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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

05
Dez21

Quando a polícia vai parar de matar negros? Quando STF?

Talis Andrade

 

A nova chacina da polícia do Rio nos confins de São Gonçalo

Por Raimundo Rodrigues Pereira, 247 - Para chegar a São Gonçalo (RJ) se pega a ponte Rio-Niterói e se sai, na margem norte da baía da Guanabara, pela esquerda, na BR 101, que leva para centros turísticos famosos, como Búzios e Cabo Frio. A entrada para o centro urbano de São Gonçalo fica uns cinco quilômetros à direita nessa rodovia. Mas a entrada para o local da chacina - que detalharemos logo mais - fica ainda outros cinco quilômetros adiante e à esquerda. E a primeira parada a fazer, é, pouco depois da saída da rodovia, a praça central do bairro de Itaúna onde, no sábado, 20 de novembro, foi atingido, em operação da Polícia Militar contra traficantes da área e veio a falecer, o sargento Leandro Rumbelsperger, 40 anos. Essa morte é o que muitos consideram o estopim do massacre.

Nós acendemos o sinal vermelho. Porque a gente já sabe: morre um policial em confronto com traficantes, vai ter revanche da polícia”, disse ao Brasil 247 um integrante da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o primeiro serviço oficial do estado a chegar à comunidade atingida pela chacina ocorrida, ao que tudo indica, na madrugada do domingo dia 21.sargento-pm-leandro-rumbelsperger-salgueiro

Chacina vinga a morte do sargento branco Leandro Rumbelsperger 

 

A sequência dos fatos é a seguinte: 

  1. O sargento PM é morto na manhã de sábado;
  2. Ainda na manhã do sábado são mobilizados o batalhão da PM da região e o Bope, a força especial da corporação; elas realizam o que um porta-voz da polícia chama de ocupação do local. Este inclui Itaúna e outras áreas alinhadas ao longo de cerca de 10 quilômetros da estrada das Palmeiras: uma, formada originalmente por um condomínio de funcionários da Marinha, da época do governador Leonel Brizola; e outra, mais ao final e mais recente, também formada originalmente por um condomínio, no caso, para o pessoal da PM;
  3. Segundo a polícia, ocorrem intensos tiroteios entre essas forças de ocupação e moradores armados, no sábado e no domingo. Neste dia, por exemplo, às três da tarde o serviço de atendimento de urgência, SAMU, foi forçado “por bandidos” a atender um paciente que veio a falecer;
  4. Domingo, dia 21, às 18 horas, o Bope deixa a região e registra na 72ª delegacia de São Gonçalo a relação do material apreendido na ocupação e um óbito;
  5. Ainda no domingo, das 6 horas da manhã até o final da tarde, segundo moradores contaram à Auditoria, chegando em dois “caveirões”, seus veículos blindados, soldados da PM ocupam um clube da Vila das Palmeiras, o Piscina's Bar. Comem, bebem, deixam garrafas e latas de bebida vazias, uma panela de comida meio cheia e uma mesa e uma cadeira quebradas dentro da piscina. Deixam um recado na parte interna do portão do clube e uma assinatura: “Obrigado pela recepção. Delta force, bonde do caça siri”. Esta última frase tem a ver com as mortes no manguezal vizinho, onde se caça siri e onde os PMs caçaram moradores, com mostraremos no segundo capítulo de nossa história.

    Massacre no manguezal

    Domingo, 21 horas, moradores da Vila Palmeiras começam a recolher cadáveres de parentes mortos no manguezal que fica entre a vila e o rio Guaxindiba, que corre ao norte da Vila das Palmeiras. Ao final da operação, oito corpos são depositados num descampado ao lado do manguezal e próximo à última fileira de casas no sudeste da comunidade.

    corpos-chacina
    Corpos de moradores depositados após operação policial

     

    A PM chega para recolher os corpos para a identificação e necrópsia às 9 horas da manhã de segunda. Em seguida, estranhamente, contam os moradores, um policial toca fogo no local onde estavam roupas manchadas de sangue e inclusive uma estranha luva de tipo cirúrgico. Os integrantes da Ouvidoria chegam 20 minutos depois. Filmam a fogueira. Vão depois ao Piscina's Bar, que abrem com auxílio de moradores. E fazem um vídeo da lambança feita pela PM no local..

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    Cadáveres sendo levados para necrópsia (Photo: Reuters)

     

    A autópsia dos oito mortos mostra alguns padrões conhecidos. Era gente jovem: um tinha 17 anos, quatro estavam na casa dos 20; dois na dos 30. Só um tinha mais: 52. Três não tinham antecedentes criminais. As mortes foram na maioria provocadas por tiros na cabeça e nas costas. Possivelmente tinham envolvimento com o tráfico de drogas. Em toda a estrada das Palmeiras, nos cerca de 15 quilômetros entre Itaúna e a Vila, o padrão é um só: o asfalto tem um quebra-molas a cada 10 metros para que os carros trafeguem devagar e com pisca-pisca alerta ligado. E, a espaços mais largos, barreiras mais fortes, com trilhos de aço, pneus e concreto, as quais no período da nossa reportagem, na sua maioria tinham sido derrubadas pela polícia.

    Sem investigação do massacre

    Não há empenho no comando da PM para investigar a ação dos seus soldados na Vila das Palmeiras. Setenta e cinco policiais participaram da operação e só oito tinham entregado suas armas para exame até agora, começo de dezembro. O comando da polícia divulgou também que nas 16 horas da operação os PMs tinham disparado mais de 1500 tiros, alegando que o fizeram sempre por necessidade, como recurso de última instância. Por que tanta fúria?

    Há uma resposta simples. Porque se trata de gente pobre, onde a polícia entra sem mandato e sem bater na porta. E o município, ainda por cima, tem uma tradição considerada ruim por setores conservadores. Sediou um movimento contra a abolição do regime escravista quando, na vizinha Niterói, havia, ao contrário, um clube dos “libertos contra a escravidão”. E derrotado, participou de outro movimento, depois, também sem sucesso, por uma indenização estatal aos senhores que tiveram seus escravos liberados. Em contrapartida, a cidade recebeu também muitos escravos fugidos que se aproveitaram das matas e montes desabitados da área e construíram mini quilombos para se abrigar.moradores-salgueiro

    Comunidade do Salgueiro, alvo do massacre, é habitada por pessoas pobres e pretas (Photo: Reuters)

    Atualmente, a opinião pública de São Gonçalo parece dividida: o prefeito é um ex-PM, o capitão Nelson, de inclinação bolsonarista e ganhou as eleições como candidato do Avante, contra o candidato do PT, Dimas Gadelha, num segundo turno, por pequena margem, 50,79% contra 49,21% dos votos. 

    O Brasil 247 já começou a sua investigação sobre o espantoso crime: o manguezal onde os 8 moradores foram mortos é conhecido como uma área de fuga para os perseguidos pela polícia. E além disso, no local da chacina, não estavam apenas os oito que morreram. Há também os que escaparam, vivos. E que falam, como sabemos. [Continua]

23
Nov21

Chacina no Salgueiro: Moradores contam que policiais fizeram festa antes e depois de matar moradores

Talis Andrade

 

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  • Moradores do Complexo do Salgueiro revelaram que PMs fizeram festa antes e depois de matar moradores

  • Festa teria acontecido a 500 metros de onde os corpos foram encontrados, no mangue

  • OAB do RJ fala em 11 vítimas até o momento

 

 

Uma festa de policiais militar se estendeu ao longo do fim de semana no Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro – o mesmo local onde houve uma chacina, praticada pelos próprios PMs. Os relatos de moradores foram relevados pelo portal Uol. Eles contam que a festa teria acontecido antes e depois da chacina.

Os policiais militares integram o 7º BPM e fizeram a “celebração” a cerca e 500 metros de onde os corpos foram encontrados. Enquanto a Polícia Civil fala em oito mortos, a Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro afirma que foram encontradas 11 vítimas fatais.

De acordo com informações do Uol, a festa teria acontecido na noite de sábado e também entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira. Relatos de moradores revelados pelo portal afirmam que participaram cerca de 20 policiais militares. Eles teriam ido a um local chamado Piscina’s Bar na tarde de sábado e ficaram até 22h. No domingo, o grupo voltou por volta das 18h e continuaram a festa até a madrugada.

No local, havia garrafas quebradas, panelas com comida e a piscina tinha sinais de uso. Entre as bebidas, havia uísque e vodca. Moradores ainda revelaram ao portal que, quando alguém passava pela rua, os PMs desejavam “feliz natal”.

Segundo o Uol, moradores também revelaram que dois carros blindados do Bope, os chamados caveirões, foram usados para bloquear as entradas do estabelecimento enquanto a festa dos PMs acontecia.

Pedido de investigação da ONU 

O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos pediu para que seja feita uma investigação, em um processo independente, sobre a chacina que ocorreu ao longo do fim de semana no Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro.

Na última segunda-feira (22), famílias tiraram corpos das vítimas da região do mangue após policiais fazerem uma intervenção na comunidade. Até o momento, nove corpos foram encontrados.

No sábado, um policial militar, Leandro da Silva, morreu durante operação no Complexo do Salgueiro e, no dia seguinte, diversos moradores foram assassinados. Familiares e amigos falaram em sinais de tortura nos corpos encontrados. A suspeita é que a chacina tenha sido uma retaliação.

Segundo o Uol, o Alto Comissariado da ONU mostrou preocupação com o ocorrido e pediu a identificação dos responsáveis. “Nosso escritório pede ao Ministério Público que conduza uma investigação independente, completa, imparcial e eficaz sobre essas mortes, de acordo com padrões internacionais”, declarou a porta-voz da entidade, Marta Hurtado.

Sinais de tortura

Segundo a TV Globo, moradores das Palmeiras classificam a ação policial como uma chacina. “Os corpos estão todos jogados no mangue, com sinais de tortura. As pessoas, uma jogada por cima da outra. Estava com sinal totalmente de chacina mesmo”, revelou um morador do local.

Outra moradora afirmou que muitos conhecidos foram mortos pelos PMs. “A gente estava gritando no mangue para ver se consegue tirar, mas todos mortos”, disse.

À TV Globo, uma terceira moradora disse que as mães das vítimas estão entrando na região do mangue para resgatar os corpos. “As mães estão entrando dentro do mangue. Com o mangue acima do joelho para poder tentar puxar os corpos”, detalhou à TV Globo.

Ao jornal Extra, outra pessoa que vive no local revelou que, entre as vítimas, havia pessoas envolvidas com o crime, mas também “pais de família”. Além disso, o morador revelou que não foram encontradas armas junto aos corpos.

“Tinham pessoas envolvidas com o crime? Tinham. Mas a grande maioria não tem nada com o fato. Muitas pessoas estão desfiguradas. Se eles tivessem a intenção de prender, não teriam feito isso. Quem correu se salvou. Essas mortes aconteceram de ontem para hoje. (Os policiais militares) passaram de sábado para domingo e ontem durante o dia eles saíram e voltaram. Se fosse troca de tiros, os jovens não estariam assim. Eles fizeram uma chacina. Resgatamos os corpos e não achamos nenhuma arma. Morreu um PM em um dia e no outro eles fizeram uma chacina."

22
Nov21

Falta resgatar todos os corpos da chacina de São Gonçalo

Talis Andrade

Corpos foram retirados de mangue pelos próprios moradores

Há feridos no mangue e os bombeiros se recusam a entrar', diz presidente de associação

 

por Rafael Nascimento de Souza /Jornal Extra

Pouco depois das 21h deste domingo, moradores da localidade da Palmeira, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, começaram a localizar os corpos que estavam num mangue da região. Quem vive na localidade, pobre e com barracos humildes, afirma que as vítimas foram executadas após a Polícia Militar entrar na comunidade — horas após a morte do sargento da PM Leandro Rumbelsperger da Silva, de 40 anos, do 7º BPM (São Gonçalo). Na manhã desta segunda-feira, quem vive no bairro ainda procura por outros corpos. Familiares velavam as vítimas à espera da perícia da Polícia Civil. Até as 9h30, oito homens haviam sido encontrados. Populares dizerem que as vítimas foram torturadas antes de serem mortas.

Só às 11h12m, quase 15 horas após as mortes, agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) da PM chegaram ao local para fazer a perícia. A Corregedoria Interna da PM e um promotor do Ministério Público do Rio acompanham o procedimento.

Um leiturista de 45 anos, e que mora há 25 anos na favela, diz que “a morte de um policial militar gerou essa operação mal sucedida”.

— Vieram de qualquer maneira e o resultado é esse. Eles deram tiro para todos os lados e chefes de família ficaram em risco. E o resultado é esse: nove corpos e muitos outros que podem estar no mangue — diz o homem que reclama da falta de estrutura básica da região. — Não existe segurança pública no Rio. Eles tratam a gente com a morte. Aqui não tem nada. O estado não dá condições para a gente sobreviver. Nós somos manipulados pelo governo e eles fazem isso com a gente.

Quem vive no bairro diz que “tinham pais de família” entre as vítimas. Mas eles relatam que criminosos também estão entre os mortos. No entanto, moradores destacam que “os bandidos não precisam ser mortos”.

— Tinham pessoas envolvidas com o crime? Tinham. Mas a grande maioria não tem nada com o fato. Muitas pessoas estão desfiguradas. Se eles tivessem a intenção de prender, não teriam feito isso. Quem correu se salvou. Essas mortes aconteceram de ontem para hoje. (Os policiais militares) passaram de sábado para domingo e ontem durante o dia eles saíram e voltaram. Se fosse troca de tiros, os jovens não estariam assim. Eles fizeram uma chacina. Resgatamos os corpos e não achamos nenhuma arma. Morreu um PM em um dia e no outro eles fizeram uma chacina — diz um morador.

Outro morador relata a sensação de insegurança de quem mora na região.

— É uma sensação horrorosa. Infelizmente, a polícia só entra para matar. Eles não podem chegar aqui e fazer essa chacina — diz um mototaxista de 43 anos que mora na região.

Até as 9h50, os corpos estavam no local cobertos por lençóis. A todo momento, familiares e amigos chegam e se desesperam com a situação dos corpos.

'Há feridos no mangue e os bombeiros se recusam a entrar', diz presidente de associação

A associação de moradores do Salgueiro, por nota, denunciou que o Corpo de Bombeiros tem se recusado, desde este domingo, dia 21, a retirar vítimas que estão dentro do terreno pantanoso à margem da baía. A presidência disse que a ordem da corporação é de não entrar na favela.

“Desde ontem estamos tentando resgatar os moradores que estão feridos dentro da vegetação e estão machucados. Recebemos a informação que eles (o Corpo de Bombeiros) estão proibidos de entrar. Temos pessoas que precisam de socorro. Além disso, precisamos que eles retirem os corpos. Esse é um desrespeito para as famílias. Ninguém aceita o erro, mas aqui tem moradores que não tem nada a ver. O Corpo de Bombeiros não vem porque alegam tiroteio. Onde tem tiroteio aqui? A gente só quer o respeito. Tem gente que está viva lá dentro. Mais tarde vamos apresentar essas arbitrariedades para os órgãos competentes. Vamos apresentar pra OAB esse desrespeito e o sofrimento do pai, da mãe, de filho que morram aqui”, diz em nota a associação.

As viaturas do Corpo de Bombeiros estão no local, segundo a assessoria de imprensa da corporação, que informou ainda que o "serviço de recolhimento de cadáveres atua após a perícia da polícia e liberação da guia de recolhimento. Em nota, o Corpo de Bombeiros explicou que "o acionamento do serviço de remoção de cadáveres da Defesa Civil é feito, exclusivamente, pela Polícia Civil (delegacia da área), que emite um documento chamado GRC (Guia de Recolhimento de Cadáver). A retirada de um corpo pela equipe de militares depende da emissão da documentação citada, que, podemos dizer, funciona como uma autorização legal para o recolhimento. Inclusive, a GRC é imprescindível para a entrada no IML".

"Meu pai está lá dentro", afirma uma manicure

Uma jovem de 21 anos, manicure e que mora no bairro há cinco anos, diz que o pai, um comerciante de 43 anos, está entre os desaparecidos e feridos dentro do manguezal. Ela conta que falou com o pai por telefone. No entanto, o aparelho do comerciante ficou sem sinal.

— Meu pai é trabalhador e moramos há mais de cinco aqui. Ele estava voltando do trabalho por volta de 15h desse domingo. Na hora do tiroteio, meu pai correu para dentro do mangue. Ele diz que ficou no meio do tiroteio. Só estava tentando vir para casa. Disse que outras pessoas estavam dentro do mangue. Estou com medo e creio que ele esteja vivo. Desde ontem, ele manda mensagem. Mas agora de manhã ele perdeu o sinal. Acreditamos que muitas pessoas estejam mortas — lamentou a jovem.

"Meu cunhado foi tirado de dentro de casa e executado", relata moradora

Uma moradora de 27 anos diz que seu cunhado, David Wilson da Silva Oliveira Antunes, de 23 anos, pai de duas meninas, de 4 e 5 anos, estava dentro de casa, quando foi retirado e assassinado.

— O meu cunhado é trabalhador. Eles tiraram ele de dentro de casa, mataram ele dentro do mato — acusa a mulher.

Corpos foram recolhidos por moradores da comunidade
Corpos foram recolhidos por moradores da comunidade Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

 

Até as 9h50, os corpos estavam no local cobertos por lençóis. A todo momento, familiares e amigos chegam e se desesperam com a situação dos corpos.

Em entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo, na manhã desta segunda-feira, o porta-voz da Polícia Militar, major Ivan Blaz, disse que havia uma ocupação do 7º BPM na região.

— Nós tínhamos uma ocupação do 7º BPM motivada para estabilizar a região após denúncias de bandidos estarem fazendo o uso de escolas, inclusive, para o tráfico. Após a morte do sargento, o Bope foi para a região. Houve vários confrontos durante o final de semana na área do mangue. Tivemos a apreensão de vários materiais usados em combate. Deduzimos que houve inúmeros feridos entre policiais e traficantes, [justifica o policial. Ninguém acredita]

A Polícia Militar informou que, após o conhecimento de corpos localizados em área de mangue na região do Complexo do Salgueiro, a corporação dará início a uma ação no local e permanecerá na região para garantir o trabalho de perícia da Polícia Civil.

 
Moradores recolheram corpos numa área de mangue, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo
Moradores recolheram corpos numa área de mangue, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

 

Familiares de mortos denunciam ação truculenta

A desempregada Milena Menezes Damasceno, de 35 anos, é irmã do ajudante de pedreiro Rafael Menezes Alves, 26 anos,conhecido como Bob. Segundo a mulher, o irmão está entre os mortos. Desde as primeiras horas do dia, ela vela o corpo do irmão caçula de cinco filhos:

— Meu irmão era nascido e criado aqui. Ele era ajudante de pedreiro e estava na rua quando tudo aconteceu. Ele estava bebendo com os amigos quando os policiais arrastaram ele e fizeram isso.

A funcionária pública Cleonice da Silva Araujo, de 56, veio de Maricá, para acompanhar a retirada do corpo do irmão Hélio da Silva Araujo, de 53. Ela afirma que o irmão foi morto.

— Aqui ninguém tinha nada contra ele. Se fosse um tiro eu até aceitava. Mas eles degolaram o meu irmão. Infelizmente, a justiça funciona assim. Ele morava aqui há 10 anos. Enquanto continuarem assim, muitas vítimas serão mortas desse jeito — denunciou.

Moradores fazem placa pedindo “paz” (pedido de trégua na guerra do fim do mundo)

No começo da manhã, homens e mulheres da localidade escreveram em um lençol branco mensagens pedindo paz. “Os moradores pedem paz. Pedimos socorro por favor”, dizia a mensagem. A todo tempo, familiares dos mortos chegavam ao local. Muito deles passavam mal e chegavam a desmaiar.

Por volta das 10h20, agentes da DHSGI chegaram à entrada do Complexo do Salgueiro, na BR-101. Os investigadores esperam o terreno ser estabilizado. Às 11h12, os investigadores conseguiram entrar no local.

Idosa baleada

Uma idosa foi baleada no fim da manhã deste domingo no Complexo do Salgueiro. Em nota, a Polícia Militar informou que o 7º BPM foi verificar uma ocorrência envolvendo a entrada de uma pessoa ferida no Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), em São Gonçalo. O órgão afirmou que a situação foi constatada na unidade de saúde e que não havia informações sobre as circunstâncias da ocorrência, que foi encaminhada para a 72ª DP (São Gonçalo).

[Falta coragem para atuar nos territórios das milícias

A polícia é implacável contra os negros pobres favelados. Contra os traficantes civis. E não tem nenhuma coragem para atuar contra os traficantes fardados, as milícias. Nem na intervenção militar do general Braga Neto, no governo de Temer, o Exército jamais invadiu território das milícias. Muito menos, a polícia. Que seria cortar na própria carne. Que a polícia civil, a polícia militar, bombeiros, ex-soldados do Exército são mercenários milicianos. É uma guerra sem fim]

 

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