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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

13
Set21

Perigo do apoio de parte dos militares e da PM

Talis Andrade

 

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Lafa no Twitter
 
Ignorância Times - Quadrinhos
Reinaldo Azevedo
Os golpistas se dizem cristãos. A foto abaixo, de um deles, ilustra esse cristianismo. E vamos à semiótica. Veja a foto do “Mito” que foi escolhida. Do cabelo à sombra no rosto que sugere um bigodinho, parece que se busca uma associação de personagens, não? Cristo andava armado?
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Reinaldo Azevedo (@reinaldoazevedo): Acostuma-te à lama que te espera, Mito!

Hildegard Angel
Mérito de Lava Jato, Moro, José Serra, tucanato em geral, jornalistas lesa pátria, mídia corporativa, Temer, Pedro Parente. Todos merecem o banco dos réus por alta traição à Pátria brasileira.Image

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talisandrade
Queiroz assassino e parceiro miliciano de Adriano da Nóbrega que virou arquivo morto.
Juliana Dal Piva
Fabrício Queiroz tietado no RJ nas manifestações antidemocráticas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Na conta dele entraram mais de de R$ 2 milhões de um grupo de 11 assessores de @FlavioBolsonaro.
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A questão nunca foi o tamanho das manifestações golpistas, mas a reação das instituições. Não dá pra minimizar o perigo. São loucos, estão descolados da realidade, mas tem apoio de ao menos parte dos militares e da PM.Image

Charge Falada entrevista LafaAlmanaque Virtual - Cultura em Movimento

Os apresentadores do podcast Charge Falada, Miguel Paiva e Renato Aroeira, entrevistaram na última semana o chargista Daniel Lafayette, o Lafa, cuja trajetória confirma a inesgotável criatividade que garante o permanente surgimento de novos cartunistas.

O artista começou publicando em um jornal de bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em 1995, passando depois a desenhar tirinhas no Jornal do Brasil e na revista MAD. Ainda lançou uma coletânea pelo extinto selo Barba Negra da Editora Leya, chamado Ultralafa. 

O reconhecimento de seu talento mereceu prêmios no Salão Internacional de Humor de Piracicaba e no Salão Carioca de Humor.

Lafa, com sua modéstia, prefere não ressaltar esses prêmios. Exagero da parte dele. Ele merece todos os reconhecimentos. É desenho de primeira com ideias fantásticas

Sobre a motivação de publicar diariamente suas charges nas redes sociais, diz que foi um tiro no pé [o governo] atentar contra a cultura do País, pois mexeu com os chargistas e colocou a categoria mais mobilizada.

“O que não tem a menor graça nesse momento é esta coisa de não poder falar dos militares. Por quê?”, pergunta o convidado.

Miguel e Aroeira atestam que os cartuns de Lafa são, além de tudo, logomarcas, logotipos de humor de grudar nos olhos. Sintéticos e sofisticados como devem ser os desenhos de humor.

O Charge Falada é apresentado por Renato Aroeira e Miguel Paiva, do 247, e produzido pela Rádio GARAGEMImageDaniel Lafayette lança livro de tiras em quadrinhos na La Cucaracha, em  Ipanema - Jornal O Globo

Almanaque Virtual entrevista Daniel LaFayette

por Bruno Rios Evangelista

Daniel LaFayette. Nem digo que é para guardar este nome, pois inevitavelmente você ouvirá falar dele. Embora não seja exatamente um novato (está na ativa desde 1997), este cartunista carioca vem chamando a atenção de fãs e de consagrados quadrinistas com suas divertidas tiras. Daniel foi colaborador da revista independente Tarja Preta e trabalhou no Jornal do Brasil entre 2005 e 2007. Em 2009, juntamente com os cartunistas Tiago El CerdoStêvz e Eduardo Arruda lançou o álbumBeleléu, e a editora Leya/Barba Negra lançou o livro Ultralafa (176 páginas), compilação das melhores tiras publicada no blog do autor.

Almanaque Virtual - Vamos começar com sua biografia: quando começou o seu interesse por quadrinhos? Como foram os "primeiros passos" de sua carreira?
Daniel LaFayette - Comecei publicando num jornal de bairro de Jacarepaguá acho que em 1997. Naquela época não tinha tantas referências e acabava meio que copiando o estilo de alguns caras, tais como Matt Groening, Angeli e Henfil.

AV - Por favor, fale sobre suas maiores influências, sejam elas oriundas do mundo das HQs ou não.
DL - Difícil falar. Ao citar alguns nomes a gente sempre acaba esquecendo de outros tão importantes quanto. Mas tive muita influência de animadores como John Kricfaluzi (Ren & Stimpy), Matt Groening (Os Simpsons) e Mike Judge (Beavis & Butt-head) além dos clássicos da Warner e Hanna-Barbera. Cartunistas que me influenciaram são muitos. Devo citar ao menos Laerte, Angeli, Adão Iturrusgarai e Allan Sieber. Mas são muitos, muitos mais.

AV - O seu primeiro álbum solo pela Leya/Barba Negra. Como surgiu?
DL - Eu já sondava o Lobo (fundador da Barba Negra) desde que ele trabalhava em outra editora. A recíproca também é verdadeira pois já faz tempo que ele também me mostra interesse pelo projeto. Até que a idéia enfim amadureceu o suficiente para sair das mesas de bar e ir parar nas gráficas.

AV. Você publicou em revistas independentes como a Tarja Preta e a Beleléu, mas também trabalhou durante dois anos no Jornal do Brasil. A seu ver, qual a dirença entre aqueles trabalhos mais "underground" e o conteúdo criado para a grande imprensa? Existe a necessidade de "suavizar" o material?
DL - Olha, enquanto trabalhei pro Jornal do Brasil eu fiz o que me dava na telha. Quando fui entrevistado pelo Ziraldo para ver se conseguia a vaga, ele viu meus desenhos e disse pra que eu tomasse cuidado com essa coisa de criticar religião e isso talvez tenha ficado na minha cabeça porque, pensando agora, não fiz muitos quadrinhos falando de religião enquanto trabalhei lá.

AV. Poderia nos contar sobre a experiência em lançar uma revista própria (a Beleléu)? 
DL - A Beleléu é linda. Mas é filha de quatro pais e eu sou o pai menos atencioso dos quatro. Brinco com os outros que eu sou o pai que bebe e maltrata o filho quando chega em casa. Na verdade eu entrei de gaiato na Beleléu, mas acho que acabou fechando perfeitamente com o trabalho do Tiago El Cerdo, Stêvz e Eduardo Arruda. Mas foram eles que deram vida ao projeto. 

AV. A respeito dos seus quadrinhos: você prefere trabalhar com um personagem fixo ou com idéias diversas?
DL - Gosto das duas coisas. Se um personagem me cativa o suficiente para se tornar recorrente nas minhas tiras, então ele naturalmente ganha espaço. Mas geralmente não me preocupo com isso, o que acaba por me fazer criar histórias sem compromisso com um personagem fixo.

AV. Você trabalha com humor em quadrinhos, e no Brasil os quadrinhos de humor geralmente são bem "escrotos", no bom sentido. Mas atualmente existe meio que um ranço do "politicamente correto" na sociedade. Como você lida com isso? Existem limites para o humor, algum tema que você considera tabu?
DL - É, esse lance do "politicamente correto" é complicado, porque as vezes você vê algo "politicamente incorreto" simplesmente por não ter sacado as referências que o cartunista colocou no seu desenho. Se você tiver sido criado numa família ultraconservadora e de repente dá de cara com uma Chiclete com Banana é capaz de você se sentir ofendido. Mas eu acho que quadrinho é pra ofender, também. O Jaguar diz que o cartum tem que ser "uma porrada gráfica". Mas geralmente, o que acontece é um ruído de comunicação. Hora o cartunista não soube passar bem a mensagem, hora é o leitor que não soube ler a piada. Quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, vira polêmica.

AV. Para terminar, quais são os seus planos para o futuro?
DL - Essa coisa de fazer planos não é comigo. O único plano que tenho é o de saúde. No mais, estamos aí pra ver o que acontece. (Transcrevi trechos de uma entrevista de 09/04/2011)

cartum---jogo

02
Set21

Prefeito de Cerro Grande, flagrado com R$ 505 mil para gastar no 7 de Setembro dos golpistas, ameaçou produtora da CNN

Talis Andrade

PF flagra prefeito com R$ 505 mil; senador denuncia “esquema criminoso  contra a democracia” - Hora do Povo

 

O prefeito de Cerro Grande do Sul (RS), Gilmar João Alba (PSL), conhecido como "Gringo Loco", que foi flagrado pela Polícia Federal (PF) carregando mala com R$ 505 mill no aeroporto da Congonhas (SP), ameaçou a jornalista Daniela Lima da CNN.

“Prefeito de Cerro Grande ameaçou a produtora da CNN por 2 vezes. ‘Cuidado com o que vai falar’, disse”, afirmou a jornalista nas redes sociais, lembrando que “Gringo Loco” é presidente do PSL na “cidade de 12 mil habitantes, eleito com 2 mil votos. Orçamento total de menos de 30 milhões. Ele tinha meio milhão na mala". 

A CPI da Covid no Senado encaminhou nesta quarta-feira, 1, denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o prefeito de Cerro Grande do Sul.

O dinheiro desviado - de origem desconhecida - seria para financiar atos antidemocráticos, que os bolsonaristas marcaram para o dia 7 de setembro. 

PF abre inquérito

CPI diz que prefeito levava dinheiro para financiar atos de 7 de Setembro

por Caio Junqueira /CNN

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A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o prefeito de Cerro Grande do Sul (RS), Gilmar João Alba. Ele foi abordado pelos policiais quando tentava entrar em São Paulo pelo aeroporto de Congonhas, no dia 26 de agosto, com R$ 505 mil em caixas de papelão na sua bagagem de mão.

Alba, conhecido como Gringo Loco, prestou um depoimento aos policiais no qual teria dito que a origem do dinheiro era lícita, mas não especificou de onde ela vinha.

Chamou atenção o fato de ele ter dito que o valor era de R$ 1,4 milhão, o triplo do que havia dentro de sua bagagem. O inquérito aberto pela PF tem como um dos objetivos apurar de onde veio o dinheiro e para onde ia.

O prefeito foi um dos que coordenaram a campanha do presidente Jair Bolsonaro em 2018 e é ligado politicamente ao deputado federal Bibo Nunes que, como ele, também é do PSL do Rio Grande do Sul. Bibo é um dos organizadores das manifestações de 7 de Setembro a favor de Bolsonaro (sem partido).

Foram esses elos políticos que fizeram com que, na manhã desta quarta-feira, o caso chegasse a CPI da Pandemia. O deputado federal Paulo Pimenta, do PT-RS, e o senador Humberto Costa, do PT-PE, reuniram-se a portas fechadas com o presidente da CPIOmar Aziz, e pediram que ele intercedesse junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes para que o caso deixasse São Paulo e fosse remetido a Brasília junto com a investigação que Alexandre comanda sobre os organizadores dos atos de 7 de Setembro.

por Brasil de Fato

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“Gringo Loco” foi pego pela Polícia Federal no aeroporto de Congonhas com várias caixas de papelão cheias de dinheiro. Ele informou que estaria levando R$ 1,4 milhão, mas a PF conferiu a disse ter somente R$ 505 mil. O que não foi informado foi a origem do dinheiro.

Carregar dinheiro em espécie pelo país não é crime, mas não informar a origem do papel moeda pode configurar lavagem de dinheiro. Bolsonarista fanático, o Gringo Loco estava em voo fretado com destino a Brasília, onde na próxima terça-feira (7) acontecerá uma manifestação com pautas golpistas que pedirá, entre outras coisas, o fechamento do Supremo Tribunal Federal.

Por este correspondente

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Vários partidários da extrema direita, em diferentes cidades, estão oferecendo passagem, alimentação e hospedagem (tudo gratis) para os eventos golpistas de Bolsonaro em Brasília e São Paulo. 

Bolsonaro pretende juntar 4 milhões de pessoas em Brasília.

Sobra dinheiro para as motociatas, para as festanças golpistas, parada de tanques e 7 de setembro da ditadura policial-militar. 

Falta comida na mesa do pobre. 

Milhões de brasileiros sem alimentos, água, luz, saneamento

29
Ago21

Janio de Freitas: quem nega altos riscos na ação de bolsonaristas no 7 de Setembro está a serviço de Bolsonaro

Talis Andrade

 

247 - "Quem nega altos riscos na ação de bolsonaristas no 7 de Setembro —um coro que cresce a cada dia— está a serviço de Bolsonaro ou comete uma leviandade", escreve Janio de Freitas em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o colunista, "sabe-se que o bolsonarismo é perigoso em si mesmo, sempre potencialmente criminoso nos meios e nos fins".

E Bolsonaro, ele sim, emite sinais claros de sentimentos opressivos, de cerco e medo: o ataque frontal ao Supremo, a incessante corrida a aglomerações excitáveis de Norte a Sul, o agravamento de suas falas — e a convocação às manifestações do 7 de Setembro do povo. Nesse estado de país enlouquecido, as polícias militares passam de proteção social a fontes de medo coletivo. Os militares do Exército, que exigiram a referência à segurança interna, na Constituição, como domínio seu, reduzem-se a uma incógnita nos riscos das manifestações", acrescenta.

Crimes de Maio de 2006: o massacre que o Brasil ignora - Ponte JornalismoOs Crimes de Maio de 2006 e a luta das mães contra a violência do Estado –  OASLCanal Reload على تويتر: "A #HQReload desta semana é baseada em matéria da  @pontejornalismo sobre os 15 anos do massacre dos Crimes de Maio. A chacina  deixou mais de 560 pessoas mortasSTJ mantém a condenação de PMs por massacre do Carandiru

Eles chegaram atirando mesmo”, lembra sobrevivente do Massacre do Carandiru  | Agência BrasilJacarezinho e a prerrogativa da guerra às drogas para a violência policialMais de 24 horas após operação, Polícia Civil não divulgou identidade dos  mortos no Jacarezinho | Rio de Janeiro | G1

Charge: Brasil-avestruz não vê clima pra golpe. Por Aroeira

Nota deste correspondente: Golpe se faz com chacinas de opositores, prisões de adversários, tortura e exílio.

Golpe não é um simples desfile de civis com um fuzil novo. Ou de militares para comemorar a Independência do Brasil. 

Independência tem as seguintes características que a extrema direita abomina:

Característica de quem é livre e autônomo:

1 emancipaçãoautonomialiberdadelibertaçãosoberania.

Característica de quem não se deixa influenciar:

2 isençãoequanimidadeequidadeimparcialidadejustiçaneutralidade.

Boa condição material:

4 bem-estarfortunaprosperidade.

Significado de Golpista

Quem planeja ou realiza golpes, estratagemas ou tramas ilegais que buscam enganar: golpista que lesava seus clientes.adjetivo Que busca enganar por meio de tramas e estratagemas.Que tenta, através de estratagemas, retirar o poder de um governo: general golpista. Presidente que perdeu o apoio popular. Que não possui mais os votos que garantiram a eleição legítima, soberana, livre e democrática. 

Golpista é sinônimo de: ardilosoenganadorfraudulento

Golpista é o contrário de: honestojustoíntegrohonradoprobosério

 

 

 

 

 

22
Jun21

Nota oficial da ABI: Renuncie, Presidente!

Talis Andrade

ABI - Associação Brasileira de Imprensa - Página exclusiva - Home | Facebook

 

Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, insultando jornalistas da TV Globo e da CNN.

Com seu destempero, Bolsonaro mostrou ter sentido profundamente o golpe representado pelas manifestações do último sábado. Elas desnudaram o crescente isolamento de seu governo.

Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista.

Seu comportamento chega a enfraquecer o movimento antimanicomial – movimento progressista e com conteúdo profundamente humanitário. Já há quem se pergunte como um cidadão com tamanho desequilíbrio pode andar por aí pelas ruas.

Mas a situação é ainda mais grave: esse cidadão é presidente de um país com a importância do Brasil.

Diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022.

É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados.

Diante desse quadro, com a autoridade de seus 113 anos de luta pela democracia, a ABI reitera sua posição a favor do impeachment do presidente. E reafirma que, decididamente, ele não tem condições de governar o Brasil.

Outra solução – até melhor, porque mais rápida – seria que ele se retirasse voluntariamente.

Então, renuncie, presidente!

Paulo Jeronimo
Presidente da ABI

22
Jun21

ABI reage às agressões de Bolsonaro contra repórter: "renuncie, presidente!"

Talis Andrade

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Em nota assinada pelo presidente Paulo Jerônimo, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pede a renúncia de Jair Bolsonaro após o chefe do Planalto ter agredido a repórter Laurene Santos, da TV Vanguarda, afiliada da TV Globo.

O chefe do governo federal ainda se mostrou decepcionado pela cobertura jornalística das manifestações do último sábado, 19, que reuniram mais de 750 mil pessoas no Brasil e no mundo.

Questionado por uma repórter sobre a dispensa do uso de máscara, Bolsonaro se irritou e passou a fazer uma série de ofensas à imprensa: "vocês não ajudam em nada".

Ataques à imprensa

“Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, insultando jornalistas da TV Globo e da CNN”, denuncia a entidade.

“Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista”, continua.

Segundo a ABI, “diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022. É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados”.

Por isso, a associação defendeu novamente o impeachment de Jair Bolsonaro, mas apelou que, para o bem da democracia, a solução mais rápida seria renunciar ao governo federal.

máscara jacaré e dinossauros.jpg

 

03
Mar21

Percepção de risco e exposição ao vírus na pandemia

Talis Andrade

 

por Wilson Gomes /Cult
 
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Fevereiro de 2021 termina com grande parte do sistema de saúde dos estados e municípios brasileiros entrando em colapso diante da nova onda de Covid-19. Há pelo menos um mês a chamada média móvel está acima de mil mortes por dia. As novas e mais contagiosas variantes da doença saturam a capacidade dos hospitais ao mesmo tempo em que incapacitam os médicos e enfermeiros da linha de frente. 

Já completamos um ano convivendo com a tragédia, e a sensação que se tem é que voltamos ao pior patamar alcançado no ano de 2020, se é que não estamos em pior situação. Um pesadelo sem fim.

O bolsovírus

Sabemos, claro, que não estamos nesta situação por acaso. Os especialistas têm muita clareza de que muitas dessas 250 mil mortes teriam sido evitadas se não tivéssemos no comando do país Jair Bolsonaro, sua incapacidade de gestão, seu narcisismo de louco que não permite compartilhar poder e cercar-se de gente competente, suas convicções de fanático avesso a ciência e a conhecimento, sua paranoia política que lhe impede de escutar quem quer que não seja convertido às suas crenças ideológicas e pensar um país para todos. O fator Bolsonaro explica por que faltam vacinas, por que não há um cadastro de vacinados nem uma fila clara e indiscutível de vacinação, dentre outras tantas coisas que todo mundo sabe. 

Mas nem toda autoridade política no país é composta de gente de padrão moral tão vil a ponto de politizar ao extremo, e da forma mais amesquinhada, medidas sanitárias, de um lado, e a vacinação da população, do outro. Nem da combinação absolutamente letal de uma personalidade paranoica – que resolve ser presidente República e ministro da Saúde ao mesmo tempo por não confiar em mais ninguém – com um perfil de incompetência tão absoluto que nada que não possa ser realizado apenas com saliva, factoides, perdigotos, maldade e insultos é efetivamente feito pelo governo central do país.

Temos gestores dignos nos estados e municípios que tiveram respaldo da opinião pública e do STF para, na medida do possível, tomar medidas para minorar a pandemia para os seus governados. Além disso, tivemos um jornalismo que, em geral, foi responsável, consciencioso e corajoso ao ponto de enfrentar a insensatez mortal do presidente e dos seus seguidores do movimento bolsonarista. Sem mencionar os pesquisadores e divulgadores científico que foram aos meios tradicionais e aos meios digitais de comunicação para defender fatos e evidências e enfrentar as campanhas de fake news e narrativas de complôs da extrema-direita. 

Entretanto, apesar de tanta informação de qualidade e de tantos gestores que assumiram corajosamente todas as medidas possíveis para a evitar a disseminação acelerada da doença e a sobrecarga dos hospitais, uma parte da população desafiou as informações oferecidas, desobedeceu às determinações das autoridades para uso de máscara facial, isolamento e lockdown, e sabotou todas as medidas sanitárias consideradas essenciais para evitar o estado de coisa em que nos encontramos. 

Por que uma parte dos cidadãos insiste em se expor ao vírus? 

É da mentalidade dos brasileiros que as explicações preferidas para os problemas sociais coloquem a maior parte da responsabilidade nos ombros de quem governa. E Bolsonaro e Pazuello facilitam esse trabalho, tanto pelo que não fizeram quanto pelos seus feitos e malfeitos. Mas o fato da inépcia e da sabotagem das duas patéticas figuras não explicam, sozinhas, as festas clandestinas durante a pandemia; as aglomerações, a resistência ao uso de máscaras em lugares públicos, a recusa a cooperar com regras mínimas de isolamento social. 

 

E, é claro, não vamos nos iludir,
nem todos os que se entregaram
a este ano de desobediência civil
eram bolsonaristas, muito
embora inegavelmente parece
haver uma correlação entre a
ideologia bolsonarista e a
resistência às medidas sanitárias.

 

Existe uma área multidisciplinar de pesquisa desde os anos 1960 que estuda a chamada “percepção de risco”. Percepção é um julgamento subjetivo, uma opinião ou sentimento pessoal. A percepção de risco é a sensação ou julgamento subjetivo que as pessoas fazem sobre a gravidade envolvida em uma determinada situação. 

Muitas das atitudes e dos comportamentos adotados pelas pessoas nesta pandemia dependem da percepção do risco de se contaminar, do risco de morrer ou do risco de que outras pessoas morram e se contaminem por causa das minhas atitudes e comportamentos. É razoável supor que quanto maior a percepção de risco de morte ou doença, maiores os cuidados e precauções, e quanto menor a sensação de que se pode morrer ou adoecer gravemente, menor adesão às medidas de saúde recomendadas e menor colaboração com as autoridades. 

Muita gente não compreende como as pessoas continuam se expondo a todo tipo de risco nesta pandemia e apostam que isso decorre da falta de informação de qualidade. Mas o que menos faltou neste período foi um fluxo constante de informação correta, transparente e confiável, apesar das campanhas de desinformação do obscurantismo bolsonarista. Não é certo que todas as pessoas que se expuseram intensamente, de maneira constante ou eventual, à contaminação, eram todas mal informadas ou desinformadas, muito menos dogmáticos bolsonaristas.

Na verdade, a questão social mais relevante não é quanta informação exata as pessoas têm, mas como fazer com que as pessoas tenham percepções exatas sobre os fatores pessoais e sociais de risco, como aproximar a percepção de risco e o risco real e objetivo. O que, infelizmente, não são a mesma coisa. A sensação de risco não depende apenas de fatos, mas também da nossa mente e da nossa cultura, é uma construção psicológica subjetiva, influenciada pela variação cognitiva, emocional, social, cultural e individual que há entre pessoas diferentes e até mesmo entre sociedades distintas. 

Não conheço pesquisa sobre percepção de risco e a vontade do público de cooperar e adotar comportamentos para a proteção da saúde durante pandemias no Brasil, mas há alguns estudos internacionais já publicados, inclusive comparativos, que li esta semana. Há certas descobertas que talvez nos ajudem a compreender a resistência à cooperação neste país.

Tudo indica, por exemplo, que quanto mais a informação em circulação na sociedade é magnificada, ampliada, em ambientes familiares e amigos, maior a percepção de risco e maior a adesão às políticas de prevenção e isolamento. Ou seja, quanto maior a coesão familiar na convicção sobre o risco de morrer, maior a adesão do indivíduo a esta avaliação e maior a probabilidade de que adote comportamentos correspondentes. De colaboração ou de desobediência.

Outro fator importante tem a ver com mentalidade. Quem é mais pró-social, isto é, quem pensa que é importante fazer coisas em benefícios dos outros e da sociedade mesmo que isso lhe custe pessoalmente alguma coisa, tem mais percepção de risco e, portanto, expõe-se menos à contaminação. Por outro lado, quanto mais individualistas forem as suas visões de mundo, menos riscos as pessoas percebem. Aqui temos um componente interessante, onde a posição ideológica na polarização política é muito importante, mas também conta a diferença entre uma mentalidade mais e menos hedonista, voltada para a própria satisfação e prazer. Perspectivas individualistas e perspectivas pró-sociais são decisivas para a sensação de risco e, portanto, para a adoção ou rejeição deste ou daquele comportamento. 

Além disso, quem teve experiência direta e familiar com adoecimento grave e morte percebe, naturalmente, mais riscos em comparação com aquelas que não tiveram experiência direta. 

A confiança na ciência e no pessoal da saúde foi constante e positivamente correlacionadas com a percepção de risco. Assim como se descobriu que os homens têm percepções de riscos mais baixas do que as mulheres em muitos países. É de se esperar também, por observação, que jovens se sintam mais invulneráveis que velhos, que esportistas se considerem menos vulneráveis do que sedentários.  

A conclusão é que talvez as campanhas de comunicação nesta pandemia, as governamentais e as das empresas de jornalismo e de plataforma, não tenham entendido que comportamentos não são modificados apenas com base em informação ou dados exatos, confiáveis e atualizados. Que entre a informação, de um lado, e a atitude e o comportamento, do outro, estão os julgamentos subjetivo e intersubjetivo sobre riscos e sobre a própria imunidade. Que a sensação de risco é socialmente negociada com base nas experiências pessoais e sociais, nos valores e nas crenças na própria invulnerabilidade. Uma campanha de comunicação precisaria também ser uma campanha de comunicação de risco, para diferentes públicos, entendendo exatamente, portanto, como cada um deles avalia o próprio risco de se contaminar ou morrer. 

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01
Mar21

A Morte como Ideologia Política

Talis Andrade

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por Arnobio Rocha

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É fato que a Morte é parte da existência de todos os seres, o seu termo final, que é a certeza de quem vive, entretanto, quando uma grande tragédia abala o mundo como nessa Pandemia, a Morte passa a ser algo mais doloroso, como se fosse um evento não natural, uma ruptura radical do curso normal de cada vida, a interrupção de um ciclo por algo externo, incontrolável e mais incerto sobre quem pode morrer.

impermanência nos liga aos limites da vida, que mostra que nosso tempo é finito, ainda que já se soubesse, parece que ele se tornou mais evidente, especialmente quando as vidas estão sendo ceifadas por um doença coletiva imprevisível e sem uma cura definitiva de curto prazo, mesmo com vacinas sem certeza de sucesso, apesar de todos os bilhões gastos em pesquisas, mas a demora de vacinação, causa mais sofrimentos.

Ao mesmo tempo vive-se os extremos desse tempo louco, representado pelo Negacionismo, transformado em Ideologia cruel, que alguns identificam como NercroPolítica.

O Negacionismo infantil quase ingênuo das teorias da conspiração (algumas maravilhosas), aqueles manifestos de que há forças invisíveis, extraterrestres, máfias, sociedades secretas, poder paralelo, ou acordos super secreto de domínio da vida e que a “liberdade” está em risco permanente, sempre esteve presente e faz parte da paisagem e do folclore humano

O que não é o caso atual, há uma onda de estupidez, uma tsunami, que tomou conta do mundo de forma ampla e irrestrita, não é um mero acaso, ou um coincidência de astros (by astrólogos), ela se transformou em força política, saiu dos becos, das mesas de bares, ganhou dimensão planetária.

O atoleiro do Negacionismo que poderia começar numa brincadeira de bar, depois de internet, viraliza, vira força social, um discurso fácil, simples, de assimilação imediata, depois se transforma numa  hecatombe de proporções incalculáveis, ninguém consegue mensurar o atraso ao Brasil, por exemplo, tomado por esses anos de loucuras, de Temer, de Bolsonaro.

O país se afoga numa tragédia constante desde pelo menos 2013, ao invés de buscar ar, mergulha-se mais fundo, com Bolsonaro, eleito em 2018, parecia que era o fundo do poço, entretanto, descobre-se que há ainda o “volume morto”, aquele com água podre para chafurdar.

Todos os dias desse funesto governo foram usados para desmoralizar as instituições, a Democracia, os direitos sociais, trabalhistas e humanos. O “trabalho” de Bolsonaro e de sua família com sua trupe de mambembes ministros, foi destruir o Brasil, arrebentar com o Estado, com as riquezas, com o meio ambiente, com a economia, com o comércio exterior e a dissipação das divisas internacionais

O desprezo por 253 mil mortos, em 11 mesee, desde a primeira morte, demonstra o caráter cruel e bárbaro dessa corrente de pensamento, o Ultraliberalismo, que fez de  Bolsonaro um dos seus líderes, o que prova de forma inconteste o nenhum compromisso com a humanidade, com a vida. Riem, debocham, nenhum gesto de cautela, respeito e comiseração pelo milhares de mortos, para eles ainda é pouco.

O mundo ultraliberal celebra a Morte, menos idosos, menos peso para previdência, menos gastos com saúde, desse contingente improdutivo, é esse o cálculo mortal de Guedes e dos seus colegas do “Mercado”. Celebra, a Morte das Instituições, pois é lucrativo destruir, matar um país e viver a riqueza em qualquer outro.

É um tempo cruel demais.

24
Jan21

PGR abre inquérito contra Pazuello. Parabéns, generais!

Talis Andrade

general cloroquina.jpg

 

 

por Fernando Brito

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O Procurador Geral da República, Augusto Aras, não resistiu à pressão da corporação – e do que é seu dever, afinal – e pediu a abertura de inquérito sobre as responsabilidades do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na catástrofe de Manaus.

Vai ser um espetáculo de nudez na praça, onde se vão mesclar omissão, desídia, charlatanismo e todas as vergonhas que marcaram e marcam o arrogante e infeliz papel de um ministro que só tem como programa a obediência canina às loucuras de seu chefe, Jair Bolsonaro.

Acolhido o pedido pelo Supremo Tribunal Federal, o passo inicial será a devassa das operações do Ministério pela Polícia Federal – inclusive na “Missão Cloroquina” enviada à capital amazonense e sobre os avisos – formais e documentados – de que o desastre e as mortes de pacientes por sufocamento viriam.

Por exemplo, como explicar que oxigênio não veio, mas chegaram 120 mil caixas de cloroquina e hidroxicloroquina para serem despejadas goela abaixo dos doentes.

E é inevitável, pela mobilização de meios que seria necessária das três Forças, que sejam os militares que se vejam arrastados para dentro deste episódio trágico por permitirem que Jair Bolsonaro se servisse de um general da ativa para impor às estruturas de Saúde do país alguém que estivesse disposto a seguir sua política genocida, pró-morte e charlatã.

Por falta de aviso não foi e, agora, estão todos metidos numa sinuca de bico.

Bolsonaro não pode trocar de ministro nem Pazuello pode passar à reserva sem que qualquer dos dois atos se configure como, antes mesmo de uma confissão de culpa, uma demonstração de covardia.

E os generais, que elevaram um louco, sedento de poder, à Presidência da República e que agarraram-se, como carrapatos, às oportunidades políticas que ganharam com isso.

Era mais que avisado e aqui mesmo se disse que Pazuello apodrecia na praça e levava o Exército com ele.

A omissão dos comandantes militares – afinal, o ministro é um general da ativa – e a apropriação das Forças Armadas como ferramenta de poder, mesmo que isso significasse deixar o país entregue aos delírios negacionistas e desumanos de um sujeito que, afinal, nem para tenente do Exército servia.

Ou será que, em lugar de adminitir as baixas que seu mau comando está causando, irão investir contra o poder civil, pela audácia de achar que um general está, como qualquer um, sujeito a leis e à Constituição?

Ou vão querer que o general que ignorou o sufocar agônico de brasileiros é bom demais para sentar num banco da polícia e dar explicações?

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24
Mai20

Gana de Bolsonaro armar ‘todo mundo’ vem da sua propensão obsessiva para a morte alheia

Talis Andrade

 

anjo da morte bolsonaro.jpg

Vídeo mostrou reunião de loucos, impostores, fanáticos, aproveitadores, militares sectários, e uns poucos estarrecidos

por Janio de Freitas

 - - -

Ninguém, nem o próprio Bolsonaro, sabia que nele se escondia, até agora, uma vontade stalinista de exterminar fisicamente os ricos e os bem remediados. Sabê-lo foi, a meu ver, o mais importante efeito do vídeo —liberado em decisão retilínea do decano Celso de Mello no Supremo— da reunião de gente do governo. Como ato, a reunião está acima e abaixo de qualquer qualificativo.

A exibição justificou a expectativa, mas não pelo pretendido esclarecimento entre as versões de Bolsonaro e Moro sobre manipulações do primeiro na Polícia Federal. Tivemos o privilégio de ver e ouvir um fato, mais do que sem precedente, sem sequer algo assemelhado no que se sabe dos 520 anos brasileiros.

Foi a reunião de loucos, impostores, fanáticos, aproveitadores, militares sectários, e uns poucos estarrecidos como o então ministro Nelson Teich. E alguém que se divertiu, sem dar descanso ao ríctus irônico, às vezes insuficiente para deter o sorriso —o vice Mourão, um general, ora veja, com senso de humor.

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A exibição do ambiente de alta cafajestada, enfeitado pelo idioma doméstico de Bolsonaro, seguiu-se a uma sessão preparatória, da lavra do general Augusto Heleno e convalidada pelos generais palacianos. Resumido de corpo e ressentido típico, Augusto Heleno é dos que não falham: onde esteja, sua soma de arrogância e agressividade frutificará em problemas.

Exemplo definitivo: sua única missão propriamente militar levou a ONU ao ato inédito de pedir ao governo brasileiro a sua retirada do Haiti, onde manchou com operações desastradas e numerosas mortes o comando brasileiro de uma força internacional contra a violência local.

nota de Augusto Heleno contra Celso de Mello e o Supremo é uma dupla consagração da ignorância que nunca deveria estar no generalato. Nesse nível, tomar uma tramitação judicial corriqueira por uma medida “inaceitável e inacreditável”, de “consequências imprevisíveis” sobre a “estabilidade nacional”, é ameaça criminosa. Essas consequências silenciadas por covardia resumem-se a uma, que conhecemos. Por um acaso preciso, apenas horas antes da nota obtusa e ameaçadora a Folha trazia este título: “Militares não vão dar golpe no país”. Nota e declaração do general Augusto Heleno.

O vídeo não nega, nem reforça, a intenção de manipular a PF, já clara em fatos anteriores e posteriores à reunião. Mas o confessado propósito de proteção policial também para amigos, além de familiares, não é bondade ilegal de Bolsonaro. É necessidade e recado.

Com dois balaços, o capitão PM Adriano Nóbrega deixou de ser amizade preocupante, mas para o sumido Fabrício Queiroz, e sabe-se lá para quantos outros, continua a preocupação protetora e mútua. Isso vale vidas, em meios peculiares como milícias, gangues e tráficos.

As vidas que nada valem são outras. “Eu quero todo mundo com arma!”, “eu quero todo brasileiro armado!”, “eu quero o povo armado!”, berrou o chefe aos seus generais impassíveis e paisanos desossados.

Bolsonaro sabe que o povão maltratado, humilhado, explorado e roubado em todos os seus direitos, no dia em que também tivesse ou tiver armas, não teria dúvida sobre o alvo do fogo de sua dor secular. Adeus ricos, adeus classe média alta.

Em quase três décadas no Congresso e ano e meio com o título de presidente, Bolsonaro só teve atos e posições prejudiciais aos assalariados, aos trabalhadores aposentados, aos que sobrevivem do trabalho informal —à larga maioria brasileira, ao povo.

Para isso tem Paulo Guedes na orientação do que pode fazer para destruir os ralos programas sociais, a educação, o arremedo de assistência à saúde. A gana de armar “todo mundo” não vem de insuspeitada e extremada revolta de Bolsonaro com a desumanidade dominante no Brasil. Vem da sua propensão obsessiva para a morte alheia, até mesmo por meio de um vírus.

O desespero de Bolsonaro por certo corresponde à gravidade do que teme, se levadas com decência as investigações que o envolvam e a seus filhos maiores. Daí que a figura de Bolsonaro no vídeo seja a de quem não está longe da implosão.​

 

 

22
Mai20

Todos os homens do presidente

Talis Andrade

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Você já prestou atenção nas influências do presidente? Uma pessoa é a média de todas as suas influências

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