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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

03
Nov22

Lúcia Veríssimo posta foto beijando na boca a homofóbica Cássia Kis: “Chega de hipocrisia”

Talis Andrade

Cássia Kiss diz que beijo em Lucia Veríssimo foi coisa "de uma pessoa  idiota que eu era” | Revista Fórum

 

A atriz Lúcia Veríssimo usou seu perfil do Instagram para mostrar uma foto na qual está beijando a sua colega de profissão Cássia Kis.

A postagem ocorre no contexto em que a atriz fez declarações homofóbicas em entrevista à Leda Nagle também bolsonarista: “Porque onde eu saiba, homem com homem não dá filho, mulher com mulher também não dá filho. Como a gente vai fazer?”, perguntou.

Lúcia, lésbica assumida, aproveitou o fato de ter postado em uma quinta-feira e valeu-se da #tbt, que significa Throwback Thursday, que pode ser traduzido livremente como a “quinta-feira das lembranças” e pediu “que sigamos sem hipocrisia e falso moralismo” e afirmou que o beijo retratado na foto era real e que foi dado na atriz, que tem dado declarações de extrema-direita em suas redes sociais.

Lúcia Veríssimo - Desciclopédia

“Meu #tbt de hoje vai ser em homenagem à Cassia Kiss. Que sigamos sem hipocrisia e falso moralismo. Sim, foi de verdade esse beijo. SIM É A CÁSSIA KISS QUEM ESTÁ ME BEIJANDO”

Lúcia Veríssimo posta foto beijando Cassia Kis na boca, após comentários  homofóbicos da colega em live | TV | O Globo

17
Out22

Viraliza nas redes vídeo de Carlos Bolsonaro com movimentação estranha na saída do debate da Band

Talis Andrade

Carlos Bolsonaro encosta cabeça no ombro de segurança durante coletiva do  pai

 

Imagem mostra o vereador encostando a cabeça em um segurança

 

 

247 - Durante a captura de imagens dos bastidores do debate na Band na noite deste domingo (17), uma cena com o filho de Bolsonaro chamou a atenção dos internautas. 

As imagens mostram Carlos Bolsonaro curvando a cabeça e encostando-a em um segurança do evento.

Os internautas questionam nas redes o que levou Carlos a fazer o gesto incomum. O segurança também parece não entender nas imagens a ação. 

“Não tenho ideia do que filmei, mas filmei isso ai”, disse o jornalista Samuel Pancher ao compartilhar o vídeo. 

Encosta Tua Cabecinha No Meu Ombro E Chora

 

Encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora

E conta logo a tua mágoa toda para mim

 

Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora,

que não vai embora

que não vai embora

Encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora

E conta logo a tua mágoa toda para mim

 

Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora,

que não vai embora

porque gosta de mim

 

Amor, eu quero o teu carinho, porque eu vivo tão sozinho

Não sei se a saudade fica ou se ela vai embora,

se ela vai embora,se ela vai embora

Não sei se a saudade fica ou se ela vai embora,

se ela vai embora,porque gosta de mim

15
Dez20

Alice Carvalho, atriz potiguar, ganha prêmio em festival de cinema na Austrália

Talis Andrade

Atriz potiguar Alice Carvalho tem nome confirmado para gravar série da Globo

Alice Carvalho, de Natal, no Rio Grande do Norte, ganhou o prêmio de melhor atriz pela websérie lésbica SEPTO no Changing Face International Film Festival. Única atriz negra a concorrer na categoria, a jovem interpreta a triatleta Jéssica Borges, que vive as custas do sonho de seu pai, que fantasia um dia ver a filha nas Olimpíadas. Alice também é criadora e roteirista da produção.

Passada em Natal, Rio Grande do Norte, a obra é a primeira websérie ambientada e produzida no nordeste e traz questões da sexualidade de sua protagonista como uma das tantas questões com as quais a jovem tem de lidar e que formam sua personalidade.

À Mídia NINJA, Alice contou que para ela, “o valor desse prêmio vai além de ter uma estatueta dentro de casa ou um título pra se ostentar na internet.”

É simbólico, reafirma não só a minha importância enquanto mulher negra, nordestina e LGBT, mas acentua o fato de que mais meninas como eu merecem ser ouvidas, que existe muita potência nos artistas que vivem à margem e que a única coisa que nos diferencia são as oportunidades.”

“É um prêmio coletivo, sem dúvidas”, concluiu Alice.

A série já está em sua 3ª temporada e você pode assistir aos episódios através do youtube.

 

 

03
Ago19

Morte de Marielle continua pairando na vida política do Brasil, diz revista francesa

Talis Andrade
 
Morte de Marielle continua pairando na vida política do Brasil, diz revista francesa
 
Com o título "Marielle Franco, mártir e mistério do Rio", reportagem questiona as motivações do assassinato da vereadora.Fotomontagem / L'Obs
 
 

A revista francesa L’Obs traz em sua edição desta semana uma reportagem de quatro páginas sobre a morte da vereadora brasileira Marielle Franco. No texto, o enviado especial da publicação ao Rio de Janeiro relata os detalhes do crime e o mistério sobre os mandantes do assassinato.

A reportagem começa abordando os últimos momentos da vida da vereadora e militante, os detalhes sobre o assassinato e a investigação que teve início em março de 2018L’Obslembra uma série de aspectos que chamam a atenção na história. Como um morador de rua, testemunha do crime, que foi ignorado pela polícia e só teve seu relato levado em conta por causa de uma jornalista do jornal O Globo que o entrevistou, antes de desaparecer. Ou ainda o fato de que as câmeras de vigilância da rua onde Marielle foi assassinada estavam desligadas no momento de sua morte.

A reportagem explica que dois homens já foram presos, acusados de serem os autores do crime. No entanto, o principal foco do texto é “a questão que assombra o Brasil”: quem mandou matar Mareille? “Para responder a essa pergunta, primeiro é preciso entender quem era Marielle”, continua a revista, que traça um perfil da vereadora.

quem matou marielle.jpg

 

“A imprensa destaca o fato dela ser negra, lésbica e de esquerda. Mas essa mulher excepcional não era apenas isso”, escreve o enviado especial Philippe Boulet-Gercourt.

L’Obs conta que a vereadora começou sua carreira ao lado de Marcelo Freixo, deputado estadual que chegou a se exilar no exterior temendo ameaças, após ter presidido uma comissão parlamentar que desembocou na prisão de 255 pessoas. Há quem pense, explica a reportagem, que os mandantes da morte da vereadora queriam atingir indiretamente Freixo. Mas há aqueles para quem o assassinato é ligado ao que Marielle representava, com seu discurso em defesa das mulheres, dos negros e da comunidade LGBT.

 

Milícias da extrema direita e família de Bolsonaro

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“O mais perturbador nessa história é a onipresença das milícias da extrema direita em todas as esferas da investigação e de suas ligações com a família do presidente brasileiro Jair Bolsonaro”, ressalta a revista. O texto lembra que Ronnie Lessa, apontado como o assassino da vereadora, vivia no mesmo condomínio que o atual chefe de Estado e que uma de suas filhas chegou a ter um envolvimento amoroso com Carlos Bolsonaro.

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Marcelo Freixo, entrevistado pela revista, pondera essa hipótese. Segundo ele, seria um exagero estabelecer uma relação entre Bolsonaro e o crime apenas porque o atual chefe de Estado era vizinho do assassino. “Cabe à Polícia Federal investigar todas as suspeitas”, declarou o deputado à L’Obs. Enquanto isso, “a morte de Marielle continua pairando no ar político poluído do Rio de Janeiro e do Brasil”, conclui a reportagem.

 

 
21
Mar19

Dos cinco projetos aprovados em sessão extraordinária após assassinato de Marielle, apenas um foi implementado

Talis Andrade

 

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Por Mariana Pitasse Rio de Janeiro (RJ)

___
Durante a curta carreira parlamentar, em pouco mais de um ano de mandato, Marielle Franco (PSOL) apresentou 16 projetos de lei na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, sendo oito individuais e oito assinados com outros vereadores. Cinco desses projetos foram aprovados em sessão extraordinária, em agosto do ano passado, cinco meses após seu assassinato. No entanto, mesmo após terem se tornado lei, a maioria dos projetos encontra barreiras em sua implementação e apenas um deles passou a valer na prática: a Lei 6389/2018, que institui o 25 de julho como o “Dia Tereza de Benguela e da Mulher Negra” no Rio de Janeiro.


Os outros quatro projetos encontram-se em diferentes situações. Dois deles estão em queda de braço com o prefeito Marcelo Crivella (PRB), tendo sido vetados com a justificativa de que criariam um aumento das despesas públicas. Em seguida, tiveram o veto derrubado pela Câmara dos Vereadores, o que os tornou leis, mas não foram efetivados enquanto políticas públicas. Um deles tem por objetivo a criação de um “Espaço Infantil Noturno” (ver abaixo) de acolhimento para crianças, no período em que pais estão no trabalho ou na escola, o outro visa dar continuidade ao processo de formação dos adolescentes que cumpriram medidas socioeducativas.

 

“Ou seja, a gente tem importantes leis aprovadas, mas que a prefeitura não implementa”, sintetiza o vereador e colega de partido de Marielle, Tarcísio Motta (PSOL). De acordo com a assessoria de comunicação da Prefeitura do Rio, o governo ainda está analisando as medidas que serão adotadas em relação às leis.


Aprovados e sancionados pelo prefeito do Rio, outros dois projetos ainda não foram efetivados na prática. São eles: a Lei 6394/2018, que cria o “Dossiê Mulher Carioca”, uma espécie de estatística periódica sobre as mulheres atendidas pelas políticas públicas no município, e também a Lei 6415/2018, que trata sobre a elaboração de uma campanha permanente de enfrentamento ao assédio em locais públicos da cidade.


“Ela batizou esse projeto de ‘Assédio não é passageiro’, e essa lei está valendo. A ideia é, por exemplo, que as empresas coloquem cartazes nos transportes públicos, anunciando a questão do assédio como crime. Também dizendo o número que a mulher assediada pode ligar, além de algumas mensagens educativas para os homens. Precisamos pressionar a prefeitura para implementar essas leis. É uma luta permanente”, acrescenta Motta.

 

A sessão extraordinária de agosto do ano passado foi precedida de uma reunião dos vereadores do campo progressista com os outros parlamentares para alinhar o parecer favorável à maioria dos projetos de Marielle. Na ocasião, os parlamentares também aprovaram a lei que passou a nomear o plenário do Palácio Pedro Ernesto com o nome de Marielle Franco. Segundo Tarcísio Motta, um dos articuladores da sessão extraordinária, houve resistência de parlamentares fundamentalistas aos projetos que tratavam de questões de gênero.


Projetos como o 72/2017 que pretende instituir o “Dia da luta contra a homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia” e o 82/2017 com o objetivo de criar o “Dia da visibilidade lésbica” tiveram votações adiadas por gerar polêmica entre os parlamentares. Já o projeto que trata sobre tratamento humanizado na rede pública de saúde em casos de aborto legal, não foi sequer discutido e está fora de pauta desde 2017.

 

“Mesmo assim não acredito que foi apenas uma aprovação simbólica. São as ideias dela concretizadas em projetos de lei que podem mudar a vida das pessoas. Mas não basta só aprovar, a prefeitura tem a responsabilidade de implementar esses projetos. Nossa luta agora é essa. Muitos precisam de um decreto da prefeitura regulamentando para que sejam implementados”, destacou Motta.


Projetos assinados por Marielle e outros vereadores, de forma coletiva, estão ainda sendo colocados em pauta para votação por parlamentares do PSOL. Um dos que está mais próximo do início da fila para ser votado, conforme informações disponibilizadas no site da Câmara dos Vereadores do Rio, é o PL 642/2017 que pretende instituir assistência técnica gratuita para habitações de interesse social, elaborado em parceria com o Tarcísio Motta.


Espaço Coruja

criança Anne Derenne.jpg

 

Principais bandeiras de sua atuação, os projetos apresentados ao plenário da Casa legislativa logo na primeira semana de mandato foram os apelidados de “Espaço Coruja”, o PL 17/2017, e “Pra fazer valer o aborto legal”, PL 16/2017.
O primeiro, que se tornou lei, tem como objetivo criar um Espaço Infantil Noturno que prevê o uso de creches e outras estruturas infantis da rede municipal para receber e desenvolver atividades com crianças de seis meses a cinco anos com o objetivo de “atender à demanda de famílias que tenham suas atividades profissionais ou acadêmicas concentradas no horário noturno”, segundo o texto que descreve a iniciativa.


Enquanto a prefeitura não implementa a lei, milhares de mães e pais continuam sem amparo do poder público. É o caso de Nathalia Correa, de 27 anos, moradora de Irajá, na zona Norte do Rio de Janeiro. Para ela, o projeto é urgente. Nathalia é mãe de Arthur, de cinco anos, e estudante de pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ela é mãe solo, ou seja, assume todas as responsabilidades pela criança, sejam financeiras ou por disponibilidade de tempo.


“Eu faço faculdade no horário noturno e não tenho uma solução fixa para meu filho. Tem dias que deixo com a minha mãe, mas nem sempre ela pode. Tem dias que eu deixo de estar na faculdade para estar com ele ou às vezes o levo comigo, mas isso pode ser um problema porque tem professores que não aceitam”, explica.


Na avaliação de Natália, a lei pode beneficiar principalmente as mulheres, que ainda são as principais responsáveis pelos cuidados com os filhos e correm o risco de perderem seus empregos ou terem que largar seus estudos por não terem condições de contratar alguém para cuidar deles.


É o que comprova uma pesquisa do Ministério da Educação feita em 2016. Segundo o levantamento, 18,1% das mulheres, entre 15 e 29 anos, indicaram a gravidez como motivo para largar os estudos. Já entre os homens da mesma faixa etária, somente 1,3% interrompem os estudos pela mesma razão.


Aborto legal

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O outro projeto apresentado por Marielle logo que assumiu o mandato foi pensado para garantir o direito de atendimento humanizado e sem violências às mulheres que estão em situação de aborto legal. No Brasil, o aborto é um direito garantido às mulheres em caso de anencefalia, risco de morte e gravidez decorrente de estupro. Apesar disso, muitas mulheres nessas situações esbarram no preconceito, com a falta de informação e até com maus tratos de profissionais da saúde que as atendem. Nesse sentido, a ideia do projeto é garantir o que já está previsto em lei, e assim, evitar mortes e tratamento inadequado para as mulheres que precisam de cuidados da rede pública de saúde.


Em 2014, quase 5% das mortes maternas no Brasil tiveram como causa o aborto, de acordo com levantamento feito pela campanha “Legal e Seguro", promovida pelas organizações Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Observatório de Sexualidade e Política (SPW) e IPAS – Saúde, Acesso e Direitos.


Ainda segundo o levantamento, mulheres negras são as maiores vítimas de óbitos. Esse quadro se explica porque elas são levadas a buscar ajuda em situação limite, seja por medo de serem maltratadas ou mesmo por falta de acesso à informação qualificada. O projeto de Marielle trata justamente desses casos e não foi sequer colocado para votação na Câmara dos Vereadores do Rio.


“Não é um projeto que autoriza o aborto. Ele quer simplesmente garantir o que já estava previsto em lei: que a mulher que tem aborto espontâneo ou garantido por lei seja tratada humanamente dentro dos hospitais públicos. Mas a gente tem uma Câmara de Vereadores muito conservadora. Muito afinada com todo esse debate intransigente em relação ao aborto porque são fundamentalistas religiosos. Então trazem para o Estado, que é laico e que deveria legislar para todos, aqueles preceitos que eles acham que tem na Bíblia. Então isso foi um problema completo”, lembra a deputada estadual do Rio de Janeiro Renata Souza (PSOL), que foi chefe de gabinete de Marielle durante seu mandato.


Figura pública

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Mulher, negra e nascida na favela da Maré, na zona Norte do Rio de Janeiro, Marielle teve a luta pelos direitos humanos como seu objetivo de vida desde cedo. Mas foi na luta institucional que ela se tornou figura pública, reconhecida como liderança em ascensão no Rio de Janeiro e tornando-se a quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016, com mais de 46 mil votos.


Marielle era socióloga, com mestrado em Administração Pública. Antes de se tornar vereadora, já tinha atuação na política institucional, com mais de 10 anos como assessora parlamentar do então deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), período em que integrou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).


“A candidatura de Marielle foi fruto de força e vontade coletivas. Um dia ela entrou em minha sala e disse para mim que seria candidata. Respondi que ela estava pronta para se candidatar. Falei para ela: ‘voa’. Mari estava no momento certo, amadurecida, preparada. Ela trabalhou comigo desde o meu primeiro dia na Alerj. Fomos nos transformando e amadurecendo juntos no parlamento”, conta Freixo.


Quando assumiu o mandato como parlamentar, Marielle continuou defendendo os direitos das mulheres e da população mais pobre, combatendo o preconceito e a violência na Câmara do Rio. Foi presidente da Comissão da Mulher da Câmara de Vereadores e também relatora de uma comissão composta por quatro parlamentares, que tinha como objetivo monitorar a intervenção militar no Rio de Janeiro.


“Infelizmente, Marielle só se tornou esse símbolo por causa de seu assassinato. Para nós que convivemos com ela, sempre foi uma potência, sempre teve capacidade de representar mulheres, negras e faveladas. Mas seu aparecimento como símbolo ocorre, infelizmente, após sua morte. Aí deixo a minha crítica. Por que o Brasil ou o mundo não conheceram Marielle antes? Acho que no fundo, essa comoção com seu assassinato, passa por um desejo frustrado, uma dor de quem não pode ter conhecido essa mulher incrível quando ela estava viva”, conclui o deputado.

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09
Nov17

Da cura-gay ao assassinato de lésbicas e convivência com 500 mil prostitutas infantis

Talis Andrade

 

Noticiou a imprensa: Duas mulheres foram mortas a tiros na noite desta quinta-feira (21 de setembro último), no bairro Novo Horizonte, em Linhares, no Norte do Espírito Santo. Elas estavam em uma motocicleta. Uma das vítimas ainda conseguiu descrever o criminoso para a polícia antes de morrer.


Segundo testemunhas, Meiryellen Bandeira, de 28 anos, e Emilly Martins Pereira, de 21, passavam pela rua Jânio Quadros de moto quando foram atingidas pelas costas.


Quando a polícia chegou, Meiryellen já estava morta, ao lado da moto, e cerca de 100 metros depois estava Emilly, ainda viva. Ela foi socorrida e levada para o Hospital Rio Doce, mas não resistiu e morreu na madrugada da sexta-feira (22).


Antes de morrer, ela relatou à polícia que viu o homem que atirou contra elas. De hoje a notícia:

 

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Enquanto milhões de pessoas assistiam ao primeiro beijo gay em uma novela da Globo em 2014 ou acompanhavam pela televisão neste ano a saga do transexual Ivan para ser aceito na novela A Força do Querer, alguma pessoa no Brasil morria por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Trata-se de uma contradição: o Brasil que cada vez mais aceita e respeita a população LGBTQIA+ — a sigla LGBT aumentou para contemplar mais sensibilidades — convive com o Brasil onde ainda se defende abertamente um tratamento de reorientação sexual (que ganhou a alcunha de cura gay) ou que é campeão em crimes de ódio.

 

Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGGB), 343 morreram só em 2016 se consideradas apenas as notícias publicadas pela imprensa. Ou seja, uma pessoa foi assassinada a cada 25 horas por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Já o “Relatório sobre Violência LGBTI fóbica no Brasil”, da Secretaria de Direitos Humanos, mostra que em 2011 foram denunciadas no Brasil 6.809 violações de direitos humanos contra esta população, envolvendo 1.713 vítimas e 2.275 suspeitos. O estudo também mostra uma média de quatro violações sofridas por cada uma das vítimas, o que evidencia uma sobreposição de violências cometidas.

 

Mas o preconceito não se faz evidente apenas quando ocorre um crime de ódio. Milhares de pessoas são excluídas de suas famílias e de seus grupos de amigos por serem gays, lésbicas, transexuais... Muitos deixam de ser contratados ou são demitidos de seus empregos. Comentários, piadas e insultos são recorrentes. Ser chamado e reconhecido pelo nome social ainda é um desafio. Um beijo gay ainda é tabu — mesmo já estando presente na teledramaturgia brasileira.

 

Até a década dos anos 70 era comum os pais expulsarem de casa as filhas que perdiam a virgindade, e a maioria, crianças, terminava nos prostíbulos. Faz parte de uma tradição o Brasil possuir 500 mil prostitutas infantis, vítimas hoje do desemprego dos pais, das condições indignas de moradia, dos despejos coletivos da justiça para beneficiar grileiros de terrenos urbanos, do rendoso turismo sexual. E como escravas sexuais das milícias que comandam o tráfico nas grandes cidade.

 

Talvez para combater a cura-gay seja necessária a cura de pastores deputados, que propagam o ódio homofóbico porque rende votos, e convivem com a prostituição de crianças e adolescentes. É importante destacar que o incesto não é crime no Brasil. 

 

 

 

 

 

 

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