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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

22
Fev20

Adeus à Água como Bem Comum?

Talis Andrade

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Bolsonaro e Congresso empurram, a toque de caixa, projeto que pode acabar com empresas públicas de Saneamento. Conheça os antecedentes; a participação da Coca-Cola, do senador Jereissati e dos EUA. E não estranhe o silêncio da mídia

 

por José Álvaro de Lima Cardoso

O problema da falta de água, que é diagnosticado em várias partes do mundo, afeta sempre a sociedade de forma diferenciada. Como todo direito básico existente, quem enfrenta dificuldades no acesso a água são sempre os mais pobres, o que ocorre tanto nos países imperialistas centrais, quanto nos subdesenvolvidos. Os EUA e a Europa também enfrentam grandes problemas de falta de água, a maioria dos rios dos EUA e do Velho Continente estão contaminados. No caso dos EUA, o próprio desenvolvimento recente da indústria extrativa de gás de xisto contribui para a contaminação dos lençóis de água.

Esse importante debate ganhou um novo capítulo no Brasil, com a aprovação (11/12/2019) do projeto de lei do saneamento básico (PL 4162/19, do Poder Executivo), que trata da Política Federal de Saneamento Básico e cria o Comitê Interministerial de Saneamento Básico. Dentre outros tópicos, a lei prevê a abertura da concessão do serviço de água e esgoto para empresas privadas. É que estão chamando de novo marco legal do Saneamento. O projeto, dentre outros, define o prazo de um ano para empresas estatais de água e esgoto anteciparem a renovação de contratos com municípios. Nesse período as estatais de água e esgoto poderão renovar os chamados “contratos de programa”, acertados sem licitação com os municípios. Segundo o relator do projeto, o objetivo dessa última medida é possibilitar que as empresas tenham uma valorização dos ativos e possam ser privatizadas por um valor mais alto. Os destaques tentados pela oposição, que visavam aliviar um pouco o projeto, foram todos rejeitados. 

O senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), autor do projeto, qualificou de “corporativistas”, ao longo da tramitação no Parlamento, os parlamentares que se posicionaram contra o texto. Classificado recentemente, por um outro parlamentar, como o “senador Coca-Cola”, Jereissati é, direta e financeiramente, interessado na privatização dos serviços de água e saneamento no Brasil. Seu patrimônio é estimado em R$ 400 milhões (informações de 2014). É um dos sócios do Grupo Jereissati, que comanda a CalilaParticipações, única acionista brasileira da Solar. Esta última empresa é uma das 20 maiores fabricantes de Coca-Cola do mundo e emprega 12 mil trabalhadores, em 13 fábricas e 36 centros de distribuição.

Na prática o novo Marco Regulatório do Saneamento Básico, autoriza a privatização dos serviços de saneamento no país (não nos enganemos: esse é o objetivo principal). O item mais polêmico do projeto é a vedação aos chamados “contratos de programa”, que são firmados entre estados e municípios para prestação dos serviços de saneamento. Os referidos contratos atualmente não exigem licitação, já que o contratado não é uma empresa privada. É evidente que, se não houver os contratos de programa, a maioria dos municípios terá que contratar serviços privados, pois não dispõem de estruturas nos municípios para desenvolver atividades de saneamento. É muito evidente que o projeto visa conduzir os municípios a contratarem empresas privadas.

Esta lei poderá quebrar as estatais de saneamento, o que abriria as portas para a privatização da água. Água é a matéria-prima mais cara para a produção de bebidas em geral. Para cada litro de bebida produzido, por exemplo, a Ambev declara usar 2,94 litros de água. Não existe nenhuma transparência nas informações divulgadas, mas ao que se sabe, as empresas de alimentos e bebidas contam com uma condição privilegiada no fornecimento de água e esgoto. Obtendo, por exemplo, descontos. No entanto, foram essas mesmas empresas que estiveram à frente da tentativa de aprovar o novo marco regulatório, possivelmente porque avaliam que, com o setor privatizado, pagarão ainda menos pelos serviços.

Tudo indica que os golpes desferidos na América Latina, com a coordenação geral dos EUA, têm também como favor motivador, os mananciais de água na Região. Em 2016, logo após o golpe no Brasil, o governo dos Estados Unidos iniciou negociação com o governo Macri sobre a instalação de bases militares na Argentina, uma em Ushuaia (Terra do Fogo) e outra localizada na Tríplice Fronteira (ArgentinaBrasil e Paraguai). Um dos objetivos na instalação destas bases, tudo indica, foi o Aquífero Guarani, maior reserva subterrânea de água doce do mundo. O Aquífero, localizado na parte sul da América do Sul (BrasilArgentinaUruguai e Paraguai) coloca a região como detentora de 47% das reservas superficiais e subterrâneas de água do mundo. Os EUA sabem que não há nação que consiga manter-se dominante sem água potável em abundância, por isso seu interesse em intensificar o domínio político e militar na região, além do acesso à água existente em abundância no Canadá, garantida por acordos como o do NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte, entre EUACanadá e México).

No começo de 2018, o “insuspeito” Michel Temer encontrou-se com o presidente da Nestlé, Paul Bucke, para uma conversa reversada. Não é preciso ser muito sagaz para concluir que o tema da conversa foi um pouco além de amenidades. Alguns meses depois, o governo Temer enviou ao Congresso uma Medida Provisória 844, que forçava os municípios a conceder os serviços, medida que não foi aprovada. No último dia de mandato, Temer editou a MP 868, que tratava basicamente do mesmo assunto. Em março deste ano, Tasso Jereissati foi nomeado relator. Quando a MP 868 perdeu validade no começo de março, o senador Tasso encaminhou o Projeto de Lei 3261, de 2019, que basicamente retomou o que constava da medida provisória. A proposta foi aprovada em comissão e plenário em tempo recorde, e rapidamente chegou à Câmara (o que demonstra a existência de forças muito poderosas por detrás do projeto).

A pressão para privatização da água é muito forte, conta com organizações financiadas pelos grandes grupos interessados, especialmente do setor de alimentos e bebidas e com cobertura do Banco Mundial. Os defensores da privatização têm um discurso sinuoso, como se não quisessem de fato, aquilo com o que sonham noite e dia. Sabe-se que a Coca-Cola disputa água no mundo todo e certamente não o faz por razões humanitárias. Uma unidade da empresa é acusada de ter secado as nascentes em Itabirito, na região metropolitana de Belo Horizonte. A fábrica, segundo as organizações de defesa do meio ambiente, secou nascentes dos rios Paraopeba e das Velhas – responsáveis por quase toda o abastecimento de água de Belo Horizonte. A Coca-Cola, claro, nega que a unidade esteja provocando falta de água na região e afirma que possui todas as licenças para funcionamento.

Em todo o mundo, diversos casos envolvem a Coca-Cola com privatização e controle sobre águas. Há relatos de que no México, regiões inteiras ficam sob “estresse hídrico” por causa de fábricas da empresa, que inclusive contam com água subsidiada. Existem cidades no México em que os bairros mais pobres dispõem de água corrente apenas em alguns momentos, em determinados dias da semana, obrigando a população comprar água extra. O resultado é que, em determinados lugares, os moradores tomam Coca-Cola, ao invés de água, por ser aquela mais fácil de conseguir, além do preço ser praticamente o mesmo. Há moradores destes locais que consomem 2 litros de refrigerante por dia, com consequências inevitáveis para a saúde pública.

Sobre o projeto de privatização das fontes de água no Brasil quase não se ouve posições contrárias. Estas são devidamente abafadas pelo monopólio da mídia. Exceto nos sites especializados e independentes. É que na área atuam interesses muito poderosos, com grande influência no Congresso Nacional, nos governos, nas associações de classes, empresariado, universidades. Os encontros realizados para discutir o assunto são patrocinados por gigantes como AmbevCoca-ColaNestlé, que têm interesses completamente antagônicos aos da maioria da sociedade. Essas empresas investem uma parcela de seus lucros com propaganda, vinculando suas imagens a temas como sustentabilidade ambiental e iniciativas sociais, de acesso à água, e outras imposturas. Apesar de tudo isso ser jogo de cena para salvar suas peles e exuberantes lucros, enganam muitos incautos.

Apesar de extremamente importante, não é muito conhecido no Brasil o episódio intitulado “A guerra da água da Bolívia”, ou “Guerra da água de Cochabamba”. Os grandes grupos de mídia que dominam a informação, a maioria ligados aos interesses do imperialismo, por razões óbvias, escondem o acontecimento. Entre janeiro e abril de 2000, ocorreu uma grande revolta popular em Cochabamba, a terceira maior cidade do país, contra a privatização do sistema municipal de gestão da água, depois que as tarifas cobradas pela empresa Aguas del Tunari (por “coincidência”, pertencente ao grupo norte-americano Bechtel) dobraram de preço. É fácil imaginar o que isso pode significar, em termos de qualidade de vida, para uma população extremamente pobre.

Em 8 de abril de 2000, Hugo Banzer, general e político de extrema direita que tinha assumido o governo da Bolívia através de um golpe de Estado, declarou estado de sítio. A repressão correu solta e a maioria dos líderes do movimento foram presos. Mas a população não recuou e continuou se manifestando vigorosamente, apesar da grande repressão. Em 20 de abril de 2000, com o governo percebendo que o povo não iria ceder, o general desistiu da privatização e anulou o contrato vendilhão de concessão de serviço público, firmado com a Bechtel. A intenção do governo era celebrar um contrato que iria vigorar por quarenta anos. Graças à mobilização da população, a Lei 2.029, que previa a privatização das águas do país, foi revogada.

Nota deste correspondente: Ambev financiou o golpe contra Dilma, a campanha nazi-fascista do MBL, e as eleições, notadamente em 2018, de candidatos da direita e da extrema direita. A Lava Jato jamais se interessou pelo entreguismo das concessões de água, que transformou, para um exemplo, Jorge Paulo Lemann no homem mais rico do Brasil, e o segundo mais rico da Suíça onde reside bem longe da miséria das cidades do Terceiro Mundo. Não esquecer que Lemann é sócio da filha do senador José Serra, bandido de estimação da Lava Jato. Serra fez uma campanha presidencial, confessando que era o filho de um feirante contra o operário torneiro mecânico Lula da Silva. Disse mais Serra: que foi carregador de fretes quando menino.  

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04
Set18

Pobre e cruel país que o sonho de um povo é possuir uma arma de fogo

Talis Andrade

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Diante de cerca de 2 mil apoiadores, vários deles fardados e armados, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) fez mais uma vez apologia ao uso de armamento de fogo, inclusive por civis. “Na próxima vez quero ver 200 pessoas armadas aqui dentro”, disse ele, sob aplausos, ao participar de um almoço de adesão em um restaurante tradicional de Curitiba.

 

“A arma, mais que a defesa da vida, é a garantia da nossa liberdade”, justificou, acompanhado dos deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) e Fernando Francischini (PSL-PR), além do ator Alexandre Frota – já anunciado pelo pré-candidato como seu ministro da Cultura, caso seja eleito.

 

Durante o evento, no qual cada presente pagou R$ 45 para participar, o presidenciável recebeu de presente um boneco com sua imagem, com faixa presidencial e fuzil nas mãos.

 

Eduardo Bolsonaro reforçou o tom bélico. “Presidente tem que meter bala em vagabundo e não formar quadrilha com eles”, disse. Leia mais na revista Exame. 

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A fêmea submissa, e uma nudez de escrava sexual  

 

Em campanha eleitoral na cidade de Rio Branco, no Acre, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, voltou a fazer gesto de arma, mas desta vez, com um tripé de câmera imitando um fuzilamento enquanto discursava em cima de um carro de som.

 

“Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre, hein? Vamos botar esses picaretas pra correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela, hein, galera. Vão ter que comer é capim mesmo”; disse enquanto levantava o tripé imitando estar atirando.

 

Após o discurso, Bolsonaro foi ovacionado pelo público presente. O vídeo não foi publicado nas redes-sociais do presidenciável, mas foi compartilhado por internautas. A assessoria do candidato afirmou ao Jornal Extra que o vídeo é verídico e que o ato “foi uma brincadeira como sempre”.

 

Representação criminal

 

A coligação “O povo feliz de novo” (PT, PCdoB e Pros) entrou com uma representação criminal por ameaça junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal. A coligação também ingressou com notícia crime pelos crimes de injúria eleitoral e incitação ao crime.

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Outro crime eleitoral: O site da gigante do varejo Lojas Americanas colocou à venda pelo menos 37 camisetas defendendo as posições de Jair Bolsonaro, candidato de extrema-direita à presidência da República e defensor de ideias como armar a população e matar bandidos. Na mesma página, são comercializadas também 26 modelos de camisetas ofensivas contra o ex-presidente Lula.

 

Como descreve Laura Castanho em reportagem na CartaCapital, "as peças têm inspiração estética em bandas de rock, como o modelo que imita a camiseta-símbolo do grupo punk Ramones. Em vez do nome dos integrantes da banda, como no modelo original, consta o lema bolsonarista 'Deus acima de todos / Brasil acima de tudo'. A águia americana, por sua vez, foi trocada por uma estrela com a data de proclamação da República".

 

"Essa modalidade é um pouco mais repetitiva. As estampas consistem em variações do mesmo desenho de uma mão com quatro dedos rodeada por uma tarja de proibido. As legendas variam de 'Xô Lula!' a 'Fora ladrão'", descreve a jornalista. CartaCapital apurou que, no caso das camisetas de Bolsonaro, mais de uma empresa é responsável por fabricar e fornecer as peças. Elas não são produzidas pelas Lojas Americanas, mas revendidas em modelo de marketplace.

 

À reportagem, a assessoria de imprensa das Americanas emitiu a seguinte nota: "A companhia desautoriza a venda de qualquer material de campanha política. Os produtos foram retirados dos sites e os sellers, suspensos".

 

A Lojas Americanas é controlada pelo empresário Jorge Paulo Lemann, bilionário mais rico do Brasil, e o segundo mais rico da Suíça onde reside, que defendeu o golpe contra Dilma Rousseff em 2016 e incentivou, em 2018, a candidatura - agora falida - de Luciano Huck. Lemann patrocina movimentos de direita como Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua, sob o mote da "renovação política" que colocou Michel Temer, do quadrilhão do MDB, na presidência do Brasil. Lemann também é ligado ao PSDB (tucanos), sendo sócio, em uma fábrica de sorvetes, da filha do senador José Serra, ministro dos governos de Fernando Henrique e Temer.  

 

 

 

Cena macabra de Bolsonaro antecipa campanha sem Lula

por Paulo Moreira Leite

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A cena ocorrida no palanque eleitoral de Rio Branco, no Acre, onde Jair Bolsonaro simulou o massacre de petistas com tiros de metralhadora, é um efeito previsível do veto do TSE à presença de Lula na campanha, decisão oficializada menos de 48 horas antes em sinistra decisão do TSE.

 

O impacto real da medida foi diagnosticado pelo colunista Bernardo Mello Franco, do Globo: "concorde-se ou não com o resultado, a sessão do TSE será lembrada como a maior interferência do Judiciário numa sucessão presidencial desde o fim da ditadura".

 

Em junho de 1964, a ditadura se consolidou quando Castello Branco cassou os direitos políticos de Juscelino Kubitschek, deixando claro que o compromisso inicial de respeitar calendário eleitoral que previa eleições diretas para outubro de 1965 jamais seria cumprido. O resto foi decorrência, inclusive a institucionalização da perseguição à oposição, que logo iria incluir a tortura sistemática de prisioneiros, e o cancelamento de eleições para presidente, que só voltariam em 1989.

 

Em agosto de 2018, quando o país enfrenta uma semi-ditadura, "a maior interferência do Judiciário numa sucessão presidencial" é acima de tudo uma operação politicamente dirigida, o ato mais recente de uma sequencia que teve início em 2005, com a AP 470, conhecida como Mensalão. Embora Lula tenha direito a recorrer, com um pedido de liminar a ser apresentado no Supremo Tribunal Federal, a cena de Rio Branco mostrou, menos de 48 horas depois do 6 a 1 no TSE, que seu primeiro efeito foi diminuir inibições e liberar os piores instintos do fascismo na campanha presidencial.

 

Viu-se no palanque uma encenação despudorada, sem freios nem inibições, típica de quem já comemora a chegada da barbárie como etapa seguinte à avacalhação geral.

 

Para empregar uma imagem literária clássica, pode-se dizer que a selvageria no palanque é comparável à uma célebre frase do romance "Irmãos Karamazov", de Dostoievsky, no qual um personagem sublinha o caráter civilizatório da religião em sociedades culturalmente atrasadas com uma frase que se tornou referência universal: "Se Deus não existe, tudo é permitido".

 

(A frase, obviamente, não deve ser tomada no sentido literal nem religioso. Mas basta substituir a palavra "Deus"por "soberania popular" para se entender o drama à espreita do Brasil em 2018).

 

Nunca é demais lembrar que o início do processo que levou ao veto a Lula é a condenação precária do tríplex, que contraria a documentação disponível nos autos. No meio do caminho, aboliu-se o transito em julgado para o cumprimento de sentença penal condenatória, como exige o artigo 5 da Constituição. Já a cena de 6a. feira afronta uma decisão da Organização das Nações Unidas com base num Pacto no qual o Congresso, um dos três poderes da República, reconhece valor de lei.

 

Contra tudo isso, a candidatura Lula, mesmo na prisão, se afirmou como escolha democrática de 40% dos brasileiros. Barbada nas urnas, quem sabe no primeiro turno.

 

Graças à "maior intervenção desde a ditadura", não é de espantar que Bolsonaro tenha exibido o novo estado de ânimo na primeira oportunidade.

 

Antes do 6 a 1, era obrigatório registrar seu esforço para assumir uma postura mais discreta, após sucessivos vexames em aparições mais recentes.

 

Até o economista Paulo Guedes, encarregado de atuar como uma espécie de tutor ideológico, acabou atrapalhando ao revelar ao país inteiro que o plano de Bolsonaro é "seguir o que Temer vem fazendo, só que mais rápido".

 

A violência encenada no domingo é a festa do liberou geral.

 

Alguma dúvida?

02
Set18

As relações perigosas dos camisas pretas da lava jato

Talis Andrade

A Istoé desta semana faz retrospectiva dos tempos de chumbo, e revela que candidatos hoje da direita eram espionados pelas polícias estaduais, federal, serviços de inteligência das forças armadas e SNI.

 

Jair Bolsonaro, nunca passou de capitão, foi expulso do Exército como terrorista. Publicou Istoé sobre Bolsonaro:

A ameaça totalitária. O candidato que reverencia torturadores, chama os direitos humanos de “esterco da vagabundagem”, diz que só quem “fraqueja” gera filha mulher e que preferiria um filho morto a ser homossexual ostenta quase 20% nas pesquisas. Agora, finge ser liberal para encantar o mercado. Ele pode ser presidente. E o perigo é exatamente esse

 

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Nos tempos atuais de exceção, do golpe de 2016 que derrubou Dilma Rousseff para entregar o poder à turma de Michel Temer, os serviços de espionagem são realizados pela Liga da Justiça de Sergio Moro/ Dallas Dallagnol, que tem como agitadores o MBL, Movimento Brasil Livre, e como agentes, o Japonês Bonzinho, ex-agente da didatura militar de 1964.

 

Sergio Moro criou uma rede de espionagem, possivelmente com agentes da CIA e/ou do FBI, que espionou Dilma Roussef quando presidenta do Brasil.

 

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O Japonês da Federal, Newton Hidenori Ishii, suspeito de vender informações secretas, continua realizando para Moro, os mesmo ser√iços sujos dos tempos da ditadura militar de 1964, quando atuava como espião.   

 

Newton Ishii, que entregava os estudantes para a tortura e morte, continua a trabalhar como torturador na Lava Jato. Comenta Pedro Canário no importante portal ConJur: 

 

Agente da PF durante mais de 20 anos, ele ficou famoso por conduzir os presos de suas casas aos carros da corporação, ou dos veículos à carceragem. Mas também era o chefe da carceragem e tinha contato diário com os presos (...) 'Com o talento para induzir pessoas a pensarem que chegaram por conta própria a uma conclusão sugerida, o agente poderia ser um instrumento valioso. Não foram poucas as vezes que os jovens delegados, de barba cerrada e cara de mau, recorreram a ele', segundo a versão contada no livro O Carceiro. O primeiro dilema descrito por Ishii entre os presos da operação é o do medo. Os presos da lava jato ficam presos num setor separado da carceragem da PF em Curitiba (...) Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, e o lobista Fernando Baiano, operador do PMDB, são apontados como dois casos que optaram por falar para se proteger de um medo descrito como irracional pelo Japonês.

 

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O suspeito procurador Santos Lima do BanEstado e da lava jato faz propaganda da Liga da Justiça

 

A Liga da Justiça, para a agitação das ruas, conta com o MBL, o nazi-fascista Movimento Brasil Livre. Propaga a Wikipédia:

 

O MBL, em 2016, combinou forças com as bancadas evangélica e ruralista do Congresso por uma agenda de Estado mínimoreforma trabalhista, ajuste fiscal e redução da maioridade penal. Com sede nacional em São Paulo, o movimento realizou frequentes protestos a favor do impeachment de Dilma Rousseff e ações políticas em todo país. Inicialmente, a estratégia política do MBL foi pela convocação das manifestações dos dias 15 de março e 12 de abril de 2015, embora esse aspecto tenha sido posteriormente minimizado, a fim de auxiliar o governo na promoção de estratégias impopulares relacionadas às reformas trabalhistas e previdenciárias. Formado em sua maioria por jovens com menos de trinta anos, seus integrantes são conhecidos por seus discursos incisivos, sendo comparados pela revista Exame a uma startup que nasceu para fazer protestos. Segundo a revista Época, nos protestos de 16 de agosto de 2015, Kim Kataguiri e Fernando Holiday, duas lideranças do movimento, foram recebidos pela população participante como estrelas da política brasileira.

 

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 Agitadores do MBL com as camisas pretas de apoio ao procurador Dallas Dallagnol, acusado de ser o DD da propina de cinco milhões de dólares cobrada de Tacla Duran 

 

O MBL promovia a agitação e uma onda de terror e intimidação, financiado pela Fiesp, na pessoa de Paulo Skaf, e milionários paulistas do grupo de João Doria, candidatos a governador de São Paulo, respectivamente, pelo MDB e PSDB, e principais fortunas da ditadura militar de 64, dos leilões da privataria tucana e do tráfico de dinheiro do Banco do Estado do Paraná - BanEstado. Outro patrocinador, o homem mais rico do Brasil, e segunda maior fortuna da Suíça onde reside, Jorge Paulo Lemann vende nas suas Lojas Americanas, com apoio do TSE, camisas de propaganda do "mito" Bolsonaro, e de Lula como ladrão ou "five", conforme alcunha de Moro.

 

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Sergio Moro costumava pousar ao lado de políticos nos tempos da popularidade da lava jato, e a mosca azul de uma candidatura presidencial animava a corriola de Curitiba, tendo Rosangela Moro uma coluna nas redes sociais com o título "Eu Moro Com Ele". A coluna desapareceu com Roseana acusada de corrupção: caso da Apae e caso Tacla Durán de venda de delações premiadas.

 

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A lava jato politicamente podia tudo, e Moro candidato a presidente promovia alianças políticas

 

18
Mar18

Brasil figura entre os 10 países mais desiguais do mundo. Para alcançar o nível dos direitos humanos da Argentina levaria 31 anos, 35 do Uruguai, 11 do México

Talis Andrade

 


Seis brasileiros concentram a mesma riqueza que a metade da população mais pobre


Estudo da Oxfam revela que os 5% mais ricos detêm mesma fatia de renda que outros 95%
Mulheres ganharão como homens só em 2047, e os negros como os brancos em 2089

 

Foto da favela de Santa Marta no Rio de Janeiro. A

Foto da favela de Santa Marta no Rio de Janeiro. APU GOMES AFP

 

por Marina Rossi

 


Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim) são as seis pessoas mais ricas do Brasil. Eles concentram, juntos, a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país, ou seja, a metade da população brasileira (207,7 milhões). Estes seis bilionários, se gastassem um milhão de reais por dia, juntos, levariam 36 anos para esgotar o equivalente ao seu patrimônio. Foi o que revelou um estudo sobre desigualdade social realizado pela Oxfam.

 

O levantamento também revelou que os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95% da população. Além disso, mostra que os super ricos (0,1% da população brasileira hoje) ganham em um mês o mesmo que uma pessoa que recebe um salário mínimo (937 reais) - cerca de 23% da população brasileira - ganharia trabalhando por 19 anos seguidos. Os dados também apontaram para a desigualdade de gênero e raça: mantida a tendência dos últimos 20 anos, mulheres ganharão o mesmo salário que homens em 2047, enquanto negros terão equiparação de renda com brancos somente em 2089.

 

 

América Latina

Neste ano, o Brasil despencou 19 posições no ranking de desigualdade social da ONU, figurando entre os 10 mais desiguais do mundo. Na América Latina, só fica atrás da Colômbia e de Honduras. Para alcançar o nível de desigualdade da Argentina, por exemplo, o Brasil levaria 31 anos. Onze anos para alcançar o México, 35 o Uruguai e três o Chile. Transcrevi trechos. Leia mais 

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