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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

21
Abr21

O assassinato da mulher do promotor e a vingança de Tacla Durán: "Quem está mentindo, Moro?"

Talis Andrade

Promotor André Luís Garcia Pinho assassinou a esposa Lorenza Maria Silva Pinho

 

Laudo do IML aponta que Lorenza de Pinho foi assassinada, num caso que pode destampar o bueiro do esquema de poder e corrupção que teve Aécio Neves como símbolo

 

por Joaquim de Carvalho

- - -

Nas voltas que o mundo dá, o advogado Rodrigo Tacla Durán escreveu nesta segunda-feira na rede social dele que, se investigarem Moro com mais profundidade, o ex-juiz “vai acabar virando estagiário…”

Na sequência, lembrou de um episódio que a velha imprensa publicou sem nenhuma crítica ou apuração complementar. Foi há três anos, no programa Roda Viva, que o jornalista de ultradireita Augusto Nunes conduziu como troféu de despedida.

“Quem está mentido, Sergio Moro?”

É que, naquela oportunidade, o então juiz atacou o advogado. “Tem esse indivíduo, foragido e suspeito de crimes gravíssimos, e que levanta essas histórias sem base empírica”, afirmou. 

Para ele, Rodrigo Tacla Durán era “apenas um mentiroso”. 

O alvo do ataque do juiz havia escrito no livro ainda não publicado em sua totalidade que foi alvo de tentativa de extorsão por parte do amigo e padrinho de casamento de Moro.

Tacla Durán reproduziu o diálogo travado com Carlos Zucolotto Júnior, dias depois de se sentar à mesa dos procuradores da Lava Jato para negociar uma possível delação premiada.

Zucolotto disse que já havia conversado com DD (iniciais de Deltan Dallagnol) para garantir benefícios num eventual acordo.

Em troca, Tacla Durán teria que pagar 5 milhões de dólares “por fora”.

No dia seguinte à conversa, o advogado que o representava recebeu de procuradores da Lava Jato a minuta de um acordo nas bases da conversa com Zucolotto.

Dias depois, ele transferiu para o escritório de Marlus Arns, outro amigo de Rosângela Moro, 612 mil dólares, o equivalente a 3,2 milhões de reais.

“Paguei para não ser preso”, disse Tacla Durán ao jornalista Jamil Chade, do UOL. Depois disso, ele não fez mais nenhuma transferência e, três meses depois, Moro decretou sua prisão.

A Procuradoria Geral da República nunca investigou a denúncia a sério — o que seria relativamente simples, bastava ver o teor das conversas e o documento de transferência de dinheiro.

Tacla Durán nunca foi sequer ouvido, apesar da tentativa de advogados, inclusive da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que requereram o testemunho do ex-prestador de serviços da Odebrecht.

Se a Justiça e o Ministério Público Federal fizeram ouvidos de mercador, na França o caso teve repercussão.

A Interpol foi informada do caso e, numa reunião de seu comitê diretivo, decidiu por unanimidade jogar o mandado de prisão assinado por Sergio Moro na lata do lixo.

A Interpol considerou que o então juiz brasileiro era parcial, por antecipar juízo de valor sobre Tacla Durán (mentiroso) sem nem sequer ouvi-lo.

Com isso, o advogado brasileiro teve o alerta vermelho cancelado e ele passou então a ter direito de se deslocar livremente por países sem ser incomodado.

Agora, a Alvarez & Marsal, depois de tentar emplacar Moro como sócio, decidiu rebaixá-lo à condição de consultor.

Tacla Durán foi sucinto na manifestação em sua rede social, mas pessoas próximas a ele sabem que, se o procurador-geral Augusto Aras levar adiante a ameaça que fez de ouvi-lo em acordo de delação, poderá reunir muito mais informações, talvez com poder de iniciar um processo que pode acabar com Sergio Moro na prisão.Lorenza Pinho deixou cinco filhos - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal

Lorenza Maria deixou cinco filhos

 

A esposa do promotor André Luís Garcia Pinho, de Minas Gerais, foi assassinada, segundo laudo do Instituto Médico Legal de Belo Horizonte.

Lorenza Maria Silva Pinho, de 41 anos, seria cremado no último dia 3 de abril se um delegado de Minas Gerais não tivesse impedido o procedimento junto a uma funerária.

Lorenza tinha falecido no dia 2 de abril e o atestado de óbito do médico Itamar Tadeu Gonçalves registrava morte por engasgo decorrente do uso de bebida alcoólica com remédios de uso controlado.

Pelo laudo do IML, fica claro que essa informação não corresponde à verdade.

A investigação agora deve se concentrar na motivação do assassinato. No momento em que Lorenza morreu, estavam no apartamento André de Pinho e os filhos menores de idade.

A cremação teria sido impedida após denúncia de outros parentes de Lorenza, que suspeitaram da versão do engasgo.

Lorenza teria conhecimento de supostos crimes do promotor. André de Pinho era do grupo de autoridades próximo do esquema de poder e corrupção que envolve o ex-governador Aécio Neves, hoje deputado federal.

André de Pinho foi quem pediu a prisão do lobista Nílton Monteiro e do dono do Novojornal, Marco Aurélio Carone.

O Novojornal era praticamente o único veículo de Minas Gerais que denunciava crimes e outros abusos atribuído a Aécio Neves.

A prisão dele e de Nílton ocorreu no momento em que o ex-governador iniciava sua campanha a presidente, em 2014.

Os dois foram absolvidos dos supostos delitos narrados pelo promotor. Os dois foram soltos alguns dias depois da derrota de Aécio Neves para Dilma Rousseff.

Além da prisão de Nílton e Carone, o promotor conseguiu medidas para busca e apreensão nos endereços do advogado Dino Miraglia, assistente de acusação no caso do homicídio da modelo Cristiane Ferreira, apontada como mula do PSDB, e também do jornalista Geraldo Elísio, editor do Novojornal.

André de Pinho também fez uma falsa acusação contra o jornalista Leandro Fortes, que publicou na revista Carta Capital a chamada Lista do Valério, que relacionava as autoridades que teriam recebido propina do esquema de Aécio Neves.

O assassinato de Lorenza Maria Silva Pinho pode tirar a tampa do porão político de Minas Gerais, que uniu poderosos do Estado.

Será esta a hora da verdade?

Moro, o juiz parcial, está caindo. Outros também cairão?

20
Jan21

Mentira, volver

Talis Andrade

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Para parar de mentir, os militares precisariam de ter tido um lapso de formação que, infelizmente, não ocorreu no momento certo: ao fim da ditadura militar, em 1985.

Desde então, sob o disfarce de doutrina de segurança nacional, os militares brasileiros foram cuidadosa e sistematicamente ensinados a mentir, primeiro, sobre a própria história recente: o golpe de 1964 – pateticamente denominado de “revolução” -, as torturas e os assassinatos.

Assim, uma geração foi envenenando a outra dentro das escolas de formação de oficiais e sargentos das três forças, um processo de quase quatro décadas de alienação intelectual e social que se desenvolveu na surdina, à margem do processo civilizatório, quase sempre em ambientes exclusivamente masculinos.

Bolsonaro é da geração subsequente à do golpe que iniciou sua formação na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (Especex), em Campinas. Lá, cursou o ensino médio sob tutela direta dos primeiros doutrinadores pós-golpe, numa época em que o anticomunismo havia se tornado uma paranoia na caserna e o machismo e a homofobia, ainda não nomeada dessa forma, eram uma patologia feroz e absolutamente naturalizada nas relações internas dos quartéis.

Basta reparar como o pai de Carluxo tem fixação na própria orientação sexual, que precisar ser reafirmada a todo momento como uma espécie de antídoto a uma homossexualidade que paira sobre sua alma, como uma espada de Dâmocles.

Na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), como nas academias similares da Aeronáutica (AFA) e da Marinha (Escola Naval), esses processos de alienação foram e ainda são aprofundados de modo expelir, na ponta final da formação, aspirantes dispostos não só a cumprir ordens, mas também eternizar quaisquer mentiras em nome de códigos de honra de inspiração ora medieval, ora fascista.

Por isso, não há militares de esquerda e, embora pareça absurdo sob qualquer prisma, figuras como o torturador Brilhante Ustra são, sim, adoradas como salvadores da pátria, nos quartéis.

A única medida possível para parar essa cadeia de alienação é a intervenção direta do poder civil nessas escolas de formação, com interrupção de atividades, mudança radical de currículos e, principalmente, do perfil dos educadores envolvidos nessas unidades, civis e militares.

Esse lapso de formação também irá tornar necessário o fechamento da Escola Superior de Guerra, última trincheira – obsoleta, inútil e dispendiosa – da Guerra Fria, no Brasil, onde se perpetua em cursos, apostilas e palestras o reacionarismo doentio tão ao gosto do inominável Clube Militar.

Ou isso, ou então, daqui a 50 anos, a sociedade brasileira ainda vai estar se debatendo com essas caricaturas bufantes como Eduardo Pazuello ou com psicopatas ignorantes, como o próprio Bolsonaro.

31
Out19

Moro virou refém da família Bolsonaro

Talis Andrade

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Por Leandro Fortes

 
O principal rescaldo do ataque de pânico de Jair Bolsonaro, na madrugada saudita, é que os canhões da República estão sendo voltados, um a um, para a cabeça de um porteiro do condomínio Vivendas da Barra. Trata-se de um curioso habitat onde convivem, em rara harmonia, milicianos assassinos e a família do presidente da República.

Conforme notícia veiculada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, o tal porteiro, por ora, anônimo, foi à Polícia Civil do Rio de Janeiro depor no caso do duplo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, e disse o seguinte, em resumo:
 
Um dos assassinos, Élcio Queiroz, foi ao condomínio e anunciou que iria à casa 58, da família Bolsonaro. O porteiro interfonou para avisar da visita e foi autorizado por uma voz que, segundo ele, era do “seu Jair”. Queiroz (mais um) entrou, mas, pela câmera de segurança, o porteiro viu que ele estava indo para outra casa, a do miliciano Ronnie Lessa, sargento da reserva da PM. O porteiro avisou a “seu Jair” que, segundo ele, disse que estava tudo bem: sabia que a visita estava tomando outro rumo.

Bolsonaro ordenou ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, que mandasse abrir um inquérito federal (!) para que a Polícia Federal (!!) investigue as circunstâncias (!!!) em que o depoimento do porteiro ocorreu.

O mais grave: Moro, mesmo sabendo que essa medida, além de absurda, é ilegal, deu continuidade à loucura do chefe. Prova de que o ex-juiz, absolutamente desmoralizado pelas revelações da #VazaJato do Intercept Brasil, virou refém da família Bolsonaro.

A medida, além de tudo, é ridícula, porque não é preciso a PF para investigar a circunstância do depoimento: ele foi tomado pela Policia Civil do Rio, dentro de um inquérito acompanhado pelo Ministério Público Estadual.

Bolsonaro está em pânico.

Ele sabe que todos os caminhos da milícia levam ao gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, da época que ele era deputado estadual. Lá, estavam empregados diversos familiares de milicianos suspeitos, direta e indiretamente, de atuar no assassinato de Marielle Franco.

Diante do abismo, Bolsonaro tomou duas medidas: abriu guerra contra o Grupo Globo, para manter o gado mobilizado; e partiu para cima do porteiro, certo de que, esmagando um elo aparentemente frágil, colocando sob os ombros de um trabalhador pobre a culpa de sua ruína, irá sepultar o assunto.

Não vai.

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26
Out19

A Veja faz um trabalho sujo

Talis Andrade

 

Por Leandro Fortes

Jornalistas pela Democracia

 

O fato de terem exumado, pela enésima vez, o cadáver de Celso Daniel para atingir Luiz Inácio Lula da Silva revela o total esvaziamento de opções, dentro da direita golpista instalada no Poder Judiciário, para atacar o ex-presidente petista. Que tenha sido a Veja o veículo escolhido para mais esse trabalho sujo, chega a ser entediante, de tão previsível.

O crime contra Celso Daniel, ocorrido há 17 anos, foi investigado meia dúzia de vezes pela polícia tucana de São Paulo, mas nem assim chegaram a qualquer ligação entre Lula e o PT com o homicídio, encerrado como ocorrência de crime comum. Ainda, assim, a cada eleição presidencial, de 2002 para cá, o caso foi desenterrado, apresentado como prova de um propalado gangsterismo petista que, apesar da nação de idiotas que nos tornamos, nunca colou.

Agora, quando o Supremo Tribunal Federal indica que Lula será libertado, por estar preso ilegalmente depois de condenado sem provas, o Ministério Público de São Paulo pegou um Palocci de estimação para colocar no pau-de-arara: o publicitário Marcos Valério, artífice dos chamados mensalões do PSDB e do PT, condenado a 37 anos de cadeia.

Assim, do nada, sem uma única prova e evidência, Valério "decidiu" acusar Lula de mandante do assassinato de Celso Daniel. Um dia depois do voto da ministra Rosa Weber que poderá retirá-lo da cadeia.

Se esse é o arsenal que resta contra Lula, um admirável mundo novo se anuncia, pois.

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22
Set19

Vaza Jato prova que vivemos num bordel de togas

Talis Andrade

 

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por Leandro Fortes

___

Prestem atenção nesse diálogo, o mais recente vazado pelo Intercept Brasil. Nele, os procuradores federais Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, e José Robalinho Cavalcanti, então presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), em 2016, combinam uma nota oficial para ajudar o chefe a sair de uma enrascada:  

Dallagnol – 01:43:21 – Moro pede pra não usar o nome dele... colocaria "no Juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba'

Robalinho – 01:43:34 – Aí sou contra

Robalinho – 01:43:45 – Deltan temos de defender ele com todas as letras

Robalinho – 01:43:49 – O nome mesmo

O chefe, para quem ainda se surpreende, era o juiz do caso, Sérgio Moro, então titular da 13ª Vara Federal de Curitiba. Moro tinha acabado de tornar públicos áudios de conversas entre a então presidenta Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, naquilo que se tornaria o ponto de inflexão da Lava Jato como ação judicial clandestina de caráter golpista e partidário.

Para quem não entendeu ainda: Sérgio Moro, o mesmo juiz que iria julgar e condenar Lula, no inacreditável caso do triplex do Guarujá, deu orientações para os procuradores – acusadores de Lula – montarem uma nota pública que lhe salvasse a pele.

No limite, era uma organização criminosa formada por um juiz e dois procuradores para enganar a população e fraudar os argumentos que seriam colocados, mais tarde, nas explicações ao Supremo Tribunal Federal.

Lula só está preso – e, esses patifes, livres – porque não estamos vivendo em um país, mas em um bordel de togas.

corriola curitiba vaza.jpg

 

03
Set19

Além das instituições, a Lava Jato acabou com o jornalismo brasileiro

Talis Andrade

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por Leando Fortes 

__

O Roda Viva com o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept Brasil, deixou claro que a Lava Jato não destruiu apenas as instituições e a economia do País. Acabou, também, com o jornalismo brasileiro. 

Diante de um dos mais importantes jornalistas do mundo e de uma pauta absolutamente instigante - os vazamentos do Telegram - a âncora do programa e a maioria dos repórteres presentes desandaram, inacreditavelmente, a fazer uma defesa rasa, servil da Lava Jato.

Trata-se de mais um subproduto do antipetismo: a falência, nas redações da mídia nacional, do pensamento crítico e da ousadia intelectual.

De tanto se anular como repórter, o jornalista médio da imprensa brasileira tornou-se uma sombra do pensamento conservador, ora submisso, ora uma besta fera tola e irracional, a serviço dos interesses do patrão. 

Tornaram-se, todos, tarefeiros.

Diante de um profissional como Glenn, acuados pela própria covardia, derretem-se em platitudes, incoerências e narrativas encomendadas.

As mais tristes, as mais deploráveis.

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