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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

17
Jul21

A paixão dos homens pela masculinidade tacanha de Bolsonaro

Talis Andrade

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por Isabela Venturoza

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Bolsonaro participou sábado (26), em Chapecó, Santa Catarina, de mais uma de suas “motociatas”. A última edição havia acontecido no dia 12 de junho, em São Paulo, e reuniu milhares de homens em apoio ao presidente. Tal evento foi definido pela escrita cirúrgica de Durval Muniz Albuquerque Jr. como “um verdadeiro desfile de adictos da testosterona”.

Para o historiador, como também foi sinalizado em outros meios de comunicação, grande parte dos presentes na “motociata de Jesus” eram homens, em sua maioria brancos, conduzindo motocicletas de marcas e modelos nada semelhantes àquelas que os entregadores de aplicativo utilizam, e que pareciam muito à vontade ao seguir o capitão, materializando uma grande manada fascista.Bolsonaro vincula Cristo a passeio de moto em SP - Blog da CidadaniaEditorial | Por que o Fora Bolsonaro? | Opinião

Que me perdoem os cientistas políticos pelo uso indiscriminado do termo “fascista”, mas não consigo pensar em uma palavra melhor ao observar milhares de homens se sentindo representados por um governo autoritário como o de Bolsonaro. 

Essa adesão fervorosa de alguns à figura de um homem intelectualmente limitado, cujas ações destrutivas e o temperamento descontrolado fazem manchete semana a semana, me impressiona ao mesmo tempo que agrava a dificuldade que encontro para dormir quando deito a cabeça no travesseiro à noite.

O fato é: Bolsonaro e o que ele representa ao desfilar pelo mundo gritando com jornalistas, minando relações diplomáticas, numa cruzada em defesa da cloroquina em detrimento da ciência, entre tantas outras trapalhadas cujos efeitos serão sentidos fortemente nos próximos anos, dizem muito.

Dizem muito porque foram eleitos por uma parcela significativa da população e porque mesmo hoje, com uma economia em frangalhos e 500 mil mortes na conta, seguem encontrando defensores apaixonados. Por que o presidente e o que ele representa provocam tanta paixão no imaginário de alguns?

Para refletir sobre essas questões, é preciso olhar para a história e perceber que por mais que ainda convivamos com inúmeras desigualdades sociais, é inegável que muita coisa mudou nas últimas décadas. Muito se alterou no mundo e no Brasil especificamente. O “lugar das mulheres” foi em certo sentido desestabilizado. Não estamos mais esperando em casa, reduzidas ao papel de mães e esposas. Somos parte importante do mercado de trabalho e nossos interesses e atividades ultrapassam em muito a figura de um companheiro e o espaço doméstico.

No Brasil, inclusive, uma mulher foi eleita presidenta. E é sintomático que ela tenha sido destituída para ser sucedida mais tarde por um sujeito como Jair Bolsonaro. Em outras esferas, políticas de caráter afirmativo e uma real discussão sobre as desigualdades raciais e de classe no Brasil se refletiram em transformações na composição dos estudantes de ensino superior e no poder de consumo de brasileiras e brasileiros. Passamos a andar de avião.

Contudo, tais mudanças – ver pretos, pobres, mulheres e homossexuais em espaços antes negados a eles – incomodou a alguns. Principalmente aqueles a quem antes eram reservados os lugares de excelência na sociedade. Mas não só. Além dos privilegiados, também aqueles que sonhavam em ganhar entrada VIP nessa festa se sentiram atacados pela ideia de que toda brasileira e brasileiro têm direitos e devem ter acesso a oportunidades.

Homens brancos de classe média se tornaram os principais ressentidos com a “bagunça” que havia se tornado o Brasil e Bolsonaro caiu como uma luva ao prometer restituir a norma: não apenas “Deus acima de tudo, Deus acima de todos”, mas pisar no pescoço e esmagar qualquer fração de discurso a favor da equidade. 

O avanço dos conservadorismos, das bancadas da “bala, boi e bíblia”, não veio junto à exaltação dos direitos das mulheres ou de uma defesa de sua participação irrestrita na sociedade. A mensagem transmitida por essa política contemporânea vem reafirmar as fantasias de poder e de identidade de homens brancos, nas quais eles falam mais alto, eles ocupam o espaço público e eles tomam as decisões.

Mulheres cuidam de coisas menores ou figuram como Carla Zambelli ao lado de Bolsonaro como aquela única garota que fica com os meninos no recreio e olha com certo desdém para as outras meninas.

A cruzada dessa masculinidade de Bolsonaro, atenuada em outros homens que fazem parte de seu círculo ou que com ele se relacionam para receber uma fatia do bolo, objetiva trazer de volta algo que nunca existiu plenamente, mas que sempre alimentou as fantasias dos homens e, por consequência, as assimetrias entre eles e as mulheres. 

 

Não é a primeira vez que um
homem se sente ameaçado
por um mundo mudando à
sua volta e não é a primeira
vez que ele recorre a alguma
mitologia perdida de um
poder patriarcal anterior
ou de um supermacho
infalível para restituir a
“ordem” desse mundo.

 

A literatura no campo das masculinidades, tanto em termos de livros de autoajuda quanto de uma bibliografia científica, registra ao longo da história o que alguns vão chamar de “crise da masculinidade”. Ela inclusive fala de respostas que vão variar em termos de resgatar um “masculino mítico” e sua força baseada na homossociabilidade entre homens fazendo “coisas de homens” ou mesmo de um movimento organizado pelos direitos dos homens.

De qualquer forma, estamos falando de uma masculinidade que não aceita ter suas bases alteradas. E sua base muitas vezes é o poder inconteste, principalmente por subalternos. 

Nesse sentido, a expressiva presença de homens nas motociatas de Bolsonaro e sua adesão a uma narrativa que muitas vezes nega a vida de quem não lhe é espelho, na verdade, não surpreende. Ela é uma resposta desesperada e ao mesmo tempo zombeteira aos nossos avanços.

A fantasia deles se erige sobre motos potentes e barulhentas, mas nós estamos aqui há muito tempo, à pé. Nunca foi fácil. O mundo segue girando e continuará mudando.

Claudio Mor on Twitter: "MORtoon - Genociata #mor #charge #governobolsonaro  #jairbolsonaro #bolsonaro #motociata #motoqueiros #pandemia #coronavirus  #covid_19 #forabolsonaro #foragenocida… https://t.co/XMOtxvnw2C"

16
Jul21

Ou os militares jogam carga podre ao mar ou a ela se agarram

Talis Andrade

pazuello sem máscara.jpg

 

Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!

 
 
 
A acreditar no depoimento prestado à CPI da Covid-19 por Cristiano Carvalho, um dos representantes no Brasil da Davati Medical Supply, empresa americana que negociava a venda das vacinas Astrazeneca e Janssen, foram oito as autoridades do Ministério da Saúde que tentaram agilizar o fechamento do negócio suspeito e furado, sendo seis delas militares.
 
É pouco ou muito? Quando assumiu o comando do ministério, o general da ativa Eduardo Pazuello carregou com ele, além da namorada, 21 militares. Há outros que à distância acompanharam tudo ou quase tudo que se passava por lá. A CPI aprovou requerimento onde pede à Casa Civil da presidência da República e-mails e demais comunicações do general Braga Neto.
 

No momento, o general é o ministro da Defesa, principal autor da nota assinada pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica de ameaça à CPI. Mas Braga Neto foi chefe da Casa Civil entre fevereiro de 2020 e março deste ano. Designado pelo presidente Jair Bolsonaro, chefiou o comitê responsável por todas as ações do governo de combate à pandemia. Sabe muita coisa.

Os militares não admitem que denúncias de corrupção batam à sua porta, muito menos contra oficiais de alto escalão. O que farão se isso acontecer? Jogarão carga ao mar? Ou a ela se agarrarão mesmo sob o risco de afundar a imagem da instituição? Por que pode existir uma banda podre de políticos, juízes, empresários, médicos, jornalistas e não de militares?

Ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!

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12
Jun21

CPI: "Ciência não tem dois lados", diz Natalia Pasternak para Eduardo Girão senador da cloroquina

Talis Andrade
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por Gustavo Garcia /G1
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A microbiologista Natalia Pasternak afirmou nesta sexta-feira (11) à CPI da Covid no Senado que a ciência "não tem dois lados".

Ela deu a declaração após o senador Eduardo Girão (Pode-CE), defensor de medicamentos do chamado tratamento precoce, defender um debate de especialistas contrários e favoráveis ao uso desses remédios, comprovadamente ineficazes contra a doença.

"Ouvir um lado e ouvir o outro. Isso seria mais interessante do ponto de vista de ver eventuais contradições", afirmou.

Natalia Pasternak disse que esse princípio não se aplica à ciência.

"É importante salientar que princípios do jornalismo — e da política também — de sempre observar o contraditório, eles não se aplicam para a ciência porque a ciência é um processo investigativo, dos fatos, da realidade. E aí não cabe o contraditório. A ciência não tem dois lados. E isso não é por desrespeitar opiniões alheias, mas pelo modo como a ciência trabalha, que é um processo empírico de investigação", afirmou a especialista.

Ao lado do médico sanitarista Cláudio Maierovitch, ela foi convidada pela CPI a participar de uma audiência pública da comissão.

Eduardo Girão sugeriu que os especialistas tinham "viés político". Ele também disse que o trabalho da CPI não pode ser politizado, de forma a antecipar as eleições presidenciais de 2022.

"Eu espero que sexta-feira (18) nós não tenhamos nenhum cientista que tenha viés político, defendendo A, B, bolsonarista, lulista, para que a gente possa realmente ter um resultado coerente, que as pessoas possam acreditar no trabalho da CPI", afirmou o parlamentar cearense.

Simone Tebet (MDB-MS) pediu aos colegas que não colocassem "em xeque" a credibilidade dos especialistas convidados para participar da audiência pública.

O sanitarista da Fiocruz Cláudio Maierovitch disse que as posições políticas que tem "não se confundem" com o que, cientificamente, defende. Ele acrescentou não ser filiado a nenhum partido político. Sobre o tratamento precoce, o especialista declarou que não há atualmente nenhuma terapêutica desse tipo eficaz contra a Covid-19.

Natalia Pasternak reconheceu que, no Brasil, a orientação de uso de determinados medicamentos foi politizada e que isso não é positivo.

 

Mortes evitáveis

 

Crítica da gestão da pandemia do governo Jair Bolsonaro, Natalia Pasternak afirmou que há, por parte do Executivo, um "processo de desinformação" que acabou "levando muito mais vidas" do que teria ocorrido se o Brasil tivesse adotado campanhas de informação da população.

 

"A mensagem passada pelo presidente da República tem sido uma mensagem de descaso e de negação. E essas duas mensagens são muito prejudiciais para a população brasileira. O descaso com que ele trata a pandemia e as mortes, as famílias que perderam os seus entes, mostra uma total falta de empatia que chama a atenção. Isso acaba incitando discursos de ódio, violência e uma maior politização", afirmou a pesquisadora da USP.

"Pessoas mudam o seu comportamento de acordo com o que o presidente fala e faz. Se o presidente diz que é 'só uma gripezinha', pessoas vão seguir esse exemplo", completou.

Para Maierovitch, não há dúvidas de que milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se o governo federal tivesse uma postura diferente da que tem em relação ao coronavírus.

"Numa crise desse tamanho, precisamos de uma resposta à altura, de organização, de uma equipe capaz de responder. O Ministério da Saúde esteve virtualmente ausente, inexistente, exceto no papel de repassar recursos. Não coordenou e não implantou medidas. O Ministério da Saúde inexistiu, e a resposta foi nenhuma", afirmou o médico sanitarista.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (10) que que pediu um parecer do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para desobrigar o uso de máscaras por quem estiver vacinado contra a Covid ou já tiver contraído a doença.

A proposta é criticada por médicos e pesquisadores, que consideram imprescindível o uso do equipamento de proteção.Image

Cláudio Maierovitch afirmou que a utilização da máscara, como medida de prevenção à Covid, deve ser a última "a cair".

"É um instrumento fácil e barato, que não interfere no funcionamento da economia, em qualquer necessidade das pessoas, exceto um leve desconforto que alguns têm. Não devemos ter pressa nenhuma em suprimir a máscara. E a minha é impressão é que isso ganhou um caráter simbólico para o presidente", disse.

 

 
 
05
Jun21

STF publica acórdão da 2ª Turma que condenou Moro por parcialidade contra Lula

Talis Andrade

Juiz ladrão | Humor Político – Rir pra não chorar

por José Higídio /ConJur

O Supremo Tribunal Federal publicou nesta sexta-feira (4/6) o acórdão do julgamento da 2ª Turma que declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro para julgar o ex-presidente Lula. A maioria dos ministros entendeu que Lula não teve um julgamento justo no caso do tríplex do Guarujá (SP).

A ministra Cármen Lúcia, no dia 23/3, mudou seu voto original de 2018 e desempatou o julgamento da turma, ao formar maioria com os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Até então, ela integrava a corrente oposta, junto ao relator Edson Fachin e ao ministro Nunes Marques.

"Todos têm o direito de ter um julgamento justo por um juiz e um tribunal imparciais, e, principalmente, no qual ele possa comprovar todos os comportamentos que foram aos poucos consolidando o quadro fundamental, um cenário diverso que veio a ser desvendado nesse processo, para se demonstrar a quebra de um direito de um paciente", destacou Cármen Lúcia na ocasião.

Dentre as atuações parciais de Moro, apontadas pela defesa de Lula e confirmadas pela 2ª Turma, estão a condução coercitiva "espetacularizada" do petista, os grampos ilegais e precipitados, a divulgação silenciosa das conversas interceptadas, a manutenção da prisão do réu mesmo após concessão de Habeas Corpus e o próprio teor da condenação do ex-presidente.

Desdobramentos
O caso foi em seguida levado ao Plenário por meio de outro recurso, que questiona a competência da 2ª Turma para proferir a decisão. Já há maioria formada para confirmar a suspeição de Moro, mas o julgamento está parado há mais de 40 dias, devido a um pedido de vista do ministro Marco Aurélio. Após pedido da defesa de Lula, o tema deve ser retomado no próximo dia 23.

A controvérsia se estende desde o início de março, antes do julgamento da 2ª Turma, quando Fachin decidiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba — da qual Moro era titular — é incompetente para processar e julgar os processos contra Lula. O ministro alega que a suspeição de Moro teria perdido o objeto após esta decisão.

Clique aqui para ler o acórdão
HC 164.493

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13
Mai21

Se liguem na catastrófica situação da UFRJ

Talis Andrade

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Marcia Tiburi no Twitter
 
Marcia Tiburi
Mobilização contra o racismo
@coalizaonegra
É hoje!
Se não nos deixam viver em casa, vamos protestar nas ruas!
#13DeMaioNasRuas contra as chacinas e o genocídio!
O povo negro quer viver!

Use máscara, álcool-gel e mantenha-se em distanciamento.

distanciamento.jpgConsulte a agenda nacional de atos: bit.ly/33Elk5m

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Já pensou se fosse um filho seu? O que aconteceu com Fernando, Alexandre e Lucas?
Quote Tweet
Rubens R R Casara
@RCasara
O que fizeram com essas crianças? Os familiares têm o direito de saber.
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@marciatiburi
Toda a solidariedade a deputada atacada mais uma vez pelos covardes e canalhas que não suportam a sua coragem na defesa dos direitos fundamentais, a sua elegância e o seu senso de humanidade.
A deputada Zambeli aplicando táticas de guerrilha indireta, tentando atrapalhar a CPI do genocídio. Que seja feita a investigação e a justiça de que nosso Brasil precisa e que todos os criminosos sejam responsabilizados!
“Era um dia frio e luminoso de abril e os relógios davam 13 horas”.
ATELIÊ ABERTO - Lendo Marcia Tiburi
Ao me formar, em 1984, jamais imaginaria que, em 2021, abriria um texto com a célebre frase de George Orwell: “Era um dia frio e luminoso de abril e os relógios davam 13 horas”.
tendenciasmag.com.br
Marcia Tiburi
Se liguem na catastrófica situação da UFRJ, mais uma do governo corrupto que governa o Brasil
youtu.be/4gmgrmgtyZE via
Professores brasileiros, uni-vos. O que lhes parece uma greve geral em nome da #Ufrj e de todas as universidades atacadas pelo governo neoliberal/fascista no Brasil?
12
Mai21

A tragédia no Jacarezinho: mais um massacre policial ou uma articulação política reacionária?

Talis Andrade

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Analisando o massacre no Jacarezinho, Souto Maior destaca a perversidade de um projeto político autoritário, que dissemina o caos e o medo com a morte de determinadas pessoas para garantir sua sobrevida

por Jorge Luiz Souto Maior /Blog da Boitempo

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No dia 06 de maio, última quinta-feira, ficamos todos (ou quase todos) aturdidos, consternados e indignados com a notícia da morte de 25 pessoas (dentre elas, um policial) como resultado de uma ação policial na favela do Jacarezinho, na cidade do Rio de Janeiro, RJ – posteriormente, chegou a 28 a quantidade de pessoas mortas.

Na busca de se tentar fazer uma análise sobre o ocorrido, muitos escritos foram produzidos. Na maior parte deles, de forma plenamente pertinente, falou-se sobre a recorrência da violência policial nas periferias e favelas, sobre o genocídio da população negra, assim como sobre os aspectos pertinentes à injustiça social que nos assola e da qual se alimentam vários outros tipos de violência. Claro, também não faltaram vozes tentando justificar a violência, como a do vice-Presidente da República, que, mesmo sem qualquer elemento de prova, afirmou que todos que morreram (exceto o policial) eram bandidos. E outras, ainda mais infelizes, que, fazendo apologia ao ódio, manifestaram-se no sentido de que “morreram poucos”.

As explicações sérias e socialmente comprometidas, todas elas, são muito importantes para melhor compreensão da tragédia ocorrida no Jacarezinho. Nesse prisma, as considerações estão bem resumidas na nota publicada pela Associação Americana de Juristas (AAJ-Rama Brasil):

“A cidadania, a ordem democrática e os direitos fundamentais foram mais uma vez covarde e violentamente atacados. Não há o direito de matar e não cabe à Polícia e a ninguém escolher quem deve viver e quem deve morrer. Diante do percurso histórico da exclusão, os desafios são imensos para a completa e necessária reversão do quadro. O que se passou ontem no Rio de Janeiro em nada se relaciona com o enfrentamento do problema social. De fato, as pessoas mortas na chacina de Jacarezinho foram executadas de modo sumário, sem direito à defesa, sem direito à vida. A ação policial, ademais, violou ordem judicial expressa contida na ADPF 635. A AAJ manifesta seu repúdio e exorta as autoridades competentes e a sociedade em geral a tomarem todas as providências – que não são poucas – para que cessem os sistemáticos ataques à vida de milhões de brasileiras e brasileiros que em condições extremamente precárias habitam e tentam sobreviver nas periferias das nossas cidades, sendo emergencial também apurar as responsabilidades pela chacina e submeter os atores às penas legalmente previstas.”

Penso, entretanto, que talvez seja pertinente ir além das apreensões já tradicionais para encarar o ocorrido dentro do contexto político.

Valho-me, para esta perspectiva de análise, de um estudo publicado na principal revista de sociologia dos Estados Unidos, em 2016, pelo qual o autor, Joscha Legewie, demonstra estatisticamente que o aumento momentâneo da violência policial não se dá por um acaso e sim como uma reação – não propriamente programada, mas emocionalmente estimulada – a fatores relacionais. O estudo, tratando da violência policial com relação à população negra nos Estados Unidos, aponta que essa violência se intensifica bastante quando algum policial é atacado por um negro, destacando que a mesma reação não se verifica quando quem ataca o policial é uma pessoa branca. Os dados revelam como as forças policiais se movem emocionalmente e de modos distintos com relação a determinadas parcelas da população, considerando, inclusive, a região urbana.

A situação retratada no estudo – pode-se dizer – não traz nenhuma novidade, visto que, mesmo sem dados estatísticos mais aprimorados, uma vez que não é muito da nossa tradição analítica colher dados sobre as ocorrências para melhor identificá-las, a ninguém é dado desconhecer a forma mais ostensiva da ação policial nas periferias e favelas e com relação a negros e negras no Brasil.

Por outro lado, há de se reconhecer utilidade à abordagem feita, no aspecto da demonstração de que, bem ao contrário do que se tem defendido, as atuações policiais podem efetivamente ser impulsionadas pela emoção e, consequentemente, por motivações que possam extrapolar os limites do dever funcional.

Uma análise mais profunda sobre a intervenção policial no Jacarezinho, que resultou na segunda maior chacina da história do Rio de Janeiro, deve recusar, portanto, a ideia de que tudo não se passou de uma obra do acaso ou que tenha sido uma circunstância aleatória, mero retrato de mais um capítulo da histórica violência policial contra negros, negras e favelados. Isso explica muito, mas não explica tudo.

Parece-me extremamente importante perceber que a ação policial no Jacarezinho se deu em um momento histórico muito específico e, portanto, não se pode descartar a visualização de que a ação tenha sido bem mais do que mais um, dentre tantos, massacres policiais nas favelas.

Primeiro, é bastante relevante destacar que sobre a ação propriamente dita até hoje pouca coisa se sabe. As notícias oficiais chegam a conta-gotas e são muitas vezes contraditórias. A alegação principal apresentada é a de que a ação foi promovida no bojo de uma investigação sobre aliciamento de crianças e adolescentes pelo tráfico local. Mas, conforme os dados apurados pela imprensa, extraídos de consulta processual no sítio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, tratava-se de 21 mandados indicados como “Associação para a Produção e Tráfico e Condutas Afins (Art. 35 – Lei 11.343/06) C/C Aumento de Pena Por Tráfico Ilícito de Drogas (Art. 40 – Lei 11.343/2006)”, cuja denúncia foi realizada sem sigilo judicial. E, segundo informação divulgada pela CNN-Brasil, na denúncia do Ministério Público, promovida pelo promotor Salvador Bemerguy contra os 21 réus, no processo nº 0158323-03.2020.8.19.0001, que tramita na 19ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, da qual se origina a Operação Exceptis, no Jacarezinho, consta que os réus são traficantes de drogas e nada se diz sobre aliciamento de crianças e adolescentes, roubo de cargas, assaltos a pedestres, homicídios e sequestros de trens da SuperVia, como também consta da versão oficial da polícia.

O que se sabe, concretamente, é que dos 21 procurados 3 foram presos e outros 3 foram mortos (Richard Gabriel da Silva Ferreira, conhecido como “Kako”; Isaac Pinheiro de Oliveira, conhecido como “Pee da Vasco”; Rômulo Oliveira Lúcio, conhecido como “Romulozinho”). O total de mortes foi de 28 pessoas, sendo que 11 corpos ainda estão sem identificação. Segundo a polícia, as outras 24 pessoas mortas (excluído o policial), embora não estivessem entre os procurados, eram traficantes ou reagiram atacando os policiais. Não há, entretanto, qualquer comprovação disso e o fato é contestado pelas famílias de alguns dos que foram mortos.

O que se sabe, concretamente, é que dos 21 procurados 3 foram presos, enquanto o total de mortes foi de 28 pessoas. Segundo a polícia, as outras 24 pessoas mortas (excluído o policial), embora não estivessem entre os procurados, eram traficantes ou reagiram atacando os policiais. Não há, entretanto, qualquer comprovação disso e o fato é contestado pelas famílias de alguns dos que foram mortos . Reportagem de Herculano Barreto Filho e Lola Ferreira, publicada no portal UOL, aponta que dentre os mortos apenas 4 estavam integrados à lista do 21 procurados e menos da metade (12) possuía antecedentes criminais ligados ao tráfico de drogas, incluindo anotações como menor infrator.

De todo modo, o que os policiais tinham em mãos eram mandados de prisão e não de execução sumária, não abrangendo, igualmente, armamento ostensivo e invasão de casas, como relatado por moradores, em reportagem do The Intercept. E também é digno de registro o fato de que dos 28 mortos, os corpos de 27 deles foram removidos do local sem qualquer tipo de perícia.

Fato é que sobre a ação propriamente dita é tudo muito propositalmente nebuloso.

No entanto, olhando o contexto mais amplo da realidade, as coisas se tornam um pouco mais nítidas.

O primeiro aspecto que chama a atenção é a predisposição de um delegado ligado à operação em justificar a ação criticando o “ativismo judicial” e a atuação dos ativistas e ONGs ligadas aos Direitos Humanos e à visão de grupos ideológicos sobre a criminalidade.

Fica a impressão de que se buscou a construção de um fato político para que os discursos de ataque ao pensamento crítico pudessem ser retomados, isto porque, diante dos nefastos efeitos da pandemia, onde ganham cada vez mais espaço – mesmo entre os liberais – os postulados mais moderados do pensamento de esquerda em torno da necessidade da intervenção do Estado na economia e na introdução de medidas coercitivas para a proteção da vida, o conservadorismo tem se visto acuado e sem possibilidades de uma reação, até porque a cada novo negacionismo maior é o número de mortes.

Então, ganha sentido lógico promover um fato social para reativar os discursos em favor do Estado Policial, da luta contra a criminalidade, da autodefesa armada, do ódio de classe e, por conseguinte, da desqualificação das pessoas e entidades que defendem os Direitos Humanos.

É importante também lembrar o cerco que se tem formado em torno do governo federal com a CPI da COVID-19 no Senado Federal, já tendo gerado, inclusive, o autêntico ato de desespero refletido na tomada das ruas pelo conservadorismo e o reacionarismo no último 1º de maio.

Além disso, são fortes as suspeitas dos vínculos de pessoas ligadas às estruturas de governos com a milícia do Rio de Janeiro. A este respeito, como explica José Cláudio  Alves (ICHS/UFRRJ), um dos mais destacados estudiosos do tema milícias/crime organizado, quando a milícia, que é tradicionalmente a associação entre pessoas da estrutura de Estado (sobretudo, ligadas à segurança pública) e o tráfico, se integra à política, atingindo diversas esferas do poder (municipal, estadual e federal), as disputas de controle das comunidades adquirem também um propósito da constituição de um nicho de “eleitores” e da difusão de um discurso de propaganda eleitoral perante àqueles que se comovem com o lema “bandido bom é banido morto”. A propósito, destaque-se o conteúdo da nota trazida, em 10 de maio, na coluna da jornalista Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo, informando que “um dia antes da invasão da polícia à comunidade, apenas 12% das citações sobre o governador eram consideradas positivas. No dia do morticínio, o percentual saltou para 41%. Já as citações negativas caíram de 50% para 41%. E as neutras passaram de 38% para 18%”.

Neste contexto, lembra o professor José Cláudio, malgrado a decisão proferida pelo STF na ADPF 635, as operações policiais, com mortes (mais de 20, desde 11 de janeiro de 2021), já vinham ocorrendo na baixada fluminense, mais propriamente no complexo do Roseiral, na cidade de Belford Roxo, sendo que, em todas elas, incluindo as chacinas, não muito distantes no tempo, havidas no Morro do Falet e no Complexo do Alemão e a presente no Jacarezinho, voltadas ao desmantelamento da facção Comando Vermelho, que é a mais forte, estruturada e reativa ao poder que o “Estado” (tanto as institucionalizadas quanto as violentas atuações milicianas) tenta impor às comunidades, de modo a abrir novos espaços ao controle para as milícias e não acabar com a violência ou proteger as “pessoas de bem”. E complementa, afirmando que operações dessa natureza, na história do Rio de Janeiro, nunca se realizaram em áreas controladas pelas milícias e quando alguma operação policial se realiza os atos se limitam a prisões de membros e lideranças, não se atingindo o ponto do extermínio.

Assim, na busca da identificação de uma motivação específica para o massacre do Jacarezinho, tem bastante sentido a hipótese de que as ameaças advindas do avanço do discurso crítico, contrário ao conservadorismo e ao reacionarismo, com real possibilidade de profundas alterações na organização política, possam também estar por trás da ação no Jacarezinho, que poderia, por conseguinte, ser vislumbrada como uma reação articulada e, ao mesmo tempo, uma oportuna demonstração de poder.

Vejam que, embora se tenha dito que a ação foi planejada durante 10 meses, o fato em si que se apresentou como aquele que se pretendia desbaratar, qual seja, o aliciamento de crianças e adolescentes, não é, infelizmente, nenhuma novidade e está há muito disseminado em todas as formas estruturais do tráfico. O aliciamento, inclusive, não se restringe às zonas pobres e periféricas da cidade. Não havia, pois, um fator específico que pudesse justificar uma intervenção policial com tamanha explicitação de força, valendo lembrar que a própria questão do aliciamento não integrava a denúncia.

Além disso, ao se enviar um grande número de policiais fortemente armados favela adentro (consta que mais de 200 agentes integraram a operação) é, por si, elemento constitutivo da oportunidade para que o efeito fosse aquele que se produziu, mesmo sem qualquer tipo de confronto, até porque os relatos não são propriamente de um confronto e sim de um massacre, repleto de execuções sumárias, o que afasta também o argumento de que as mortes foram um acaso ou demonstração de que algo desandou na execução da ação.

Nesta perspectiva da inserção do fato em um contexto mais amplo, o massacre havido no Jacarezinho ganha um fator de extrema perversidade, que é o se admitir a morte de pessoas (sobretudo, pobres, favelados, negros e negras) para conferir sobrevida a um projeto político de cunho autoritário, estabelecido a partir da disseminação de um novo caos (desviando o foco da crise humanitária) e do medo. Em nome da segurança e do “restabelecimento” da ordem – em uma desordem propositalmente potencializada, favorecida pela fragilização das instituições democráticas – ter-se-ia aberto o caminho para a consagração do Estado policial (miliciano, totalitário e ditatorial) pleno, com supressão das liberdades, garantias e direitos fundamentais, deixando no ar a ameaça de que novas violências podem ocorrer a qualquer momento, atingindo a tudo e a todos.

A hipótese em questão até poderia parecer, aos olhos de muitos, um tanto quanto cerebrina, pois lhe faltava um personagem que, valendo-se politicamente da narrativa, pudesse conferir sentido ao enredo. Eis que, então, para minar reticências, o personagem entra em cena e decreta: “…ao tratar como vítimas traficantes que roubam, matam e destroem famílias, a mídia e a esquerda os iguala ao cidadão comum, honesto, que respeita as leis e o próximo.” E, juntando tudo e aparando arestas, arremata: “É uma grave ofensa ao povo que há muito é refém da criminalidade. Parabéns à Polícia Civil do Rio de Janeiro!”.

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Confira o dossiê Violência policial: uso e abuso, com artigos, reflexões e indicações de vídeos e livros sobre o tema publicados pela Boitempo.

10
Mai21

"Quem ordenou a chacina no Jacarezinho foi o Bolsonaro"

Talis Andrade

André Barros

André Barros

Josias de Souza: Bolsonaro associa polícia à milícia.

Reinaldo Azevedo: Bolsonaro derramou estupidez

 

247 - O advogado André Barros em entrevista à TV 247 nesta segunda-feira (10), afirmou categoricamente que a ordem para a realização da chacina na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, partiu de Jair Bolsonaro.

O governador do estado, Cláudio Castro (PSC), não teria nem credibilidade suficiente para ordenar algo do tipo, segundo Barros. "Quem ordenou a chacina obviamente foi o Bolsonaro. O governador do Rio de Janeiro é o famoso ninguém. Ninguém sabe quem é o governador atual. Ele não tem a menor importância política. Não dá nem entrevista. É óbvio que quem deu a ordem foi o Bolsonaro".

O advogado destacou que a ação policial trata-se de um genocídio, visto que a suposta "guerra às drogas" sempre tem como foco os territórios de favela, ainda que o tráfico aconteça nos mais diversos locais, desde os mais pobres até os de elite. "É um genocídio porque a maconha e a cocaína são vendidas em toda a cidade do Rio de Janeiro, por todas as classes, e eles só ficam na favela. Isso é bom registrar".

A chacina, segundo Barros, foi também um meio utilizado por Bolsonaro para afrontar o Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs limites às ações policiais durante a pandemia. "Ele veio 12 horas antes, encontrou o governador e a polícia que foi mandada para fazer isso atacou o Supremo Tribunal Federal porque o Bolsonaro quer implantar uma ditadura no Brasil e não respeita sequer a Suprema Corte do país. A ditadura cassou três ministros do STF. O Bolsonaro quer cassar o STF inteiro".

Caso Bolsonaro seja questionado sobre a ordem para efetuar as execuções no Jacarezinho, responderá afirmativamente, porque ele não esconde quem de fato é, afirmou o advogado. "Ele é isso, todo mundo sabe quem é o Bolsonaro, há 500 anos. Um homem que apoia a tortura, que tem como ídolo um facínora que colocava as pessoas de cabeça para baixo, amarradas da cabeça aos pés, enquanto dez pessoas quebravam essa pessoa com choques, paus e barras de ferro, que era o coronel Brilhante Ustra".

 

 

14
Abr21

O ‘Zé’ pode pegar ônibus ‘pelo país’, mas senador não pode fazer CPI da Covid?

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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A desfaçatez dos senadores governistas – “raiz” ou do “centrão” – na sessão que vai instalar – ou não – a CPI da Covid é uma demonstração do que daquele mato dificilmente sairá coelho.

Alegam que “CPI tem de ser presencial” e, portanto, não poderiam acontecer depoimentos, requerimentos, entrega e perícia de documentos.

E que a pandemia não permite que haja “presença” de senadores.

São, é claro, os mesmos que acham que não há problema em haver cultos. E que acham um absurdo fechar bares, restaurantes, academias, praias. E que repetem o discurso de Jair Bolsonaro de que é preciso colocar a economia em marcha "pelo Brasil”.

Todas são “atividades essenciais”, exceto a de corrigir os rumos tortos do combate à pandemia e saber quem são os responsáveis por milhares de mortes, inclusive a das dezenas de infelizes que sufocaram sem oxigênio em Manaus.

Como não vão conseguir “melar” a CPI com a extensão – que nunca deixou de existir – sobre casos de desvios nos Estados e Municípios quando isto envolver verbas federais, agora apelam para uma instalação pró-forma da CPI e sua efetivação lá para “outubro”, como sugeriu um deles.

Aí está o que significa o “vamos apurar tudo” por que bradam os bolsonaristas e os que se acumpliciaram a eles para controlar o parlamento.

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09
Abr21

Com 4.190 mortes em 24 horas, Brasil tem segundo pior dia na pandemia, e STF determina CPI da Covid no Senado

Talis Andrade

 

08
Abr21

Militares e o crime de lesa-pátria

Talis Andrade

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por Cristina Serra

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A semana começou com tensão de fim do mundo e terminou mais calma em Brasília, depois da troca do ministro da Defesa e dos comandantes das Forças Armadas. Será preciso, contudo, monitorar os sismógrafos para aferir se o terreno está, de fato, acomodado, e qual a extensão das fissuras resultantes do abalo sísmico no planalto.

As versões que vazaram dão conta de que o ex-ministro Fernando Azevedo e o ex-comandante Pujol teriam resistido a arroubos extremistas do genocida, seriam avessos ao uso político das forças armadas e, por isso, teriam perdido seus postos. Ora, mas o que fazem os militares, senão política, desde pelo menos 2015, com Villas Bôas no comando do Exército? O que foi o tuíte ao STF (aprovado pelo Alto Comando) na véspera da votação do Habeas Corpus de Lula? 

Militares deixando o governo com ares de democratas ofendidos? Nada mais falso. A coesão pode até ter levado uma sacudida, mas os generais estão unidos pelo amálgama do projeto antiesquerda, além, claro, de desfrutarem das benesses do poder. Julgam ter papel de tutela sobre os civis. Nunca engoliram a Comissão Nacional da Verdade. 

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Até hoje celebram (agora com autorização do Judiciário) a ditadura que torturou, matou e escondeu corpos. Os fardados viram no golpe contra Dilma Rousseff a chance de voltar ao poder na carona de um extremista. Ajudaram a elegê-lo sabendo que tudo nele é extremo: autoritarismo, ignorância, maldade, desprezo à vida, culto à morte.

O Brasil está em marcha célere para 400 mil mortos pela pandemia. O colapso funerário se aproxima. O genocídio é obra coletiva de Bolsonaro e de todos que estão com ele. Nessa guerra, os militares que o apóiam decidiram cerrar fileiras nas legiões do vírus. São avalistas e fiadores, cúmplices e co-autores dessa tragédia. Tratam o povo como inimigo a ser derrotado, deixando-o morrer de doença e fome. Isso é crime de lesa-pátria. A História vai nos cobrar uma Comissão Nacional da Verdade para o genocídio brasileiro.

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