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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Jul21

Brasil, de sexta economia do mundo a exuberante "banana plantation"

Talis Andrade

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por Hildegard Angel

Eles não se contêm. O Brasil é visto como a mãe peituda obrigada a amamentar marmanjos preguiçosos, desqualificados, mal acostumados a nada realizar pelo país e dele tudo retirar.

Golpearam o Brasil em 2016, numa aliança da burguesia nacional com o capitalismo internacional, e sua primeira providência foi boicotar a ciência, retirar a disciplina dos currículos de nossas crianças, fechar o Ministério da Ciência e da Tecnologia, interromper projetos, restringir ao valor mínimo os recursos ao CNPQ.

Inventaram o Teto de Gastos, para inviabilizar o país em todos os campos do desenvolvimento, e canalizar todo o nosso dinheiro para o mercado financeiro.

Iniciaram, e está em andamento, o projeto para fechar as universidades públicas, em ostensiva perseguição, colocando várias delas sob intervenção, com argumentos falaciosos.

Empreendem sob nossos narizes o plano de desativar o SUS e passar seus equipamentos, hospitais, clínicas, ambulatórios, para planos pagos de saúde e redes privadas de hospitais. O Hospital da Lagoa está com um andar inteiro entregue a uma rede privada.

Desmoralizaram a Lei Rouanet com argumentos falsos, mentiras, e o povo mal informado acreditou, com o fim expresso de aniquilar com a Cultura, que promove o conhecimento, a criatividade, o sentimento.

Embruteceram o Brasil com o discurso do medo, das armas e dos ódios.

São ataques por todos os lados. Estão destruindo tudo o que o Brasil construiu! Voltamos a ser uma economia agrícola, exportadora de grãos de soja, carne e não manufaturados. 

E agora querem dar novo golpe para prosseguir o projeto de "terra arrasada", com um ditador no trono, regendo essa orquestra de maldades, na "banana plantation" que voltaremos a ser, se não interrompermos o quanto antes esse projeto.

IMPEACHMENT JÁ!

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12
Mar19

Primavera Literária de 2019 lança discussões sobre o Brasil e o futuro da literatura

Talis Andrade
Primavera Literária de 2019 lança discussões sobre o Brasil e o futuro da literatura
 
Leonardo Tonus é escritor e professor de literatura brasileira na Sorbonne Université (Paris)Arquivo Pessoal
 

“Qual Brasil? Qual Literatura?”: este foi o lema escolhido para a 6ª edição do Printemps Littéraire, (Primavera Literária, em português), lançada oficialmente nesta segunda-feira (11) na Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris.

A escolha por essas indagações refletem a preocupação de Leonardo Tonus, professor de Literatura brasileira na Universidade Sorbonne e fundador do evento, sobre os rumos da literatura e da liberdade de expressão em um país que adotou uma nova orientação política.

“Diante da situação que o Brasil atravessa atualmente, não só sob o ponto de vista político, mas também social e econômico, me pareceu necessário fazer uma reflexão sobre os caminhos a se trilhar na cultura e especificamente na literatura”, justifica.

Tonus vê um impasse no atual cenário brasileiro em relação à criação, produção e divulgação. A transformação do Ministério da Cultura em Secretaria, os questionamentos em torno da Lei Rouanet e a diminuição dos subsídios para instituições como a  Petrobras Cultural são citados por Tonus como exemplos de transformações que precisam ser debatidos profundamente durante o evento, que tem início em março e se estende até junho. “O campo literário se encontra em um impasse, e acho que ele terá que se reinventar nos próximos anos”, opina.   

A Primavera Literária surgiu em 2014 dentro da Universidade Sorbonne, em Paris, no âmbito do curso de literatura brasileira. Desde o início, lembra Tonus, o objetivo foi levar o evento e os autores que dele participam a outras instituições onde o português é lecionado.

Inicialmente expandida para os países limítrofes da França, a Primavera Literária aos poucos ganhou novas fronteiras e atravessou o Oceano Atlântico devido ao interesse manifestado principalmente pelo circuito acadêmico, seja para valorizar os departamentos ligados à língua portuguesa ou criar nova dinâmica para o ensino da literatura. Nesta edição, dois novos países acolhem o evento: Suíça e Canadá.

Estrangeiros e fake news na programação

Outra novidade de 2019 é a abertura para escritores estrangeiros que têm uma proximidade e algum tipo de vínculo com o idioma português. No ano passado,  o evento recebeu escritores portugueses por meio de uma parceira com o Instituto Camões, mas, desta vez, a expansão foi ainda mais ampla, atraindo para dentro da Primavera Literária autores que têm alguma ligação cultural e de escrita com o Brasil.

Nessa perspectiva, integram a programação nomes como a escritora italiana de origem somaliana Igiaba Scego, que publicou um romance sobre Caetano Veloso, e a franco-italiana Mia Lecomte, que faz um trabalho de literatura migrante, com autores brasileiros que escrevem em italiano.

“É interessante fazer esses diálogos transversais e o olhar externo tem muito a contribuir sobre a percepção do Brasil contemporâneo”, explica.

Durante os quatro meses de encontros em espaços universitários e até estabelecimentos de ensino secundário, mais de 50 escritores vão apresentar suas obras, participar de ateliês de escritura, trocas de experiências e emitir opiniões sobre temas diversos em palestras que trarão temas variados, da produção até o impacto das fake news na arte literária, com a presença de escritores e jornalistas.

“O impacto é generalizado. A produção de fake news está vinculada à capacidade da reflexão do sujeito e também ao cerceamento da liberdade de expressão. Se não há liberdade de expressão no jornalismo, será que vamos passar por esse mesmo processo na criação literária? Será que livros serão censurados ou proibidos pela instituição governamental ou pela sociedade civil? É uma questão a ser debatida”, defende Tonus.

 

05
Mar19

DANIELA MERCURY RESPONDE BOLSONARO: POSSO IR ATÉ BRASÍLIA TE EXPLICAR COMO FUNCIONA A LEI ROUANET

Talis Andrade

Escute e freva a música 'Proibido o Carnaval' 

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247 - Depois de ser atacada, junto com Caetano Veloso, por Jair Bolsonaro por conta da música 'Proibido o Carnaval', que faz críticas à censura e defende a liberdade de expressão, a cantora Daniel Mercury divulgou um longo comunicado em resposta ao presidente. Nele, a artista pede "respeito" pelo que é e pelo que representa e se propõe a ir até Brasília explicar a ele como funciona a Lei Rouanet.

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Em uma postagem no Twitter, Bolsonaro se referiu a Daniela Mercury e a Caetano Veloso, que estão entre os maiores artistas brasileiros, como "dois 'famosos'" e disse que, com a música "Proibido o Carnaval", os dois estavam acusando o governo Bolsonaro "de querer acabar com o Carnaval". "A verdade é outra: esse tipo de 'artista' não mais se locupletará da Lei Rouanet", respondeu.

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Respondeu Daniela:

"Sr. Presidente, sinto muito que não tenha compreendido a canção 'Proibido o Carnaval', que defende a liberdade de expressão e é claramente contra a censura. Mas acho que isso nem vem ao caso aqui porque percebo que há uma distorção muito grave sobre a lei Rouanet. Parece que ela ainda não foi compreendida. Por isso, me coloco à disposição para explicar como funciona o passo a passo dessa lei. E aproveito para tranquilizá-lo. Usei muito pouco de verba pública de impostos da lei Rouanet em cada projeto que tive aprovado. Para que o senhor entenda, cada desfile de trio sem cordas (sem cobrança de ingresso, de graça para os foliões), custa cerca de 400 mil reais. Em 20 anos, Eu tive apoio (TUDO DENTRO DA LEI) de cerca de um milhão de reais de verba de impostos da lei rouanet. 1 milhão em 20 anos, ressalto!!! Dá cerca de 50 mil reais por ano, se assim dividirmos. Considere, sr. Presidente, que eu comecei o movimento de trios sem cordas, de graça para o público, há 21 anos. Eles custaram, por baixo, cerca de 10 milhões de reais! Se tive cerca de 1 milhão de verba pública nesses 20 anos, isso significa que o restante (9 milhões) paguei ou do MEU BOLSO diretamente ou com o patrocínio de empresas privadas. Em 35 anos de carreira, fiz muitas apresentações de graça no Brasil, bancadas do meu bolso. Essa fake news sobre a lei Rouanet criada na eleição não pode continuar sendo usada para desmerecer o trabalho sofrido e suado dos artistas brasileiros. A arte, além de tudo, tem um valor imensurável e o retorno do nosso trabalho para a sociedade, para o turismo, pra a economia é gigante. Para que compreenda melhor, apenas com 1 ano do sucesso 'O Canto da Cidade' (uma música "famosa" minha), Salvador ganhou 500 mil turistas a mais. Mais um exemplo: eu tenho cerca de 50 milhões de reais de retorno de mídia espontânea em cada carnaval de Salvador. Esse retorno, a partir de minhas apresentações (6 horas por dia cantando e dançando sem parar nem para comer – somadas a mais 5 horas prévias de preparação – e mais 2 horas pós apresentação para recuperação da voz e do corpo – durante 6 dias seguidos) traz uma valorização gigantesca para a imagem da cidade, do Estado e do país. Tudo isso estimula o turismo e turbina a economia. Tenho visto que estimular o turismo é um objetivo do senhor. Não se engane: trabalhamos muito. Quando se ataca a arte de um país, quando se ataca os "artistas" brasileiros, se ataca a alma do povo desse país. Mereço respeito pelo que sou, pelo que represento e pelo que faço constantemente pela sociedade brasileira em diversas causas, não apenas na arte. Reitero aqui a minha disposição de conversar com o senhor e com sua equipe sobre a lei Rouanet. Se assim desejar, irei com minha esposa, que é também minha empresária, até Brasília para conversar com o senhor sobre o assunto. Abraços e feliz carnaval." Daniela Mercury Verçosa

EM PLENO CARNAVAL, BOLSONARO ATACA CAETANO E DANIELA MERCURY

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Num tweet na manhã desta terça-feira de Carnaval, Jair Bolsonaro atacou com violência Caetano Veloso e Daniela Mercury afirmando que eles sequer são artistas e acusou-os falsamente de viveram às custas da Lei Rouanet: "Esse tipo de 'artista' não mais se locupletará da Lei Rouanet". 

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No seu tweet, Bolsonaro divulga a gravação de um músico, cujo nome é omitido, com uma marchinha de ataque aos dois artistas, e que começa com o cantor anunciando: "Essa marchinha vai para o nosso querido Caetano Veloso e nossa querida Daniela Mercury... chupa!". O refrão da marchinha é o ataque mentiroso aos dois: "Ê ê ê ê ê, tem gente ficando doida sem a tal Lei Rouanet".

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O ataque de Bolsonaro é uma retaliação ao videoclipe "Proibido o Carnaval", que os dois lançaram no início de fevereiro. Que mistura ritmos e cores carnavalescas, e retrata uma festa repleta de convidados e dançarinos de ambos os sexos. O ritmo é frenético, alegre e o vídeo é sensual. Daniela e Caetano beijam-se, assim como vários dançarinas e dançarinos de todos os sexos, com beijos entre todos.

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O vídeo termina com uma homenagem a Jean Wyllys, que desistiu de seu mandato e exilou-se depois de mais de um ano de ameaças de morte dos bolsonaristas: ""Dedico este videoclipe ao meu amigo amado e incansável guerreiro Jean Wyllys. Estamos te esperando de volta: o Carnaval não está proibido! Axé!!!".

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A letra de "Proibido o Carnaval" faz uma crítica bem humorada a todo ideário bolsonarista quanto aos direitos civis e à moral social, com uma referência direta à declaração da ministra Damares Alves (da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) para quem meninos deve vestir azul e as meninas, rosa. Cantaram Daniela e Caetano: "Vai de rosa ou vai de azul?".

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Leia a letra e veja a seguir o videoclipe de 'Proibido o Carnaval'

guabiras rei carnaval laranja.jpg

 

Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical

.

Tô no meio da rua, tô louca
Tô no meio da rua sem roupa
Tô no meio da rua com água na boca
Vestida de rebeldia, provocando a fantasia

.

Tô no meio da rua, tô louca (hum)
Tô no meio da rua sem roupa (ah é)
Tô no meio da rua com água na boca
Vestida de fantasia, provocando a rebeldia

.

Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Só tem asinha

.

Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Minha alma só tem asinha

.

A mulherada comandando a batucada
O trio elétrico cantava, libertando a multidão
Frevo fervando no Galo da Madrugada
Pernambuco não parava de fazer revolução
Filhos de Gandhi, o afoxé na resistência
O Caboclo era soldado no Brasil da Independência
No crocodilo, Stonewall, estou aqui
No carnaval beijando free
Salvador é a nova Grécia

.
Quilombola, Tupinambá
O corpo é meu, ninguém toca
Vatapá, caruru
Iemanjá lá no sul
Vai de rosa ou vai de azul?

.

Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar

.

Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar

.

Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical

.

Tô no meio da rua, tô louca (tá louca?)
Tô no meio da rua sem roupa (uau)
Tô no meio da rua com água na boca
Vestida de rebeldia, provocando a fantasia

.

Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Minha alma só tem asinha

.

Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Minha alma só tem asinha

.

A liberdade, a Caetanave, a Tropicália
O povo de Maracangalha sai dançando o meu axé
O samba ensina, o samba vence a violência
O samba é a escola de quem ama esse país como ele é

.

Eu falei: Faraó, e ninguém respondeu
Quem come aqui sou eu, Romeu
Libera a libido
Forró em Caruaru, é?
Vai de rosa ou vai de azul?

.

Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar

.

Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar

Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical

.

Axé, axé, axé, axé, axé (proibido? Tá proibido proibir)
Axé (axé), axé (axé), axé, axé, axé, axé!

 

 

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