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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

09
Set22

Conheça dez casos de corrupção que assombraram o clã Bolsonaro e Sérgio Moro ministro da Justiça e da Segurança Pública tratou de abafar

Talis Andrade

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Conta El País, da Espanha:

Embora o núcleo duro do clã Bolsonaro seja claramente masculino, ele também inclui mulheres, as três com quem o presidente compartilhou sua vida, as mães de seus filhos. Por motivos diferentes, elas também são notícia. A atual esposa, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, nasceu em 22 de março de 1982, em Ceilândia, DF, protagonizou um fenômeno viral, por conta de um dinheiro de origem suspeita que recebeu de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro. A segunda mulher, Ana Cristina Valle nasceu em 13 de maio de 1967, em Resende, RJ, uma advogada também sob suspeita por esse mesmo caso de desvio de dinheiro público. E a primeira, Rogéria Nantes Nunes Braga, de 67 anos, mãe dos três filhos mais velhos do mandatário, os três políticos profissionais com vários mandatos legislativos nas costas.

Pragmatismo Político narrra que Rogéria Nantes Braga acusou Jair Bolsonaro (PSL) de ter sido o mandante do espancamento de um assessor político e seu ex-colega de Exército, Gilberto Gonçalves, ocorrido em uma rua da zona norte da cidade do Rio de Janeiro, no mês de setembro do ano 2000.

O motivo, de acordo com o depoimento de Rogéria, foi o fato de Gonçalves estar trabalhando, à época, como cabo eleitoral de sua candidatura à 2ª reeleição a vereadora do Rio. Quando o fato ocorreu, ela já não era mais esposa de Bolsonaro, e o ex-capitão do Exército tentava eleger para o seu lugar na Câmara o filho Carlos, então um estudante do ensino médio com 17 anos de idade.Tudo isso consta em registros e depoimentos dados à Polícia Civil do Rio de Janeiro pela própria Rogéria Bolsonaro, que afirmou à imprensa na ocasião que seu ex-marido sofre de “desequilíbrio psicológico e mental”.

 Ana Cristina Siqueira Valle também denunciou o marido por atos de violência e instabilidade emocional. Conforme publicou a revista “Veja”,  Ana Cristina Siqueira Valle acusou Bolsonaro não apenas de agressão, mas de ameaçá-la de morte, ao ponto dela fugir do país para escapar do ex-marido.

Juntas, compõem uma árvore genealógica complexa, uma família com vários ramos cujo lema poderia ser “política (ou o poder) acima de tudo”, parafraseando seu lema de Governo, “Brasil a cima de tudo, Deus acima de todos”. Os laços −incluindo os trabalhistas e políticos− sobrevivem às rupturas sentimentais. Desde que se casou pela primeira vez, em 1978, Jair Bolsonaro nunca chegou a ficar um ano solteiro.Image

 

Conheça dez casos de corrupção que assombram o clã Bolsonaro no primeiro ano de governo

Conforme reportagem do DCM:

Durante toda a sua campanha eleitoral, Jair Bolsonaro prometeu “acabar com a mamata”. A promessa não durou nem até a posse. No início de dezembro, o caso Queiroz – uma mistura de milícias e desvio de dinheiro público por meio de fantasmas na Assembleia do rio de Janeiro –  foi revelado, envolvendo seu filho mais velho e senador Flávio (sem partido). Desde então, o que ficou provado nesse primeiro ano de governo é que entre kit gay, terraplanismo e olavismos, a maior fake news disseminada pelo presidente foi o “combate à corrupção”.

 

Caixa 2 laranja

 

Em novembro, Jair Bolsonaro decidiu fundar o próprio partido: Aliança pelo Brasil.

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Após acabar com a já fraca reputação do PSL, Bolsonaro tem se esforçado para se afastar ao máximo da sigla, representada por ele nas eleições do ano passado. O distanciamento é nada mais que um recurso de Jair para abafar seu envolvimento com o “laranjal” do PSL. O partido está sendo investigado desde o início do ano por candidaturas laranjas em dois estados: Pernambuco e Minas Gerais. Algumas candidatas mulheres da legenda receberam grandes repasses do fundo partidário para suas campanhas, mas obtiveram números inexpressivos nas urnas. O esquema era comandado pelo atual ministro do Turismo, o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), bancado por Bolsonaro no cargo apesar do “laranjal”.

Em outubro, reportagem da Folha de S. Paulo aponta que o depoimento de um ex-assessor do ministro e uma planilha apreendida em uma gráfica sugerem o desvio de recursos do esquema de candidaturas laranjas para as campanhas de Jair Bolsonaro à presidência da República e de Marcelo Álvaro a deputado federal. A prática configuraria caixa 2, movimentação de recursos de campanha sem declaração oficial à Justiça.

O ministro foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais acusado dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa. Ao invés de retirá-lo do governo, Bolsonaro resolveu dar mais poder a Marcelo Álvaro. Em novembro, a Secretaria Especial de Cultura foi transferida para a pasta do Turismo. A ação também evidencia as intenções de Jair de desmontar as políticas públicas voltadas à cultura.Image

 

 

Caso Marielle

 

No dia 14 de março de 2018, a vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados, vítimas de treze disparos dados por dois homens que estavam em um carro ao lado. O caso continua sem solução. A investigação da polícia possui dois principais suspeitos: os ex-policiais Ronnie Lessa, citado como autor dos disparos, e Élcio Queiroz apontado como motorista do veículo.

À época do crime, Lessa morava no condomínio Vivendas da Barra, onde moram Jair Bolsonaro (em uma casa) e seu filho Carlos (em um apartamento) e o filho O4 Renan (em outro apartamento). 

PM Ronnie Lessa, preso por morte de Marielle, já foi ...

De acordo com reportagem do Jornal Nacional, no dia em que matou Marielle e Anderson, Élcio Queiroz visitou Lessa no Vivendas da Barra. Porém, ao chegar na portaria, o ex-policial teria dito ao porteiro que ia à casa 58, onde vive Jair.

Para piorar, o presidente declarou que pegou o áudio das ligações da portaria de seu condomínio para impedir que o material fosse “adulterado”, segundo ele. A atitude é clara obstrução de Justiça. Carlos Bolsonaro, outro residente do Vivendas, publicou vídeo em seu Twitter, rede social favorita da família, confessando que ele acessa todas as ligações gravadas do condomínio, colocando em risco a integridade do material a ser investigado.

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Caso Queiroz

 

Em dezembro de 2018, Fabrício Queiroz, então motorista e assessor do deputado Flávio Bolsonaro, foi convocado pelo Ministério Público do Rio de janeiro para prestar depoimento sobre movimentações bancárias suspeitas no valor de R$ 1,2 milhão. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informou que as transações bancárias eram “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do policial reformado. O relatório financeiro também identificou depósitos de Queiroz na conta de Flávio, o que levantou suspeitas sobre um possível esquema de “rachadinha”.

O ex-assessor faltou ao depoimento duas vezes, alegando ter sido “acometido por inesperada crise de saúde”. Desde então, Queiroz sumiu, teve suas relações com milicianos descoberta e continua negociando cargos na Câmara do Rio de Janeiro. Até hoje, nem ele e nem Flávio prestaram seus devidos depoimentos ao MP-RJ.

O Ministério Público cumpru um pedido de busca e apreensão contra o senador e vários outros integrantes do esquema. O pedido foi baseado em um relatório que aponta que Flávio e sua mulher, Fernanda, compraram em dinheiro vivo, de forma ilegal, dois imóveis no valor de R$ 638 mil, localizados em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro (RJ). O então deputado estadual teria usado o dinheiro proveniente da ‘rachadinha’ na compra

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FAB – Família nos Aviões Brasileiros

 

Em maio, o deputado Eduardo Bolsonaro usou um helicóptero da Presidência da República para transportar parentes para o seu casamento. Os vídeos do “passeio” foram compartilhados nas redes sociais por Osvaldo Campos Bolsonaro, sobrinho de Jair.

Familiares da região do Vale do Ribeira, em São Paulo, se deslocaram de helicóptero entre o aeroporto de Jacarepaguá e Santos Dumont, próximo ao local da cerimônia. De carro, o trajeto de 35 km demora só 35 minutos mas a família preferiu fazer o uso da aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Nas imagens publicadas, é possível ver um grupo de 10 pessoas chegando à pista de embarque, com as irmãs de Jair Bolsonaro e o deputado federal Helio Lopes (PSL-SP), amigo pessoal do presidente.

 

Amor financiado pelo fundo partidário

 

A farra do casamento de Eduardo não se limitou ao uso do helicóptero. O deputado também usou dinheiro do fundo partidário para pagar a sua viagem de lua de mel com a coach e psicóloga Heloísa Wolf. A negociação teria sido feita pela advogada do PSL, Karina Kufa. Relatos obtidos pela reportagem da IstoÉ mostram que Kufa, contratada pelo partido a pedido de Eduardo e conhecida por cumprir diversos favores ao deputado, teria sido a responsável por acertar os detalhes da viagem de lua de mel.

Usando o nome de Eduardo, a advogada teria ligado para Antonio Rueda, vice-presidente nacional do PSL, pedindo dinheiro do fundo do partido. De acordo com a revista, Rueda teria desabafado com colegas próximos que não aguentava mais “essa mulher me telefonando para pedir dinheiro para o Eduardo”. No entanto, ele liberou o que faltava para arcar com a viagem do casal.

 

Câmara e faculdade ao mesmo tempo

 

Com apenas 18 anos, Eduardo Bolsonaro foi nomeado para um cargo comissionado na liderança do PTB em Brasília, partido de seu pai em 2003. De acordo com reportagem da BBC Brasil, o emprego exigia que o “filho 03” de Jair trabalhasse 40 horas semanais, com remuneração de R$ 3.904 por mês (R$ 9.780 na cotação atual). Só existia um detalhe: três dias antes da nomeação, Eduardo foi aprovado no curso de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

As normas da Câmara vigentes à época determinavam que esse tipo de cargo tinha “por finalidade a prestação de serviços de assessoramento aos órgãos da Casa, em Brasília. Desse modo, (os servidores) não possuem a prerrogativa de exercerem suas atividades em outra cidade além da capital federal”.

Ou seja, durante um ano e quatro meses, Eduardo tinha obrigação de trabalhar 40 horas por semana em Brasília e, inexplicavelmente, cursou Direito no Rio de Janeiro, à 1.100 km de distância. No curso desses 16 meses, o atual deputado ganhou R$ 160 mil de dinheiro público, na cotação atual.

 

Parentes fantasmas

 

Carlos virou alvo de investigação do Ministério Público (MP) do estado do Rio de Janeiro por denúncias de colocar ao menos sete parentes como funcionários fantasmas em seu gabinete. Os familiares seriam contratados para a prática da “rachadinha”, deixando parte dos salários com o filho de Jair.

O esquema foi divulgado em maio pela revista Época, que revelou que Carlos empregou a madrasta, Ana Cristina Siqueira Valle, e outros sete parentes dela em seu gabinete. Esses funcionários fantasmas chegavam a devolver 90% do salário ao vereador.

 

Envolvimento com Itaipu

 

No início de agosto, deputados paraguaios do Partido Pátria Querida (PPQ) protocolaram pedido de julgamento político do vice-presidente do país, Hugo Velázquez, sob acusação de tentar beneficiar uma empresa brasileira num acordo entre os dois países envolvendo a venda de excedente de energia da hidrelétrica Itaipu Binacional. Um pedido de impeachment do presidente Mario Abdo Martinez, mas a Câmara já rejeitou o processo.

Mensagens divulgadas entre o presidente da estatal elétrica do Paraguai e José Rodríguez, assessor de Velásquez, revelaram possível participação da família Bolsonaro no esquema. Nos chats, Rodríguez tentava marcar uma reunião entre o diretor da empresa pública e representantes da empresa brasileira Leros, interessada na compra de energia paraguaia. A Leros seria representada por Alexandre Luiz Giordano, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), e que falaria, segundo as mensagens, em nome da “família presidencial do país vizinho”, referência clara ao clã Bolsonaro.

 

Assessores de “sorte”

 

Logo no início do ano, surgiram denúncias contra os filhos de Jair: Eduardo usou verba da Câmara para contratar empresa de mulher de assessor, enquanto Flávio beneficiou uma assessora e parentes em seu gabinete. Tudo sempre em família.

Eduardo pagou R$ 960 à Locar1000, locadora de veículos que pertence à mulher de um assessor de Jair, pelo aluguel de um carro em fevereiro, de acordo com a revista Época. A Locar1000 pertence a Ghislaine Maria de Oliveira, mulher de Joel Novaes da Fonseca, assessor do gabinete pessoal da Presidência da República desde 18 de janeiro. Joel é velho conhecido da família, já que trabalhou com o próprio Eduardo entre 2015 e 2017.

Já Flávio, o filho mais velho, usou dinheiro do fundo partidário entregue a candidatas do PSL para pagar empresa de uma ex-assessora dele na Assembléia Legislativa do estado, segundo informou a Folha. A empresa Ale Solução e Eventos, da contadora Alessandra Ferreira de Oliveira, primeira-tesoureira do PSL carioca, recebeu R$ 55,3 mil vindos de pagamentos de 42 candidatos do partido dos Bolsonaro no Rio de Janeiro.

 

Mamata é tradição familiar

 

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Desde 1991, o atual mandatário da república e seus filhos Flávio, Carlos e Eduardo empregaram ao menos 102 pessoas com algum laço familiar ou parentesco entre si, além de 37 funcionários com fortes indícios de que não trabalhavam de fato em seus cargos. A apuração feita pelo jornal O Globo evidencia velha política de cabide de empregos e o uso dos gabinetes como reduto de funcionários fantasmas.

Este foi o primeiro ano do governo Bolsonaro presidente.

Neste primeiro ano Sergio Moro era o ministro super. Ministro da Justiça e da Segurança Pública.

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09
Nov21

Facada em Bolsonaro volta ao jogo em clima eleitoral

Talis Andrade

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Estranho que justo agora, quando a reeleição do presidente parece cada vez mais complicada, tenha sido tomada a decisão de reabrir o caso

 
por Juan Arias /El País
 
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com sede em Brasília, acaba de reabrir, de surpresa, o processo sobre a facada contra Jair Bolsonaro, algo que já tinha sido encerrado duas vezes. Antes, decidiu-se que o agressor, Adélio Bispo, deveria ser absolvido por se tratar de uma pessoa com problemas psicológicos e que havia agido sozinho —ou seja, sem mandantes. Hoje, é consenso entre os analistas políticos que foi a facada desferida em Bolsonaro durante a campanha eleitoral que o ajudou em sua eleição, por dois motivos: primeiro, porque o transformou em um mártir, um mito protegido por um Deus que o salvou; também, porque o impediu de participar dos debates eleitorais com os demais candidatos. Algo decisivo, já que são conhecidas as dificuldades naturais do capitão.
 

O caso parecia encerrado, embora Bolsonaro e sua família nunca tivessem aceitado as investigações e continuassem com o sonho de poder provar que um terceiro —que seria um político e de esquerda— teria participado do atentado.

Não é difícil entender por que justo agora, já em plena campanha pela reeleição, voltem a ressuscitar a misteriosa facada sobre a qual se criou até a fantasia de que seria um falso ataque criado pelos seguidores do então candidato Bolsonaro. Tudo para criar a imagem do mártir, que teria, depois, milhões de votos dos evangélicos.

E não deixa de causar estranheza que, justo agora, quando a reeleição de Bolsonaro parece cada vez mais complicada, tenha sido tomada a decisão de reabrir o caso para tentar investigar se havia ou não um mandante e se era alguém de esquerda. Ao mesmo tempo, o recente documentário do jornalista Joaquim de Carvalho, Uma facada no coração do Brasil, desenterrou a inusitada hipótese de que o atentado foi apenas uma ficção criada pelos seguidores de Bolsonaro para mitificá-lo. E para provar isso difundiu-se a teoria de que não existe uma única foto de sua barriga ensanguentada depois do esfaqueamento e de que houve uma suposta cumplicidade entre os médicos que o atenderam e operaram.

Agora, segundo o jornal O Globo, o que se deseja com a investigação é saber se, além do veredicto dos que conduziram o caso (que insistiram que Adélio agiu sem cúmplices), houve algum mandante que forjou o atentado, usando uma pessoa que aparentemente havia pertencido ao PSOL. Agora que já se respiram ares eleitorais, Bolsonaro e seus filhos insistem que a família precisa saber se houve ou não alguém que planejou tudo. E o sonho dos Bolsonaros e seus seguidores sempre foi tentar provar que o mandante foi algum militante de esquerda para mudar o rumo das eleições.

O último gesto de mau gosto de Bolsonaro sobre o atentado ocorreu dias atrás, por ocasião da morte da jovem cantora Marília Mendonça, amada por todo o Brasil. O presidente, sem nomear a morte da artista, referindo-se apenas à dor de um filho que ficava órfão, aproveitou para relembrar seu atentado, algo que desencadeou uma lista de críticas nas redes sociais, condenando sua já conhecida falta de sensibilidade.

Quem também apareceu foi o polêmico advogado de Bolsonaro e de sua família, Frederick Wassef. Ele voltou ao jogo nos últimos dias para defender a tese de que houve um mandante do atentado. Segundo ele, “há fortes indícios e um conjunto robusto de provas de que a esquerda brasileira ordenou a morte do presidente”. Para ele e para a família Bolsonaro, as duas investigações realizadas pela polícia, que convergiam para a tese de que o agressor agiu sozinho, não teriam mais valor.

Parece não haver dúvida de que há um interesse especial em tentar provar neste momento que o agressor agiu instigado por um político de esquerda, já que, segundo todas as pesquisas, Lula poderia derrotar Bolsonaro ainda no primeiro turno. Seria, portanto, um sonho para o presidente que antes da data da reeleição a polícia descobrisse que o verdadeiro mandante era alguém à esquerda, o que se tornaria o tema central de todas as discussões eleitorais. Como escreveu o jornalista Ricardo Noblat em seu blog, se alguém está interessado hoje em desenterrar a já desmentida hipótese de que o atentado foi organizado pela esquerda, esse alguém é Bolsonaro.

As forças democráticas precisam estar atentas para que esse sonho de Bolsonaro e sua família seja abortado o mais rápido possível para que não obscureça uma eleição já carregada de ameaças. A última é a chegada de Sérgio Moro, considerado uma esfinge difícil de decifrar e que continua a acrescentar ambiguidade e confusão extra às eleições.

O fantasma que Bolsonaro deseja desenterrar justo neste momento de tensão pré-eleitoral pode ser, sem dúvida, um elemento novo e perigoso que acrescenta dramaticidade e intriga à já complexa eleição que ocupa o interesse de toda a vida política, enquanto se agrava a crise econômica, que, como sempre, afeta os mais desfavorecidos, que os políticos usam somente na hora de tentar comprar voto.

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10
Jul21

Empresa da ex-mulher de Wassef recebeu R$ 41 milhões no governo Bolsonaro

Talis Andrade

ConJur - Cristina Boner é absolvida pelo TJ-DFT de condenação por  improbidade

Cristina Boner

 

por Constança Rezende e Eduardo Militão /UOL

 

Uma empresa ligada à ex-mulher e sócia do advogado Frederick Wassef, que defende o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), recebeu R$ 41,6 milhões durante a gestão de Jair Bolsonaro.

O valor se refere a pagamentos efetuados entre janeiro de 2019 e junho de 2020 pelo governo federal para a Globalweb Outsourcing — empresa fundada por Cristina Boner Leo.

Os valores pagos à Globalweb em menos de um ano e meio da gestão Bolsonaro, R$ 41 milhões, já chegam aos pagos à empresa nos quatro anos de gestão compartilhada por Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), R$ 42 milhões.

A empresa presta serviços de informática e tecnologia da informação a diferentes órgãos da administração federal, como o Ministério da Educação e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social).

Segundo levantamento feito pelo UOL no portal da Transparência e Diário Oficial, os contratos que a empresa tinha negociado com governos anteriores foram prorrogados e receberam aditivos de R$ 165 milhões pela gestão de Bolsonaro.

Além disso, o novo governo fechou novos contratos com a Globalweb Outsourcing no valor de R$ 53 milhões — totalizando um compromisso de R$ 218 milhões a serem pagos pelos cofres públicos nos próximos anos.

Questionado, Wassef disse que os negócios da empresa não têm relação alguma com ele, acusou um ex-marido de Cristina de persegui-la e defendeu Jair Bolsonaro. A Globalweb e Cristina negaram "qualquer tentativa de vinculação de seus resultados ou das contratações como fruto de influência política". O Palácio do Planalto não se manifestou. 

Empresa da ex-mulher de Wassef recebeu R$ 41 milhões no governo Bolsonaro -  21/06/2020 - UOL Notícias

Foi em um imóvel do Wassef em Atibaia, no interior de São Paulo, que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi preso pela polícia na última quinta-feira (18) sob acusação de lavagem de dinheiro. O advogado não quis comentar esse assunto com o UOL.

Cristina representa a empresa em eventos

Aberta em 2010, a Globalweb é hoje administrada por Bruna Boner Leo Silva, filha de Cristina, ex-mulher de Wassef.Bruna Boner Léo Silva e Cristina Boner falam sobre Formação de Liderança

Bruna Boner Leo Silva 

 

Além de ter criado a empresa, Cristina foi apresentada como CEO e presidente do Conselho de Administração da Globalweb, durante fórum do Instituto de Formação de Líderes (IFL), em 2017. Em agosto de 2019, ela também representou a empresa num evento da Rede Nacional de Pesquisas (RNP).

Em junho do ano passado, a empresária foi condenada por improbidade administrativa no chamado "mensalão do DEM" e proibida de fechar contratos com a administração pública até 2022, de acordo com sentença do juiz Mário Henrique Silveira, da 2ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal. 

Empresa da ex-mulher de Wassef recebeu R$ 41 milhões no governo Bolsonaro

Advogado e ex são sócios em terreno

A empresária e Wassef mantêm amizade até hoje, apesar de estarem separados. Até o ano passado, o advogado era representante legal de Cristina em processos judiciais.

Eles também são sócios em um terreno comprado com 339 mil metros quadrados, em São Francisco do Sul (SC). Em maio de 2013, a Justiça de São Paulo chamou Wassef de "companheiro" de Cristina, em processo criminal envolvendo outro ex-marido da empresária.

Wassef se apresenta como advogado de Bolsonaro e diz que tem procurações assinadas pelo presidente que comprovam isso. Ele também costuma dar entrevistas em nome do presidente e frequentar o Palácio do Planalto.

Na quinta-feira (18), a advogada Karina Kufa, que também frequenta o Palácio, enviou nota afirmando que estão com o seu escritório todas as ações do presidente, "sejam elas cíveis, criminais ou eleitorais, em curso no poder Judiciário, exceto aquelas de competência da Advocacia Geral da União - AGU".

"O advogado Frederick Wassef não presta qualquer serviço advocatício em nenhuma ação em que seja parte o senhor Jair Messias Bolsonaro e não faz parte do referido escritório, não constando seu nome em qualquer processo", declarou.

Presidente comprou Land Rover

A empresária também ganhou destaque na imprensa após a revista Veja revelar, em abril do ano passado, que Bolsonaro havia comprado, anos antes, uma Land Rover blindada de uma outra firma dela, a Compusoftware, na época comandada por Cristina. O presidente adquiriu um veículo preto modelo 2009/2010.

À revista, a empresária disse que uma agência de veículos intermediou o negócio e que Bolsonaro quitou a compra por meio de uma transferência eletrônica de R$ 50 mil, embora o veículo, fosse avaliado em cerca de R$ 77 mil à época. Texto atualizado em 21.06.2020. 

Uživatel Humor Político na Twitteru: „“Wassef a metamorfose ambulante..''  https://t.co/ePasHyjfLD… “

 

16
Jun20

PF faz buscas na casa de Luís Felipe Belmonte, nº 2 do Aliança pelo Brasil

Talis Andrade

Luis Felipe Belmonte

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, ele é vice-presidente do novo partido do chefe do Executivo e suplente do senador Izalci Lucas (PSDB)

HUGO BARRETO/METRÓPOLES

 

Alvo de operação da Polícia Federal (PF) contra atos antidemocráticos, o empresário Luís Felipe Belmonte tem patrimônio milionário. Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, ele é vice-presidente do novo partido do chefe do Executivo, o Aliança pelo Brasil.

Casado com a deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), o advogado atualmente atua como suplente do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), nome cotado para assumir o Ministério da Educação, após fritura do ministro Abraham Weintraub.

Belmonte é uma figura conhecida no meio jurídico brasilense. Com escritórios em Brasília e São Paulo, ele atua no ramo do direito empresarial.

Nas últimas eleições, ocupou o segundo lugar na lista dos maiores doadores para campanhas de candidatos no Distrito Federal, e distribuiu quase R$ 3,3 milhões para 30 concorrentes. Somente para a campanha de Izalci, o advogado doou R$ 1,5 milhão, sendo R$ 430 mil em setembro, quando Izalci despontou nas pesquisas, segundo o TSE.

Enquanto suplente de senador pelo PSDB em 2018, seu patrimônio beirava os R$ 66 milhares de reais, de acordo com o Tribunal de Contas Eleitoral. Entre os bens, acumulam-se fazendas e carros de luxo.

247 - Alvo de uma Operação da Polícia Federal contra atos pró-golpe, o empresário Luís Felipe Belmonte foi denunciado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro em 2017, pelo pagamento de propina em troca de decisões judiciais favoráveis ao seu escritório de advocacia. Na ação, ele teria pago R$ 800 mil ao ex-desembargador Vulmar de Araújo Coelho Júnior, do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, em Rondônia.

O dinheiro teria sido repassado por meio da compra de um imóvel do desembargador por R$ 1,2 milhão. Deste valor, R$ 800 mil seriam referentes à liberação de precatórios que beneficiariam clientes de Belmonte. A diferença do valor da casa, orçada em R$ 400 mil, seria retribuição à decisão do magistrado, segundo informações publicadas pelo site Metrópoles

Gazeta do Povo - O site de Felipe Belmonte o descreve como um músico por vocação que entrou para o mundo jurídico por acreditar no princípio da justiça. Apesar de ter perfil que destoa do bolsonarismo clássico, Belmonte, de 66 anos, conquistou em pouco tempo um lugar no restrito circulo íntimo do clã e assumiu o papel que um dia foi do também advogado Gustavo Bebianno, hoje desafeto da família. No organograma do partido em formação, ele é o terceiro nome, abaixo apenas do presidente e do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ).

Desconhecido dos bolsonaristas, Belmonte se encontrou pessoalmente com o presidente em fevereiro, no almoço de aniversário do cantor Amado Batista. Na ocasião, o contato foi protocolar. O primeiro encontro de fato entre os dois se deu apenas no dia 19 de novembro, no Palácio do Planalto, e teve a participação dos advogados Karina Kufa e Admar Gonzaga, que assumiram a missão de definir o destino do presidente após ele deixar o PSL.

"Ele conhecia alguns dirigentes de partidos pequenos e tinha algumas opções", disse Karina. Depois, quando se constatou que o melhor caminho para o presidente era criar a própria agremiação, Belmonte seguiu ajudando. "Ele acabou ficando envolvido com o projeto e realmente se jogou", afirmou a advogada, que foi quem "descobriu" o novo aliado.

Belmonte desembarcou em Brasília em janeiro do ano passado, após um período sabático de oito anos na Inglaterra – onde aprendeu inglês e foi a shows de rock –, disposto a gastar parte de sua fortuna de R$ 65,8 milhões para entrar na política com a mulher, Paula Belmonte.

DCM - Escreve Mauro Donato: Até cerca de 2 anos atrás, Luís Felipe Belmonte vivia sua vida de milionário com a esposa e filhos na Inglaterra.

De lá, gerenciava seus negócios no Brasil, entre eles um time de futebol, o Real Brasíllia.

Ao perceber as nuvens do bolsonarismo formando-se sobre o céu do Brasil e sentindo aquele aroma de oportunidades no ar, em 2018 Felipe Belmonte pegou as malas e a esposa e voltou.

Projeto: entrarem, ambos, na política. Já de cara conseguiram eleger Paula, a esposa Belmonte, como deputada federal. Ele filiou-se ao PSDB e bancou a campanha de Izalci Lucas, o gênio do Escola Sem Partido.

Felipe Belmonte então aproximou-se ainda mais dos Bolsonaro e desde o ano passado é um dos principais nomes por trás da criação do Aliança pelo Brasil.

Ele hoje é o número três na hierarquia do Aliança, atrás apenas de Bolsonaro e do filho Flavio, o homem das rachadinhas de chocolate. Como é advogado, Belmonte ocupa hoje um papel que já foi de Gustavo Bebianno. Que sirva de aviso.

Mas voltemos ao que interessa. O que faz um milionário que vivia na Inglaterra nos últimos anos decidir retornar e exercer a ‘vida pública’? Um surto de patriotismo?

As atitudes do empresário Belmonte e seus posicionamentos em relação a alguns aspectos da política, do Aliança, e regras eleitorais ajudam o leitor a formular a resposta.

 

Felipe Belmonte é a favor da volta do financiamento privado em campanhas eleitorais. Caso clássico de quem tem dinheiro para comprar a tudo e a todos (patrimônio declarado de R$ 65,8 milhões), ele contorna essa questão com um discurso revestido de retidão.

“É preciso estabelecer que cada doador só pode doar para um candidato, de mesma base eleitoral. Não dá para apostar em dez e, quem ganhar, é com aquele estou, entende?”, declarou ele em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira.

Curioso é que o próprio Belmonte não segue seus preceitos.  No ano passado ele injetou quase R$ 4 milhões em candidatos os mais variados. Até do PCdoB!! Ele foi o segundo maior doador na campanha em Brasília.

Bolsonarismo explícito é isso, vende uma imagem e pratica o oposto.

Como empresário/advogado Belmonte também tem esqueletos no armário a serem explicados. O Ministério Público Federal o denunciou sob acusação de pagar propina a um ex-desembargador do Tribunal Regional do Trabalho em Rondônia.

Segundo a acusação, Belmonte conseguiu liberar um pagamento de R$ 107 milhões de um processo trabalhista, relacionado a um precatório da União.

Em poucas palavras o caso é o seguinte: o desembargador Vulmar de Araújo Coelho Junior havia suspendido o pagamento do precatório. Estranhamente, após atuação do escritório de advocacia de Belmonte, o desembargador reviu a própria decisão e liberou que a União pagasse. O escritório de Belmonte faturou R$ 11 milhões do precatório e logo depois, ainda segundo a denúncia, Belmonte usou um laranja para comprar um imóvel do desembargador.

A denúncia foi apresentada em maio de 2017 pela Procuradoria-Geral da República, o Ministério Público Federal ratificou os termos da denúncia, mas ainda não houve abertura de ação penal. Portanto, até agora Belmonte não é réu no caso.

A relação advocacia/imóveis/União faz parte do universo nababesco de Belmonte.

O escritório Luís Felipe Belmonte e Advogados Associados é especializado em processos contra a União que chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ou seja, seu combatente habitual é a Advocacia-Geral da União (AGU).

Como proprietário de imóveis, Belmonte possui, entre outros, os prédios da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em Brasília. Só com os aluguéis desses dois bens, o empresário tem uma renda mensal de R$ 769 mil (segundo reportagem da Veja). Dá pra viver tranquilamente na Inglaterra ou em qualquer lugar do planeta.

E onde entra a esposa, Paula Belmonte, nisso tudo?

Ela entrou para a política em 2018 e já se elegeu deputada federal em sua primeira participação. O que o dinheiro não faz, não é mesmo?

Paula passou o ano de 2018 envolvida com a CPI do BNDES. Chegou a viajar para Washington para fazer ruído com a suposta ‘utilização do banco de desenvolvimento para comprar companhias americanas durante os governos Lula e Dilma’.

Como a auditoria já revelou que não houve irregularidade nenhuma no BNDES, Paula agora volta a se submeter aos americanos e está à disposição para oferecer informações sobre o programa Mais Médicos e também investimentos que o Brasil tenha feito em Cuba.

Seu comportamento em Brasília é digno de uma dondoca.

Ainda no ano passado, Paula chegou atrasada em uma cerimônia do governo do DF e do Ministério da Cidadania. Por ter perdido um lugar entre as autoridades presentes, fez um barraco à la Big Brother, chegando a puxar pelo braço – e aos berros – a primeira-dama, Mayara Noronha.

O governador Ibaneis Rocha interveio: “Não aceito meninice de dondoca”.

Paula é do Cidadania e Felipe Belmonte é ex-PSDB. Os planos do casal são grandes. Pra já, a estratégia é tornar governador um dos dois em 2022. Mesmo que na cédula o nome conste como Izalci Lucas, não se engane.

Até lá saberemos se o partido que terá como número de legenda o 38 estará de pé. Depois disso, segura o casal.

 
 
 

 

16
Mar20

"Até quando Bolsonaro abusará da nossa paciência?", questiona Reinaldo Azevedo

Talis Andrade

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247 – O colunista Reinaldo Azevedo criticou Jair Bolsonaro por contribuir para a expansão do coronavírus no Brasil. "Internautas, pensem aí com seus botões: um político assim reúne as condições políticas, morais, éticas e mentais para ser presidente da República? É o mesmo líder que, na terça, atribuiu a exagero da "grande mídia" os receios provocados pelo coronavírus. Na quarta-feira, três membros de sua comitiva desembarcavam no país com a Covid-19 — Fábio Wajngarten, senador Nelsinho Trad e advogada Karina Kufa. Um quarto, Nestor Forster, futuro embaixador do Brasil em Washington, permaneceu, doente, nos EUA", escreveu ele, em sua coluna.

 

"Enquanto o mundo se organiza para enfrentar a pandemia, o irresponsável que ocupa a cadeira de presidente da República incentiva, na prática, a expansão do vírus. A pergunta que tem de ser feita: até quando um arruaceiro dessa espécie vai abusar da paciência da democracia?", questionou.

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