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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Nov20

1 em cada 5 prefeitos eleitos no 1º turno é milionário

Talis Andrade

Airton Garcia (PSL) é reeleito prefeito em São Carlos — Foto: Divulgação

Airton Garcia (PSL) é reeleito prefeito em São Carlos — Foto: Divulgação

Por Thaís Matos /G1

Entre os mais de 5,4 mil prefeitos eleitos no primeiro turno nas eleições municipais deste domingo (15), 1.158 são milionários, segundo levantamento do G1 junto aos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A proporção é a mesma registrada após as eleições de 2016, quando mais de 1,1 mil prefeitos, dos 5,5 mil eleitos, tinham declarado este patrimônio.

Assim, um em cada cinco eleitos (21,4%) para as prefeituras a partir de 2021 tem patrimônio declarado igual ou superior a R$ 1 milhão. Destes, 1.075 são homens e 83 são mulheres.

Minas Gerais é o estado que mais elegeu prefeitos milionários: 170. Em seguida, estão o Rio Grande do Sul, com 125; a Bahia, com 102; São Paulo, com 98; e Goiás, com 80. Roraima é o único estado que não elegeu milionários para as prefeituras.

Mais ricos entre milionários

Os sete eleitos mais ricos têm mais de R$ 100 milhões. O dono do maior patrimônio é Ailton Garcia (PSL), de São Carlos (SP), que declara mais de R$ 440 milhões. A lista de bens é extensa e tem desde fazendas e terrenos a cotas de shopping e investimentos.

Em seguida está Vittorio Medioli (PSD), de Betim (MG), com mais de R$ 351,7 milhões. A maior parte de seu patrimônio consiste de cotas de empresas. Antidio Lunelli (MDB), de Jaraguá do Sul, completa o top 3 dos milionários, com R$ 351 milhões distribuídos entre aplicações e fundos de ações.

Os outros são: João Gualberto (PSDB), de Mata de São João (BA); Miguel Vaz (Cidadania), de Lucas do Rio Verde (MT), Lara (PSC), de Japaratuba (SE); e Carlos Alberto Capeletti (PSD), de Tapurah (MT).

Os sete estão entre os 35 eleitos com mais de R$ 20 milhões declarados e os 81 eleitos com mais de R$ 10 milhões declarados.

Capitais

Entre as sete capitais que já elegeram seus prefeitos, cinco declaram patrimônio milionário:

16
Nov20

Como foi o desempenho dos candidatos apoiados por Bolsonaro

Talis Andrade

Como foi o desempenho dos candidatos apoiados por Bolsonaro nas eleições de 2020

Wal do Açaí, entre Bolsonaro e Carlos: ex-assessora do presidente e um dos nomes do bolsonarismo em 2020 não se elegeu vereadora em Angra dos Reis (RJ).| Foto: Reprodução/Facebook

 

por Rodolfo Costa /Gazeta do Povo

O presidente Jair Bolsonaro tem pouco o que celebrar neste primeiro turno das eleições municipais de 2020. A maior parte dos candidatos apoiados por ele e por sua família – o que inclui os três filhos e a mulher, a primeira-dama Michelle – não obtiveram bons resultados, seja para prefeituras ou câmaras municipais.

O que se observou na disputa das prefeituras é que, de 13 candidatos apoiados por Bolsonaro, mais da metade (oito) perdeu a eleição. E apenas cinco foram eleitos em primeiro turno ou continuam na disputa do segundo turno.

Os casos mais expressivos são os de Capitão Wagner (Pros), candidato à prefeitura de Fortaleza, Marcelo Crivella (Republicanos), candidato à reeleição no Rio de Janeiro, e do Delegado Federal Eguchi (Patriota), candidato em Belém. Ambos foram os segundos mais votados nas respectivas cidades. Wagner teve 33,3% dos votos válidos, Crivella fez 21,9% e Eguchi ficou com 23,1%.

Dois candidatos com o apoio da família Bolsonaro se elegeram para prefeituras de municípios de porte médio. O prefeito de Parnaíba (PI), Mão Santa (DEM), apoiado por Bolsonaro, foi reeleito em primeiro turno com 52,1 mil votos, 68,3% dos votos válidos. Outro que recebeu o apoio da família e faturou a eleição também em primeiro turno foi Gustavo Nunes (PSL), eleito em Ipatinga (MG).

Entre os candidatos a prefeito apoiados por Bolsonaro que ficaram no caminho, o caso mais simbólico é o de Celso Russomanno (Republicanos), que disputou o pleito na capital paulista. Não apenas foi preterido pelos paulistanos, como obteve apenas 10,5% dos votos válidos, tendo sido o quarto mais votado.

Em Belo Horizonte, Bruno Engler foi o segundo mais votado. Mas também fez apenas 10% dos votos válidos. Alexandre Kalil (PSD), o atual prefeito, reeleito com 63,4%.

Outros casos de insucessos entre candidatos apoiados por Bolsonaro em capitais está o da Delegada Patrícia (Podemos), postulante em Recife; e o de Coronel Menezes (Patriota), de Manaus. Enquanto Patrícia obteve 14,1% dos votos, a quarta mais votada, Menezes conseguiu 11,3% e foi o quinto mais votado.

Fora das capitais, Allan Lyra (PTC), candidato em Niterói (RJ), e Julia Zanatta (PL), em Criciúma (SC), são outros candidatos do bolsonarismo que sofreram derrotas.

13
Nov20

Bolsonaro pretende eleger prefeitos trampolins para sua reeleição em 2022

Talis Andrade

 

Jair Bolsonaro obteve mais de 57,7 milhões de votos e foi o preferido entre os eleitores de todos os Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e no Distrito Federal.

Mapa

Bolsonaro quer repetir o feito no Sul e Sudeste nestas eleições municipais de domingo. Perde apenas no Rio Grande do Sul.

Bolsonaro vence em Florianópolis com Gean Loureiro (Dem), em Curitiba com Rafael Greca (Dem), no Rio de Janeiro com Eduardo Paes (Dem), com Kalil em Belo Horizonte (PSD), Pazolini (Republicanos) ou Gandini (Cidadania) em Vitória.

Rafael Greca desafeto de Lula

 

O que é o Centrão vitorioso domingo próximo? 

Responde a jornalista Fernanda Galgaro, G1:

É um bloco informal na Câmara que reúne partidos de centro e centro-direita, que, dependendo da matéria, se articulam para votar da mesma maneira sobre determinado projeto.Entre esses partidos, estão PP (40 deputados), PL (39), Republicanos (31), Solidariedade (14) e PTB (12). O PSD (36), o MDB (34) e o DEM (28) também costumam estar alinhados com o grupo, assim como partidos menores, incluindo PROS (10), PSC (9), Avante (7) e Patriota (6). 

Bolsonaro nem considera derrota a reeleição de Covas, que o PSDB, num segundo turno, entre Bolsonaro versus esquerda, ficaria como sempre com a direita volver.

O Brasil e as eleições municipais

por Elaine Tavares /Palavras Insurgentes

As eleições municipais acontecem agora em novembro e, salvo algum evento cósmico, os candidatos ligados ao atraso e à morte podem levar as prefeituras em grande parte dos mais de cinco mil municípios do país. Também pode ser que as Câmaras de Vereadores fiquem recheadas de moralistas e negacionistas. Uma vertiginosa queda ao fundo do poço. Isso porque, passados quase dois anos de governo de Jair Bolsonaro, a população ainda não conseguiu avaliar de maneira clara o tamanho do buraco no qual estamos metidos. Desde o primeiro dia, a lógica foi a da destruição. Não se tratava do “mudar tudo isso que taí”, mas sim “destruir tudo o que há”. E foi por isso que cada nome para os ministérios foi seguindo a bizarra lógica do seu antagonista. Ou seja, para o ministério da Agricultura, alguém que apoia o agronegócio. Para o meio ambiente, quem quer destruí-lo, para a fazenda, um Chicago boy privatista e entreguista, para a Saúde, um militar sem formação e assim por diante.  

Quando a pandemia se abateu sobre o país, a partir de março, o que se viu foi um festival de absurdos, com o completo abandono da população. O governo federal não apresentou um plano nacional de combate ao vírus e de proteção das gentes. Pelo contrário. Minimizou a doença e atuou através de mentiras e opiniões sem base científica, receitando cloroquina e ivermectina, como prevenção. Um completo fracasso que já nos cobrou quase 200 mil vidas. A saída política foi jogar a culpa das mortes sobre os governadores e prefeitos e é justamente por isso que agora, nas eleições, estamos vendo nas propagandas dos chamados “bolsonaristas” a “denúncia” de que prefeitos e governadores “comunistas” foram os responsáveis pelo desastre econômico e pela perda das vidas. Ou seja, quem procurou proteger a população é atacado como responsável pelas perdas econômicas e humanas. Uma inversão completa dos fatos, mas muito bem amarrado via o gabinete do ódio e a máquina de mentiras dos aliados do presidente. O marquetim tem sido eficaz.  

A eleição nos Estados Unidos unificou de maneira organizada esse grupo que compõe a base de apoio de Bolsonaro. As pessoas passaram o último mês em intensa campanha, trazendo para a realidade local os temas que comandaram as eleições no país do norte. Segundo eles, o próprio deus estava atuando no sentido de eleger Donald Trump, homem eleito pelo divino para salvar o planeta dos pedófilos, comunistas e ladrões de crianças. Como eles colocam nessa turma os adversários políticos de Bolsonaro, a campanha nos EUA serviu para alavancar o debate na campanha eleitoral local. Vencer os candidatos “comunistas” é ponto de honra para esse grupo.  

A derrota de Trump nos Estados Unidos deixou a militância bolsonarista perplexa. Mas foi por pouco tempo. No mesmo dia em que se anunciou Biden como o novo presidente começaram a circular as informações de que tudo isso faz parte do “plano” de Trump para retornar com ainda mais poder. Então, a mensagem da semana é: reforçar as campanhas dos candidatos do presidente para fortalecer o cinturão de proteção em torno de Trump, pois ele vai virar o jogo. E toda hora circulam fotos de novas cédulas de votação encontradas ali e aqui que darão a vitória ao amado do senhor: Donald.  

Não bastasse isso, o presidente do Brasil continua atuando no sentido de desacreditar qualquer vacina contra o coronavírus que venha do “eixo do mal”: Rússia, China ou Cuba. Entre seus apoiadores as informações que circulam é de que essas vacinas transformarão as pessoas em autômatos comunistas, portanto, ninguém deve tomar. Hoje, depois que a Anvisa suspendeu a pesquisa que vinha sendo tocada pelo Instituto Butantan, com base em informações falsas de que uma pessoa voluntária do teste havia morrido por conta da vacina, os grupos estão em polvorosa. “Estamos salvos dos comunistas”, “Graças ao bom deus não haverá vacina chinesa”, “nos livramos da vacina do Dória”. E mesmo que a informação correta já tenha sido anunciada, de que o homem morto se suicidou e que não há ligação com o teste em si, nada muda. A mentira já pegou. Afinal, se a mais importante agência de vigilância sanitária do país veio à público suspender a vacina, é porque alguma coisa há. Navegar nesses grupos é verdadeiramente desafiar a sanidade.  

E assim vamos seguindo para as eleições, em meio a toda essa ideologização da morte. Bolsonaro politizou o trabalho de combate ao coronavírus e agora segue politizando a busca pela vacina. Se ela não vier dos Estados Unidos, ele não vai comprar. Dane-se a população. Chegou ao ápice da estupidez ao comemorar a morte do voluntário da vacina, divulgando nas redes sociais que “Bolsonaro ganhou mais uma”. Sim, ele tem essa estranha mania de se referenciar na terceira pessoa, como se fosse o avatar de si mesmo. O “ganhar”, no caso, é desacreditar a ciência, o Instituto Butantan e, por tabela, seu agora adversário, João Dória, que por descolar-se da sua política durante a pandemia virou milagrosamente “comunista”.  

A vertiginosa queda do país nas mãos desses tipos segue, aparentemente sem freio. Ao que parece, os brasileiros precisarão de mais tempo para perceber toda a perversidade que se esconde por trás das políticas negacionistas do governo federal. E enquanto o grupo de apoio do presidente se movimenta alucinadamente à base das teorias conspiratórias e com a espada de Javé nas mãos, a corrupção familiar segue a todo vapor, o judiciário faz vistas grossas, os deputados se enrolam em alianças fisiológicas e a classe dominante vai acumulando sem se sujar. O sistema, que Bolsonaro dizia que ia destruir, segue azeitado e forte, alicerçado por ele e seus seguidores.

Por fim, ainda que possa uma que outra prefeitura ser conquistada pelos partidos de centro-esquerda, provavelmente o nosso “day after”, o pós-eleição, se converterá em um festival de horrores.  

Há uma longa jornada ainda para se cumprir.  

 

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29
Mai18

A seleção que despreza sua gente

Talis Andrade

Distantes da torcida, jogadores partem para a Copa desconectados da realidade brasileira

em meio à greve dos caminhoneiros

 

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por Breiller Pires

 

Neste atípico domingo, a seleção brasileira encerrou a primeira etapa de preparação para a Copa do Mundo e embarcou rumo a Londres, onde prosseguirá com os treinamentos antes de chegar à Rússia. Enquanto o país vive um colapso de serviços em consequência da greve dos caminhoneiros, jogadores, comissão técnica e dirigentes circulavam de helicóptero entre Teresópolis e Rio de Janeiro. Seguiram para o Galeão sob forte escolta policial e tiveram cada passo no aeroporto transmitido como um estrondoso acontecimento em rede nacional. Despedida digna de uma seleção que despreza sua gente. O processo de elitização dos estádios e a frieza dos cartolas ampliaram o abismo que separa os craques dos meros mortais.

 

Na Granja Comary, a equipe de Tite fez apenas um treino aberto ao público. A confusão logo se estabeleceu, já que o centro de treinamentos em Teresópolis não possui estrutura para abrigar tantos torcedores. Muitos, incluindo crianças com camisas amarelas, foram barrados do lado de fora mesmo depois de passar horas na fila à espera de uma senha de acesso ao local. Sim, é preciso pegar senha para acompanhar um treino protocolar da seleção. Um treino. Quem conseguiu entrar, se acotovelava por uma selfie ou um autógrafo durante os minutos em que jogadores se dispuseram a atender os fãs. Amontoadas em uma grade que controlava a entrada para as arquibancadas improvisadas, algumas pessoas demonstraram a revolta contra o tratamento de gado dispensado pela CBF com gritos de “uh, uh é 7 a 1”, em alusão ao maior vexame da história do futebol brasileiro.

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Resumo da ópera: teve tentativa de invasão, frustração e muita desorganização. Na Copa de 2014, a Granja Comary já havia reproduzido um retrato fiel da desigualdade social no Brasil. Boa parte dos treinos era aberta a torcedores, porém, somente àqueles que moram no condomínio fechado vizinho ao complexo e a seus convidados VIPs. Condôminos resolveram lucrar em cima do privilégio e passaram a cobrar por convites. Ter o nome na lista custava entre 50 e 100 reais. Os treinos “abertos” serviram só para reforçar benesses dos ricos e tornar a seleção ainda mais inacessível aos pobres.

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P.S. deste correspondente: Lei mais no El País: Alexandre Kalil: “Futebol não é coisa para pobre”. Kalil é prefeito de Minas Gerais, eleito nas frituras da Lava Jato que pariu os Doria, em São Paulo, os Crivella, no Rio de Janeiro. Os candidatos demoagogos, que se dizem apolíticos. Kalil, cartola, um dos proprietários da empresa familiar Erkal Engenharia. Registra a Wikipédia: 

 

Em 20 de setembro de 2016, a Justiça de Minas Gerais decretou a falência da Erkal Engenharia, que possui um débito de R$ 88.000,00. A decisão cabe recurso. Kalil também foi condenado na Justiça Federal sob acusação de apropriação indébita previdenciária por ter, segundo denúncia, deixado de repassar ao INSS contribuições recolhidas de funcionários na empresa.

 

 

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