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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

22
Mai20

TORTURA. "Ou fala o que eu quero ou continua preso"

Talis Andrade

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III - Operadores do ordenamento jurídico falharam com a "lava jato"

por Emerson Voltare

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ConJur — Em 2014 o FBI já tinha feito grandes acordos no combate à corrupção no Brasil. Em 2013 Dilma havia sancionado a chamada "Lei Anticorrupção" e também oficializado o instituto da delação premiada. Não foi o conjunto dessas ações que possibilitou quase todas as condenações de Moro?
Cardozo — Era um projeto de lei muito antigo. Nós apoiamos. Quando você faz uma lei, é a partir da análise do momento em que é elaborada. Nunca imaginei que fosse ser utilizada da forma abusiva. Na verdade, visava combater organizações criminosas. Era necessária para enfrentá-las.

Agora, prender pessoas para delatar. Nunca imaginei que fossem dar uma latitude tão grande a isso. Hoje, pela experiência, acho que essa lei tem que ser aperfeiçoada para evitar o abuso de poder. Naquela época não tínhamos essa avaliação. Você nunca prevê o futuro.

Achava que as pessoas iam utilizar essa lei dentro das finalidades que ela estabelece e não utilizando a lei como pretexto para verdadeiros atos de tortura, quando o investigador vem e diz: "ou fala o que eu quero ou continua preso".

Então, me admiro também, muitas vezes, alguns engenheiros de obras prontas. No momento em que a lei foi aprovada, não falaram nada. (Continua)

 

ConJur — Houve cooperação da força-tarefa de Curitiba diretamente com investigadores dos Estados Unidos sem o governo federal ser informado. O que o senhor tem a dizer?
Cardozo — A Polícia Federal tem acordos de cooperação com polícias do mundo inteiro, não só com os Estados Unidos. Evidentemente eu não sei te dizer que tipo de contatos foram utilizados pela força-tarefa, Ministério Público e Polícia Federal com o acordo de cooperação. Há muita especulação sobre isso. Sou daqueles que não falo por convicções, só com provas.

Então, sinceramente, acho que não tenho como falar de fatos que eu não sei e que pesa haver muita especulação a respeito.

 

 

21
Mai20

Inquérito de Moro expõe trem da alegria no alto escalão da Polícia Federal

Talis Andrade

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O policial federal aposentado Marcos Scandiuzzi publicou no Facebook um texto apontando a promiscuidade na corporação, alvo de interferência política de Jair Bolsonaro. Uma corporação que tem a interferência do governo dos Estados Unidos

"Segundo inquéritos divulgados, teve delegado oferecendo cargo para outro delegado pelas costas do chefe atual, teve nomeação de delegado amigo para o exterior, teve acusação de vazamento contra outro, cessão para outros órgãos, teve deputada interferindo indicando delegado, teve ministro se cercando de delegados para todo lado", acusou Marcos Scandiuzzi, em seu Facebook.

Com Moro ministro teve a permitida interferência do governo dos Estados Unidos. Uma interferência antiga, com delegados pagos em dólares.

É hora de investigar a perseguição da "lava jato" aos delegados dissidentes, inclusive assédio moral com suicídio. Principalmente até que ponto Maurício Valeixo, adido policial em Washington, influenciou na interferência dos serviços de inteligência e espionagem dos Estados Unidos nas operações policial e judicial na Petrobras, no Pré-Sal, nas grandes empresas brasileiras, nos acordos assinados pelo ministro Sergio Moro com o FBI, com a CIA, inclusive o próprio Valeixo como xerife da República Curitiba e do governo Bolsonaro.

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11
Mai20

O FBI pisa em ovos

Talis Andrade

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VII - No Ministério da Justiça, Sergio Moro abriu as portas para o FBI

por Natalia Viana

Agência Pública

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Impedidos de fazer investigações em territórios estrangeiros – inclusive no Brasil –, agentes como Brassanini pisam em ovos quando têm de explicar o seu trabalho. Um vídeo no YouTube oficial da agência americana, gravado por ele quando era chefe do hemisfério das Américas do FBI, mostra claramente esse constrangimento.

“Embora nós possamos não ter jurisdição no país onde estamos localizados […], temos a habilidade de procurar e falar com nossos parceiros, que têm jurisdição, trabalhar com eles, e dizer: ‘Hey, estamos procurando esse fugitivo, você sabe onde ele está? Podemos te ajudar? Há algo que você possa precisar para ajudar a encontrá-lo, seja treinamento, seja outras técnicas sofisticadas que podemos usar para identificar, encontrar esse fugitivo?’.”

O FBI e a embaixada se negam a detalhar publicamente o que fazem seus agentes no Brasil. Mas um documento da própria embaixada revela como funciona esse trabalho. Trata-se de um anúncio em 19 de outubro de 2019 em busca de um “investigador de segurança” para trabalhar na equipe do adido legal e passar 70% do tempo fazendo investigações. “Essas investigações são frequentemente altamente controversas, podem ter implicações sociais e políticas significativas”, diz o texto do anúncio, escrito em inglês.

Entre as tarefas listadas estão “assistência investigativa relacionada com violações da lei dos EUA” a agentes de segurança pública, incluindo o Ministério da Justiça, polícias Federal, Civil e Militar e a Procuradoria Geral da República (PGR). Assim, “a posição requer uma habilidade de interagir em um nível profissional com membros da comunidade de segurança em alto escalão e nível operacional em temas operacionais e de relacionamento”.

O profissional deve “comparecer com (ou algumas vezes sem) a equipe do adido legal a reuniões com membros do alto escalão do governo brasileiro”, acompanhar a imprensa brasileira e manter “bases de dados investigativas e de treinamento relacionadas aos contatos de ligação, conferências, tópicos, palestrantes, fotos, e materiais que podem ser facilmente acessados para avaliação (compiling evaluations), conforme necessário”.

O anúncio avisa que o policial terá de viajar de carro, barco, trem ou avião por até 30 dias. “Viagens para áreas remotas de fronteira e para todas as regiões do Brasil serão requeridas.” Não é divulgado o valor do salário.

Procurada pela Pública, a embaixada dos EUA em Brasília não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem até a publicação. [Vide documentos anexados pela jornalista Natalia Viana aqui]

 

07
Mai20

Da Operação Brother Sam à entrega da base em Alcântara

Talis Andrade

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V - Porque Moro é mais perigoso até do que Bolsonaro

por Carlos Tautz

Córtex Político

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            A rigor, ameaça desse tipo e iminência já ocorreu. Em 1964, o então governador de Minas Gerais e dono do falecido Banco Nacional tramou para derrubar o Presidente constitucional João Goulart. Magalhães Pinto desejava a guerra civil para dividir o Brasil. Seu plano, que não deu certo, era declarar Minas um “estado beligerante” e receber apoio logístico e militar dos 4 mil fuzileiros navais dos EUA que estavam na costa do Brasil, prontos para invadir o país com apoio da submissa e traidora elite das Forças Armadas brasileiras. O plano todo ficou conhecido como Operação Brother Sam e  está registrado no Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas.

            Agora, pelo menos outros dois casos são exemplares de avanços concretos dos EUA em suas intenções de afincar-se no território brasileiro. Bolsonaro apoiou e apoia um e outro, mas ainda não demonstrou capacidade de liderar nenhum dos dois processos. Ambos encontram-se sob condução da elite militar representada em seu governo, que também não os levou a termo, apesar da longa história de submissão gostosamente voluntária da alta oficialidade brasileira em relação a seus pares nos EUA.

            A primeira grande ameaça recente à unidade do território brasileiro teve seu ápice público em 2016 sob o golpista Michel Temer. Segundo a BBC Brasil, “tropas americanas foram convidadas pelo Exército brasileiro a participar de um exercício militar na tríplice fronteira amazônica entre Brasil, Peru e Colômbia em novembro deste ano. Segundo o Exército [brasileiro], a Operação América Unida terá dez dias de simulações militares comandadas a partir de base multinacional formada por tropas dos três países da fronteira e dos Estados Unidos”.

            Registre-se: foi a primeira vez que tropas americanas pisaram, pelo menos oficialmente, a porção brasileira da bacia amazônica.

            A possibilidade dessas tropas se assentarem em definitivo em um enclave dos EUA no território do Brasil está aberta, e parada no Congresso Nacional, desde que Bolsonaro retomou em março de 2019 um acordo para entregar a base aeroespacial de Alcântara (MA). A trama já foi tentada no governo de outro entreguista, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990, mas não foi adiante. A rigor, os EUA não querem, e nem precisam de, mais uma base aeroespacial.

            O valor de Alcântara para Washington em verdade é militar e estratégico. Seria uma forma de os EUA manterem tropas no território da sua maior ameaça na América do Sul, além de ser, devido à posição geográfica em frente à África, uma forma de controlar todo o Atlântico sul e se aproximar estrategicamente do Golfo da Nigéria, onde estão enormes reservas de petróleo semelhantes ao pré-sal brasileiro.

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            Perigos desse tipo – perigos maiores até do que o risco de convulsão social que se vive sob Bolsonaro, porque irreversíveis – parecem fazer mais sentido em um possível governo Moro daqui a dois anos. Ele já desenvolveu ligações orgânicas com os EUA, o hegemon  global, e, internamente, possui aceitação superior até a Bolsonaro.

            Enfeixado em apoios decorrentes do nihil obstat dos EUA, onde possui as ligações aqui demonstradas, além de internamente manter aliança permanente com as Organizações Globo e outras frações da burguesia, Moro seria uma força política capaz de organizar em torno de si tamanha coesão social que a meia-esquerda que nos representa não conseguiria sequer esboçar argumentos contrários.

            Este é, no fundo, o problema que mais preocupa.

Alcântara - Base do CLA.jpg

 

06
Mai20

A geopolítica para entender o perigo

Talis Andrade

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IV - Porque Moro é mais perigoso até do que Bolsonaro

por Carlos Tautz

Córtex Político

___

Moro é de outra qualidade. E para entender em toda a sua extensão o perigo que ele representa para o Brasil é necessário partir da chave conceitual da geopolítica, disciplina que, em resumo, orienta o estudo dos Estados assentados em largas  porções de territórios – como no caso brasileiro.

Os comprovados vínculos de reiteirada submissão, seus e de seus comandados na LJ, ao Departamento de Justiça, órgão subordinado à Casa Branca e que, nos EUA, tem funções semelhantes às do Ministério Público Federal no Brasil, colocam sobre Moro enorme desconfiança. Ele aparenta ser uma espécie de Cavalo de Tróia dos interesses estadunidenses. O grande problema é que esse Cavalo de Tróia tem reais chances de chegar à Presidência da República no Brasil, seja em 2022 ou depois, porque o ex-juiz tem pouca idade (47 anos), o que lhe permite disputar várias eleições.

Eleger Moro teria importância geopolítica sem igual para os EUA, que sempre se sentiram em alguma medida ameaçados pela simples existência na América do Sul (o primeiro círculo da sua hegemonia global) de um País como o Brasil: extenso e unificado territorialmente, com uma população de centenas de milhões de habitantes que falam a mesma língua, possuem moeda única e que nunca enfrentaram separatismos nacionais que efetivamente ameaçassem a sua unidade territorial. Tudo reunido em um País que possui em enorme escala elementos da natureza (água doce, diversidade biológica, insolação, petróleo, minerais etc) indispensáveis à reprodução do capital em forma acelerada e, a rigor, indispensável até à reprodução da própria espécie humana.

Em outra palavras. Mais do que ter apoiar um governo títere, seria muito mais estruturante para os EUA escolher um Presidente do Brasil que compartilha de seus valores e tem a capacidade de articular a seu favor amplos setores da população brasileira, de fração majoritária da burguesia que se hospeda por aqui, do ecossistema de comunicação historicamente anti-brasileiro e de Forças Armadas cujas elites há décadas se associam de forma subserviente à lógica global de Washington.

Nesse ambiente, tudo passa a ser possível. Inclusive, fracionar o território Brasileiro ou, pelo menos, ter uma presença política e militar institucionais muito mais intensa e extensa dentro desse território (como um enclave a laGuantánamo). Que  ninguém se espante, mas os exemplos da Coréia e do Iraque mostram que esta se  coloca para os EUA como opção real.

E, para o Brasil, como enorme risco à integridade de seu território e à soberania nacional. (Continua) 

06
Mai20

Investigando no Brasil

Talis Andrade

 

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II - No Ministério da Justiça, Sergio Moro abriu as portas para o FBI

por Natalia Viana

Agência Pública

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Embora as duas maiores investigações da Lava Jato pelo Departamento de Justiça (DOJ) americano já tenham terminado, com os acordos da Odebrecht e Petrobras, o FBI ainda tem muito a fazer para investigar corrupção no Brasil, nas palavras do chefe do FBI no país, David Brassanini, em palestra no 7º Congresso Internacional de Compliance, em maio de 2019, em São Paulo.

Anúncio da partcipação de David Brassanini no Congresso de Compliance

 

A parceria com a PF nas investigações da Lava Jato foi destacada por ele como uma aliança que merece ser louvada. Foi a partir daí que a relação entre os agentes se intensificou. Reportagem conjunta do site The Intercept Brasil e Pública mostrou que desde 2015 os agentes do FBI estiveram em Curitiba para interrogar os delatores que estavam fechando acordo com os procuradores brasileiros.

A cooperação foi descrita por Brassanini como “fluida, sem problemas e transparente”, pois seus agentes já tinham familiaridade com a cultura e a sociedade brasileiras. “A habilidade de desenvolver e entender as peculiaridades locais é grande. Não só a questão da língua, mas em entender realmente como o Brasil funciona, entender as nuances”, afirmou.


O FBI atua para investigar corrupção transnacional graças à legislação FCPA (Foreign Corrupt Practices Act), uma lei que permite ao governo americano investigar e punir, nos Estados Unidos, atos de corrupção que envolvam autoridades estrangeiras praticados por empresas e pessoas estrangeiras. Os crimes não precisam ter ocorrido em solo americano – basta, por exemplo, que tenha havido transferência de dinheiro através de algum banco americano ou que as empresas envolvidas vendam ações nas bolsas nos EUA. Foi com base nessa lei que o governo americano puniu com multas bilionárias empresas brasileiras alvos da Lava Jato, entre elas a Petrobras e a Odebrecht.

Brassanini relatou também, no mesmo evento, que agentes do FBI vêm a São Paulo “toda semana para tratar de diferentes casos que envolvem FCPA e lavagem de dinheiro”. Segundo ele, a colaboração com a PF já rendeu muitas informações para os próximos anos. “Agentes da Polícia Federal do Brasil me disseram recentemente que, mesmo que eles não coletem nenhuma informação adicional, nem façam nenhum trabalho investigativo, ainda assim eles teriam material para continuar inquéritos sobre corrupção e lavagem de dinheiro pelos próximos cinco anos.”

Brassanini pediu fundos adicionais ao DOJ para a operação no Brasil, o que permitirá ao escritório ter uma equipe especializada em lidar com pedidos de colaboração judicial. “O Brasil é o maior requerente de informações para evidência, inteligência e casos tanto no Brasil quanto nos EUA”, afirmou à revista Latin Lawyer.

David Brassanini é o chefão do FBI no Brasil desde agosto de 2017, mas desde 2006 atua no órgão por aqui. É casado com uma brasileira, com quem tem quatro filhos, e é fluente em português. Atualmente gerencia o trabalho do FBI na embaixada em Brasília e nos consulados em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre – incluindo a cooperação com a Lava Jato – uma equipe de 20 pessoas, segundo a publicação especializada Global Investigative Review.

Foi ele o principal articulador de uma postura mais “altiva” da polícia americana junto ao ministério capitaneado por Moro. Além de se reunir com o próprio ministro no começo do mandato, Brassanini encontrou-se com secretários e chegou a ter uma reunião com o polêmico assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins. O jovem olavista é um dos nomes que influenciam a política externa do governo, ao lado de Eduardo Bolsonaro.

O encontro ocorreu no dia 18 de julho de 2019, às 17h30, no Palácio do Planalto. Acusado pelo deputado Alexandre Frota durante depoimento à CPI das Fake News de ter apresentado Bolsonaro ao marqueteiro Steve Bannon e de “promover linchamentos virtuais”, Martins foi convocado para comparecer à CPI para prestar esclarecimentos sobre sua suposta participação no “gabinete do ódio”, gestor de milícias digitais favoráveis ao presidente e centro de criação de fake news.

Dois meses antes, o chefe do FBI no Brasil havia comparecido a um compromisso no campo oposto ao de Martins: um debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para discutir, justamente, como as fake news podem ser usadas para manipular eleições. Brassanini já havia participado, no dia 17 de maio, de um evento com o diretor do departamento de cooperação e observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Gerardo de Icaza, quando falou sobre o combate a crimes cibernéticos e mencionou a criação de uma força-tarefa internacional sobre interferência estrangeira em eleições. O Brasil foi convidado para participar, ao lado da Índia.

No encontro com Filipe Martins, Brassanini estava acompanhado de William Popp, encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos.

Meses depois, estava de volta ao centro do palco em um grande evento de treinamento de policiais federais e procuradores no Itamaraty, que ocorreu nos dias 5 e 6 de setembro de 2019. O DOJ, o FBI e a Securities and Exchange Commission (SEC) realizaram um Treinamento em Combate à Corrupção e Suborno Transnacional em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o governo federal.

 

 

 

 

05
Mai20

Ameaça à integridade do território brasileiro

Talis Andrade

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III - Porque Moro é mais perigoso até do que Bolsonaro

por Carlos Tautz

Córtex Político

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Comparando as relações de classe que sustentam Bolsonaro e Moro, vê-se que o Presidente representa a ascensão de um amplo e difuso consórcio de golpistas de ocasião sem projeto definido misturados aos baixos cleros da política e dos negócios de varejo, apoiados por massas de abobados portadores dos mais abjetos valores morais e religiosos. E, claro, tudo sob o suporte tanto individual quanto coletivo das Forças Armadas tolerantes com as milícias mafiosas vinculadas à família do Presidente.

            No cenário internacional, Bolsonaro não demonstrou até agora qualquer ligação orgânica com governos estrangeiros nem com movimentos internacionais consolidados, como aquele com que o publicista estadunidense Steve Bannon tentou seduzir Trump, Bolsonaro, Le Pen, Salvini et caterva. Nada há de articulação consequente entre essa gente para além de ridículos espasmos verbais de senso comum a respeito de qualquer coisa.

            Mesmo a aproximação atávica do Brasil aos EUA se deve à índole submissa e à bajulação asquerosa de Bolsonaro por Trump. Para se eleger, Bolsonaro apenas surfou na onda internacional da direita e da extrema-direita, em venceu à custa da coleta ilegal de dados online. Tratados com os mais avançados programas de inteligência artificial, a tradução dessas informações em estratégia de intervenção políto-eleitoral foi utilizada na conquista sentimental do eleitorado através de propostas de moralidade tacanha aliadas ao pavor que uma certa classe média global de qualquer proposta minimamente mudancista. (Continua)

 

05
Mai20

No Ministério da Justiça, Sergio Moro abriu as portas para o FBI

Talis Andrade

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por Natalia Viana

Agência Pública

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* Chefe do FBI no Brasil esteve em reuniões oficiais no ministério e também encontrou Filipe Martins
* Acordo assinado por Maurício Valeixo permite ao FBI obter digitais e outros dados de brasileiros “suspeitos”
* FBI atuou na Lava Jato e questionou delatores no Brasil


Ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça clamando pela independência da Polícia Federal (PF). Mas uma análise dos seus 16 meses à frente do ministério mostra uma inclinação bem diferente – pelo menos no que diz respeito à influência do FBI sobre a polícia brasileira.

Meses de investigação da Agência Pública em documentos oficiais revelam que, ao assumir o Ministério da Justiça, o ex-juiz e o ex-diretor da PF Maurício Valeixo assinaram acordos com o FBI, ampliando a influência americana em diferentes áreas de combate ao crime, incluindo a presença dos agentes estrangeiros em um centro de inteligência na fronteira, investigações sobre corrupção e acesso a dados biométricos brasileiros.

No final de 2019, o escritório do FBI no Brasil pediu um volume maior de recursos ao governo americano para ampliar sua equipe e atender a mais pedidos de cooperação internacional de investigações no país.

A aproximação de Moro com o FBI vai além. Quando tirou uma licença não remunerada de cinco dias em julho do ano passado, pouco depois da publicação dos documentos da Vaza Jato pelo site The Intercept, é provável que o ex-ministro tenha se reunido com o FBI em Washington, segundo documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) (veja box abaixo).

Cinco dias depois, o hacker Walter Delgatti foi preso pela PF e admitiu ter hackeado os telefones de promotores da Vaza Jato.

Procurado pela Pública, o ex-ministro Sergio Moro não respondeu aos questionamentos enviados por email.

É proibido ao FBI realizar investigações em territórios estrangeiros – inclusive no Brasil – porque a polícia americana não tem jurisdição no país.

A presença dos agentes do FBI no Brasil foi revelada em 2004, quando o ex-diretor do FBI no Brasil, Carlos Costa deu uma extensa entrevista ao jornalista Bob Fernandes na revista Carta Capital. Em depoimento ao MPF na época, ele afirmou que o FBI direcionava e financiava operações da PF, o que estabelecia uma relação de “subordinação às autoridades norte-americanas”. (Continua)

 

 

05
Mai20

O segundo vazamento de mensagens do Presidente da República

Talis Andrade

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II - Porque Moro é mais perigoso até do que Bolsonaro

por Carlos Tautz

Córtex Político

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            O JN pró-Moro foi épico. Sustentou a versão morista de forma inconteste e ousou abrir o programa em um formato pouco utilizado pelo rígido telejornalismo da Globo, ao recuperar imagens de Bolsonaro em 2018 prometendo carta branca ao ex-juiz no Ministério da Justiça. E, para não perder o hábito adquirido na Lava-Jato, publicou mensagem de Bolsonaro a Moro no WhatsApp sem autorização do ocupante do Palácio do Planalto. Ou seja: pela segunda vez em quatro anos, a dupla Moro&Globo vazou ilegalmente a comunicação de um Presidente da República.

            Usar um poderoso meio de comunicação para constranger adversários e desrespeitar regras legais na disputa política, à base de apelos a um suposto combate à corrupção generalizada, é exatamente a receita que a Operação Mãos Limpas usou na Itália na década de 1990. Moro gostou tanto do exemplo que em 2004, 10 anos antes de iniciar a Lava-Jato, elogiou o método da Mani Pulite em artigo publicado na Revista de Estudos Jurídicos, do Conselho Nacional de Justiça.

            Sua renúncia foi, assim, articulada e planejada para alcançar o máximo de repercussão tanto  dentro quanto fora do Brasil.

            Internamente, o ex-Ministro recuou suas bases e acumulou forças para 2022, atacando Bolsonaro (“O mentiroso não sou eu”) na revista Veja, outro prócer do ecossistema midiático pró-Moro. E, no flanco externo, seus aliados não negaram fogo. No dia 25, a correspondente da BBC Brasil em Washington publicou entrevista com Drago Kos, chefe do grupo de trabalho anticorrupção da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em que o executivo ameaçou: “O Brasil vai ter que explicar o que está acontecendo”, referindo-se à renúncia do ex-Ministro.

               Kos fará em junho conferência online para acompanhar o caso do Brasil, depois de ter passado duas semanas em 2019 no País para avaliar o desempenho brasileiro no combate à corrupção. Este aval é uma das pré-condições para o Brasil aderir ao grande aparelho privado de hegemonia que é a OCDE, totalmente orientado pelos EUA. Mas,  no dia 30 passado, outro míssil da OCDE já atingiu Bolsonaro: vazou em Genebra um relatório com críticas às políticas do governo brasileiro nas áreas de combate à corrupção e proteção à Amazônia.

            Isso tudo não é pouco e requer muita atenção. Afinal, as duas maiores aspirações do Itamaraty bolsonarista são as adesões do Brasil à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e à OCDE – ambas controladas pelos EUA. (Continua)

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30
Abr20

Crise: para proteger economia, França reforça controle de investimentos estrangeiros

Talis Andrade

Tudo começou com a Lava Jato: Brasil continua entregando suas empresas

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O ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, anunciou nesta quarta-feira (29) que a França fortalecerá seu controle sobre os investimentos estrangeiros, a fim de proteger as empresas nacionais em dificuldade devido à crise econômica causada pela pandemia de Covid-19.

O Brasil de Bolsonaro & Paulo Guedes prefere escancarar as porteiras, entregando suas riquezas em defesa do estado mínimo. 

Na França, o limiar para acionar o controle de investidores não europeus que estejam participando de uma grande empresa francesa será "reduzido de 25% para 10%" até o final do ano, anunciou o ministro no canal de televisão LCI. Essa nova regra se aplica "a todos os investidores que não são europeus, para empresas muito grandes, por um período que vai até o final do ano", detalhou.
 

O governo agora incluirá também o setor de biotecnologia no campo de atividades protegidas, anunciou Le Maire. "Neste período de crise, algumas empresas estão vulneráveis. As de biotecnologia estão enfraquecidas e podem ser compradas a preços baixos por concorrentes estrangeiros, não deixarei que isso aconteça", insistiu.

 

Atualmente, Paris tem a possibilidade de bloquear aquisições de mais de 25% do capital de empresas que operam em determinados setores considerados estratégicos, como defesa, energia, aeroespacial e transporte. Esse limite de 25% está em vigor apenas desde o início do ano, após uma decisão do governo tomada em um contexto de desconfiança europeia em relação a certos “apetites estrangeiros”, em especial dos chineses. Anteriormente, esse percentual era de 33,33%.

O jornal Hora do Povo publica hoje: 

Saab sueca adquire brasileira Atmos Sistemas

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O anúncio da desnacionalização em 100% da empresa Atmos Sistemas, com sede em São Paulo, é mais um duro golpe contra a economia nacional e a independência tecnológica do Brasil, neste caso no âmbito de radares para aeronáutica e metereológicos, bem como aviônicos (sistemas tecnológicos embarcados em uma aeronave).

A sueca Saab, escolhida pelo governo federal em 2014 para renovar a frota de caças da Força Aérea Brasileira (FAB) através da aquisição de 36 caças Gripen, comprou a Atmos Sistemas. O contrato foi celebrado no dia 6 de abril e deve ser concretizado nas próximas horas.

O valor do negócio, realizado em plena pandemia, com os preços das empresas desabando e os países entrando em recessão, não foi anunciado.

A “nova” ATMOS deverá ser responsável pela manutenção de radares dos caças Gripen, mas também tem o objetivo de atender a clientes civis e militares, no Brasil e no exterior, diz a Saab. O primeiro caça deverá ser entregue no ano que vem e o último está previsto para o ano 2026.

A brasileira Atmos é uma empresa altamente capacitada em eletrônica, incluindo o desenvolvimento, modernização, manutenção e reengenharia de sistemas críticos. Atua também em programas de absorção de tecnologia (Off-Set) em projetos estratégicos e de interesse do Governo Brasileiro.

É uma indústria de tecnologia de ponta na produção de softwares e equipamentos com certificação junto ao Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED).

A empresa nacional realiza a manutenção das nove estações de radares meteorológicos de banda S, doppler, com dupla polarização, pertencentes ao CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

Estas estações realizam um serviço de monitoramento das condições ambientais (chuvas observadas e previstas). O objetivo principal do CEMADEN é realizar o monitoramento e emitir alertas de desastres naturais que subsidiem salvaguardar vidas e diminuir a vulnerabilidade social, ambiental e econômica decorrente desses eventos.

A empresa foi responsável pela recuperação de um radar no Centro de Lançamento de Alcântara, mantido e operado pela FAB. O radar meteorológico banda X de dupla polarização e fabricação americana ficou inativo por diversos anos devido a panes em seus componentes. A Atmos foi selecionada para resolver o problema e fornecer manutenção e treinamento para os operadores deste equipamento.

Contratada pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), os engenheiros da ATMOS realizaram o desenvolvimento de um protótipo para a medição da posição do mecanismo de acionamento de barras do reator que equipará o futuro Submarino Nuclear Brasileiro.

Alemanha segue o caminho nacionalista da França

Publica RFI:

No início de abril, a Alemanha também anunciou um maior controle sobre os investimentos estrangeiros. Berlim já tem a possibilidade de bloquear aquisições de mais de 10% do capital em áreas consideradas sensíveis, como defesa e telecomunicações, robótica, inteligência artificial e biotecnologia, se a operação representar um perigo para a segurança pública.

 

 

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