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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

22
Out21

Militantes ligados ao PTB e a movimentos religiosos protagonizaram pancadaria com vereadores em Porto Alegre

Talis Andrade

Elson Sempé Pedroso / CMPA / DivulgaçãoStrzalkowski à frente e Bertolin ao fundo, em confronto com o vereador Claudio Janta  Foto Elson Sempé Pedroso / CMPA /

 

Conflito ocorreu na quarta-feira, durante sessão que analisava o passaporte vacinal, e teve início pelo surgimento, entre os manifestantes, de um cartaz com uma suástica nazista

 

por CARLOS ROLLSING

Militantes ligados ao Movimento Cristão Conservador do PTB de Porto Alegre, à Associação Brasileira de Patriotas e ao Ministério Fé e Política estiveram envolvidos na confusão, inclusive com agressões, na Câmara de Vereadores na quarta-feira (20), durante a votação do passaporte vacinal.

Eles ingressaram nas galerias do Legislativo para protestar contra a exigência do comprovante de imunização da covid-19 em lugares de concentração de público, trajavam, em parte, camisas na cor verde estilizadas para o movimento e portavam um cartaz que continha uma suástica nazista. Esse foi o estopim para a confusão. Vereadores de oposição, mas também o presidente da sessão, Idenir Cecchim (MDB), que é governista, entenderam o gesto como apologia ao nazismo. 

Um dos que aparece em destaque nas imagens do conflito, de cabelo escuro e barba, é o advogado Antonio Bertolin. Ele é o presidente do Movimento Cristão Conservador do PTB em Porto Alegre e integra organizações como a Associação Brasileira de Patriotas e o Ministério Fé e Política. Bertolin ocupou um cargo em comissão (CC) no Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), órgão da prefeitura de Porto Alegre, entre agosto e outubro de 2021. Três semanas antes dos atos violentos ocorridos na Câmara, ele foi exonerado do cargo. A prefeitura informou, em nota, que a demissão aconteceu porque Bertolin supostamente “não cumpria suas atividades”.

— Fiquei pouco tempo porque o cargo de confiança é de livre nomeação e exoneração. É da natureza desse cargo — disse Bertolin.

A reportagem apurou que a indicação de Bertolin para o cargo no município teria partido do ex-vereador Wambert Di Lorenzo (PTB), atual diretor-executivo do Procon Porto Alegre, e da vereadora Tanise Sabino (PTB). Após a exoneração, eles teriam sido comunicados para que indicassem outro nome à vaga.

Ao lado de Bertolin nos momentos de trancos e safanões com vereadores estava Márcio Gonçalves Strzalkowski (Márcio Canibal), também ligado aos movimentos que promoveram o ato contra o passaporte vacinal.

Strzalkowski já é um personagem conhecido das manifestações da direita. Em 2017, ele foi detido e acusado de ter agredido um professor em ato do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). 

— Houve o incidente com o Simpa. As imagens mostram que o Simpa iniciou agressão contra o youtuber Rafinha BK na frente da prefeitura. Eu defendi meu amigo e briguei com três de uma vez só. A Guarda Municipal nos encaminhou para a delegacia e, nesse meio tempo, o Simpa agrediu o youtuber Arthur do Val (atualmente deputado estadual em São Paulo) — afirmou Strzalkowski.

Mais recentemente, em 2020, ele lançou-se a vereador em Novo Hamburgo pelo Podemos, mas sua candidatura consta como indeferida no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nas redes sociais, já apareceu em fotos empunhando armas de fogo e ao lado de figuras como o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o deputado estadual Ruy Irigaray e o vereador Alexandre Bobadra.

— Sobre o encontro, foi um evento sobre um direito que vai completamente contra todas as formas de socialismo. O direito de possuir armas e se defender é considerado sagrado para os conservadores — disse Strzalkowski, em referência ao evento em que esteve ao lado dos políticos.

Jonas Reis
Aí pessoal, já conhecem o Márcio Canibal, um dos bolsonaristas que invadiram a Câmara de Porto Alegre hoje? Só gente desqualificada.

Na manifestação que descambou para a violência, ele trazia pendurados ao pescoço um crachá e uma máquina filmadora. Strzalkowski e Bertolin trocaram agressões e xingamentos pelo menos com os vereadores de oposição Roberto Robaina (PSOL), Matheus Gomes (PSOL) e Leonel Radde (PT), mas um dos momentos de maior tensão ocorreu quando ambos se engalfinharam com o governista Claudio Janta (SD), defensor da vacina e do passaporte de imunização. 

Outro manifestante que apareceu com ênfase na tensão foi Pablo Igarsaba, que também fazia filmagens e vestia terno preto. Ele concorreu a vereador de Porto Alegre pelo PP em 2020 e colheu 41 votos, segundo o TSE. Depois do pleito, migrou ao PTB, onde também participa do Movimento Conservador Cristão na condição de tesoureiro. 

Para os parlamentares de oposição, os manifestantes praticaram crimes de ódio e apologia ao nazismo. Eles registraram boletim de ocorrência na Delegacia de Combate à Intolerância, da Polícia Civil. 

— A gente precisa que, para além da investigação, o Ministério Público e a Justiça avancem na criminalização de pessoas que proferem ideologia de ódio. Esse é o nosso intuito ao fazer esse boletim de ocorrência. A gente espera que o caso vá adiante para que não aconteça novas ameaças ao estado democrático de direito — disse o vereador Matheus Gomes (PSOL), nesta quinta-feira (21).

 

21
Out21

Além de suástica nazista, sessão da Câmara de Porto Alegre tem ataque racista contra vereadoras: “Lixo! Empregadas”

Talis Andrade

 
 

Bruna Rodrigues, Daiana Santos e Laura Sito foram verbalmente agredidas por manifestante antivacina que estava no grupo que invadiu a Câmara de Porto Alegre

 
 
 

Na mesma sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre (RS) em que manifestante antivacina exibiu um cartaz com uma suástica nazista, vereadoras negras foram alvo de um ataque racista.

Ensandecida, uma manifestante chamou as vereadoras Bruna Rodrigues (PCdoB), Daiana Santos (PCdoB) e Laura Sito (PT) de “lixo” e “empregadas”.

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“Infelizmente, ouvimos hoje aqui na Câmara o que estamos acostumadas a ouvir desde muito tempo. Ser chamada de ‘empregada’, de ‘lixo’ é mais uma manifestação de um racismo que tenta desqualificar a todo momento a nossa chegada na Câmara! Não passarão!”, escreveu Bruna Rodrigues, em suas redes sociais, ao divulgar o vídeo que mostra os ataques verbais.

À Fórum, Bruna Rodrigues afirmou que “uma das formas pelas quais o racismo se manifesta é questionando os espaços que ocupamos”.

“Quando mulheres negras, como eu, escutam que somos ‘empregadas’ de pessoas com o perfil dessa mulher que me insultou hoje: branca, ‘de bem’, de família, essa frase na verdade questiona a nossa capacidade de estar nestes espaços. É por isso que ter ouvido hoje que sou ‘empregada’ e que sou um lixo de alguém me indignou. Eu tenho muito orgulho de já ter sido empregada doméstica, tenho muito orgulho de ser filha de gari. E tenho mais orgulho ainda de estar aqui representando estas mulheres, estas trabalhadoras!”, declarou.

“Isso não é motivo de vergonha para mim e para nenhuma trabalhadora desse ramo. Vergonha é ver que a Câmara ainda é um espaço onde o racismo, o machismo e o ódio ao nosso povo se perpetua. Por isso nos revoltamos: contra esse racismo que se manifesta nos questionando, se manifesta dizendo que não devíamos estar aqui. Pois bem: a gente chegou na Câmara pra ficar!”, afirmou ainda.

Daiana Santos, por sua vez, também denunciou o caso nas redes sociais: “RACISMO na Câmara Municipal de Porto Alegre. Além de utilizarem símbolos nazistas, os negacionistas que invadiram o plenário hoje de forma violenta, praticaram crime de racismo contra mim e as vereadoras Bruna Rodrigues e Laura Sito, afirmando que somos EMPREGADAS delas! É CRIME!”.

Extremistas exibem suásticaImage

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Um grupo de extremistas, vestindo roupas verde e amarelo e camisetas das lojas Havan, do bolsonarista Luciano Hang, invadiram a sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre (RS), nesta quarta-feira (20), para protestar contra o chamado passaporte da vacina.

Os vereadores votariam a derrubada ou manutenção do veto do prefeito Sebastião Melo (MDB) sobre a medida que exige comprovante de vacina contra a Covid-19 para acessar determinados estabelecimentos e eventos.

À Fórum, o vereador Leonel Radde (PT) contou que o grupo composto por cerca de 40 pessoas entrou no plenário da Câmara e uma das manifestantes exibiu um cartaz que continha uma suástica nazista, que depois foi repassado a um homem. Ostentar este tipo de símbolo no Brasil é crime.

A exibição do símbolo extremista gerou indignação entre os vereadores, que pediram a expulsão do grupo antivacina. Neste momento parte dos manifestantes começaram a agredir parlamentares com socos e instaurou-se uma confusão generalizada. Um dos vereadores, segundo a jornalista Kelly Matos, chegou a ser mordido.

“Isso gerou indignação (o cartaz com suástica). E aí começou, para tirar o cartaz. Eles vieram agredir os vereadores, não tinha segurança, foi essa a situação”, relatou Radde à Fórum.

Pelas redes sociais, o vereador do PT pediu a identificação e a prisão de quem levantou o cartaz com suástica. “A situação é grave! A pessoa segurando o cartaz com a suástica precisa ser identificada e presa. Absurdo! Antivacinas fazendo apologia ao nazismo na Câmara Municipal de Porto Alegre”, escreveu.

Os manifestantes que exibiram a suástica foram expulsos pelos próprios vereadores e a sessão foi retomada. Confira vídeos da confusão aqui.

Manuela
@ManuelaDavila
1. Quando a eleição de 2020 acabou, falei muitas vezes que aqui em Porto Alegre tínhamos perdido pra candidatura mais bolsonarista das capitais, mesmo que o então candidato tivesse “negado bolsonaro por três vezes”.
2. As cenas de hoje também mostram um pouco como a extrema direita é na essência e como virá para as ruas em 2022.
3. A inócua discussão sobre o passaporte (já existe o estadual) tem objetivo, assim como tinha objetivo o anúncio da distribuição do kit covid: unificar a base política.

 

 

 

 
20
Out21

Contra passaporte vacinal, grupo bolsonarista invade Câmara de Porto Alegre, agride vereadores e exibe suástica

Talis Andrade

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por Luciano Velleda /Sul21

A sessão da Câmara de Vereadores de Porto Alegre que analisou, nesta quarta-feira (20), o veto do prefeito Sebastião Melo (MDB) à exigência de passaporte vacinal, foi marcada por socos e empurrões. Um grupo de cerca de 30 pessoas ingressou nas galerias da Câmara para protestar contra o passaporte vacinal, muitos vestindo roupas em verde e amarelo ou portando adereços em alusão às cores nacionais. Em determinado momento, a exibição de um cartaz com o símbolo da suástica nazista foi o rastilho de pólvora para conflagrar o ambiente que já estava tenso.

Vereadores se opuseram à exibição do cartaz e solicitaram à segurança da Câmara que impedisse. A partir de então, teve início a confusão entre o grupo, parlamentares e funcionários da Casa. 

“Isso dá a dimensão da dificuldade do debate”, analisou a vereadora Karen Santos (PSOL), destacando que o discurso antivacina tem sido alimentado por vereadores da extrema-direita. Para ela, a pressão das galerias “é do jogo” da disputa política, com exceção da violência.

Por sua vez, o vereador Leonel Radde (PT) conta que teve uma assessora agredida na confusão e reclamou da falta de ação da Guarda Civil Municipal (GCM). O vereador Clàudio Janta (SD) também foi agredido. Após um período de troca de empurrões entre os manifestantes e seguranças da Câmara, o grupo foi finalmente retirado das galerias.

A votação acabou por manter o veto do prefeito Melo ao passaporte, embora não tenha valor na prática, já que o governo do Estado implementou na última segunda-feira (18) a exigência do documento para uma série de atividades.

Bolsonarista invadem a Câmara de Vereadores de Porto Alegre e fazem uso da violência! Chegam com símbolo da suastica, gritos, socos e xingamentos. ISSO NÓS NÃO VAMOS ACEITAR. Que a segurança da casa, a guarda municipal e a brigada tomem as providências. pic.twitter.com/hr1iZbqzbg

— Jonas Reis (@jonastreis) October 20, 2021

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14
Mar21

Wadih Damous cobra a imediata prisão de bolsonarista imbecil que ameaçou Lula de morte

Talis Andrade

Eleitor de Bolsonaro ameaça de morte o ex-presidente Lula

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Após o ex-presidente Lula ser ameaçado de morte pelo bolsonarista José Sabatini, empresário da cidade de Artur Nogueira (SP), o ex-deputado federal Wadih Damous cobrou sua  imediata prisão. “O que está faltando para que o Ministério Público peça a prisão preventiva desse indivíduo?” questionou.

Sabatini é filmado atirando em alvos em um jardim. Ele usa a bandeira do Brasil na altura da cintura. Veja vídeo de pouco mais de um minuto. O homem raivoso dispara cinco vezes sem direção e xinga Lula de vagabundo e filho da puta, antes de mandar um recado. Ele publicou o conteúdo em sua conta no Youtube.

“Se você não devolver os R$ 84 bilhões que você roubou do Fundo de Pensão dos Trabalhador (sic), você vai ter problema, hein, cara […]”, ele diz, apontando a mão para o revólver.

Deve o safado do Sabatini responder por vários crimes.

O crime de ameaça é previsto no artigo 147 do Código Penal e consiste no ato de ameaçar alguém, por palavras, gestos ou outros meios, de lhe causar mal injusto e grave e, como punição, a lei determina detenção de um a seis meses ou multa.

A promessa de mal pode ser contra a própria vítima, contra pessoa próxima ou até contra seus bens.

Código Penal  - Decreto-Lei No 2.848, de 7 de dezembro de 1940.

Ameaça

        Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:

        Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

        Parágrafo único - Somente se procede mediante representação

O sujeito pode responder por crime de calúnia. Tem mais:

LEI N. 5.700, DE 1o DE SETEMBRO DE 1971

Art. 31 - São consideradas manifestações de desrespeito à Bandeira Nacional, e portanto proibidas:

I - Apresentá-la em mau estado de conservação.

II - Mudar-lhe a forma, as cores, as proporções, o dístico ou acrescentar-lhe outras inscrições.

III - Usá-la como roupagem, reposteiro, pano de boca, guarnição de mesa, revestimento de tribuna, ou como cobertura de placas, retratos, painéis ou monumentos a inaugurar.

IV - Reproduzi-la em rótulos ou invólucros de produtos expostos à venda.


CAPÍTULO VI - Das Penalidades

Art. 35 - A violação de qualquer disposição desta Lei, excluídos os casos previstos no art. 44 do Decreto-lei nº 898, de 29 de setembro de 1969, é considerada contravenção, sujeito o infrator à pena de multa de 1 (uma) a 4 (quatro) vezes o Maior Valor de Referência vigente no País, elevada ao dobro nos casos de reincidência. [Redação dada pela Lei 6.913/81]

Art. 36 - O processo das infrações a que alude o artigo anterior obedecerá ao rito previsto para as contravenções penais em geral.

Wadih Damous
 
O que está faltando para que o Ministério Público peça a prisão preventiva desse indivíduo que ameaça a vida de Lula no vídeo de ampla circulação na internet?

A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR), anunciou na manhã deste domingo (8) que o PT vai processar civil e criminalmente o bolsonarista José Sabatini, da cidade de Artur Nogueira, interior de São Paulo, que neste sábado (12) divulgou um vídeo armado fazendo ameaças ao ex-presidente Lula.

“Também será processado @LeonelRadde, civil e criminalmente, assim como o vereador José Alberto Bastos, o valentão de Fortaleza, que já vai pagar indenização ao Lula por postar vídeo atirando em foto do ex-presidente. Essa escória tem de pagar por seus crimes”, disse a deputada ao vereador Leonel Rade (PT), de Porto Alegre, citando o caso de um assessor do deputado estadual bolsonarista André Fernandes (PSL-CE), que foi condenado após publicar vídeo atirando em foto do ex-presidente.

Em vídeo divulgado neste sábado (13), com camisa e bandeira do Brasil enrolada na cintura como saia, e uma arma em punho, Sabatini usa fake news sobre “roubo de R$ 84 milhões” do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) para ameaçar Lula.

“Não tenta transformar o meu país numa Venezuela. Eu vou derramar meu sangue, mas vou lutar por meu país. Está entendendo o recado? A minha parte eu vou fazer. […] Você vai ter problema, hein cara”, diz Sabatini, mostrando o armamento.

 
 
10
Fev20

Onze fatos que ligam a família Bolsonaro ao “capitão” Adriano, morto em circunstâncias misteriosas

Talis Andrade

 

por Joaquim de Carvalho

Morto a tiros ontem pela polícia na Bahia, Adriano Magalhães da Nóbrega prestou depoimento no caso Marielle e deixou pelo menos uma lacuna. Ele não se lembrou onde estava no dia em que a vereadora foi assassinada.

“Perguntado se o declarante se recorda de onde estava em 14 de março do corrente ano (2018), que respondeu não se recordar ao certo, mas provavelmente que,  na parte da noite e nos dias de semana, sempre está em sua casa ou em seu sítio, visto que costuma acordar bem cedo.”

O depoimento foi prestado no dia 20 de agosto de 2018, quando a Polícia ainda não tinha apresentado os Ronnie Lessa e Élcio Queiroz como executores do crime.

Adriano Magalhães da Nóbrega é apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como um dos líderes do Escritório do Crime, uma organização criminosa da qual faziam parte Ronnie e Élcio.

A morte de Adriano tem, portanto, consequências para a investigação do caso Marielle.

Para quem mandou matar vereadora, motivo de alívio ou comemoração.

Para quem quer buscar a verdade, o caminho fica mais difícil, mas não impossível.

Adriano pode ter deixado relato — uma carta, por exemplo —, como fez o jornalista Alexandre von Baumgarten, em um caso rumoroso do início da década de 80.

Em 1982, dois dias antes de ser assassinado, Baumgarten compôs um dossiê, que seria entregue, mais tarde, à revista Veja.

No documento, ele detalhava o plano do SNI para matá-lo. Baumgarten era jornalista e serviu à ditadura.

Relançou a revista O Cruzeiro, com linha editorial de apoio ao governo dos militares.

Tinha anúncio de organizações envolvidas em esquema de corrupção.

Baumgarten era também ligado ao empresário Ronald Levinsohn. Morava num apartamento dele em Ipanema, Rio de Janeiro.

O dossiê foi entregue à Veja uma semana depois da intervenção do governo militar na Delfin, instituição financeira de Ronald Levinsohn que administrava cadernetas de poupança.

O assassinato como solução para problemas políticos nem sempre dá bons resultados. Às vezes, o efeito é inverso.

No caso do assassinato do “capitão” Adriano, é impossível não cogitar implicações políticas.

E se o assunto é implicações políticas, o nome que vem de imediato à mente é o de Jair Bolsonaro — e sua família, claro.

O elo do miliciano com Bolsonaro é evidente. Seguem alguns fatos:

  1. Em 2005, o então deputado federal Jair Bolsonaro Bolsonaro defendeu Nóbrega em discurso na Câmara. Nóbrega respondia a processo por homicídio. “Um dos coronéis mais antigos do Rio de Janeiro compareceu fardado, ao lado da Promotoria, e disse o que quis e o que não quis contra o tenente (Adriano), acusando-o de tudo que foi possível, esquecendo-se até do fato de ele (Adriano) sempre ter sido um brilhante oficial e, se não me engano, o primeiro da Academia da Polícia Militar”, disse.
  2. Também em 2005, o primogênito de Jair, Flávio Bolsonaro, deputado estadual, condecorou Adriano com a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes.
  3. Danielle, a esposa de Adriano, foi nomeada no gabinete de Flávio Bolsonaro em 6 de setembro de 2007 e lá permaneceu até 13 de novembro de 2018, quando foi demitida no contexto do escândalo da rachadinha — esquema de desvio de dinheiro público (parte dos salários dos servidores) em benefício do deputado estadual.
  4. A mãe de Adriano, Raimunda, também foi assessora de Flávio Bolsonaro, primeiro na liderança do partido a que ele estava filiado, o PP, do qual era líder, depois no próprio gabinete.
  5. Danielle e Raimunda receberam na Assembleia Legislativa do Rio R$ 1.029.042,48, do qual repassaram R$ 203.002,57 a Fabrício Queiroz — que, por sua vez, é suspeito de fazer depósitos em dinheiro na conta de Flávio.
  6. Danielle faltou a depoimento no Ministério Público sobre o esquema da rachadinha por determinação do marido. “Boa noite! O amigo pediu para vc não ir em lugar nenhum e tbm não assinar nada”, escreveu Adriano em mensagem a Danielle no dia 15 de janeiro de 2019.
  7. No dia seguinte, 16 de janeiro, Queiroz perguntou a Danielle se ela tinha sido intimada a depor. “Eu já fui orientada. Ontem fui encontrar os amigos”, afirmou.
  8. “Amigos”, segundo o Ministério Público, é uma referência aos integrantes da milícia no Rio de Janeiro. A ausência de Danielle no depoimento beneficiava Flávio Bolsonaro, empenhado em impedir o avanço das investigações.
  9. Fabrício Queiroz, suspeito de ser uma espécie de intermediário do caixa 2 de Flávio Bolsonaro, recebeu depósitos de duas pizzarias controladas por Adriano — a Pizzaria Tatyara Ltda (R$ 45,33 mil) e o Restaurante e Pizzaria Rio Cap Ltda (R$ 26,92 mil).
  10. Fabrício Queiroz, o intermediário nesse esquema sujo, também depositou pelo menos um cheque na conta de Michelle Bolsonaro, esposa do presidente, no valor de R$ 24 mil.
  11. No livro “Tormenta”, de Taís Oyama, Bolsonaro é citado como aquele que deu a ordem para que Fabrício Queiroz não prestasse depoimento ao Ministério Público, no final de 2018, que indica a determinação dele para que a investigação sobre o esquema de corrupção no gabinete do filho Flávio não fosse adiante. Se não quis o depoimento de Queiroz, por óbvio Bolsonaro não queria também o de DanielleArmas encontradas no imóvel em Esplanada (BA) onde Adriano da Nóbrega estava escondido

A morte de Adriano no Estado da Bahia também traz à tona a defesa que Jair Bolsonaro fez na Câmara dos Deputados de integrantes de um esquadrão da morte no estado.

“Desde que a política de direitos humanos chegou ao nosso país, cresceu, se avolumou e passou a ocupar grande espaço nos jornais, a violência só aumentou. A marginalidade tem se sentido cada vez mais à vontade, tendo em vista esses neoadvogados para defendê-los. Quero dizer aos companheiros da Bahia que agora há pouco veio um parlamentar criticar aqui os grupos de extermínio e que, enquanto o Estado não tiver coragem para adotar a pena de morte, esses grupos de extermínio, no meu entender, são muito bem-vindos. E se não tiver espaço na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo apoio. Que, no Rio de Janeiro, só as pessoas inocentes são dizimadas. E na Bahia — as informações que eu tenho, lógico que são grupos ilegais, mas, no meu entender, meus parabéns —, a marginalidade tem decrescido”, discursou.

A presença do foragido Adriano no estado indica mesmo uma certa proximidade entre grupos de extermínio dos dois estados.

Na hipótese de que tenha sido alvo de queima de arquivo, Adriano não contava com o fato de que, como na máfia, a milícia (ou grupo de extermínio) mata quem for preciso.

O policial civil Leonel Radde, do departamento de homicídios do Rio Grande do Sul e integrante do movimento Polícia Anti-Fascista, comentou:

“Será que o Flávio e o Jair Bolsonaro irão ao enterro do amigo miliciano Adriano da Nóbrega?”

Se eram amigos, o natural é ir.

Mas, até agora, apesar de sempre muito falantes, nenhum Bolsonaro se manifestou. Nem Sergio Moro, que não havia incluído Adriano da Nóbrega na relação de procurados do Ministério da Justiça.

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