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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

19
Mai22

Racismo na igreja

Talis Andrade
Lubaina Himid, Entre os dois meu coração está equilibrado, 1991


O vereador Renato de Freitas é mais um negro vítima do racismo cristão
 
 
por Simony dos Anjos

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Renato Freitas, frente à violência das mortes de Moïse Kabamgabe e de Durval Teófilo Filho, se juntou a outras pessoas negras em uma manifestação em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito, na capital do estado do Paraná. Por ser um sábado havia uma missa em curso e após o encerramento da missa, os manifestantes adentraram à Igreja. Em uma cidade conservadora e cristã, como Curitiba, isso soou como “vilipêndio da religião alheia”, nas palavras de um dos vereadores que propuseram a cassação do mandato de vereador de Renato Freitas (PT).

Temos aqui muitos elementos a serem discutidos em relação a toda a violência e racismo que envolvem essa situação: (i) a entrada de manifestantes em uma igreja revolta mais os “cidadãos de bem” do que a própria morte de Moïse e Durval; (ii) a oportunidade de acusar um parlamentar negro de quebra de decoro e, assim, cassar seu mandato e (iii) a indiferença ao que a população negra tem a dizer sobre esse acontecimento.

O que torna a questão ainda mais complexa é que a Igreja que foi então ocupada por manifestantes é nada mais, nada menos, que uma igreja que mobilizou muitas pessoas negras no decorrer da história da cidade de Curitiba. Portanto, a igreja tem uma simbologia na luta negra e antirracista da cidade. Fundada em 1737, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito teve a sua primeira construção – que foi demolida em 1931 –, feita por escravizados e para que os escravizados pudessem frequentar a missa.

Ora, nada mais justo que uma manifestação desse porte e conteúdo acontecesse em um local historicamente pertencente às pessoas negras e que serviu de cenário para articulação de pessoas escravizadas na resistência à escravidão brasileira. Como pessoa negra cristã, o que me chama a atenção nesta história toda é que ao invés de cristãs e cristãos se arrependerem do pecado do racismo e se colocarem na trincheira da luta por reparação histórica, se resignam e ainda se ofendem ao serem confrontados com seu próprio racismo.

Sim, esse caso se trata de racismo das igrejas cristãs, pois afirmam que houve desrespeito com o espaço religioso, mas não admitem nunca o papel crucial da Igreja Católica na justificação moral e religiosa da escravização, no Brasil. Lembro-me do quadro do Debret, Jovens negras indo à Igreja para serem batizadas (1821), no qual as mulheres sequestradas em África vão para a igreja antes de serem estupradas, exploradas e torturadas nas mãos dos senhores de engenho. Portanto, frente às atrocidades que a Igreja Católica (e muitas protestantes) cometeram e apoiaram contra negros e indígenas brasileiros, ceder seus templos para que o movimento negro faça denúncias é o mínimo!

O fato é esse, as mãos dos cristãos estão cheias de sangue, e não há cassação que faça essas mãos se limparem. E o próprio fato de certos cidadãos ditos de bem se incomodarem mais com um ato antirracista dentro de uma Igreja que historicamente é referência do movimento negro curitibano, do que com as mortes de Moïse e Durval, mostra que esses cidadãos querem silenciar o movimento negro.

O segundo ponto é fulcral neste debate: a cassação de Renato. A própria diocese de Curitiba se pronunciou contrária a esse absurdo e em nota disse que essa punição é desproporcional. Contudo, a pena de cassação foi proposta por Sidnei Toaldo por “realização de ato político no interior da igreja”. Sabemos do que se trata na verdade: uma vez que entramos nos espaços de poder, a branquitude faz de tudo para que saíamos. Seja por manobras institucionais, como esta, ou com a nossa própria morte – como ocorreu com Marielle Franco.

Deve ser muito desconfortável ouvir todos os dias que seus ideais são racistas, não? Ver que o espaço de poder não é mais hegemonicamente branco e masculino. Quando Renato abre sua boca para dar voz aos movimentos sociais de Curitiba, ele enfia uma faca no âmago das estruturas racistas, machistas e lgbtfóbicas que sustentam os “homens de bem”. E é por isso que qualquer motivação será o suficiente para arrancar o mandato de uma liderança popular eleita pelo povo e para o povo.

Por fim, a pergunta que fica é: o que pensa a população negra sobre essa cassação absurda? Dos 38 vereadores da casa, apenas 3 são negros. A cidade mais negra do sul, tem 24% de pessoas negras na sua população, mas não tem 24% de vereadores negros na câmara. Será que essa população aprova o movimento negro pedindo misericórdia na Igreja Nossa Senhora do Rosário para as vidas negras perdidas para a violência racista em nossas cidades? Eu acredito que sim. Esse comitê de ética composto por pessoas brancas que não têm qualquer empatia com a causa negra, não está apta para julgar a dor e a denúncia das pessoas negras, que têm seus corpos e direitos vilipendiados todos os dias.

Para os cidadãos de bem cristãos, eu digo, é tempo de arrependimento do pecado do racismo. Pecado esse que garantiu a construção de um país por meio da justificação religiosa do trabalho escravo. É tempo de assumir o lado certo da história e repensar como nossas igrejas dia a dia têm contribuído para o racismo brasileiro. Tenho certeza que neste caso, Jesus estaria não só com os manifestantes, como diria: a casa de Deus é a casa do povo, venham e tomem assento. Racistas, não passarão!

12
Mai22

Brasil registrou uma morte violenta de LGBTs a cada 27 horas em 2021

Talis Andrade

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Ao todo, foram registradas 316 mortes, número 33,33% maior que em 2020, quando ocorreram 237 óbitos

 
 

Dossiê divulgado nessa quarta-feira (11/5) aponta que, em 2021, a cada 27 horas uma pessoa morreu vítima da violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no Brasil. Ao todo, foram registradas 316 mortes, o que representa um aumento de 33,33% em relação a 2020, quando ocorreram 237 óbitos.

Entre as causas, 262 foram vítimas de homicídio e, 23, de latrocínio. Juntos, os crimes violentos representam 90,19% das causas dos óbitos relacionados à orientação sexual e identidade de gênero. Também foram documentados 26 suicídios e cinco pessoas morreram por outras causas.

As principais populações afetadas foram homens gays (145) e travestis e mulheres trans (141), que somaram 286 óbitos. Em menor número, aparecem mulheres lésbicas (12), homens trans e pessoas transmaculinas (8), bissexuais (3), outros segmentos (3) e aqueles que não tiveram a identidade de gênero ou orientação sexual não informada (4).

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Subnotificação

O documento foi produzido por meio do Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+, coordenado pelo Acontece – Arte e Política LGBTI+ e pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), em parceria com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT).

As organizações apontam que, apesar dos índices serem alarmantes, os números ainda podem ser subnotificados. Isso ocorre porque o levantamento tem notícias publicadas em veículos de imprensa como principal fontes dos dados. Além disso, quando também são consultadas denúncias feitas por meio das redes sociais.

 

“Como dependemos do reconhecimento da identidade de gênero e da orientação sexual das vítimas por parte dos veículos de comunicação que reportam as mortes, é possível que muitos casos de violências praticadas contra pessoas LGBTI+ sejam omitidos.”

 

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26
Mar22

Mostra tua cara

Talis Andrade

 

Você acha que a aids ficou na década de 1980? A doença ainda persiste. E as mesmas ideias preconceituosas, estereótipos e discursos conservadores também

A manchete de 1988 intitulada “Paciente zero”, a respeito da aids nos Estados Unidos, transpassa uma ideia da realidade da época. Mas são os rabiscos agressivos em vermelho na imagem [“Pervertido” apontando para a foto de Gaetan Dugas] que realmente expõem o que de certa forma ainda é atual. O estereótipo do homem gay como culpado e ao mesmo tempo vítima da doença.

No livro “Doença como metáfora / AIDS e suas metáforas”, Susan Sontag explica que encarar a aids metaforicamente seria vê-la como uma espécie de peste, condenação moral da sociedade. Essa manchete não é um acaso. Mas foi a forma encontrada de aterrorizar a população e reforçar a homofobia e as pautas conservadoras. A liberdade sexual, que é luta constante da comunidade LGBTQIA+, naquele momento foi ameaçada pelo vírus e pelo preconceito.

A metáfora da aids era o castigo desse grupo, tido como merecedor – pelo comportamento fora dos padrões sociais impostos. Mas, ao contrário do que pensavam, a doença não tinha cara. Enquanto o número de mortes de pessoas LGBTQIA+ aumentava, o governo norte-americano se mantinha calado.

A situação não foi muito diferente no Brasil – com a narrativa conservadora de terror e os homens gays como a “cara” da aids.

 

Estava tudo bem. Praia, festas, amor; ficar com quem quisesse quando quisesse. A liberdade estava finalmente chegando, e os brasileiros ansiavam por ela. A doença estava longe, não era motivo de preocupação. Até que ela atingiu, e não foi só pela saúde que as vítimas tiveram que lutar.

A população LGBTQIA+, especialmente os homens gays, viraram alvos. O grande sensacionalismo na imprensa – chamando a aids de “peste gay”, por exemplo – inflou o preconceito e o medo. Se a economia do país fosse prejudicada, seria culpa deles. Se o sistema de saúde colapsasse, seria culpa deles. Se mulheres e crianças contraíssem a doença, seria culpa deles. Se morressem, bom, bem-feito.

“Não tenho nenhuma direção, é horrível, eu simplesmente não sei o que fazer, vazio.” As palavras do artista cearense Leonilson, no início dos anos 1990, refletem a situação dos soropositivos. Sem saída, acometidos pela solidão e sem apoio de ninguém além dos seus. A sociedade não queria olhar para eles, desviava os olhos. Até que não pôde mais ignorar.

 

No meio de tanta desinformação, temor, veio um grito: Cazuza revelava que era soropositivo. Esse primeiro grito mudou a trajetória da aids no Brasil: agora ela não estava mais às margens, estava no centro da sociedade. Um homem jovem, promissor, popular, cheio de vida. Apesar de tudo, ele não perdeu essa vivacidade.

“Eu acho que a aids caiu como uma luva no modelinho da direita e da Igreja”, disse Cazuza, no programa “Cara a Cara”, em 1988. Ele via as campanhas contra a aids não como algo para trazer esperança para quem estava doente, eram “propagandas da morte”. Dizer “a aids mata” ou “a aids não tem cura” servia mais para condenar o infectado do que para realizar um trabalho de prevenção.

Cazuza não queria ser associado a isso, a essa visão da aids como sentença de morte. Por isso ele continuou compondo e cantando. Sua música levou a vivência como soropositivo mais longe: “O meu tesão/ Agora é risco de vida/ Meu sex and drugs não tem nenhum rock and roll”.

E as pessoas ouviram: sua honestidade trouxe a pauta para a discussão pública. Graças à pressão de movimentos sociais, o Brasil organizou uma resposta eficiente à epidemia. No começo, o que eram apenas redes de solidariedade e apoio se transformou em reconhecimento internacional ao programa de acesso universal aos medicamentos antirretrovirais implantado no país.

A doença, porém, não foi embora. E o preconceito, também não.

 

 

A mídia, a família e os amigos, todos diziam que eles iriam morrer. Porém, muitos sobreviveram e o que restou foi o isolamento e a dor. A manchete acima é de 2012, mas o sentimento ainda persiste. A discriminação se dá de diferentes formas em diversos ambientes. A perda do emprego, a exclusão de atividades sociais e os comentários preconceituosos. Enquanto essa for a realidade de pessoas que vivem com HIV, a discussão será necessária. O debate precisa de vozes dispostas a quebrar paradigmas. Mostrar a cara não é fácil, mas é necessário.

A questão é que o tema precisa estar em evidência para que o preconceito possa ser combatido. Ainda hoje é um tabu. As medidas de saúde públicas e de exames são pouco divulgadas e o senso comum sobre a doença continua arcaico. A primeira reação diante de um teste positivo de HIV não deveria ser de medo ou desespero, mas de saber que não se está sozinho e que o tratamento é eficiente e de fácil acesso.

Felizmente, mais figuras públicas têm se pronunciado sobre o diagnóstico positivo nos últimos anos e mostrado que é possível ter uma boa qualidade de vida apesar dele. Desde jogadores de basquete a personalidades de reality shows: o HIV não deve mais ser visto como uma condição restrita à determinada sexualidade ou a um estilo de vida. Precisamos que ela não seja mais chocante do que o diabetes, por exemplo, e que seus portadores não sejam alvo de julgamentos.

A aids ainda existe, não é um problema que já foi resolvido e podemos esquecer. Ela está presente na sociedade, afeta milhares de pessoas e precisa ser discutida, não empurrada para debaixo do tapete: evoluímos demais para cometer esse erro novamente. A aids não tem cara, mas os portadores do HIV não são invisíveis. Temos que ver seus rostos, ouvir suas histórias e não deixar que uma doença de 40 anos atrás os impeça de viver em liberdade.

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SAIBA MAIS

08
Mar20

Mulheres protagonizam hoje unidade progressista pela vida, pelos direitos e contra Bolsonaro

Talis Andrade

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Mulheres de mais de 50 organizações vão marchar unidas contra os ataques do governo Bolsonaro em todo país, neste 8 de março. Oito partidos progressistas e diversas organizações sindicais, populares, sociais e civis, estarão unidas para enfrentar o projeto ultraneoliberal em vigor no país. Para expressar essa unidade, elas lançaram uma convocatória unificada em defesa das vida das mulheres e dos direitos sociais e trabalhistas.

Mulheres do PT, PCdoB, PSOL, PSTU, PCR, PCB, PDT e PSB assinam o documento ao lado de companheiras de organizações como a CUT, CSP-Conluntas, Intersindical, MST, MTST, MNU, MMM, MML, UBM, UNE,  UBES, UJS, UJR, DEFEMDE e ABLGT, entre outros movimentos, organizações como UJR, RUA, UP, Afronte!, ABL, ANPG, ANTRA,  Artjovem LGBT.

Na abertura do diálogo em relação ao feminismo e religião, destaque para Católicas Pelo Direito de Decidir e Evangélicas Pela Igualdade de Gênero, que fazem parte da marcha unificada e estarão unidas contra a violência e os ataques do governo Bolsonaro.

Também estão presentes os coletivos Círculo Palmarino, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Coletivo Juntas, Coletivo Negro Minervino Oliveira, Coletivo Para Todas e organizações como CONTAG, Feministas Anticapitalistas, Instituto Plurais, Juventude Rebeldia,  MAMA, MMN de São Paulo,  Movimento de Mulheres Olga Benário,  MCONEN, MLB, Rede Afro LGBT, Rede Emancipa de Cursinhos Populares, Resistência Feminista, União de Mulheres do Município de São Paulo e Unidade Classista.

Todas às ruas no dia 8 de março: Contra o governo Bolsonaro e pela vida das mulheres

Em 2018, milhões de mulheres ocuparam as ruas do Brasil para dizer de forma sonora que o projeto político ultraneoliberal e conservador apresentado por Bolsonaro não nos representa e ameaça nossas vidas e nossa liberdade. O movimento #EleNão reuniu mulheres trabalhadoras, do campo e cidade, das florestas, das águas, negras, indígenas, bissexuais, travestis, transexuais, lésbicas, com deficiência, brancas e amarelas que estiveram nas ruas do país contra a rede de Fake News organizada para distribuir mentiras durante o processo eleitoral.

Neste ano, o movimento de mulheres vai às ruas pedir o fim deste governo e lutar contra os desmandos e desmontes praticados por Bolsonaro. Não admitimos as tentativas autoritárias do presidente e seus apoiadores de acabar com as condições democráticas no nosso país.

Por esse motivo, convidamos as mulheres de todas as organizações, coletivos, partidos políticos e movimentos feministas e sociais do país, bem como todas as ativistas independentes, para marcharmos juntas neste 8 de março em defesa da democracia e dos nossos direitos, pela nossa liberdade, pela vida das mulheres e contra este governo conservador, reacionário, racista, machista, xenófobo e LGBTfóbico e que já declarou inúmeras vezes que tem o movimento de mulheres organizado como seu inimigo.

Estamos de pé na defesa dos avanços dos direitos conquistados pela classe trabalhadora que vêm sendo retirados. Vamos lutar contra a violência e o corte de verbas promovidos pelo governo Bolsonaro aos programas sociais, que fragilizam e colocam em risco a vida das pessoas mais pobres. Caminharemos juntas contra todas as formas de violência, pelo direito à diversidade, à autonomia, à liberdade, pelo direito e soberania de nossos corpos, pelo direito de existir.

Somos contra a reforma trabalhista, a reforma da previdência, a Emenda Constitucional 95 que congelou os investimentos públicos por vinte anos e contra a “nova” proposta de reforma administrativa desse governo. Defendemos uma aposentadoria digna, o direito às políticas sociais, políticas públicas que defendam nossas vidas e o direito de viver com dignidade, pois somos nós que sustentamos a maioria das famílias neste país.

Marchamos contra a opressão histórica que silencia mulheres de diversas formas e contra o  machismo, o racismo, a lesbofobia e a transfobia que nos mata todos os dias.

Denunciamos o genocídio e o encarceramento em massa da população negra e indígena. Estamos nas ruas pela vida de TODAS as mulheres, brasileiras e imigrantes

Em cada estado do país iremos ressoar a luta por demarcação de terras indígenas e quilombolas, denunciando os desastres ambientais que vimos se espalhar pelo país, em especial na Amazônia,  Brumadinho e no Nordeste.

Nossas vozes também ecoarão alto em defesa da Petrobrás, em  solidariedade à greve dos Petroleiros e pela garantia da soberania nacional, ameaçada diariamente pela obsessão de Bolsonaro em entregar nossas riquezas e patrimônios para os interesses estrangeiros.

Ocuparemos as ruas em defesa do Estado laico e pelo respeito a todas as religiões e aos que não tem nenhuma, por uma convivência harmoniosa e respeitosa. Lutaremos pelo direito à pluralidade de vozes, em defesa de todas as formas de organização da classe trabalhadora e da sociedade civil.

Nós não esquecemos que, há dois anos, foi executada Marielle Franco, parlamentar mulher, negra, favelada, que amava mulheres e era de esquerda. Marielle foi assassinada pelo projeto político que representava em seu próprio corpo e até hoje não temos respostas. Exigimos justiça para Marielle e punição aos mandantes de seu assassinato.

Atentas, mobilizadas e organizadas para defender o Brasil e o nosso povo, neste mês de março mostraremos toda a nossa força. Convidamos todas a se somarem aos atos convocados em todos os estados do país neste dia 8 de março, Dia Internacional de Luta da Mulher  Trabalhadora. Também nos incorporamos ao chamado dos atos que acontecerão no dia 14 de março, data que marca dois anos da execução da vereadora Marielle Franco, e ao dia 18 de março, quando iremos às ruas em defesa dos serviços públicos de qualidade.

É por nossas vidas, democracia e direitos!

Mulheres Contra Bolsonaro

A democracia não será silenciada! Ditadura nunca mais!

#EleNão #EleJamais

Fascistas não passarão!

Assinam essa convocação:
Ação da Mulher Trabalhista – PDT
PCdoB
PCB
PCR
PSOL
PSTU
Secretaria Nacional de Mulheres do PT
Secretaria Nacional de Mulheres do PSB
UP – Unidade Popular pelo Socialismo
Afronte!
ABGLT – Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Intersexos
ABL – Articulação Brasileira de Lésbicas
ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos
ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transsexuais
Artjovem LGBT
Católicas pelo Direito de Decidir
CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
Círculo Palmarino
Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro
Coletivo Juntas
Coletivo Negro Minervino Oliveira
Coletivo Para Todas
CSP-Conlutas
CUT – Central Única dos Trabalhadores
EIG – Evangélicas pela Igualdade de Gênero
Feministas Anticapitalistas
Intersindical
Instituto Plural

Juventude Rebeldia
MAMA – Movimento de Mulheres da Amazônia
Marcha das Mulheres Negras de São Paulo
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento de Mulheres Olga Benário
Movimento Mulheres em Luta
MCONEN – Mulheres da Coordenação Nacional de Entidades Negras
MLB – Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas
MNU – Movimento Negro Unificado
MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
Rede Afro LGBT
Rede Emancipa de Cursinhos Populares
Rede Feminista de Juristas – DEFEMDE
Resistência Feminista
RUA – Juventude Anticapitalista
UBM – União Brasileira de Mulheres
UBES – União Brasileira de Estudantes Secundaristas
UNE – União Nacional dos Estudantes
UJR – União da Juventude Rebelião
UJS – União da Juventude Socialista
União de Mulheres do Município de São Paulo
Unidade Classista

 

27
Out18

Os preconceituosos saem do armário

Talis Andrade

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por Rodrigo Martins
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As pedras portuguesas da calçada do Largo do Arouche, no Centro de São Paulo, amanheceram tingidas de sangue na terça-feira, 16. Identificada apenas como “Priscila”, a travesti havia sido esfaqueada durante a madrugada. Após ser atacada em um bar, ela cambaleou até a porta de um hotel, onde implorou por socorro.


Levada para a Santa Casa, não resistiu à hemorragia e morreu a caminho do hospital. Um crime lamentavelmente comum nessa região da cidade, não fosse pelas circunstâncias políticas. Moradores relatam ter ouvido a gritaria que precedeu o crime.


“Com Bolsonaro presidente, a caça aos veados vai ser legalizada”, teria dito um dos agressores, segundo o relato de diferentes testemunhas ouvidas pela mídia na condição de anonimato.
 

Investigado pelo 3º Distrito Policial da capital paulista, o crime soma-se a dezenas de ataques violentos atribuídos a apoiadores do presidenciável do PSL. Às vésperas do primeiro turno, a transexual Jullyana Barbosa foi espancada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Ex-vocalista do grupo Furacão 2000, ela caminhava por uma passarela sobre a Via Dutra quando ambulantes começaram a gritar: “Bolsonaro vai ganhar para acabar com os veados, essa gente lixo tem que morrer”.


Bastou confrontá-los para começarem as agressões. “Perguntei por que eles me chamaram de lixo e disse que mereço respeito. Foi aí que um deles pegou a barra de ferro numa barraca e começou a me agredir. Na primeira pancada eu fiquei tonta e caí. Logo depois vieram mais três, quatro homens dando socos e chutes”, disse ao jornal O Dia.


Desde o início do ano, a onda de intolerância não para de crescer. Do atentado a tiros contra a caravana de Lula ao esfaqueamento de Bolsonaro por um desequilibrado, foram registradas dezenas de crimes por motivação política no País, boa parte deles ainda não esclarecida pelas autoridades.


Com o tsunami eleitoral bolsonarista, a violência política ganhou proporções aterradoras. Na noite de 7 de outubro, horas após o capitão conquistar mais de 49,2 milhões de votos, a funcionária pública Paula Guerra, de 37 anos, foi surrada em um bar do Recife.


Enquanto uma mulher a agredia, outros três homens imobilizaram os garçons para impedir que eles prestassem socorro. Com hematomas no rosto e escoriações pelo corpo, ela fraturou o braço e foi submetida a uma cirurgia. O motivo da fúria? A servidora havia criticado Bolsonaro, além de usar buttons com os dizeres “ele não” e “lute como uma garota”.


Na mesma noite, pela madrugada, o compositor e mestre capoeirista Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, foi assassinado em Salvador. Em um bar, o autor de Badauê, música gravada por Caetano Veloso, havia declarado voto no petista Fernando Haddad.


Eleitor de Bolsonaro, o barbeiro Paulo Sérgio Santana, de 36 anos, iniciou uma discussão, antes de sair do local, buscar uma faca e voltar para atacar Moa, de 63 anos. Foram 12 golpes, todos pelas costas. Concluído na quarta 17, o inquérito policial confirmou que o crime fora motivado por divergência política.


Sepultado ao som de berimbaus, Mestre Moa foi homenageado por milhares de cidadãos na última terça-feira 16 no Largo do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Vestidos de branco, capoeiristas e ativistas do Movimento Negro participaram do ato, embalado pelos grupos Ilê Aiyê, Olodum e Filhos de Gandhy, após a tradicional missa celebrada às terças na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.


Termômetro da escalada de intolerância, um levantamento feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV identificou mais de 2,7 milhões de publicações no Twitter repercutindo notícias sobre agressões físicas e ameaças por divergências político-ideológicas em apenas quatro dias, logo após o primeiro turno. Nos 30 dias que antecederam a votação, o total de tuítes relacionados ao mesmo tema foi de 1,1 milhão.


Diante da multiplicação de casos, a Open Knowledge Brasil e a Agência Pública lançaram a plataforma #VítimasDaIntolerância para recepcionar denúncias de agressões físicas e ameaças durante o período eleitoral.


Nenhum dado pessoal é solicitado, apenas links para fontes confiáveis. São igualmente aceitos relatos divulgados em redes sociais, que são mantidos em um banco de dados separado para posterior checagem da veracidade.


Outra iniciativa é um mapeamento feito pelo site Opera Mundi, em parceria com o Observatório do Autoritarismo e ativistas do movimento LGBT. “Até a noite da terça-feira 16, havia mais de 100 denúncias checadas.


A relação inclui somente casos noticiados pela mídia e relatos em redes sociais que pudemos confirmar por meio de registros fotográficos, vídeos ou com apuração própria”, explica o jornalista Haroldo Ceravolo, responsável pela iniciativa.


De acordo com ele, oito em cada dez ataques conferidos foram cometidos por apoiadores de Bolsonaro. “Não há dúvida de que essa violência tem lado. Além disso, as vítimas preferenciais são mulheres, negros e LGBTs, populações que sempre foram alvo do discurso de ódio do presidenciável do PSL.”


Preocupada com a onda de violência, a ONG Conectas tem procurado as autoridades para cobrar uma resposta do Estado. “A Defensoria Pública de São Paulo aceitou criar um canal online para acolher denúncias. Em paralelo, tivemos uma reunião com o Comando-Geral da Polícia Militar para pedir uma ação preventiva. Da mesma forma, estamos em contato com a Procuradoria-Geral de Justiça, cobrando a responsabilização dos agressores”, afirma o advogado Rafael Custódio, coordenador do programa de Justiça da Conectas.


“Lamentavelmente, Bolsonaro tem um longo histórico de manifestações homofóbicas, racistas e misóginas. Parte de seus eleitores parece se sentir encorajada com esse discurso para agredir, ameaçar e insultar. Liberdade de expressão tem limite, e esse limite é ultrapassado quando você comete um crime.”
 

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O êxito eleitoral do capitão também parece ter encorajado grupos neonazistas a sair do armário. Nos últimos dias, diversas universidades públicas e privadas foram alvo de pichações com mensagens de ódio contra minorias.


Na segunda-feira 8, ao descer de um ônibus em Porto Alegre, uma jovem de 19 anos foi agredida por três homens, que usaram um canivete para desenhar uma suástica em seu dorso. A vítima usava uma mochila com as cores do movimento LGBT.
 
 

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Na quinta-feira 11, o banheiro de um curso pré-vestibular da capital paulista foi vandalizado, com uma pichação a pregar a “morte aos negros, gays e lésbicas”. No domingo 14, uma capela de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio de Janeiro, amanheceu com suásticas na fachada.


No mesmo dia, durante um ato de apoiadores de Bolsonaro, uma bandeira usada por supremacistas brancos dos EUA foi hasteada na Avenida Paulista, em São Paulo. Diante desse histórico, não surpreende a manifestação de apreço de um ex-líder da Ku Klux Klan.


“Ele [Bolsonaro] soa como nós”, disse em seu programa de rádio David Duke, um dos rostos mais conhecidos da organização que aterroriza a população negra americana desde o século XIX.


Inicialmente, Bolsonaro tentou lavar as mãos. Lamentou os “excessos” de apoiadores, mas disse não ter como os controlar. “O que eu tenho a ver com isso?”, chegou a dizer, ao ser indagado sobre a morte do mestre de capoeira.


Depois, o presidenciável do PSL afirmou dispensar o voto de quem pratica violência. Não sem antes acusar, sem provas, a existência de “um movimento orquestrado forjando agressões para prejudicar sua campanha”.


Foram os bolsonaristas, no entanto, que foram pegos na mentira. Nas redes sociais, alastrou-se a imagem de uma senhora com hematomas no rosto que, segundo a postagem, teria sido agredida por petistas “quando gritou Bolsonaro”.


A foto era da atriz Beatriz Segall, falecida em setembro. Os sinais eram decorrentes de um acidente do qual foi vítima há anos, quando tropeçou em uma calçada no Rio. O filho da artista, Sergio Segall repudiou a fraude. “Foi um ato de covardia”, resumiu.


O acirramento das tensões políticas é especialmente preocupante diante da promessa de Bolsonaro de facilitar o porte de armas no Brasil, alerta Renato Sérgio de Lima, professor da FGV e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


“Cerca de um terço dos homicídios no País ocorre por razões pessoais, como brigas domésticas e discussões no trânsito. Com as pessoas armadas, é grande a probabilidade de esses conflitos serem resolvidos na bala.”


Pesquisador do Ipea, Daniel Cerqueira é autor de numerosos estudos que comprovam a temeridade da proposta. Cada ponto porcentual de aumento da quantidade de armas em circulação nas ruas representa um crescimento de 2% nas taxas de homicídios.


Com 63.880 mortes violentas registradas em 2017, o Brasil poderia ter um número de assassinatos ainda maior, até 12% superior, caso não estivesse em vigor o Estatuto do Desarmamento.
 

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“A maior disponibilidade de armas de fogo faz diminuir o seu preço no mercado ilegal, permitindo o acesso da mesma ao criminoso desorganizado. Segundo a CPI das Armas no Rio, quase 18 mil armas foram extraviadas ou roubadas de empresas de segurança privada em dez anos. Além disso, as chances de um indivíduo armado sofrer homicídio, ao ser abordado por criminosos, é 56% maior”, afirma Cerqueira. “Não há qualquer evidência científica de que possuir um revólver aumenta a segurança da família. Ao contrário, as chances de você ser vítima de homicídio ou de praticar suicídio são cinco vezes maiores. A cada ano morrem 1,3 mil crianças nos EUA em acidentes com armas de fogo.”
 

Segundo Lima, os brasileiros ainda não perceberam que as propostas de Bolsonaro acenam para uma omissão ainda maior do governo federal na área. “Em vez de assumir parte da responsabilidade, ele incentiva a população a se armar e garantir a própria defesa. Só que uma pistola custa entre 5 mil e 10 mil reais, valor inacessível para a grande maioria. Até aqui, ele só se dispôs a investir nas Forças Armadas, para reforçar o patrulhamento das fronteiras. Para as polícias, a única promessa é dar carta-branca para matar em serviço, sem punições”, diz. “Em um país com níveis epidêmicos de violência, é a receita certa para uma tragédia ainda maior.”
 

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Naylson Brasil disse...

Se você é mulher, cristão, negro e quer paz, veja este vídeo antes de votar amanhã 

 


https://www.facebook.com/mauro.nadvorny/videos/10215557644868116/

https://www.youtube.com/watch?v=QHvN63pV2p8

21
Out18

BOLSONARO UM EXALTADOR DE TORTURA E TERRORISTA DA EXTREMA DIREITA

Talis Andrade

 

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Ex-ministra do governo Dilma, Eleonora Menicucci lembra com riqueza de detalhes dos tempos que sofreu tortura nos porões do DOI-CODI, a mando do coronel Brilhante Ustra, hoje exaltado como herói pelo candidato Jair Bolsonaro.

 

Em entrevista emocionante, ela fala do passado para alertar sobre o futuro: “corremos um sério risco de perdemos o Estado Democrático de Direito, não permitiremos um exaltador de tortura na presidência”.

 

Importante nunca esquecer que, quando o povo em geral ia para as ruas enfrentar seus algozes, e pedia diretas já para eleger o presidente do Brasil, Bolsonaro tramava lançar bombas para manter no poder os ditadores, os torturadores como Ustra, como o delegado Fleury, e os corruptos do "movimento" de 1964, que hoje estão com Bolsonaro, e que foram mantidos no poder ou nomeados governadores pelos marechais e generais: Ademar de Barros, Magalhães Pinto, Antônio Carlos Magalhães (ACM), Paulo Maluf, Aluízio Alves, Fernando Collor de Mello, Edison Lobão, João Alves Filho, Olavo Setúbal,  Marum, Delfim Neto, e outros, inclusive generais que o golpe foi financiado por caixa 2.  

 

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 Paulo Maluf chefe partidário de Bolsonaro durante décadas

 

247 - Ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci lembrou nesta semana, na TV 247, as riquezas de detalhes dos tempos em que sofreu tortura nos porões do DOI-CODI, a mando do falecido coronel reformado do Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra, exaltado como grande herói pelo candidato Jair Bolsonaro.

 

Em entrevista emocionante concedida ao ex-ministro Aloizio Mercadante, Menicucci, que também é socióloga e feminista, fala do passado para alertar sobre o futuro: “corremos um sério risco de perdemos o Estado Democrático de Direito”.

 

No início da entrevista, o passado da ex-ministra se entrelaça com outro personagem, que ela viu desfalecer na prisão. Menicucci foi presa e torturada na cela ao lado da que o jornalista Luiz Eduardo Merlino encontrava-se, sendo testemunha de seu assassinato, que ocorreu a mando de Brilhante Ustra, em julho de 1971.

 

Nesta semana, a Justiça de São Paulo derrubou uma decisão que havia condenado Ustra, morto em 2015, a pagar de uma indenização de R$ 100 mil à família do jornalista. Para os desembargadores, a ação está prescrita. "É uma Justiça que tolera a tortura e contribui para que o sistema continue", comentou a viúva, Ângela Mendes de Almeida.

 

Menicucci explicou como funciona a tortura. "Fui conduzida, nua, para uma cadeira elétrica, onde colocaram fios em todos os meus orifícios, para que eu recebesse choques de altíssima voltagem. Ao meu lado, estava Merlino, no pau-de arara", relembra.

 

Ustra ficava em frente à cela ordenando todas as torturas, conta. "Ele dizia: arrebenta mais, quero mais choques elétricos, faz urinar, desmaiar, urinar", relembra.

 

Depois de ter sido torturado por mais de 24 horas, o jornalista, segundo sua família, adquiriu uma gangrena que resultou na perda de sua perna e depois generalizada em todo seu corpo.

 

Relembrando o assassinato de seu colega, ela considera "grave" a decisão da Justiça em extinguir o processo que incrimina Ustra, afirmando que tal fato "prenuncia os momentos antidemocráticos que se avizinham".

 

Com o triste relato do passado, a ex-ministra vê com temor a ascensão do fascismo no Brasil, representada pela candidatura de Bolsonaro, que tem Ustra como um “grande herói”. “Corremos risco de perdermos o Estado Democrático de Direito e elegermos uma pessoa que tem como ídolo um torturador”, expõe.

 

Golpe de Temer fortaleceu a ABIN, antigo SNI

 

Nesta quarta-feira (17) Michel Temer oficializou a criação da força-tarefa de inteligência para o enfrentamento ao crime organizado no Brasil.

 

O grupo será constituído pelo GSI, a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), os serviços de inteligência da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, com o apoio da COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda), Receita, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Segurança Pública; Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Segurança Pública.

 

“O decreto de Temer explicita a implementação do neoliberalismo mais cruel no País, somado ao uso da repressão violenta, para colocar em prática o regime ultra-liberal de Bolsonaro", conclui Menicucci.

 

Temer foi três secretário de Segurança de São, inclusive nos tempos de chumbo, comandando as polícias civil e militar na ditadura, e como deputado auou na bancada da bala.

 

Os deputados Jair e Eduardo Bolsonaro participaram da trama do golpe que derrubou Dilma Rousseff, e empossaram Temer na presidência da República.

 

A campanha de Bolsonaro tem todo o apoio do governo de Temer.  

 

 

 

13
Out18

Relatos de violência com motivação política se espalham pelo país; veja mapa

Talis Andrade


Cenário de polarização contribui com casos de violência política, incluindo pessoas LGBT e eleitores de esquerda; mapa interativo mostra diversos casos de violência em todo território brasileiro

 

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Os relatos de casos de violência por motivações políticas, em especial contra jornalistas, ativistas, pessoas LGBT e outros têm se multiplicado pelo país neste período eleitoral. São pessoas que foram ameaçadas, violentadas e até mesmo mortas por conta da intolerância.



Opera Mundi reúne neste texto alguns dos diversos casos de violência relatados após o dia 1º de outubro. Estes e vários outros episódios estão apontados em um mapa interativo, que você pode ver logo abaixo. 



Se você quiser relatar um caso, preencha o formulário ao final do texto ou clique aqui. As informações permanecerão confidenciais. 


Romualdo Rosário da Costa, “Moa do Katende”, mestre de capoeira assassinado em Salvador – 08.out.2018

Conhecido como “Moa do Katende”, o mestre capoeirista de 63 anos foi assassinado com 12 facadas, na região de Engenheiro Velho de Brotas, em Salvador, durante uma discussão sobre política. Mestre Moa era compositor e é autor da música 'Badauê', gravada por Caetano Veloso no disco 'Cinema Transcendental, de 1979, e pelo Ilê Ayê. Pouco antes da agressão, o autor do crime, que teve prisão preventiva decretada, gritou palavras de apoio a Bolsonaro, e foi questionado por Romualdo, que manifestou sua preferência pelo PT. Leia mais aqui. 



Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco e ativista, agredida verbalmente no Rio de Janeiro - 08.out.2018
Ativista de direitos humanos, Anielle relatou ter sofrido agressões verbais, com gritos e ofensas, por homens que usavam camisetas alusivas ao candidato Jair Bolsonaro. No momento da violência, ela não usava nada que remetesse a algum partido ou político. Leia mais aqui. 



Thiago Viana Marques, relato de agressão em São Paulo – 08.out.2018
Acompanhado de dois amigos, Thiago testemunhou uma tentativa de agressão contra um homem que portava uma adesivo de apoio à chapa de Fernando Haddad e Manuela d'Ávila. Segundo o relato, registrado em vídeo, um homem começou a ofender e ameaçar o rapaz por conta do adereço. Leia mais aqui. 



José Carlos de Oliveira Mota, cabeleireiro assassinado em Curitiba – 03.out.2018
O cabeleireiro de 57 anos foi encontrado morto com sinais de tortura dentro do armário de seu apartamento, no centro de Curitiba. Até o momento, um casal foi preso por suspeita de participação no crime. Segundo a reportagem, um dos suspeitos, de 26 anos, teria feito gritos em apologia a Bolsonaro enquanto intimidava o porteiro do prédio. Leia mais aqui. 



Repórter do Jornal do Commercio em Recife – 07.out.2018
A jornalista, que trabalha no Jornal do Commercio de Pernambuco, foi agredida e ameaçada de estupro enquanto trabalhava na cobertura das eleições, durante o primeiro turno. A mulher foi atacada por dois homens no momento em que saía do local de votação, no bairro de Campo Grande, na zona norte do Recife. Leia mais aqui. 



Julyana Rezende Ramos Paiva, agredida com um soco em Maceió – 07.out.2018
A eleitora foi agredida por eleitores do candidato Jair Bolsonaro com um soco no rosto após declarar voto a outro candidato, na Escola Municipal Padre Pinho, no bairro de Cruz das Almas, em Maceió. Leia mais aqui. 



Homem relata agressão contra o filho que usava vermelho durante as votações – 07.out.2018

O administrador Paulo Bezerra Pejotta divulgou um vídeo em sua rede social em que relata a agressão sofrida pelo filho, por usar camiseta vermelha durante o primeiro turno. Segundo a postagem de Pejotta, o garoto foi agredido por homens que gritavam palavras de ódio. Leia mais aqui. 



Guilherme Daldin, jornalista, atropelado por usar camiseta com rosto do ex-presidente Lula – 07.out.2018
O jornalista vestia uma camiseta com a imagem de Lula quando foi atropelado por um carro, no centro de Curitiba. Segundo a reportagem, após reconhecimento da placa do veículo, a vítima descobriu que o motorista fazia postagens contra o Partido dos Trabalhadores nas redes sociais. Leia mais aqui. 



Ato pró-Bolsonaro termina com tiroteio no Rio de Janeiro – 04.out.2018
Um grupo de apoiadores da campanha de Jair Bolsonaro fez uma manifestação na praça São Salvador, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro. O local é conhecido por ser ponto de encontro de partidos ligados à esquerda e, durante o ato, a polícia relatou que houve disparos com armas de fogo. Leia mais aqui.



Professor é ameaçado de morte em Natal por motivação política - 06.out.2018

O professor de história Euclides Tavares foi informado pela coordenadora de sua escola, em Natal, que pais o ameaçaram de morte por conta do docente supostamente ter feito apologia ao ex-presidente Lula e críticas ao candidato Jair Bolsonaro. A fala do professor que levou às ameaças, no entanto, foi citada fora de contexto. Leia mais aqui. 



Publicitário amazonense é ameaçado por motorista de aplicativo após mostrar oposição a Bolsonaro  - 08.out.2018

Eloi Capucho, de 28 anos, foi seguro pelo braço e ameaçado por um motorista de aplicativo após fazer críticas a Jair Bolsonaro. Segundo o Boletim de Ocorrência, o responsável pelo veículo ameaçou jogar Eloi para fora do carro, proferindo uma série de frases homofóbicas. Leia mais aqui. 



Pichações homofóbicas são encontradas em colégio do Rio de Janeiro após resultados do primeiro turno – 08.out.2018

Um dia após as decisões do primeiro turno das eleições, a porta de um banheiro feminino do Colégio Franco-Brasileiro foi encontrada pichada com os dizeres 'Sapatas vão morrer kkkk'. Em nota, a coordenação fala que o ato expressa “intolerância contra minoria”. Leia mais aqui. 

 

Relatos de agressão no metrô em São Paulo – 08.out.2018

O professor Ricardo Zamora fez uma postagem em sua rede social em que denuncia uma tentativa de agressão contra uma aluna, que havia sido empurrada em direção ao vão entre o metrô e a plataforma. Zamora diz que o suposto agressor gritou o nome de Jair Bolsonaro ao empurrar a jovem, acompanhada da namorada. Leia mais aqui. 



Jovem se diz “fascista” em local de votação para brasileiros em Lisboa – 07.out.2018

Um jovem foi filmado se dizendo “fascista” enquanto discutia com outros eleitores brasileiros, durante o processo eleitoral realizado em Lisboa. No vídeo, que viralizou no Twitter, o garoto, acompanhado de um grupo pró-Bolsonaro, também diz ter orgulho de ser “hétero e branco”. Leia mais aqui. 



Apoiador de Bolsonaro ataca carreta pró-Haddad em Maringá – 06.out.2018

Uma carreata de apoio a Fernando Haddad foi atacada por apoiadores de Bolsonaro, no Conjunto Hermann Moraes Barros, zona norte de Maringá. O homem que quebrou a janela de um carro e feriu uma manifestante pilotava uma moto com adesivos com o nome do candidato Jair Bolsonaro. Leia mais aqui. 



Eleitor destrói urna eletrônica com marreta em Criciúma – 07.out.20178

Um eleitor de 25 anos destruiu uma urna eletrônica com uma marreta no principal posto de votação em Criciúma. Segundo a reportagem do G1, os dados da urna não foram prejudicados e o homem possui "prolemas psicológicos". Leia mais aqui. 



Candidatos do PSL são vistos rasgando homenagem a Marielle Franco – 03.out.2018

Dois homens que pleiteavam cargos parlamentares no Rio de Janeiro foram fotografados comemorando a destruição de um cartaz que simulava uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, morta em 14 de março passado, no Rio de Janeiro. Um deles usava uma camiseta que estampava o rosto de Bolsonaro. A imagem viralizou nas redes sociais. Leia mais aqui



Estudante com boné do MST é agredido em Curitiba – 09.out.2018

Um estudante da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi agredido com garrafas de vidro por estar usando um boné do MST. Os autores da agressão usavam camisas de torcidas organizadas de times da capital e gritavam “Jair Bolsonaro”. Leia mais aqui. 



Grupo agride jovem com camiseta de campanha "Ele Não" e desenha suástica na barriga da vítima em Porto Alegre - 8.out.20108

Uma jovem de 19 anos que usava uma camiseta do movimento "Ele Não" e adesivos de grupos LGBT foi agredida por um grupo no bairro cidade baixa, em Porto Alegre. Os autores do crime usaram um canivete para marcar o corpo da vítima com uma suástica. Leia mais aqui.  



Pichações nazistas, xenofóbicas e racistas em Campinas - 06.out.2018

Um imóvel e um poste localizados próximos à Lagoa do Taquaral, um dos pontos turísticos da cidade, foram pichados com símbolos nazistas e frases de conteúdo racista, xenofóbico e de apologia ao hooliganismo. Uma das frases é direcionada a imigrantes haitianos: "voltem para Haiti". Leia mais aqui.


*Publicado originalmente no Ópera Mundi

 

 

01
Jun18

Efeito Marielle: mulheres negras entram na política por legado da vereadora

Talis Andrade

Assassinato de Marielle Franco despertou em mulheres jovens, negras e periféricas o desejo de ir à luta e manter o legado da vereadora através de candidaturas

 

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assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) chocou o Brasil pela brutalidade do crime e por ter representado um ataque direto a muitos símbolos: mulher, negra, lésbica e favelada. Mais do que uma pessoa, as balas feriram grupos e ideais. Um amigo de longa data dela, o geógrafo Lourenço Cezar, chegou a dizer à Ponte que a pessoa que disparou contra ela deveria ter conhecimentos de ciências sociais, já que, com os tiros, conseguiu atingir inúmeras pessoas de uma única vez.

A vereadora e o motorista Anderson Gomes foram assassinados na noite do dia 14 de março deste ano, logo depois que ela saiu de um evento em que discutia negritude, representatividade e feminismo. Os disparos da submetralhadora 9mm, segundo a investigação, tinham alvo certo: Marielle. Mas acabaram atingindo Anderson. Colegas do PSOL na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro se comprometeram a manter viva a luta dela. Tanto que no dia 2/5, após negociação com a presidência da Casa, a bancada conseguiu aprovar cinco de pelo menos sete projetos de lei de autoria dela que tinham ficado por serem votados.

Mas há outro efeito, esse de médio e longo prazo, a partir da trágica morte de Marielle. Inspiradas pela história da vereadora carioca, mulheres negras decidiram entrar para a vida política como forma de levar adiante o legado de luta deixado por ela. Transcrevi trechos

 

 

28
Abr18

Protesto em Paris marca um mês do assassinato de Marielle Franco

Talis Andrade

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Manifestantes se reuniram diante da prefeitura de Paris para lembrar um ano da morte de Marielle Franco

 

RFI/Paloma Varón

---
Dezenas de pessoas se reuniram neste sábado (14) diante da prefeitura de Paris em um protesto em homenagem à vereadora brasileira Marielle Franco, assassinada há um mês. O grupo pede justiça após o crime, que permanece impune.

Cerca de 40 pessoas, brasileiros e franceses, compareceram ao ato diante da prefeitura da capital francesa. O prédio expõe em sua porta, há algumas semanas, uma foto da vereadora brasileira, acompanhada da mensagem “Paris não esquece Marielle Franco”.

Carregando bandeiras do Brasil com faixas pretas representando o luto, os participantes do protesto deste sábado empunhavam cartazes com frases como “Quem mandou matar Marielle?”, ou ainda “Stop Killing Us – Black, Woman, LGBT” (Parem de nos matar – Mulheres, Negros e LGBT). Velas também foram acesas e um minuto de silêncio foi observado.

Paris já foi palco de outros protestos após o assassinato da vereadora. Três dias após sua morte, um grupo de cerca de 200 brasileiros e franceses se reuniu em frente à Ópera da cidade para uma marcha intitulada “Justiça para Marielle Franco”. Manifestações de solidariedade também foram registradas em outras cidades europeias.

Logo após o assassinato, a imprensa internacional se interessou pelo caso. Alguns jornais especularam sobre a motivação política do da morte da brasileira, enquanto a mídia francesa apontou que o ativismo da vereadora “incomodava a polícia, o governo e os militares no Brasil”.

 

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Foto de Marielle Franco está exposta diante da prefeitura de Paris, onde foi realizado o protesto um mês após o assassinato da vereadora brasileira

 

Autores ainda não foram punidos

Na sexta-feira (13), a Anistia Internacional pediu novamente ao governo brasileiro que esclareça o assassinato da vereadora. “A sociedade precisa saber quem matou Marielle e por quê. A cada dia que passa e este caso permanece sem respostas, o risco e ameaças em torno dos defensores e defensoras de direitos humanos aumentam”,declarou Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil.

“O assassinato de uma vereadora, defensora de direitos humanos, ativista dos movimentos LGBTI e das favelas, negra e lésbica, tem, claramente, a intenção de silenciar sua voz e de gerar medo e insegurança. Mas vamos continuar levantando nossas vozes. Desde que Marielle foi morta, as pessoas no Brasil e em todo o mundo, se mobilizaram e não descansarão até que a verdade seja conhecida e a justiça seja feita. Eles tentaram nos calar, mas nós mostramos que não estamos com medo”,concluiu a diretora da Anistia.

15
Mar18

Nem uma a menos - também na política

Talis Andrade

 

 


Como viabilizar qualquer esboço de incentivo à participação feminina quando uma vereadora em seu primeiro mandato é barbaramente assassinada?

 

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por Gabriela Rollemberg e Ivy Farias


 

A morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) não enterra os sonhos apenas de uma mulher negra, de origem periférica, bissexual, jovem, feminista e militante dos direitos humanos: os nove tiros que atingiram a parlamentar no centro do Rio de Janeiro ontem ferem diretamente o ideal de uma política igualitária e um Estado Democrático de Direito que realmente represente a população brasileira como ela de fato é, com 51% de mulheres.


Não foi à toa a data escolhida pelos assassinos de Marielle pois março é o mês internacional da mulher e a agenda dela privilegia uma agenda feminista, como os projetos de lei “Pra fazer valer o aborto legal” e “Assédio Não é Passageiro”. Aliás, ela voltava de uma reunião com mulheres negras quando foi assassinada no bairro Estácio.

 

Marielle foi a quinta mais votada no Rio com um total de 46.502 votos e era a presidente da Comissão da Mulher na Câmara dos Vereadores. Ela era a prova viva da subrepresentação política feminina no Brasil, país que ocupa a 154ª posição no ranking mundial de presença feminina em parlamentos elaborado pela União Interparlamentar, pois estava com apenas mais seis mulheres em um total de 55 assentos.

 

Sua morte é uma tentativa clara de intimidação à participação política das mulheres. Se já é difícil atingir as cotas de 30% de candidaturas, bem como das dificuldades que as candidatas enfrentam no pleito (pesquisa do Data Senado aponta que 41% das entrevistadas revelam a falta de apoio político dentro dos partidos), como será possível viabilizar qualquer esboço de incentivo à participação quando uma vereadora em seu primeiro mandato é barbaramente assassinada? Que mulher vai querer entrar para a política em um cenário tão desolador?

 

E pode piorar: hoje será votada a Ação Direta de Inconstitucionalidade 5617 no Supremo Tribunal Federal, em que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defende que a atual aplicação do fundo partidário para candidaturas femininas fere expressamente o direito fundamental de igualdade entre homens e mulheres no País. Leia mais 

 

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