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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

06
Abr20

"Longínquo mundo de fantasia", por Luis Fernando Veríssimo

Talis Andrade

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GRANDE DEMAIS

A pandemia do coronavírus vem sendo comparada a outros surtos como os da peste negra e da gripe espanhola, que desafiaram a humanidade no passado. Mas um dos precedentes citados não tem nada a ver com contágio ou curva de letalidade. Foi o pânico criado pela ameaça de colapso do sistema financeiro mundial com a falência do banco Lehman Brothers em 2008. A comparação, feita agora, é entre a rapidez com que aquela crise bancária foi resolvida, ou atenuada, e a incompetência e a confusão com que o governo de Donald Trump reage, hoje, à pandemia, depois de ter negado a sua importância, como fez o Bolsonaro, e demorado a adotar as medidas para enfrentá-la com um mínimo de seriedade.

A quebra do Lehman Brothers culminou em um período de banditismo sem controle, principalmente no mercado imobiliário americano, que encheu banqueiros de dinheiro enquanto ludibriava milhares de compradores incapazes de pagar suas hipotecas, e acabou explodindo todo o sistema. Ou fingindo que explodia, porque a solução foi decidida numa reunião de CEOs assustados e autoridades compreensivas, a portas fechadas, com o governo se comprometendo a salvar as financeiras dos seus próprios excessos. Numa encenação dessa reunião histórica em que a intervenção do governo ficou acertada, ouve-se uma voz ao fundo dizendo, num tom plangente: “Mas... Isso é socialismo!”.

Foi por essa época que começou a ser usada a expressão “grandes demais para quebrar”, referindo-se especificamente aos bancos, mas valendo para qualquer corporação com mais tamanho do que juízo à procura de absolvição. Lembrando a decisão da hierarquia da Igreja medieval de criar um Purgatório para acolher a alma de quem enriquecia com a usura, que assim continuaria a ser pecado, mas um pecado tolerável aos olhos de Deus, sem o risco de o cristão ser mandado diretamente o para o Inferno.

A Igreja era grande demais para ser desmentida por um dos seus próprios dogmas. Em 2008, o realismo prático evitou que um sistema financeiro mundial grande demais desmoronasse, mesmo com o vexame de ser chamado de socialista. Em 2020, o Trump custou, mas se convenceu de que a situação exigia seriedade. Já o nosso Bolsonaro continua vivendo dentro do seu ego, num longínquo mundo de fantasia onde a realidade não chega.

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30
Jan20

Brasil vive crise democrática, aponta estudo

Talis Andrade

Menos de 20% dos brasileiros estão satisfeitos com seu sistema democrático, indica relatório da Universidade de Cambridge, que também detecta ampla insatisfação global com a democracia

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por Alexandre Schossler

DW

A satisfação com a democracia atingiu seu patamar mais baixo das últimas décadas no mundo, afirma um relatório publicado nesta quarta-feira (29/01) pela Universidade de Cambridge, que analisou dados disponíveis desde 1995.

Na média mundial, o número de pessoas insatisfeitas com o sistema democrático em seus países é recorde e chegou a 57,5%, ficando 9,7 pontos percentuais acima de 1995.

A tendência negativa é especialmente forte desde 2005, ano que marca o "início de uma recessão democrática global", segundo os pesquisadores. Naquele ano, apenas 38,7% dos cidadãos estavam insatisfeitos.

Entre os motivos listados para a atual situação estão eventos políticos e sociais como a crise financeira de 2008, a subsequente crise do euro de 2009 e a crise dos refugiados na Europa, em 2015. A insatisfação com a democracia subiu 6,5 pontos percentuais após o colapso do banco Lehman Brothers, em outubro de 2008, afirma o relatório.

Brasil é país em crise democrática

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No Brasil, a insatisfação pública com a democracia alcançou níveis recordes em meio à série de escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, afirma o relatório. Menos de 20% dos brasileiros estão satisfeitos com o sistema democrático, aponta.

"Uma breve exceção ocorreu durante a primeira década do século 21, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2010", observa o relatório. "Colhendo os frutos de um boom global de commodities, o governo Lula investiu em programas para reduzir a pobreza amplamente disseminada e reduzir a desigualdade."

"Em retrospecto, porém, esse foi apenas um hiato entre dois períodos de instabilidade – um marcado pelos efeitos da crise dos mercados emergentes do final dos 1990, e outro que começou com a Lava Jato [...] Ao que parece, o futuro foi mais uma vez adiado para o Brasil."

Quatro categorias de países

O relatório separa os países analisados em quatro grupos: satisfação com a democracia, casos de preocupação, mal-estar e crise. O Brasil está no quarto, ao lado de Venezuela, México, Ucrânia, Colômbia, Peru e Moldávia, onde há democracias que enfrentam uma "real 'crise' de legitimidade" e três quartos dos cidadãos ou mais declaram insatisfação com o sistema democrático.

Os únicos países onde as pessoas estão satisfeitas com a democracia são Suíça, Dinamarca, Luxemburgo, Noruega, Irlanda, Holanda e Áustria.

A maioria dos países está nas duas categorias intermediárias. A Alemanha está entre os casos de preocupação. Reino Unido, Estados Unidos, Espanha, Itália e França estão abaixo, na categoria "mal-estar".

O relatório também observa que a perda de confiança na democracia pode ter consequências futuras. "Muitos dos países que, nos anos 1990, tinham os menores níveis de confiança na democracia – como Rússia, Venezuela e Belarus – são exatamente aqueles que experimentaram uma erosão democrática na década seguinte, geralmente com a eleição de homens-fortes que, uma vez no cargo, começaram a minar direitos civis e liberdades."

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