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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

29
Jul22

Quando a máfia dos cassinos encontra a ultradireita

Talis Andrade

Quando a máfia dos cassinos encontra a ultradireita e os evangélicos 

 

por Luis Nassif

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Peça-chave no financiamento e apoio à ultradireita, o lobby dos cassinos está entre os setores que mais ambicionam destruir regulações civilizatórias, transitando na fronteira da ilegalidade.

Desde que assumiu o governo, quando indagado, Jair Bolsonaro faz jogo duplo.

É pressionado pelo Centrão a legalizar os jogos de azar, o que motivou inclusive, Paulo Guedes, a defender em fevereiro de 2020 a entrada dos cassinos no país e junto com este grupo está o seu filho, Flávio Bolsonaro, lobista de cassinos em Las Vegas. Do outro lado, está a pressão da bancada evangélica a vetar a proposta. Resultado: Bolsonaro se compromete com o veto, sem esforços para impedir que o Congresso o derrube.

10
Abr22

O bezerro de ouro

O Estado brasileiro foi capturado pelo crime organizado da corrupção. O tesouro virou propriedade do

Talis Andrade

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por Gustavo Krause

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Poder e Estado são palavras de amplo significado. As ciências sociais delas se ocupam como fenômenos em tempos e formas distintas. Segundo Weber, passam a ter uma relação simbiótica na medida em que o Poder “é toda chance, seja ele qual for, de impor a própria vontade numa relação social, mesmo com a relutância dos outros”. Esta chance é o Estado racional, como espaço de dominação, que “exerce o monopólio da coação física legítima”.

É melhor ficar por aqui. O campo teórico é muito vasto. Neste ano, Poder e Estado são objetos de acirrada disputa eleitoral. E neste procedimento, nossa cultura política mostra rugas e males de um carcomido padrão de comportamento, aferrado às raízes históricas do patrimonialismo.

As campanhas, formalmente disfarçadas de pré-candidaturas, estão nas ruas. Ao arrepio das leis, os postulantes fazem propaganda e pedem votos. Concluído o prazo da “janela de infidelidade”, cada um se agrupa em busca da reeleição. Com uma especial característica: o nosso Parlamento é o mais caro do mundo.

Debate sério e programas partidários, nem pensar. O que está em jogo é o Poder e a consequente captura do Estado como uma fonte inesgotável de privilégios e favores: uma espécie de terra prometida onde jorra mel da fortuna para poucos e fel dos desmandos para muitos. O que vale é “se dar bem”. Às favas o interesse público.

Apurados os votos, o governismo impenitente prevalecerá: o mandato é um valioso ativo no jogo “toma lá dá cá”. No mercado de capitais, se investe em ações; na eleição, em votos.

Resultado: o estado brasileiro é o inferno burocrático para o cidadão comum e o paraíso de delinquentes e associados. Estes associados são os cães farejadores da origem e do destino dos recursos públicos: saúde, educação, obras e emendas/municípios.

Sempre “amigos” e aduladores dos poderosos, são bregas, “simpáticos” ou “paus-mandados”. Lobistas devidamente regulamentados? Jamais, o PL 6232 de Marco Maciel é de 1990. Aperfeiçoaram e organizaram o crime da corrupção na captação e manejo dos valores: do pixuleco às rachadinhas; do dinheiro vivo às criptomoedas.

A cada escândalo sucede outro numa velocidade que anestesia a indignação. O mais recente envolve autoridades e pastores. Transformaram o tesouro num mundano “Bezerro de Ouro” de forma tão literal que exigiram pepitas do melhor quilate. Isso, pagamento em barras de ouro!

PS. Recomendável a releitura bíblica: os fariseus, vendilhões do Templo, esgotaram a santa paciência de Cristo e tiveram a reação merecida.

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26
Dez21

Um marco a seguir

Talis Andrade

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A Câmara de Deputados aprovou, em quarenta minutos, a PEC 200/2016 que isenta de IPTU os templos religiosos alugados. Em 1984, o então Senador Marco Maciel apresentou o projeto de lei 293 com o objetivo de regular a atividade de lobby a exemplo das democracias maduras. Em 1990, reapresentou o projeto 6132. Em 2003, sumiu do mapa.
Aprovado, evitaria muita roubalheira no “escurinho do cinema”. Hoje, tramitam no Legislativo 14 projetos sobre o tema. O relógio de Maciel estava quatro décadas adiantado.

 

por Gustavo Krause

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O tempo é uma realidade misteriosa. Talvez, o tema mais complexo para as ciências e a teoria do conhecimento em toda sua amplitude. Desafia matemática, física; inspira a criação literária e a epifania da construção musical; revela com a força da fé a linearidade e a profundidade do Eterno.

Pragmaticamente, a humanidade decompôs o tempo em quantidades: codificou as cores no que chamamos estações; por motivos variados – religiões, revoluções, culturas, homenageia homens/mitos, animais – e, assim, entre pausas e rituais, criou calendários para medir a dúbia mensagem de ida sem volta.

É um desafio insuperável compreender este fenômeno quando a finitude e a infinitude batem nas nossas portas. Por enquanto, o leitor imagina que vou enviar (o que é verdade) um abraço que sela amistosamente a chegada de mais um ano.

Não é somente isso. A experiência como parlamentar deu um nó no meu juízo na lida com o tempo. Explico: semana passada, dia 17/12, a Câmara de Deputados aprovou, em dois turnos, proposta de emenda constitucional (PEC) 200/2016 que isenta do pagamento do IPTU os templos alugados. Tudo aconteceu em 40 minutos.

O outro lado da medalha: em 1984, Projeto de Lei 293 do Senador Marco Maciel propunha a regulamentação do lobby no Brasil, aliás, projeto de méritos reconhecidos e que colocava o Brasil entre as democracias que regulam a atividade. Atividade que, uma vez regulada e transparente, é um mecanismo legal de acesso aos parlamentares com o objetivo de explicar, esclarecer, legítimos interesses, sob o primado da transparência.

Nada feito. O projeto foi arquivado. Perseverante, Maciel, em 1989 reapresentou o projeto, sob o número, 203, aprovado no Senado e encaminhado à Câmara com o número 6132 (02/6/1990). No dia 13 de março de 2003, ocorreu o registro da última movimentação do projeto. Bem que poderia ser “aqui jaz uma iniciativa moralizadora das relações entre o Poder e os lobbies”. Muita roubalheira seria evitada. Prevaleceu o escurinho do cinema que permite intimidades picantes.

Atualmente, tramitam cerca de 14 propostas, subscritas por autores dos mais diversos partidos, lamentavelmente, submetidas ao domínio dos podres poderes que escandalizam o Brasil. Corporações, grupos de pressão, apetites fisiológicos, transformaram as eleições de 2022 numa empresa Unicórnio (startup de um bilhão de dólares).

A aprovação das Emendas do Relator, com aval do STF, foi o último ato da trágica peça do ano de 2021.

Saudoso amigo, Maciel, você é um Marco a ser seguido. O seu relógio estava adiantado décadas.

26
Nov21

Cantanhêde, os negros e a escuta telefônica que revelaria racismo de Moro

Talis Andrade

aroeira  moro botava a mão no fogo por bolsonaro

 

 

Em 2005, quando era juiz, o pré-candidato a presidente pelo Podemos foi alvo de escuta clandestina, que captou conversa comprometedora dele com o "compadre" e lobista Carlos Zucolotto Júnior

por Joaquim de Carvalho

A jornalista Eliane Cantanhêde elogiou Sergio Moro na Globonews, depois de revelar que tomou café com ele e se convenceu de que tudo conspira seu favor. Até porque, segundo a jornalista, o ex-juiz "nunca prendeu preto pobre".  Cantanhêde errou duplamente. 

Em 2013, Moro prendeu pobres agricultores de Irati, no Paraná, que recebiam menos de 700 reais por mês de um programa ligado ao Fome Zero e foram acusados de falsificação de documento público, falsidade ideológica, estelionato e associação criminosa. 

Um deles recebeu recebeu intimação para entregar iate que seria de sua propriedade. O agricultor não tinha sequer charrete. Mais tarde, foram todos absolvidos pela juíza Gabriela Hardt. Era um processo sem pé nem cabeça, gestado por Moro, Polícia Federal e Ministério Público Federal.

Moro também teria sido flagrado em uma escuta clandestina em conversa de teor racista com o amigo dele Carlos Zucolotto Júnior, que é advogado e lobista. 

Moro havia mandado prender algumas pessoas por crime financeiro e, em razão disso, apareceu no noticiário de TV do Paraná. Zucolotto lhe telefonou para dizer que o amigo estaria famoso, e Moro teria feito comentários racistas sobre a cor da pele de um dos presos.

Coloco o verbo no condicional porque não ouvi os CDs que integram processo movido por Moro em que o advogado Roberto Bertholdo foi acusado de realizar as escutas ilegais. Mas duas pessoas que tiveram acesso à gravação me confirmaram o conteúdo.

O processo é uma das aberrações jurídicas que compõem a trajetória de Sergio Moro no Judiciário. Quando tomou conhecimento da escuta, ele mesmo abriu a investigação e tomou as primeiras providências como juiz. Mais tarde, pressionado, admitiu a suspeição, e o caso foi para outro magistrado.

Quando o recurso à condenação de Roberto Bertholdo foi parar no STF, um dos ministros, Napoleão Nunes Maia Filho, considerou ação de Moro no processo extravagante. Como vítima, Moro não poderia conduzir a ação, nem em sua fase inicial.

Em 2006, Bertholdo, quando estava preso sob outra acusação, que incluía lavagem de dinheiro e tráfico de influência, mandou a filha entregar à jornalista Denise Mello, da rádio Bandnews em Curitiba, os CDs com o conteúdo das gravações.

Moro também prestou depoimento, conforme o relato que integra o processo no TRF-4:

” (…) foram ouvidas as conversas referentes às fitas apreendidas e que constam nos autos, podendo o depoente reconhecer sua própria voz e diálogos mantidos com o Delegado de Polícia Federal Paulo Roberto Falcão, com o Procurador da República Vladimir Aras, com a Desembargadora Maria de Fátima Labarrère, com o Promotor de Justiça do Estado do Paraná Cruz (de Maringá), com um amigo de nome Carlos Zucolotto, com familiares (filha e esposa) e, segundo lhe parece, também uma conversa com o DPF Luiz Pontel “(fls. 11/12 do Apenso I, volume I).

Apenas a partir desse instante (da obtenção dessa prova) é que o Magistrado pôde ser considerado vítima do delito estando, assim, impedido para o julgamento do feito. O MP, na mesma data da oitiva do Julgador, ingressou com a respectiva Exceção (fls. 281/284, do apenso V, volume II). Em 29.08.05, Sérgio Moro acolheu o pleito, dando-se como impedido (fl. 285 do apenso V, volume II).”

A acusação contra o advogado Bertholdo foi feita pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que já tinha trabalhado com Moro no caso BanEstado e mais tarde, por ocasião da Lava Jato, voltaria a atuar na jurisdição dele, como integrante da equipe de Deltan Dallagnol.

Moro foi representado no processo pela esposa, advogada Rosângela, e pelo amigo Zucolotto.

Em novembro de 2017, eu conversei com a jornaista Denise Mello. Ela já não estava mais na Bandnews, emissora que pertence ao empresário Joel Malucelli, suplente do senador Álvaro Dias e do cículo de relacionamento de Moro. Quando falei com Denise, ela trabalhava na Banda B, outra emissora de Curitiba.

Pouco antes de entrar no ar, Denise falou comigo por telefone. “Lembro vagamente desta história”, contou. Você prestou depoimento à Justiça? “Não lembro, posso ter prestado”. Quando eu li o que a Justiça relatou sobre seu depoimento, ela disse que ocorreu, sim, o depoimento, mas que não havia registrado na memória em razão da falta de notoriedade do Moro à época.

“O Moro não era ainda o MORO, entende?”, comentou. Houve alguma pressão do Malucelli para que as gravações da escuta não fossem divulgadas? “Não, de jeito nenhum. Foi uma decisão minha e do meu chefe na época, Gladimir”, respondeu, e em seguida disse que entraria no ar e que não poderia mais falar.

Conversei pessoalmente com Gladimir, numa das viagens a trabalho que fiz a Curitiba. Gladimir disse não se lembrar do conteúdo das gravações e também negou interferência de Malucelli na reportagens. "Não demos a gravação por conta da sua origem ilícita", disse.

Gladimir lembrou, no entanto, que foi chamado por Moro na época, em ato extraprocessual. O jornalista lembrou que se sentiu constrangido, quando Moro tentou lhe dar lições de jornalismo e o censurou por ter colocado no ar a entrevista com o advogado Bertholdo.

Eliane Cantanhêde, ao dizer que tudo conspira a favor de Moro em 2021, mostra que pode estar entrando mais uma vez numa canoa furada. 

As empresas em que trabalha dificilmente autorizarão cobertura crítica ao ex-juiz. Mas, como todos sabemos, o jornalismo na velha imprensa não tem mais força para ditar os rumos do País. Fosse assim, Aécio Neves teria sido eleito em 2014 e Lula continuaria preso.

Há jornalismo fora do controle das famílias e dos bancos que fazem parte do 1% dos brasileiros que detém 50% da riqueza nacional. Moro é uma farsa, como a estátua que aterrorizava Nabucodonor, conforme o relato bíblico. 

A estátua tinha cabeça de ouro, peito e braços de prata, e pernas de ferro, mas os pés eram de barro e desmoronou quando atingida por uma pequena pedra. O passivo moral de Moro, ainda não revelado inteiramente, é gigantesco.

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O pessoal de Moro faz campanha contra Bolsonaro, e o gado fica com raiva do PT. Né engraçado?

07
Ago21

Os “facilitadores” no governo Bolsonaro

Talis Andrade

 

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por Cristina Serra

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A maior concentração de vigaristas por metro quadrado da Esplanada gravitou (gravita?) em volta do ministério da Saúde no momento em que mais precisávamos de gente séria e especializada para salvar as nossas vidas e as de nossos parentes e amigos. 

Os holofotes da CPI da Covid no Senado jogaram luz sobre novos personagens, mostrando como se conectam as engrenagens de um submundo de crimes e trambiques em torno das grandes compras e aquisições do governo Bolsonaro. Constata-se que havia um ministério subterrâneo, operado por “facilitadores”, autodefinição de Airton Soligo, assessor do então ministro Eduardo Pazuello. 

Soligo – que tem o sugestivo apelido de Cascavel – atuou durante dois meses sem nomeação oficial, sem agenda pública, sem assinatura de atos. Uma atuação clandestina e muito conveniente para quem não quer deixar rastro nem prestar contas a ninguém, a não ser ao chefe.

Outro “facilitador” é o reverendo Amilton Gomes de Paula, que abria portas com impressionante facilidade e rapidez para negociar vacinas de vento. O repórter Lúcio de Castro, da agência de jornalismo SportLight, mostrou que Amilton tem conexões com uma complexa rede de entidades fantasmas. 

Uma delas, aberta na Flórida, nos EUA, registrou como diretores Bolsonaro, seu vice, Hamilton Mourão, o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva e um certo tenente coronel capelão Roberto Cohen. Tem todo jeito de ser picaretagem. A presidência deve explicações, mas até agora não se manifestou.

O enredo de terror tem ainda mais um militar, o coronel Marcelo Blanco, que deixou o ministério, criou uma empresa de representação na área médica e também facilitou um atalho para o notório cabo Dominguetti. Tais personagens ajudam a explicar como chegamos a ter quatro mil brasileiros mortos por dia de Covid. Hoje, ainda choramos mil mortes diárias. É como se quatro aviões caíssem todos os dias. Sem nenhum sobrevivente. 

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15
Jul21

Intenção nunca foi vender as vacinas, mas ser um facilitador do negócio, diz dono da Davati

Talis Andrade

Empresário Herman Cardenas

Herman Cardenas

O lobista Herman Cardenas reconheceu que não tinha à mão nenhuma das 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. Nem da Covaxin. Representantes da empresa negociaram a venda dos imunizantes com o governo Jair Bolsonaro em fevereiro e março deste ano. A entrevista foi concedida ao jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o presidente da Davati Medical Supply, empresa com sede no Texas (EUA), a empresa seria apenas uma facilitadora do negócio entre a fabricante da vacina contra Covid-19 e o governo brasileiro, mediante uma comissão que ele não informou o valor. A AstraZeneca nega que negocie venda para empresas privadas.

Facilitador tem os seguintes sinônimos: 

“A Davati não vende vacina da Covid-19 e não tem relacionamento direto com os produtores. A razão do oferecimento da vacina para o Brasil foi porque, através de parceiros, ficamos sabendo que teria uma outra maneira de conseguir a venda", disse ele.

Facilitador é a melhor profissão que existe, ou negócio, principalmente para indivíduos espertos, e empresas anônimas ou fantasmas de um ou três funcionários. 

Facilitar tem os seguintes sinônimos, que possibilitam diferentes transas:

Ajudar, favorecendo:

1 ajudarfavorecercontribuirpropiciarpossibilitarproporcionarpromoveroportunizarbeneficiarauxiliarcolaborarapoiarassistirocasionar.

Pôr ao alcance, disponível:

2 facultardisponibilizarfranquearviabilizardaroferecercederconcederpermitirassegurargarantirprovidenciardesimpedir.

Agir de forma imprudente:

3 descuidar-sedesprevenir-se, desprecaver-se, desacautelar-se, desmazelar-sedesleixar-seexpor-sedescurar-sevacilarbobear.

Tornar mais fácil:

4 simplificardescomplicardescomplexificar, desintrincar, desenredardesembaraçar.

Prontificar-se para a realização de algo:

5 prontificar-se, oferecer-sepredispor-sedispor-seprestar-seapresentar-se, voluntariar-se.

Herman Cardenas esclarece que a Datavi Medical Supply facilitava e facilita:

- para a quadrilha do Ministério da Saúde

- para o chanceler do Brasil (na época das tenebrosas transações) Ernesto Araújo

- para o embaixador brasileiro na Índia André Aranha Corrêa do Lago

- para o presidente Jair Bolsonaro telefonar para o presidente Ram Nath Kovind

- idem para o primeiro-ministro Narendra Modi 

- para uma empresa fantasma em Singapura, Madison Biotech, receber a grana bilionária das vacinas antes da entrega

- para Precisa Medicamentos

- para a Global Saúde, especialista em venda e entrega de medicamentos para doenças raras a preço de ouro, e produtos íntimos femininos

- para o deputado Ricardo Barros redigir, apresentar e aprovar lei de exportação da pior e mais cara vacina

- para o laboratório indiano Bharat Biotech no Brasil

- para a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC) 

- para a cabo da PM de Minas Gerais Dominguetti negociar, se necessário, com general da ativa Eduardo Pazuello e o coronel Elcio Franco Filho 

Segundo o facilitador Herman Cardenas, havia grupos interessados na alocação da vacina, especificamente da Astrazeneca. "Nós nunca dissemos que tínhamos uma relação direta com a Astrazeneca e nunca foi passada essa informação para ninguém".

"Nossa intenção nunca foi vender as vacinas, mas apresentar as partes porque a Davati não tem as vacinas da Covid. Não tínhamos a garantia que conseguiríamos oferecer as 400 milhões de doses da vacina. O número apareceu em nossa proposta porque, quando perguntamos ao Cristiano quantas doses o Brasil precisava, ele disse que a população do Brasil é de cerca de 200 milhões de pessoas", continuou.

O empresário disse que calculou duas doses por pessoa, mas que esse número "nunca foi uma garantia". "Nunca dissemos que tínhamos as 400 milhões de vacinas na oferta", prossegue Cardenas. "Cristiano nos pediu para ajudar o governo a achar os 400 milhões".

Cardenas diz não ter ouvido relato de pedido de propina na negociação e criticou seu representante no Brasil para o negócio, Cristiano Carvalho, que, segundo o empresário, é um vendedor autônomo e representou a empresa apenas nesta tentativa de negociação. Cristiano depõe nesta quinta-feira (15) na CPI da Covid, no Senado.

 

04
Fev21

Deltan disse não se sentir "confortável" em defender Zucolotto amigo de Moro acusado de caixa 2 e extorsão

Talis Andrade

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ConJur - O procurador Deltan Dallagnol, ex-coordenador da "lava jato" no Paraná, disse em 2017, durante conversa com colegas do Ministério Público Federal, que não se sentia "confortável" em endossar totalmente a defesa que Sergio Moro fazia de seu amigo Carlos Zucolotto Júnior. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo

Zucolotto é advogado trabalhista, ex-sócio de Rosângela, esposa de Moro, e padrinho do casamento deles. Ele foi acusado de intermediar negociações paralelas na "lava jato" em troca de pagamentos por meio de caixa dois. 

[Negociações paralelas: pagar por fora propina para ser beneficiado com uma delação premiada, e receber uma pena leve por crimes praticados na Odebrecht. É um caso nebuloso. Tanto que deputados petistas tentaram realizar uma CPI, barrada por deputados amigos de Moro & Temer, Moro & FHC, Moro & Álvaro Dias, Moro & Aécio, Moro & Bolsonaro, Moro & Doria, Moro & Witzel. 

Revelou Tacla Duran: "Paguei para não ser preso". Uma extorsão no valor de US$ 5 milhões.

Tacla Duran diz ter pago uma primeira parcela de US$ 612 mil ao advogado Marlus Arns, mas afirma que se recusou a pagar o restante.

De um documento enviado ao Ministério Público da Suíça pelos advogados de Tacla Duran: "Tacla foi extorquido e ameaçado [...] e temor por sua vida o levou a pagar uma parte da extorsão. O advogado Marlus Arns, que recebeu o pagamento --dinheiro que é apontado como uma das justificativas para o bloqueio das autoridades suíças-- já tinha trabalhado com a mulher do [ex] juiz Sergio Moro, sendo outro sócio o advogado Carlos Zucolotto Junior, que também foi sócio da mulher de Moro, e que hoje trabalha com lobista profissional", dizem os advogados à Suíça, associando a extorsão ao tráfico de influência dentro da operação. Zucolotto já foi alvo de acusações de Tacla Duran. Apesar da repercussão do caso, nem o Judiciário principalmente, nem o Congresso, nem o Governo Federal, o fisco, tiveram interesse em uma investigação séria, imparcial]

Embora não tenha sido citado na acusação, Moro rapidamente saiu em defesa do amigo.  "O advogado Carlos Zucolotto Jr. é meu amigo pessoal e lamento que o seu nome seja utilizado por um acusado foragido e em uma matéria jornalística irresponsável para denegrir-me", disse o então juiz em uma nota publicada na Folha

O "acusado foragido" citado por Moro é Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht e responsável por acusar Zucolotto do esquema de caixa dois. Segundo Duran, Zucolotto intermediava negociações de delação premiada com o MPF em troca de dinheiro. 

Logo após a defesa de Moro ser publicada na Folha, Dallagnol passou a discutir com outros procuradores se o MPF deveria se posicionar em relação à denúncia feita contra Zucolotto. Na conversa, o então chefe da "lava jato" primeiro copia aos colegas mensagens enviadas a Moro. 

"A princípio não íamos fazer nada, pois uma nota acaba gerando uma segunda onda de notícias. Que Mônica Bergamo ia publicar, não tinha dúvida. Da maneira como publicou fica claro que não foi adianta [adiante] na tentativa de investigar os fatos. Estamos monitorando as repercussões. Se a reportagem reverberar em outros órgãos de imprensa sérios, é o caso de posicionamento. Mas se você quiser que façamos nota, nós faremos hoje mesmo", disse Dallagnol a Moro.

Em seguida, o procurador complementa aos colegas de MPF: "Talvez seja o caso de fazermos uma nota, apesar de objetivamente não ser o caso, somente para dar suporte ao Moro. Prefiro notas curtas, pois não me sinto confortável em endossar totalmente o Moro em relação ao Zucolotto."

No fim das contas, a "lava jato" de Curitiba divulgou uma nota com 11 parágrafos repudiando as acusações de Tacla Duran contra o padrinho de casamento de Moro. 

[Existem outros casos de extorsão na Lava Jato. O mais famoso deles: Dario Messer]

O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) afirmou, em vídeo divulgado na internet, que o depoimento do advogado Rodrigo Tacla Duran à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, na manhã desta quinta-feira, é “elucidativo” no sentido de mostrar que a Operação Lava Jato “é um absoluto cenário fora da lei, de atentados à Constituição, a direitos fundamentais, de desrespeito ao Estado democrático de direito”.

"Percebi que havia uma ansiedade do Ministério Público em obter a confirmação de fatos alegados contra mim para que eu confirmasse, para que se fechassem casos apenas com delação premiada, sem comprovação dos fatos, sem investigar, sem inquéritos. Esse é o sentido da ‘indústria de delação’. Indústria da delação porque estão fechando processos penais batendo carimbo, sem investigar.”

Segundo ele, os procuradores Deltan Dallagnol (famoso pelas “convicções” apresentadas contra Lula pelo PowerPoint), Carlos Fernando Santos Lima, Roberson Pozzobon e Júlio Noronha participaram das negociações.

08
Dez20

Moro condenou empreiteira a contratar serviços de sua empresa nos Estados Unidos

Talis Andrade

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Quando começou o chamego? A paixoneta de Sergio Moro pelos gringos?  Quando oficializado o 'noivado' com a empresa Alvarez & Marsal? 

Foi um amor casual ainda ele juiz ou quando ministro de Bolsonaro? 

Certo, só agora o casamento foi anunciado, mas isso não é coisa que acontece do dia pra noite, pois envolve milhões da A&M, bilhões de dólares de empresas em recuperação judicial, mudança de país, e novos e altos negócios.

Sei que essa relação só será conhecida no seu suspeito, perigoso e inacreditável começo se quebrados os sigilos que protegem um magistrado, um ministro de Estado, ou um capo de uma poderosa organização criminosa que perseguiu presidentes, senadores, governadores, deputados, inclusive ministros do STF que, acovardados ou com rabo preso, não ousaram ensaiar uma contrapartida, um revide, um simples temeroso troco.

A cada dia surgem novas evidências que tornam cada vez mais questionáveis as relações do ex-juiz e ex-ministro, Sérgio Moro, com a consultoria norte-americana A&M, que irá atuar na recuperação judicial do Grupo Odebrecht e da OAS, duas das construtoras condenadas e destruídas por Moro durante a autodenominada Operação Lava Jato.

Na sentença proferida por Moro, em março de 2016, ao condenar o empreiteiro Marcelo Odebrecht, ele recomendou que o Grupo Odebrecht fechasse acordos de leniência e que também adotasse medidas de “compliance”.

No conteúdo da sentença, Moro cita explicitamente que a Odebrecht deveria “recuperar a sua reputação”, através da adoção “de sistemas internos mais rigorosos de compliance“. (Esses contratos já foram assinados e pagos?)

Agora, quatro anos após a sentença, Moro vai trabalhar justamente como sócio-diretor da Alvarez & Marsal para cuidar, recuperar a 'reputação', a virgindade do Grupo Odebrecht, por meio de compliance, palavrinha que a Lava Jato colocou em moda no Brasil. Tanto que procuradores da mesma Lava Jato estão abrindo escritórios de compliance, tal como Moro agora ousa e faz, sendo que numa empresa norte-americana, com mais de cinco mil funcionários espalhados por mundos jamais sonhados pelo juizeco de Maringá onde tudo ficou tão triste. 

A empresa dos EUA, país que teve uma relação direta com as investigações secretas executadas pela Operação Lava Jato que, conforme já ficou comprovado por meio de documentos oficiais, sofreu uma participação direta do FBI e outros serviços de inteligência e espionagem, Alvarez & Marsal vai receber a bagatela de R$ 34,8 milhões para administrar a recuperação judicial da Odebrecht.  

Será que Moro vai fazer lóbi para conseguir mais empresas brasileiras?

Para trabalhar como sócio-diretor da A&M, Moro irá receber um salário anual de R$ 1,7 milhão por ano. Como juiz, recebia por ano R$ 410 mil, sem contar os benefícios indiretos. 

O anúncio, no mínimo escandaloso, do novo sócio foi feito no dia 29 de novembro, e provocou uma série de reações no mundo jurídico e no cenário político do país, diante do comportamento aético e imoral do ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro, do governo da extrema-direita, da velha política que Bolsonaro representou com deputado. 

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05
Dez20

MORO Mentiras, farsas e trapaças - 6

Talis Andrade

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Moro mente. Além de ser um Pinóquio, é um fantoche”, discursou Fernando Haddad na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo. 

O ato foi convocado pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), que conta com mais de 2 mil associados, entre juízes, desembargadores, acadêmicos cujo objetivo é denunciar violações de direitos. E celebrou oficialmente o lançamento da campanha #MoroMente, que precisa ser reativada.

As ações têm como objetivo “explicar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato”, afirma a entidade. Foram lidos dois documentos: uma carta da ABJD sobre a campanha e outra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político pela operação.

Haddad subiu o tom contra Moro, a quem atribuiu “todas as ilegalidades possíveis para bancar uma história, inventar provas para tirar Lula da disputa presidencial, que ele ganharia”. O objetivo de Moro? Colocar no poder o seu projeto da extrema-direita, que culminou na eleição de Bolsonaro (PSL), tornado evidente, segundo operadores de direito, quando o ex-juiz só deixou a condução promíscua da Operação Lava Jato – como revelado pela Vaza Jato – para assumir um cargo no governo que ajudou a eleger.

Desonra militar

Clamando por justiça, Haddad expôs outra face do projeto de poder de Moro e Bolsonaro: o entreguismo. O petista fez um apelo àqueles que, teoricamente, deveriam se dedicar à defesa do país: as Forças Armadas. “Ficamos atônitos também com o comportamento dos militares bolsonaristas. Temos de começar a chamar as coisas pelo nome. Não podemos chamar de Forças Armadas uma meia dúzia de generais entreguistas. Desonram a pátria e desonram o Brasil, entregando o patrimônio nacional.”

Haddad lamentou a postura desses militares bolsonaristas em desafiar as instituições. “A cada momento em que o STF é chamado a fazer Justiça, entra no circuito um militar bolsonarista ameaçando, dizendo que tem homens armados, tuitando para constranger os ministros. Me pergunto o que se passa na cabeça de alguém que chegou a general diante de tanta entrega do patrimônio nacional. Temos que libertar o Judiciário da intimidação, para que cumpram seu dever e declare esse processo uma farsa.”

05
Dez20

Moro condenou empreiteira a contratar serviços de sua empresa nos Estados Unidos

Talis Andrade

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Quando começou o chamego? A paixoneta de Sergio Moro pelos gringos?  Quando oficializado o 'noivado' com a empresa Alvarez & Marsal? 

Foi um amor casual ainda ele juiz ou quando ministro de Bolsonaro? 

Certo, só agora o casamento foi anunciado, mas isso não é coisa que acontece do dia pra noite, pois envolve milhões da A&M, bilhões de dólares de empresas em recuperação judicial, mudança de país, e novos e altos negócios.

Sei que essa relação só será conhecida no seu suspeito, perigoso e inacreditável começo se quebrados os sigilos que protegem um magistrado, um ministro de Estado, ou um capo de uma poderosa organização criminosa que perseguiu presidentes, senadores, governadores, deputados, inclusive ministros do STF que, acovardados ou com rabo preso, não ousaram ensaiar uma contrapartida, um revide, um simples temeroso troco.

A cada dia surgem novas evidências que tornam cada vez mais questionáveis as relações do ex-juiz e ex-ministro, Sérgio Moro, com a consultoria norte-americana A&M, que irá atuar na recuperação judicial do Grupo Odebrecht e da OAS, duas das construtoras condenadas e destruídas por Moro durante a autodenominada Operação Lava Jato.

Na sentença proferida por Moro, em março de 2016, ao condenar o empreiteiro Marcelo Odebrecht, ele recomendou que o Grupo Odebrecht fechasse acordos de leniência e que também adotasse medidas de “compliance”.

No conteúdo da sentença, Moro cita explicitamente que a Odebrecht deveria “recuperar a sua reputação”, através da adoção “de sistemas internos mais rigorosos de compliance“. (Esses contratos já foram assinados e pagos?)

Agora, quatro anos após a sentença, Moro vai trabalhar justamente como sócio-diretor da Alvarez & Marsal para cuidar, recuperar a 'reputação', a virgindade do Grupo Odebrecht, por meio de compliance, palavrinha que a Lava Jato colocou em moda no Brasil. Tanto que procuradores da mesma Lava Jato estão abrindo escritórios de compliance, tal como Moro agora ousa e faz, sendo que numa empresa norte-americana, com mais de cinco mil funcionários espalhados por mundos jamais sonhados pelo juizeco de Maringá onde tudo ficou tão triste. 

A empresa dos EUA, país que teve uma relação direta com as investigações secretas executadas pela Operação Lava Jato que, conforme já ficou comprovado por meio de documentos oficiais, sofreu uma participação direta do FBI e outros serviços de inteligência e espionagem, Alvarez & Marsal vai receber a bagatela de R$ 34,8 milhões para administrar a recuperação judicial da Odebrecht.  

Será que Moro vai fazer lóbi para conseguir mais empresas brasileiras?

Para trabalhar como sócio-diretor da A&M, Moro irá receber um salário anual de R$ 1,7 milhão por ano. Como juiz, recebia por ano R$ 410 mil, sem contar os benefícios indiretos. 

O anúncio, no mínimo escandaloso, do novo sócio foi feito no dia 29 de novembro, e provocou uma série de reações no mundo jurídico e no cenário político do país, diante do comportamento aético e imoral do ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro, do governo da extrema-direita, da velha política que Bolsonaro representou com deputado. 

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