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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Nov19

Fundamentalistas usam o nome de Deus para matar os índios na Bolívia

Talis Andrade

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Luís Camacho, El Macho, chefe da KKK 

 

Os pastores evangélicos de Trump atuaram para mudar a embaixada brasileira em Israel, e estiveram recentemente com Bolsonaram para acertar os ponteiros do golpe na Bolívia, detonado por um movimento terrorista evangélico, que lembra KKK, Ku Klux Klan.

In 247 Denise Assis sobreavisa: "Em momento de tensão no continente, Polícia Nacional de Israel  abre escritório em São Paulo: 

A presença de uma polícia oficial estrangeira atuando no país é esdrúxula e preocupante. Primeiro, pelo momento em que acontece, quando ali ao lado, na Bolívia, Evo Morales é levado a renunciar, sob pena de ter o país torrado em uma onda de incêndios e violências".

(...) Revista Forum estampou em manchete: “Homem de confiança de Jair Bolsonaro” é citado em áudio de opositores que tentam golpe contra Evo na Bolívia - Série de áudios de opositores ao governo Evo Morales revela ainda o apoio "das igrejas evangélicas e do governo brasileiro”, além da articulação com políticos dos EUA e de Israel para "queimar estruturas do partido de governo e atacar também a embaixada de Cuba". Segundo, porque acontece quando o ex-presidente Lula ganha a liberdade e volta a andar pelas ruas, ainda que guardado por seguranças", escreveu Denise.

Opinião idêntica tem Roberto Bueno: "Bolívia acende o sinal de alerta para o Brasil.

(...) Novamente, os Estados Unidos deixaram as suas digitais. Este cenário boliviano deveria ser claramente compreendido pelo campo progressista brasileiro, pois o golpe de Estado contra Evo Morales foi a decidida resposta do imperialismo norte-americano para o resultado das urnas que não lhe interessam. Foi também uma resposta a sua perda eleitoral na Argentina, à resistência vitoriosa de Maduro na Venezuela, e também, em certa medida, à derrota no México imposta pelo moderado López Obrador, mas não menos à deterioração explícita de seus prepostos ideológicos Lenin Moreno no Equador e Sebastián Piñera, no Chile, onde o sangue de tantos e tantos manifestantes agora serviu para finalmente assinar em sua folha de serviços a pecha de ditador, herdeiro dos piores dias de Pinochet de cujo arcabouço alegremente aproveitou e conviveu com seu irmão à testa.

Hoje na Bolívia apenas assistimos os desdobramentos de mais um capítulo das ações norte-americanas na América Latina, história prenhe de patrocínio a elites golpistas de governos populares, extensíssima ficha de desserviços prestados, do qual um exemplo mais foi o golpe de Estado de 2016 contra a democracia brasileira sob a legítima administração de Dilma Rousseff cuja continuidade foi a interdição da virtual candidatura vencedora de Lula em 2018, abrindo as portas para um modelo de extrema direita cuja indiferença com a sua gente se expressa na tentativa de destruição do Estado que serve justamente às necessidades dos mais pobres".

Os evangélicos e pastores de Trump tramaram a queda de Dilma Rousseff, com sermões do beato Salu (Deltan Dallagnol), com os pastores televisivos proprietários de rádios e televisões, com bilhetes golpistas dos generais comandados pelo capitão Bolsonaro: Mourão e Villas-Boas.

Existem pastores fanáticos que quebram imagens de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, que denunciam o "comunismo" do Papa Francisco, que prendem e arrebentam pais-de-santo e terreiros.

Mas nenhum pastor, até agora, pregou a luta armada, nem comanda milícias como faz Luis Camacho, "El Macho", com uma bíblia na mão, e uma metralhadora na outra. No Brasil, os pastores, imitando Bolsonaro, fizeram arminhas com as mãos.

Fanático religioso, histriônico, corrupto: quem é “Macho” Camacho, empresário que encabeça o golpe na Bolívia

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Camacho lê a Bíblia para milicianos

Por Mariela Fronzosi 

Nodal - A oposição mais virulenta ao governo de Evo Morales na Bolívia está incorporada em um homem que eles chamam de “El Macho”.

Luis Fernando Camacho Vaca é um advogado de Santa Cruz, 40 anos, casado e com três filhos. Ele vem de uma família rica da região e entrou no cenário internacional nas últimas semanas porque se colocou à frente do que ele chama de “processo de recuperação da democracia”.

No entanto, Camacho constrói essa idéia de democracia em paralelo à institucionalidade boliviana: sem ser candidato a qualquer cargo, começou com esse “processo” após a instalação, antes de 20 de outubro passado, quando Morales obteve a maioria dos votos, da possibilidade de fraude eleitoral.

Dentro do Movimento ao Socialismo (MAS), partido oficial, ele é acusado de manipular os fios do golpe de estado para derrubar Evo Morales, que espera validar seu quarto mandato consecutivo depois de perder um referendo a ser reeleito em 2016, mas posteriormente autorizado pelo Tribunal Constitucional por meio de uma decisão de que o atual presidente pode continuar buscando a reeleição indefinidamente, alegando que fazia parte de seus “direitos políticos”.

 

A história do “macho”

Ele nasceu e cresceu em Santa Cruz, uma das áreas mais ricas e poderosas da Bolívia e o departamento em que historicamente vive a maioria da população branca de descendência européia do país.

Após se formar advogado na Universidade Privada de Santa Cruz de la Sierra, concluiu estudos de pós-graduação na Universidade de Barcelona, ​​onde fez mestrado em Direito Financeiro e Tributário.

Seu ativismo começou aos 23 anos como vice-presidente da organização cívica União Juvenil Cruceñista, que embora se defina como “cívica”, foi descrita pela Federação Internacional de Direitos Humanos como “uma espécie de grupo paramilitar” que realiza atos de racismo e discriminação contra habitantes e instituições indígenas da região.

Já em 2015, ingressou no Comitê Cívico Pro Santa Cruz – onde seu pai era presidente entre 1981 e 1983 -, primeiro como segundo vice-presidente e depois como primeiro vice-presidente.

Desde fevereiro de 2019, Luis Fernando Camacho preside a organização que reúne empresas, bairros e entidades trabalhistas da região, onde se encontra a maior parte da oposição ao processo de transformação liderado por Evo Morales desde que se tornou presidente em 2006.

O apelido de “macho” ele ganhou justamente por causa da “coragem” com a qual lidera a campanha contra Morales, a quem acusa de “tirano” e “ditador”.

 

Ao lado de sua vida pública, Camacho é professor universitário e empresário, e com sua família faz parte do Grupo Empresarial de Inversiones Nacional Vida S.A..

As empresas pertencentes a esta corporação operam na área de seguros, gás e serviços. Há rumores de que uma das principais causas de sua amarga oposição ao governo de Morales se deve a milhões de dívidas e perdas relacionadas ao negócio de gás em Santa Cruz.

Por outro lado, ele está envolvido nos Panama Papers com base na criação de três empresas (Medis Overseas Corp., Navi International Holding e Positive Real Estates) para “ajudar pessoas e empresas a esconder suas fortunas em entidades offshore, lavagem de dinheiro e estabelecimento de esquemas de evasão fiscal”, diz um jornal boliviano.

Sua posição sobre isso é negar os fatos e denunciar uma suposta perseguição.

 

Sua cruzada contra Morales

Histriônico e arrogante, com uma oratória exacerbada e uma imagem associada aos ricos brancos do país (que legitima da sua origem burguesa de Santa Cruz), mantém sua popularidade apelando ao número de pessoas que convoca e à proximidade que afirma ter com seus seguidores.

A construção de sua figura em contraste com a origem humilde, camponesa e indígena do Presidente Morales é muito evidente. E, embora se esforce para garantir repetidas vezes que não expressa uma mensagem racista, alguns eventos provam o contrário, como aconteceu durante a marcha das mulheres na quinta-feira, 7 de novembro, em Cochabamba.

Em linha com outros representantes da nova direita regional, como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, Camacho lida com um discurso com uma forte âncora religiosa.

Em cada uma de suas aparições públicas e através das redes sociais, ele incentiva a oração e proclama sua fé em Deus.

Convoca as manifestações no Cristo Redentor e garante uma imagem da Virgem ao seu lado enquanto discursa ao público.

Ele insiste em cada uma de suas mensagens com a necessidade de levar “a Bíblia” de volta ao palácio do governo boliviano, que, segundo ele, foi eliminada pelo MAS.

Isso lhe permitiu alinhar atrás de si todas as forças de direitos clericais e anti-bolivianas, que tiveram expressões homofóbicas e misóginas variadas durante a campanha eleitoral e que procuram criminalizar a homossexualidade e continuam a penalizar o direito ao aborto.

Através das redes sociais e da espetacularização de suas demandas, Camacho ignorou imediatamente o resultado das eleições passadas, convocou um protesto na prefeitura de Santa Cruz e, por meio de votação por aclamação, deu a Morales um prazo de 48 horas para para apresentar sua renúncia.

Paralelamente, se autoproclamou à frente da “unidade” da oposição, obscurecendo até a figura de Carlos Diego de Mesa Gisbert, candidato da coalizão da Comunidade Cidadã que foi o segundo nas eleições de 20 de outubro.

Ele também pediu greve por tempo indefinido e desobediência civil até alcançar o objetivo que havia estabelecido: a renúncia de Evo Morales.

Depois de 48 horas e diante da falta de resposta de Morales, Camacho convocou um novo conselho e emitiu uma carta na qual ele próprio escreve os termos da renúncia do presidente boliviano.

 

O objetivo final

“El Macho” nem sequer está interessado no que a missão da OEA que está auditando os resultados das eleições tem a dizer.

Ele já se manifestou em sua conta no Twitter contra Mesa, acusando-o de ser forçado a apoiar a auditoria internacional, embora mais tarde tenha excluído a mensagem.

Camacho quer convocar novas eleições nas quais Evo Morales não esteja presente. Com um discurso que, apesar de tentar associá-lo à “paz e unidade do povo boliviano”, acaba carregado de racismo, ódio de classe e provocação.

O que ele sonha é com um golpe de estado.

 

 

 

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