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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Nov20

Meu voto domingo (29): sim à vida

Talis Andrade

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por Selvino Heck /Sul 21

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Vou votar na vida no domingo, 29 de novembro. Vamos todas e todos votar na vida em Porto Alegre, São Paulo, Belém, Recife, Caxias do Sul, Pelotas, Juiz de Fora, Vitória, Fortaleza e outras cidades com segundo turno nas eleições municipais. Vida em primeiro lugar, sempre!

Há candidatos a prefeito que dizem que a economia vem em primeiro lugar. E, portanto, na visão deles, é preciso flexibilizar as regras em relação à pandemia do coronavírus, abrir todo o comércio, liberar os espaços da noite para os jovens, reabrir as escolas. Afinal, o importante para eles, fundamental e único, é o lucro do capital. Ou, dizem eles, não fazendo isso, o desemprego, que já era crescente antes da pandemia, vai aumentar, os prejuízos serão maiores, e assim por diante. Afinal, como diz o Presidente da República, morrer vamos todas e todos um dia!

Estou com o Papa Francisco e a Encíclica ‘Fratelli Tutti – Somos todos irmãos e todas irmãs – Sobre a Fraternidade e a Amizade Social’, onde ele anuncia: “17. Cuidar do mundo que nos rodeia e sustenta significa cuidar de nós mesmos. Mas precisamos nos constituir como um ‘nós’ que habita a Casa Comum. Um tal cuidado não interessa aos poderes econômicos que necessitam dum ganho rápido. Frequentemente as vozes que se levantam em defesa do meio ambiente são silenciadas ou ridicularizadas, disfarçando de racionalidade o que não passa de interesses particulares.”

Segundo os defensores do capitalismo, preservar a Amazônia e o meio ambiente é prejudicial aos negócios e à riqueza da Nação. Assim como, para os bancos e o grande capital, cuidar da vida de todas e todos em meio à pandemia, especialmente a vida de idosos, jovens e crianças, afeta e prejudica a economia e o lucro.

Se os governos implementarem políticas públicas beneficiando o conjunto da população, se propuserem, por exemplo, a taxação de grandes fortunas e uma renda básica da cidadania, a suposta oposição entre economia e vida estará superada. E será possível enfrentar as consequências da pandemia, esperar até que chegue uma vacina salvadora, ao mesmo tempo garantir comida na mesa de todas as brasileiras e todos os brasileiros, e condições de fazer a necessária travessia.

Diz mais o Papa Francisco: “106. Para se caminhar rumo à amizade social e à fraternidade universal, há que fazer um reconhecimento basilar e essencial: dar-se conta de quanto vale um ser humano, de quanto vale uma pessoa, sempre e em qualquer circunstância. 107. Todo ser humano tem direito de viver com dignidade e desenvolver integralmente, e nenhum país pode negar-lhe este direito fundamental.”

Já morreram quase 200 mil brasileiras e brasileiros desde março deste ano pela pandemia. 200 mil vidas perdidas. E, tudo indica, está começando a segunda onda do coronavírus no Brasil. Portanto, é fundamental que a sociedade se prepare, as famílias se preparem, com todos os cuidados necessários, para evitar mais mortes e mais sofrimento.

Colocar a vida em primeiro lugar faz-se ainda mais urgente em tempos de intolerância, ódio e violência. Basta lembrar a vida do Beto, o trabalhador negro João Alberto Silveira Freitas, barbaramente assassinado em 19 de novembro, um dia antes do Dia da Consciência Negra, dentro um supermercado em Porto Alegre. E, inacreditavelmente, um general que é vice-presidente da República é capaz de dizer: “Digo com toda tranquilidade: não existe racismo no Brasil.”

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Vidas negras importam! Clamou a candidata Manuela D’Ávila: “Qual pessoa branca você viu ser vítima dessa violência?” Gritou o candidato Guilherme Boulos: “Até quando?”

São mortes demais, mortes injustas. Muita dor, muita tristeza. A luta por uma sociedade justa e mais igual, sem discriminação, sem violência contra mulheres e assassinatos de jovens negros e negras, sem racismo, está em primeiríssimo lugar.

Estou, ainda e sempre, com o Papa Francisco e sua ‘Fratelli Tutti – Somos todos irmãos e todas irmãs’: “8. Sonhemos como uma única humanidade, como caminhantes da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos alberga a todas e todos, cada qual com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada qual com a própria voz, mas todas irmãs e todos irmãos.”

Por isso, meu voto em 29 de novembro, sem qualquer dúvida e com toda convicção, será a favor da vida, a favor da liberdade, a favor da esperança, a favor da justiça, a favor da igualdade, por terra, trabalho e teto, como propõe a Sexta Semana Social Brasileira, num grande e coletivo ‘Mutirão pela Vida’.

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15
Nov20

Um país de maricas, nosso país!

Talis Andrade

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por Chico Alencar /A Terra é Redonda

Somos um país de gente que sabe de sua finitude, mas não aceita morrer de abandono, fome, descaso, desmatamento, antes do tempo

Somos um país de Marias, de Quincas, de Antônias, de Serafins. De Maricas sim! Até de valentões, como Nhô Augusto Matraga, personagem do Rosa, que gostava de levar tudo de vencida, mas amansou com os baques da vida. E aprendeu, enfim, a amar seu igual (alguns, lamento, são casos perdidos de desumanidade estrutural).

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Somos um país da Ciência, de Santos Dumont, de Nise da Silveira, de Carlos Chagas, de Osvaldo Cruz, do Butantan, da Fiocruz. Das pesquisas nas universidades, para beneficiar a todos, com igualdade. Somos um país até de negacionistas e terraplanistas, apartados da realidade, que minguam na sua mediocridade.

Somos um país aberto ao mundo, que louva e utiliza a bússola, a impressão, o papel e mesmo a pólvora que a Civilização Chinesa legou para a Humanidade. Não aceitamos a marcha a ré da precariedade.

Queremos os avanços na Saúde, na Medicina, que nos ajudam a existir com qualidade – de qualquer origem e nacionalidade. Queremos tudo o que vem para “aliviar a canseira da existência”, como disse o Galileu do Brecht, que enfrentou a nada santa Inquisição mas não perdeu a consciência.

Somos um país de gente que sabe de sua finitude, mas não aceita morrer de abandono, fome, descaso, desmatamento, antes do tempo. De gente que quer, da vida, a delícia, e não a trama sinistra da milícia.

Somos um povo mais sábio do que os autocratas toscos que pensam nos governar. Esses vão passar!

Nossos sonhos não cabem nas urnas, mas também passam por lá, rebeldes, pra aumentar os pesadelos dos que se julgam eternos.

Sim, todos vamos morrer um dia. Inclusive os truculentos e neofascistas que tentam nos roubar vacinas e alegrias.

Eles ficarão, esquecidos, no lixo da História. Nossas causas – da justiça, da igualdade, da fraternidade – nos ultrapassam: permanecerão na memória, serão nosso perene padrão de glória.

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12
Out20

Peça 2 – o período PT

Talis Andrade

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Xadrez do pacto de Bolsonaro com o Estado profundo

 

por Luis Nassif

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No período pós-Constituinte, Fernando Henrique Cardoso logrou manter um pacto com o Estado profundo. Lula manteve o controle, consolidando laços com o setor real da economia, trabalhadores, lideranças empresariais, movimentos sociais.

Mas não evitou que tornasse alvo da primeira demonstração de força das corporações, no “mensalão”, conduzido por três figuras oriundas do corporativismo público: os Procuradores Gerais Antônio Fernando de Souza e Roberto Gurgel, e o Ministro do STF (egresso do Ministério Público Federal) Joaquim Barbosa. Foi o primeiro ensaio de guerra das corporações com o PT. Mas não foi suficiente para o partido aprender.

Craque na montagem de táticas brilhantes de sobrevivência e políticas sociais fundamentais, Lula  cometeu erros estratégicos relevantes.

* Políticas macroeconômicas que foram enfraquecendo cada vez mais o setor industrial, que poderia ter sido seu grande aliado, fortalecendo a financeirização da economia e o ente mercado.

* Mudança na remuneração do alto funcionalismo público, atraindo uma geração nova, totalmente despida de vocação pública, e tentando emular hábitos e ambições do espírito yuppie do mercado financeiro.

* Não perceber que a ascensão social, promovida pelo próprio PT, geraria nas novas classes um sentimento de emular a classe média tradicional. Venceram pela meritocracia e não pelas oportunidades abertas pelas políticas públicas.

* Incapacidade de promover reformas centrais em três áreas críticas: mídia, Justiça e mercado.

* “Republicanismo” na nomeação de juízes para os tribunais superiores.

* Depois das ameaças do “mensalão”, escudou-se em um pacto político de alto risco, com o loteamento de estatais, especialmente a Petrobras, e a concentração das alianças políticas e empresariais em um terreno minado, das empreiteiras de obras públicas.

O PT era o outsider no Sistema. Tentou ganhar seu espaço democraticamente buscando na representatividade junto ao país real. Mas se perdeu no caminho e na incompreensão sobre as formas de conviver com o Estado profundo. (Continua)

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06
Out20

Vale administra o dinheiro da multa que ela própria pagou após rompimento de barragem

Talis Andrade

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Acordo entre a mineradora e o governo Bolsonaro está sendo questionado

 
por Pedro Rafael Vilela
 
 

Responsável pelo maior desastre ambiental da história do país, com o rompimento da barragem de rejeitos minerais em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019, a mineradora Vale já está administrando os R$ 250 milhões em recursos das próprias multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por causa da tragédia.

O acordo foi anunciado no início de julho pela empresa e pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e incluem também o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Algumas semanas depois, o pacto foi homologado pela 12ª Vara Federal de Belo Horizonte.

Pelos termos assinados entre as partes, a mineradora vai apresentar e executar os projetos a serem financiados com o valor das multas, que devem incluir melhorias na infraestrutura de sete parques nacionais localizados em Minas Gerais e em programas de saneamento, manejo de resíduos e áreas verdes urbanas em municípios do estado. Não há obrigatoriedade de aplicação dos recursos em projetos relacionados à região atingida pelo rompimento da barragem. O prazo para a realização dos investimentos é de três anos.

O acordo, convertido em sentença transitada em julgado, agora é alvo do Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG). Em recurso interposto na semana passada, procuradores da República pediram a nulidade da sentença que homologou o acordo sob alegação, entre outras coisas, de que a 12ª Vara Federal de Belo Horizonte não teria competência para analisar o caso e de que o MPF nem sequer foi intimado a se manifestar sobre o assunto, como determina a legislação.

Segundo o MPF, ao receber o pedido para que homologasse o resultado da negociação extrajudicial, o juízo da 12ª Vara Federal acatou os argumentos das partes e invocou o Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) firmado no caso rio Doce, relacionado ao rompimento da barragem de Mariana (MG), em 2015, para fundamentar sua competência. Sua justificativa foi a de se evitar “confusão e/ou sobreposição de obrigações jurídicas reparatórias e/ou compensatórias ambientais, tendo em vista tratar-se de desastres distintos”, de acordo com a decisão.

Porém, conforme argumenta o MPF no recurso, o novo Acordo Substitutivo de Multa Ambiental não se relaciona em absolutamente nada com o TTAC ou mesmo com o desastre de Mariana. Pelo contrário: as multas aplicadas pelo Ibama “referem-se tão somente ao desastre de Brumadinho, que ocorreu três anos depois, em outro local geográfico e de responsabilidade exclusiva da Vale, não da Samarco ou da BHP, empresas também responsáveis pelo desastre de Mariana”, dizem os procuradores do MPF.

Eles também sustentam que, por falta da obrigatória intimação do Ministério Público, não houve o trânsito em julgado da decisão e ainda há prazo tanto para o MP como para terceiro interessado impugnarem a sentença.

“A escolha do juízo da 12ª Vara Federal não foi realizada sem objetivo, nós observamos que as decisões sobre o processo do Rio Doce têm beneficiado mais as empresas que os atingidos e o processo de reparação. Ou seja, não é só um problema formal, mas uma verdadeira movimentação política para que os objetivos do acordo fossem aceitos sem nenhuma contestação, que são conceder a Vale poderes de gestão e de polícia nas unidades de conservação objetos do acordo, territórios esses que são de interesse econômico da própria mineradora, o que significaria um total retrocesso a gestão dos recursos ambientais.”

“Além disso, o acordo não prevê a participação dos atingidos na gestão desses recursos”, afirma Anna Galeb, assessora jurídica popular e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Gestão de parques

Outro ponto crítico do acordo da Vale com o Ministério do Meio Ambiente é o que prevê que a mineradora assumirá a gestão completa dos projetos de manutenção e preservação de parques nacionais. As unidades de conservação envolvidas no acordo são os Parques Nacionais da Serra da Canastra, do Caparaó, da Serra do Cipó, da Serra do Gandarela, Cavernas do Peruaçu, Grande Sertão Veredas e das Sempre-Vivas, que deverão receber obras infraestrutura, cercamento e sinalização, fortalecimento e apoio à gestão.

Até mesmo os planos de manejos dos parques ficarão a cargo da Vale, segundo a acordo. Uma das cláusulas do acordo diz que a aplicação dos recursos será efetivada de acordo com programa a ser apresentado pela Vale em até 6 meses a partir do trânsito em julgado da homologação judicial, prazo que se encerra no início de 2021. O programa está sujeito à avaliação pelo ICMBio em até 15 (quinze) dias após o seu recebimento e, posteriormente, aprovado, em até 15 dias pelo Grupo de Acompanhamento do acordo, composto por integrantes do governo federal.

Um dos parques que ficarão sob gestão da Vale com base nesse acordo é o da Serra da Gandarela, que é entrecortado por diversos projetos de mineração. Criado em 2014 para proteger uma importante porção da Mata Atlântica mineira, o parque fica no coração do Quadrilátero Ferrífero, ao sul da Serra do Espinhaço, a 40 km de Belo Horizonte (MG). Inicialmente previsto para ter 38 mil hectares, a área final do parque ficou em cerca 31,2 mil para excluir justamente um projeto de de extração de ferro da Vale na região, o Apollo.

“Há diversos conflitos de interesse envolvidos, especialmente nos territórios apontados que tem um potencial de mineração muito grande, a homologação desse acordo dá carta verde para que a Vale comece a atuar como um poder paralelo nesses territórios. A lei bem aponta que a gestão das unidades de conservação deve ser realizada por entidades específicas para tal atuação, com a fiscalização adequada do Estado e ampla participação das comunidades nesse processo”, acrescenta Galeb.

A reportagem do Brasil de Fato procurou a Vale para comentar sobre os eventuais conflitos de interesse da companhia na gestão de projetos de conservação ambiental em Minas Gerais e sobre o recurso apresentado pelo MPF para suspender os efeitos do acordo, mas a empresa não respondeu. Ibama e ICMBio também foram procurados, mas se limitaram a informar que as informações disponíveis sobre o caso já foram divulgados nos canais oficiais do governo federal.

 
 

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06
Out20

Papa Francisco critica neoliberalismo e populismo em seu documento mais político

Talis Andrade

O papa Francisco durante o Angelus deste domingo no Vaticano.

 

Pontífice publica sua terceira encíclica, ‘Todos Irmãos’, uma análise sobre a crise do mundo atual em plena pandemia, de uma perspectiva radicalmente social: “O mercado sozinho não resolve tudo”

No primeiro de oito capítulos, intitulado "As sombras dum mundo fechado", o documento debruça-se sobre as muitas distorções da época contemporânea: a manipulação e a deformação de conceitos como democracia, liberdade, justiça; o egoísmo e a falta de interesse pelo bem comum; a prevalência de uma lógica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberrações como a escravatura, o tráfico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois forçadas a abortar, o tráfico de órgãos (10-24). Estes são problemas globais que requerem ações globais, sublinha o Papa, apontando o dedo também contra uma "cultura de muros" que favorece a proliferação de máfias, alimentadas pelo medo e pela solidão (27-28).

A muitas sombras, porém, a Encíclica responde com um exemplo luminoso, o do bom samaritano, a quem é dedicado o segundo capítulo, "Um estranho no caminho". Nele, o Papa assinala que, numa sociedade doente que vira as costas à dor e é "analfabeta" no cuidado dos mais frágeis e vulneráveis (64-65), somos todos chamados a estar próximos uns dos outros (81), superando preconceitos e interesses pessoais. De fato, todos nós somos corresponsáveis na construção de uma sociedade que saiba incluir, integrar e levantar aqueles que sofrem (77). O amor constrói pontes e nós "somos feitos para o amor" (88), acrescenta o Papa, exortando em particular os cristãos a reconhecerem Cristo no rosto de cada pessoa excluída (85). O princípio da capacidade de amar segundo "uma dimensão universal" (83) é também retomado no terceiro capítulo, "Pensar e gerar um mundo aberto": nele, Francisco exorta cada um de nós a "sair de si mesmo" para encontrar nos outros "um acrescentamento de ser" (88), abrindo-nos ao próximo segundo o dinamismo da caridade que nos faz tender para a "comunhão universal" (95). Afinal – recorda a Encíclica - a estatura espiritual da vida humana é medida pelo amor que nos leva a procurar o melhor para a vida do outro (92-93). O sentido da solidariedade e da fraternidade nasce nas famílias que devem ser protegidas e respeitadas na sua "missão educativa primária e imprescindível" (114).

O Papa se inspirou, em parte, nas desigualdades e falhas do sistema que o período atual ressaltou, explica ele em uma introdução pessoal. “Além das respostas diferentes dadas pelos distintos países, ficou evidente a incapacidade de agir em conjunto. Apesar de estarmos hiperconectados, houve uma fragmentação que tornou mais difícil resolver os problemas que afetam todos nós. […] O mundo avançava implacavelmente para uma economia que, utilizando os avanços tecnológicos, procurava reduzir os ‘custos humanos’, e alguns pretendiam nos fazer acreditar que bastava a liberdade de mercado para que tudo estivesse garantido. Mas o golpe duro e inesperado desta pandemia fora de controle obrigou, à força, a voltar a pensar nos seres humanos, em todos, mais do que no benefício de alguns”, assinala.

O neoliberalismo e as formas de capitalismo menos compassivas voltam a ser alvo de críticas abertas na proposta política detalhada pelo Papa. Assim como a falta de aprendizagem depois da última crise econômica, quando “as atividades financeiras especulativas e da riqueza fictícia” não foram reguladas. “O mercado sozinho não resolve tudo, embora mais uma vez queiram nos fazer acreditar nesse dogma de fé neoliberal. É um pensamento pobre, repetitivo, que propõe sempre as mesmas receitas diante de qualquer desafio que surja”, afirma. “Existem regras econômicas que foram eficazes para o crescimento, mas não para o desenvolvimento humano integral”, insiste Francisco no texto.

crítica ao sistema econômico atual, que produz “escravos” e “descartes”, é clara, mas sua articulação fica menos nítida quando insiste na crítica à globalização atual ou aborda questões como nacionalismo e populismo. Principalmente um certo tipo de populismo (críticos de Francisco o consideram um dos principais representantes dessa corrente). “Nos últimos anos, a expressão ‘populismo’ ou ‘populista’ invadiu os meios de comunicação e a linguagem em geral. Assim, perde o valor que poderia conter e se transforma em uma das polaridades da sociedade dividida. […] A pretensão de instalar o populismo como chave de leitura da realidade social tem outra fragilidade: ignora a legitimidade da noção de povo.” Esta é uma palavra que o Papa usa de forma recorrente, inclusive para se referir à comunidade de fiéis: “O povo de Deus”.

Francisco considera que a vertente negativa dessa corrente política brota paralelamente aos nacionalismos e soberanismos que percorrem o mundo. Esse nacionalismo que fecha os povos em si mesmos e lembra tempos sombrios. “A história dá sinais de estar retrocedendo. Acendem-se conflitos anacrônicos que eram considerados superados, ressurgem nacionalismos fechados, exasperados, ressentidos e agressivos. Em vários países, uma ideia de unidade do povo e da nação, permeada por diversas ideologias, cria novas formas de egoísmo e de perda do sentido social, mascaradas sob uma suposta defesa dos interesses nacionais.”

A solução, acredita Francisco, também não passa pelo atual sistema de globalização. O Papa faz alusão à expressão “abrir-se para o mundo”, que segundo ele foi sequestrada pela economia e pelas finanças. “Refere-se exclusivamente à abertura para os interesses estrangeiros ou à liberdade das potências econômicas de investir sem obstáculos nem complicações em todos os países. Os conflitos locais e o desinteresse pelo bem comum são instrumentalizados pela economia global para impor um modelo cultural único. Essa cultura unifica o mundo, mas divide as pessoas e as nações”. Uma divisão da qual grandes empresas e nações tiram proveito para negociar individualmente com os países e ter mais força, assinala o texto, em uma referência que aponta potências como os Estados Unidos e suas tentativas por dividir a União Europeia nos últimos anos.

A encíclica aponta até mesmo para os velhos fantasmas políticos do socialismo, como a propriedade privada, que o Papa considera um direito “natural secundário e derivado do princípio do destino universal dos bens criados, que frequentemente [...] se sobrepõe ao que é prioritário”. “Nesta linha, lembro que a tradição cristã nunca reconheceu como absoluto ou intocável o direito à propriedade privada e enfatizou a função social de qualquer forma de propriedade privada. O princípio do uso comum dos bens criados para todos é o primeiro princípio de todo o ordenamento ético-social, é um direito natural, originário e prioritário. Todos os outros direitos sobre os bens necessários para a realização integral das pessoas, incluindo o de propriedade privada e qualquer outro, não devem atrapalhar sua realização, pelo contrário, devem facilitá-la, como afirmava São Paulo VI".

04
Out20

Papa Francisco critica neoliberalismo e populismo em seu documento mais político

Talis Andrade

O papa Francisco durante o Angelus deste domingo no Vaticano.

 

Pontífice publica sua terceira encíclica, ‘Todos Irmãos’, uma análise sobre a crise do mundo atual em plena pandemia, de uma perspectiva radicalmente social: “O mercado sozinho não resolve tudo”

No primeiro de oito capítulos, intitulado "As sombras dum mundo fechado", o documento debruça-se sobre as muitas distorções da época contemporânea: a manipulação e a deformação de conceitos como democracia, liberdade, justiça; o egoísmo e a falta de interesse pelo bem comum; a prevalência de uma lógica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberrações como a escravatura, o tráfico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois forçadas a abortar, o tráfico de órgãos (10-24). Estes são problemas globais que requerem ações globais, sublinha o Papa, apontando o dedo também contra uma "cultura de muros" que favorece a proliferação de máfias, alimentadas pelo medo e pela solidão (27-28).

A muitas sombras, porém, a Encíclica responde com um exemplo luminoso, o do bom samaritano, a quem é dedicado o segundo capítulo, "Um estranho no caminho". Nele, o Papa assinala que, numa sociedade doente que vira as costas à dor e é "analfabeta" no cuidado dos mais frágeis e vulneráveis (64-65), somos todos chamados a estar próximos uns dos outros (81), superando preconceitos e interesses pessoais. De fato, todos nós somos corresponsáveis na construção de uma sociedade que saiba incluir, integrar e levantar aqueles que sofrem (77). O amor constrói pontes e nós "somos feitos para o amor" (88), acrescenta o Papa, exortando em particular os cristãos a reconhecerem Cristo no rosto de cada pessoa excluída (85). O princípio da capacidade de amar segundo "uma dimensão universal" (83) é também retomado no terceiro capítulo, "Pensar e gerar um mundo aberto": nele, Francisco exorta cada um de nós a "sair de si mesmo" para encontrar nos outros "um acrescentamento de ser" (88), abrindo-nos ao próximo segundo o dinamismo da caridade que nos faz tender para a "comunhão universal" (95). Afinal – recorda a Encíclica - a estatura espiritual da vida humana é medida pelo amor que nos leva a procurar o melhor para a vida do outro (92-93). O sentido da solidariedade e da fraternidade nasce nas famílias que devem ser protegidas e respeitadas na sua "missão educativa primária e imprescindível" (114).

O Papa se inspirou, em parte, nas desigualdades e falhas do sistema que o período atual ressaltou, explica ele em uma introdução pessoal. “Além das respostas diferentes dadas pelos distintos países, ficou evidente a incapacidade de agir em conjunto. Apesar de estarmos hiperconectados, houve uma fragmentação que tornou mais difícil resolver os problemas que afetam todos nós. […] O mundo avançava implacavelmente para uma economia que, utilizando os avanços tecnológicos, procurava reduzir os ‘custos humanos’, e alguns pretendiam nos fazer acreditar que bastava a liberdade de mercado para que tudo estivesse garantido. Mas o golpe duro e inesperado desta pandemia fora de controle obrigou, à força, a voltar a pensar nos seres humanos, em todos, mais do que no benefício de alguns”, assinala.

O neoliberalismo e as formas de capitalismo menos compassivas voltam a ser alvo de críticas abertas na proposta política detalhada pelo Papa. Assim como a falta de aprendizagem depois da última crise econômica, quando “as atividades financeiras especulativas e da riqueza fictícia” não foram reguladas. “O mercado sozinho não resolve tudo, embora mais uma vez queiram nos fazer acreditar nesse dogma de fé neoliberal. É um pensamento pobre, repetitivo, que propõe sempre as mesmas receitas diante de qualquer desafio que surja”, afirma. “Existem regras econômicas que foram eficazes para o crescimento, mas não para o desenvolvimento humano integral”, insiste Francisco no texto.

crítica ao sistema econômico atual, que produz “escravos” e “descartes”, é clara, mas sua articulação fica menos nítida quando insiste na crítica à globalização atual ou aborda questões como nacionalismo e populismo. Principalmente um certo tipo de populismo (críticos de Francisco o consideram um dos principais representantes dessa corrente). “Nos últimos anos, a expressão ‘populismo’ ou ‘populista’ invadiu os meios de comunicação e a linguagem em geral. Assim, perde o valor que poderia conter e se transforma em uma das polaridades da sociedade dividida. […] A pretensão de instalar o populismo como chave de leitura da realidade social tem outra fragilidade: ignora a legitimidade da noção de povo.” Esta é uma palavra que o Papa usa de forma recorrente, inclusive para se referir à comunidade de fiéis: “O povo de Deus”.

Francisco considera que a vertente negativa dessa corrente política brota paralelamente aos nacionalismos e soberanismos que percorrem o mundo. Esse nacionalismo que fecha os povos em si mesmos e lembra tempos sombrios. “A história dá sinais de estar retrocedendo. Acendem-se conflitos anacrônicos que eram considerados superados, ressurgem nacionalismos fechados, exasperados, ressentidos e agressivos. Em vários países, uma ideia de unidade do povo e da nação, permeada por diversas ideologias, cria novas formas de egoísmo e de perda do sentido social, mascaradas sob uma suposta defesa dos interesses nacionais.”

A solução, acredita Francisco, também não passa pelo atual sistema de globalização. O Papa faz alusão à expressão “abrir-se para o mundo”, que segundo ele foi sequestrada pela economia e pelas finanças. “Refere-se exclusivamente à abertura para os interesses estrangeiros ou à liberdade das potências econômicas de investir sem obstáculos nem complicações em todos os países. Os conflitos locais e o desinteresse pelo bem comum são instrumentalizados pela economia global para impor um modelo cultural único. Essa cultura unifica o mundo, mas divide as pessoas e as nações”. Uma divisão da qual grandes empresas e nações tiram proveito para negociar individualmente com os países e ter mais força, assinala o texto, em uma referência que aponta potências como os Estados Unidos e suas tentativas por dividir a União Europeia nos últimos anos.

A encíclica aponta até mesmo para os velhos fantasmas políticos do socialismo, como a propriedade privada, que o Papa considera um direito “natural secundário e derivado do princípio do destino universal dos bens criados, que frequentemente [...] se sobrepõe ao que é prioritário”. “Nesta linha, lembro que a tradição cristã nunca reconheceu como absoluto ou intocável o direito à propriedade privada e enfatizou a função social de qualquer forma de propriedade privada. O princípio do uso comum dos bens criados para todos é o primeiro princípio de todo o ordenamento ético-social, é um direito natural, originário e prioritário. Todos os outros direitos sobre os bens necessários para a realização integral das pessoas, incluindo o de propriedade privada e qualquer outro, não devem atrapalhar sua realização, pelo contrário, devem facilitá-la, como afirmava São Paulo VI".

07
Set20

Como os líderes mundiais tratam a justiça em seus países

Talis Andrade

 

 

por Adan Smith/ Os Profanos

Se a justiça é cega, então certos líderes mundiais estão aproveitando para levantar as balanças acima de seus braços e apontando a espada uns contra os outros, nessa eterna luta pelo poder, todos interessados apenas no próprio umbigo.

O ilustrador Gunduz Agayev preparou uma série de ilustrações de sua visão de como diversos países tratam a justiça em seu território.

“Eu levei cerca de 15-16 dias neste volume. Eu desenhei pensando e lendo sobre a situação desses países. Essas ilustrações espelham a real condição nos países.”

justica 1 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justic

justica 2 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justic

justica 3 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justic

justica 4  Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justi

justica 5 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justic

justica 6 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justic

justica 7 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justic

justica 8 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justic

justica 9 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justic

justica 10 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justi

justica 11 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justi

justica 12 Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-justi

justica 13  Como-os-lideres-mundiais-tratam-a-just

 

27
Jul20

Igreja: 152 bispos criticam “economia que mata” do governo Bolsonaro

Talis Andrade

São Franscisco, Portinari

"Carta ao Povo de Deus" denuncia os desmandos do governo e retoma a defesa dos direitos humanos que caracterizam a Igreja da Teologia da Libertação ...

Igreja Católica encabeçada por Dom Paulo Evaristo Arns, Pedro Casaldáliga e Helder Câmara teve papel relevante na luta pelos direitos humanos e pela democracia durante a ditadura militar. Em tempos de grave autoritarismo como o que vivemos, a Igreja católica resolveu se manifestar novamente. No texto, chamado de “Carta ao Povo de Deus”, os bispos dizem que o Brasil atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história, vivendo uma “tempestade perfeita”. Ela combinaria uma crise sem precedentes na saúde e um “avassalador colapso na economia” com a tensão sofre “fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República [Jair Bolsonaro] e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança”
 

O documento critica  “discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela COVID-19”  e chama a atenção para o “caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço. Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja.”

A Igreja Católica retoma sua tradição profética, tão valorizada pela Teologia da Libertação, e junta sua voz ao movimentos sociais e democráticos que lutam contra as políticas de morte comandadas pelo governo Bolsonaro.  

 

“Carta ao Povo de Deus”


“Somos bispos da Igreja Católica, de várias regiões do Brasil, em profunda comunhão com o Papa Francisco e seu magistério e em comunhão plena com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que no exercício de sua missão evangelizadora, sempre se coloca na defesa dos pequeninos, da justiça e da paz. Escrevemos esta Carta ao Povo de Deus, interpelados pela gravidade do momento em que vivemos, sensíveis ao Evangelho e à Doutrina Social da Igreja, como um serviço a todos os que desejam ver superada esta fase de tantas incertezas e tanto sofrimento do povo.

Evangelizar é a missão própria da Igreja, herdada de Jesus. Ela tem consciência de que “evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo” (Alegria do Evangelho, 176). Temos clareza de que “a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. A nossa reposta de amor não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados […], uma série de ações destinadas apenas a tranquilizar a própria consciência. A proposta é o Reino de Deus […] (Lc 4,43 e Mt 6,33)” (Alegria do Evangelho, 180). Nasce daí a compreensão de que o Reino de Deus é dom, compromisso e meta.

É neste horizonte que nos posicionamos frente à realidade atual do Brasil. Não temos interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza. Nosso único interesse é o Reino de Deus, presente em nossa história, na medida em que avançamos na construção de uma sociedade estruturalmente justa, fraterna e solidária, como uma civilização do amor.

O Brasil atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história, comparado a uma “tempestade perfeita” que, dolorosamente, precisa ser atravessada. A causa dessa tempestade é a combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança.

Este cenário de perigosos impasses, que colocam nosso País à prova, exige de suas instituições, líderes e organizações civis muito mais diálogo do que discursos ideológicos fechados. Somos convocados a apresentar propostas e pactos objetivos, com vistas à superação dos grandes desafios, em favor da vida, principalmente dos segmentos mais vulneráveis e excluídos, nesta sociedade estruturalmente desigual, injusta e violenta. Essa realidade não comporta indiferença.

É dever de quem se coloca na defesa da vida posicionar-se, claramente, em relação a esse cenário. As escolhas políticas que nos trouxeram até aqui e a narrativa que propõe a complacência frente aos desmandos do Governo Federal, não justificam a inércia e a omissão no combate às mazelas que se abateram sobre o povo brasileiro. Mazelas que se abatem também sobre a Casa Comum, ameaçada constantemente pela ação inescrupulosa de madeireiros, garimpeiros, mineradores, latifundiários e outros defensores de um desenvolvimento que despreza os direitos humanos e os da mãe terra. “Não podemos pretender ser saudáveis num mundo que está doente. As feridas causadas à nossa mãe terra sangram também a nós” (Papa Francisco, Carta ao Presidente da Colômbia por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05/06/2020).

Todos, pessoas e instituições, seremos julgados pelas ações ou omissões neste momento tão grave e desafiador. Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela COVID-19, tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino, o caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço. Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja, no seguimento Àquele que vê io “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises. As reformas trabalhista e previdenciária, tidas como para melhorarem a vida dos mais pobres, mostraram-se como armadilhas que precarizaram ainda mais a vida do povo. É verdade que o Brasil necessita de medidas e reformas sérias, mas não como as que foram feitas, cujos resultados pioraram a vida dos pobres, desprotegeram vulneráveis, liberaram o uso de agrotóxicos antes proibidos, afrouxaram o controle de desmatamentos e, por isso, não favoreceram o bem comum e a paz social. É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo, que privilegia o monopólio de pequenos grupos poderosos em detrimento da grande maioria da população.

O sistema do atual governo não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, mas a defesa intransigente dos interesses de uma “economia que mata” (Alegria do Evangelho, 53), centrada no mercado e no lucro a qualquer preço. Convivemos, assim, com a incapacidade e a incompetência do Governo Federal, para coordenar suas ações, agravadas pelo fato de ele se colocar contra a ciência, contra estados e municípios, contra poderes da República; por se aproximar do totalitarismo e utilizar de expedientes condenáveis, como o apoio e o estímulo a atos contra a democracia, a flexibilização das leis de trânsito e do uso de armas de fogo pela população, e das leis do trânsito e o recurso à prática de suspeitas ações de comunicação, como as notícias falsas, que mobilizam uma massa de seguidores radicais.

O desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia também nos estarrece. Esse desprezo é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública; no apelo a ideias obscurantistas; na escolha da educação como inimiga; nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros da educação e do meio ambiente e do secretário da cultura; no desconhecimento e depreciação de processos pedagógicos e de importantes pensadores do Brasil; na repugnância pela consciência crítica e pela liberdade de pensamento e de imprensa; na desqualificação das relações diplomáticas com vários países; na indiferença pelo fato de o Brasil ocupar um dos primeiros lugares em número de infectados e mortos pela pandemia sem, sequer, ter um ministro titular no Ministério da Saúde; na desnecessária tensão com os outros entes da República na coordenação do enfrentamento da pandemia; na falta de sensibilidade para com os familiares dos mortos pelo novo coronavírus e pelos profissionais da saúde, que estão adoecendo nos esforços para salvar vidas.

No plano econômico, o ministro da economia desdenha dos pequenos empresários, responsáveis pela maioria dos empregos no País, privilegiando apenas grandes grupos econômicos, concentradores de renda e os grupos financeiros que nada produzem. A recessão que nos assombra pode fazer o número de desempregados ultrapassar 20 milhões de brasileiros. Há uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda.

Fechando os olhos aos apelos de entidades nacionais e internacionais, o Governo Federal demonstra omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres e vulneráveis da sociedade, quais sejam: as comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, as populações das periferias urbanas, dos cortiços e o povo que vive nas ruas, aos milhares, em todo o Brasil. Estes são os mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus e, lamentavelmente, não vislumbram medida efetiva que os levem a ter esperança de superar as crises sanitária e econômica que lhes são impostas de forma cruel. O Presidente da República, há poucos dias, no Plano Emergencial para Enfrentamento à COVID-19, aprovado no legislativo federal, sob o argumento de não haver previsão orçamentária, dentre outros pontos, vetou o acesso a água potável, material de higiene, oferta de leitos hospitalares e de terapia intensiva, ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea, nos territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais (Cf. Presidência da CNBB, Carta Aberta ao Congresso Nacional, 13/07/2020).

Até a religião é utilizada para manipular sentimentos e crenças, provocar divisões, difundir o ódio, criar tensões entre igrejas e seus líderes. Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário. Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?

O momento é de unidade no respeito à pluralidade! Por isso, propomos um amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito, com ética na política, com transparência das informações e dos gastos públicos, com uma economia que vise ao bem comum, com justiça socioambiental, com “terra, teto e trabalho”, com alegria e proteção da família, com educação e saúde integrais e de qualidade para todos. Estamos comprometidos com o recente “Pacto pela vida e pelo Brasil”, da CNBB e entidades da sociedade civil brasileira, e em sintonia com o Papa Francisco, que convoca a humanidade para pensar um novo “Pacto Educativo Global” e a nova “Economia de Francisco e Clara”, bem como, unimo-nos aos movimentos eclesiais e populares que buscam novas e urgentes alternativas para o Brasil.

Neste tempo da pandemia que nos obriga ao distanciamento social e nos ensina um “novo normal”, estamos redescobrindo nossas casas e famílias como nossa Igreja doméstica, um espaço do encontro com Deus e com os irmãos e irmãs. É sobretudo nesse ambiente que deve brilhar a luz do Evangelho que nos faz compreender que este tempo não é para a indiferença, para egoísmos, para divisões nem para o esquecimento (cf. Papa Francisco, Mensagem Urbi et Orbi, 12/4/20).

Despertemo-nos, portanto, do sono que nos imobiliza e nos faz meros espectadores da realidade de milhares de mortes e da violência que nos assolam. Com o apóstolo São Paulo, alertamos que “a noite vai avançada e o dia se aproxima; rejeitemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,12).

O Senhor vos abençoe e vos guarde. Ele vos mostre a sua face e se compadeça de vós.
O Senhor volte para vós o seu olhar e vos dê a sua paz! (Nm 6,24-26).

São Francisco, Militão dos Santos

23
Jul20

Sérgio Moro a cooperar com a ascensão do fascista ignorante Jair Bolsonaro

Talis Andrade

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II - Lava Jato é golpista e entreguista, traidora e lixo moral

por Davis Sena Filho

- - -

A verdade é que o bando da Lava Jato, recheado de coxinhas concurseiros de classe média, que pensam o País por intermédio de suas mentes indelevelmente superficiais, sectárias e elitizadas, pois limitadas a seus mundinhos coloridos e pequenos burgueses, formaram um partido político ilegal, que realiza suas ações nos subterrâneos da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça, com a cumplicidade da imprensa porta-voz do capital estrangeiro, a ser o Grupo Globo, que antes se autodenominava “Organizações(?)”, a principal arma de controle social para que o golpe fosse aceito por grande parte da sociedade e, consequentemente, angariar apoio para que a tramóia de caráter golpista se concretizasse, como, evidentemente, ocorreu e já consta na história desse triste e azarado País de casa grande de terceiro mundo.

Esses servidores de classe média, estúpidos e analfabetos políticos, aboletados em PF, MPF (PGR) e Justiça, organizaram-se em uma frente integralista, a montar um partido clandestino de direita, useiro e vezeiro em se valer de métodos ilegais e criminosos, de forma sintética e sistemática, como comprovam as denúncias do Intercept Brasil e, mais do que isto, como sempre se soube muito antes do Intercept, porque a blogosfera combativa e de esquerda há muito tempo denunciava e afirmava que servidores de Justiça, MP e PF estavam à frente de um movimento golpista vinculado a interesses do FBI, Departamento de Estado e da própria presidência norte-americana.

Afinal, a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras, somente para ficar nesses dois exemplos de inúmeros acontecimentos, foram grampeadas pelos estadunidenses e, evidentemente, com o conhecimento de servidores brasileiros subservientes e subalternos ao sistema de poder norte-americano, porque colonizados desde sempre pelo imaginário dessa gente sobre os Estados Unidos, que remonta suas infâncias de coxinhas de classe média aficcionados por Miami e Orlando, que adoram ir até hoje à Disney para visitarem o Mickey, o Pluto, o Donald e darem uma de Patetas deslumbrados com suas próprias posições privilegiadas de membros integrantes como coxinhas no tecido social brasileiro.

A verdade dura e crua é que esses trágicos amantes de holofotes, fama e dinheiro, bem como muito vaidosos e cuidadosos de seus status como os cavaleiros libertadores da família burguesa, da pátria para poucos e da propriedade privada, que possuem ligação direta com Deus, ainda terão de responder por seus crimes e traições, porque responsáveis diretos, juntamente com a imprensa comercial e privada, pela destruição da economia brasileira, com a perda verificada desde 2015 de quase 20 milhões de empregos com carteira assinada, sendo que 45 milhões de pessoas na informalidade; 15 milhões de subutilizados a ganhar abaixo do mínimo; e 11 milhões de desalentados, porque desistiram de procurar emprego, além de aposentadorias ameaçadas de extinção. Especificamente, portanto, somente em 2019 e neste ano de 2020 cerca de 5 milhões de postos de trabalho foram extintos, a evidenciar, por sua vez, que apesar da pandemia da covid-19 concorrer para a perda de postos de trabalho, desde 2015 e após o golpe de 2016 a economia brasileira desceu ladeira abaixo.

Vale ressaltar, também, que o partido golpista da Lava Jato, subalterno aos EUA, e a imprensa comercial e privada de concessão pública (leia-se Globo e suas congêneres) cometeram crimes gravíssimos de lesa-pátria, a exemplo da destruição das indústrias de base, como as de construção civil, naval e de carnes, além de as hidrelétricas, o setor nuclear e muitos segmentos da agricultura brasileira, que por serem ideologicamente aventureiros e  ideologicamente preconceituosos, estão a dar com os burros n’água, o que é muito bem feito para ter vergonha na cara em um aprendizado feito de dores no bolso, falências e lágrimas de sangue.

Entretanto, cabe acusar, denunciar e responsabilizar o bando da Lava Jato para que cada membro golpista dela seja punido conforme seu comprometimento com o golpe de estado e a destruição da economia do Brasil, afinal são dezenas de milhões de desempregados, o orçamento da saúde e da educação irresponsavelmente congelados por 20 longos e perversos anos, a entrega do Pré-Sal à gringada malandra e esperta, cujos lucros seriam destinados à saúde e à educação do povo brasileiro, bem como o fim da diplomacia soberana e independente do Brasil perante a comunidade internacional.

A criminosa e traidora Lava Jato fez o pior e sempre soube o que fez. Sua obra de combate à corrupção teve como plataforma a sustentá-la a própria corrupção, de maneira que ela pudesse perseguir, humilhar, tutelar e prender apenas os políticos de um partido, sendo que, evidentemente, outros políticos de partidos que sustentavam o governo também seriam investigados para dar uma conotação falsa de imparcialidade, sendo que a Lava Jato foi criada e estabelecida para combater o Partido dos Trabalhadores e suas principais lideranças, além de influir ilegalmente nas eleições presidenciais. Esta é a verdade.

Este é o propósito fundamental da Lava Jato, cujos membros, levianos, parciais e inconsequentes, terão de responder por seus incontáveis crimes, pois inesquecíveis suas vulgaridades, mentiras e patifarias somadas aos seus sentimentos de classe social — a luta de classe — e preconceitos que envergonhariam bandidos.

A Lava Jato é antes de tudo e qualquer coisa golpista, entreguista e traidora, enfim, um lixo moral. Ela e seus integrantes são uma tragédia anunciada, que apresentou sua face diabólica desde o golpe, pois um movimento subalterno praticado por um consórcio de direita composto por generais, procuradores, delegados, juízes, empresários, políticos e empresários, a terem a imprensa de mercado como sua porta-voz de ações mais do que efetivas.

Os golpistas midiáticos da Lava Jato contaram ainda com o apoio e a presença de uma classe média despolitizada, que foi às ruas sem reivindicações e pautas pré-estabelecidas, mas com o propósito de derrubar lideranças trabalhistas e de esquerda, que deram acesso aos bens de consumo para os pobres, sendo que as empregadas domésticas passaram a ter o direito de assinar a carteira de trabalho. Simbolicamente o fim do resquício da escravidão retratado na pequena senzala das casas e apartamentos: o quartinho de empregada. E esta realidade doeu demais nas almas carcomidas e presunçosas da burguesia e pequena burguesia, que no fundo consideram a escravidão uma glória conquistada pela superioridade europeia. Vade retro!

Além do mais, dentre outras considerações, os governos de esquerda promoveram as cotas para negros, índios e portadores de necessidades especiais; receberam grupos como catadores de materiais recicláveis e LGBTQI+ em pleno Palácio do Planalto; legalizaram as terras indígenas e de quilombolas, além de efetivarem programas como Luz para Todos; PAC 1 e 2; Minha Casa, Minha Vida; Bolsa Família; Pronatec; Mais Médicos, dentre muitos outros programas, além de obras como hidrelétricas, recuperação de rodovias e a transposição do Rio São Francisco, que a burguesia brasileira sempre boicotou durante dois séculos, a fim de ter o controle eterno da água e, obviamente, manter os trabalhadores dependentes de seus interesses.

Todo esse processo gigantesco de recuperação da economia e criação de empregos fez com que o PT vencesse quatro eleições e ganharia a quinta com Lula após oito anos de Dilma no poder. Porém, a direita brasileira não reconheceu a quarta vitória e o incompetente e irresponsável playboy das Alterosas, cuja alcunha é Aécio Neves, que até os dias de hoje conseguiu escapar da cadeia, foi à tribuna do Senado anunciar que seria dado um golpe, porque o PSDB estava inconformado, na verdade, com sua incompetência eleitoral e ausência de projeto para apresentar ao País, e, por sua vez, optou-se pelo rompimento com a democracia, o estado de direito e com a Constituição. E assim foi feita a ruptura institucional e constitucional para que a direita voltasse ao poder, já que por meio de eleições seria naquele momento derrotar o Partido dos Trabalhadores.

E todo mundo sabe como terminou essa cafajestada perpetrada por verdadeiros canalhas tucanos, que tiveram o apoio de outros partidos de direita e a cumplicidade mal disfarçada de certa esquerda, a exemplo do PSOL. O MDB traiu Dilma Rousseff, o Congresso traiu a nação, os magnatas bilionários de imprensa repercutiram e fortaleceram com fakes news, que eles hipocritamente criticam, as sandices e os crimes da Lava Jato, a ter o juizeco de primeira instância, Sérgio Moro, a cooperar, de forma cabal e contundente, com a ascensão do fascista ignorante de terceiro mundo, Jair Bolsonaro, cuja alcunha é Bozo, que faz alusão a um palhaço, que aparecia na tevê nos anos 1990. Apenas isso e nada mais... Coitada da nação cujo mandatário é o Bozo, este um palhaço sem graça, perverso, ditatorial e desajuizado.

Enfim, passaram-se sete anos desde que um bando de reacionários vestidos de verde e amarelo foram às ruas fazer micaretas ao tempo que sabiam o porquê estavam a vociferar: NÃO ACEITAVAM A ASCENSÃO SOCIAL DOS POBRES e NEGROS! Esta é a questão primordial. Não existe dúvida.  Trata-se da pior classe média do mundo, pois a mais fascista, conservadora e hipócrita, pois é a maior responsável pela crise moral deste País. Onde tem roubo e corrupção tem gente de classe média, tanto no setor público quanto no privado.

Aliás, os altos funcionários de estatais e de grandes empresas, bem como os que serviram na Lava Jato e outros órgãos do Judiciário e do MPF são de classe média e uma coisa que a Lava Jato fez sem cerimônia foi corromper o processo institucional, constitucional, eleitoral e partidário do País. Usou a finalidade de combater a corrupção com ações e atos corruptos ou corrompidos e, por seu turno, tornou-se vítima de sua própria corrupção. Os procuradores, juízes e delegados da Lava Jato ainda responderão por seus crimes. Nada como o tempo e a história. É isso aí. 

 

 
22
Jul20

Lava Jato é golpista e entreguista, traidora e lixo moral

Talis Andrade

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por Davis Sena Filho

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Quando eu penso no bando da Lava Jato e na súcia que se formou internamente e em seu entorno, principalmente no que diz respeito aos seus mais fiéis e ativos aliados e cúmplices de golpes e crimes, a imprensa corporativa de negócios privados e setores corrompidos da Justiça e MPF, fico a lamentar profundamente como este País, por intermédio das lideranças de suas instituições de Estado, das mídias de mercado e de uma sociedade racista e reacionária se dispuseram, a qualquer preço e custo, a demolir a democracia, a Constituição e, por conseguinte, o Estado de Direito.

Enterraram-se a si mesmos e hoje se enfrentam ferozmente, em luta sem água e trégua no campo da direita, a denotar que o Estado nacional é o butim do olhar dos vendilhões e traidores do Brasil, bem como a política econômico-financeira de um sujeito brutal e impiedoso, além de irresponsável, como o Paulo Guedes, tornou-se a ponte que une a direita fragmentada em seus vícios e idiossincrasias, que evidenciam a ausência de empatia com os interesses do Brasil e de sua população, porque a efetivar uma política antinacional, antipopular e antidemocrática, a exemplificar, sem sombra de dúvida, os motivos e os objetivos de mais um golpe de direita acontecido na história do Brasil, desta vez no ano de 2016.

Quero asseverar que o único propósito que mobiliza, irremediavelmente, a dividida direita brasileira é o draconiano processo ultraliberal de pilhagem e pirataria, que causa graves transtornos ao País, a ser comandado por economista historicamente ultrapassado do naipe do ministro Guedes e a ser garantido pela caserna, cujos generais se prontificam a realizar um trabalho vergonhoso e vexaminoso, que desconstrói o Estado nacional e sabota suas empresas públicas, a prejudicar impiedosamente os interesses dos trabalhadores e aposentados.

O modelo econômico ultraliberal, que fracassou e demoliu as economias dos países desenvolvidos por quase 15 anos, assim como empobreceu seus povos. Porém, a partir de 2016, ano do golpe, o modelo neoliberal volta ser imposto ao Brasil com maior severidade do que nos tempos dos tucanos de FHC — o Neoliberal I —, por meio de um golpe de estado perpetrado pela malta de canalhas do vice-presidente Michel Temer, a ser este indivíduo corrupto e estúpido atroz um dos maiores traidores da história do Brasil.

A implementação de tal modelo econômico de exclusão e entrega das riquezas e do patrimônio público brasileiro foi o principal motivo para levar à deposição da legítima e constitucional presidente Dilma Rousseff, além de enfraquecer e extinguir os programas de inclusão e proteção social, a retirar e congelar também, e brutalmente, recursos orçamentários de educação, saúde e meio ambiente, assim como permitir que grupos empresariais urbanos e rurais, muitos deles financiadores de bandos armados, ataquem e prejudiquem frontalmente os segmentos sociais minoritários e hoje sem vozes ativas, a exemplo dos índios e quilombolas, além dos assassinatos de lideranças sindicais, comunitárias e partidárias, geralmente vinculadas ao espectro político de esquerda. (Continua)

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