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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

03
Set22

Kirchner explica a Dilma o motivo de arma ter falhado em atentado

Talis Andrade

Dilma Rousseff ligou para Cristina Kirchnet na manhã desta sexta, após tentativa de atentado (Foto: Dario Oliveira /Anadolu Agency/Getty Images)

Dilma Rousseff ligou para Cristina Kirchnet na manhã desta sexta, após tentativa de atentado (Foto: Dario Oliveira /Anadolu Agency/Getty Images)

 

por Yahoo! Notícias - Cristina Kirchner contou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) porque a arma não disparou, o que evitou um assassinato. As duas se falaram ao telefone na manhã desta sexta-feira (2), quando a petista ligou para a vice-presidente da Argentina.

Segundo informações do jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, Cristina afirmou que escapou “por um milagre”. Além disso, a política argentina contou que, segundo a política, a arma estava funcionando, mas, o homem estava nervoso e, por isso, não conseguiu atirar.

Cristina detalhou que Fernando Sabag Montiel se atrapalhou quando iria disparar e não puxou o gatilho direito. Por isso, a bala não entrou no tambor da arma que estava utilizando, uma Bersa calibre 32.

O revólver tinha cinco balas, mas nenhuma entrou na câmara da pistola.

Dilma Rousseff ligou para Cristina Kirchnet na manhã desta sexta, após tentativa de atentado (Foto: Dario Oliveira /Anadolu Agency/Getty Images)

Cristina Kirchner contou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) porque a arma não disparou, o que evitou um assassinato. As duas se falaram ao telefone na manhã desta sexta-feira (2), quando a petista ligou para a vice-presidente da Argentina.

Segundo informações do jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, Cristina afirmou que escapou “por um milagre”. Além disso, a política argentina contou que, segundo a polícia, a arma estava funcionando, mas, o homem estava nervoso e, por isso, não conseguiu atirar.

Cristina detalhou que Fernando Sabag Montiel se atrapalhou quando iria disparar e não puxou o gatilho direito. Por isso, a bala não entrou no tambor da arma que estava utilizando, uma Bersa calibre 32.

O revólver tinha cinco balas, mas nenhuma entrou na câmara da pistola.

 

Brasileiro é preso ao tentar atirar contra Cristina Kirchner

 

Homem, apontado pelo governo argentino como sendo um brasileiro de 35 anos, foi preso após tentar atirar contra Cristina Kirchner, vice-presidente da Argentina. (Foto: Reprodução)

 

O homem foi preso após apontar uma pistola a poucos metros do rosto da vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Fontes do governo argentino afirmaram, segundo o jornal El Clarín, que o autor da tentativa de ataque é um brasileiro de 35 anos e com passagens pela polícia por porte de arma de fogo.

Ainda segundo o jornal "Clarín", o ministro da Segurança, Aníbal Fernández, o homem seria Fernando Andrés Sabag Montiel. A arma teria falhado e a vice-presidente não foi ferida.

Canais de TV captaram as imagens de quando a ex-presidente deixava seu carro, rodeada por uma multidão de apoiadores. Em determinado momento, ela abaixa a cabeça quando alguém com o que parece ser uma pistola se aproxima a menos de 1 metro dela. Imagens publicadas nas redes sociais mostram o momento de diversos ângulos.

O ministro da Segurança, Aníbal Fernández, disse que o homem estava armado com uma pistola 3.8 e que ele teria tentado atirar, sem sucesso. Segundo a emissora C5N, a arma teria falhado. O presidente Alberto Fernández deve fazer um pronunciamento ainda na noite desta quinta.

Momentos depois do ataque, a oposição divulgou um comunicado pedindo uma investigação urgente e condenando o que chamou de ato de violência.

Há mais de uma semana, a residência de Cristina se transformou em ponto de encontro de manifestantes pró e contra a ex-mandatária. Os protestos começaram quando o promotor Diego Luciani pediu uma pena de prisão de 12 anos para a política, que é acusada de chefiar um esquema de associação ilícita e fraude ao Estado no período em que foi presidente (2007-2015).

Argentina: um revólver contra a democracia

 
 
14
Dez21

Lula na Argentina: um caminho para a retomada do crescimento da América Latina

Talis Andrade

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Por Paulo Pimenta 

A viagem do Presidente Lula para a Argentina é um reencontro do maior líder popular da América Latina com um povo que lhe ama e com quem ele tem uma relação histórica de afeto, admiração e parceria. Em 2002, quando venceu a eleição no Brasil, a Argentina foi o primeiro país visitado por Lula, antes mesmo de sua posse e da histórica viagem aos EUA, quando anunciou ao mundo que o Brasil iniciava uma nova etapa da sua trajetória e de seu papel no cenário internacional.

O líder operário, metalúrgico brasileiro, nunca escondeu seu apreço pelo povo argentino. Sua paixão por tudo que faz, sua capacidade de emocionar e fazer do coração a bússola de sua conduta encanta Lula, que em certa medida se enxerga no povo vizinho.

Sua admiração por Maradona, Papa Francisco, Néstor e Cristina Kirchner, pavimentaram os caminhos para essa sólida amizade com Alberto Fernández, reforçada pela coragem do atual presidente argentino, que mesmo durante a duríssima campanha eleitoral que enfrentou, fez questão de visitar Lula em Curitiba em um dos momentos mais difíceis das injustiças patrocinadas por Sergio Moro e a Lava Jato.Lula parabeniza Fernandez/Kirchner pelo resultado das primárias na  Argentina | Partido dos Trabalhadores

Lula sempre teve muito claro o papel estratégico e decisivo do Brasil para a possibilidade de uma mudança estrutural nas condições econômicas, políticas e sociais da América do Sul. Em várias oportunidades fez questão de ressaltar que nunca pensou um projeto de desenvolvimento e justiça social sem que os países vizinhos tivessem oportunidade de crescer junto, criar oportunidades, distribuir renda e proporcionar políticas de inclusão das camadas mais humildes, há tantos séculos vítimas da desigualdade e da injustiça estrutural que marcou a formação econômica da América do Sul, portuguesa e espanhola.

Durante seu governo, em que pese os esforços no sentido de fortalecimento dos BRICS, da presença ativa no G8 e no G20, Lula dedicou um tempo precioso para o fortalecimento do Mercosul e da UNASUL. A década em que Lula presidiu o Brasil foi, sem dúvida, o período mais importante e transformador em toda a história do continente. Todos os estudos realizados revelam que foi nesta década que a desigualdade foi mais combatida na América do Sul, possibilitando políticas de inclusão, distribuição de renda e combate à fome.

Lula no Brasil, Kirchner na Argentina, Tabaré Vázquez e Mujica no Uruguai, Rafael Correa no Equador, Evo Morales na Bolívia, Lugo no Paraguai e Chávez na Venezuela possibilitaram um momento de afirmação de projetos nacionais e de rompimento da relação histórica de submissão aos interesses norte-americanos no Conesul. 

Este movimento provocou marcas profundas e irreversíveis, especialmente no sentimento de pertencimento, de soberania e de certeza de que os países sul-americanos, unidos, possam formar um bloco econômico e político capaz de mudar esta realidade secular.

A presença de Lula na Argentina, o maior parceiro comercial do Brasil no Conesul, é, na realidade, um reencontro do líder brasileiro com os seus compromissos com a América do Sul como um todo. O desejo de pensar um projeto de desenvolvimento para o Brasil, que seja também uma oportunidade de mudanças estruturais em toda a região e o fortalecimento de parcerias econômicas e culturais.

O Brasil, como principal força econômica e política do continente, durante o governo de Bolsonaro, virou as costas para Argentina, para seus países vizinhos e aprofundou a subserviência aos interesses norte-americanos. No período mais crítico da pandemia, tratou com desprezo os irmãos sul-americanos, enquanto reafirmava, de forma permanente, sua sabujice e disposição de cumprir um papel de capitão do mato dos interesses dos EUA na região. Lula faz exatamente o contrário, abre os braços e reafirma de forma pública o seu entusiasmo em promover esse reencontro.

Lula foi recebido na Argentina como um chefe de estado, as manifestações de carinho de apreço e de afeto nos locais onde o líder político brasileiro circula, permitem com que ele agradeça a solidariedade do povo Argentino, principalmente dos trabalhadores e trabalhadoras, do governo de Alberto Fernández e Kirchner e de suas bancadas parlamentares, que sempre se manifestaram a seu favor no período em que foi perseguido pela Lava Jato e por setores da mídia tradicional.

Após sua viagem para a Europa, onde Lula demonstrou que o Brasil pode retomar seu espaço e protagonismo no cenário internacional, tão prejudicado a partir do golpe contra Dilma e pela desastrosa gestão de Bolsonaro, a presença de Lula na Argentina tem por objetivo mostrar que o projeto pensado para o Brasil não é individual. O projeto de Brasil pós-golpe e pós-Bolsonaro é pensado sob a ótica de fortalecimento regional e um intenso processo de mudanças estruturais na América do Sul.

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11
Dez21

Argentinos cantam que Lula "vai voltar" durante ato em Buenos Aires

Talis Andrade

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Blog do Noblat
O primeiro grande comício de Lula candidato foi em Buenos Aires. “Ele vai voltar”, gritou a multidão reunida pelo governo argentino para celebrar na Praça de Maio o Dia da Democracia (Por Ricardo Noblat)

 

por Pedro Grigori /Correio Braziliense

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O segundo dia de compromissos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Argentina terminou com um coro em apoio ao petista. A multidão presente na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, cantou “vamos voltar, Lula vai voltar” logo após discurso da vice-presidente argentina Cristina Kirchner.

“Veja, companheiro, sempre que cantaram isso acertaram a previsão”, disse Kirchner ao petista. O presidente da Argentina, Alberto Fernández , e o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica, também fizeram parte do evento em comemoração aos 38 anos da recuperação da democracia da Argentina.

Lula discursou para a multidão e agradeceu a solidariedade do povo argentino e do presidente Fernandez durante o período que esteve preso.

“O companheiro Alberto Fernández era candidato a presidente e teve coragem de ir na cadeia me visitar, mesmo eu pedindo para ele tomar cuidado, porque talvez não fosse prudente para um candidato. E Alberto disse: ‘Diga a Lula que vou visitá-lo com muito orgulho e que quero dar uma entrevista, depois que sair da prisão, para que todo o povo argentino saiba que, independentemente das eleições, eu sou humanista, defendo os direitos humanos e quero defender a liberdade do companheiro Lula, que está preso injustamente’”, lembrou o petista. (crédito: Reprodução/Twitter @alferdez)

Os presidentes Mujica (Uruguai), Alberto Fernandez, Cristina Kirchner (Argentina) e Lula (Brasil)

 

O segundo dia de compromissos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Argentina terminou com um coro em apoio ao petista. A multidão presente na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, cantou “vamos voltar, Lula vai voltar” logo após discurso da vice-presidente argentina Cristina Kirchner.

"Veja, companheiro, sempre que cantaram isso acertaram a previsão”, disse Kirchner ao petista. O presidente da Argentina, Alberto Fernández , e o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica, também fizeram parte do evento em comemoração aos 38 anos da recuperação da democracia da Argentina.

Lula discursou para a multidão e agradeceu a solidariedade do povo argentino e do presidente Fernandez durante o período que esteve preso.

“O companheiro Alberto Fernández era candidato a presidente e teve coragem de ir na cadeia me visitar, mesmo eu pedindo para ele tomar cuidado, porque talvez não fosse prudente para um candidato. E Alberto disse: ‘Diga a Lula que vou visitá-lo com muito orgulho e que quero dar uma entrevista, depois que sair da prisão, para que todo o povo argentino saiba que, independentemente das eleições, eu sou humanista, defendo os direitos humanos e quero defender a liberdade do companheiro Lula, que está preso injustamente’”, lembrou o petista.

Lula também disse que a América do Sul viveu o melhor momento durante os anos 2000 e 2012, período em que progressistas presidiam grande parte dos países do continente. “Esses companheiros progressistas, socialistas, humanistas fizeram parte do melhor momento de democracia da nossa Pátria Grande, a nossa querida América Latina”, afirmou.

“Nossa querida América do Sul viveu seu melhor período de 2000 a 2012, quando nós governamos democraticamente todos os países do continente, quando nós expulsamos a Alca e firmamos o Mercosul, criamos a Unasul e a Celac”, acrescentou.

Mais cedo, o ex-presidente do Brasil recebeu o Prêmio Azucena Villaflor, que homenageia cidadãos pela trajetória na defesa dos direitos humanos.

La cálida recepción que recibió el expresidente habría irritado a Jair Bolsonaro

Los ecos en Brasil del viaje de Lula da Silva a Argentina 

Mientras el líder del PT toma impulso a partir de su prestigio internacional, el presidente brasileño busca convertir a su país en una mecca para negacionistas

Reportagem de Dario Pignotti, in Página 12, aqui

 

10
Dez21

Lula da Silva: Moro e Bolsonaro, dois fascistas que "terão de disputar entre si" para disputar com o PT o segundo turno

Talis Andrade

 (Fuente: Claudio Santiesteban) Imagen: Claudio Santiesteban

 

Lula, candidato a presidente no próximo ano, em entrevista ao portal Página 12, comparou o ex-juiz parcial Sergio Moro a Jair Bolsonaro.

Lula disse que Moro é “perigoso” e neofacista, que Bolsonaro é “fascista”.

“São dois personagens muito comprometidos com a extrema direita e, no caso de Moro, é um personagem perigoso. Quando era juiz, ousou mentir em um processo para me condenar e me levar para a prisão, evitando que eu fosse eleito presidente em 2018″, disse o ex-presidente.

“Então, eu diria que são dois extremistas, Bolsonaro é fascista e Moro é neofascista. Os dois vão tentar mentir para a sociedade o tempo todo. Eles terão que disputar entre si para quem vai ao segundo turno com o PT. […] Quantas mentiras eles podem contar aos brasileiros?”

Lula também falou sobre a possibilidade de uma “segunda onda” na América Latina com a volta de governos progressistas na América Latina, citando México, Argentina e Bolívia. “Acredito que os setores progressistas podem vencer no Chile, que temos muitas possibilidades no Brasil, que a vitória de Luis Arce foi uma vitória extraordinária da Bolívia, e tem o Peru sob Castillo”, disse.

Lula: "Brasil vive una situación que no creía que volvería a vivir, con 19 millones de personas que pasan hambre"

 
Por Mercedes López San Miguel /Página 12

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Desde San Pablo

Sentado en su despacho en el Instituto Lula, Luiz Inácio Lula da Silva recibió a PáginaI12 con un mapamundi detrás. Las relaciones internacionales, la necesidad de explicar al mundo cómo serán superados los años traumáticos del Brasil de Jair Bolsonaro, son un pilar de la estrategia de este expresidente reconocido por la reducción de la pobreza. Su lugar de trabajo en el barrio Ipiranga de San Pablo se convirtió en destino de peregrinos de la política, la academia y el arte, que lo visitan a diario. El exmandatario concedió esta entrevista horas previas a aterrizar en Buenos Aires para participar en el acto multitudinario que encabezarán Alberto Fernández y Cristina Fernández celebrando la recuperación de la democracia, hace 38 años.

El líder brasileño es consciente de los problemas de Argentina, en donde además del acto de este viernes realizará varias actividades con líderes sindicales y organismos de derechos humanos. "Alberto Fernández recibió la deuda de la presidencia de Macri y entonces el pueblo argentino va a tener que tener mucha paciencia. La pandemia hizo otro tanto, pero creo que es posible que la economía argentina se recupere, que se generen empleos y mejoren los salarios para que la gente sea más feliz".

Será clave la negociación con el Fondo Monetario Internacional. Al respecto, Lula da Silva sostuvo: "esperemos que el Fondo no haga presión y llegue a un acuerdo que le permita a Argentina continuar creciendo, que permita que el pobre argentino tenga la posibilidad de recuperar su dignidad".

El candidato presidencial favorito para los comicios de octubre dijo que se va a casar el año próximo con "Janja", el apodo de su compañera Rosángela da Silva. "No es porque ella quiera. Yo necesito casarme, tengo un compromiso con ella y espero que sea antes de las elecciones". Su prometida, socióloga y militante petista, fue un gran apoyo cuando estuvo preso 580 días en la cárcel de Curitiba.

El sitio The Intercept reveló las tretas que urdieron el juez Sergio Moro y los fiscales para orquestar una condena ilegal. Al fin y al cabo, la causa Lava Jato fue anulada por el Supremo Tribunal Federal debido a la parcialidad de Moro. Al exjuez devenido en candidato Lula lo definió como "un neofascista que va a intentar mentirle a los brasileños". Moro compite por la porción electoral de Bolsonaro, a quien Lula directamente calificó de "genocida". "Brasil vive una situación que no creía que volvería a vivir, con 19 millones de personas que pasan hambre", afirmó el fundador del Partido de los Trabajadores (PT).

Mercedes López San Miguel entrevista Lula

 

--En Argentina, el macrismo dejó un enorme daño social con su política económica, en Brasil sucede eso mismo con las políticas neoliberales de Paulo Guedes. ¿Qué margen tendrá un futuro gobierno en Brasil para revertir esa herencia?

--El Partido de los Trabajadores (PT) es capaz de cambiar la situación de Brasil, necesita regresar al gobierno porque sabe poner en práctica las políticas de inclusión social, de generación de empleo, para que las personas más pobres participen del presupuesto de las ciudades y de los estados brasileños. No podemos aceptar que un país del tamaño de Brasil, que fue la sexta economía del mundo en mi gobierno, hoy sea la décimo tercera; no podemos aceptar que un país que acabó con el hambre en 2012 y hoy vea que el flagelo está tan fuerte : son 19 millones de personas que no tienen qué comer. Tanto Brasil como Argentina, como Bolivia, como Chile, precisan de gobiernos progresistas que involucren a los pobres en la participación activamente de la economía, para que puedan ser consumidores y comprar cosas y accedan a la educación. Estoy convencido de que América latina puede recuperarse. Lamentablemente personas como Néstor Kirchner y Hugo Chávez murieron, otras personas fueron violentadas como Rafael Correa y Dilma Rousseff, después de la violencia de lawfare, contra mí; el golpe contra Fernando Lugo. Los gobiernos conservadores destruyeron todo lo que nosotros construimos de bienestar social de nuestros pueblos. Sé lo que el compañero Alberto Fernández está pasando, lo que significa la deuda que Macri dejó con el FMI y de la presión de éste; por eso Alberto precisa trabajar mucho para que haya un acuerdo y que el pueblo argentino no sea víctima de los neoliberales.

 


-- ¿Qué espera de la negociación de Argentina con el FMI?

-- Es posible construir un acuerdo. El FMi fue tan benevolente con los países ricos con la crisis de 2008, entonces tiene que ser muy generoso para tratar la deuda argentina. El pueblo argentino no puede ser sacrificado.

 

-- ¿Cómo describe su relación con Cristina Fernández y Alberto Fernández?

-- Mi relación con Cristina es más antigua porque yo conviví con ella desde que Néstor Kirchner fue electo presidente de Argentina, y después con ella como presidenta. Mi relación con Alberto tuvo un momento que me conmovió y fue cuando me visitó cuando yo estaba detenido en la cárcel de Curitiba. Fue un acto de generosidad y de solidaridad de Alberto. Por eso, con mucho orgullo, voy a participar del gran acto de recuperación de la democracia en Argentina, son 38 años que deben valorarse. La victoria de Alberto y de Cristina demuestra que el pueblo no puede nunca desanimarse, que es posible para la gente recuperar la democracia en la medida en que el pueblo puede participar activamente en las decisiones. Yo tengo una estima especial por Argentina porque no concibo que Brasil crezca solo; Brasil, tiene que crecer, Argentina tiene que crecer, Uruguay lo mismo, Paraguay, Bolivia porque juntos podemos ser más fuertes. Cuando llegué a la presidencia en el 2003, el intercambio comercial entre Brasil y Argentina era apenas de 7 mil millones de dólares; cuando dejé la presidencia, era de 39 mil millones de dólares, demostrando el potencial económico y de ser socios. Para mí Argentina precisa de Brasil, y es mutuo; como necesitamos del resto de Sudamérica.

 

-- ¿Le resulta significativo que el exjuez Sergio Moro, que se presenta como candidato independiente, compita con la base electoral de Bolsonaro.?¿ Diría que son dos caras de la ultraderecha?

--Son dos personajes muy comprometidos con la ultraderecha y, en el caso de Moro, es un personaje peligroso: cuando era juez osó mentir en un proceso para condenarme y llevarme a prisión y así evitar que yo fuera electo presidente en 2018. Sigo pensando qué seriedad puede tener ese hombre para la sociedad brasileña. ¿Cuántas mentiras podrá contar a los brasileños? Entonces, yo diría que son dos extremistas, Bolsonaro es fascista y Moro es neofascista, los dos van a intentar mentirle a la sociedad todo el tiempo. Ellos van a tener que disputar entre ellos para ver quién pasa a la segunda vuelta con el PT.ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

-- Las encuestas señalan que usted ganaría el ballottage.

-- Todo indica que el PT tiene muchas posibilidades de ganar las elecciones. Tenemos que actuar con seriedad porque falta tiempo para los comicios, y entonces no podemos cantar victoria antes de tiempo. El PT tiene un legado político y económico y de inclusión social extraordinario en Brasil, vamos a intentar darle a la sociedad aquello que el PT hizo de bueno en el país. Vamos a trabajar para ganar las elecciones. De los dos que compiten conmigo, Bolsonaro, por ser presidente, tiene el uso de la maquinaria gubernamental, y Moro mismo, con ayuda de sectores de los medios que hacen el sacrificio enorme para que aparezca en las noticias. No sé si se percibe en Argentina pero aquí yo soy el mayor censurado del planeta tierra. Cualquier candidato que no sea el PT, que tiene un 1 por ciento en las encuestas, aparece más en la televisión que Lula que tiene un 46 o 47 por ciento de intención de voto. Siendo yo el que ganaría en primera o segunda vuelta, según todas los sondeos, las empresas de medios priorizan a candidatos que tienen uno o dos por ciento de intención de voto. No me preocupo porque yo tengo una relación con el pueblo muy verdadera y esto va a permitr que pueda ganar las elecciones.

 

--A propósito, qué rol cree que tienen que tener los sindicatos en los medios, como el caso de PáginaI12, en un contexto en que las corporaciones dominan la comunicación y el periodismo ?

--Estoy muy feliz con el papel del movimiento sindical en la comunicación argentina. Aquí en Brasil creamos una televisión pública, pero no recibió la inversión necesaria y ella no es hoy respetada por el gobierno de Bolsonaro. Tenemos un canal del sindicato de metalúrgicos y de los bancarios de San Pablo. Yo defiendo que los medios sean efectivamente democráticos y que las universidades y los sindicatos puedan tener canales de comunicación para conversar con la sociedad, para informarla, sea a través de la radio, la televisión, el periódico o internet. Es fundamental que la gente entienda que los medios han tenido un rol importante en la región para derrumbar a presidentes progresistas. La prensa ha apoyado golpes en Brasil, vemos cómo los medios atacan a la compañera Cristina Fernández en Argentina. Sé del comportamiento de la prensa contra Chávez y Correa. Yo sé cómo la prensa me trató en Brasil. La gente tiene que bregar por la democratización de los medios de comunicación, lo que significa garantizar que todas las personas tengan la misma oportunidad de hablar, el derecho de responder. Es una lucha muy difícil.

 

--Si usted gana las elecciones, Estima que Bolsonaro podría no reconocerlo al estilo Trump ante la victoria de Biden?

--No, no creo. Lo que va a suceder en Brasil es un golpe democrático: una gran mayoría del pueblo brasileño va a rechazar a Bolsonaro y elegirá un candidato progresista. Espero ser yo. El pueblo brasileño recuerda nuestro legado. Estoy convencido de que vamos a ganar.

 

--En México gobierna Andrés Manuel López Obrador, en Argentina, Alberto Fernández, en Bolivia, Luis Arce; podría ganar Gabriel Boric en Chile. Considera que esta es la segunda oleada de gobiernos progresistas en la región?

--Espero que sí, porque el mejor momento económico, político y social de América latina fue exactamente en el que Chile, Argentina, Brasil, Bolivia, Uruguay y Paraguay eran gobernados por políticos progresistas, presidentes que estaban preocupados por la situación de las personas más pobres. Fue un momento fuerte de inclusión social. Por eso estoy animando a que los sectores progresistas se fortalezcan para poder gobernar nuestra querida América del Sur y América latina. Creo que los sectores progresistas pueden ganar en Chile, que nosotros tenemos muchas posibilidades en Brasil, que lo de Luis Arce fue una victoria extraordinaria para Bolivia, Perú con Castillo. El pueblo está descubriendo que, incluso con muchas dificultades, los sectores progresistas gobiernan con un mayor compromiso con el pueblo trabajador y con los pobres. Creo que América latina necesita de la oportunidad de acabar con la pobreza. Nosotros somos ricos, tenemos materias primas, profesionales calificados, tenemos mucha tierra y capacidad productiva; la única cosa que lo explica es la incompetencia de muchos gobernantes que no saben gobernar para los pobres. Alberto Fernández recibió la deuda de la presidencia de Macri y entonces el pueblo argentino va a tener que tener mucha paciencia. La pandemia hizo otro tanto, pero creo que es posible que la economía argentina se recupere, que se generen empleos y mejores salarios para que la gente sea más feliz.

 

-- Está claro que usted buscará la integración regional. Qué expectativa tiene con el Grupo de Puebla?

-- El Grupo de Puebla tiene un papel muy importante, pero pienso que si los dirigentes progresistas vuelven a gobernar nuestros países, tendrán la chance de recuperar el Mercosur, de fortalecerlo, de fortalecer la Celac. Tenemos que comprender que tenemos un potencial productivo extraordinario, por eso necesitamos construir socios para hacer buenos acuerdos con la Unión Europea, con EE.UU., con China, porque necesitamos recuperar lo perdido en tiempos de pandemia. Voy a intentar reconstruir el Mercosur y crear las condiciones para que se logren acuerdos económicos que beneficien a los pobres de la región, nos merecemos recuperar en el siglo XXI todo lo que fue socavado en el siglo XX.

 

--¿Vive la victoria de Xiomara Castro en Honduras como una reivindicación histórica, tras la solidaridad de su gobierno con el destituido presidente Manuel Zelaya?

-- Zelaya fue víctima de un Golpe de estado y de los intereses de la elite; la elección ahora de su mujer es una recuperación. Espero que ella tenga suerte, que sea fuerte; espero que el Congreso tenga disposición de ayudarla. Porque es muy difícil si se tiene un congreso opositor, que logre la mayoría para poner en marcha las políticas sociales necesarias para sacar adelante a Honduras. En Brasil, en cambio, pasamos por situaciones muy difíciles porque tenemos un genocida que no cuidó la economía, descuidó al pueblo en la pandemia, no cuidó el crecimiento económico. Brasil vive una situación que no creía que volvería a vivir. Brasil ya estuvo mucho mejor, el pueblo brasileño necesita ser feliz.

10
Dez21

Lula recebe prêmio Azucena Villaflor em Buenos Aires pela luta por direitos humanos e contra o Lawfare

Talis Andrade

Lula e Fernández

Lula e o presidente Fernández na Casa Rosada

por Luciana Lima /Metrópoles

Em viagem a Buenos Aires, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebido na tarde desta sexta-feira (10/12) pelo presidente da Argentina, Alberto Fernández, na Casa Rosada, sede do governo no país vizinho.

O brasileiro participa das comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos, dedicado às vítimas da ditadura militar que vigorou na Argentina de 1976 a 1983.

Lula recebeu do governo argentino o prêmio Azucena Villaflor, que é concedido a defensores dos direitos humanos.

O título faz referência a uma das fundadoras do movimento “Madres de Plaza de Mayo”, assassinada após questionamentos sobre o paradeiro do filho, Néstor, e da namorada dele.

Segundo o PT, a motivação da homenagem aborda a luta de Lula contra a Lava Jato e “o abuso da Justiça para alcançar fins políticos e ilegítimos” no Brasil.

À noite, o petista também participará, ao lado de Fernández e da vice, Cristina Kirchner, de ato na Plaza de Mayo, em comemoração aos 38 anos de democracia no país.

Além de Lula, também estará presente o ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica.

[O governo militar de Bolsonaro não festeja o Dia Internacional dos Direitos Humanos. O governo corrupto de Bolsonaro homenageia assassinos, os torturadores Ustra e Curió, exaltados pela ministra Damares e os generais de Bolsonaro]

19
Fev21

Lava Jato e a discutível competência de Moro

Talis Andrade

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por Marcelo Auler

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Ao trazer a público, pela primeira vez, a manifestação do procurador da República do Paraná José Soares Frisch posicionando-se, em janeiro de 2014, contrário ao foro de Curitiba para os processos que resultaram na Operação Lava Jato, o documentário “Sérgio Moro: a construção de um juiz acima da lei” reavivou um debate jamais travado nas proporções que merecia: a competência do ex-juiz Sérgio Moro no caso.

Um debate que o Supremo Tribunal Federal (STF) trava, como admitiu o ministro Gilmar Mendes, terça-feira (16/02), à Nathalia Passarinho, da BBC News – Lava Jato prendeu Lula, apoiou eleição de Bolsonaro e integrou governo, diz Gilmar Mendes“Talvez aqui há falhas, talvez até da distribuição dos processos. Saber se tudo deveria ter ido para Curitiba ou se tudo que foi para Curitiba tinha a ver com corrupção na Petrobras. Discussões em torno desse assunto foram sendo amadurecidas no tempo”.

Lançado oficialmente em 8 de fevereiro, o documentário produzido pelo JornalGGN e pelo Blog Marcelo Auler-Repórter, com uma semana de exibição alcançou 120 mil visualizações. Ao reconstituir a carreira do juiz Moro resgatou-se os documentos – foram no mínimo quatro – de autoria de Frisch. Embora comentados por alguns dos envolvidos ao longo dos últimos sete anos, eles jamais haviam se tornado públicos.

Frisch, que se afastou do caso, sustentou que as ações em torno dos chamados núcleos dos doleiros deveriam tramitar na Justiça Federal de São Paulo e de Brasília, onde residiam os réus. Não no Paraná. Ele expôs:

“Da investigação se infere que, se há crimes sendo praticados pelas pessoas físicas acima arroladas, esses crimes se estão consumando no Distrito Federal. Se há operação sem autorização de instituição financeira (art. 16 da Lei 7.492/86), evasão de divisas (art. 22 da Lei 7.492/86) e lavagem de dinheiro (art. 1.º da Lei 9.613/98), tudo isso vem ocorrendo no Distrito Federal, por meio de pessoas físicas e jurídicas com domicílios no Distrito Federal. Não há um só endereço situado na área da Seção Judiciária Federal do Paraná. Não há notícia de qualquer crime praticado especificamente no Paraná pelo suposto grupo criminoso comandado por Carlos Habib Chater.” (negrito do original)

Claro que ele não foi ouvido. Moro não queria abrir mão do filão. As manifestações de Frisch ocorreram em pedidos que, embora tivessem oficialmente os doleiros como alvo, miravam além. Tanto que três dias depois de iniciada a Operação Lava Jato em 17 de março de 2014, surgiu a prisão do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Resquício do mensalão

Delegado Gerson Machado, no depoimento ao Documentário “Sérgio Moro: a construção de um juiz acima da lei”

 

Os doleiros foram descobertos a partir do trabalho iniciado oito anos antes, pelo delegado Gerson Machado, da Polícia Federal em Londrina (PR). Nenhum dos crimes, porém, como apontou o procurador, ocorreu naquele estado.

Machado foi quem primeiro esbarrou nas ligações de Youssef e do então deputado Janene com o doleiro Chater, dono do famoso Posto da Torre, em Brasília, origem do nome da Operação Lava Jato. A ligação deu-se a partir da remessa de valores de Brasília para Curitiba, que o delegado apontou como provenientes do escândalo do Mensalão. Em outras palavras, verbas distribuídas por Marcos Valério a políticos de matizes ideológicas diversas, caracterizadas como fruto de corrupção.

O trabalho do delegado Machado, em 2006, segundo definiu a defesa do doleiro Chater, na época a cargo do escritório Figueiredo & Ranña Advogados Associados, tinha “o escopo de apurar suposta relação entre Alberto Youssef e o então Deputado Federal José Mohamed Janene”. No entendimento dos advogados – e não apenas os que defendiam Chater – isto era visto como uma artimanha.

Tinha o “propósito claro de evitar futuros questionamentos sobre deslocamento de competência por prerrogativa de foro, dita representação, formalmente, ambicionava investigar apenas Stael Fernanda Rodrigues Janene (esposa do deputado), Rosa Alice Valente (assessora parlamentar do deputado) e Meheidin Hussein Jennani (primo e assessor do deputado)”, como alegaram os advogados no Habeas Corpusimpetrado a favor do cliente que chegou até o Supremo Tribunal Federal (STF). Ou seja, sem poder investigar deputados com foro especial, alegaram que investigavam a mulher e o assessor do parlamentar. Para os advogados caracterizava-se uma simulação do então juiz Moro para usurpar poderes do STF:

“(…) a tentativa de ignorar a existência de um deputado federal, no âmbito das investigações, àquela época, já denotava, permissa venia, o primeiro movimento concreto com vistas a usurpar competência jurisdicional da colenda Corte Suprema, suprimindo regras processuais consolidadas, como se aquele eminente juiz fosse o único magistrado do país apto a conduzir inquéritos ou julgar processos que tratam de crimes financeiros, firmando sua competência universal, em todo o território nacional, em manifesta violação aos princípios e garantias inerentes a todo Estado Democrático de Direito.”

Machado rebate tais insinuações. Explica que tudo começou com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, de 2004, apresentando movimentações financeiras atípicas de dois assessores parlamentar. Era a esposa de Janene, Stael Fernanda, Rosa e Jennani, este último também primo do deputado. Nesta investigação, em maio de 2006, o delegado fez busca e apreensão no escritório do parlamentar em Londrina, na chamada operação LavaDuto. Depois o caso ficou parado até novembro de 2008, quando surgiu um e-mail anônimo dando conta dos investimentos de Janene na Dunel Indústria e Comércio.

No caso específico seriam recursos destinados ao parlamentar do PP em Londrina. Partiram das contas bancárias de duas empresas de Chater – Angel Serviços Terceirizados Ltda. e Torre Comércio de Alimentos Ltda.. Foram destinados, nos anos de 2006/2007, por orientação de Janene, à conta da Dunel, sediada em Londrina (PR), na qual ele ingressou na sociedade. Era um negócio de Janene, como o próprio dono da Dunel, Hermes Freitas Magnus, confirmou ao delegado. A suspeita de Hermes apareceu o verificar que o investimento feito pelo parlamentar (que renunciou ao final de 2006) foram intermediados por Chater. O dinheiro aportado na compra de equipamentos não partiu da empresa do parlamentar do PP, mas de empresas ligadas ao doleiro de Brasília. Típicas negociatas do submundo do câmbio negro.

Curiosamente, em 2008, tal como informou Joaquim de Carvalho na reportagem “É preciso acertar a cabeça do Lula”: desmascarada, Lava Jato dá os últimos suspiros”, no Brasil-247, a procuradora da República Letícia Pohl Martello, esposa do também procurador Orlando Martello, que depois se acoplaria à Força Tarefa da Lava Jato, em uma manifestação atestava no Inquérito 2006.70.00.0186628:

As diligências perpetradas até o presente momento visando à obtenção de provas quanto a eventual vínculo entre Alberto Youssef e José Janene para a prática do delito de lavagem de dinheiro restaram infrutíferas”, disse ela, em setembro de 2008.

“Este órgão ministerial não vislumbra outras diligências a serem realizadas”, acrescentou. No entanto, ela requereu o retorno dos autos à Polícia Federal, “a fim de que indique se vislumbra outras diligências”.

Investigação paralisada até a volta de Moro

 

Em 2008 surgiu o e-mail com a denúncia anônima, que de forma clara relacionava o já então ex-deputado aportando dinheiro na Dunel, através do doleiro Youssef, com a ajuda de Chater. Mas, em 2009, diante da falta de estrutura da Delegacia da Polícia Federal em Londrina, estes inquéritos foram enviados para a Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros (Delefin) na Superintendência do DPF, em Curitiba. Ali já estavam o ex-escrivão de Machado em Londrina, agora no posto de delegado federal, Marcio Adriano Anselmo, e ao lado dele a delegada Erika Mialik Marena. Ambos, porém, nada fizeram.

Somente em 2013, quando Moro retornou à Vara de Curitiba após assessorar Rosa Weber no Supremo, é que o caso foi retomado. Tanto assim que, em Curitiba, o IPL 714/2009 originário da investigação aberta em Londrina por Machado, ao ser tombado na Delefin recebeu um novo número: 1041/2013. Machado, como falamos no Documentário, acabou perseguido por Janene, Youssef e o advogado deste, Antônio Augusto Figueiredo Basto e não contou com o apoio de Moro nem do procurador Deltan Dallagnol.

Foi quando a depois denominada Força Tarefa da Lava Jato, a partir dos dados levantados por Machado anos antes, relacionou os doleiros suspeitos em quatro núcleos. Cada qual deles titularizado pelo suposto chefe: Carlos Habib Chater (processo principal 5001438-85.2014.404.7000); Raul Henrique Srour (processo principal 5001443-10.2014.404.7000); Nelma Mitsue Penasso Kodama (processo principal 5001461-31.2014.404.7000); e Alberto Youssef (processo principal 5001446-62.2014.404.7000).

Deles, o único natural do Paraná era Youssef. Mesmo assim, desde que foi beneficiado por Moro ao fazer delação premiada em 2003 no Caso Banestado/CC5, ele fixou residência no bairro Vila Nova Conceição, em São Paulo (SP).

A partir de então a denominada Força Tarefa de Curitiba, comandada por Moro, sustentou que Chater teria usado o Paraná para a lavagem de dinheiro proveniente de crime contra a administração pública. O necessário para atrair o caso para a 2ª Vara Federal Criminal, especializada em crimes financeiros. E para atrair à jurisdição do juiz de Curitiba os casos envolvendo os doleiros. Logo em seguida, chegaram também à Petrobras, tal como fica claro na denúncia apresentada em 2014, nos autos do processo 5026212-82.2014.404.7000, na qual constam o doleiro Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Dela se extrai:

A investigação inicialmente apurou a conduta do “doleiro” CARLOS HABIB CHATER e pessoas físicas e jurídicas a ele vinculadas, ligada a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o ex-deputado federal José Mohamed Janene e as empresas CSA Project Finance Ltda. e Dunel Indústria e Comércio Ltda.. Porém, posteriormente, o objeto da apuração foi ampliado para diversos outros doleiros, que se relacionavam entre si para o desenvolvimento das atividades, mas que formavam grupos autônomos e independentes, dando origem a quatro outras operações.

(…) Posteriormente, foi identificada a necessidade de desmembramento em seis denúncias, desmembrando-se o feito em relação ao denunciado PAULO ROBERTO COSTA em razão do surgimento de provas de atuação da organização criminosa em contratos da PETROBRAS.” (negritos do original)

Esse interesse por manter os doleiros na jurisdição da 2ª Vara Federal foi percebido pelas defesas dos réus. Tanto que a de Chater, a cargo do escritório Figueiredo & Ranña Advogados Associados, registrou em Recurso em Habeas Corpus levado ao Supremo Tribunal Federal ainda em 2014, referindo-se aos documentos da investigação retomada em 2013:

“Da leitura da representação policial, fica claro que não mais se investigava qualquer ilícito eventualmente ocorrido em território paranaense. Com efeito, visava-se apurar (i) supostas operações no mercado paralelo de câmbio envolvendo Carlos Habib Chater, com atuação em Brasília/DF e (ii) operações envolvendo a empresa MO Consultoria e Laudos Estatísticos Ltda., registrada perante a Junta Comercial de São Paulo/SP (…)

Questionamentos da competência sempre existiram

Os argumentos usados por Moro, de que Chater investiu na Dunel lavando dinheiro de propinas, quer serviu para atrair os processos para a 2ª Vara Especializada, foram fortemente rebatidos. A defesa do doleiro Chater, por exemplo, argumentou que a se adotar a tese defendida por Moro, se inviabilizaria a partir de então investigações sobre remessas para bancos em paraísos fiscais:

“(…) o eminente magistrado de primeiro grau é expresso em afirmar que a competência da Justiça Federal do Paraná – para processar e julgar a lavagem de dinheiro e os demais fatos imputados ao paciente e outros integrantes do denominado “Núcleo Chater” – seria única e exclusivamente em razão de depósitos e transferências de dinheiro, feitos em Brasília, para contas bancárias de empresas sediadas em Londrina e Curitiba.

Ou seja, parece incrível, mas Sua Excelência é categórico em afirmar que a consumação dos crimes imputados ao ora paciente e demais integrantes do denominado “Núcleo Chater” teria se dado no estado do Paraná, única e exclusivamente em razão da conta bancária das empresas que teriam recebido dinheiro de origem ilícita serem mantidas em instituições financeiras sediadas nas cidades de Londrina e Curitiba, não obstante os depósitos e ou transferências dos valores tenham sido feitos na cidade de Brasília.

Críticas idênticas foram feitas pelo procurador Frisch ao se manifestar nos primeiros pedidos de prisão apresentados no final de 2013, início de 2014. Destacou a impossibilidade de um único juiz atrair todas as investigações em torno das transações do submundo do câmbio negro. No caso do pedido em torno do Núcleo de Chater, ao defender a remessa do processo para a Justiça Federal de Brasília, disse:

Observe-se que, se se considerar que há conexão pelo fato de na interceptação telefônica ou telemática um doleiro, atuante na cidade X, entrar em contato com outro doleiro, atuante na cidade Y, para efetuar alguma troca ou compensação de confiança no sistema dólar-cabo, então bastaria que o Juízo autorizador da interceptação deferisse prorrogações sucessivas da interceptação dos dois doleiros que por certo identificaria mais e mais doleiros e seria responsável, esse único Juízo, pelo processo e julgamento de todos os crimes de operação não autorizada de instituição financeira do Brasil envolvendo dólar-cabo, já que é próprio do sistema dólar-cabo o contato frequente entre doleiros (“instituições financeiras não autorizadas”) para trocas, compensações ou negócios informais.

Sempre que possível, deve ser observada a regra legal de que a competência é determinada pelo lugar de consumação da infração penal (art. 70, caput, do CPP). E para os crimes aqui investigados a competência é da Seção Judiciária do Distrito Federal” (negritos do original).

Na ocasião, Frisch ainda apelou para a necessidade de se agilizar o processo penal, destacando que o andamento do caso em Curitiba traria prejuízo à própria instrução processual:

É interessante prever que, se todos as pessoas físicas e jurídicas investigadas têm domicílio no Distrito Federal, e todas as provas nesse estado federado estão, então toda a instrução processual terá grande prejuízo, se realizada em Curitiba-PR, onde seriam ouvidos as testemunhas e os acusados, ouvidos, aliás, sobre fatos ocorridos no Distrito Federal. Não parece convir ao interesse público esse tipo de situação. A qualidade, tanto da instrução pré-processual que ainda resta ser concluída (justamente a fase de oitivas de pessoas domiciliadas no Distrito Federal e de busca e apreensão de documentos situados no Distrito Federal), quanto da instrução processual, seria prejudicada.” (negrito do original).

Mistério jamais esclarecido

A saída do então procurador natural da Operação Lava Jato jamais foi explicada de forma clara. O próprio ex-Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, em seu malfadado livro de memória, confessou não ter entendido. Na realidade, Janot não sabia nem o nome certo de quem falava. Tratou-o como Pedro Soares.

Ao elaborarmos o Documentário, procuramos Frisch, mas ele se recusou a falar. Apenas negou que tenha ocorrido pressão na sua decisão de “trocar de ofício”. A troca de ofício foi também a explicação dada pela assessoria de Comunicação do Ministério Público Federal do Paraná. Não havendo impedimentos ao procurador sorteado – o que não tinha sido sinalizado por ele – não se justifica a mudança do procurador natural, tal como explicou na entrevista que deu aos autores do Documentário o procurador Três.

Mas ela ocorreu, sem maiores questionamentos. Sem dúvida, para Moro e os lavajatistas foi uma troca proveitosa. Para o Judiciário brasileiro pode não ter sido, como hoje se verifica diante da postura do procurador Dallagnol que assumiu o caso. Como parece também não ter sido boa ao Judiciário a decisão de deixar todos os processos correrem em Curitiba.

Moro, através daquilo que o procurador da República Celso Três denominou em seu depoimento ao Documentário “Sérgio Moro: a construção de um juiz acima da lei” como “um grande esforço de conexão” manteve os casos no Paraná, não levando em conta os pareceres de Frisch nem os questionamentos das defesas. Acabou recebendo respaldo dos tribunais superiores. Estes, na verdade, não se debruçaram devidamente sobre o assunto, até por eles terem sido questionados através de Habeas Corpus. Entenderam que não se tratava do instrumento adequado.

Três, como seu colega fizera em 2014, lembrou no depoimento ao Documentário que nem mesmo os casos em torno da Petrobras deveriam ter permanecido na Vara Federal de Curitiba. É dele a explicação:

“Na realidade se você pegar as sentenças do Moro, que eram obviamente retificadas pelo TRF da 4ª Região, elas têm uma parte introdutória muito bem elaborada, mas é um grande esforço de conexão, porque não aconteceu nada no Panará (…) Aconteceu o início da investigação, isso sim. E foi bem desenvolvida, tem muitos méritos nisso. Depois ela se desviou (…) você não tinha fatos ali até para justificar a competência da Justiça Federal. Vamos lembrar que a Petrobras é uma empresa de economia mista, é uma empresa de competência da Justiça Estadual. Ah, mas tem os agentes políticos. Sim, mas os agentes políticos não estavam no Paraná, como foi dito. A sede da Petrobras não é no Paraná. Não tem nada da Petrobras no Paraná. Tem uma refinaria que não tinha nada a ver com a situação. Os desvios que tiveram em refinarias, foram em Pernambuco, em outros lugares. Então, realmente não tinha”.

Esta sua tese é justificada ao lembrar que dos quase mil mandados de busca e apreensão somados aos de prisões expedidos pela chamada Força Tarefa de Curitiba, uma quantidade ínfima foi executada no território paranaense:

“Em 2016 fizeram uma análise. Tinham cumpridos cerca de 1 mil mandados, para arredondar. Mandados de prisão, busca e apreensão, enfim. Sabe qual é o percentual deles cumprido no Paraná, em todo o Estado? 3%. Três por cento. Temos 27 unidades da federação. O Paraná representa um certo percentual expressivo da federação. Mas nem esse percentual que ele representa na federação, em termos de população, economia, tudo, ele conseguia ser representado na operação. Se duvidar, era capaz de ter no Acre mais do que no Paraná.”.

Para Três, a causa de tudo foi política. Atingir o governo do PT:

“O que que aconteceu ali, na prática, por que então se formou esse tsunami e tal para garantir a competência? Na verdade, (…) se formou uma força nacional pela queda do governo. Isso é flagrante. Não precisa nem ter simpatia pela esquerda, pelo PT, para chegar a essa conclusão. Isso é evidente. Aquilo pegou força. Pegou uma força enorme, e os tribunais se puseram a avalizar tudo. Avalizar essas situações absurda. O sujeito não praticou nada. Não aconteceu nada no Paraná”,

A História demonstra que o PT foi atingido e seu líder maior impedido de se candidatar. Tudo por conta de processos que Moro comandou. Neles, sua competência é ainda mais discutível. Uma discussão alimentada pelo próprio juiz quando, ao rebater um Agravo da defesa do ex-presidente após a sua condenação no caso do triplex do Guarujá, ele reconheceu que não havia ligação entre o caso e a chamada corrupção da Petrobras. Logo, o processo sobre um apartamento no litoral paulista não deveria estar no foro de Curitiba. Mas permaneceu ali, a vista de todos os tribunais superiores e, com isso, ajudou a eleger Jair Bolsonaro, em cujo governo o magistrado acabou se abrigando.

Procurador da República questionou competência de Moro

 

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Nota deste correspondente: Sigam as tags máfia libanesa, máfia judia, Youssef, Carlos Habid Chater, Dario Messer, tráfico de moedas, tráfico de drogas, tráfico de diamantes, cavalo de Troia, presente da CIA ... crimes politizados para cassar esquerdistas e petistas para trair Lula.

Carlos Habid Chater também está solto e rico, os bens legalizados, a grana desbloqueada (e família, principalmente o pai), é ligado a Youssef, e traficantes. Não delatou ninguém da pesada, do crime organizado. Delatou morre. 

CIA-FBI-Moro(procuradores e policiais do grupo de Moro) - Banestado-Mensalão-LavaJato tinham Lula como alvo.

Depois de Lula, Hugo Chávez, Kirchner, Rafael Correa, Lugo, golpes idênticos ao de Dilma aconteceram nos países da América Latina.

Escola das Américas foi substituída por cursos jurídicos. 

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17
Dez20

Para uma hermenêutica da tagarelice: a Lava Jato, a Odebrecht e o balé imperialista

Talis Andrade

O avô Norberto, o pai Emílio e o filho Marcelo, diante do retrato do patriarca, também Emílio. Envolvida em escândalos há décadas, a Odebrecht sempre saiu incólume. Com a Lava Jato, deve produzir o maior inventário da corrupção no Brasil

por Pedro Marchioro

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Antes de tudo, é fundamental reiterar: os discursos hegemônicos não se efetuam sobre o conteúdo a ser debatido, mas sobre as condições que balizam o debate. Não por acaso, foi investigando sobre o papel da televisão e da mídia que Pierre Bourdieu se expressou nesses moldes. No último domingo (06), o Fantástico fez uma matéria aparentemente aleatória sobre a publicação do livro “A Organização: a Odebrecht e o Esquema de Corrupção Que Chocou o Mundo”. A tese central do livro é que as causas que levaram à ruína o “império Odebrecht” residem nas relações conflituosas entre pai e filho. Assim, a reportagem buscou avançar a partir de um fato revelador que teria ocorrido no passado da família Odebrecht: “Nas quadras do condomínio, numa partida de futebol, as palavras de um menino de doze anos resumiram o destino de uma família. Depois de dar uma entrada mais forte na canela do pai e levar uma bronca, ele reagiu: ‘Aqui você não é nem meu pai, nem meu chefe. Se vier pra cima de mim, vai ter troco.”

Em uma época de deus e família acima de tudo, também aqui o desvio nas relações da empresa com os governos é apontado como reflexo de uma promiscuidade familiar, perscrutado ainda na fundação da empresa pelo avô, o senhor Norberto Odebrecht. É a família, portanto, que delineia os limites do universo em que se sustentam as práticas desviantes da empresa. A corrupção, começo e fim de todo o mal, estaria entranhada na estrutura genética da família Odebrecht. 

O discurso genético, “último reduto da vontade racista”, como afirmou Stuart Hall, dá ensejo a continuação hereditária e explica, por fim, que a corrupção tenha se tornado “um modus operandi repassado de pai pra filho”. Não fosse a consequência trágica que o arranjo encerra, teríamos a emulação ruim, porém interessante, do espetáculo de Sófocles: o avô que iniciou o império, o filho bonachão e perdulário, e o neto ensimesmado e ambicioso, decidido a derrubar o pai: “o sonho de Marcelo, que era chamado de ‘o príncipe das empreiteiras’, era ter controle sobre todo o império Odebrecht”, afirma a matéria.

Mas atenção: não se trata de toda e qualquer família. É a modalidade brasileira de família que é o problema. A reportagem chega a pontuar a situação de recuperação judicial em que se encontra o império Odebrecht, mas encerra o argumento aí. Retoma o fio sobre as querelas familiares e, claro, afunila sobre a figura do ex-presidente Lula. O nome de Lula é citado como uma das causas de desentendimento entre Marcelo e o pai, Emilio Odebrecht. Em seu diário escrito na cadeia (de alguma forma acessado na reportagem), Marcelo diz que seu pai atravanca o processo e atrasa sua soltura porque “não dá a eles o que eles querem”, ou seja, não fala do Lula. O sentido da fala de Marcelo é de que a Lava Jato só queria Lula, e não que seu pai estaria protegendo Lula, como dá a entender a matéria. Ora, mas porque o ex-presidente seria tão protegido pelo pai? A reportagem responde: apesar de ter havido violações e subornos em todos os governos, como ressalta a autora do livro, foi no governo PT que a Odebrecht deu o grande salto de 17 bilhões em 2003 para 107 bilhões em 2014. Ou seja, o argumento tácito aqui é o de que o PT roubou e roubou mais do que os governos anteriores. Mas eu conservo a pergunta: qual é, afinal, o problema com Lula e o PT?

No mesmo sábado, dia 5 desse mês, apenas um dia antes da publicação da matéria do Fantástico, outra entrevista foi publicada com a mesma Malu Gaspar na Folha de São Paulo, na qual ela afirma: “A Odebrecht se tornou potência dando tudo o que políticos queriam”. E, em entrevista ao Jornal Pública, no mesmo dia, a autora ainda declarou que “No Brasil, temos uma forma de capitalismo de compadrio muito marcante”. O problema é o capitalismo à brasileira, a promiscuidade familiar tradicional no Brasil, o desrespeito pela fronteira do público e do privado, a malandragem, o “jeitinho”... Essa é a conclusão de quem pesquisou durante quatro anos para escrever um livro sobre uma das maiores multinacionais do mundo, e que levou outros quatro anos para escrever outro livro de mesmo tom, intitulado: “Tudo Ou Nada - Eike Batista e a Verdadeira História do Grupo X”. A semana de publicação das matérias encerrou a posse - anunciada de forma muito mais tímida -, do ex-ministro da Justiça e líder da Lava Jato, o ex-juiz Sergio Moro, como sócio-diretor da empresa Alvares & Marsal. A empresa está responsável por cuidar da recuperação judicial da Odebrecht assim como outras empresas também investigadas pela Lava Jato. Trata-se, segundo o site UOL, “da maior recuperação judicial já realizada no país”, no valor entre 85 bilhões e 90 bilhões reais, superando a da empresa de telefonia Oi, que chegou a 64 bi. Portanto o sucesso que levou o ex-ministro ao estrelato, e à posse do novo cargo, é consequência da queda de uma das maiores empresas do Brasil e do mundo nos ramos da construção e engenharia, química e petroquímica, energia, transporte entre outros. Cuja atividade se fazia presente em mais de 25 países distribuídos por todo o Continente Americano, na África, na Europa e no Oriente Médio. Segundo relatório sobre o balanço econômico da Lava Jato feito pelo Instituto de Economia da UFRJ, a atividade da construção civil perdeu 31% de participação no PIB nacional, retornando ao patamar de dez anos atrás. Somente a construção civil registrou saldo negativo, entre contratações e demissões, de 991.734 vagas formais entre 2014 e 2017.  Dentre as maiores construtoras do país, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, UTC e Constran tiveram perdas de 85% de suas receitas entre 2015 e 2018, passando de um faturamento conjunto de R$ 71 bilhões para apenas R$ 10,8 bilhões. Nesse mesmo período, a construção pesada fechou um milhão de postos de trabalho no país, o equivalente a 40% das vagas de emprego perdidas na economia.

Esse é apenas um resumo de toda a estrutura que foi comprometida pela Lava Jato. Se existe algum erro nos cálculos acima, ele estaria em dimensionar para baixo o tamanho do buraco. Fala-se em “fim do império Odebrecht”, e parte de seus destroços será avalizada pela A&M. Novamente: o livro escrito em quatro anos sobre “a organização”, que deu corpo as reportagens do último fim e semana, cita apenas uma vez e de passagem que a Odebrecht estaria em recuperação judicial e nem de perto insinua alguma ligação entre essa recuperação e o principal homem que à frente da operação responsável pela sua falência. Não se pergunta sobre o destino dessa estrutura, sobre sua importância no cenário mundial, não aborda seu avanço nas pesquisas de energias renováveis, suas parcerias internacionais, nada. Uma das maiores estruturas multinacionais do mundo vem abaixo e a conclusão que se faz em um dos telejornais de maior visibilidade do Brasil é a de que desavenças familiares estariam na origem de sua desestruturação? 

Nada de novo no front. É preciso ganhar o sentido dessa tagarelice emprestando um conceito que a torne inteligível. O que podemos apreender da tragédia reeditada? Como reconhecer essas condições em que o debate está preso sem cair em outras armadilhas, ou seja, como criticar a lava jato sem ser acusado de ser lulista ou odebrechtiano? Lula e seu filho acabam de ser absolvidos e quem sabe tenha seus direitos políticos devolvidos (aguardemos). A ligação da Lava Jato com os Estados Unidos, país sede da empresa de Sérgio Moro, também já foi posta pela grande imprensa, mesmo que com o silêncio eloquente da Rede Globo. 

A Lava Jato conclui um arco de acontecimentos cujo início pode ser encontrado nas inventivas ocorridas desde o início deste século, expressas nas “primaveras” que levaram o Brasil, o oriente médio e outros países a manifestações insólitas; ou ainda na espionagem, no mesmo ano, da Petrobrás pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (SNA), revelada no episódio Snowden ainda no governo Obama. Aqui o interesse era, segundo reportagem da BBC, “a tecnologia envolvendo a exploração em águas profundas da camada pré-sal”. A mesma reportagem traz outros escândalos de mesma natureza em que os Estados Unidos teriam agido com a colaboração da inteligência do Reino Unido, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia. Estava em jogo não só a tecnologia alcançada pelo Brasil, mas espaço que a então oitava economia do mundo vinha ocupando.

Assim, o mesmo espetáculo de judicialização da política estendeu-se ao Equador, Argentina e Peru. Neste último, a operação levou ao suicídio do ex-presidente Alan Garcia. Seu bilhete de despedida dá o tom da perseguição: "Como em nenhum documento sou mencionado e nenhum indício ou evidência me envolvem, só resta a ESPECULAÇÃO ou inventar intermediários. Jamais me vendi e está provado". O ex-presidente termina o bilhete e dá um tiro em si mesmo. Filme repetido?

O próprio Departamento de Justiça norte americano reconheceu em nota ou mesmo em discurso a associação da Lava Jato aos Estados Unidos. Mas a autora parece que não dá muita importância nisso. Tampouco achou relevante que os ativos deixados pela Odebrecht e demais empresas tenham sido assumidos por empresas estrangeiras na maioria parte ligada aos Estados Unidos. A título de exemplo, no setor sucroalcooleiro, a Odebrecht luta para ficar com 7 ou 10% dos ativos, os outros 90% encaminha-se para o controle da Lone Star, gestora norte-americana, como parte de solvência das dívidas da construtora.

Na Argentina, a Lava Jato tirou do processo eleitoral e quase levou à prisão a ex presidente Cristina Kirchner. No Equador, o lavajatismo perseguiu o ex-presidente Rafael Correa e elegeu Lenin Moreno, que hoje promove uma política de terra arrasada no mesmo tom alucinado do governo brasileiro. Também “corrupção”, “suborno” e “fraude” foram as alegações que retiraram Evo Morales da presidência e implantaram um regime de terror na Bolívia. Em todos esses países atuava a Odebrecht ou multinacionais da mesma ordem. Pouco a pouco, aparentemente, a maioria desses políticos cassados que sobreviveram estão conseguindo ser inocentado e retornar à cena política. E daí? Como já havia benevolamente alertado a agente do FBI Christina Martinez, as consequências “desestabilizadoras” de operações como a Lava Jato costumam perdurar em seus efeitos deletérios, consumindo o que sobrou desses países.Moro é oficialmente do Deep State dos EUA em consultoria para Odebrecht -  Portal Disparada

A tomada da infraestrutura brasileira e latino-americana pelo imperialismo do norte americano acontece em um contexto de enfraquecimento da economia do norte e de desafio de conservação de sua hegemonia frente à ameaça da ascensão das potências orientais, adiantadas pela China. A Lava jato expressa a ruptura com os primeiros dez anos deste século em uma América Latina robusta, amalgamada por governos progressistas tolerados pelos Estados Unidos devido à insuficiência de suas energias bélicas concentradas no genocídio do Iraque. Nesse tempo o Brasil desenvolveu suas próprias ambições territoriais estabelecendo parcerias em modalidades comerciais horizontais e um certo predomínio de cunho também imperial, empregando forças militares como ocorreu em Angola e no Haiti.  

Em 2004, como consequência de sua promoção em cenário internacional, o Brasil é destacado pela ONU para comandar a Missão de ajuda Humanitária no Haiti (a Minustah). Como resultado, em 2010, antes do terremoto e após seis anos da Missão no Haiti, não se viam quaisquer sinais de melhoria nas condições do país. As tropas saíram em setembro de 2017 e, como balanço final, deixaram para trás uma terra arrasada, de facções fortalecidas, golpes de estado, o alastramento da pobreza, desnutrição, insalubridade, cólera, aids, e mais de 30 mil mortos em decorrência destas condições, além das mais de duas mil mulheres violentadas e a amarga lembrança de mais um episódio de injustiça e crueldade contra a população. O comandante da Minustah era o General Heleno, atualmente ocupante do governo. O comandante da missão na Angola, por sua vez, era o General Mourão, vice-presidente do Brasil.

Não foram os haitianos e angolanos que começaram a vir “de repente” ao Brasil. O início dessa migração foi empreendida pelo Brasil, através de seus homens fardados e armados e raivosos. A operação mais famosa no Haiti, talvez a única em que houve algum combate, ocorreu na Cité Soleil, e além de dois ou três supostos rebeldes, deixou dezenas de civis mortos. (A ação foi cinegrafada em um filme muito ruim e pode ser encontrada no youtube). É pela ótica do subimperialismo que Felipe Magalhães compreende a profusão de haitianos em Santa Catarina: pelo modo que se organizou a economia do Brasil e demais potências em ascensão (e como condição de sua progressão), restaria explorar as brechas deixadas pelos grandes impérios para estender seus tentáculos e extrair sua própria mais valia, em uma superexploração que compensasse a exploração que sofre em escala nacional. Sua economia, porém, restaria dependente, e seu desenvolvimento incidiria sobre o seu subdesenvolvimento. 

 O Brasil deixa ao imperialismo do norte a estrutura que vinha montando nas últimas décadas mas que havia se consolidado nos governos PT e FHC, a saber, um subimperialismo consolidado nas missões militares paralelas a ocupação de suas multinacionais na África, América Latina ou nas missões de ajuda humanitária, como no Haiti. Portanto um efeito cascata de imperialismo sobre o subimperialismo que nada mais foi do que o balé de morte e a manifestação material do capitalismo. Cabe observar a continuação do novo subimperialismo e as novas fases de acumulação de capital que se estabelece nas bases atuais.

Para concluir, refaço em forma de pergunta as afirmações aludidas no início do texto: que papel têm as intrigas familiares no seio dos imensos blocos imperiais do capitalismo?

05
Jun20

Movimento, “Estamos Juntos e somos 70%” é a continuidade do golpe contra o PT Lula, Dilma e o povo brasileiro!

Talis Andrade

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A revista Isto É,  já em 2017 defendia a morte de Lula (13)

 

 

por Emanuel Cancella

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Na verdade as elites ou, caso preferir, a casa grande, já descartou Bolsonaro. E assim buscam agora uma saída que afastaria Bolsonaro, mas manteria tudo do jeito que está, ou seja,  tiram as moscas e a merda continua a mesma.   

Tanto que, em nenhum momento, o “Estamos Juntos e somos 70%” fala em rever a reforma trabalhista, previdenciária ou em revogar a PEC do teto ou da Morte, a que congelou, por 20 anos, investimentos em saúde, educação, segurança, etc. Essa PEC agrava ainda mais a situação da pandemia que estamos atravessando (8).

Como também, em nenhum momento, esses movimentos falam em rever as criminosas privatizações, mesmo sabendo que contrariam 67% a maioria do povo brasileiro (14).

Até os militares do governo Bolsonaro falaram em retomar o PAC de Lula e Dilma, que chamaram de “Pró Brasil”, para, principalmente, aquecer a economia e retomar os empregos, entretanto esbarraram no ministro Paulo Guedes (3). E o manifesto não fala em nada disso!

O mundo inteiro comenta o golpe brasileiro que tirou Dilma do governo e colocou o golpista Michel Temer.  E como uma achincalhe, Michel Temer assina também o manifesto, assim como FHC, e sabemos que ambos foram protagonistas do golpe.

E não é só isso, o golpe contra Dilma, contra quem nada ficou provado, principalmente crime de responsabilidade, o golpe, abriu espaço para prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro (1,2).

Ou já esquecemos que a Lava Jato, chefiada pelo juiz Sergio Moro, prendeu Lula, sem provas, líder em todas as pesquisas, na véspera da eleição, num claro intuito de beneficiar Bolsonaro. Moro então ganhou como prêmio o ministério da Justiça e ainda teve a promessa de ser indicado ao STF.

Na verdade, os americanos e aliados decidiram afastar os governantes que defendiam a soberania de seus países,  para que eles assim pudessem se apoderar mais facilmente de suas riquezas, principalmente do petróleo.

Tanto que o golpe do Judiciário, que, no Brasil, chamamos de Lavajatista, estendeu-se por todo continente latino-americano, ameaçando de prisão o ex-presidente Rafael Correia (4) e afastando, do governo da Bolívia, Evo Morales, entre outros.

Já na Venezuela, os EUA com apoio de Bolsonaro, ameaçam até com guerra para se apossar do petróleo venezuelano.

Na Argentina, a potencial candidata Cristina Kisnner virou vice por conta das ameaças judiciais, como as da Lava Jato.  Diga-se de passagem, Alberto Fernández está se saindo muito bem. Com sua política de isolamento social, com menos casos de contágio e de mortes, seu governo tem grande aprovação (5).

Fernández poderia ter sido uma opção natural, mas não foi. Na verdade, foi a maneira de  driblar o golpe jurídico que batia à porta de Cristina Kisnner.  

No Brasil, diante das ameaças lavajatistas, Lula já renunciou à candidatura de titular à Presidência. Lula, já que tem mais de 70 anos, já governou duas vezes, e, diga-se de passagem, saiu do 2º governo com 87% de aprovação popular (6,7).  

Claro que a decisão de Lula de não ser candidato não é pela idades é para barrar um novo e provável golpe lajavatista, que continua a vigorar.

Sem esquecer que Dilma, além do impeachment em 2016, na eleição de 2018, tinha uma cadeira garantida para o Senado em Minas Gerais, segundo todos os institutos de pesquisa, principalmente Ibope e Data Folha (10,11).

No entanto, faltando seis dias para a eleição, o juiz Sergio Moro, então chefe da Lava Jato, divulgou criminosamente uma delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, que já tinha sido rejeitada pelo MPF por falta de provas. Logicamente atacando o PT, Lula e Dilma (9).    E Dilma perdeu assim a eleição, pois foi golpeada pela Lava Jato, chefiada pelo juiz Moro, mais uma vez!

Na mesma linha do “Estamos Juntos e Somos 70%”, os empresários Jorge Paulo Lemann e Maria Alice Setúbal apoiam uma fundação chamada Pacto pela Democracia, que divulgou um manifesto mais radical do que o Estamos Juntos, contra Jair Bolsonaro.

Resumindo, a ideia desses manifestos é tirar Bolsonaro e o país continuar como está, ou seja, doente com a pandemia e destruído social e economicamente (12)! (Vide notas)

 

Não estamos juntos, me inclua fora dessa!

04
Dez19

Pressão dos EUA sobre o TRF4 é intervenção inaceitável contra Lula e a democracia brasileira

Talis Andrade

 

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Por José Reinaldo Carvalho  

Jornalistas pela Democracia 

A visita nesta terça-feira (3) do conselheiro para Assuntos Políticos da Embaixada dos EUA em Brasília, Willard Smith, ao Tribunal da Lava Jato, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Algre, onde foi recebido pelo presidente da corte, o desembargador Victor Luiz dos Santos Laus, é um inadmissível ato intervencionista nos assuntos inernos do Brasil.  

E da parte dos torquemadas que na usina de sentenças forjadas fabricaram as condenações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - uma das quais resultou no seu encarceramento durante 580 longos dias - é ato de lesa-pátria, uma vergonhosa demonstração de subserviência, uma ata de acusação a si próprios de que procuradores e juízes da Lava Jato estão ao serviço da estratégia de guerra jurídica de Washington contra a democracia na América Latina, que no caso do Brasil tem por alvo principal o ex-presidente Lula.  

Causa repugnância a uma nação estarrecida, sob um golpe político e jurídico que resultou na instalação de um governo neofascista, que os torquemadas de Curitiba e Porto Alegre e os imperialsitas estadunidenses não tenham tido sequer a preocupação de guardar as aparências. 

É como se o pudor nas condutas políticas e diplomáticas tenha mesmo ido embora nesta época em que se abre nova etapa do golpe continuado no Brasil e da estratégia intervencionista estadunidense na região que o império considera seu quintal.   

Tudo já acontece sob a luz dos holofotes e o esplendor das imagens de televisão. Na época dos golpes de antanho, certas ações eram feitas às escondidas e só vinham à tona décadas depois quando arquivos eram desclassificados.   

Hoje, não. O golpismo doméstico, em contubérnio com o intervencionismo imperialista, atua de forma explícita. Têm a sensação da impunidade, tomados pela embriaguez da vitória, mesmo que conquistada no tapetão do "Parquet".  

Foi o que deixaram evidente o juiz e o diplomata no encontro desta terça-feira em Porto Alegre. O conselheiro representante de Trump no Brasil ressaltou que está se atualizando no acompanhamento da Operação Lava Jato, os julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e debates sobre temas como o compartilhamento de dados sigilosos de órgãos de controle financeiro sem prévia autorização judicial.  

Por seu turno, o desembargador-chefe da corte da Lava Jato, que já atuou por duas vezes como algoz do ex-presidente Lula, destacou a importância de órgãos como a Embaixada norte-americana se aproximarem da Justiça e dos tribunais, pois isso a seu ver,  possibilita uma maior integração e articulação entre as instituições.    

A nova geração dos golpes de Estado na América Latina tem congtado com o componente da chamada lawfare. Engendrada nos Departamentos de Estado, Justiça, Tesouro e órgãos de espionagem dos Estados Unidos, a estratégia foi e continua sendo aplicada com toda a intensidade no continente. Foi planificada durante mais de uma década para atacar, desestabilizar e derrubar os governos democráticos, populares e progressistas, que iniciaram uma experiência de integração regional, desenvolvimento autônomo e exercício de uma política externa anti-hegemônica.  

Esta ofensiva, que integra a política de mudanças de regime, derrubou governos e condenou - em alguns casos, como o de Lula, prendeu - importantes líderes populares: Dilma Rousseff, Fernando Lugo, Cristina Kirchner, Jesús Santrich, Rafael Correa, Jorge Glas, Maurício Funes, que foram alvo de golpes de Estado ou processos judiciais.   

A guerra jurídica, como instrumento de intervenção imperialista aparece às claras - como a visita desta terça-feira do diplomata de Trump ao tribunal da Lava Jato deixa transparecer.  

Em momentos como este e diante de tamanhas evidências de intervencionismo, convém refletir sobre as palavras do experiente diplomata Rubens Ricupero, que advertiu, em entrevista à revista Isto E, em maio deste ano: “É um equívoco ver os EUA como o país que deve nos liderar”. 

Ou sobre a sentença do saudoso acadêmico Moniz Bandeira, um dos mais lúcidos estudiosos que tivemos sobre as ligações do Brasil com os Estados Unidos, que ele classificava como "relações perigosas".

pintorzinho entreguismo colonialismo estados unido

 

02
Nov19

Por que Bolsonaro não vai a Buenos Aires?

Talis Andrade

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247 (versão em português)

 

 

O presidente do Brasil anunciou que não irá à posse à posse do presidente e da vice presidente da Argentina, Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, que se realizará dia 10 de dezembro próximo. Tradicionalmente os presidentes dos dois países compareciam à posse de seus colegas, além de que a primeira visita ao exterior de cada um deles se dava ao país vizinho.
 

O anúncio do presidente do Brasil é feito depois de suas declarações em relação às eleições argentinas, suas expectativas de que os candidatos vencedores não triunfassem e, dado o resultado adverso para ele, de que os argentinos se teriam equivocado e que se arrependeriam. Declarações feitas desde um governo que perdeu pelo menos 2/3 do apoio eleitoral que o elegeu em eleições marcadas pela manipulação de robôs e fake news. Ele afirma, como se sua ausência causasse dano à cerimônia da posse ou como se sua ausência fosse notada e lamentada.

Ao contrário, imediatamente o ministro de relações exteriores do governo Macri rejeitou as palavras do presidente brasileiro, antes inclusive que o novo presidente eleito também o fizesse. Mas por que Bolsonaro decidiu não ir à posse do novo governo do principal parceiro econômico e político do Brasil?

Antes de tudo, porque ele pode imaginar o tipo de recepção que teria, caso comparecesse. Sua imagem externa é a mais rejeitada de todas as existentes no mundo atual, personificando o que de pior existe. Desde a responsabilidade pelos incêndios na Amazônia até a contaminação das praias do Nordeste brasileiro, sem que o governo, em nenhum dos casos, tenha se empenhado em combater as catástrofes ecológicas. Ao contrário, tratou de se valer dos desastres, seja para expulsar os povos indígenas ou para tentar culpar o governo da Venezuela pela contaminação de petróleo nas praias brasileiras.

Não bastasse isso, o presidente do Brasil se notabilizou pelas posições desqualificadoras dos defensores dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, dos negros, dos LGBT, dos ecologistas, como se caracterizou pela política de expropriação dos direitos dos trabalhadores, dos recursos para políticas sociais, pela intensificação da privatização de recursos públicos. Da mesma forma que, na política internacional, participou ativamente da ações que tratam de isolar o governo da Venezuela.

O presidente brasileiro sabe que o novo governo argentino caminha na direção exatamente oposta à do seu governo. Fernandez já anunciou que a Argentina sairá do Grupo de Lima, constituído para agir contra o governo da Venezuela. Os novos governantes argentinos foram eleitos com a crítica radical do modelo econômico similar de Macri e de Bolsonaro e de seus desastrosos efeitos sociais, com a estagnação econômica e os índices recordes de desemprego nos seus países.

O atual presidente brasileiro se mostrou sumamente incomodado com a visita que Alberto Fernández fez ao Lula antes ainda da sua eleição como novo presidente da Argentina e as reiteradas menções ao Lula Livre. Ele sabe que as relações entre o Brasil e a Argentina nunca foram tão boas como desde que o Lula e o Nestor Kirchner estabeleceram os acordos que levaram ao período de maior fortalecimento dos processos de integração regional e de intercâmbio econômico entre os dois países.

O atual presidente do Brasil soube que ainda no dia em que a Câmara de Deputados votava o impeachment da Dilma, ela recebeu telefonema de Mauricio Macri expressando sua solidariedade a ela. Sabe como não foi com comodidade que Macri o recebeu na Casa Rosada e o ouviu fazer pronunciamentos que nem sequer a direita argentina tolera.

Se quiser, uma vez mais, adular o presidente do país ao qual ele beija a bandeira, se deu mal também, com a fraternal conversa telefônica que tiveram Trump e Alberto Fernández, com o presidente norte-americano não apenas oferecendo-se a ajudar na renegociação argentina com o FMI, como prevendo que o novo presidente terá um mandato excepcional. Dia 10 de dezembro o atual presidente do Brasil vai assistir por televisão a extraordinária festa do povo argentino.

Ele pode supor como seria recebido, se estivesse ali, como seria sua recepção em Buenos Aires, no meio daquela imensa festa popular, que consagra a derrota e o fracasso do seu amigo, Macri, e a vitória de Alberto Fernández e de Cristina. Imagina como sua figura, sua presença, seria o alvo concentrado do repúdio a tudo o que ele representa, assim como a exaltação do Lula Livre.

Por tudo isso, ele anunciou que não vai à posse, para a qual nem sequer foi convidado e seria um convidado mal visto, deslocado, fora do contexto, em uma festa que consagra exatamente o oposto do que ele e seu governo representam. 

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