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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

14
Mar21

Wadih Damous cobra a imediata prisão de bolsonarista imbecil que ameaçou Lula de morte

Talis Andrade

Eleitor de Bolsonaro ameaça de morte o ex-presidente Lula

sababatini safado todo.jpg

Após o ex-presidente Lula ser ameaçado de morte pelo bolsonarista José Sabatini, empresário da cidade de Artur Nogueira (SP), o ex-deputado federal Wadih Damous cobrou sua  imediata prisão. “O que está faltando para que o Ministério Público peça a prisão preventiva desse indivíduo?” questionou.

Sabatini é filmado atirando em alvos em um jardim. Ele usa a bandeira do Brasil na altura da cintura. Veja vídeo de pouco mais de um minuto. O homem raivoso dispara cinco vezes sem direção e xinga Lula de vagabundo e filho da puta, antes de mandar um recado. Ele publicou o conteúdo em sua conta no Youtube.

“Se você não devolver os R$ 84 bilhões que você roubou do Fundo de Pensão dos Trabalhador (sic), você vai ter problema, hein, cara […]”, ele diz, apontando a mão para o revólver.

Deve o safado do Sabatini responder por vários crimes.

O crime de ameaça é previsto no artigo 147 do Código Penal e consiste no ato de ameaçar alguém, por palavras, gestos ou outros meios, de lhe causar mal injusto e grave e, como punição, a lei determina detenção de um a seis meses ou multa.

A promessa de mal pode ser contra a própria vítima, contra pessoa próxima ou até contra seus bens.

Código Penal  - Decreto-Lei No 2.848, de 7 de dezembro de 1940.

Ameaça

        Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:

        Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

        Parágrafo único - Somente se procede mediante representação

O sujeito pode responder por crime de calúnia. Tem mais:

LEI N. 5.700, DE 1o DE SETEMBRO DE 1971

Art. 31 - São consideradas manifestações de desrespeito à Bandeira Nacional, e portanto proibidas:

I - Apresentá-la em mau estado de conservação.

II - Mudar-lhe a forma, as cores, as proporções, o dístico ou acrescentar-lhe outras inscrições.

III - Usá-la como roupagem, reposteiro, pano de boca, guarnição de mesa, revestimento de tribuna, ou como cobertura de placas, retratos, painéis ou monumentos a inaugurar.

IV - Reproduzi-la em rótulos ou invólucros de produtos expostos à venda.


CAPÍTULO VI - Das Penalidades

Art. 35 - A violação de qualquer disposição desta Lei, excluídos os casos previstos no art. 44 do Decreto-lei nº 898, de 29 de setembro de 1969, é considerada contravenção, sujeito o infrator à pena de multa de 1 (uma) a 4 (quatro) vezes o Maior Valor de Referência vigente no País, elevada ao dobro nos casos de reincidência. [Redação dada pela Lei 6.913/81]

Art. 36 - O processo das infrações a que alude o artigo anterior obedecerá ao rito previsto para as contravenções penais em geral.

Wadih Damous
 
O que está faltando para que o Ministério Público peça a prisão preventiva desse indivíduo que ameaça a vida de Lula no vídeo de ampla circulação na internet?

A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR), anunciou na manhã deste domingo (8) que o PT vai processar civil e criminalmente o bolsonarista José Sabatini, da cidade de Artur Nogueira, interior de São Paulo, que neste sábado (12) divulgou um vídeo armado fazendo ameaças ao ex-presidente Lula.

“Também será processado @LeonelRadde, civil e criminalmente, assim como o vereador José Alberto Bastos, o valentão de Fortaleza, que já vai pagar indenização ao Lula por postar vídeo atirando em foto do ex-presidente. Essa escória tem de pagar por seus crimes”, disse a deputada ao vereador Leonel Rade (PT), de Porto Alegre, citando o caso de um assessor do deputado estadual bolsonarista André Fernandes (PSL-CE), que foi condenado após publicar vídeo atirando em foto do ex-presidente.

Em vídeo divulgado neste sábado (13), com camisa e bandeira do Brasil enrolada na cintura como saia, e uma arma em punho, Sabatini usa fake news sobre “roubo de R$ 84 milhões” do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) para ameaçar Lula.

“Não tenta transformar o meu país numa Venezuela. Eu vou derramar meu sangue, mas vou lutar por meu país. Está entendendo o recado? A minha parte eu vou fazer. […] Você vai ter problema, hein cara”, diz Sabatini, mostrando o armamento.

 
 
10
Fev20

Onze fatos que ligam a família Bolsonaro ao “capitão” Adriano, morto em circunstâncias misteriosas

Talis Andrade

 

por Joaquim de Carvalho

Morto a tiros ontem pela polícia na Bahia, Adriano Magalhães da Nóbrega prestou depoimento no caso Marielle e deixou pelo menos uma lacuna. Ele não se lembrou onde estava no dia em que a vereadora foi assassinada.

“Perguntado se o declarante se recorda de onde estava em 14 de março do corrente ano (2018), que respondeu não se recordar ao certo, mas provavelmente que,  na parte da noite e nos dias de semana, sempre está em sua casa ou em seu sítio, visto que costuma acordar bem cedo.”

O depoimento foi prestado no dia 20 de agosto de 2018, quando a Polícia ainda não tinha apresentado os Ronnie Lessa e Élcio Queiroz como executores do crime.

Adriano Magalhães da Nóbrega é apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como um dos líderes do Escritório do Crime, uma organização criminosa da qual faziam parte Ronnie e Élcio.

A morte de Adriano tem, portanto, consequências para a investigação do caso Marielle.

Para quem mandou matar vereadora, motivo de alívio ou comemoração.

Para quem quer buscar a verdade, o caminho fica mais difícil, mas não impossível.

Adriano pode ter deixado relato — uma carta, por exemplo —, como fez o jornalista Alexandre von Baumgarten, em um caso rumoroso do início da década de 80.

Em 1982, dois dias antes de ser assassinado, Baumgarten compôs um dossiê, que seria entregue, mais tarde, à revista Veja.

No documento, ele detalhava o plano do SNI para matá-lo. Baumgarten era jornalista e serviu à ditadura.

Relançou a revista O Cruzeiro, com linha editorial de apoio ao governo dos militares.

Tinha anúncio de organizações envolvidas em esquema de corrupção.

Baumgarten era também ligado ao empresário Ronald Levinsohn. Morava num apartamento dele em Ipanema, Rio de Janeiro.

O dossiê foi entregue à Veja uma semana depois da intervenção do governo militar na Delfin, instituição financeira de Ronald Levinsohn que administrava cadernetas de poupança.

O assassinato como solução para problemas políticos nem sempre dá bons resultados. Às vezes, o efeito é inverso.

No caso do assassinato do “capitão” Adriano, é impossível não cogitar implicações políticas.

E se o assunto é implicações políticas, o nome que vem de imediato à mente é o de Jair Bolsonaro — e sua família, claro.

O elo do miliciano com Bolsonaro é evidente. Seguem alguns fatos:

  1. Em 2005, o então deputado federal Jair Bolsonaro Bolsonaro defendeu Nóbrega em discurso na Câmara. Nóbrega respondia a processo por homicídio. “Um dos coronéis mais antigos do Rio de Janeiro compareceu fardado, ao lado da Promotoria, e disse o que quis e o que não quis contra o tenente (Adriano), acusando-o de tudo que foi possível, esquecendo-se até do fato de ele (Adriano) sempre ter sido um brilhante oficial e, se não me engano, o primeiro da Academia da Polícia Militar”, disse.
  2. Também em 2005, o primogênito de Jair, Flávio Bolsonaro, deputado estadual, condecorou Adriano com a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes.
  3. Danielle, a esposa de Adriano, foi nomeada no gabinete de Flávio Bolsonaro em 6 de setembro de 2007 e lá permaneceu até 13 de novembro de 2018, quando foi demitida no contexto do escândalo da rachadinha — esquema de desvio de dinheiro público (parte dos salários dos servidores) em benefício do deputado estadual.
  4. A mãe de Adriano, Raimunda, também foi assessora de Flávio Bolsonaro, primeiro na liderança do partido a que ele estava filiado, o PP, do qual era líder, depois no próprio gabinete.
  5. Danielle e Raimunda receberam na Assembleia Legislativa do Rio R$ 1.029.042,48, do qual repassaram R$ 203.002,57 a Fabrício Queiroz — que, por sua vez, é suspeito de fazer depósitos em dinheiro na conta de Flávio.
  6. Danielle faltou a depoimento no Ministério Público sobre o esquema da rachadinha por determinação do marido. “Boa noite! O amigo pediu para vc não ir em lugar nenhum e tbm não assinar nada”, escreveu Adriano em mensagem a Danielle no dia 15 de janeiro de 2019.
  7. No dia seguinte, 16 de janeiro, Queiroz perguntou a Danielle se ela tinha sido intimada a depor. “Eu já fui orientada. Ontem fui encontrar os amigos”, afirmou.
  8. “Amigos”, segundo o Ministério Público, é uma referência aos integrantes da milícia no Rio de Janeiro. A ausência de Danielle no depoimento beneficiava Flávio Bolsonaro, empenhado em impedir o avanço das investigações.
  9. Fabrício Queiroz, suspeito de ser uma espécie de intermediário do caixa 2 de Flávio Bolsonaro, recebeu depósitos de duas pizzarias controladas por Adriano — a Pizzaria Tatyara Ltda (R$ 45,33 mil) e o Restaurante e Pizzaria Rio Cap Ltda (R$ 26,92 mil).
  10. Fabrício Queiroz, o intermediário nesse esquema sujo, também depositou pelo menos um cheque na conta de Michelle Bolsonaro, esposa do presidente, no valor de R$ 24 mil.
  11. No livro “Tormenta”, de Taís Oyama, Bolsonaro é citado como aquele que deu a ordem para que Fabrício Queiroz não prestasse depoimento ao Ministério Público, no final de 2018, que indica a determinação dele para que a investigação sobre o esquema de corrupção no gabinete do filho Flávio não fosse adiante. Se não quis o depoimento de Queiroz, por óbvio Bolsonaro não queria também o de DanielleArmas encontradas no imóvel em Esplanada (BA) onde Adriano da Nóbrega estava escondido

A morte de Adriano no Estado da Bahia também traz à tona a defesa que Jair Bolsonaro fez na Câmara dos Deputados de integrantes de um esquadrão da morte no estado.

“Desde que a política de direitos humanos chegou ao nosso país, cresceu, se avolumou e passou a ocupar grande espaço nos jornais, a violência só aumentou. A marginalidade tem se sentido cada vez mais à vontade, tendo em vista esses neoadvogados para defendê-los. Quero dizer aos companheiros da Bahia que agora há pouco veio um parlamentar criticar aqui os grupos de extermínio e que, enquanto o Estado não tiver coragem para adotar a pena de morte, esses grupos de extermínio, no meu entender, são muito bem-vindos. E se não tiver espaço na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo apoio. Que, no Rio de Janeiro, só as pessoas inocentes são dizimadas. E na Bahia — as informações que eu tenho, lógico que são grupos ilegais, mas, no meu entender, meus parabéns —, a marginalidade tem decrescido”, discursou.

A presença do foragido Adriano no estado indica mesmo uma certa proximidade entre grupos de extermínio dos dois estados.

Na hipótese de que tenha sido alvo de queima de arquivo, Adriano não contava com o fato de que, como na máfia, a milícia (ou grupo de extermínio) mata quem for preciso.

O policial civil Leonel Radde, do departamento de homicídios do Rio Grande do Sul e integrante do movimento Polícia Anti-Fascista, comentou:

“Será que o Flávio e o Jair Bolsonaro irão ao enterro do amigo miliciano Adriano da Nóbrega?”

Se eram amigos, o natural é ir.

Mas, até agora, apesar de sempre muito falantes, nenhum Bolsonaro se manifestou. Nem Sergio Moro, que não havia incluído Adriano da Nóbrega na relação de procurados do Ministério da Justiça.

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