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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Nov20

Após um ano de exílio, Evo Morales deixa a Argentina e retorna à Bolívia

Talis Andrade

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Presidente da Argentina, Alberto Fernández, participou da cerimônia de retorno de Evo Morales para a Bolívia (Reprodução/Youtube).

 


O ex-presidente Evo Morales retornou nesta segunda-feira (09/11) à Bolívia após passar um ano exilado na Argentina por conta do golpe de Estado que levou à derrubada de seu governo.

A volta acontece em cerimônia realizada na zona fronteiriça entre a cidade argentina de La Quiaca e a boliviana de Villazón. Evo se despediu do presidente argentino Alberto Fernández, a quem agradeceu pela solidariedade e hospitalidade durante o período em que esteve no país.

“Graças ao companheirismo do mundo, irmãs e irmãos, novamente, se repete a história, a luta permanente pela vida, pela humanidade, pela paz e pela democracia. E, por isso, fui surpreendido com o companheirismo do povo argentino, e de Alberto Fernández. Muito obrigado irmão Alberto”, disse.

Morales afirmou que o tempo que esteve na Argentina sentia como se “estivesse em casa”, algo que, segundo ele, nunca irá esquecer. “Indo do México à Argentina, me senti como se estivesse em casa. Parte da minha vida foi lá depois de passar quase 11 meses na Argentina. Não me senti abandonado. Toda força social argentina, autoridades, ex-autoridades, irmãos bolivianos sempre estavam ali. Uma linda história, uma linda lembrança”, declarou.

Morales agradeceu também o presidente do México, Manuel López Obrador, pelo apoio ao boliviano quando precisou sair de seu país. O governo mexicano foi o primeiro a receber O ex-mandatário e seu vice, Álvaro Linera García, quando o golpe foi consumado na Bolívia.

“Muito obrigado presidentes e ex-presidentes que nos acompanharam. Especialmente a Alberto que me salvou a vida, e isso eu nunca vou esquecer”, afirmou Morales após declarar que não duvidava que retornaria à Bolívia, mas disse que não estava “seguro que seria algo tão rápido e tão histórico”, “graças à unidade do povo boliviano e ao companheirismo do mundo”, disse.

O retorno do ex-presidente será acompanhando por uma caravana de cerca de 800 veículos e contará com algumas paradas e diversos atos ao longo do caminho.

O destino final da caravana é a cidade de Chimoré e o trajeto está previsto para durar três dias. O local carrega um peso simbólico pois foi de onde Evo partiu para o exílio após o golpe de Estado de 2019.

 

11
Nov19

Fundamentalistas usam o nome de Deus para matar os índios na Bolívia

Talis Andrade

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Luís Camacho, El Macho, chefe da KKK 

 

Os pastores evangélicos de Trump atuaram para mudar a embaixada brasileira em Israel, e estiveram recentemente com Bolsonaram para acertar os ponteiros do golpe na Bolívia, detonado por um movimento terrorista evangélico, que lembra KKK, Ku Klux Klan.

In 247 Denise Assis sobreavisa: "Em momento de tensão no continente, Polícia Nacional de Israel  abre escritório em São Paulo: 

A presença de uma polícia oficial estrangeira atuando no país é esdrúxula e preocupante. Primeiro, pelo momento em que acontece, quando ali ao lado, na Bolívia, Evo Morales é levado a renunciar, sob pena de ter o país torrado em uma onda de incêndios e violências".

(...) Revista Forum estampou em manchete: “Homem de confiança de Jair Bolsonaro” é citado em áudio de opositores que tentam golpe contra Evo na Bolívia - Série de áudios de opositores ao governo Evo Morales revela ainda o apoio "das igrejas evangélicas e do governo brasileiro”, além da articulação com políticos dos EUA e de Israel para "queimar estruturas do partido de governo e atacar também a embaixada de Cuba". Segundo, porque acontece quando o ex-presidente Lula ganha a liberdade e volta a andar pelas ruas, ainda que guardado por seguranças", escreveu Denise.

Opinião idêntica tem Roberto Bueno: "Bolívia acende o sinal de alerta para o Brasil.

(...) Novamente, os Estados Unidos deixaram as suas digitais. Este cenário boliviano deveria ser claramente compreendido pelo campo progressista brasileiro, pois o golpe de Estado contra Evo Morales foi a decidida resposta do imperialismo norte-americano para o resultado das urnas que não lhe interessam. Foi também uma resposta a sua perda eleitoral na Argentina, à resistência vitoriosa de Maduro na Venezuela, e também, em certa medida, à derrota no México imposta pelo moderado López Obrador, mas não menos à deterioração explícita de seus prepostos ideológicos Lenin Moreno no Equador e Sebastián Piñera, no Chile, onde o sangue de tantos e tantos manifestantes agora serviu para finalmente assinar em sua folha de serviços a pecha de ditador, herdeiro dos piores dias de Pinochet de cujo arcabouço alegremente aproveitou e conviveu com seu irmão à testa.

Hoje na Bolívia apenas assistimos os desdobramentos de mais um capítulo das ações norte-americanas na América Latina, história prenhe de patrocínio a elites golpistas de governos populares, extensíssima ficha de desserviços prestados, do qual um exemplo mais foi o golpe de Estado de 2016 contra a democracia brasileira sob a legítima administração de Dilma Rousseff cuja continuidade foi a interdição da virtual candidatura vencedora de Lula em 2018, abrindo as portas para um modelo de extrema direita cuja indiferença com a sua gente se expressa na tentativa de destruição do Estado que serve justamente às necessidades dos mais pobres".

Os evangélicos e pastores de Trump tramaram a queda de Dilma Rousseff, com sermões do beato Salu (Deltan Dallagnol), com os pastores televisivos proprietários de rádios e televisões, com bilhetes golpistas dos generais comandados pelo capitão Bolsonaro: Mourão e Villas-Boas.

Existem pastores fanáticos que quebram imagens de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, que denunciam o "comunismo" do Papa Francisco, que prendem e arrebentam pais-de-santo e terreiros.

Mas nenhum pastor, até agora, pregou a luta armada, nem comanda milícias como faz Luis Camacho, "El Macho", com uma bíblia na mão, e uma metralhadora na outra. No Brasil, os pastores, imitando Bolsonaro, fizeram arminhas com as mãos.

Fanático religioso, histriônico, corrupto: quem é “Macho” Camacho, empresário que encabeça o golpe na Bolívia

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Camacho lê a Bíblia para milicianos

Por Mariela Fronzosi 

Nodal - A oposição mais virulenta ao governo de Evo Morales na Bolívia está incorporada em um homem que eles chamam de “El Macho”.

Luis Fernando Camacho Vaca é um advogado de Santa Cruz, 40 anos, casado e com três filhos. Ele vem de uma família rica da região e entrou no cenário internacional nas últimas semanas porque se colocou à frente do que ele chama de “processo de recuperação da democracia”.

No entanto, Camacho constrói essa idéia de democracia em paralelo à institucionalidade boliviana: sem ser candidato a qualquer cargo, começou com esse “processo” após a instalação, antes de 20 de outubro passado, quando Morales obteve a maioria dos votos, da possibilidade de fraude eleitoral.

Dentro do Movimento ao Socialismo (MAS), partido oficial, ele é acusado de manipular os fios do golpe de estado para derrubar Evo Morales, que espera validar seu quarto mandato consecutivo depois de perder um referendo a ser reeleito em 2016, mas posteriormente autorizado pelo Tribunal Constitucional por meio de uma decisão de que o atual presidente pode continuar buscando a reeleição indefinidamente, alegando que fazia parte de seus “direitos políticos”.

 

A história do “macho”

Ele nasceu e cresceu em Santa Cruz, uma das áreas mais ricas e poderosas da Bolívia e o departamento em que historicamente vive a maioria da população branca de descendência européia do país.

Após se formar advogado na Universidade Privada de Santa Cruz de la Sierra, concluiu estudos de pós-graduação na Universidade de Barcelona, ​​onde fez mestrado em Direito Financeiro e Tributário.

Seu ativismo começou aos 23 anos como vice-presidente da organização cívica União Juvenil Cruceñista, que embora se defina como “cívica”, foi descrita pela Federação Internacional de Direitos Humanos como “uma espécie de grupo paramilitar” que realiza atos de racismo e discriminação contra habitantes e instituições indígenas da região.

Já em 2015, ingressou no Comitê Cívico Pro Santa Cruz – onde seu pai era presidente entre 1981 e 1983 -, primeiro como segundo vice-presidente e depois como primeiro vice-presidente.

Desde fevereiro de 2019, Luis Fernando Camacho preside a organização que reúne empresas, bairros e entidades trabalhistas da região, onde se encontra a maior parte da oposição ao processo de transformação liderado por Evo Morales desde que se tornou presidente em 2006.

O apelido de “macho” ele ganhou justamente por causa da “coragem” com a qual lidera a campanha contra Morales, a quem acusa de “tirano” e “ditador”.

 

Ao lado de sua vida pública, Camacho é professor universitário e empresário, e com sua família faz parte do Grupo Empresarial de Inversiones Nacional Vida S.A..

As empresas pertencentes a esta corporação operam na área de seguros, gás e serviços. Há rumores de que uma das principais causas de sua amarga oposição ao governo de Morales se deve a milhões de dívidas e perdas relacionadas ao negócio de gás em Santa Cruz.

Por outro lado, ele está envolvido nos Panama Papers com base na criação de três empresas (Medis Overseas Corp., Navi International Holding e Positive Real Estates) para “ajudar pessoas e empresas a esconder suas fortunas em entidades offshore, lavagem de dinheiro e estabelecimento de esquemas de evasão fiscal”, diz um jornal boliviano.

Sua posição sobre isso é negar os fatos e denunciar uma suposta perseguição.

 

Sua cruzada contra Morales

Histriônico e arrogante, com uma oratória exacerbada e uma imagem associada aos ricos brancos do país (que legitima da sua origem burguesa de Santa Cruz), mantém sua popularidade apelando ao número de pessoas que convoca e à proximidade que afirma ter com seus seguidores.

A construção de sua figura em contraste com a origem humilde, camponesa e indígena do Presidente Morales é muito evidente. E, embora se esforce para garantir repetidas vezes que não expressa uma mensagem racista, alguns eventos provam o contrário, como aconteceu durante a marcha das mulheres na quinta-feira, 7 de novembro, em Cochabamba.

Em linha com outros representantes da nova direita regional, como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, Camacho lida com um discurso com uma forte âncora religiosa.

Em cada uma de suas aparições públicas e através das redes sociais, ele incentiva a oração e proclama sua fé em Deus.

Convoca as manifestações no Cristo Redentor e garante uma imagem da Virgem ao seu lado enquanto discursa ao público.

Ele insiste em cada uma de suas mensagens com a necessidade de levar “a Bíblia” de volta ao palácio do governo boliviano, que, segundo ele, foi eliminada pelo MAS.

Isso lhe permitiu alinhar atrás de si todas as forças de direitos clericais e anti-bolivianas, que tiveram expressões homofóbicas e misóginas variadas durante a campanha eleitoral e que procuram criminalizar a homossexualidade e continuam a penalizar o direito ao aborto.

Através das redes sociais e da espetacularização de suas demandas, Camacho ignorou imediatamente o resultado das eleições passadas, convocou um protesto na prefeitura de Santa Cruz e, por meio de votação por aclamação, deu a Morales um prazo de 48 horas para para apresentar sua renúncia.

Paralelamente, se autoproclamou à frente da “unidade” da oposição, obscurecendo até a figura de Carlos Diego de Mesa Gisbert, candidato da coalizão da Comunidade Cidadã que foi o segundo nas eleições de 20 de outubro.

Ele também pediu greve por tempo indefinido e desobediência civil até alcançar o objetivo que havia estabelecido: a renúncia de Evo Morales.

Depois de 48 horas e diante da falta de resposta de Morales, Camacho convocou um novo conselho e emitiu uma carta na qual ele próprio escreve os termos da renúncia do presidente boliviano.

 

O objetivo final

“El Macho” nem sequer está interessado no que a missão da OEA que está auditando os resultados das eleições tem a dizer.

Ele já se manifestou em sua conta no Twitter contra Mesa, acusando-o de ser forçado a apoiar a auditoria internacional, embora mais tarde tenha excluído a mensagem.

Camacho quer convocar novas eleições nas quais Evo Morales não esteja presente. Com um discurso que, apesar de tentar associá-lo à “paz e unidade do povo boliviano”, acaba carregado de racismo, ódio de classe e provocação.

O que ele sonha é com um golpe de estado.

 

 

 

01
Jul19

“Soldados de toga”, a nova ameaça à América Latina

Talis Andrade

Esqueça tanques e armas. As guerras do século 21 são feitas com tribunais e juízes. O ataque a inimigos políticos pela lawfare mostrou-se efetivo na Argentina, no Brasil e no Equador. Agora, o alvo é López Obrador, no México. Conseguirá resistir?

Por John M. Ackerman | Tradução: Rôney Rodrigues

A guerra não se faz somente com armas, mas também com a lei. Na América Latina, o warfare é feito, cada vez mais, por meio do lawfare, onde se utilizam as cortes e os tribunais para eliminar os adversários políticos.

Faz alguns dias, o jornalista Glenn Greenwald e a equipe do The Intercept Brasil divulgaram o que sempre suspeitávamos: o senhor Sérgio Moro serviu como juiz e acusador no julgamento contra Luiz Inácio Lula da Silva por supostos atos de corrupção.

Como juiz, Moro teria que manter-se autônomo e independente, mas, na verdade, instruía, ensinava e assessora o advogado Deltan Dallagnol, promotor do caso. Atuou em consigna para colocar Lula na prisão e, assim, tirá-lo da disputa presidencial.

E, como prêmio pelo seu exitoso lawfare, Jair Bolsonaro nomeou Moro como seu ministro de Justiça imediatamente depois das eleições presidenciais. Mais claro que isso, impossível!

O coronel estadunidense Charles Dunlap foi quem fez a melhor definição de lawfare: “um método de guerra não convencional em que a lei é usada como um meio para se conseguir um objetivo militar”.

Isso também está acontecendo no Equador. O presidente Rafael Correa está refugiado em Bruxelas porque o governo do atual presidente, Lenín Moreno, o acusou falsamente de orquestrar, durante seu mandato, o sequestro de um jornalista na Colômbia.

O vice-presidente de Correa, Jorge Glas, já está recluso na prisão e o antigo chanceler de Correa, Ricardo Patiño, teve que abandonar o país para evitar a mesma perseguição política e judicial.

Cristiana Kirchner também se encontra sob permanente perseguição judicial na Argentina. O objetivo é tirá-la do caminho para a Casa Rosada, que concorre ao lado de Alberto Fernández nas eleições presidenciais de outubro desse ano.

No México, a oposição autoritária também já prepara seus batalhões para promover o lawfarecontra o governo de Andrés Manuel López Obrador

A primeira tentativa foi a série de processos e impugnações contra a construção do novo aeroporto de Santa Lucía.

Agora resulta que aquelas que mais atacavam López Obrador por cancelar as obras de Texcoco [projeto que era grande aposta do governo do ex-presidente Enrique Peña Nieto, rechaçado por referendo popular] querem também cancelar as de Santa Lucía!

Mas o México não necessitava “modernizar” sua infraestrutura e “abrir-se” ao mundo?

A agenda é clara. Não se busca defender o meio ambiente ou o povo de Santa Lucía, mas, simplesmente, bloquear, por meio da via judicial, qualquer projeto de López Obrador.

Os adversários estão zangados pelo cancelamento de sua rede de corrupção em Texcoco e querem separar-se e derrotar o presidente mexicano a qualquer preço.

Felizmente, López Obrador já tem uma longa experiência nessa modalidade de batalha e já saiu vitorioso em todas, incluindo o caso de Paraje San Juan em 2003 [quando netos de um suposto proprietário de um prédio da capital exigiam do governador indenização pela utilização do imóvel. Comprovou-se, mais tarde, que o “avó” nunca havia existido] e o ultraje de 2005, quando exercia o cargo de chefe de governo do Distrito Federal.

Mas o presidente necessitará do apoio de seu povo para se vencer essas batalhas que se aproximam. Abram os olhos e lembrem que a lei não é sempre neutra, mas muitas vezes utilizada com os fins mais mesquinhos.

09
Dez18

Presidente do México critica 'salários estratosféricos' da Suprema Corte

Talis Andrade

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O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, está em disputa com a Suprema Corte - a mais alta instância do Judiciário do país. O motivo é a lei e promessa de campanha de Obrador de diminuir os salários de todos os servidores públicos.

López Obrador acusou os juízes de cuidar de suas próprias carteiras e de não entender a "nova realidade" que seu governo representa.

"Eles próprios decidem que vão continuar recebendo salários exagerados e estratosféricos — salários de até 600 mil pesos (US$ 29 mil) por mês — aqueles que concedem justiça", reclamou o mandatário mexicano neste sábado (8), antes de repetir um de seus mantras favoritos: "Não pode haver um governo rico com um povo pobre."

O congelamento coloca em xeque os planos orçamentários do governo para 2019, que devem ser apresentados em 15 de dezembro

Cumprindo promessa de campanha, López Obrador cortou seu próprio salário em 40%, para 108 mil pesos mensais, cerca de US$ 5,3 mil. Também foi aprovada uma nova lei com teto salarial para o funcionalismo: ninguém deve receber mais que o presidente.

No entanto, senadores da oposição entraram com uma ação contra a decisão, alegando que ela violava os direitos dos funcionários públicos.

A Suprema Corte acatou, mas a medida é liminar até que uma decisão definitiva seja tomada.

A disputa deve alimentar tensões entre o Congresso e a Suprema Corte, que alguns defensores da lei acusam de ter interesse em proteger os salários de seus membros.

López Obrador foi eleito com votação expressiva e tem maioria no Congresso e no Senado — algo inédito no México desde 1997.

09
Ago18

Días decisivos en Brasil: Lula y el PT presentaron su programa de gobierno

Talis Andrade

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por Juraima Almeida

 


Todo indica, por ahora, que el 7 de octubre habrá elecciones presidenciales en Brasil; el 15 de agosto vence la fecha para presentar las candidaturas; Luis Inácio “Lula” da Silva, es el candidato con mayor intención de voto pero está preso desde el 7 de abril, en cumplimiento de una condena que tiene una pena de 12 años emanada de un Tribunal de Segunda Instancia, por los delitos no probados de corrupción y lavado de dinero.

 

Hay varias alternativas posibles de aquí a octubre: Una: Que la candidatura de Lula sea aceptada por el Tribunal Electoral cuando se presente el 15 de agosto. Si se diera esa condición adquieren mucha importancia las encuestas que indican que Lula encabeza la intención de voto con un 30%, seguido por el candidato ultraconservador Jair Bolsonaro con 21,8%, y la ambientalista Marina Silva les sigue con el 9,2%.


Dos, que la candidatura de Lula no sea admitida, dado que la Justicia Electoral no acepta candidaturas de personas condenadas en segunda instancia. Para ese supuesto las intenciones de voto están a favor de Bolsonaro con el 23,6%, le sigue Silva con el 14,4% y Ciro Gomes, del socialdemócrata Partido Democrático Laborista, con el 10,7%.


Tres: Que el Partido de los Trabajadores (PT) cambie su decisión y presente una candidatura avalada por Lula. En ese caso, no hay datos disponibles en las encuestas y sondeos. Y cuarto: Que la situación derive en apelaciones, impugnaciones y conflictos de poderes que vuelva inestable la situación e impreciso o imposible de ejecutar el resultado que las urnas indiquen… y los militares tomen el poder.


Mientras, La Corte Penal Internacional (CPI) de La Haya, hizo una declaración la última semana considerando al expresidente Lula como un preso político y exigiendo la inmediata libertad del mismo por sufrir una persecución política.

 

El Partido de los Trabajadores (PT) lanzó el sábado 4, en San Pablo, la candidatura de Luiz Inacio Lula da Silva a la presidencia de Brasil, para “transformar a la nación sudamericana en un mejor lugar para vivir”. Lula está preso en Curitiba desde el 7 de abril, luego de que el juez Moro lo condenara a nueve años y seis meses de prisión por la causa Lava Jato.


Mientras tanto, la imagen del presidente de facto, Michel Temer,que destituyó a través de un golpe parlamentario a Dilma Rousseff sigue en picada. Esta encuesta reflejó que un 82 por ciento de los encuestados considera que su gobierno es “muy malo o pésimo”, mientras que apenas un tres por ciento piensa que es “óptimo o bueno”.


Por otro lado, La Corte Suprema de Brasil anunció esta semana que revisará en los próximos días el recurso de amparo presentado por los abogados del expresidente antes del 15 de agosto, fecha en que vence el plazo para inscribir las candidaturas a las elecciones presidenciales. El magistrado Edson Fachin fue designado esta semana para formar parte del Tribunal Superior Electoral (TSE) y además de estar encargado de revisar el recurso evaluará la documentación relativa a la presentación de las candidaturas de los otros postulantes. El magistrado pidió por redes sociales,”celeridad” en el caso de Lula.


El presidente del TSE, Luiz Fux, quien volvió a señalar la intención de la Justicia para evitar la participación de Lula en la elección. Fux declaró que habría una “inelegibilidad” evidente en la candidatura de Lula. La más reciente muestra de solidaridad que recibió Lula es la bendición del papa Francisco transmitida ayer por el ex canciller Celso Amorín.

 

Constituyente, la propuesta de Lula y el PT

 

El Partido de los Trabajadores (PT) de Brasil presentó el sábado 4 el plan de Gobierno de Lula (2019-2022) al pueblo brasileño, en el que un proceso constituyente libre, democrático, soberano, unicameral, fruto de un intenso debate sobre el futuro de la nación. Dividido en ocho ejes, el nuevo programa de Gobierno pretende superar los problemas de inversión pública causados por el presidente de facto Michel Temer, tales como la inflación, el desempleo y el aumento de la pobreza extrema.


El plan propone un impuesto sobre la renta justo, insiste en objetivo de promover la soberanía nacional y popular, reanudar la política exterior activa, centrándose en la integración y el diálogo multilateral, promover la democracia, el pluralismo y la diversidad y profundizar la democracia y empoderar la ciudadanía, activándola a través de los dispositivos existentes en la Constitución, tales como el plebiscitos y referendo.


Asimismo, propone la promoción y la afirmación de los derechos de los ciudadanos fue unos de los puntos afectados con el golpe de Estados producido contra Dilma Rousseff, y señala que el próximo Gobierno se concentrará en la democracia y los derechos humanos como interdependientes con la lucha contra la criminalización de los movimientos sociales.


Asimismo se compromete con políticas centralizadas en la mujeres y la promoción de la igualdad racial, así como el derecho de los jóvenes, la población de Lesbianas, Gays , Transexuales y Intersexuales (Lgbti), niños , la tercera edad, personas con discapacidades, pueblos originarios, el campo y las aguas.


Señala que se buscará la defensa y la promoción de los derechos a la comunicación de la sociedad, que las comunicaciones sean libres de control de los gobernantes y los grupos económicos, asegurando de esta manera la libertad de prensa, el pluralismo y el acceso a fuentes diversificadas e independientes de información. E insiste en fortalecer la importancia de la universalización de la Banda Ancha, la consolidación del Marco Civil de Internet, el fortalecimiento de medios comunitarios y la desconcentración de las inversiones publicitarias estatales.

 

Sobre los derechos sociales, indica que el Pueblo más pobre volverá a ser prioridad a través de la reanudación de la ampliación del acceso a los derechos sociales con un nuevo modelo de gestión pública y delegación de recursos financieros para estados y municipios, que considere sus limitaciones institucionales, con el regreso de la educación y la salud pública, y poniendo como prioridad superar la pobreza extrema.


El PT promocionará una economía de bajo impacto ambiental y alto valor agregado, que garantice el derecho a la alimentación sana, al agua y al saneamiento, además de la producción de alimentos saludables, con reducción de agrotóxicos. También promete la promoción de la reforma agraria y los derechos humanos en el campo. En materia de educación se priorizará la educación media, derogando la reforma implantada por el gobierno de facto.


Lucha de clases disfrazada de religiosa


No es sólo en Brasil sino en toda América latina, la tendencia general de esta fase dominada por el gran capital financiero es la restricción de la democracia, el aumento de la represión, el auge del racismo y el odio de las clases dominantes a los dominados que, debido a las migraciones internas e intrarregionales, se diferencian cada vez más de sus opresores por sus características étnicas o religiosas.


La mayoría de los ricos son blancos y miembros de las Iglesias dominadoras tradicionales (anglicanos, católicos, judíos) mientras en los sectores plebeyos hay blancos pobres pero la mayoría son indígenas, mestizos o negros que pertenecen a minorías religiosas o no creen en dioses. La lucha de clases aparece, por lo tanto, disfrazada de una oposición entre religiones y entre etnias y esa barrera ideológica puede aparecer ante todos como más importante que la división en clases, señala el analista Guillermo Almeyra.

 

Añade que un vasto sector capitalista teme en Brasil la recesión y la corrupción crecientes y comprobó la peligrosa impopularidad de Temer y del sistema capitalista. La prensa más reaccionaria toma ya abiertamente distancias del gobierno y no cree en la continuidad de la línea dura y represiva de la derecha tradicional o de la ultraderecha evangelista-fascista del candidato Jair Borsonaro. Aumentan así las condiciones necesarias para un golpe militar dentro del golpe parlamentario de Temer porque las diversas fracciones burguesas no pueden concretar un pacto y, en cambio, comienzan a temer un peligro de izquierda.


Para Almeyra, otra opción posible para los capitalistas brasileños sería la repetición de la salida mexicana de la crisis política cooptando una fuerza popular y de masas (el PT) pero con la garantía de que Lula mantenga una posición mucho más conservadora y limitada que la de López Obrador, una opción que parecen manejar en el Departamento de Estado y del Pentágono estadounidense en la urgencia de evitar el crecimiento de una radicalización que se expresó ya en el entierro masivo de Marielle Franco, concejal asesinada de Rio de Janeiro, favelada, lesbiana, mulata…

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*Investigadora brasileña, analista asociada al Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico (CLAE, www.estrategia.la)

 

05
Jul18

MODELO LAVA JATO ESPALHA-SE NA AL PARA SUFOCAR ESQUERDA

Talis Andrade

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Mais de 50 anos depois, as elites americanas trocam o modelo golpe de Estado militar pelo de golpe de Estado sob comando dos juízes em toda a América Latina. A Lava Jato torna-se uma diretriz continental, sob orientação dos EUA, como foi a Operação Condor nos anos de 1980; Brasil, Paraguai, Argentina, Equador e México são os alvos até o momento

 

247 com Tijolaço - 50 anos depois da onda dos golpes militares e das ditaduras abertas na América Latina para sufocar os governos e líderes de esquerda na região, as elites da região criaram um novo modelo que se espalha: a Lava Jato. Em vez de militares, juízes, em muitos casos com apoio de parlamentos e executivos controlados pela direita. Da mesma maneira que no caso dos golpes militares, a "tecnologia" desenvolveu-se no Brasil (1964), com um pequeno ensaio no Paraguai (1954), e foi usada na Bolívia (1964), Peru (1968), Equador (1972), Chile e Uruguai (1973), Argentina (1966 e 1976) e em toda a América Central.

 

Repete-se o cenário, com o modelo Lava Jato: Brasil (2014), Argentina (2016) e Equador (2018). Os alvos são as maiores lideranças de esquerda nestes países: Lula, Dilma, Cristina Kirchner e Rafael Correa. Como no caso dos golpes militares, houve um ensaio prévio no Paraguai, com o golpe contra o presidente Fernando Lugo em 2012. Da mesma maneira que a Operação Condor (aqui), uma articulação político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul sob o comando operacional do Brasil e a coordenação da CIA dos Estados Unidos, a Operação Lava Jato na região acontece sob a liderança do Brasil e a coordenação dos Estados Unidos, com uma intensa troca de informações e contatos entre os juízes, promotores e procuradores dos países da região com instituições públicas e privadas norte-americanas.

 

Um caso pouco conhecido no Brasil é o do presidente eleito do México, vitorioso no último domingo, López Obrador, sofreu um processo similar entre 2004 e 2005, quando era prefeito da Cidade do México, um cargo que tem importância estratégica no país. O então prefeito sofreu uma acusação ao estilo "pedaladas fiscais" quando tentaram derrubá-lo. A acusação foi a de violar uma ordem judicial que exigia a suspensão da construção de uma rua em um terreno expropriado anos antes, por governos anteriores. Embora as obras tenham sido suspensas, alegou-se que o cumprimento da ordem havia sido dilatório e López Obrador era diretamente responsável por ela -a similaridade com o processo de Dilma é espantosa. Tentaram retirar-lhe o foro a que tinha direito como prefeito para levá-lo a processo na Justiça Comum (como no caso da Lava Jato), o que de fato aconteceu, mas diante das manifestações populares em protesto o então presidente de direita, Vicente Fox, recuou e o caso acabou encerrado, com a vitória de Obrador e dos democratas mexicanos. Leia sobre o caso aqui e aqui.

 

 

Juízes substituíram militares na nova onda

de dominação na América Latina

correa juiz safado cachorrinho do tio sam.jpg

 

 

por Fernando Brito

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A ordem de prisão contra o ex-presidente Rafael Correa, do Equador, é o novo capítulo das farsas judiciais que são uma versão "reciclada" da onda de golpes militares com que, nos anos 60 e 70, a direita conseguiu reempalmar o poder numa América Latina que já não podia ser contida por governos oligárquicos.

 

O motivo, claro, oscila entre o fantástico e o pueril. Seria uma ordem de "sequestro" dada por Correa contra um opositor, apontado como "mentor intelectual" de uma rocambolesca tentativa (frustrada) de um equatoriano que fazia parte do círculo do ex-presidente colombiano – e arqui-inimigo de Correa – Álvaro Uribe.

 

Evidente que não tem lógica pensar que um presidente com prestígio político para reeleger-se, vencer plebiscitos e eleger seu sucessor – embora este já se tenha bandeado de lado – iria meter-se numa aventura com áreas de pastelão policial.

 

Como é absurdo que Correa, tendo se apresentado no consulado equatoriano na Bélgica, onde está, para cumprir a ordem judicial de apresentar-se às autoridades, ser considerado "foragido" e ter a prisão pedida à Interpol.

 

Mas tem toda a lógica observar como o Poder Judiciário, em toda América do Sul, está sendo transformado no instrumento de destruição das lideranças que, eleitas, se forjaram como ferramentas de afirmação de suas nações.

 

Exatamente, como foram há 40 anos, as ditaduras militares no continente.

 

Cristina Kirchner, Lula, agora Correa, não são enfrentados na política e nas urnas, mas no juízo dos tribunais, habitados pela mesma elite que jamais se conformou com a inclusão das massas na existência nacional.

 

No nosso caso, em aceitar que o Brasil tem 210 milhões de habitantes, não 50 ou 60 milhões que "existem".

 

Alguém, no Facebook, falou em "Plano Condor 2.0" referindo-se às ações militares e policiais para exterminar as lideranças progressistas da América Latina, e não sem razão.

 

Afinal, porém, só conseguirão, como aquelas, retardar o tempo, jamais fazê-lo parar ou retroceder.

 

 

 

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