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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

15
Ago22

Empresários e trabalhadores, unidos pela democracia

Talis Andrade

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Diversas iniciativas públicas reúnem setores muito diversos da sociedade sob um único slogan: pare com os abusos autoritários, Bolsonaro

 

por Juan Arias

Enquanto o presidente de extrema-direita continua seus ataques e ameaça abertamente com um golpe autoritário, milhares de brasileiros lançaram um grito neste fim de semana em defesa da democracia. Pela primeira vez, empresários e trabalhadores, sindicalistas, juízes e advogados, pessoas de todas as religiões e de todas as raças foram vistos juntos, unidos contra a extrema-direita de Jair Bolsonaro.

As manifestações e os diversos documentos lidos a favor da democracia foram uma resposta ao vergonhoso encontro de Bolsonaro dias atrás com dezenas de embaixadores de todos os países, em que o presidente questionou o sistema eleitoral do Brasil, justamente com o qual ele e três de seus filhos foram eleitos em 2018. A situação ficou muito bem definida no editorial de hoje do jornal O Estado de São Paulo: “Se o presidente Bolsonaro envergonhou profundamente o país ao difamar a democracia brasileira perante os embaixadores no Brasil, a resposta da sociedade em defesa das eleições e da democracia fez com que o país se sentisse orgulhoso e animado”.

O ex-ministro da Justiça, José Carlos Días, que leu o manifesto de empresários e banqueiros, afirmou: “Hoje é um momento brilhante em que capital e trabalho se unem em defesa da democracia”. E acrescentou: “Estamos aqui celebrando com alegria, com entusiasmo, o hino da democracia”.

Um desses vários manifestos alcançou, enquanto se celebrava, um milhão de assinaturas das mais diversas sociedades: professores, estudantes, empregadas domésticas, magistrados e advogados, taxistas, médicos, enfermeiros, polícias, banqueiros, industriais, pessoas do classe social, mídia e favelas. Ao final da cerimônia que aconteceu na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com milhares de pessoas do lado de fora do prédio, todos cantaram juntos o hino nacional.

Foi uma iniciativa inédita, semelhante às manifestações de ‘Diretas, Já’, dos tempos da ditadura e a favor das instituições democráticas hoje ameaçadas. O editorial de O Estado de São Paulo conclui: “Apesar de toda a escalada de violência e ameaças de Bolsonaro contra a democracia, continua existindo um país altivo que não quer ser refém dos autoritários e que lutará para defender suas instituições, as suas eleições e a sua democracia. Esse é o Brasil profundo e verdadeiro.” O jornal Folha de São Paulo destaca que os atos a favor da democracia foram “o pacto plural de diferentes gerações que reuniu pela primeira vez desde estudantes de 19 anos a um professor de direito de 97 anos que esteve presente no ato”.

Na reunião da Faculdade de Direito de São Paulo, Manuela Morais destacou que o Brasil continua lutando por uma democracia madura: “Nós, que éramos os outros, agora fazemos parte desta carta aos brasileiros. Somos jovens, negros, periféricos, uma nova intelectualidade que é produto da escola pública, dos barrancos e das favelas.”

As várias cartas a favor da democracia ameaçada chegam num momento decisivo. A grande distância que existia até ontem entre os dois candidatos presidenciais, Bolsonaro e o ex-presidente Lula da Silva, começou a diminuir, o que preocupa as forças progressistas. Bolsonaro tem a máquina estatal e começou a usar bilhões de reais como incentivo para votar nele.

A estagnação no apoio a Lula, que durante meses não fez nada além de crescer nas pesquisas, está preocupando os organizadores de uma campanha que começa em poucos dias e que já parece uma luta titânica. As redes sociais se encheram de ataques impiedosos contra Lula, que hoje chamam de “ladrão” e “ex-presidiário”. Cristãos evangélicos, que apoiam majoritariamente Bolsonaro, tiram a poeira de vídeos antigos do ex-presidente – que se declara católico praticante – participando de um rito religioso da Umbanda Africana em que é abençoado. A imagem gera muita polêmica considerando que a mulher de Bolsonaro, que é uma evangélica fervorosa, realiza seus próprios ritos no palácio presidencial para “expulsar os demônios” daquelas salas que já foram “ocupadas por comunistas”.

Em sua própria campanha, Bolsonaro busca convencer que é o maior defensor da liberdade de expressão e que a mídia está “a serviço do capital”. Bolsonaro promete ser o porta-estandarte na luta do bem contra o mal, em que o mal que assola o Brasil seria o comunismo, leia-se Lula. Segundo o presidente, o grande erro da ditadura militar foi não ter matado mais 30 mil pessoas, referindo-se à esquerda que aparece em seus olhos como os demônios que envenenam o país.

Às cartas lidas no domingo em todo o país a favor dos valores da democracia, o presidente reagiu com escárnio, chamando-as de “cartinhas” e dizendo que sua única carta é a Constituição. Uma falácia, pois é justamente ele que não perde a oportunidade de atacar a Carta Magna, que pretende modificar para acabar com seu caráter laico e transformá-la em uma Constituição evangélica. O lema bolsonarista é “Deus acima de tudo”. A grande questão é quem é esse deus que o inspira quando anseia pela ditadura, defende a tortura, semeia o ódio contra o país, despreza as mulheres e os diferentes, e destrói a cultura, a educação e a ciência, enquanto ele e sua mulher vêem demônios vivos em tudo o que traz a marca dos valores da liberdade de crença e pensamento.

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10
Jul22

Lula critica Bolsonaro e diz que fome e desemprego são causados 'pela falta de vergonha na cara de quem governa o país'

Talis Andrade

Lula (PT) participa de ato em defesa da democracia, contra a fome e por emprego e moradia na Praça da Moça, em Diadema (SP), na manhã deste sábado (9) — Foto: YURI MURAKAMI/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Lula (PT) participa de ato em defesa da democracia, contra a fome e por emprego e moradia na Praça da Moça, em Diadema (SP), na manhã deste sábado (9) — Foto: YURI MURAKAMI/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Por g1 SP e TV Globo — São Paulo

Pré-candidato à Presidência da República, o ex-presidente Lula (PT) disse neste sábado (9) que a fome e o desemprego enfrentados pelos brasileiros atualmente são causados “pela falta de vergonha na cara de quem governa esse país”.

A fala é uma referência ao presidente Jair Bolsonaro (PL), seu adversário na corrida eleitoral deste ano.

 

Depois do PT ter acabado com a fome nesse país, a gente percebe que 33 milhões de brasileiros vão dormir sem ter o que comer, que 105 milhões de pessoas têm algum problema de insuficiência alimentar. Como é que se explica num país que é o terceiro produtor de alimento do mundo ter gente indo dormir sem comer, que as pessoas precisam enfrentar fila pra pegar um osso pra levar pra casa?”, disse Lula.

 

 

“Não é falta de capacidade produtiva, é falta de dinheiro e essa falta de dinheiro é causada pelo desemprego e o desemprego é causado pela falta de vergonha na cara de quem governa esse país”, declarou.

Apoiadores de Lula participam de ato com o candidato petista em Mauá, na Grande SP, neste sábado (9). — Foto: Reprodução/Youtube

Apoiadores de Lula participam de ato com o candidato petista em Mauá, na Grande SP, neste sábado (9). — Foto: Reprodução/Youtube

Em encontro de lideranças que apoiam a chapa dele com Geraldo Alckmin (PSB) ao pleito de outubro, Lula voltou a dizer na cidade de Diadema, na Grande São Paulo que, caso vença o pleito de outubro, vai pegar um país pior do que pegou em 2003, quando foi eleito para o cargo pela primeira vez.

 

Vocês têm que saber que nós vamos pegar um país pior do que nós pegamos em 2003. A inflação tá maior, a taxa de juros tá maior, o desemprego tá maior, e o que é mais grave: a massa salarial está muito menor. Hoje mais de 80% das categorias profissionais fizeram acordo no ano passado fizeram acordo com menos que a inflação. Ou seja, não conseguiram sequer repor a taxa da inflação”, declarou.

 

 

“Não é difícil resolver o problema do pobre não. Nós vamos fazer o que nós já fizemos da outra vez. Nós vamos colocar o pobre no orçamento e vamos colocar o rico no imposto de renda, pra ele aprender a pagar imposto de renda sobre lucros e dividendos, coisa que ele não paga”, completou.

Lula e Alckmin acompanhados das esposas em evento do PT, neste sábado (9) — Foto: Reprodução/TV Globo

Lula e Alckmin acompanhados das esposas em evento do PT, neste sábado (9) — Foto: Reprodução/TV Globo

 

Críticas a Sérgio Moro

 

No evento em Diadema, o petista também criticou o ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil), que desistiu da pré-candidatura à presidência da República em março.

Após a desistência, Moro também teve a mudança de domicílio eleitoral rejeitada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), sendo impedido de concorrer a qualquer cargo no estado e focando os esforços políticos no Paraná, onde morava com a esposa antes de deixar o cargo no Judiciário.

 

Segundo Lula, o ex-juiz da Lava Jato enfrenta problemas para se firmar na política porque “enganou a sociedade brasileira”.

 

Eu tô aqui livre e bonito falando com vocês e o Moro tá comendo o pão que o diabo amassou porque ele sabe que ele mentiu. Ele sabe que enganou a sociedade brasileira. Sabe que enganou os meios de comunicação para tentar vender a história [da Lava Jato]”, declarou o petista.

 

Montagem com fotos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do juiz Sérgio Moro — Foto: Reprodução/G1

Montagem com fotos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do juiz Sérgio Moro — Foto: Reprodução/G1

 

Ato pela democracia

 

O evento em Diadema foi chamado pelos aliados de Lula de "ato pela democracia" e contou com a participação das siglas que compõem a coligação 'Vamos Juntos pelo Brasil', composta pelo PT, PCdoB, PV, PSOL, PSB, Solidariedade e Rede.

 

Além do petista e seu vice, o ato também contou com participação do pré-candidato ao governo de SP Fernando Haddad (PT), e do pré-candidato ao Senado pelo PSB, Márcio França, que nesta sexta (8) anunciou que deixou a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes para compor a chapa de Haddad em 2022.

No evento de Diadema, França justificou a desistência à corrida estadual para “ajudar o Lula a vencer em São Paulo” e “em nome do Brasil”.

“A gente não pode aceitar de maneira pacífica andar pelas ruas e ficar tropeçando em gente no chão. São Paulo tem mais de 60 mil pessoas vivendo nas ruas. Você não consegue entrar num farmácia ou supermercado que não tenha alguém pedindo pelo amor de Deus na porta pra dar um arroz. Por mais que você tenha suas condições pessoais, ninguém pode se sentir bem desse jeito. (...) Cada um tem que fazer a sua parte, e nós estamos fazendo a nossa parte hoje. Na última eleição eu tive mais de 10,2 milhões de votos aqui em São Paulo e vou pedir para todas essas pessoas que ajudem a eleger o Lula e o Alckmin e o Haddad governador de SP”, declarou França.

 
Lula e Haddad ao lado de Márcio França e Geraldo Alckmin em Diadema, na Grande SP, neste sábado (9). — Foto: Walace Lara/TV Globo

Lula e Haddad ao lado de Márcio França e Geraldo Alckmin em Diadema, na Grande SP, neste sábado (9). — Foto: Walace Lara/TV Globo

 

Aliança França e Haddad

 

PT e PSB tentavam costurar uma candidatura única para o estado de São Paulo, no contexto da aliança nacional que escolheu Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa Lula (PT) à Presidência. Mas antes, tanto Haddad quanto França sinalizavam que não abririam mão da disputa pelo cargo.

Nas últimas eleições, em 2018, França ficou em segundo lugar e perdeu para João Doria (PSDB) pela menor margem de votos na história de São Paulo. Doria obteve 51,75% dos votos válidos contra 48,25% de França.

Em vídeo divulgado em suas redes sociais nesta sexta, França, que já foi governador do estado, afirmou que tinha se comprometido a apoiar o candidato que estivesse mais bem colocado nas pesquisas ao governo.

 
 

 
 
 

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