Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Ago21

Os “facilitadores” no governo Bolsonaro

Talis Andrade

 

vacina cpi.jpeg

 

por Cristina Serra

- - -

A maior concentração de vigaristas por metro quadrado da Esplanada gravitou (gravita?) em volta do ministério da Saúde no momento em que mais precisávamos de gente séria e especializada para salvar as nossas vidas e as de nossos parentes e amigos. 

Os holofotes da CPI da Covid no Senado jogaram luz sobre novos personagens, mostrando como se conectam as engrenagens de um submundo de crimes e trambiques em torno das grandes compras e aquisições do governo Bolsonaro. Constata-se que havia um ministério subterrâneo, operado por “facilitadores”, autodefinição de Airton Soligo, assessor do então ministro Eduardo Pazuello. 

Soligo – que tem o sugestivo apelido de Cascavel – atuou durante dois meses sem nomeação oficial, sem agenda pública, sem assinatura de atos. Uma atuação clandestina e muito conveniente para quem não quer deixar rastro nem prestar contas a ninguém, a não ser ao chefe.

Outro “facilitador” é o reverendo Amilton Gomes de Paula, que abria portas com impressionante facilidade e rapidez para negociar vacinas de vento. O repórter Lúcio de Castro, da agência de jornalismo SportLight, mostrou que Amilton tem conexões com uma complexa rede de entidades fantasmas. 

Uma delas, aberta na Flórida, nos EUA, registrou como diretores Bolsonaro, seu vice, Hamilton Mourão, o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva e um certo tenente coronel capelão Roberto Cohen. Tem todo jeito de ser picaretagem. A presidência deve explicações, mas até agora não se manifestou.

O enredo de terror tem ainda mais um militar, o coronel Marcelo Blanco, que deixou o ministério, criou uma empresa de representação na área médica e também facilitou um atalho para o notório cabo Dominguetti. Tais personagens ajudam a explicar como chegamos a ter quatro mil brasileiros mortos por dia de Covid. Hoje, ainda choramos mil mortes diárias. É como se quatro aviões caíssem todos os dias. Sem nenhum sobrevivente. 

vacina-x-bozo.jpg

 

15
Jul21

Intenção nunca foi vender as vacinas, mas ser um facilitador do negócio, diz dono da Davati

Talis Andrade

Empresário Herman Cardenas

Herman Cardenas

O lobista Herman Cardenas reconheceu que não tinha à mão nenhuma das 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. Nem da Covaxin. Representantes da empresa negociaram a venda dos imunizantes com o governo Jair Bolsonaro em fevereiro e março deste ano. A entrevista foi concedida ao jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o presidente da Davati Medical Supply, empresa com sede no Texas (EUA), a empresa seria apenas uma facilitadora do negócio entre a fabricante da vacina contra Covid-19 e o governo brasileiro, mediante uma comissão que ele não informou o valor. A AstraZeneca nega que negocie venda para empresas privadas.

Facilitador tem os seguintes sinônimos: 

“A Davati não vende vacina da Covid-19 e não tem relacionamento direto com os produtores. A razão do oferecimento da vacina para o Brasil foi porque, através de parceiros, ficamos sabendo que teria uma outra maneira de conseguir a venda", disse ele.

Facilitador é a melhor profissão que existe, ou negócio, principalmente para indivíduos espertos, e empresas anônimas ou fantasmas de um ou três funcionários. 

Facilitar tem os seguintes sinônimos, que possibilitam diferentes transas:

Ajudar, favorecendo:

1 ajudarfavorecercontribuirpropiciarpossibilitarproporcionarpromoveroportunizarbeneficiarauxiliarcolaborarapoiarassistirocasionar.

Pôr ao alcance, disponível:

2 facultardisponibilizarfranquearviabilizardaroferecercederconcederpermitirassegurargarantirprovidenciardesimpedir.

Agir de forma imprudente:

3 descuidar-sedesprevenir-se, desprecaver-se, desacautelar-se, desmazelar-sedesleixar-seexpor-sedescurar-sevacilarbobear.

Tornar mais fácil:

4 simplificardescomplicardescomplexificar, desintrincar, desenredardesembaraçar.

Prontificar-se para a realização de algo:

5 prontificar-se, oferecer-sepredispor-sedispor-seprestar-seapresentar-se, voluntariar-se.

Herman Cardenas esclarece que a Datavi Medical Supply facilitava e facilita:

- para a quadrilha do Ministério da Saúde

- para o chanceler do Brasil (na época das tenebrosas transações) Ernesto Araújo

- para o embaixador brasileiro na Índia André Aranha Corrêa do Lago

- para o presidente Jair Bolsonaro telefonar para o presidente Ram Nath Kovind

- idem para o primeiro-ministro Narendra Modi 

- para uma empresa fantasma em Singapura, Madison Biotech, receber a grana bilionária das vacinas antes da entrega

- para Precisa Medicamentos

- para a Global Saúde, especialista em venda e entrega de medicamentos para doenças raras a preço de ouro, e produtos íntimos femininos

- para o deputado Ricardo Barros redigir, apresentar e aprovar lei de exportação da pior e mais cara vacina

- para o laboratório indiano Bharat Biotech no Brasil

- para a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC) 

- para a cabo da PM de Minas Gerais Dominguetti negociar, se necessário, com general da ativa Eduardo Pazuello e o coronel Elcio Franco Filho 

Segundo o facilitador Herman Cardenas, havia grupos interessados na alocação da vacina, especificamente da Astrazeneca. "Nós nunca dissemos que tínhamos uma relação direta com a Astrazeneca e nunca foi passada essa informação para ninguém".

"Nossa intenção nunca foi vender as vacinas, mas apresentar as partes porque a Davati não tem as vacinas da Covid. Não tínhamos a garantia que conseguiríamos oferecer as 400 milhões de doses da vacina. O número apareceu em nossa proposta porque, quando perguntamos ao Cristiano quantas doses o Brasil precisava, ele disse que a população do Brasil é de cerca de 200 milhões de pessoas", continuou.

O empresário disse que calculou duas doses por pessoa, mas que esse número "nunca foi uma garantia". "Nunca dissemos que tínhamos as 400 milhões de vacinas na oferta", prossegue Cardenas. "Cristiano nos pediu para ajudar o governo a achar os 400 milhões".

Cardenas diz não ter ouvido relato de pedido de propina na negociação e criticou seu representante no Brasil para o negócio, Cristiano Carvalho, que, segundo o empresário, é um vendedor autônomo e representou a empresa apenas nesta tentativa de negociação. Cristiano depõe nesta quinta-feira (15) na CPI da Covid, no Senado.

 

04
Fev21

Deltan disse não se sentir "confortável" em defender Zucolotto amigo de Moro acusado de caixa 2 e extorsão

Talis Andrade

Resultado de imagem para tacla duran + sergio moro charges

ConJur - O procurador Deltan Dallagnol, ex-coordenador da "lava jato" no Paraná, disse em 2017, durante conversa com colegas do Ministério Público Federal, que não se sentia "confortável" em endossar totalmente a defesa que Sergio Moro fazia de seu amigo Carlos Zucolotto Júnior. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo

Zucolotto é advogado trabalhista, ex-sócio de Rosângela, esposa de Moro, e padrinho do casamento deles. Ele foi acusado de intermediar negociações paralelas na "lava jato" em troca de pagamentos por meio de caixa dois. 

[Negociações paralelas: pagar por fora propina para ser beneficiado com uma delação premiada, e receber uma pena leve por crimes praticados na Odebrecht. É um caso nebuloso. Tanto que deputados petistas tentaram realizar uma CPI, barrada por deputados amigos de Moro & Temer, Moro & FHC, Moro & Álvaro Dias, Moro & Aécio, Moro & Bolsonaro, Moro & Doria, Moro & Witzel. 

Revelou Tacla Duran: "Paguei para não ser preso". Uma extorsão no valor de US$ 5 milhões.

Tacla Duran diz ter pago uma primeira parcela de US$ 612 mil ao advogado Marlus Arns, mas afirma que se recusou a pagar o restante.

De um documento enviado ao Ministério Público da Suíça pelos advogados de Tacla Duran: "Tacla foi extorquido e ameaçado [...] e temor por sua vida o levou a pagar uma parte da extorsão. O advogado Marlus Arns, que recebeu o pagamento --dinheiro que é apontado como uma das justificativas para o bloqueio das autoridades suíças-- já tinha trabalhado com a mulher do [ex] juiz Sergio Moro, sendo outro sócio o advogado Carlos Zucolotto Junior, que também foi sócio da mulher de Moro, e que hoje trabalha com lobista profissional", dizem os advogados à Suíça, associando a extorsão ao tráfico de influência dentro da operação. Zucolotto já foi alvo de acusações de Tacla Duran. Apesar da repercussão do caso, nem o Judiciário principalmente, nem o Congresso, nem o Governo Federal, o fisco, tiveram interesse em uma investigação séria, imparcial]

Embora não tenha sido citado na acusação, Moro rapidamente saiu em defesa do amigo.  "O advogado Carlos Zucolotto Jr. é meu amigo pessoal e lamento que o seu nome seja utilizado por um acusado foragido e em uma matéria jornalística irresponsável para denegrir-me", disse o então juiz em uma nota publicada na Folha

O "acusado foragido" citado por Moro é Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht e responsável por acusar Zucolotto do esquema de caixa dois. Segundo Duran, Zucolotto intermediava negociações de delação premiada com o MPF em troca de dinheiro. 

Logo após a defesa de Moro ser publicada na Folha, Dallagnol passou a discutir com outros procuradores se o MPF deveria se posicionar em relação à denúncia feita contra Zucolotto. Na conversa, o então chefe da "lava jato" primeiro copia aos colegas mensagens enviadas a Moro. 

"A princípio não íamos fazer nada, pois uma nota acaba gerando uma segunda onda de notícias. Que Mônica Bergamo ia publicar, não tinha dúvida. Da maneira como publicou fica claro que não foi adianta [adiante] na tentativa de investigar os fatos. Estamos monitorando as repercussões. Se a reportagem reverberar em outros órgãos de imprensa sérios, é o caso de posicionamento. Mas se você quiser que façamos nota, nós faremos hoje mesmo", disse Dallagnol a Moro.

Em seguida, o procurador complementa aos colegas de MPF: "Talvez seja o caso de fazermos uma nota, apesar de objetivamente não ser o caso, somente para dar suporte ao Moro. Prefiro notas curtas, pois não me sinto confortável em endossar totalmente o Moro em relação ao Zucolotto."

No fim das contas, a "lava jato" de Curitiba divulgou uma nota com 11 parágrafos repudiando as acusações de Tacla Duran contra o padrinho de casamento de Moro. 

[Existem outros casos de extorsão na Lava Jato. O mais famoso deles: Dario Messer]

O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) afirmou, em vídeo divulgado na internet, que o depoimento do advogado Rodrigo Tacla Duran à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, na manhã desta quinta-feira, é “elucidativo” no sentido de mostrar que a Operação Lava Jato “é um absoluto cenário fora da lei, de atentados à Constituição, a direitos fundamentais, de desrespeito ao Estado democrático de direito”.

"Percebi que havia uma ansiedade do Ministério Público em obter a confirmação de fatos alegados contra mim para que eu confirmasse, para que se fechassem casos apenas com delação premiada, sem comprovação dos fatos, sem investigar, sem inquéritos. Esse é o sentido da ‘indústria de delação’. Indústria da delação porque estão fechando processos penais batendo carimbo, sem investigar.”

Segundo ele, os procuradores Deltan Dallagnol (famoso pelas “convicções” apresentadas contra Lula pelo PowerPoint), Carlos Fernando Santos Lima, Roberson Pozzobon e Júlio Noronha participaram das negociações.

08
Dez20

Moro condenou empreiteira a contratar serviços de sua empresa nos Estados Unidos

Talis Andrade

vaza jato moro nunca mais nani2.jpg

 

Quando começou o chamego? A paixoneta de Sergio Moro pelos gringos?  Quando oficializado o 'noivado' com a empresa Alvarez & Marsal? 

Foi um amor casual ainda ele juiz ou quando ministro de Bolsonaro? 

Certo, só agora o casamento foi anunciado, mas isso não é coisa que acontece do dia pra noite, pois envolve milhões da A&M, bilhões de dólares de empresas em recuperação judicial, mudança de país, e novos e altos negócios.

Sei que essa relação só será conhecida no seu suspeito, perigoso e inacreditável começo se quebrados os sigilos que protegem um magistrado, um ministro de Estado, ou um capo de uma poderosa organização criminosa que perseguiu presidentes, senadores, governadores, deputados, inclusive ministros do STF que, acovardados ou com rabo preso, não ousaram ensaiar uma contrapartida, um revide, um simples temeroso troco.

A cada dia surgem novas evidências que tornam cada vez mais questionáveis as relações do ex-juiz e ex-ministro, Sérgio Moro, com a consultoria norte-americana A&M, que irá atuar na recuperação judicial do Grupo Odebrecht e da OAS, duas das construtoras condenadas e destruídas por Moro durante a autodenominada Operação Lava Jato.

Na sentença proferida por Moro, em março de 2016, ao condenar o empreiteiro Marcelo Odebrecht, ele recomendou que o Grupo Odebrecht fechasse acordos de leniência e que também adotasse medidas de “compliance”.

No conteúdo da sentença, Moro cita explicitamente que a Odebrecht deveria “recuperar a sua reputação”, através da adoção “de sistemas internos mais rigorosos de compliance“. (Esses contratos já foram assinados e pagos?)

Agora, quatro anos após a sentença, Moro vai trabalhar justamente como sócio-diretor da Alvarez & Marsal para cuidar, recuperar a 'reputação', a virgindade do Grupo Odebrecht, por meio de compliance, palavrinha que a Lava Jato colocou em moda no Brasil. Tanto que procuradores da mesma Lava Jato estão abrindo escritórios de compliance, tal como Moro agora ousa e faz, sendo que numa empresa norte-americana, com mais de cinco mil funcionários espalhados por mundos jamais sonhados pelo juizeco de Maringá onde tudo ficou tão triste. 

A empresa dos EUA, país que teve uma relação direta com as investigações secretas executadas pela Operação Lava Jato que, conforme já ficou comprovado por meio de documentos oficiais, sofreu uma participação direta do FBI e outros serviços de inteligência e espionagem, Alvarez & Marsal vai receber a bagatela de R$ 34,8 milhões para administrar a recuperação judicial da Odebrecht.  

Será que Moro vai fazer lóbi para conseguir mais empresas brasileiras?

Para trabalhar como sócio-diretor da A&M, Moro irá receber um salário anual de R$ 1,7 milhão por ano. Como juiz, recebia por ano R$ 410 mil, sem contar os benefícios indiretos. 

O anúncio, no mínimo escandaloso, do novo sócio foi feito no dia 29 de novembro, e provocou uma série de reações no mundo jurídico e no cenário político do país, diante do comportamento aético e imoral do ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro, do governo da extrema-direita, da velha política que Bolsonaro representou com deputado. 

vaza jato ouvidos moucos.jpg

 

05
Dez20

MORO Mentiras, farsas e trapaças - 6

Talis Andrade

moro mentiroso .jpg

 

Moro mente. Além de ser um Pinóquio, é um fantoche”, discursou Fernando Haddad na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo. 

O ato foi convocado pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), que conta com mais de 2 mil associados, entre juízes, desembargadores, acadêmicos cujo objetivo é denunciar violações de direitos. E celebrou oficialmente o lançamento da campanha #MoroMente, que precisa ser reativada.

As ações têm como objetivo “explicar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato”, afirma a entidade. Foram lidos dois documentos: uma carta da ABJD sobre a campanha e outra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político pela operação.

Haddad subiu o tom contra Moro, a quem atribuiu “todas as ilegalidades possíveis para bancar uma história, inventar provas para tirar Lula da disputa presidencial, que ele ganharia”. O objetivo de Moro? Colocar no poder o seu projeto da extrema-direita, que culminou na eleição de Bolsonaro (PSL), tornado evidente, segundo operadores de direito, quando o ex-juiz só deixou a condução promíscua da Operação Lava Jato – como revelado pela Vaza Jato – para assumir um cargo no governo que ajudou a eleger.

Desonra militar

Clamando por justiça, Haddad expôs outra face do projeto de poder de Moro e Bolsonaro: o entreguismo. O petista fez um apelo àqueles que, teoricamente, deveriam se dedicar à defesa do país: as Forças Armadas. “Ficamos atônitos também com o comportamento dos militares bolsonaristas. Temos de começar a chamar as coisas pelo nome. Não podemos chamar de Forças Armadas uma meia dúzia de generais entreguistas. Desonram a pátria e desonram o Brasil, entregando o patrimônio nacional.”

Haddad lamentou a postura desses militares bolsonaristas em desafiar as instituições. “A cada momento em que o STF é chamado a fazer Justiça, entra no circuito um militar bolsonarista ameaçando, dizendo que tem homens armados, tuitando para constranger os ministros. Me pergunto o que se passa na cabeça de alguém que chegou a general diante de tanta entrega do patrimônio nacional. Temos que libertar o Judiciário da intimidação, para que cumpram seu dever e declare esse processo uma farsa.”

05
Dez20

Moro condenou empreiteira a contratar serviços de sua empresa nos Estados Unidos

Talis Andrade

vaza jato moro nunca mais nani2.jpg

 

Quando começou o chamego? A paixoneta de Sergio Moro pelos gringos?  Quando oficializado o 'noivado' com a empresa Alvarez & Marsal? 

Foi um amor casual ainda ele juiz ou quando ministro de Bolsonaro? 

Certo, só agora o casamento foi anunciado, mas isso não é coisa que acontece do dia pra noite, pois envolve milhões da A&M, bilhões de dólares de empresas em recuperação judicial, mudança de país, e novos e altos negócios.

Sei que essa relação só será conhecida no seu suspeito, perigoso e inacreditável começo se quebrados os sigilos que protegem um magistrado, um ministro de Estado, ou um capo de uma poderosa organização criminosa que perseguiu presidentes, senadores, governadores, deputados, inclusive ministros do STF que, acovardados ou com rabo preso, não ousaram ensaiar uma contrapartida, um revide, um simples temeroso troco.

A cada dia surgem novas evidências que tornam cada vez mais questionáveis as relações do ex-juiz e ex-ministro, Sérgio Moro, com a consultoria norte-americana A&M, que irá atuar na recuperação judicial do Grupo Odebrecht e da OAS, duas das construtoras condenadas e destruídas por Moro durante a autodenominada Operação Lava Jato.

Na sentença proferida por Moro, em março de 2016, ao condenar o empreiteiro Marcelo Odebrecht, ele recomendou que o Grupo Odebrecht fechasse acordos de leniência e que também adotasse medidas de “compliance”.

No conteúdo da sentença, Moro cita explicitamente que a Odebrecht deveria “recuperar a sua reputação”, através da adoção “de sistemas internos mais rigorosos de compliance“. (Esses contratos já foram assinados e pagos?)

Agora, quatro anos após a sentença, Moro vai trabalhar justamente como sócio-diretor da Alvarez & Marsal para cuidar, recuperar a 'reputação', a virgindade do Grupo Odebrecht, por meio de compliance, palavrinha que a Lava Jato colocou em moda no Brasil. Tanto que procuradores da mesma Lava Jato estão abrindo escritórios de compliance, tal como Moro agora ousa e faz, sendo que numa empresa norte-americana, com mais de cinco mil funcionários espalhados por mundos jamais sonhados pelo juizeco de Maringá onde tudo ficou tão triste. 

A empresa dos EUA, país que teve uma relação direta com as investigações secretas executadas pela Operação Lava Jato que, conforme já ficou comprovado por meio de documentos oficiais, sofreu uma participação direta do FBI e outros serviços de inteligência e espionagem, Alvarez & Marsal vai receber a bagatela de R$ 34,8 milhões para administrar a recuperação judicial da Odebrecht.  

Será que Moro vai fazer lóbi para conseguir mais empresas brasileiras?

Para trabalhar como sócio-diretor da A&M, Moro irá receber um salário anual de R$ 1,7 milhão por ano. Como juiz, recebia por ano R$ 410 mil, sem contar os benefícios indiretos. 

O anúncio, no mínimo escandaloso, do novo sócio foi feito no dia 29 de novembro, e provocou uma série de reações no mundo jurídico e no cenário político do país, diante do comportamento aético e imoral do ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro, do governo da extrema-direita, da velha política que Bolsonaro representou com deputado. 

vaza jato ouvidos moucos.jpg

 

01
Dez20

"Moro é um pistoleiro de aluguel"

Talis Andrade

cacinho moro lobista arma.jpg

 

 

247 - O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, chamou na TV 247 o ex-ministro Sergio de Moro de "pistoleiro de aluguel" e "vagabundo" ao comentar o novo emprego do também ex-juiz da Lava Jato na empresa Alvarez & Marsal, que cuida da recuperação judicial da Odebrecht e OAS, construtoras que Moro ajudou a destruir com a força-tarfefa de Curitiba.

"Quando o Moro estava no auge, perseguindo o PT e uma monte de gente elogiando, eu falei várias vezes: esse Moro é um vagabundo, uma figura de quinto plano da burguesia. Pegaram ele lá no Paraná, um promotor de província, e botaram para fazer sujeira. É um vagabundo, sempre foi um vagabundo e não foi nunca nada mais que um vagabundo, um ladrão de galinha. Agora ele está defendendo a Odebrecht. Quer dizer, esse é um pistoleiro de aluguel, é um vagabundo, e a burguesia, para fazer essas operações extremamente sujas, contrata gente desclassificada mesmo: Moro, Dallagnol e outros, o próprio Fux no STF. O Moro toda hora dá mais uma demonstração de que ele é um vagabundo", afirmou Rui.

A jornalista Tereza Cruvinel, mais cedo, disse à TV 247 que Moro joga a "pá de cal" em sua biografia aceitando o novo trabalho.

 
01
Nov20

Ou havia lobista ou havia mentiroso no governo. O lobby é falso. Então...

Talis Andrade

rogerio-marinho-e-paulo-guedes.jpg

Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, e Paulo Guedes, da Economia. No embate de agora, não há nem mesmo empate. Guedes contou uma lorotaImagem: Isac Nóbrega/PR; "Hugo Harada/Gazeta do Povo

por Reinaldo Azevedo

- - -

Como o ministro da Economia, Paulo Guedes, não sabe o que fazer ou que rumo tomar, então ele ataca. Ao participar de audiência pública no Congresso, chamou a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) de "casa de lobby" e disse que ela financia um ministro gastador. Referia-se a Rogério Marinho, titular do Desenvolvimento Regional. Nas suas palavras:

"A Febraban é uma casa de lobby, muito honrada, muito justo o lobby, mas tem que estar escrito na testa 'lobby bancário', que é para todo mundo entender do que se trata. Inclusive, financiando estudos que não têm nada a ver com a atividade de defesa das transações bancárias. Financiando ministro gastador para ver se fura o teto, para ver se derruba o outro lado".

Alguém percebeu algo de ruim no que leu até agora? Acho que não. E vai ficar melhor. Leiam mais:

"O acordo de cooperação técnica firmado entre o MDR e o Pnud prevê que o estudo não será custeado com recursos públicos. Com isso, a Febraban e entidades do Sistema S bancarão as despesas, estimadas em R$ 20 milhões."

Em nenhum momento se fala em furar o teto de gastos. O objetivo é precisamente outro: mobilizar investimentos da iniciativa privada. Afirma o documento:

"Devem ser desenhadas ações de curto, médio e longo prazos, com indicação de novos modelos de negócios que abram espaço para investimentos públicos e privados com foco na redução das desigualdades regionais. A estratégia também permitirá o financiamento privado apoiado por mudanças legais e infralegais que tragam segurança legal e institucional, com o objetivo de atendimento à política liberal adotada pelo governo federal."

Por que Guedes está tão zangado com Marinho nesse caso? Só a sua inação, a sua incapacidade de coordenar uma equipe tão grande e a sua frustração explicam o chilique. Então vamos pela ordem:

- o acordo é firmado com um órgão da ONU;

- o Ministério do Desenvolvimento Regional fez esse acordo de cooperação técnica apenas;

- o que se quer é estimular o capital privado nesses projetos;

- uma das propostas está ligada a obras no semiárido nordestino a partir da concessão de áreas para irrigação.

Goste-se ou não de Marinho, é evidente que isso não faz do ministro uma marionete do lobby da Febraban, que, segundo Guedes, estaria atuando fora da sua área. Alguém aí enxerga algum de mal em que entes privados e suas respectivas entidades de classe banquem estudos que busquem novos modelos de financiamento de obras que não dependam de recursos públicos — aqueles que já não existem hoje? 

Com a devida vênia, Guedes está irritado é com a própria paralisia e com a ineficácia de seu jeito destrambelhado de fazer as coisas. Então resolveu disparar contra o desafeto. Afirmei no programa O É da Coisa, na BandNews FM, que o ministro da Economia havia deixado o governo numa situação muito ruim: ou este abriga um lobista ou abriga um mentiroso — eventualmente as duas coisas.

Como se nota, a história de que a Febraban faz lobby para financiar um ministro gastador, fura-teto, é lorota. Isso é conversa de quem não faz, mas também não deixa que façam.

O ministro da Economia estava furioso porque o tal decreto que colocava as Unidades Básicas de Saúde no escopo das parcerias público-privadas teve de ser retirado por Bolsonaro. Houve uma grita generalizada contra o texto, e, como ficou evidente, o próprio ministro não conseguiu explicar o que queria.

A verdade é que o tempo de Guedes no governo vai se esgotando. Seu repertório, como já afirmei aqui tantas vezes, é velho. Estúpido foi fazer um decreto envolvendo a rede primária de entendimento à Saúde sem falar com ninguém e sem dar explicações. Essa inciativa de Marinho, que ele atacou com ferocidade, deveria ser aplaudida.

Mas a sua arrogância incompetente não deixa. 

 

31
Ago20

Relação de matérias censuradas no Jornal GGN pela justiça inimiga da liberdade de imprensa

Talis Andrade

censura.jpg

 

por Marcelo Auler

- - -

Xadrez rápidoMoro usa Globo para calar Veja e atinge Deltan, em 19/07/2019

Pallocci revela, mais uma vez, que é o delator Bom Bril, com mil e uma utilidades

 

Quanto ganha o BTG com os aposentados no Chile e o fim do discurso do Banco Mundial, em 21/07/2019

 

Xadrez de Moro, Dallagnol e Bolsonaro, e a busca do inimigo externo, em 23/08/2019

 

As manobras por trás das mudanças no COAF, em 28/08/2019

Nas mãos de Sérgio Moro, o COAF seria utilizado como instrumento de poder e chantagem – como efetivamente foi. Daí a razão da mudança não ter provocado nenhum abalo na opinião pública. Nas mãos do BC de Campos Neto, como órgão decorativo

 

Vaza Jato: o lobby de Deltan com a amiga de Eike Batista, em 02/09/2019

Patrícia Coelho foi consultora do empresário, é próxima de Andre Esteves, do BTG Pactual, tem contratos com a Petrobras e teria doado R$ 1 milhão para o “Instituto Mude”

 

Xadrez da grande jogada do BTG com a Zona Azul, em 06/12/2019

Toda a lógica da licitação é de uma autêntica Operação de Antecipação de Receita (ARO), vetada pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

 

Zona Azul: como fazer uma licitação de cartas marcadas, em 09/12/2019

Fica evidente que todo o projeto foi preparado pelo BTG.  Com três meses de gestão, seria impossível Dória montar um projeto detalhado, cujos pontos básicos foram mantidos até o fim.

 

Prefeitura de SP instaura monopólio no Zona Azul em leilão do serviço à empresa ligada do BTG, em 11/12/2019

Gestão Bruno Covas confirma leilão que retira mais de 10 empresas do mercado; Sem concorrentes, tendência é aumento do preços aos usuários

 

Zona Azul: pode-se confiar no Tribunal de Contas do Município? em 22/01/2020

Em vez do contribuinte, através da Prefeitura, ser o beneficiário dessas ativos intangíveis, a licitação passará para o BTG sem custo algum – já que o valor da outorga se refere apenas à exploração do CAD.

 

O silêncio geral em relação ao BTG e à licitação da Zona Azul, em 20/07/2020

Entre os negócios do BTG Pactual está a rede de estacionamentos Estapar, que ganhou polêmica licitação da Zona Azul em São Paulo

 

Mais uma compra de banco de dados públicos tendo por trás o BTG, em 29/08/2020

No dia 22 de agosto passado, o Ministério da Economia resolveu assumir a responsabilidade pelos contratos e empurrar clube de desconto goela abaixo do funcionalismo.

censura.png

 

20
Jan20

Demori: nova Vaza Jato demonstra lobby entre jornalistas e procuradores

Talis Andrade

 

information__gatis_sluka.jpg

 

247 - O jornalista do Intercept Brasil Leandro Demori destacou no Twitter que houve "lobby" entre jornalistas do site O Antagonista e procuradores da Operação Lava Jato. Demoro respondeu a uma pergunta feita por um internauta se não houve quebra de sigilo da fonte ao divulgar um trecho dos diálogos entre repórteres e membros da Lava Jato. 

"Boa pergunta. Resumindo: Não. Sigilo de fonte é direito do repórter, não obrigação dos demais. Mais: procurador derrubando presidente de estatal; jornalista instigando procurador a investigar desafetos; fazendo campanha com MPF; nada disso é relação com fonte. É lobby", escreveu o jornalista no Twitter. [Pode ser corrupção da grossa, acrescenta este correspodente. - Quanto custa na bolsa de valores de Nova Iorque, para um exemplo, a nomeação ou queda de um presidente do Banco do Brasil? Informação privilegiada a origem das maiores fortunas. Idem os empréstimos a fundo perdido]

De acordo com reportagem dos jornalistas Glenn Greenwald Rafael Moro Martins, Rafael Neves e João Felipe Linhares, "em fins de 2018, a força-tarefa municiou com documentos o site comandado pelos jornalistas Diogo Mainardi, Mario Sabino e Claudio Dantas para alimentar notícias que evitassem que o ex-presidente da Petrobras Ivan Monteiro ocupasse a presidência do banco. Monteiro era o nome mais forte entre os cotados para assumir o BB, uma escolha do ministro da Economia Paulo Guedes – a ele era dado o crédito por ter salvado as contas da Petrobrás".

"O comentarista Diogo Mainardi, dono e editor do site, acatou pedido de Dallagnol e parou de publicar notícias sobre um escândalo de corrupção que envolvia a Mossack Fonseca, um escritório de advocacia acusado de abrir empresas offshore no Panamá", continua o texto.

Leandro Demori@demori

Boa pergunta. Resumindo: Não. Sigilo de fonte é direito do repórter, não obrigação dos demais. Mais: procurador derrubando presidente de estatal; jornalista instigando procurador a investigar desafetos; fazendo campanha com MPF; nada disso é relação com fonte. É lobby. https://twitter.com/mfcordeiro2/status/1219263444576350208 

Mauro Cordeiro@mfcordeiro2
Respondendo a @demori

Não seria ilegal revelar a fonte jornalistica de outro veículo de imprensa? Inclusive com a conversa privada dessa fonte com o jornalista?

 

jornalismo imprensa informação indignados.jpg

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub