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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

25
Nov23

Cessar-fogo não pode ser pausa do genocídio contínuo. É necessário cessar a ocupação israelense da Palestina

Talis Andrade
 
 

 

Cessar-fogo não pode ser o interlúdio do genocídio palestino

É necessário um cessar da ocupação israelense da Palestina. O apartheid e a ocupação são perenes há 76 anos.

Fepal — Federação Árabe Palestina do Brasil

 

O que é um “cessar-fogo temporário”?

Um intervalo no genocídio realizado por “israel” na Palestina?

Uma pausa para recarregar as baterias e seguir o extermínio de pelo menos 5,8 mil crianças – outras 3,5 mil crianças desaparecidas – e 3,2 mil mulheres?

São mais de 12,7 mil palestinos assassinados; outros 4,5 mil, desaparecidos. Mais de 30 mil feridos.

Seria talvez um break antes de fazer mais milhares de feridos e mutilados?

Ou seria, quem sabe, o interlúdio da limpeza étnica antes de tornar o restante dos 2,3 milhões de palestinos de Gaza refugiados novamente, como já são 73% deles desde 1948?

Não podemos seguir vendo e vivendo os crimes de “israel” contra a Palestina de tempo em tempo, a destruição de tempo em tempo, os cadáveres e escombros de tempo em tempo e aceitar que tudo se “resolve” com mais um cessar-fogo.

Não há o que comemorar se a matança de palestinos é quase tão sazonal quanto as estações do ano. Se o apartheid e ocupação são perenes há 76 anos.

Vamos celebrar a pausa de um genocídio continuado?

Seja em 4 dias ou daqui a um ano, vamos precisar clamar novamente por um “cessar-fogo temporário”, aguardando a próxima rodada do extermínio, que necessariamente virá, em seguida novo cessar-fogo, e assim renovar-se um ciclo vicioso que normaliza o genocídio continuado na Palestina e a metódica limpeza étnica?

Não. É necessário um cessar da ocupação israelense da Palestina e o fim de todos os crimes de guerra e de lesa-humanidade daí decorrentes.

Sem isso, a vida palestina seguirá a rotina interminável da destruição, que, depois de consumada, será interrompida por novo cessar-fogo.

“israel” obtém o sangue palestino que busca, inclusive para resolver seus problemas políticos domésticos, e um cessar-fogo, que garante sua impunidade, é louvado e aplaudido. Os crimes de “israel” é que precisam cessar, não meramente sua fúria genocida momentânea, até que venha a próxima.

Assim, é preciso dar fim a este ciclo vicioso. Novas agressões e novos e inúteis cessar-fogo só terão fim na cena Palestina quando “israel” sofrer as consequências de seus atos.

A Comunidade Internacional deve assumir suas responsabilidades e impor a “israel” total obediência às resoluções da ONU, ao Direito Internacional, bem como garantir proteção internacional ao povo palestino.

Que esse “cessar-fogo temporário” seja de alívio às necessidades urgentes do povo palestino em mais esse capítulo do genocídio e da limpeza étnica programada por “israel”.

Mas que seja também o primeiro passo para que a Comunidade Internacional comece de fato a olhar para povo palestino. Que se comece a enxergar o que é o sionismo e o que faz o sionismo.

Não há espaço para uma ideologia racista, supremacista, colonial e violenta em pleno século XXI.

Não há espaço para um genocídio em 2023. Não é mais possível conviver com o apartheid e a ocupação em nosso tempo.

17
Nov23

Apagar a Palestina

Talis Andrade
Ao final, Gaza, como o Gueto de Varsóvia, será inabitável. Mas “exterminar todos os bárbaros” vai além de Hitler e de Netanyahu. Sua origem está nas guerras coloniais que o Ocidente faz há cinco séculos, em nome de sua “civilização”

 

Por Chris Hedges para Mint Press News | Tradução: Maurício Ayer | Imagem: Hannibal Hanschke/EPA

Eu era repórter do New York Times, durante o cerco a Sarajevo. Nunca enfrentamos o nível de bombardeamento de saturação e o bloqueio quase total de alimentos, água, combustível e medicamentos que Israel impôs a Gaza. Nunca tivemos de suportar centenas de mortos e feridos por dia. Nunca enfrentamos a cumplicidade da comunidade internacional com a campanha sérvia de genocídio. Nunca suportamos a intervenção de Washington para bloquear resoluções de cessar-fogo. Nunca enfrentamos carregamentos maciços de armas dos EUA e de outros países ocidentais para sustentar o cerco. Nunca enfrentamos que notícias provenientes de Sarajevo fossem sistematicamente desacreditadas e rejeitadas pela comunidade internacional, embora 25 jornalistas tenham sido mortos na guerra pelas forças sérvias sitiantes. Nunca toleramos que os governos ocidentais justificassem o cerco como o direito dos sérvios de se defenderem, embora as forças de manutenção da paz da ONU enviadas para a Bósnia tenham sido em grande parte um gesto de relações públicas, ineficazes para travar a matança até serem forçadas a responder aos massacres que tiraram a vida de 8 mil homens e meninos bósnios em Srebrenica.

Não pretendo minimizar o horror do cerco de Sarajevo, que me dá pesadelos quase três décadas depois. Mas o que sofremos – trezentos a quatrocentos bombardeamentos por dia, quatro a cinco mortos por dia e duas dúzias de feridos por dia – é uma pequena fração da morte e destruição em massa em Gaza. O cerco israelense a Gaza assemelha-se mais ao ataque da Wehrmacht [as forças armadas alemães durante o cerco nazista] a Stalingrado, em que mais de 90% dos edifícios da cidade foram destruídos, do que a Sarajevo.

Na sexta-feira, a Faixa de Gaza teve toda a sua comunicação cortada. Ficaram sem internet. Sem serviço telefônico. Sem eletricidade. O objetivo de Israel é perpetrar o assassinato de dezenas, provavelmente centenas de milhares de palestinos e fazer a limpeza étnica daqueles que sobreviverem em campos de refugiados no Egito. Trata-se de uma tentativa de Israel de apagar não apenas o povo, mas a ideia da Palestina. É um cópia das campanhas maciças de massacre racializado levadas a cabo por outros projetos de colonização que acreditavam que a violência indiscriminada e generalizada poderia fazer desaparecer as aspirações de um povo oprimido, cujas terras roubaram. E tal como outros autores de genocídio, Israel pretende mantê-lo escondido.

A campanha de bombardeamento de Israel matou mais de 7.300 palestinos, quase metade dos quais crianças, juntamente com 26 jornalistas, profissionais de saúde, professores e funcionários das Nações Unidas. Cerca de 1,4 milhão de palestinos em Gaza foram deslocados, e cerca de 600 mil estão desabrigados. Mesquitas, 120 instalações de saúde, ambulâncias, escolas, blocos de apartamentos, supermercados, estações de tratamento de água e esgoto e centrais elétricas foram reduzidos a escombros. Hospitais e clínicas, sem combustível, medicamentos e eletricidade, foram bombardeadas ou estão fechadas. A água limpa está acabando. Gaza, no final da campanha de terra arrasada de Israel, será inabitável, uma tática que os nazistas empregavam regularmente quando enfrentavam a resistência armada, incluindo no Gueto de Varsóvia e, mais tarde, na própria Varsóvia. Quando Israel terminar, Gaza, ou pelo menos Gaza como a conhecíamos, não existirá.

Não só as táticas são as mesmas, também a retórica é igual. Os palestinos são chamados de animais, bestas e nazistas. Eles não têm o direito de existir. Seus filhos não têm o direito de existir. Eles devem ser extirpados da terra.

O extermínio daqueles cujas terras roubamos, cujos recursos saqueamos e cujo trabalho exploramos está codificado no nosso DNA. Pergunte aos nativos americanos. Pergunte aos indígenas. Pergunte aos congoleses. Pergunte aos Kikuyu no Quênia. Pergunte aos Herero na Namíbia que, tal como os Palestinos em Gaza, foram baleados e levados para campos de concentração no deserto, onde morreram de fome e doenças. Oitenta mil deles. Pergunte aos iraquianos. Pergunte aos afegãos. Pergunte aos sírios. Pergunte aos curdos. Pergunte aos líbios. Pergunte aos povos indígenas em todo o mundo. Eles sabem quem somos.

A face distorcida da invasão colonial de Israel pertence a nós. Nós fingimos ser outra coisa. Atribuímos a nós próprios virtudes e qualidades civilizatórias que são, como em Israel, justificativas frágeis para privar um povo ocupado e sitiado dos seus direitos, confiscando as suas terras e recorrendo à prisão prolongada, à tortura, à humilhação, à pobreza forçada e ao assassinato para mantê-los subjugados.

O nosso passado, incluindo o nosso passado recente no Oriente Médio, baseia-se na ideia de subjugar ou exterminar as raças “inferiores” da terra. Damos a essas raças “inferiores” nomes que personificam o mal. Estado Islâmico. Al Qaeda. Hezbolá. Hamas. Usamos insultos racistas para desumanizá-los. “Haji” “Sand Nigger” “Camel Jockey”, “Ali Baba”, “Dung Shoveler”. E então, porque eles personificam o mal, porque eles são menos que humanos, sentimos ter uma licença para – como disse Nissim Vaturi, membro do parlamento israelense pelo Likud, partido do governo – apagar “a Faixa de Gaza da face da terra”.

Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro de Israel, em entrevista à Sky Newsem 12 de outubro, disse, “Estamos lutando contra os nazistas” – em outras palavras, contra o mal absoluto.

Para não ficar atrás, primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, numa coletiva de imprensa com o chanceler alemão Olaf Scholz, descreveu o Hamas como “os novos nazistas”.

Pense sobre isso. Um povo, preso no maior campo de concentração do mundo durante 16 anos, a quem foi negada comida, água, combustível e medicamentos. Sem exército, força aérea, marinha, unidades mecanizadas, artilharia, comando e controle e baterias de mísseis, que está sendo massacrado e submetido à fome por uma das forças militares mais avançadas do planeta – e eles são os nazistas?

Há uma analogia histórica aqui. Mas não é algo que Bennett, Netanyahu ou qualquer outro líder israelita queira reconhecer.

Quando aqueles que estão ocupados se recusam a se submeter, quando continuam a resistir, abandonamos toda a pretensão da nossa missão “civilizadora” e desencadeamos, como em Gaza, uma orgia de massacre e destruição. Ficamos bêbados de violência. Essa violência nos deixa loucos. Matamos com ferocidade sem limites. Tornamo-nos as feras que acusamos os oprimidos de serem. Expomos a mentira da nossa alardeada superioridade moral. Expomos a verdade fundamental sobre a civilização ocidental: somos os assassinos mais implacáveis ​​e eficientes do planeta. Só por isso dominamos os “miseráveis ​​da terra”. Não tem nada a ver com democracia ou liberdade. Estes são direitos que nunca pretendemos conceder aos oprimidos.

“Honra, justiça, compaixão e liberdade são ideias que não têm adeptos”, lembra-nos Joseph Conrad, autor de No coração das trevas. “Só existem pessoas, sem conhecimento, compreensão ou sentimentos, que se intoxicam com palavras, repetem palavras, gritam-nas, imaginando que acreditam nelas sem acreditar em mais nada senão no lucro, na vantagem pessoal e na própria satisfação.”

O genocídio está no cerne do imperialismo ocidental. Não é exclusivo de Israel. Não é exclusivo dos nazistas. É o alicerce da dominação ocidental. Os partidários do “intervencionismo humanitário” que insistem que devemos bombardear e ocupar outras nações porque somos a encarnação da bondade – embora promovam a intervenção militar apenas quando esta é percebida como sendo do nosso interesse nacional – são idiotas úteis da máquina de guerra e do imperialismo global. Eles vivem em um conto de fadas de Alice no País das Maravilhas, onde os rios de sangue que geramos tornam o mundo um lugar melhor e mais feliz. Eles são os rostos sorridentes do genocídio. Você pode assisti-los em suas telas. Você pode ouvi-los proclamar sua pseudomoralidade na Casa Branca e no Congresso. Eles estão sempre errados. E eles nunca vão embora.

Talvez sejamos enganados pelas nossas próprias mentiras, mas a maior parte do mundo nos vê – a nós e a Israel – com clareza. Eles entendem nossas tendências genocidas, classificam a hipocrisia e a justiça própria. Eles veem que os palestinos – em grande parte sem amigos, sem poder, forçados a viver em campos de refugiados miseráveis ​​ou na diáspora, privados da sua pátria e eternamente perseguidos – sofrem o tipo de destino outrora reservado aos judeus. Esta, talvez, seja a ironia trágica final. Aqueles que anteriormente necessitaram de proteção contra o genocídio, agora, cometem-no.

14
Nov23

A “guerra” é o colonialismo continuado por outros meios

Talis Andrade
 

 

Não estamos falando do direito à defesa. Mas de uma política sistemática de extermínio, uma limpeza étnica justificada com uma mentira e a conivência silenciosa das democracias liberais

02
Nov23

Unicef denuncia carnificina de crianças palestinas na Faixa de Gaza

Talis Andrade
 
Image
 

O maior campo de concentração a céu aberto

 

por Aline Gouveia, Correio Braziliense

O Fundo de Emergência Internacional para Crianças das Nações Unidas (Unicef), repudiou, na quarta-feira (1º/11), os ataques israelenses a um campo de refugiados na Faixa de Gaza, que vitimou dezenas de pessoas, incluindo crianças. "As cenas de carnificina ocorridas no campo de Jabaliya após os ataques de ontem e de hoje, são horríveis e aterradoras", disse a organização. O Unicef também pediu um cessar-fogo imediato na região. "A matança e o cativeiro de crianças devem acabar. As crianças não são um alvo". 

Segundo a agência, os ataques ao campo de refugiados se somam a 25 dias de bombardeamentos que mataram cerca de 3.500 crianças e deixaram outras 6.800 feridas desde o início do conflito em 7 de outubro, quando o grupo extremista Hamas atacou Israel de surpresa. "Isto significaria mais de 400 crianças mortas ou feridas por dia, durante 25 dias consecutivos. Isto não pode se tornar o novo normal", alertou a organização internacional.
 

O Unicef também ressaltou a necessidade de Israel respeitar o direito internacional humanitário e poupar a população civil dos ataques. “Ataques desta escala em bairros residenciais densamente povoados podem ter efeitos indiscriminados e são completamente inaceitáveis. Os refugiados e as pessoas deslocadas internamente são protegidos pelo direito humanitário internacional. As partes em conflito têm a obrigação de protegê-las de ataques", disse.

 

"Cemitério para milhares de crianças e adolescentes"

Na terça-feira (31/10), o porta-voz do Unicef, James Elder, disse que a Faixa de Gaza, região que abriga mais de 2 milhões de habitantes, tem se tornado um "cemitério para crianças e adolescentes" e denunciou a crise humanitária e falta de insumos básicos que a população tem sofrido. 

"E é um inferno em vida para todos os outros. As ameaças para meninas e meninos vão além das bombas e dos morteiros. Quero falar brevemente sobre água e trauma. Os mais de um milhão de crianças e adolescentes de Gaza também enfrentam uma crise hídrica. A capacidade de produção de água de Gaza é de apenas 5% da sua produção diária habitual. A morte de meninas e meninos – especialmente de bebês – devido à desidratação é uma ameaça crescente", afirmou James Elder.

De acordo com o porta-voz, mesmo com um cessar-fogo imediato, as crianças ainda sentirão os impactos por causa dos traumas causados pela guerra. "Antes desta última escalada, mais de 800 mil meninas e meninos em Gaza – três quartos de toda a sua população de crianças e adolescentes – foram identificados como necessitando de apoio para saúde mental e apoio psicossocial. Isso foi antes deste último pesadelo", relata James.

29
Out23

Israel não tem solução para Gaza depois da guerra, alertam especialistas

Talis Andrade
 

Palestinos estão sem comunicação — Foto: EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK

Palestinos estão sem comunicação — Foto: EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK

Por Paul Adams, BBC News

 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu “mudar o Médio Oriente”. O presidente americano Joe Biden disse que “não há como voltar atrás”. Mas a medida que as forças israelenses intensificam os seus ataques à Faixa de Gaza e emitem novos e urgentes avisos aos palestinianos irem para o sul, para onde vai a guerra e o que vem a seguir?

Israel continua dizendo que pretende destruir o Hamas “militar e politicamente”.

Mas, para além da aplicação de um poderio militar implacável e esmagador, não está claro como esta ambição sem precedentes será alcançada.

“Você não pode tomar uma atitude tão drástica sem um plano para o dia seguinte”, afirma Michael Milshtein, chefe do grupo de estudos palestinos do Centro Moshe Dayan, da Universidade de Tel Aviv.

Ex-membro da inteligência militar de Israel, Milshtein, teme que não tenha existido esse planejamento.

Diplomatas europeus dizem que estão conduzindo discussões intensas com Israel sobre o futuro, mas que até agora nada está claro.

"Você pode esboçar algumas ideias no papel, mas torná-las reais exige semanas, meses de diplomacia”, disse um deles, que pediu anonimato.

Planos militares existem - desde a destruição da capacidade militar do Hamas até a tomada de boa parte da Faixa de Gaza. Mas fontes ouvidas pela BBC com longa experiência em crises do tipo dizem que o planejamento não vai além disso.

“Não creio que exista uma solução viável e funcional para Gaza para o momento seguinte ao da evacuação das nossas forças”, afirma Haim Tomer, ex-membro do Mossad, o serviço secreto de Israel.

Os israelenses são praticamente unânimes sobre o desejo de derrotar o Hamas e não permitir mais que eles governem Gaza.

Mas o Hamas, diz Milshtein, é uma ideia - não algo que Israel possa simplesmente apagar.

Ele faz um paralelo com o Iraque em 2003, quando as forças lideradas pelos EUA tentaram remover todos os vestígios do regime de Saddam Hussein. O plano foi um desastre, diz.

Deixou centenas de milhares de funcionários públicos iraquianos e membros das forças armadas sem trabalho, lançando as sementes para uma insurreição devastadora.

Veteranos americanos desse conflito estão em Israel, conversando com os militares israelenses sobre as suas experiências em lugares como Falluja e Mosul.

“Espero que expliquem que cometeram alguns erros enormes no Iraque”, diz Milshtein.

"Israel não pode ter a ilusão de erradicar o partido no poder ou mudar a opinião das pessoas. Isso não vai acontecer."

Os palestinos concordam.

“O Hamas é uma organização popular de base”, diz Mustafa Barghouti, presidente da Iniciativa Nacional Palestina. “Se quiserem remover o Hamas, terão de fazer uma limpeza étnica em toda Gaza.”

Essa ideia - de que Israel pretende forçar centenas de milhares de palestinianos a sair da Faixa de Gaza e a entrar no Egito - está despertando os medos palestinianos mais profundos.

Para uma população já constituída em grande parte por refugiados - que fugiram ou foram expulsos das suas casas quando Israel foi fundado - a ideia de outro êxodo em massa evoca memórias dos acontecimentos traumáticos de 1948.

“Fugir significa uma passagem só de ida”, diz Diana Buttu, ex-porta-voz da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Giora Eiland, ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional de Israel, diz que a única forma do país concretizar as suas ambições militares em Gaza sem matar muitos palestinianos inocentes é a evacuação dos civis.

O pedido de Joe Biden de financiamento ao Congresso para apoiar Israel e Ucrânia é outro fator que gera temor entre os palestinos.

Até agora, Israel não disse oficialmente que quer que os palestinianos atravessem a fronteira. As Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram repetidamente aos civis que se deslocassem para “áreas seguras” mal definidas no sul.

Mas o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sissi, alertou que a guerra de Israel em Gaza pode ser “uma tentativa de forçar os habitantes civis a migrar para o Egipto”.

Supondo que ainda existam palestinos em Gaza quando a guerra acabar, quem irá governá-los?

“Essa é a pergunta de um milhão de dólares”, diz Milshtein.

Israel, diz ele, deveria apoiar a criação de uma nova administração, dirigida pelos habitantes de Gaza, com a adesão dos líderes locais e o apoio dos EUA, do Egito e talvez da Arábia Saudita. A nova administração deveria também incluir líderes do Fatah, o grupo palestino que hoje controla Autoridade Palestina (ANP) na Cisjordân ia e que o Hamas expulsou de Gaza.

Hoje, no entanto, a ANP e seu presidente Mahmud Abbas são impopulares entre os palestinianos na Faixa de Gaza.

Diana Buttu diz que a ANP pode até querer regressar a Gaza, mas não “nas costas de um tanque israelense”.

A veterana palestina Hanan Ashrawi, que foi membro da ANP na década de 1990, irrita-se com a ideia de que estrangeiros, incluindo Israel, tentarão mais uma vez determinar como os palestinianos conduzem suas vidas.

“As pessoas pensam que é um tabuleiro de xadrez e que podem mover alguns peões aqui e ali e dar um xeque-mate no final. Isso não vai acontecer”, diz ela.

Entre aqueles que já lidaram com guerras em Gaza antes, há uma profunda apreensão e uma sensação de que quase tudo já foi tentado antes.

O ex-oficial do Mossad Haim Tomer diz que suspenderia as operações militares por um mês, num esforço para retirar os reféns primeiro.

Em 2012, após uma ronda anterior de combates em Gaza, ele acompanhou o diretor da Mossad ao Cairo para conversas que resultaram num cessar-fogo. Os representantes do Hamas, diz ele, estavam presentes, com as autoridades egípcias fazendo o meio campo. Um mecanismo semelhante deveria ser utilizado novamente, diz ele, mesmo que Israel tivesse que libertar prisioneiros.

"Não me importo se libertarmos alguns milhares de prisioneiros do Hamas. Quero ver os reféns voltando para casa."

Israel, diz ele, poderia então decidir se retoma as operações militares em grande escala ou optaria por um cessar-fogo de longo prazo.

Vídeo: Embaixadas dos Estados Unidos e de Israel foram alvos de protestos e ameaças após o bombardeio de um hospital na Faixa de Gaza que deixou quase 500 mortos na noite desta terça-feira (17).
 

Vídeo: Aconteceu sexta-feira última (27) uma série de protestos pró-Palestina. A comunicação foi cortada da Faixa de Gaza, num gesto considerado por diplomatas estrangeiros como um sinal de que existe um risco iminente de uma ofensiva militar ainda maior sobre a região.
 
Vídeo: Manifestações pró-Palestina se espalham pelo mundo inteiro
 

 Vídeo: Milhares de pessoas foram às ruas pelo mundo, neste sábado (28), para protestarem a favor da Palestina. Os manifestantes, que exibem bandeiras pró-palestina, pedem o fim dos bombardeios na Faixa de Gaza, que já mataram mais de 7 mil palestinos.
 

Vídeo: Uma manifestação de apoio à Palestina, e que pedia o cessar-fogo do governo israelense, acabou em confronto com a polícia, no último sábado (21) em Nova York, EUA. A 'marcha' pelo povo palestino, que atravessou bairros como Queen e Brooklyn de forma pacífica, terminou com confronto entre manifestantes e policiais.
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29
Out23

Apoiar Israel neste momento é o mesmo que apoiar o nazismo

Talis Andrade

theosophical-society  Símbolo da Sociedade Teoso

 

NetanyaHitler e o Holocausto palestino

 
por Ricardo Nêggo Tom
 
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Não bastasse os crimes de guerra e o genocídio que vem sendo praticado pelo Estado de Israel contra o povo palestino, onde mais de sete mil pessoas já foram mortas, das quais, 40% delas são crianças inocentes, ainda temos que ouvir o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, evocar a narrativa da luta do bem contra o mal, afirmando que ele representa o povo da luz e que fará a profecia de Isaías se cumprir para o seu povo. A profecia bíblica que fala que a terra prometida seria herdada pelos descendentes de Israel. Para tanto, o primeiro-ministro israelense repete Hitler, aquele que dizimou milhões de judeus na Alemanha nazista, também sob a defesa de uma suposta luz que fazia a sua raça superior as demais.

Hitler acreditava que a história da humanidade era uma constante luta entre as raças, onde a raça superior teria o direito de utilizar de todos os meios necessários para manter a sua pureza, impor sua superioridade e estabelecer um domínio sobre as outras. O mesmo preconceito étnico utilizado por Netanyahu para promover ódio contra os palestinos e tentar fazer o mundo enxergá-los como uma raça problemática e culpada pela própria tragédia que se abate sobre eles neste momento. Assim como o pensamento do fuhrer foi disseminado entre os alemães, que passaram a nutrir o mesmo ódio do seu líder pelos judeus, o projeto de poder de Netanyahu foi assimilado pelo povo de Israel, que enxerga os palestinos como um mal a ser abatido para que a tal promessa de Deus se cumpra para os seus.

Outro fato curioso, que revela mais uma coincidência entre Hitler e Netanyahu, é que o comunismo é um inimigo comum de ambos. Tal como o genocida alemão, que era um severo crítico de Karl Marx, que era judeu, e dedicou algumas páginas do seu livro ” Mein Kampf ”para atacar a ideologia comunista, o genocida israelense também costuma apostar na demonização do comunismo como uma espécie de apito de cachorro para os seus convertidos. A invasão sangrenta promovida por Israel na Palestina, toma contornos ainda mais dramáticos quando surge a notícia de que Gaza está incomunicável, após ter a energia e os sinais de internet cortados. É carnificina, matança, massacre, crime humanitário, sob os olhos de um mundo que assiste inerte a mais um capítulo sangrento da nossa história. 

Seria o sionismo, o conceito político-ideológico sob o qual se alicerça o Estado de Israel, uma espécie de nazismo? O genocídio étnico cometido pela Alemanha nazista contra os judeus, apresentava um elemento que o tornava diferente dos outros genocídios étnicos cometidos ao longo da história. Além do ódio fomentado ideologicamente contra os judeus, o desprezo por suas vidas era algo assustador. As humilhações que eram impostas a eles, são semelhantes às impostas pelos judeus ortodoxos contra os palestinos. O hábito de cuspir em freiras, padres, cristãos e muçulmanos, é um exemplo e faz parte da cultura de ódio presente em Jerusalém. Também é comum manifestações populares onde os gritos de ”morte” aos árabes eclodem naturalmente da parte dos judeus, incluindo crianças judias, que são instigadas a agredir verbal e até fisicamente os chamados ”gentios”, ou seja, os não judeus.

Compreender as ações de Israel neste momento, ou, até mesmo, tentar justifica-las como autodefesa, quando o número de mortos do lado palestino é seis vezes maior do que do lado israelense, é o mesmo que compreender e justificar o ”Mein Kampf” de Hitler em defesa da superioridade ariana e do direito de subjugar outras raças que ele considerava inferiores e um obstáculo para a evolução econômica e social do seu povo. Nada, absolutamente nada, justifica as ações criminosas que estão sendo perpetradas por Israel contra a Palestina. Da mesma forma que nada justificava o Holocausto imposto por Hitler sobre os judeus, não há geopolítica que se sobreponha às vidas humanas que estão sendo ceifadas neste conflito. Não há nenhuma promessa de Deus a se cumprir à custa da morte de milhares de crianças. Não há terra prometida a ser conquistada em meio a dor e o sofrimento dos verdadeiros donos desta terra. Isto é loucura e maldade. É o horror e o inferno. E a história fará Israel e seus apoiadores, principalmente, o imperialismo diabólico dos EUA, arderem no fogo eterno.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22
Out23

Bombardeio em Gaza mata a poeta Heba Abu Nada

Talis Andrade
 
 
 
 
 

 

 

A poeta e romancista palestina Heba Abu Nada, autora do romance Oxygen is Not for the Dead (2017) - obra sem tradução para o português - , morreu sob bombardeio em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, na sexta-feira (20), anunciou o Ministério da Cultura palestino.

Nascida em Meca em 1991, Abu Nada estudou bioquímica na Universidade Islâmica de Gaza e concluiu um mestrado em nutrição clínica. Em 2017, ela ficou em segundo lugar no Prêmio Sharjah de Criatividade Árabe na categoria romance por sua estreia, Oxygen is Not for the Dead.

Nos últimos dias, ela usava a conta no Twitter para se referir ao conflito instalado na Faixa de Gaza desde o dia 7 de outubro.

 

"A noite da cidade é escura,

exceto pelo brilho dos mísseis,

silenciosa, exceto pelo som dos bombardeios,

assustadora, exceto pela garantia das súplicas....",

publicou a poetisa no dia 8 de outubro. 

Veja vídeo Abu Nada recitando um poema traduzido para o espanhol aqui.

 

La poeta palestina, Heba Abu Nada, murió ayer a los 32 años durante los bombardeos de Israel sobre la franja de Gaza.

11
Out23

"A cada bomba minha filha tapa as orelhas e pergunta 'o que é isso, papai?'", diz palestino-brasileiro na Faixa de Gaza

Talis Andrade

Hasan Rabee mora no Brasil e viajou para a Faixa de Gaza com a esposa e as duas filhas pequenas para visitar a mãe e as irmãs. À RFI, ele contou o horror que vive com os bombardeios israelenses. "Não existe lugar seguro aqui", relatou.

O palestino-brasileiro Hasan Rabee ao lado das duas filhas.
O palestino-brasileiro Hasan Rabee ao lado das duas filhas. © Arquivo Pessoal
RFI
 
 

O palestino-brasileiro chegou há dez dias à cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, sem imaginar o que estaria por vir. Desde que os bombardeios israelenses tiveram início, em retaliação ao ataque do grupo Hamas no último fim de semana, ele está em contato com as autoridades brasileiras para tentar voltar ao país.

A situação no local, segundo Hasan, é calamitosa. "Faltam alimentos, Israel cortou a água e a luz, a torre central de telecomunicação foi destruída. Estão tentando cortar tudo para matar a gente", diz.

Hasan classifica como "mentira" a alegação das forças de Israel de que apenas as infraestruturas do Hamas estão sendo visadas. "Eles atacam residências de civis, bairros inteiros estão no chão. O que estão fazendo conosco é uma miséria", afirma.

O palestino-brasileiro afirma que quando os ataques israelenses começam, os moradores não sabem como se proteger. "Não existe abrigo antibomba na Faixa de Gaza. Não há onde se esconder", salienta.

Pai de duas meninas, ele conta que ele e a mulher tentam lidar com o estresse da filha mais nova. "A cada bomba que cai, ela tapa as orelhas e pergunta 'o que é isso, papai?' A gente diz que é uma festa, que um time de futebol venceu uma partida e as pessoas estão comemorando", conta.

Hasan está em contato com as autoridades brasileiras para tentar voltar para o país. Mas teme que o fechamento dos pontos de passagem o impeçam de sair da Faixa de Gaza. "A única esperança que tínhamos era a passagem de Rafah, mas Israel já destruiu tudo lá", afirma, referindo-se ao ponto fronteiriço entre o enclave e o Egito, bombardeado diversas vezes nos últimos dias. 

O palestino-brasileiro classifica como "uma loucura" o pedido do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para os civis deixarem a Faixa de Gaza. "Vamos sair por onde?", questiona, classificando o enclave como "a maior prisão do mundo". "Não tem por onde sair!"

 

Temor que conflito se espalhe na Cisjordânia

O palestino-brasileiro Akram Affaneh mora em Ramallah há 30 anos, para onde se mudou do Brasil com a família na adolescência. Segundo ele, atualmente, a situação é relativamente calma na Cisjordânia, mas a apreensão dos moradores é grande.

"A gente vivencia a tensão e o medo. No sábado, no dia dos ataques, a gente viu filas em postos de gasolina, aglomerações em supermercados, com o receio de que o conflito possa se estender para cá", diz. 

Em Ramallah, a cerca de 80 quilômetros da Faixa de Gaza, Akram relata que o impacto dos bombardeios israelenses é sentido na cidade. "A gente ouve os estrondos dos mísseis e as sirenes, o que causa muito medo aqui", explica.

O brasileiro-palestino Akram Affaneh mora em Ramallah há 30 anos.
O brasileiro-palestino Akram Affaneh mora em Ramallah há 30 anos. © Arquivo Pessoal

 

Akram também relata que a explosão de violência suscita um sentimento de frustração por parte dos palestinos que veem o sonho de ter um país se distanciar. "Tentou-se muitas vezes, através dos acordos de paz, de conversas e negociações com Israel, obter direitos. Mas infelizmente esse processo de paz nessas últimas décadas se mostrou uma enrolação do lado israelense, para eles ganharem tempo e continuarem a construção de mais colônias e incentivar mais israelenses a virem morar nesses assentamentos que eram pra ser o Estado palestino no futuro, praticamente anulando essa possibilidade", observa.

A palestino-brasileira Ruayda Rabah, também moradora de Ramallah, teme ser alvo de agressões. "Esse novo governo fascista israelense tem incentivado os colonos a atacarem, queimarem, matarem a população palestina. Eles estão dentro do território palestino e já roubam terras, acabam com as plantações palestinas, queimam oliveiras", denuncia, temendo uma "limpeza étnica".

 

Tarja de terrorista

Ruayda se revolta quando fala da tarja de terrorista imposta à população palestina. "Há mais de 75 anos são agressões diárias, não cumprimento de leis internacionais. Todo e qualquer direito que o povo palestino tem é infringido por Israel, que nunca foi condenado por nenhum crime. Então, é indigno que alguém coloque essa tarja em um palestino. Chamar um povo inteiro de terrorista é inadmissível", diz. 

Ruayda, que é professora e tradutora, viajou na última quarta-feira (4) a Portugal para um simpósio e acompanhou de longe os ataques do último fim de semana e as retaliações dos últimos dias. O marido e o filho, de 14 anos, relatam à ela os desdobramentos da guerra e o agravamento das violências. 

A palestino-brasileira Ruayda Rabah tem esperanças de um futuro melhor.
A palestino-brasileira Ruayda Rabah tem esperanças de um futuro melhor. © Arquivo Pessoal

 

Ela se emociona ao lembrar as conversas com o filho quando falam por telefone. "Ele me pergunta: 'mamãe, por que estão matando? Por que estão nos chamando de terroristas?"

Segundo Ruayda, essas são dúvidas que emergem não apenas em sua família. "As crianças não conseguem entender o que acontece. Já estamos na terceira geração que não conhece absolutamente nada que não seja a violência do Estado de Israel", lamenta.

A professora e tradutora conta que quando viaja com o filho para o Brasil, ela e o marido se impressionam com as observações que o garoto faz sobre a possibilidade de circulação sem controle. "Ele diz: 'Aqui não tem check-point? Aqui a gente pode andar livre, ninguém vai nos impedir de ir e vir?'. Com três, quatro anos de idade, ele já percebia que podíamos atravessar a fronteira para o Paraguai, para a Argentina, para o Uruguai sem sermos barrados", relembra.

Apesar de toda a revolta com a perpetuação das injustiças e violências, Ruayda mantém as esperanças de um futuro melhor. "Gostaria que a opinião pública pressionasse os governos que apoiam Israel para que eles convençam Israel a respeitar todas as resoluções da ONU, todas as leis internacionais e que desocupe o território palestino para colocar um fim a essa ocupação animalesca", diz.

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