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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

19
Mai22

Lula é cafangado por integrantes histéricos de clube de tiro: “A gente adora você”

Talis Andrade

 

Deputados serial killers também ameaçam o presidente de morte. Lula promete fechar clubes de tiro e espalhar bibliotecas pelo Brasil

 
 
 

É uma triste realidade brasileira: serial killers das bancadas da bala continuam a ameaçar Lula de morte.

Assassino em série, o psicopata que já metralhou mais de duas pessoas. Tem um deputado de São Paulo que confessou 200 mortes, outro umas cem.

Homicidas devem frequentar os clubes e escolas de tiros estimuladas pelo presidente Bolsonaro. Idem as milícias eleitorais armadas, idealizadas pelo Gabinete do Ódio instalado no Palácio do Planalto, que o Brasil virou uma republiqueta de bananas, com suas principais empresas falidas pelas Lava Jato, ou leiloadas por Michel Temer e Bolsonaro doudos por dinheiro. 

Os violentos ou faroleiros parlamentares que ameaçaram matar Lula: general Eliezer Girão Monteiro, coronéis Washington Lee Abe, Lucinda Telhada, Tadeu Anhaia, André Azevedo, Carla Zambelli casada com um coronel, sargento Anderson Alves Simões, cabo Junio Amaral, inclusive o pastor Otoni de Paula, que bem imita trejeitos de gay desmunhecado. Todos fazem parte da tropa de choque de Bolsonaro. 

Os discursos de ódio são cotidianos. O presidente capitão dá o satânico exemplo de apologia da violência como campanha eleitoral. Como se quisesse envolver o Brasil em uma guerra civil, que não se trama golpe sem listas de presos políticos e listas de lideranças marcadas para morrer.

 

Clube de Tiro vende "livros" para matar Lula
 
 

Em suas redes sociais, integrantes do Clube de Tiro TZB, em Goiânia, publicam vídeo em tom de ameaça e deboche ao ex-presidente Lula (PT). No vídeo, os participantes anunciam que já começaram o ”clube do livro” no TZB e um deles diz: ”a gente adora você, cara”.

Ao abrir o livro, fica evidente que, na verdade, são caixas com armas dentro. ”Olha que livro bonito”, comenta um deles ao abrir o conteúdo.

Nessa mesma publicação, um dos apoiadores repete o slogan de Bolsonaro: ”um povo armado jamais será escravizado”.

 

Por que ”Clube de Livros”?

 

Recentemente, em abril, durante um encontro em que recebeu apoio formal do PSOL, Lula declarou que, caso seja eleito, pretende fechar todos os clubes de tiro formados durante o governo de Bolsonaro (PL), criando clubes de leitura.

- Se preparem, porque esses clubes de tiros que foram criados vão fechar, vamos criar clubes de leitura. Em vez de tiros, nós teremos livros. Vamos espalhar bibliotecas pelo país. Vamos trocar armas por livros

A publicação do TZB é um deboche e afronte ao comunicado de Lula. Veja que todos usam uma barba de Fidel Castro como exibição de bravura, cara de guerreiro cubano.

 

Lula defende transformar clubes de tiros em clubes de livros

"O Brasil terá a oportunidade de decidir que país vai ser pelos próximos anos e [pelas] próximas gerações. O Brasil da democracia ou do autoritarismo? Do conhecimento e tolerância ou do obscurantismo e da violência? Da educação e cultura ou dos revólveres e fuzis?", declarou Lula. 

 

Delegado levou seis tiros em briga com exPaulo Bilynskyj postou vídeo em que ironiza declaração de Lula - Reprodução: Instagram

Paulo Bilynskyj ganhou projeção nacional em maio de 2020, com o espetaculoso suicídio da noiva Priscila de Bairros, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.

Após atirar contra o delegado, Priscila teria atirado contra ela mesma e morreu no local.

O inquérito que investiga o caso ainda não foi concluído, mas, no ano passado, em entrevista ao "Domingo Espetacular", da RecordTV, Bilynskyj disse que não seria possível ele ter atirado e que "nunca" foi acusado "de nada".

Caso Priscila: pais depõem pela 1ª vez sobre morte da modelo em SP -  Notícias - R7 São Paulo

 

Na ocasião, os advogados da família de Priscila questionaram o motivo que levou a modelo a tirar a própria vida e indicaram que, "dependendo o que motivou, o doutor Paulo pode responder por instigação ao suicídio". Segundo o delegado, na noite anterior aos tiros, Priscila viu uma mensagem de uma mulher no computador do namorado e não gostou. Ele diz que era uma mensagem anterior ao relacionamento dos dois, de uma admiradora do seu trabalho como policial.

Deputado dispara arma durante sessãodeputado do MS atira durante sessão

Um deputado estadual do Mato Grosso do Sul foi criticado pelos colegas por ter disparado uma pistola durante a votação de um projeto de sua autoria.

João Henrique Catan (PL-MS) participava da sessão de forma remota, em um estande de tiro, e disse que era um “tiro de advertência no comunismo”.

O projeto, de âmbito estadual, reconhece o risco da atividade de atirador desportivo e foi aprovado por 16 votos favoráveis e três contrários. “O povo armado jamais será escravizado”, bradou João Henrique, apoiador fanático do presidente Jair Bolsonaro (PL).

EVANDRO GUEDES FALA SOBRE O DELEGADO PAULO BILYNSKYJ

Caso Priscila: Mensagens para ex revelam que delegado temia modelo -  Notícias - R7 São Paulo

Paulo Bilynskyj e Priscila de Bairros. Uma morte jamais investigada. 

18
Jan22

Reforma no Ensino Médio: itinerários para um lugar nenhum

Talis Andrade

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Os adolescentes precisam de uma educação que faça conviver a tradição com a mudança

14
Nov21

Gilmar publica as principais charges de 2021 em livro

Talis Andrade

 

 

compre livro de gilmar.jpeg

Dando um feedback após completar um dia da campanha de financiamento coletivo para a edição 2021 do #BrasilEmCharges. Tô botando fé que conseguiremos graças à vocês !! Muito obrigado por essa parceria. Conheça e participe do projeto aqui
@CartDasCavernas
Alô, queridas e queridos cúmplices! Chegou a hora de lançar, tradicionalmente, o resumo do ano da coleção #BrasilEmCharges O Start da campanha para a edição 2021 na tradicional plataforma de financiamento coletivo Agradeço...
Gilmar Machado, o Cartunista das Cavernas, trabalha na área há mais de 30 anos publicando em jornais, revistas e livros no Brasil e em Portugal.

Publicou mais de 10 livros de tiras e quadrinhos. Já recebeu os prêmios HQMix de Melhor Cartunista Brasileiro e o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Críticos de arte e literários exaltam os chargistas como autores importantes da Grande Imprensa. Este correspondente concorda com as lideranças sindicais.           

“As chamadas HQs têm importância não só como humor, mas também como crítica social. Elas passam mensagens políticas que são facilmente assimiladas. E Gilmar é um craque nisso”, afirma  Carolina Maria Ruy, coordenadora do Centro de Memória Sindical. João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário geral da Força Sindical, acredita que “numa fase de crise financeira pode parecer um gasto desnecessário, mas, na realidade, é uma importante ferramenta de conscientização e organização dos trabalhadores. É um investimento que os sindicatos podem fazer, aumentando o contato com seus associados e sua bases, apoiando iniciativas como essa, que fomenta a cultura e a educação”.Image

Brasil 2019 em charges   Brasil 2020 em Charges

Depois das coleções de 2019 e 2020, são imperdíveis as charges de 2021 agora reunidas em livro

Gilmar Machado: Dando sequência ao projeto de registro em livro dos principais acontecimentos políticos e sociais do Brasil através da charge, iniciamos a campanha para a edição 2021. O conteúdo será basicamente de charges e tirinhas produzidas pelo cartunista Gilmar (Cartunista Das Cavernas ) durante o ano de 2021.

A ideia é que este livro, como nas edição de 2019 e 2020, registre de maneira crítica, e através do humor, alguns dos principais acontecimentos políticos do ano absolutamente tenebrosos na história política e social do Brasil.

Para viabilizar esta edição 2021, optei mais uma vez pelo financiamento coletivo. Se você tem afinidade com as ideias aqui colocadas e gostaria de ter este momento documentado em charges, conto com seu apoio. Então vamos nessa!!!

Aproveito para agradecer imensamente pelo apoio obtido para as duas edições do Brasil em Charges 2019 e 2020, sem esse apoio, esse registro não seria possível. Muito obrigado.

Lembrando que faço questão de assinar, com muito carinho, cada exemplar enviado posteriormente para todas as pessoas apoiadoras do projeto. Leia mais

 

28
Ago21

Correios serão vendidos por “valorzinho”

Talis Andrade

Privatização dos Correios: por que a raiva com empresas públicas? |  Asmetro-SN

 

 

Secretária de Privatização Martha Seillier disse que o preço mínimo do leilão será muito menor do que o valor dos ativos da empresa

 
 
 
A secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Martha Seillier, afirmou que os Correios serão colocados à venda por um valor simbólico, sem objetivo de fazer caixa para o governo. A declaração foi dada ao site Uol.
 
Seillier afirmou que o preço mínimo será muito menor do que o valor dos ativos da empresa, porque o comprador levará em conta os custos que terá de assumir.
 

Essa é a conta que estamos fazendo. Vai sobrar um valorzinho, vamos dizer assim, que é o quanto a gente vai pedir no leilão”, disse.

A secretária afirmou que só será possível estimar o lance mínimo do leilão após a segunda fase dos estudos de privatização, que devem ficar prontos em setembro, e depois que o Congresso confirmar a venda. O projeto de lei, que já passou pela Câmara, ainda precisa de aprovação do Senado e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A secretária diz que, se o governo mirar a arrecadação e cobrar caro demais, o comprador não terá dinheiro para investir na modernização e na ampliação da empresa. Isso poderia tornar o negócio inviável e prejudicar a prestação do serviço postal básico aos brasileiros.

 

Atualidades Enem: Privatização | Revista Quero

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31
Out20

Cânticos de Liberdade de Ana Júlia (vídeos): "Ocupar a política depende de você"

Talis Andrade

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Tentam dizer que nós não vamos longe

mas se escondem de medo quando nos ouvem chegar

Esse é o bonde dos que constroem pontes

que não temem o sistema e vieram ocupar

A esperança é a nossa opção

a mudança se faz com educação

Livros na mão, sonho na mente

Vem, vamos fazer diferente

Por nós, que temos algo a dizer

Quem sonha, quem luta e faz acontecer

Ocupar a política depende de você

Y La Culpa No Era Mía/El Violador Eres Tú
DJ Ariel Style

Y La Culpa No Era Mía /El Violador Eres Tú
El patriarcado es un juez
Que nos juzga por nacer
Y nuestro castigo
Es la violencia que no ves

El patriarcado es un juez
Que nos juzga por nacer
Y nuestro castigo
Es la violencia que ya ves

Es femicidio
Impunidad para mi asesino
Es la desaparición
Es la violación

Y la culpa no era mía, ni dónde estaba, ni cómo vestía
Y la culpa no era mía, ni dónde estaba, ni cómo vestía
Y la culpa no era mía, ni dónde estaba, ni cómo vestía
Y la culpa no era mía, ni dónde estaba, ni cómo vestía

El violador eras tú
El violador eres tú

Son los pacos
Los jueces
El estado
El Presidente

El estado opresor es un macho violador
El estado opresor es un macho violador

El violador eras tú
El violador eres tú

Duerme tranquila, niña inocente
Sin preocuparte del bandolero
Que por tus sueños, dulce y sonriente
Vela tu amante carabinero

El violador eres tú
El violador eres tú
El violador eres tú
El violador eres tú

-----------------------------

E a culpa não era minha / o violador é você
O patriarcado é um juiz
Quem nos julga nascer
E nosso castigo
É a violência que você não vê

O patriarcado é um juiz
Quem nos julga nascer
E nosso castigo
É a violência que você vê

É femicídio
Impunidade para o meu assassino
É o desaparecimento
É o estupro

E não foi minha culpa, nem onde eu estava, nem como eu me vesti
E não foi minha culpa, nem onde eu estava, nem como eu me vesti
E não foi minha culpa, nem onde eu estava, nem como eu me vesti
E não foi minha culpa, nem onde eu estava, nem como eu me vesti

O estuprador era você
O estuprador é você

Eles são os pacos
Juízes
O estado
O presidente

O estado opressivo é um estuprador
O estado opressivo é um estuprador

O estuprador era você
O estuprador é você

Durma, menina inocente
Sem se preocupar com o bandido
Que para os seus sonhos, doce e sorridente
Assista seu amante carabinero

O estuprador é você
O estuprador é você
O estuprador é você
O estuprador é você

(A música feminista contra a violência percorre o mundo. Leia reportagem aqui)

Bella Ciao: a história da canção da Resistência contra o fascismo

Uma manhã, eu acordei
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
Uma manhã, eu acordei
E encontrei um invasor
Oh, partigiano (membro da Resistência), leve-me embora
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
Oh, membro da Resistência, leve-me embora
Porque sinto que vou morrer
E se eu morrer como partigiano,
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
E se eu morrer como partigiano,
Você deve me enterrar
E me enterre no alto das montanhas
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
E me enterre no alto das montanhas
Sob a sombra de uma bela flor
E todas as pessoas que passarem
Bela, tchau! Bela, tchau! Bela, tchau, tchau, tchau!
E todas as pessoas que passarem
Te dirão: Que bela flor!
E essa será a flor da Resistência
Daquele que morreu pela liberdade
E essa será a flor da Resistência
Daquele que morreu pela liberdade

 

15
Out20

Feliz Dia do Mestre ao sofrido professor brasileiro!

Talis Andrade

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por Valéria Guerra Reiter

- - -

Quem foi John Locke?

Foi considerado o pai do LIBERALISMO. Um documento substancial redigido por ele foi a CARTA ACERCA DA TOLERÂNCIA. 

O que foi este documento? O filósofo do Liberalismo trata da tolerância, entre cristãos e não cristãos. E  também discorre sobre como as leis regem a sociedade de forma positiva. E coloca a tolerância como profissão de fé. 

O que o "politicamente correto" tem a ver com a tolerância?

Bem, ambos tentam não discriminar, não segregar; e claro que a falsidade ideológica faz parte de esta tese. Isso se reproduz aqui, entre alguns membros do atual governo que se autointitulam politicamente corretos.

Por exemplo, o atual Ministério da Educação está com uma proposta de censurar livros. Muitos clássicos estarão como "bola da vez" dessa atitude que vai muito além da intolerância. Na realidade querem mexer em obras literárias, tanto na forma como no conteúdo. E tal cirurgia, medíocre e ilegal, inclui os clássicos machadianos.

Será tal atitude politicamente correta? 

"Hoje ser um professor é ter quase que uma declaração de que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa". Com toda certeza, tal afirmação não adveio de mim, e nem de John Locke. John Locke, apesar de ávido liberal, tinha um compromisso retórico baseado no falseamento/político em relação à doutrina dogmática que gestava: afinal ele não poderia contar a verdade ao gado...

Ele abusa da retórica para reforçar que existe uma ética na rede de lucros. E a frase do ministro da Educação (citada no parágrafo acima) é carregada da crueza "explícita" e cínica do autoritarismo antidemocrático, que baixa a estima dessa classe vital. É a superestrutura rejeitando sua estrutura mais precípua; ao  assalariar professores com objetivo de revigorar os setores que controlam às massas; e então poder conservá-los sob rédea curta. E para os que almejaram (um dia) serem docentes: apenas sobrou a barganha (pérfida) da troca de um futuro em nobre cátedra, por um sonho de uberização qualquer.

A financeirização que corre a céu aberto da tecnologia expropriadora, não é mais um meio de produção, ela é a hegemonia. O ovo da serpente é acabar com a privacidade, e exercer "capitalismo de vigilância" para os escravos a serviço da tecnologia.

Big Techs, Pix, e outros termos exigem da população uma visão high-tech do mundo.

"Onde não há lei, não há liberdade" disse o empirista John Locke. E do nosso Ministério da Educação brota: "Nada de beijos, ou qualquer contato físico nas novas obras literárias". A lei está sendo colocada acima da forma de liberdade mais importante que existe: a liberdade do pensamento.

Tolerar a mediocridade totalitária de dois poderes separados, porém unidos para destruir as ideias; não é nada moral. A igreja e o Estado deveriam se recolher às suas significâncias ou insignificâncias... 

E quanto a docência? 

Ela deveria ser a primazia do povo brasileiro.

"Numa terra que não há professores não pode haver imperadores".

Na medida do possível: FELIZ DIA DO MESTRE!

#LeiaBrazilevireBrasil

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26
Jul20

Sete dicas de Luis Fernando Verissimo para quem gosta de escrever

Talis Andrade

 

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Por Marcelo Dunlop

- - -

1. Escreve bem quem lê bem

Em palestras e entrevistas, Luis Fernando Verissimo sempre evoca o primeiro mandamento para quem pretende colocar suas histórias no papel: “Escreve bem quem lê bem”. No caso do cronista de 83 anos, “ler bem” significa ter lido um bocado. Além de seu livro predileto, O grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald, e da Bíblia (um clássico), Verissimo devorou craques da literatura como Jorge Amado, Jorge Luis Borges, Agatha Christie, Carlos Drummond, Érico (também conhecido como “Pai”), Gustave Flaubert, Graciliano Ramos, Ernest Hemingway, James Joyce, Clarice Lispector, Herman Melville, Vladimir Nabokov, Edgar A. Poe, os Rubem (o Braga e o Fonseca), Mary Shelley e lá vai lombada. Destaque ainda para dois de seus humoristas favoritos: Millôr Fernandes e Evelyn Waugh.

 

2. Clareza

Na célebre crônica publicada no início dos anos 1980, “O gigolô das palavras”, Verissimo ensinava: “Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, comover…)”. O segundo mandamento de Verissimo, portanto, é: seja claro. O conselho vale principalmente para quem tenta fazer humor: “Quando o leitor não entende o que um jornalista escreveu, a culpa é sempre do jornalista”, LFV disse, em outra crônica.

 

3. Professor: Pelé

Além de aprender com os autores que lia e conhecia na sala de estar de casa, muitos deles amigos de Érico Verissimo, Luis Fernando teve um professor incomum: mestre Edson Arantes de Nascimento. Como Verissimo explicou, em citação no seu Verissimas: “Sempre achei que o melhor professor de português do Brasil foi o Pelé. Quem o viu jogar ou hoje vê os seus teipes sabe que o Pelé jamais fez uma jogada que não fosse parte de uma progressão para o gol. O sentido de tudo que o Pelé escrevia com a bola no campo era o gol. O drible espetacular era apenas circunstancialmente, com perdão do longo advérbio, espetacular, porque ele existia em função do objetivo final. A lição para escritores é: defina o seu gol e tente chegar lá como o Pelé chegaria, com poucos mas definitivos toques, sem nunca deixar que os meios o desviem do fim. E se, no caminho para o gol, você fizer alguma coisa espetacular, esforce-se para dar a impressão de que foi apenas por obrigação.”

 

4. Respiração

Na impagável crônica “Carta do Fuás”, o cronista que está celebrando 50 anos de carreira revela uma de suas principais preocupações estilísticas: deixar o pobre leitor respirar. “Faz parte da arte de escrever a distribuição sagaz de espaços abertos, como os jardins nas casas”, explica LFV. “Assim respira o texto e respira o leitor. Toda arquitetura, de pedra ou palavra, deve ter aberturas bem-postas por onde circule o ar e cure-se a opressão.”

 

5. O maior pecado

Há apenas duas práticas que Verissimo sempre desaconselha aos escritores iniciantes: redigir com raiva e ser repetitivo. Numa de suas citações (presente no livro Verissimas), o autor gaúcho prega: “O pecado que um escriba mais teme é o da redundância”.

 

6. Vocabulário e intimidade

Sobre a escolha das palavras, Verissimo é prudente: “Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras.” A vantagem é que aumentar o vocabulário é uma missão simples: basta ler os seus autores prediletos.

 

7. Polimento em dose cavalar

Em sua longa entrevista no livro Conversa sobre o tempo, Verissimo explica aos amigos Zuenir Ventura e Arthur Dapieve como vê o ofício da escrita: para ele, a ideia de uma crônica ou livro martela tanto o autor que é impossível resistir, e ela acaba no papel. Na mesma entrevista, LFV compara o estilo de cada autor com a história do hábil escultor que fez um magnífico cavalo de mármore. Ao ser perguntado como conseguira tamanha perfeição, respondeu: “Escolhi a pedra, as ferramentas e tirei tudo o que não era cavalo.” Para Verissimo, “escrever é tirar tudo o que não é cavalo.”

 

15
Fev20

"É absurdo seguido de absurdo", diz Elika Takimoto sobre desmonte da bibliotec

Talis Andrade

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247 - A determinação de Jair Bolsonaro de desmontar a tradicional biblioteca da Presidência da República, que abriga um acervo de 42 mil itens e 3 mil discursos de presidentes, está provocando reação de diversos setores.

A professora e escritora Elika Takimoto criticou a medida de Bolsonaro para abrigar a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e a equipe do programa Pátria Voluntária.

"A biblioteca do Palácio do Planalto foi DESMONTADA para abrigar Michelle Bolsonaro. Para onde vão os 42 mil itens e 3 mil discursos de presidentes que ali estavam? O local tinha a função de preservar a memória dos presidentes do Brasil. É absurdo seguido de absurdo nessa bagaça", escreveu a professora.

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13
Jan20

VALOR DA PALAVRA

Talis Andrade


Nei Duclós

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As palavras não valem mais nada
Na notícia nos poderes nas conversas
Perderam a magia nos livros
Ausentaram-se nas profecias
Não dividem mais os pensamentos com o silêncio
São recolhidas no lixo
Palavras de amor perderam o sentido
O entulho se acumula nos espíritos
Assediados pela voz dos catequistas


Só no poema elas assumem o risco
De resgatar o valor oculto
Assim mesmo precisa de ouvidos e leituras
Que rompam a exaustão dos dias

 

(Seleta de Fernando Monteiro)

07
Jan20

Editora lança livro em branco para preguiçosos que não curtem ler

Talis Andrade

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Vai ser o livro que marcará o segundo ano do governo Bolsonaro. E possivelmente adotado pelos primeiro e segundo escalões dos ministérios da Educação e Cultura.

 Não sei quem vem primeiro o rabo ou a queixada do jumento. Publicou o G17

Uma editora lançou um livro totalmente em branco, exclusivo para pessoas que não gostam de ler, mas querem se sentir cultas e inteligentes. O livro tem 300 páginas e nenhuma letra. O autor disse que foi o livro mais fácil que fez, em toda a sua carreira, porque não precisou escrever nada.

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Livro contém 300 páginas em branco e foi publicado exclusivamente para as pessoas que não gostam da ler mas querem se sentir cultas

 

O livro começa a ser vendido nesta segunda-feira (31) por R$ 1,99. A obra relata a história do nada com nada. “Foi uma ideia inteligente do autor, de transmitir coisa nenhuma para quem quer ler coisa nenhuma”, disse o diretor da Editora que publicou o livro.

Segundo o autor, é possível fazer a leitura do livro em apenas 10 minutos, tempo para folear as 300 páginas.

-Livro s-Didaticos.png

 

Não se sabe se antes ou depois de anunciado o livro em branco, Bolsonaro definiu o livro ideal. 

Gilberto Maringoni confessou: "Estou com o presidente Bolsonaro!". E justificou:

Um monte de petralha, comunista e gay está aí pelas redes destratando o presidente Bolsonaro, só porque ele disse que livros são “um montão, um amontoado… Muita coisa escrita”.

Porra, quero ver que maconheiro vai negar que livro não é isso, que não é um montão de coisa escrita! Caralho, livro é um montão de coisa escrita! Se não é um montão de coisa escrita, pode ser bola de futebol, xampu, 38, hambúrguer, rachadinha ou um caralhão de coisas, mas livro não é!

E é um desperdício que livro seje assim. Livro é um monte de letra, uma atrás da outra, em fila, numa balbúrdia geral. Não tem ordem. Botam um “M”, depois um “E”, mais adiante um “R, em seguida um “D” e no fim um “A” e fica uma merda. Uma merda, tá sabendo? Aí pegam essas mesmas letras, sem lavar e sem nada e escrevem sorvete, petê, queiroz e muito mais. Um montão de coisa. E aí chamam de livro.

Peguei outro dia a cópia digital de um livro daquele energúmeno que o presidente falou, o Paulo Freitas, sabe quem é, não? Aliás, não sei porque chama cópia digital. Digital é aquele troço que você faz na delegacia, quando toca piano. Suja todos os dedos. Livro digital devia ser livro tudo sujo de marca de dedo. Ah, não faz mais digital assim? Agora digital é tudo digitalizada? Sei lá, vai entender…

Mas aí eu peguei a cópia digital do livro do Paulo Energúmeno e contei as letra. Tava lá: 365.428 caracteres. Com espaço. Sim senhor, 365.428! Já achei um desperdício desse quilombola desse Freitas. Aí fui ver, porque todo mundo fala que o Paulo Freitas isso, o Paulo Freitas aquilo, que a ONU isso, que na Suécia aquilo. Fui ver, achando que tava certo ele ter 365.428 letra. Porra nenhuma. O livro é uma empulhação.

Ele vai repetindo letra página depois de página. Botei lá para contar. Só de “A” tinha 21.627, de “B” tinha 18.831, de “C” 14.539 e por aí vai. O cara é um enganador! O alfabeto só tem 26 letras e ele usa 364.428 para fazer campanha de kit-gay, de ideologia de gênero e do aborto!

Se só existe 26 letras, me digam!, pra que repetir tanto? Pra que colocar milhares de letras repetidas? Pra gastar tinta e papel, né? Pra empregar os vagabundos do petê? Pra superfaturar igual que nem esses petista fazem?

Tá certo o presidente Bolsonaro. Tem que mudar isso aí. Livro tem de ter na primeira página, assim ó, as 26 letras e uma figura. E pode ter no total 3 ou 4 páginas. Não precisa mais. Isso economiza dinheiro do país e tempo das pessoas. Mas o petê não quer isso, porque com tanta letra, eles vão poder roubar umas pra eles. Ninguém é bobo aqui não! Com menas letra e mais figura, a garotada vai ler.

Quequetem? A Bíblia? Se a Bíblia não é livro? Porra, tu é burro pra caralho. A Bíblia não tem letra. Tem palavra.

A palavra do Senhor…

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