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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

10
Nov23

Centro Esdras parecia ‘campo de concentração’, diz ex-interna

Talis Andrade

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Centro terapêutico em SP prendeu mulheres, torturou, forçou conversão evangélica e pediu apoio a Jair Bolsonaro

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André Uzêda
 
 
 

Jackeline Lopes relembrou que, embora em contrato estivesse escrito que o centro Esdras reservava um espaço para a “espiritualidade” das internas, na prática a única religião aceita era a evangélica, ministrada por pastores da Congregação Cristã. 

“Eles diziam que eu não tinha Deus no coração. Que eu tinha que me adequar à religião deles. Que se eu não me adequasse, nunca ia ter a salvação para o vício que eu tinha. Mas que vício? Eu tinha depressão”, completou.

Durante os cultos, muitos transmitidos online diretamente da igreja para as pacientes, os pastores chegaram a pedir apoio a Jair Bolsonaro, do PL, então presidente da República em campanha para a reeleição. “Em todo final do culto, os pastores diziam que a gente tinha que ajoelhar em agradecimento ao Bolsonaro, porque ele estava fazendo coisas boas para os evangélicos. Eles diziam que a gente estava num cenário político e que ia ser bom pra igreja isso”. 

Lopes contou ainda que apanhou de forma violenta por ser do candomblé. “Eu falei que ia embora, porque meu Exu ia me salvar, e me deram um golpe de gravata. Começaram a me segurar e disseram que eu ia ver quem era Exu. [Disseram] “aqui é a casa de Deus”. Eu tomava soco no estômago. A sensação de você estar sendo sufocada é desesperadora”, narrou.

Havia também uma clara discriminação lesbofóbica e transfóbica, separando mulheres homossexuais e trans em um quarto que eles chamavam pejorativamente de “sapataria”. No depoimento à delegacia de Cajamar, uma outra paciente contou que uma mulher trans era apenas chamada pelo nome de batismo, ignorando de forma deliberada o nome social adotado. Na denúncia do MPSP, ao qual o Intercept teve acesso, os relatos das denunciantes corroboram com o teor das entrevistas feitas pela reportagem.

“As mulheres lésbicas eram tratadas de forma pior, principalmente as mais masculinizadas. O Kauê vigiava e impedia que houvesse relacionamentos lá dentro. E ameaçava as internas dizendo que se continuassem namorando, ia dizer para as famílias que elas tinham comportamento de viciadas”, contou ao Intercept a ex-paciente Jaqueline Barcelos, de 23 anos, que também fez questão que seu nome fosse publicado na reportagem. 

Cada quarto tinha uma numeração – e era chamado pela coordenação de “casa”. A casa 1 era a casa modelo, ocupada por pessoas com mais dinheiro e usada para cativar as famílias quando iam visitar o espaço para internar algum parente. Tinha ainda a casa 3, chamada de sapataria, e a casa 2, do meio, usada, segundo os relatos, como espaço para as agressões físicas e torturas. 

“Lá fazia muito calor. Eu ficava fechada mais de duas horas e meia aos sábados e domingos naquele calor, quando tinha visita. Choveu? Vai chover na gente, porque tinha goteira. O vaso sanitário não funcionava e não tinha chuveiro. Então, se no meio da noite alguém precisasse ir ao banheiro, fazia uma em cima da outra”, relembrou Lopes. 

 


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“Quando eu precisei ser contida, fui segurada pelos braços, socaram meu estômago e fui asfixiada. Você fica desesperado, se debate. E a pessoa te segurando, te xingando. Kauê nunca agia sozinho. Sempre tinha uma, duas, três, quatro monitoras com ele”, completou.

Outra ex-paciente – essa pediu para não ser identificada – comparou a organização do espaço e a forma como os funcionários agiam a um “campo de concentração”. Ela, que ficou internada entre o fim de 2021 e o começo de 2022, relatou ter sido submetida a trabalhos forçados,  sofrido com agressões físicas, controle para o banho e má qualidade dos alimentos fornecidos – a Vigilância Sanitária chegou a interditar o local durante a operação policial em Cajamar.

“Tinha três minutos para tomar banho. A gente ficava de toalha, em filinha indiana, e aí as monitoras, que eram também internas, falavam: ‘Girou o banho’. A comida era péssima. A gente comia mortadela frita, fígado moído, uma colher de proteína por refeição. O Kauê falava: ‘Ah, reclamou da comida? Pois traz a bacia’. E traziam uma bacia cheia de arroz, falando: ‘Enquanto a fulana não terminar de comer, ninguém vai fumar e ninguém vai para o quarto. Palmas para ela’. Era muita humilhação”, reiterou Jackeline Lopes, relembrando a rotina no centro Esdras.

 

Combo de remédios tarja preta era usado para punir pacientes

Outra medida violenta recorrente narrada pelas pacientes era a administração de vários remédios tarja preta. O combo era chamado de danoninho – o Intercept já havia denunciado essa prática, exatamente com o mesmo nome, em uma reportagem sobre comunidades terapêuticas publicada em 2019. No centro Esdras, mesmo sem habilitação médica que o permitisse exercer tal atividade, o supervisor Kauê Cercelos era quem decidia as dosagens, seguindo muitas vezes critérios punitivistas.

“Se você não quisesse ir para a igreja, ou quisesse falar com sua família, você tomava danoninho. Se ele achasse que você estava fazendo um motim para ir embora, você tomava danoninho. Ele te segurava e dizia: ‘Você tem que tomar, se não tomar vai sofrer contenção’. Então a gente acabava tomando. Isso deixava a gente letárgica, babando o tempo todo, sem movimento e sem reação”, contou Jackeline Lopes.

O uso indiscriminado de remédios, conjuntamente com as agressões físicas, é investigado como possível causa da morte da interna Milena Eduarda de Paula Leocádia, de 22 anos. Milena estava internada no centro Esdras tratando do vício em álcool e cocaína quando morreu.  

Em 30 de dezembro de 2021, os funcionários levaram Milena para o Hospital Regional de Cajamar informando que ela teria tentado suicídio. O caso corre em segredo de justiça, mas tivemos acesso ao laudo pericial do Instituto Médico Legal da paciente, que indica equimoses  – termo médico para hematomas – no rosto, pescoço, bacia, joelho, braço e tornozelos. No exame toxicológico, foram encontradas oito fármacos, entre eles: haloperidol, diazepam e clonazepam – substâncias que agem como antipsicóticos, antidepressivos, calmantes e tranquilizantes. Tanto o diazepam quanto o clonazepam são vendidos como tarja preta.

O Código Penal prevê no artigo 282 que é crime exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou farmacêutico, sem autorização legal. A pena é detenção de seis meses a dois anos.

As pacientes internadas contaram que ter visto o corpo de Milena, desfalecido, sendo levado para o hospital. Suspeitando de algo mais grave, organizaram um motim e disseram que só voltariam para os quartos se soubessem que ela estava bem. 

De acordo com os relatos, a dona do Esdras, Talita Santana, foi até o pátio e disse que ela tinha sido levada para casa e estava com a família. As internas não acreditaram e mantiveram-se irredutíveis, até que guardas municipais teriam aparecido com cachorros e dissipado o princípio de rebelião.

Procurei a Guarda Municipal de Cajamar para questionar a existência de uma operação dentro de um espaço particular, mas o e-mail enviado não foi respondido até o fechamento desta reportagem.

 

Multa altíssima impedia que pacientes deixassem internação no Esdras

Embora sofressem uma série de abusos diários, as internas eram constantemente vigiadas, o que impedia que contassem aos seus familiares os horrores que viviam dentro do Esdras. As visitas, só permitidas após 45 dias de internação, eram acompanhadas de uma monitora, e as ligações constantemente interceptadas. 

“A gente tinha uma ligação uma vez por semana, de 10 minutos. E sempre tinha alguém escutando, porque se você falasse alguma coisa, podia sofrer sanção. Minha mãe mesmo falava: ‘Olha, filha, o Pai de Santo está rezando por você’. Terminava minha ligação, o Kauê ia lá no refeitório, lá na frente, e falava: ‘Essa casa é de Deus. Não vai ser nenhum demônio que vai tomar conta deste local'”, disse Lopes.

À noite, quando elas se recolhiam para as casas, sempre às 19h, os cachorros eram soltos e ocupavam o pátio. Havia também câmeras de segurança vigiando os corredores e quartos. O MPSP diz que, em última análise, o centro Esdras era “substancialmente um estabelecimento prisional privado”. Outra forma de manter as pacientes presas no espaço era a multa contratual. 

O Intercept teve acesso ao contrato de Jackeline Lopes, em modelo padrão usado para as demais internas. No artigo sétimo, é estabelecido que “havendo quebra de contrato por parte da contratante”, o responsável financeiro deve pagar a parcela do mês vigente mais a multa de 50% sob as parcelas em aberto, “sendo que este pagamento deve ser à vista e no ato de retirada do acolhido”. 

Contrato de internação no Centro Esdras, com cobrança de multa para saída do paciente.

A mãe de Lopes, por exemplo, pagou R$ 3 mil só de multa para retirá-la após três meses de internação – seu contrato era de seis meses. “Naquele mês, ela pagou a mensalidade, multa, cigarro, cantina… Foi em volta de R$ 5,5 mil. Tinha outras internas que falavam: ‘Meu, eu falei com minha mãe na ligação e ela não tem dinheiro para pagar a multa. Ela está vendo que eu não estou bem, mas a multa é tão alta’. Eles amarravam dessa maneira”, contou. 

A resolução da Anvisa que regulamenta a atividade das comunidades terapêuticas expressa que, por não ser um serviço de saúde, esses espaços “devem garantir a permanência voluntária do residente, a possibilidade de interromper o tratamento a qualquer momento”.

 

Sócia do Esdras tem outros centros terapêuticos em atividade

Mesmo fechado desde a operação policial em janeiro deste ano, o centro Esdras segue com cadastro ativo na Receita Federal. Seu pix, por meio do CNPJ, também está funcionando. 

Márcia Aguiar, a sócia que não foi presa, mantém outras comunidades terapêuticas funcionando em seu nome em São Paulo: o Centro de Assistência social e Apoio Especializado Esther, na capital; o Centro de Assistência Social e Apoio Especializado Eloah, em Embu das Artes, e a Comunidade Terapêutica Naamã, em Cajamar – mesmo local do centro Esdras.

O Naamã tem nove comentários negativos no Reclame Aqui. Em alguns relatos, há denúncia de “opressão e castigo”, remédios administrados sem prescrição médica, além de denúncia de agressão física e vigilância constante.  

“Fiquei lá três meses. Foi pior do que ir preso. Quase morri de fome, fui agredido, me deram remédios. Quase fiquei chapado de tantos remédios. As ligações, fica um verme do lado para você não poder falar as verdades”, lê-se em um dos relatos.

“Pessoal, não coloquem seus filhos ou algum ente querido de vocês. Só serve para pegar o dinheiro da gente e não prestam com o acordo que foi firmado”, completou um segundo.

Assim como o Esdras, os centros Naamã, Esther e Eloah também fazem referências a personagens bíblicos. A Eloah é uma sociedade que Márcia Aguiar mantém com Talita Santana – que foi presa preventivamente na operação da Polícia Civil. Nas outras duas, ela aparece como única sócia administradora. 

 

Outro lado

O advogado que defendia Talita Santana e Marcos Moglia no processo por cárcere privado e tortura movido pelo MPSP era Júlio César Acedo. Ele se intitula especialista em direito médico e hospitalar e em dependência química. Acedo tem um longo histórico de defender comunidades terapêuticas na justiça – incluindo os próprios Esdras e Naamã. 

No habeas corpus em que tentou relaxar a prisão de Talita Santana, Acedo tentou desacreditar as denúncias trazidas pelas pacientes ouvidas pela delegacia de Cajamar. Ele escreveu que “causa espanto é que a prisão foi decretada em razão da palavra de dependentes químicos em tratamento”. 

Ele afirmou ainda “não é segredo para ninguém o quanto essa maldita doença compromete o sentido dos viciados, que em razão da abstinência são capazes das mais indescritíveis atitudes. (…) Ora, não é óbvio que as acusadoras poderiam apenas estar vencidas pela abstinência, desejando apenas deixar o local para satisfazer o seu famigerado vício? Ainda mais no carnaval, onde as facilidades para o consumo de drogas são mais latentes”, pontuou, embora a batida policial tenha acontecido em 16 janeiro – mais de um mês antes do carnaval, ocorrido entre 18 a 21 de fevereiro de 2023.

Procurei Acedo, que disse que não representa mais os antigos donos do Esdras. Ele afirmou que rompeu o acordo por não ser um advogado criminalista. O segundo advogado a assumir a defesa de Talita Santana, Marcelo Mazzuia, também deixou o caso. 

Consegui contato de Tiago Miranda, o advogado que atualmente defende a dona do Esdras. Falei com ele por telefone, mas ele pediu que as perguntas fossem enviadas por e-mail para que seu posicionamento fosse colocado “da forma correta”. Nós enviamos as perguntas, mas Miranda não enviou as respostas até a publicação desta reportagem.

O  advogado de Marcos Moglia, Fernando Solimeo, que assumiu o lugar de Júlio Acedo, também deixou o caso. Perguntei o motivo da troca e ele disse que não poderia revelar. “Há uma cláusula de confidencialidade entre as partes. Júlio César Acedo foi o primeiro representante de Marcos. Eu fui o segundo e agora já há um terceiro”, afirmou. Ele não revelou o nome do advogado que o substituiu. 

Tentei localizar o novo advogado que defende Moglia por meio da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo, que informou que não conseguia acessar o processo e informar o nome, pois o caso tramita em segredo de justiça. O supervisor Kauê Cercelo, que segue sem o paradeiro localizado desde a denúncia oferecida pelo Ministério Público, também foi procurado, mas não foi encontrado.

10
Nov23

Centro terapêutico em SP prendeu mulheres, torturou, forçou conversão evangélica e pediu apoio a Jair Bolsonaro

Talis Andrade

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André Uzêda

A série revela como centros terapêuticos lucram com a internação de usuários de drogas sem oferecer um tratamento adequado para a reabilitação. Em alguns casos, há agressão aos internos, tortura, dopagem e prática de intolerância religiosa.


Em 16 de janeiro deste ano, promotores do Ministério Público de São Paulo, acompanhado de agentes da Polícia Civil, foram até um centro terapêutico na cidade de Cajamar, a 29 quilômetros da capital. Eles haviam recebido denúncias anônimas pelo Disque 100. Lá, encontraram 75 pacientes internadas em situação degradante, com “alimentação escassa, assistência médica insuficiente, sem itens de higiene, sofrendo castigos físicos, tortura e ameaças”. 

O MPSP identificou que no local funcionava uma “organização criminosa” com prática de crimes de tortura e cárcere privado – as pacientes não podiam sair, o ambiente era cercado por muros altos e vigiado por câmeras de segurança. Nessa batida policial, o espaço foi fechado, as mulheres retornaram para suas casas e os responsáveis foram presos em flagrante. Depois, em audiência de custódia, as prisões foram convertidas em preventivas. 

O espaço é o Centro de Assistência Social e Apoio Especializado Esdras – uma comunidade terapêutica, fundada em dezembro de 2019 em Cajamar, que aceitava apenas pacientes do sexo feminino. As comunidades terapêuticas são reguladas pela Anvisa e não são consideradas serviços de saúde – o que limita internações compulsórias, e prescrição de medicamentos, focando sobretudo na convivência entre os pares como forma de reabilitação.

O centro Esdras se dedicava à “assistência psicossocial e à saúde de portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química”, conforme consta no registro na Receita Federal. O próprio nome, em hebraico, faz referência àquilo que os donos diziam ser a missão do centro: ‘ajuda’, ‘auxílio’. A palavra Esdras, nome de um israelita, aparece citada mais de 30 vezes no Antigo Testamento.

Em contraste com a referência bíblica, a cabeleireira Jackeline Lopes, de 34 anos, diz que, ao se internar no Esdras, “começou meu inferno”. Em entrevista ao Intercept, ela enfatizou que queria contar sua história sem esconder sua identidade.”Quero que eles saibam quem fez a denúncia contra eles na imprensa. Quero que vejam que consegui sobreviver e reunir força para denunciar”, desabafou.

Jackeline Lopes se internou no Esdras no final de 2021, após sofrer uma tentativa de sequestro de um motorista de aplicativo em São Paulo. Isso resultou em uma depressão diagnosticada por sua psicóloga, que imediatamente recomendou a internação voluntária em uma comunidade terapêutica. A cabeleireira, então, fez uma busca no Google e encontrou o anúncio do Esdras.

 “Não fazia ideia onde estava me metendo. Pelo anúncio, parecia um lugar bonito. Espero que um dia consiga me perdoar por ter feito aquela maldita pesquisa”.

Anúncio do Centro Esdras veiculada em redes sociais, como o Instagram.

 

No mesmo dia em que visitou o Esdras, em 20 de novembro, Jackeline Lopes foi internada. Sua mãe assinou um contrato por um período de seis meses, com possibilidade de renovação – o valor total foi de R$ 10 mil. Ainda havia cobrança de taxas extras, com medicamentos, itens de higiene, cigarro e alimentação, tudo previsto em contrato.

“No primeiro dia, já sofri violência física, que eles chamam de contenção. Eles fazem uma revista. Você tem que ficar nua e se agachar. Uma monitora, que também é uma das internas, te dá banho e eles jogam todas as suas roupas fora. Eles dão roupas deles, até as íntimas. Depois disso, eles me colocaram em um quarto e acabei dormindo”, relembrou.

“Quando acordei, tive um momento nervoso e comecei a gritar. Nisso, o coordenador chegou e disse: ‘Você vai para o quarto do meio’. Esse era o quarto do castigo. Ele me deu um copo com um monte de remédio misturado e disse que eu tinha que tomar. No dia seguinte, eu disse que queria ir embora. Ele disse que meu contrato era de seis meses. E ainda falou: ‘Você perdeu. Você é doida’. Tudo isso rindo. Aí eu disse: ‘Como assim, se eu pedi para vir?’ E ele disse que não tinha como sair, só quando completasse meu contrato”, completou Lopes.  

O coordenador a quem a ex-interna se refere é, na verdade, o supervisor Kauê Dias Cercelo. Segundo Lopes, era ele “quem tomava conta de tudo”, incluindo a distribuição e dosagem dos medicamentos, a vigilância das internas, além de fazer as ameaças e provocar as agressões físicas e psicológicas que ela relata ter sofrido.

Cercelo também foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, mas desde o fechamento do centro não foi localizado – outras monitoras que prestaram serviço no centro Esdras, e a também coordenadora Lidiane Kátia de Carvalho, também foram denunciadas. Dos responsáveis diretos pelo centro, duas pessoas estão presas: a psicóloga Talita Assunção de Paula Santana, umas das sócias do Esdras, e Marcos Gaudêncio Moglia – que, de acordo com o MPSP, usou o nome da esposa Márcia Maria de Aguiar para fazer parte da sociedade.

Marcos Moglia é citado, em depoimento dado por uma das pacientes à delegacia de Cajamar, como responsável por portar arma de fogo, tendo até apontado o armamento para uma das pacientes, fazendo xingamentos e ameaças. É dito também que, para intimidá-las, ele dizia ter atuado na secretaria de Segurança Pública, tendo contato com “policiais e guardas municipais”.

O Ministério Público de São Paulo é categórico em afirmar que Talita Santana e Marcos Moglia montaram uma “organização criminosa”, com o intuito de obter “vantagem econômica”, e os subalternos do centro, orientados pelos donos, atuavam de forma a manter o “terror interno”e a “lucratividade do negócio”.

Denúncia do MPSP que cita o Centro Esdras como uma organização criminosa. (continua)
23
Dez22

Bolsoterrorismo

Talis Andrade

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Por Márcio Santilli

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Segunda-feira (12), o presidente derrotado Jair Bolsonaro, após vários dias de silêncio, falou aos seus seguidores golpistas, que estão acampados diante do Quartel-General do Exército, em Brasília, desde a vitória do presidente Lula no segundo turno das eleições. São loucos, canalhas e oportunistas, mantidos com financiamentos ilegais de empresários, também golpistas, que não aparecem na cena, mas manipulam os idiotas agressivos para tentarem conturbar a posse do presidente eleito.

A fala do Bolsonaro foi ambígua e objetivou estimular seus seguidores a continuarem nas ruas, reivindicando um golpe militar, mas sem passar recibo explicitamente, para evitar a sua própria prisão. Surtiu efeito! Na mesma segunda, dia da diplomação de Lula, os golpistas tentaram invadir a sede da Polícia Federal e promoveram atos de vandalismo, queimando veículos particulares e ônibus, no início da Asa Norte, área central de Brasília, e próximo do hotel onde Lula está hospedado.

O pretexto mais imediato dos golpistas para deflagrar os atos de terror foi a prisão do falso cacique Xavante Tserere, que é pastor evangélico e investigado por tráfico de drogas, entre outros crimes. Ele é ligado a fazendeiros fascistas de Campinápolis (MT) que bancaram a ida a Brasília de vários ônibus de indígenas, com pagamento em dinheiro, além da comida, estadia e transporte, para servirem de bucha de canhão para atos ilegais. Na véspera, os Xavante já haviam sido usados para interditar o acesso ao aeroporto de Brasília e invadir a área de embarque.

 

Leniência e impunidade

A maior responsabilidade pelo vandalismo em Brasília é de Bolsonaro, que não reconhece a sua derrota eleitoral. Mas também é responsável o ministro da Defesa (ou do ataque?) e o comandante do Exército, que vêm tolerando acampamentos golpistas diante de quartéis, como se fossem atos democráticos, embora rejeitem o apelo deles pelo golpe. Essa postura de leniência já rendeu acusações dos bolsonaristas contra seis generais do Alto Comando, que seriam “melancias”, por não apoiarem o golpe de Estado. As acusações geraram desconforto, levando os comandantes militares (exceto o ministro da Defesa) a emitirem nota de desagravo aos ofendidos.

Ao que parece, as manifestações de segunda-feira não causaram vítimas. O que se pergunta é quem pagará pelos prejuízos causados pelos golpistas aos proprietários dos veículos incendiados e à população de Brasília em geral. Por enquanto, apenas Tserere foi preso, embora seja óbvio que o seu grupo foi manipulado por terceiros. Os financiadores ruralistas continuam soltos. Militares e policiais lenientes, se continuarem omissos, também deveriam ser responsabilizados. Imaginem só o que eles estariam dizendo e fazendo caso os manifestantes fossem os sem-terra, ou indígenas não mancomunados com o poder…

Fato é que Bolsonaro está conseguindo transformar a transição de governo, a mais conturbada da história recente do país. O futuro ministro da Defesa, designado por Lula, José Múcio Monteiro, assim como os futuros comandantes das Forças Armadas, já devem estar atuando nos bastidores para por fim ao terrorismo político veladamente incentivado pelo ainda presidente.

 

Profissionalismo

Na terça-feira, surgiu uma denúncia que teria sido feita por um policial federal lotado na presidência da República informando que os atos terroristas da véspera foram planejados pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), dirigido pelo general Heleno.

“A imprensa como um todo e as fontes oficiais seguem insistindo na história da prisão do líder indígena lá, e isso é um pretexto gigante. Aliás, o pretexto caiu bem. Esse pessoal fez um ato totalmente orquestrado, é algo organizado por células, gente da extrema direita que sabe exatamente como fazer isso”, segundo o policial federal, cuja identidade foi mantida em sigilo por questão de segurança.

Também na terça-feira, líderes Xavante divulgaram um vídeo, deixando claro que Tserere não é cacique, não representa o seu povo, abandonou a aldeia onde vivia já há muitos anos e está a serviço de fazendeiros golpistas que o financiam e o utilizam como massa de manobra para atentar contra o regime democrático e o resultado das eleições.

Os atos terroristas supostamente planejados pelo GSI devem ser investigados e, uma vez caracterizados, devem também levar à prisão os principais responsáveis, inclusive Bolsonaro e Heleno. Com a posse de Lula e dos futuros dirigentes militares e policiais, espera-se que seja priorizada a reestruturação das forças federais de segurança, sob a égide do profissionalismo e do compromisso com a democracia.

07
Out22

Upresidente, memórias de um doente de fascismo

Talis Andrade
Imagem: Varvara Stepanova

 

Carta ficcional sobre áudios de um suposto presidente que finge enlouquecer durante as eleições de um país real chamado Brasil

 

por Pedro Paulo Rocha /A Terra É Redonda

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Que dia é hoje? Ainda é hoje? Faz quanto tempo que estou preso? Dia…

O cheiro do Chorume Nacional entra em minhas narinas e ouvidos zunindo. Estou nos Buracos dos muros.

O fedor arde na pele, exalando dos ternos dos neofascistas da pátria; brilha a cruz, brilha o capital. A pele queima do que me olha: vejo de longe muito perto a paisagem de um Esgoto de pólvora em piscinas de mansões; meu corpo fica paralisado até que tudo acontece de repente! Escuto som de tiros vindos da rua. Gritos inumanos e pessoas correndo. Pretos apanhando e brancos consumindo. E se rebelam. Quilombos, favelas. Subterrâneos. Corpos de sons. Sei bem que não é um sonho. Milicianos nadam nas favelas e moram em Torres.

A Tortura nunca acabou. Pastores chovem dinheiro. Rezas. Mijo. Roda de investidores. Quartéis de viagras e pau de borracha queimada. Sala vermelha de Tortura. Rua, morro. Morro e escapo. Vivo e não morro, desço num salto até uma constelação acesa. Eles matam, continuam matando. Igrejas e empresas. Os terreiros nas florestas, onde se escondem.

A vida no beco. Ora ternura, ora terror. Amor, memórias vivas, memórias enterradas e desenterradas. Exploração, sexos comercializados. Amor proibido. Indígenas, pretos, mulheres e crianças trafegadas. Desterrados. Fluxo sanguíneo e ficção. Na boca da guerra. Cruz e arma. Nunca acaba de passar. Bancos em navios com tubarões atrás do rastro de sangue no mar. Choro e chorume. Banho de Esgotos. Água Santa. Animal. Pão de Terra. Sangue azul. Corpo petróleos. Vírus.

É uma tempestade de ferro e pedras de uma ilha roubada. Amontoados. Presídios. Shopping. A piscina transborda. Muitos não sabem nadar. Indígenas refletem na vidraça rachada do planalto central. Nome de rio. Cara de peixe. Fronteira de fogo. A foto de uma flecha lançada fora do tempo acertou o hoje. Inventam nossos olhos.

Vou relatar aqui fatos quase reais de um presidente que enlouqueceu. Enlouqueceu? Na real ele finge que está louco. E esse presidente todos sabemos quem é e o que fez. Não vi com meus próprios olhos, mas posso afirmar que ouvi com meus próprios ouvidos… Desgraçado quanta desgraça de graça? A mente perdeu o controle ou o controle dominou a mente?

As frases ultrapassaram o acontecido, depois preciso voltar ao começo que imaginei…

Tudo aconteceu hoje pela madrugada. Soube logo pela manhã que Upresidente enlouqueceu…

Já aviso que ele não tem mais apenas um nome. Se tornou tanto ele mesmo que seu eu perdeu a cisão consigo. Muitas cabeças estão nascendo de sua voz –metamorfose. O monstro que ele foi vive uma mutação. Isso aconteceu exatamente nesse momento em que estou escrevendo esta frase sem futuro, mensagem de uma carta roubada, sem remetente. Espero que a carta chegue…

Se eu parecer também louco é devido a emoção que isto que te escrevo me causa. É a realidade que é insuportável. Soube que tudo começou nesta manhã assim que recebi algumas mensagens de áudio do UPresidente de um número desconhecido. Levei um susto e estou angustiado até agora com o que escutei de viva voz do Capetão da Nação.

Gostaria, não consigo, gostaria de fugir do que ouvi, não consigo! Se escrevo agora o ocorrido é porque é urgente dizer de alguma maneira o que é a doença do Messias.

O fato dela se confundir com o que é dito normal é o mais assustador e estranho – como é possível misturar duas coisas pensadas como opostas – o normal e a loucura?

Foi nesta manhã lá pelas 6 hs quando eu estava na rua caminhando em direção ao centro dividido da necrocidade – e de repente – o som do celular começou a tocar indicando o nome “a pátria armada”: olhei sem olhos e dei uma risada abafada e desliguei na hora depois de cuspir na tela. Depois que cuspi. Senti uma dor no estômago, acho. Cuspi mais uma vez na tela.

O sol queimou as minhas íris quando vi uma pessoa na rua com uma ferida viva. Ela percebeu que a vi chorar uma lágrima seca e ficou com raiva de mim. Tive que desaparecer rapidamente para não morrer por ver na flor da pele a dor de alguém queimando o ar.

Nesse lapso, no mesmo momento, chegou no meu WhatsApp uma série de mensagens com códigos sem significados por mais de um minuto sem cessar.

Logo depois veio um áudio de uns 10 minutos, 10 minutos e 37 segundos para ser mais preciso ( não importa ) com essa mensagem: “Upresidente enlouqueceu completamente. Por favor não envie para ninguém os áudios, ainda é possível salvar o país! Seus assessores estão procurando alguém que possa curá-lo urgentemente. É muito perigoso o que pode acontecer. Se descobrirem será tarde demais. Não sabemos mais como controlá-lo de hoje em diante. Os empresários ainda estão nos apoiando. Temos muito dinheiro, muito, muito mesmo. Além de armas, muitas… caixas de armamento pesado”.

Depois de ler isso passei a escutar os áudios. A sua voz estava trêmula e grave de um jeito animalesco. Por minutos senti falta de ar lembrando aquela imagem dele imitando alguém quase morrendo dos pulmões. Quando olhei para o chão da cidade cheio de lixo e por segundos me esqueci, por segundos quase me esqueci, o que tinha achado de ocorrer. Acabado, quis dizer, que tinha acabado de ocorrer. Pode ser que as vezes eu troque as palavras sem querer… por querer, quis dizer… isso vai se repetir… as palavras não têm controle… Aconteceu antes, aconteceu depois, fui golpeado por uma memória sem imagem muito pesada que evaporou na curva fantasma. Tentei na descida sufocar o esquecimento momentâneo, não deu – a coisa voltou – vomitei o agora com uma gosma viva no chão da fome, uma gosma de cor branca com algumas notas de dinheiro queimado, real, dólar, e uma cruz enrolada em uma corrente enferrujada. Rachadura de pedra, pensei, rios – como assim? ? Achei que vi também algumas balas gastas de 38.

Isso seria muito real para ser tão irreal. Fui me arrastando até o primeiro bar na encruzilhada de Brasília e pedi um copo de água viva com raízes. Bebi, fui bebido. Pensei que eu fosse água. Meu organismo absorveu até o vapor. Encostei para retornar a mim mesmo em algum lugar na parede esburacada e assim que recuperei um pouco meus sentidos continuei a caminhada na rua vazada, até que uma nova curva me reviveu.

Fui voltando ao normal e lembrei sem vulto algum que o U presidente entrou em um delírio tão absurdo que nada seria mais normal do que sua loucura; tive que escutar com atenção novamente para acreditar em viva voz naquela mensagem irretratável!

Ele crê que está se transformando em um super-eu. Relatou que hoje não dormiu e que a partir das 3 hs da manhã ganhou novos poderes – “Os raios de deus são balas a partir de agora! Darei meus nervos por vocês. Sou mais forte que o super-homem americano, mais forte que o super-homem de Deus. Existem muitas maneiras de converter a derrota eleitoral em uma oportunidade de tomar o poder, e demostrar de uma vez por todas que o voto é inútil. Eleições só de século em século. Muda os ministérios, mas o presidente é divino. Nunca deixamos de mostrar o que somos e o que buscamos. Não enganamos ninguém. Sempre falamos em voz alta nossos planos. Amém? Amém… pega a arma 09… liga para o quartel… ok? Em nome da lei! Voltando para o tema das eleições… imagine uma coisa simples… sempre um lance a frente… supor que se aconteça isso, nós podemos fazer aquilo… a pergunta é: quem tem mais lances para dar? Vai fazer o que?? vai fazer o que agora?? Se eu for preso como herói! Eu quero a coroa da injustiça! Levar o jogo ao limite até o inimigo perder a possibilidade de reagir… a tomada dos territórios através das subjetividades mortais de uma guerra civil permanente, o modelo é a milícia mesmo! Qual é o problema?… O Rio-Haiti é aqui – Floresta Amazônia Brasil favela do rio… kkkkkkkkkkkk …sou o novo rei do império, mas não sou ladrão… kkkkkkkk”.

Ele está ameaçando enviar um comando de Guerra civil para toda a sua rede com mais de 20 milhões de pessoas, ou mais ainda, nem sei mais quantas…

Muito rapidamente, senti que o asfalto estava quente, muito quente, as pessoas dormiam no chão com fome. Eu derretendo a cada segundo. O sol caía, o céu caía, as nuvens eram florestas em chamas, ouvia o grito dos animais queimando. Povos queimando dentro da noite dos massacres. Eu corria… caía e corria… vocês estavam comigo dentro de uma tela, dentro de uma tela sem fundo que emergia.

Não poderei ainda transcrever diretamente tudo que ouvi abismado da paranóia do herói do fascismo nacional, o Fas Star. Tentarei pelo menos transpor pedaços em uma espécie de zona de encontro entre ficção e realidade.

Acredito que esses áudios são reveladores do que vem acontecendo em nosso país, porque Upresidente realmente já estava fingindo enlouquecido antes desses áudios; por isso a veracidade de seus delírios recentes nos coloca a pergunta: se esses delírios não são simplesmente mais nada do que a nossa redundante normalidade?

Uma estranha loucura ocultada em normalidade quando explicitada através de um absurdo violento se legitima como um novo normal possível de ser aceito e simbolizado. O que ouvi nesses áudios do presidente são delírios de pura realidade, é a verdade mais absurda!

Juro que pode ser algo muito terrível de imaginar e contar. O estranho é ele não parecer tão louco depois de tantas formas de tornar normal sua loucura de poder fascista.

Porém, posso supor que ele atravessou uma fronteira teatral no que está falando agora. O medo fez ele liberar como nunca seu inconsciente fascistóide. Estão correndo atrás da chamada cura porque o seu estado de delírio atual tornaria mais explícito ainda seu desejo de morte pelo poder. Perdeu toda a autocensura porque o super eu e o inconsciente se tornaram a própria fissura que dá vida ao desejo de vingança.

Seu delírio tem agora muito de teatral, se antes ele citava seus heróis, agora ele os encarna. Nos áudios o Upresidente diz não ser mais ele mesmo! Não sei se ele já conseguiu parar de falar como se fosse seu pai Ustra, o torturador.

A partir de agora todos podem ser ele, seu nome é de um Deus chamado Comandante Ustra (que está apaixonado pelo super eu do Messias). Ele falou que está indo para uma sala secreta do centro da cidade para encontrar o Upresidente; quer amá-lo! Não quer interromper seu trabalho de torturador – ele tem muito medo, percebe-se, ele tem medo de estragar tudo com sua presença amada.

Vocês sabem que terei que contar o que ouvi por cortes misturados com realidades que se confundem com uma ficção que está quase virando outro real.

Posso dizer pouca coisa por hora – por isso mesmo não devo também deixar de dizer coisas que não se pode calar porque falar tudo é praticamente impossível.

Usarei uma estratégia de comunicação com fragmentos para montar quase uma história sem fim, esse delírio fascista não se sabe onde vai dar….

Voltando lembro novamente que é sinistro que o que acaba de se revelar de forma mais nua, a loucura mais normal do fascismo, na mente do presidente, faz da normalidade a loucura de Deus pela violência.

Logo no primeiro segundo desses áudios com essas palavras ele abre o discurso mais real que já fez: “Não sou mais mito, não sou mais humano, agora sou Deus, sou o grande U, quero encontrar o Messias para penetrá-lo com meu cano 38 na torre do STF. Já disse, o raio é bala! O Capitão é Rei, Sou Upresidente Ustra. Sou o filho do pai que virou pai. Podem me prender. Me levem, sou um herói!

Está tudo aqui nesses áudios que vou revelar em cartas. A paranoia fascista que desde do primeiro sinal já estava nascida. Agora temos isso em detalhes precisos, quase literários, de alguém que fez da fé razão da verdade para conseguir salvar uma nação do seu diabo inventado.

Muito do que ouvi, apesar de seu novo grau de normalidade alcançado de um fascismo sem limites, já foi tudo dito antes. Quando diziam ele é um louco – quando ele era tão normal que hoje sua chamada loucura não é nada mais do que a mais rigorosa normalidade nova se impondo como lei de uma realidade simbólica. O imaginário se dissolveu no real.

O simbólico não existe (não seria o real?) a não ser nesse instante de seu uso abusivo que pode mudar conforme for o interesse do operador. É notável que o que ele fala em delírio agora se parece com o que ele dizia normalmente; todos os dias sem parar ele explicitou o normal – e nós todos espantados – “ nossa como ele é um…” querendo dizer ele é normal e o normal é isso mesmo, e agora o que vamos fazer?

É depois de ouvir esses áudios, acredito que perdemos a fronteira da loucura e da realidade, quando a violência media. Do dia a dia ferindo em tortura. Esse estado de coisas que sempre foi um retrato fiel absurdado da paranoia da violência vivida como lei natural. Império da violência. Sempre foi essa a doença da violência colonial transformada em progresso, que se impôs contra a maioria do povo sangrado, explorado.

A realidade violenta forjada como ei do mundo.

Não posso deixar de acabar sem essas frases do que ouvi: “ Eu não vou perder ! Eu não vou perder!” gritou quase no final dos áudios…

O real parece insuportável para o salvador, o Messias, alucinado com sua super verdade, está ferido, sangrando! Incrivelmente está alegre com o martírio! “Vou fazer do país pedaços arrancados de mim mesmo U! Meu nome é U! Eu arranquei a faca de dentro da minha barriga. Eu sobrevivi, foi um milagre, eu sobrevivi! Nunca vou… morrer ! Deus morreu em cima de mim com uma arma na mão, acima de todos mais de 740 mil mortos, eu renasci. Eu renasço. Vou matar esses fantasmas em sonho que me invadem o dia. Comunistas! Meu patrimônio, minha família, meus negócios. Eu juro, eu juro que vi dentro das malas de dinheiro, eu vi, eu vi que existem serpentes, muitas serpentes de Deus… o ministro da economia no paraíso me enviou fotos delas; ele vai me levar para o jardim dos investidores. Se eu precisar abandonar a política, eu seria um grande empresário no ramo de armas. Óbvio, vocês sabem disso, minha paixão por armamentos. Sou pela famílicia. Sou pelo negócio. Amém! Rachadinha de ossos. Quem não fez? Não sou diferente de ninguém. Pastores te amo, empresários te amo! Por isso, e por muito mais, que não vou poder me explicar, eu vou dizer, pode acontecer o que for, nem eu, nem minha família vai abandonar a missão em nome do Brasil. Preciso de vocês! Porque é pelo povo. Pelo povo eu luto até a morte. Pelo povo eu mato o povo! A morte me conduz. A morte é nossa glória. E se Jesus voltou armado é para nos mostrar a importância da luta pela nossa liberdade. Eu vou contar tudo para vocês… vão me chamar de louco… mas podem xingar…”

Corta… Vou ter que parar aqui, já escrevi demais por hoje… talvez amanhã cheguem novos áudios… encerro entre cortes e lapsos… faltou muita coisa para lembrar… aos poucos mais fissuras vão surgir…

Essa é a primeira de muitas cartas que envio e enviarei; ontem não sei que dia foi, amanhã desistiu e para hoje só basta um dia… a segunda, a terceira, a quarta carta com mais detalhes eu já comecei… em breve já chega, amanhã até meia noite ou dia… que nunca para de não escrever…

Assinado X

11
Jan22

Após insinuar assassinato de deputada, Ratinho nega direito de resposta

Talis Andrade

campanha ratinho.jpeg

... e do trabalho escravo

 

Ratinho insinuou morte de deputada federal em programa de rádio; apresentador não recuou dos ataques

 
 

O apresentador Ratinho [pai do governador do Paraná] informou à Câmara [dos Deputados] que não veiculará um direito de resposta da deputada Natália Bonavides, do PT do Rio Grande do Norte, que ele defendeu “eliminar” com uma metralhadora no mês passado. A manifestação de Ratinho, em que ele manteve os ataques, foi encaminhada à Procuradoria Parlamentar da Câmara no último dia 4. O órgão investiga o apresentador por crimes de injúria e difamação.

[Eliminar tem os seguintes semelhantes: amputar, apagar, cortar, extinguir, riscar, 
suprimir, matar]
 
 
"Não dá para pegar uma metralhadora?”
 

Em 15 de dezembro, durante o programa “Turma do Ratinho” na rádio Massa FM, Carlos Massa, o Ratinho, xingou a parlamentar, fez ataques machistas e insinuou sua morte [seu assassinato]. No dia seguinte, apagou a publicação, mas a Câmara guardou a íntegra do material.

“Natália, você não tem o que fazer? Você não tem o que fazer, minha filha? Vá lavar roupa, costura a calça do teu marido, a cueca dele, porque isso é uma imbecilidade, querer mudar esse tipo de coisa. A gente tinha que eliminar esses loucos. Não dá para pegar uma metralhadora?”, disse Ratinho, distorcendo informações sobre um projeto de lei apresentado pela deputada em novembro.

Em resposta à Procuradoria da Câmara, Ratinho não recuou. Segundo sua defesa, o apresentador “fez uma crítica” com “linguajar popular”, “na condição de um cidadão comum”. Ainda de acordo com o documento, Ratinho agiu “sem qualquer pretensão de distratar (sic) as mulheres, realizar ameaças ou prejudicar” a parlamentar. [Cidadão comum não ameaça, não intimida, não atemoriza, não apavora. Cidadão comum não faz discurso de ódio em uma emissora, concessão do governo federal]

Além da Procuradoria da Câmara, a Casa acionou a Polícia Legislativa. Depois das ofensas e incitações de Ratinho contra a deputada, a Polícia começou a apurar os ataques que a petista tem recebido nas redes sociais. [Ratinho tem milhares e milhares de seguidores fanáticos, idem milhares de empregados, incluindo seguranças, guardas, capangas armados, que Ratinho é proprietário de várias empresas. De rádios, televisão, internet, lojas em shoppings, imóveis de luxo, indústrias, latifúndios com pastos cobertos de gado, lavouras de soja, milho, feijão e café. Ninguém sabe bem a origem dessa riqueza, mas o Ratinho é um homem de alma sebosa. Nada mais brutal, mais cruel, mais desumano que a escravidão. Ratinho, em 2016, "foi condenado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) a pagar uma multa de R$ 200 mil por manter trabalhadores em condição semelhante à escravidão em uma fazenda localizada em Limeira do Oeste, em Minas Gerais. A indenização por danos morais coletivos se deve, segundo a decisão judicial, à falta de fornecimento de material de proteção adequado ao ofício exercido pelos empregados e de espaço propício às refeições. Os contratados se alimentavam nos banheiros e nas lavouras, de acordo com o tribunal. O comunicador também é acusado de aliciar, sem respeito às normas legais, pessoas da Bahia e do Maranhão. Publicou o Correio Braziliense]. Natália Bonavides é uma jovem deputada. Ratinho já foi também deputado federal. Fez política de baixo nível, do baixo clero, de baixarias e ameaças, que repete hoje nos seus programas da extrema direita, sendo o filho o mais bolsonarista dos governadores. Inclusive programas financiados com dinheiro público, dinheiro do povo] 

 
13
Set21

Perigo do apoio de parte dos militares e da PM

Talis Andrade

 

Image

Lafa no Twitter
 
Ignorância Times - Quadrinhos
Reinaldo Azevedo
Os golpistas se dizem cristãos. A foto abaixo, de um deles, ilustra esse cristianismo. E vamos à semiótica. Veja a foto do “Mito” que foi escolhida. Do cabelo à sombra no rosto que sugere um bigodinho, parece que se busca uma associação de personagens, não? Cristo andava armado?
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Reinaldo Azevedo (@reinaldoazevedo): Acostuma-te à lama que te espera, Mito!

Hildegard Angel
Mérito de Lava Jato, Moro, José Serra, tucanato em geral, jornalistas lesa pátria, mídia corporativa, Temer, Pedro Parente. Todos merecem o banco dos réus por alta traição à Pátria brasileira.Image

Image

talisandrade
Queiroz assassino e parceiro miliciano de Adriano da Nóbrega que virou arquivo morto.
Juliana Dal Piva
Fabrício Queiroz tietado no RJ nas manifestações antidemocráticas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Na conta dele entraram mais de de R$ 2 milhões de um grupo de 11 assessores de @FlavioBolsonaro.
Image
A questão nunca foi o tamanho das manifestações golpistas, mas a reação das instituições. Não dá pra minimizar o perigo. São loucos, estão descolados da realidade, mas tem apoio de ao menos parte dos militares e da PM.Image

Charge Falada entrevista LafaAlmanaque Virtual - Cultura em Movimento

Os apresentadores do podcast Charge Falada, Miguel Paiva e Renato Aroeira, entrevistaram na última semana o chargista Daniel Lafayette, o Lafa, cuja trajetória confirma a inesgotável criatividade que garante o permanente surgimento de novos cartunistas.

O artista começou publicando em um jornal de bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em 1995, passando depois a desenhar tirinhas no Jornal do Brasil e na revista MAD. Ainda lançou uma coletânea pelo extinto selo Barba Negra da Editora Leya, chamado Ultralafa. 

O reconhecimento de seu talento mereceu prêmios no Salão Internacional de Humor de Piracicaba e no Salão Carioca de Humor.

Lafa, com sua modéstia, prefere não ressaltar esses prêmios. Exagero da parte dele. Ele merece todos os reconhecimentos. É desenho de primeira com ideias fantásticas

Sobre a motivação de publicar diariamente suas charges nas redes sociais, diz que foi um tiro no pé [o governo] atentar contra a cultura do País, pois mexeu com os chargistas e colocou a categoria mais mobilizada.

“O que não tem a menor graça nesse momento é esta coisa de não poder falar dos militares. Por quê?”, pergunta o convidado.

Miguel e Aroeira atestam que os cartuns de Lafa são, além de tudo, logomarcas, logotipos de humor de grudar nos olhos. Sintéticos e sofisticados como devem ser os desenhos de humor.

O Charge Falada é apresentado por Renato Aroeira e Miguel Paiva, do 247, e produzido pela Rádio GARAGEMImageDaniel Lafayette lança livro de tiras em quadrinhos na La Cucaracha, em  Ipanema - Jornal O Globo

Almanaque Virtual entrevista Daniel LaFayette

por Bruno Rios Evangelista

Daniel LaFayette. Nem digo que é para guardar este nome, pois inevitavelmente você ouvirá falar dele. Embora não seja exatamente um novato (está na ativa desde 1997), este cartunista carioca vem chamando a atenção de fãs e de consagrados quadrinistas com suas divertidas tiras. Daniel foi colaborador da revista independente Tarja Preta e trabalhou no Jornal do Brasil entre 2005 e 2007. Em 2009, juntamente com os cartunistas Tiago El CerdoStêvz e Eduardo Arruda lançou o álbumBeleléu, e a editora Leya/Barba Negra lançou o livro Ultralafa (176 páginas), compilação das melhores tiras publicada no blog do autor.

Almanaque Virtual - Vamos começar com sua biografia: quando começou o seu interesse por quadrinhos? Como foram os "primeiros passos" de sua carreira?
Daniel LaFayette - Comecei publicando num jornal de bairro de Jacarepaguá acho que em 1997. Naquela época não tinha tantas referências e acabava meio que copiando o estilo de alguns caras, tais como Matt Groening, Angeli e Henfil.

AV - Por favor, fale sobre suas maiores influências, sejam elas oriundas do mundo das HQs ou não.
DL - Difícil falar. Ao citar alguns nomes a gente sempre acaba esquecendo de outros tão importantes quanto. Mas tive muita influência de animadores como John Kricfaluzi (Ren & Stimpy), Matt Groening (Os Simpsons) e Mike Judge (Beavis & Butt-head) além dos clássicos da Warner e Hanna-Barbera. Cartunistas que me influenciaram são muitos. Devo citar ao menos Laerte, Angeli, Adão Iturrusgarai e Allan Sieber. Mas são muitos, muitos mais.

AV - O seu primeiro álbum solo pela Leya/Barba Negra. Como surgiu?
DL - Eu já sondava o Lobo (fundador da Barba Negra) desde que ele trabalhava em outra editora. A recíproca também é verdadeira pois já faz tempo que ele também me mostra interesse pelo projeto. Até que a idéia enfim amadureceu o suficiente para sair das mesas de bar e ir parar nas gráficas.

AV. Você publicou em revistas independentes como a Tarja Preta e a Beleléu, mas também trabalhou durante dois anos no Jornal do Brasil. A seu ver, qual a dirença entre aqueles trabalhos mais "underground" e o conteúdo criado para a grande imprensa? Existe a necessidade de "suavizar" o material?
DL - Olha, enquanto trabalhei pro Jornal do Brasil eu fiz o que me dava na telha. Quando fui entrevistado pelo Ziraldo para ver se conseguia a vaga, ele viu meus desenhos e disse pra que eu tomasse cuidado com essa coisa de criticar religião e isso talvez tenha ficado na minha cabeça porque, pensando agora, não fiz muitos quadrinhos falando de religião enquanto trabalhei lá.

AV. Poderia nos contar sobre a experiência em lançar uma revista própria (a Beleléu)? 
DL - A Beleléu é linda. Mas é filha de quatro pais e eu sou o pai menos atencioso dos quatro. Brinco com os outros que eu sou o pai que bebe e maltrata o filho quando chega em casa. Na verdade eu entrei de gaiato na Beleléu, mas acho que acabou fechando perfeitamente com o trabalho do Tiago El Cerdo, Stêvz e Eduardo Arruda. Mas foram eles que deram vida ao projeto. 

AV. A respeito dos seus quadrinhos: você prefere trabalhar com um personagem fixo ou com idéias diversas?
DL - Gosto das duas coisas. Se um personagem me cativa o suficiente para se tornar recorrente nas minhas tiras, então ele naturalmente ganha espaço. Mas geralmente não me preocupo com isso, o que acaba por me fazer criar histórias sem compromisso com um personagem fixo.

AV. Você trabalha com humor em quadrinhos, e no Brasil os quadrinhos de humor geralmente são bem "escrotos", no bom sentido. Mas atualmente existe meio que um ranço do "politicamente correto" na sociedade. Como você lida com isso? Existem limites para o humor, algum tema que você considera tabu?
DL - É, esse lance do "politicamente correto" é complicado, porque as vezes você vê algo "politicamente incorreto" simplesmente por não ter sacado as referências que o cartunista colocou no seu desenho. Se você tiver sido criado numa família ultraconservadora e de repente dá de cara com uma Chiclete com Banana é capaz de você se sentir ofendido. Mas eu acho que quadrinho é pra ofender, também. O Jaguar diz que o cartum tem que ser "uma porrada gráfica". Mas geralmente, o que acontece é um ruído de comunicação. Hora o cartunista não soube passar bem a mensagem, hora é o leitor que não soube ler a piada. Quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, vira polêmica.

AV. Para terminar, quais são os seus planos para o futuro?
DL - Essa coisa de fazer planos não é comigo. O único plano que tenho é o de saúde. No mais, estamos aí pra ver o que acontece. (Transcrevi trechos de uma entrevista de 09/04/2011)

cartum---jogo

02
Set21

Prefeito de Cerro Grande, flagrado com R$ 505 mil para gastar no 7 de Setembro dos golpistas, ameaçou produtora da CNN

Talis Andrade

PF flagra prefeito com R$ 505 mil; senador denuncia “esquema criminoso  contra a democracia” - Hora do Povo

 

O prefeito de Cerro Grande do Sul (RS), Gilmar João Alba (PSL), conhecido como "Gringo Loco", que foi flagrado pela Polícia Federal (PF) carregando mala com R$ 505 mill no aeroporto da Congonhas (SP), ameaçou a jornalista Daniela Lima da CNN.

“Prefeito de Cerro Grande ameaçou a produtora da CNN por 2 vezes. ‘Cuidado com o que vai falar’, disse”, afirmou a jornalista nas redes sociais, lembrando que “Gringo Loco” é presidente do PSL na “cidade de 12 mil habitantes, eleito com 2 mil votos. Orçamento total de menos de 30 milhões. Ele tinha meio milhão na mala". 

A CPI da Covid no Senado encaminhou nesta quarta-feira, 1, denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o prefeito de Cerro Grande do Sul.

O dinheiro desviado - de origem desconhecida - seria para financiar atos antidemocráticos, que os bolsonaristas marcaram para o dia 7 de setembro. 

PF abre inquérito

CPI diz que prefeito levava dinheiro para financiar atos de 7 de Setembro

por Caio Junqueira /CNN

- - -

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o prefeito de Cerro Grande do Sul (RS), Gilmar João Alba. Ele foi abordado pelos policiais quando tentava entrar em São Paulo pelo aeroporto de Congonhas, no dia 26 de agosto, com R$ 505 mil em caixas de papelão na sua bagagem de mão.

Alba, conhecido como Gringo Loco, prestou um depoimento aos policiais no qual teria dito que a origem do dinheiro era lícita, mas não especificou de onde ela vinha.

Chamou atenção o fato de ele ter dito que o valor era de R$ 1,4 milhão, o triplo do que havia dentro de sua bagagem. O inquérito aberto pela PF tem como um dos objetivos apurar de onde veio o dinheiro e para onde ia.

O prefeito foi um dos que coordenaram a campanha do presidente Jair Bolsonaro em 2018 e é ligado politicamente ao deputado federal Bibo Nunes que, como ele, também é do PSL do Rio Grande do Sul. Bibo é um dos organizadores das manifestações de 7 de Setembro a favor de Bolsonaro (sem partido).

Foram esses elos políticos que fizeram com que, na manhã desta quarta-feira, o caso chegasse a CPI da Pandemia. O deputado federal Paulo Pimenta, do PT-RS, e o senador Humberto Costa, do PT-PE, reuniram-se a portas fechadas com o presidente da CPIOmar Aziz, e pediram que ele intercedesse junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes para que o caso deixasse São Paulo e fosse remetido a Brasília junto com a investigação que Alexandre comanda sobre os organizadores dos atos de 7 de Setembro.

por Brasil de Fato

- - -

“Gringo Loco” foi pego pela Polícia Federal no aeroporto de Congonhas com várias caixas de papelão cheias de dinheiro. Ele informou que estaria levando R$ 1,4 milhão, mas a PF conferiu a disse ter somente R$ 505 mil. O que não foi informado foi a origem do dinheiro.

Carregar dinheiro em espécie pelo país não é crime, mas não informar a origem do papel moeda pode configurar lavagem de dinheiro. Bolsonarista fanático, o Gringo Loco estava em voo fretado com destino a Brasília, onde na próxima terça-feira (7) acontecerá uma manifestação com pautas golpistas que pedirá, entre outras coisas, o fechamento do Supremo Tribunal Federal.

Por este correspondente

- - -

Vários partidários da extrema direita, em diferentes cidades, estão oferecendo passagem, alimentação e hospedagem (tudo gratis) para os eventos golpistas de Bolsonaro em Brasília e São Paulo. 

Bolsonaro pretende juntar 4 milhões de pessoas em Brasília.

Sobra dinheiro para as motociatas, para as festanças golpistas, parada de tanques e 7 de setembro da ditadura policial-militar. 

Falta comida na mesa do pobre. 

Milhões de brasileiros sem alimentos, água, luz, saneamento

29
Ago21

Janio de Freitas: quem nega altos riscos na ação de bolsonaristas no 7 de Setembro está a serviço de Bolsonaro

Talis Andrade

 

247 - "Quem nega altos riscos na ação de bolsonaristas no 7 de Setembro —um coro que cresce a cada dia— está a serviço de Bolsonaro ou comete uma leviandade", escreve Janio de Freitas em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o colunista, "sabe-se que o bolsonarismo é perigoso em si mesmo, sempre potencialmente criminoso nos meios e nos fins".

E Bolsonaro, ele sim, emite sinais claros de sentimentos opressivos, de cerco e medo: o ataque frontal ao Supremo, a incessante corrida a aglomerações excitáveis de Norte a Sul, o agravamento de suas falas — e a convocação às manifestações do 7 de Setembro do povo. Nesse estado de país enlouquecido, as polícias militares passam de proteção social a fontes de medo coletivo. Os militares do Exército, que exigiram a referência à segurança interna, na Constituição, como domínio seu, reduzem-se a uma incógnita nos riscos das manifestações", acrescenta.

Crimes de Maio de 2006: o massacre que o Brasil ignora - Ponte JornalismoOs Crimes de Maio de 2006 e a luta das mães contra a violência do Estado –  OASLCanal Reload على تويتر: "A #HQReload desta semana é baseada em matéria da  @pontejornalismo sobre os 15 anos do massacre dos Crimes de Maio. A chacina  deixou mais de 560 pessoas mortasSTJ mantém a condenação de PMs por massacre do Carandiru

Eles chegaram atirando mesmo”, lembra sobrevivente do Massacre do Carandiru  | Agência BrasilJacarezinho e a prerrogativa da guerra às drogas para a violência policialMais de 24 horas após operação, Polícia Civil não divulgou identidade dos  mortos no Jacarezinho | Rio de Janeiro | G1

Charge: Brasil-avestruz não vê clima pra golpe. Por Aroeira

Nota deste correspondente: Golpe se faz com chacinas de opositores, prisões de adversários, tortura e exílio.

Golpe não é um simples desfile de civis com um fuzil novo. Ou de militares para comemorar a Independência do Brasil. 

Independência tem as seguintes características que a extrema direita abomina:

Característica de quem é livre e autônomo:

1 emancipaçãoautonomialiberdadelibertaçãosoberania.

Característica de quem não se deixa influenciar:

2 isençãoequanimidadeequidadeimparcialidadejustiçaneutralidade.

Boa condição material:

4 bem-estarfortunaprosperidade.

Significado de Golpista

Quem planeja ou realiza golpes, estratagemas ou tramas ilegais que buscam enganar: golpista que lesava seus clientes.adjetivo Que busca enganar por meio de tramas e estratagemas.Que tenta, através de estratagemas, retirar o poder de um governo: general golpista. Presidente que perdeu o apoio popular. Que não possui mais os votos que garantiram a eleição legítima, soberana, livre e democrática. 

Golpista é sinônimo de: ardilosoenganadorfraudulento

Golpista é o contrário de: honestojustoíntegrohonradoprobosério

 

 

 

 

 

22
Jun21

Nota oficial da ABI: Renuncie, Presidente!

Talis Andrade

ABI - Associação Brasileira de Imprensa - Página exclusiva - Home | Facebook

 

Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, insultando jornalistas da TV Globo e da CNN.

Com seu destempero, Bolsonaro mostrou ter sentido profundamente o golpe representado pelas manifestações do último sábado. Elas desnudaram o crescente isolamento de seu governo.

Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista.

Seu comportamento chega a enfraquecer o movimento antimanicomial – movimento progressista e com conteúdo profundamente humanitário. Já há quem se pergunte como um cidadão com tamanho desequilíbrio pode andar por aí pelas ruas.

Mas a situação é ainda mais grave: esse cidadão é presidente de um país com a importância do Brasil.

Diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022.

É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados.

Diante desse quadro, com a autoridade de seus 113 anos de luta pela democracia, a ABI reitera sua posição a favor do impeachment do presidente. E reafirma que, decididamente, ele não tem condições de governar o Brasil.

Outra solução – até melhor, porque mais rápida – seria que ele se retirasse voluntariamente.

Então, renuncie, presidente!

Paulo Jeronimo
Presidente da ABI

22
Jun21

ABI reage às agressões de Bolsonaro contra repórter: "renuncie, presidente!"

Talis Andrade

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Em nota assinada pelo presidente Paulo Jerônimo, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pede a renúncia de Jair Bolsonaro após o chefe do Planalto ter agredido a repórter Laurene Santos, da TV Vanguarda, afiliada da TV Globo.

O chefe do governo federal ainda se mostrou decepcionado pela cobertura jornalística das manifestações do último sábado, 19, que reuniram mais de 750 mil pessoas no Brasil e no mundo.

Questionado por uma repórter sobre a dispensa do uso de máscara, Bolsonaro se irritou e passou a fazer uma série de ofensas à imprensa: "vocês não ajudam em nada".

Ataques à imprensa

“Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, insultando jornalistas da TV Globo e da CNN”, denuncia a entidade.

“Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista”, continua.

Segundo a ABI, “diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022. É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados”.

Por isso, a associação defendeu novamente o impeachment de Jair Bolsonaro, mas apelou que, para o bem da democracia, a solução mais rápida seria renunciar ao governo federal.

máscara jacaré e dinossauros.jpg

 

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