o negócio, que está na dependência da Anvisa, será a vacina mais cara negociada pelo Brasil (É dose única, mas a Janssen também e custa US$ 10).

Estamos falando de um negócio de mais de R$ 5 bilhões. Para quem não queria "vaChina", que coisa, hein?Image

A representante da CanSino no país é a Belcher Farmacêutica do Brasil, com sede em... Maringá. Há um ano, em julho do ano passado, a Belcher foi alvo da Operação Falso Negativo, contra empresas que se lambuzaram em superfaturamentos aproveitando-se da dispensa de licitação para aquisição de testes rápidos de covid-19.

Um dos sócios da Belcher é Daniel Moleirinho Feio Ribeiro, que é filho de... Chiquinho Ribeiro. 

No dia 6 de janeiro de 2021, há poucos meses, portanto, foi aberta em Maringá a empresa Rcy Brasil & Belcher Spe Ltda, com atividade principal de "Comércio atacadista de medicamentos e drogas de uso humano". No quadro de sócios e administradores da novíssima firma consta a Belcher e a Ribetech Participacoes Sociais LTDA, pessoa jurídica com capital social de mil reais representada pela pessoa física Francisco Feio Ribeiro Filho - Chiquinho Ribeiro, o velho conhecido de Ricardo Barros. 

A Rcy Brasil & Belcher funciona no mesmo endereço da Belcher em Maringá, no número 21102 da rua Rodolfo Cremm, numa construção tipo galpão rodeada por terrenos baldios, segundo mostra o último registro feito pelo Google Street View, em 2020. A farmacêutica maringaense que é parte em um contrato de mais de R$ 5 bilhões com o Ministério da Saúde, para compra de vacinas, tem o número de identificação do seu imóvel-sede apenas e tão somente escrito à mão no poste de ligação de energia.

Cereja: informações da imprensa dão conta de que por trás do pedido de liberação da vacina Convidecia na Anvisa estão Luciano Hang, Carlos Wizard, além do outro sócio da Belcher, Emanuel Catori. Hang e Wizard são os dois grandes empresários brasileiros mais próximos do presidente da República. Um anda na garupa, o outro é do gabinete paralelo.

Pode ser apenas mais uma grande Convidecia, digo, coincidência, já que este é o país delas, vide a lista de condôminos do Vivendas da Barra.

Mas acho que convinha dar uma olhada no tocante a essa cuestão aí. Talquei?

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16
Mai21

Acompanhe, passo a passo, como o bilionário Carlos Wizard se infiltrou na Saúde para espalhar cloroquina entre os brasileiros

Talis Andrade

 

247 – O Brasil tem menos de 3% da população mundial e mais de 12% das mortes no mundo. A desproporção é resultado do descaso do governo de Jair Bolsonaro com as vacinas e aposta feita num remédio ineficaz e perigoso: a cloroquina, que apenas no Brasil foi vendida como "tratamento precoce" para a doença. Um dos personagens centrais nesta trama é o bilionário Carlos Wizard, que será convocado pela CPI para explicar por que financiou o lobby para tentar mudar a bula da cloroquina. Numa entrevista, ele também divulgou um vídeo criminoso dizendo que ninguém morreria na cidade de Porto Feliz (SP), em razão da suposta eficácia do "kit covid", com cloroquina e ivermectina.

Boa parte da trajetória de Wizard no lobby da cloroquina foi reconstituída pelo perfil "@jairmearrependi" no twitter, que fez descobertas muito importantes. Confira as principais aqui

10
Mai21

No Dia das Mães, Bolsonaro faz passeio de motocicleta em Brasília

Talis Andrade

Foto: Anderson Riedel | Palácio do Planalto | Divulgação)Bolsonaro dá carona a Hang, fiel apoiador. Ambos, porém, sem capacete.

 

O presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada na manhã deste domingo, 09, para um passeio de motocicleta pelas ruas de Brasília. O chefe do Executivo recebeu os motociclistas em frente a residência oficial.

Jair M. Bolsonaro
- Que desistam todos os que querem ver o povo distante de mim, ou que esperam me ver distante do povo. Estou e estarei com ele até o fim. Boa noite a todos!
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“A gente não vai estar indo para comunidade porque eu acredito que mais de mil motos vão se fazer presentes. Estou muito feliz. Pessoal quer me acompanhar em um passeio. Todo mundo tem o direito de ir e vir”, afirmou.

Mais cedo, pelo Facebook, o presidente postou uma mensagem de homenagem à Olinda Bolsonaro, para celebrar o dia Dia das Mães, comemorado neste domingo. Na legenda, escreveu apenas “Feliz Dia das Mães. Obrigada Sra. Olinda”.

Jair M. Bolsonaro
- Viva nossa liberdade!
- Parabéns Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro ( CORE). @PCERJ
- Parabéns motociclistas do DF.
- Obrigado Dona Olinda.
- Parabéns mamães.
- Brasil acima de tudo!
- Deus acima de todos!
 

Na sexta, Bolsonaro dá carona a Luciano Hang, fiel apoiador. Ambos, porém, sem capacete.

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09
Mai21

'Bolsonaro é o motoqueiro do diabo' (vídeo)

Talis Andrade

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247 - O ator e humorista Bemvindo Sequeira divulgou um vídeo em seu canal no Youtube criticando a ascensão do nazifascismo no Brasil e utilizou uma foto de Jair Bolsonaro andando de moto, sem capacete e sem máscara de proteção contra o coronavírus, e levando na garupa o empresário Luciano Hang para ilustrar a situação: “é o motoqueiro do diabo”. 

“Bolsonaro é o motoqueiro do diabo. Basta ver a foto dele dirigindo a moto, feliz da vida, gargalhando, sem capacete assim como não usa máscara. Ou seja, ele faz a apologia da morte, a apologia do risco, a apologia contra a vida e a favor da morte. Gargalhando diante de 420 mil brasileiros mortos “, diz Sequeira no vídeo em referência às vítimas da Covid-19. 

 

14
Out20

Trump, o ‘Superman’. A realidade delira mais que as metáforas

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

Assustei-me hoje com o que li na coluna de Nélson de Sá, na Folha. sobre Trump ter planejado, usar uma camiseta de Super-Homem na sua primeira aparição na Casa Branca.

Eu havia escrito, naqueles dias, que “aquilo “que você está assistindo não é somente uma pantomima de quinta categoria quando vê Donald Trump sair de um hospital, em meio ao tratamento de sua infecção pela Covid-19 e assomar à sacada da Casa Branca para, como nos filmes de Super-Homem, arrancar a máscara e proclamar sua invulnerabilidade”.

Pensei que estava sendo metafórico, mas as repórteres Annie Karni e 

Em vários telefonemas no último fim de semana da suíte presidencial do Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, Trump compartilhou uma ideia que estava considerando: quando saiu do hospital, ele queria parecer frágil a princípio quando as pessoas o vissem, de acordo com pessoas com conhecimento das conversas. Mas por baixo de sua camisa de botão, ele usaria uma camiseta do Superman, que ele revelaria como um símbolo de força quando rasgasse a camada superior. No final das contas, ele não prosseguiu com a façanha.

Não era metáfora, era loucura, mesmo.Image

14
Out20

Um país ou uma piada trágica?

Talis Andrade

 

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por Fernando Brito

- - -

O Brasil virou uma piada trágica e é muito difícil escrever sobre política sem cair no vergonhoso deboche de nós mesmos.

Em lugar do Boi Bumbá, temos agora o Boi Bombeiro, fantástica criação dos ministros do Meio Ambiente e da Agricultura, cujo ruminar lento e solene há de impedir as queimadas no pantanal.

boi bombeiro.jpg

 

O país passa de 150 mil mortes, a disponibilidade de vacina vai sendo adiada, não há dinheiro para manter o auxílio que está fazendo com que milhões possam comer e que acaba em 60 dias e o que fazem os deputados governistas?

Pressionam o presidente da Câmara para colocar em votação o porte de armas, o “homeschooling” (o “direito de os pais não mandarem os filhos à escola, o como se já não estivéssemos assim), a excludente de ilicitude nas operações de garantia da Lei e da Ordem (recordam do músico fuzilado com mais de 80 tiros, em Guadalupe, no passado?) e, sim, a decisiva “MP do Futebol”, que cuida dos direitos de transmissão esportiva que, aliás, está deixando o Brasil sem ver o jogo da seleção.

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Num país assim, quem vai se espantar que um idiota vestido de pateta patrocine a confecção de bonecos de si mesmo, como este papagaio da fotografia, proclamando-se patriota – embora condenado por sonegação, lavagem de dinheiro e evasão de divisas – debaixo de fakesda Estátua de Liberdade dos EUA?

Só mesmo se for para usar como boneco de vudu.

13
Out20

Invasão zumbi na Havan

Talis Andrade

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Lola Aronovich
@lolaescreva
Muito realista. Retrato de uma das cenas mais lamentáveis q vimos na pandemia (pra quem não entendeu, é o Véio da Havan acenando pra multidão q foi à inauguração da loja em Belém atraída por disparos de Whatsapp prometendo descontos de 90%).
 

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14
Jun20

A pandemia dissecou a tirania de Bolsonaro

Talis Andrade

contagio boldonaro coronavirus.jpeg

 

 

por Guilherme Antonio Fernandes e Sara Toledo

Le Monde

 
O desinteresse que Jair Bolsonaro tem mostrado em relação ao combate à pandemia que devasta e ceifa a vida de tantos brasileiros demonstra a face mais sombria de uma pessoa que não apresenta qualquer conexão com os rumos da sociedade brasileira. Bolsonaro, além de perdido e sem horizonte para oferecer ao país, parece estar cada vez mais desinteressado em tentar, ao menos, disfarçar que governa para seus familiares e amigos, e não para o povo brasileiro. É evidente que seu governo tem apenas uma preocupação particular.
 
O presidente não consegue mais esconder o espírito de quem encara todo o país e toda sociedade como sua propriedade pessoal. Bolsonaro tem governado como se o país fosse seu agregado familiar. Não consegue entender os limites que o cargo lhe coloca e tampouco as próprias atribuições que a Constituição lhe confere. Quando descobre que possui limites, se enerva e não se conforma. Seu distanciamento dos mais urgentes problemas do país ganha contornos de crueldade em meio aos seus rompantes raivosos e descabidos.

A briga de Bolsonaro com a ciência não é por mera ignorância, mas sim por vaidade. Bolsonaro é o líder que quer conduzir e mudar a história. É aquele que, por prepotência, não pode errar e nem estar do lado errado da história. O líder que mistura o poder com sua casa, mas dá à sua personalidade os tons de eternidade. Quer mudar a história do país não para melhorar a vida das pessoas, mas para demonstrar que na sua cruzada pessoal ele sempre teve razão nos valores que tomou como corretos. Parafraseando Antonio Scurati, Bolsonaro é o filho da suposta “revolução brasileira”. Assim funciona sua cabeça. Portanto, não é unicamente porque briga com a ciência, mas porque somente escuta aqueles que falam o que ele quer ouvir. Como todo tirano, Bolsonaro só se circunda de aduladores ideológicos. Dessa forma, alimenta em si mesmo a certeza de que está no caminho certo da sua cruzada.
 
Bolsonaro nos faz lembrar dos antigos tiranos da história, como o imperador Nero e o general Franco, que usavam do poder para satisfazer sua personalidade hedonista. Seduzido pelo prestígio que o poder lhe deu, busca na afirmação diária de que ele, e mais ninguém é o presidente do Brasil, para assim satisfazer o seu narcisismo. O poder claramente proporciona prazer a Bolsonaro. O poder de dizer o que quer, no momento que quer e da forma que quer. Bolsonaro gosta de mandar e quer que todos se alinhem ao que ele pensa e ao que ele quer. É intolerante ao que pensa diferente. Seus conceitos valorativos são todos construídos numa ordem dicotômica onde somente há duas opções: concordar com ele ou discordar. Não há meio termo. Nesse sentido, quem concorda está com ele e quem discorda é seu inimigo. Bolsonaro não tem adversários, ele tem amigos (que o adulam) ou inimigos.

Mas, além de hedonista, Bolsonaro tem delírios de eternidade na linha do que ensina Timothy Snyder. Sua mitificação personalizada nos brados de seus seguidores lhe dá a certeza de que entrará para a história e de que ela lhe garantirá a vitória. Bolsonaro é a mistura do devaneio narcisístico psicológico somado ao histórico.

Se não fosse presidente suas frases isentas de empatia para com as vítimas da Covid-19 fariam com que fosse ignorado ou relegado a alguma zona de penumbra, onde seria esquecido. Mas, como pode ser não empático e mesmo assim estar circundado de aduladores profissionais e ser chamado, ainda, de mito, o presidente sente no espírito a sensação do poder irresistível. Ou seja, a sensação de que sua onipotência é real e que mesmo diante de qualquer bobagem que venha a falar, ou qualquer tragédia que possa vir a acontecer, ainda assim alguém lhe dirá: mito!

Na realidade, o que parece estar acontecendo é um processo de destruição interna do presidente. O poder está destruindo Bolsonaro internamente. Ele parece estar repetindo os erros de tiranos do passado, que quando caminhavam velozmente para a destruição de sua tirania, pareciam pisar no acelerador dos erros e dos confrontos, de modo a intensificar a aparência de indestrutibilidade, mas que já tomava corpo de fantasia e desmoronava-se em público, deixando atônitos seus espectadores. 

O mais grave é que a esse processo de destruição pessoal alia-se um processo de erosão do Brasil. O país, além de se tornar o epicentro da pandemia global, apresenta índice alarmante de devastação ambiental, grilagens de terras indígenas, negligência para com os próprios povos indígenas, incompetência na distribuição de recursos emergenciais para a população mais necessitada, dentre tantos outros problemas e equívocos que evidenciam a desorganização e falta de plano de governo. Acrescenta-se a tudo isso um quadro econômico extremamente preocupante com a saída de capitais superior à crise do real de 1995. Com efeito, a pandemia tem demonstrado a face mais cruel do modus operandis de Bolsonaro, que não governa a nação, mas ao seleto grupo particular de interesse, que envolve, também, um grupo empresarial que o financiou e o financia, como por exemplo, Luciano Hang, dono da rede Havan. 
 
O presidente, ao cada vez mais se distanciar dos reais problemas do país, tem escancarado suas idiossincrasias, suas contradições e suas fragilidades. Quanto mais tenta se afirmar como o poder indestrutível, mais abre os flancos de suas fraquezas. A crise de saúde somada à crise política decorrente da saída do ex-ministro da justiça, Sérgio Moro, tem agravado cada vez mais a sua situação. Enfrenta, portanto, a somatória de uma crise política, econômica e sanitária. 
 
Todavia, não somente a saída do seu ex-ministro da Justiça abriu porta para as suas fraquezas. Suas constantes participações nas manifestações antidemocráticas em frente ao Planalto lhe trouxeram o repúdio de grande parcela da população brasileira e a reação dos demais Poderes da República. Isso lhe conferiu uma investigação para se verificar até que ponto está envolvido nessas manifestações. Além disso, há a investigação que corre sobre as fake news, que pode demonstrar a íntima ligação entre o presidente, seus filhos e uma rede de apoiadores, envolvendo, inclusive, empresários, para difundir notícias falsas e contaminar a política brasileira de ódio às instituições republicanas.

Assim, é no contexto gravíssimo de uma pandemia, cujo epicentro se torna o Brasil, que Bolsonaro sofre esse processo interno de destruição pelo poder, mas que vem erodindo também as instituições democráticas do país. Sem ministro da Saúde, após a saída de dois ministros que não concordaram com o alinhamento integral às suas ideias, e, portanto, não foram aduladores e coniventes com sua missão delirante, em sua jornada no poder, Bolsonaro definitivamente se desconectou da sociedade brasileira e se perdeu em sua personalidade.

A situação cada vez mais caótica do país, com mais de meio milhão de casos confirmados de Covid-19 e 40 mil mortes, aponta para uma linha progressivamente crescente da doença. Nessa tragédia delirante de poder de um homem, o mais grave, contudo, é a tragédia da inexistência de um plano consistente, conectado com a realidade, que possa reduzir o número de vítimas desse grave vírus. Enquanto Bolsonaro se perde dentro de si, nós, brasileiros, perdemos a chance de um futuro. A destruição de uma personalidade tirânica tem custado muito caro para o Brasil.
 
03
Jun20

Passo 4 – Inquérito no TSE

Talis Andrade

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IV - Xadrez do caminho aberto para a cassação de Bolsonaro

por Luis Nassif

- - -

Já falamos no GGN.

  1. Em nosso “Xadrez para entender o inquérito das fakenews” ficou claro que Aras perdeu a ocasião de impugnar o tal inquérito “extrapolicial – judicial” – e concordou com a existência dele.
  2. Na cautelar que ele propôs na semana passada, contra o inquérito, Aras abriu mão de seu poder de determinar. Ficou só com o de opinar. E opinou contra a diligência.
  3. Acontece que o STF não abriu mão do seu poder de determinar, principalmente em casos em que quem deveria atuar, ou seja, o MP, ficou quieto. – Essa foi a síntese do nosso xadrez.
  4. Ao não atuar, Aras legitimou o inquérito, já que ao juiz é facultado a solicitação de provas, quando entende que há um vácuo nas investigações.
  5. De qualquer modo, como a denúncia contra o Presidente só poderá ser feita pelo PGR, cria-se um obstáculo jurídico aí, já que o STF, por ser julgador de última instância, não terá como recorrer.

     

    clayton fake bolsonaro.jpg

    É aí que se entra no busílis da questão.

    Em outro texto, fica claro que o inquérito das fake news pode não gerar denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro, porque precisaria da Procuradoria-Geral da República para isso e ela já disse que agora está contra esse inquérito.

    Mas as provas colhidas neste inquérito não serão em vão. Elas podem ser compartilhadas com o Tribunal Superior Eleitoral, que tem duas ações relevantes que podem levar à cassação de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão e ao consequente chamamento de novas eleições.

    As ações que tratam dos disparos em massa de fake news, via WhatsApp, que foram revelados pela Folha de S. Paulo ainda durante a eleição presidencial de 2018, bem com do financiamento empresarial dessas ações, que podem configurar crime de caixa 2 eleitoral.

    No inquérito das fake news, o ministro Alexandre de Moraes determinou a busca e apreensão e a quebra de sigilo fiscal e bancário dos empresários Luciano Hang (Havan) e Edgard Corona (BioRitmo e SmartFit), do humorista Reynaldo Bianchi Junior e do militante Winston Rodrigues Lima. Eles são suspeitos de financiar a rede bolsonarista de ataques à honra e ameaça à segurança dos ministros do Supremo.

    É bastante provável que, nessa diligência questionada pelo PGR, fique comprovado que essas pessoas, os filhos do presidente e o próprio presidente, abasteceram e integraram essa rede de fake news  desde a campanha eleitoral.

    Chama atenção que o novo presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, em sua primeira manifestação tenha investido fortemente contra os fake News.

    Segundo a Folha desta sexta (29), um advogado que defende um dos empresários no inquérito das fake news disse que “a informação extraoficial é que Moraes já reuniu mais de 6.000 páginas no inquérito como elementos contra os alvos da PF.”

 

 

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