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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

01
Jun22

OS BOLSONARO FATURAM FANTASMAS E LARANJAS

Talis Andrade

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A intrincada organização dos gabinetes da família Bolsonaro sugere um hábito longevo de preencher cargos comissionados com funcionários que nem sempre davam expediente em seus locais de trabalho. Um levantamento feito por ÉPOCA joga luz sobre essas movimentações e seus números, que hoje estão nas mesas dos investigadores. Do total pago aos 286 funcionários que o presidente Jair Bolsonaro e seus três filhos mais velhos contrataram em seus gabinetes entre 1991 e 2019, 28% foi depositado na conta de servidores com indícios de que efetivamente não trabalharam.

É como se de cada R$ 4 reais pagos, mais de R$ 1 fosse para as mãos de pessoas que hoje, em grande maioria, são investigadas por devolver parte dos vencimentos aos chefes. Ao menos 39 possuem indícios de que não trabalharam de fato nos cargos - 13% do total.

 

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Nathalia (Nat) Melo de Queiroz

 

Enquanto recebiam como funcionários, esses profissionais tinham outras profissões como cabeleireira, veterinário, babá e personal trainer, como é o caso de Nathalia Queiroz, filha de Fabrício Queiroz, apontado pelo MP como operador do esquema da rachadinha no gabinete de Flávio. Juntos, os 39 receberam um total de 16,7 milhões em salários brutos (o equivalente a R$ 29,5 milhões em valores corrigidos pela inflação do período) durante o período em que trabalharam com a família.

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Queiroz é candidato e diz que “a família Bolsonaro é incorruptível” -  Flávio Chaves

 

 

No grupo de pessoas que constaram como assessores, mas possuem indícios de que não atuavam nos cargos, 17 foram lotadas exclusivamente no gabinete de Flávio Bolsonaro, outros dez no de Carlos, ambos alvos de investigação do Ministério Público. No gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro, três funcionários constam na lista. Há, ainda, outros nove que passaram por vários gabinetes do clã, parte do modus operandi hoje apurado pelo MP.

Marcia Aguiar, mulher do Queiroz, e Nathália Queiroz, são dois casos emblemáticos desde o início das investigações. Márcia se declarava cabeleireira em documentos do Judiciário em 2008 e Nathalia é conhecida entre atores e personalidades públicas por seu trabalho como personal trainer. Cada uma das duas recebeu ao longo de uma década um total de R$ 1,3 milhão atualizados pela inflação, mas nunca tiveram crachá na Alerj.

Os principais recebedores do recurso

 

 

Mas a maior parte dos casos está na família de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro. A maioria é investigada pelo Ministério Público nos casos de Flávio ou no de Carlos. No caso dos 10 assessores de Flávio que são parentes de Ana Cristina, o MP descobriu que eles sacaram até 90% dos salários no período em que constaram como servidores, num total de R$ 4 milhões.

Ex-mulher que nega ameaça de morte concorre à Câmara com nome de Bolsonaro

A história de Andrea Siqueira Valle, irmã de Ana Cristina e ex-cunhada de Bolsonaro, é o ponto mais extremo da curva. Desse grupo, ela é quem mais recebeu.

Entre os gabinetes de Jair, Carlos e Flávio, Andrea somou 20 anos de cargos comissionados e recebeu em salário bruto R$ 1,2 milhão (R$ 2,25 milhões, corrigido pela inflação). Fisiculturista, ela mantinha uma rotina de malhação de duas a três vezes por dia na academia Physical Form. Nos intervalos, atuava como faxineira em residências e vivia em uma casa construída no fundo do terreno onde moram seus pais. Mas seguia trabalhando como faxineira e com grandes dificuldades financeiras.

 “Ela também me ajudou com faxina na academia. Ela faz esse tipo de serviço aqui na academia”, contou Renata Mendes, dona da nova academia que Andrea frequentava em Guarapari, no Espírito Santo. Procurada, disse que não tinha nada a declarar.

Em seguida, surge, o veterinário Francisco Siqueira Guimarães Diniz, de 36 anos, primo de Ana Cristina. Ele tinha apenas 21 anos quando foi nomeado em 2003 e ficou lotado no gabinete de Flávio por 14 anos. Recebeu um total de R$ 1,2 milhão - R$ 1,95 milhão, corrigido pela inflação. Em 2005, ele começou a cursar a faculdade de Medicina Veterinária no Centro Universitário de Barra Mansa, cidade a 140 quilômetros do Rio e próxima a Resende.

O curso era integral e ele se formou em 2008. Em 2016, ele trabalhou para a H.G.VET Comércio de Produtos Agropecuários e Veterinários. Apesar de ter ficado mais de uma década nomeado, só teve crachá nos últimos dois meses em que esteve lotado, em 2017. Procurado, Diniz disse que trabalhou para Flávio, mas não recordava por quanto tempo.

 

Funcionários fantasmas do clã Bolsonaro receberam mais R$29,5 milhões em  salários | bloglimpinhoecheiroso

 

A dona de casa Ana Maria Siqueira Hudson, tia de Ana Cristina, aparece em seguida. Foi nomeada no gabinete de Flávio em 2005 e ficou lotada até meados de 2018. Ela obteve um total de R$1,22 milhão (R$ 1,85 milhão, corrigido pela inflação). Nesse período, ele sempre viveu em Resende e, por um período, cuidou de uma loja de decoração da família. Ela é mãe de Guilherme de Siqueira Hudson, que constou como chefe de gabinete de Carlos por 10 anos quando também vivia em Resende e sequer teve crachá da Câmara de Vereadores. Ambos são investigados pelo MP.

Na lista dos 10, consta ainda Marta Vale, cunhada de Ana Cristina. Ela sempre morou em Juiz de Fora, em Minas Gerais, e constou como assessora de Carlos Bolsonaro na Câmara de Vereadores do Rio entre 2001 e 2009. Nunca teve crachá funcional e, procurada por ÉPOCA, no ano passado, disse que nunca trabalhou para Carlos. Ela recebeu R$ 550 mil em salários (R$ 1,2 milhão, corrigido pela inflação). Hoje é investigada no procedimento do MP sobre o "02".

Outro caso que chama atenção no gabinete de Carlos é o de Andrea da Cruz Martins. Ela esteve lotada 2005 até fevereiro de 2019. Em novembro de 2013, no entanto, quando Andrea deu entrada nos papéis de seu casamento no cartório de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ela identificou-se como “babá”. Ela recebeu um total de R$ 1,26 milhão (R$ 1,83 milhão atualizado pela inflação). Procurada na casa da família, os parentes disseram que não sabem onde ela vive. Andrea é investigada pelo MP no caso de Carlos.

Em Santa Cruz, bairro da Zona Oeste do Rio, vive outra família que lidera o ranking de parentes nomeados e de valores recebidos no gabinete da família Bolsonaro. Lá moram Edir e Neula Góes. Ela constou como assessora de Carlos de 2001 até fevereiro deste ano. Ele está nomeado desde 2008. Ele já obteve vencimentos brutos da Câmara num total de R$ 1,3 milhão (R$ 1,7 milhão, atualizado) — Neula, de R$ 956 mil (R$ 1,5 milhão, corrigido)Bolsonaro indica Jorge Oliveira para cargo de ministro do TCU | Política |  G1

Jorge Oliveira

 

Marcia Salgado Oliveira, tia do ministro Jorge Oliveira,  da Secretaria-Geral da Presidência, apareceu nos registros da Alerj como funcionária de Flávio de 2003 até fevereiro de 2019. Em 2014, porém, num processo que tramitou no Juizado Especial da Comarca de Mesquita, na Baixada Fluminense, quando acionou uma empresa de telefonia, Márcia apresentou uma procuração escrita de próprio punho, na qual informou que sua ocupação era “do lar”. Além disso, em 16 anos, ela jamais teve crachá emitido pela Alerj. Ela recebeu um total de R$ 1 milhão (R$ 1,6 milhão, corrigido). Procurada, não se pronunciou.

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07
Abr22

Mansão e condomínio dos famosos: a vida de ostentação e luxúria do vereador Gabriel Monteiro

Talis Andrade

O vereador carioca Gabriel Monteiro, denunciado recentemente no programa Fantástico, posa para foto com fuzil, a noite, em um local isolado - Metrópoles

Metrópoles – O vereador Gabriel Monteiro (PL), ex-PM e youtuber investigado por abuso moral, sexual e uso de crianças para forjar vídeos e se autopromover, mora em um condomínio de famosos na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

Entre as celebridades que já residiram ou ainda moram por lá estão as atrizes Juliana Paes e Bruna Marquezine, o ex-jogador Zinho e a cantora Anitta.

A casa de Gabriel foi alvo na manhã desta quinta-feira (7) de uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão.

>>> Vereador Gabriel Monteiro é alvo de operação policial sobre vazamento de vídeo íntimo com menor

A juíza Claudia Leonor Bobsin, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, determinou que o Twitter retire do ar vídeo no qual o vereador do Rio e ex-PM Gabriel Monteiro mantém relações sexuais com adolescente de 15 anos. Em caso de descumprimento da decisão desta sexta-feira (1/4), há multa diária de R$ 30 mil.

O pedido foi feito pelo Ministério Público após as imagens viralizarem. A magistrada estabeleceu ainda que as redes sociais sejam monitoradas e, a cada nova postagem do vídeo, sejam as URLs separadas e retiradas do ar pela empresa.

01
Fev22

Moïse Kabamgabe: Milícia matou cruel e covardemente congolês no Rio sem governo e lei

Talis Andrade

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Moïse, de 24 anos, veio para o Brasil em 2014 com a mãe e os irmãos, como refugiado político, para fugir da guerra e da fome. Ele trabalhava por diárias em um quiosque perto do Posto 8, na Barra da Tijuca.

A família disse que o responsável pelo quiosque estava devendo dois dias de pagamento para Moïse e que, quando o congolês foi cobrar, foi espancado até a morte.

Mãe pede justiça

Ivana Lay, mãe de Moïse Kabamgabe, jovem congolês morto na Barra da Tijuca — Foto: Reprodução/ TV Globo

Ivana Lay, mãe de Moïse Kabamgabe, jovem congolês morto na Barra da Tijuca — Foto: Reprodução/ TV Globo

 

O corpo foi enterrado no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio, no domingo (30). O sepultamento foi marcado por protestos. A família de Moïse pediu justiça.

“Meu filho cresceu aqui, estudou aqui. Todos os amigos dele são brasileiros. Mas hoje é vergonha. Morreu no Brasil. Quero justiça”, afirmou Ivana Lay, mãe de Moïse.

“Uma pessoa de outro país que veio no seu país para ser acolhido. E vocês vão matá-lo porque ele pediu o salário dele? Porque ele disse: ‘Estão me devendo’?”, questionou Chadrac Kembilu, primo de Moïse.Image

Agressões filmadas

As agressões teriam durado pelo menos 15 minutos e foram gravadas pelas câmeras de segurança do quiosque. Moïse apanhou de homens que, segundo testemunhas, usaram pedaços de madeira e um taco de beisebol.

"O início da gravação que eu vi é ele reclamando com o gerente do quiosque. Alguns minutos seguintes, o gerente pegou um pedaço de madeira para ameaçar ele. Até então, ele estava só recuando. E o cara foi atrás dele. Como ele estava reivindicando alguma coisa, ele pegou uma cadeira e dobrou para se defender. Ele não chegou a atacar ninguém. O gerente chamou uma galera que estava na frente do quiosque. Até então tinha só um sentado", contou Yannick Kamanda, primo da vítima.

Segundo o familiar, as agressões se agravaram.

"Veio uma galera que o arremessou no chão, tentando dar um golpe de mata-leão nele. Vieram mais algumas pessoas bater nele com madeira, veio outro com uma corda, amarrou as mãos e as pernas para trás, passou a corda pelo pescoço. Ficou amarrado no mata-leão, apanhando. Tomando soco e taco de beisebol nas costelas. Até ele desmaiar", disse o primo.

De acordo com o relato do primo que viu as imagens, o dia de trabalho continuou, mesmo com a morte de Moïse.

"Eles foram embora e ficou só o gerente do quiosque. E ele deitado no chão, como se nada estivesse acontecendo. Trabalhando, atendendo cliente. E o corpo lá”, afirmou Yannick.

Os parentes só souberam da morte na manhã de terça-feira (25), quase 12 horas após o crime.

'Ele foi morto por R$ 200. Esse é o valor de uma vida', diz deputada

Dani Monteiro, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, afirmou que Moïse foi morto ao cobrar R$ 200 reais, diária de dois dias de trabalho.

— É difícil falar desse tema. Negros e negras daqui, e também os asilados, não são vistos como cidadão. Ele foi morto por R$ 200. Por R$ 200. Quanto vale a nossa vida negra? Estamos falando de um trabalhador que vendeu sua força de trabalho e foi apenas receber. No entanto foi morto. O corpo dele foi amarrado, espancado na rua e tudo foi naturalizado. As pessoas passavam e não falavam nada. Temos o relato (das agressões) da família e todas as informações da perspectiva cabe àa Polícia Civil — disse a parlamentar, que completou:

— A comunidade congolesa está conversando com a embaixada e estamos à disposição. (No Rio) São cerca de cinco mil imigrantes do Congo e boa parte deles são refugiados. O caso do Moïse mostra o quanto esse estado é racista.

Milícia da Barra da Tijuca tortura e mata

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Moises Kabagambe, 24 anos, foi amarrado e espancado até a morte por 5 homens quando foi cobrar o seu salário atrasado em um quiosque no RJ. O quiosque se chama TROPICALIA, e situado em área de milicia. ISSO NÃO PODE SER CONSIDERADO NORMAL. NÃO PODE FICAR IMPUNE.

Renato Antonini
Imaginem espancaram alguém com bastão de basebol até a morte, por causa de dois dias de trabalho. A vida do negro, do pobre sendo desrespeitada por nada, todo dia. Por gente covarde, racista, cruel. Dois dias de trabalho!!!!! #justicaparaMoises
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CristianaFC
Para entender o que aconteceu com Moïse, para entender como a milícia está se espalhando pelo Brasil, em metástase, incontrolável, vale ler e ouvir e e LER, como livro de cabeceira, A República das Milícias, do Bruno Paes Manso
 
Rudá Morcillo
A foto mostra selo de contribuinte que a milícia usa para marcar território. Percebam que não é escondido. Possuem lojas de gatonet e Internet no comércio - entre outras coisas - sem fiscalização. Milícia é autoridade estabelecida no Rio de Janeiro. O último a sair apague a luz.
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Nilto Tatto - #ForaBolsonaro 
O assassinato do jovem congolês Moïse Kabamgabe, tem as digitais da milícia, facção criminosa apoiada por autoridades que as defendem e empregam seus familiares. Outras facções criminosas exploram garimpo em terras indígenas, também c/ a cumplicidade de autoridades. Coincidência?
Marianna Araujo
na alerj, na câmara, no leblon, na tijuca, na lapa (pra cacete!), em dezenas de secretarias, em tudo quando é praia do estado do rio. a milícia da "zona oeste" é um conto de três temporadas atrás, gente.
Orlando Calheiros
Pelamor, apenas parem de falar que "as milícias controlam a Zona Oeste carioca e a baixada fluminense". As milícias controlam o estado, controlam a capital, tudo. Não tem só milícia na Barra da Tijuca, tem milícia em Laranjeiras, em Copacabana, em condomínio chique em Angra...
Orlando Calheiros
A pergunta se tal lugar é "área de milícia" não faz sentido algum - e no fundo só reforça estereótipos racistas, demofóbicos e classistas sobre a cidade. Todo o Rio de Janeiro é área de milícia, da Gávea até Santa Cruz, de Macaé até a Morro Agudo.

06
Jan22

De coroinha a condenado por estupro, livro conta vida de coronel Chavarry

Talis Andrade

Coronel da PM Pedro Chavarry Duarte - Reprodução

Coronel da PM Pedro Chavarry Duarte

 

por Juliana Dal Piva /UOL

Um chorinho de bebê chamou a atenção dos vizinhos ao redor de uma casa em Bangu. Era manhã de 18 de março de 1983. Por uma fresta uma mulher viu que, de fato, uma criança estava sozinha deitada no chão de uma casa vazia que pertencia ao coronel Pedro Chavarry Duarte. Ao redor, o mato alto já incomodava os vizinhos há tempos. Ao ver a criança, decidiram entrar e lá encontraram uma menina nua, suja e já cheia de formigas que vinham dos cantos da casa. Horas depois, Chavarry seria surpreendido chegando na casa onde a bebê, uma menina de três meses, estava sozinha.

Esse foi o primeiro momento em que o coronel foi flagrado com um bebê. Depois disso, por 33 anos, ele molestou várias crianças. Em setembro de 2016, ele foi, finalmente, flagrado por dois policiais militares dentro de um carro no estacionamento de um posto de gasolina, em Ramos, na Zona Norte do Rio, ao lado de uma criança de dois anos, nua, que aparentava estar grogue.

A trajetória de Chavarry e as histórias de alguns de seus crimes foram reunidas no livro "O coronel que raptava infâncias" de Matheus de Moura, editado pela Intrínseca, e lançado nos últimos dias. Segundo Moura, existem ao menos oito casos citados nas investigações desde 1993. 

chavarry - Divulgação - DivulgaçãoCapa do livro "O coronel que raptava infâncias" 

 

"Ele foi flagrado com abandono de menor nos anos 1990. Nos meandros da PM, havia desde os anos 2000 a frase 'ah, o Chavarry a gente deixa'. Sabia-se pelo menos que ele tinha uma relação estranha com crianças, mas, ainda assim, deixaram ele passar livre, muito pelo capital social que foi acumulando, ao alinhar-se com membros do alto comando, da igreja católica e da política carioca", contou o autor.

Chavarry chegou a ser condenado em primeira instância pelo caso em 1993, mas depois, em segundo grau, a sentença foi reformada e ele foi absolvido, em 1994.

Ao ver a notícia do caso, em 2016, Moura, ainda estudante de jornalismo, decidiu investigar o caso. Em seu livro, é possível conhecer um pouco das origens e da família do militar e entender um pouco da construção psicológica dele.

A narrativa percorre as origens bascas da sua família e um desempenho escolar pífio de Chavarry.

Chavarry cresceu em uma família humilde no Rio de Janeiro, nos arredores da Avenida dos Democráticos, em Bonsucesso, na Zona Norte, da capital. Ele chegou a ser coroinha da Paróquia Nossa Senhora do Bonsucesso na infância e depois seguiu carreira na Polícia Militar.

"A maior influência, muito provavelmente, foi no desenvolvimento de uma moralidade hipócrita cristã", contou Moura.

Para entender em profundidade, Moura resgatou os primeiros processos a que Chavarry respondeu e também reuniu mais de vinte e cinco horas de entrevistas que contam a sua escalada profissional, marcada por ações que, em tese, eram pautadas por bandeiras de assistência social.

Chavarry escolhia crianças muito pequenas, ainda na primeira infância, e com um perfil semelhante: todas oriundas de famílias em condições de extrema pobreza. Ele se apresentava como uma figura de reputação inquestionável. Era um homem branco, rico e benquisto dentro da corporação militar.

Assim, Chavarry encontrava suas vítimas em comunidades carentes do Rio de Janeiro, lugares onde o poder público não tem interesse.

Mulheres com filhos pequenos, às vezes recém-nascidos, o procuravam por indicações de que ele poderia ajudá-las a trabalhar e conseguir assistência financeira e, acima de tudo, alguém para cuidar de suas crianças em uma suposta creche. Jamais se descobriu, no entanto, o endereço dessa instituição.moura - Divulgação - Divulgação

Matheus de Moura, escritor e jornalista 

 

Há suspeitas de que ele também pudesse atuar vendendo bebês para processos ilegais de adoção.

Quando Chavarry colocava as crianças em seus carros de luxo alugados, custeados com dinheiro público, as mães não sabiam para onde elas eram levadas ou o que acontecia durante as muitas horas de ausência. Até a noite em que uma atendente de lanchonete, moradora da comunidade Uga-Uga, se deparou com a insólita cena no estacionamento do posto de gasolina, em setembro de 2016, o que resultou na denúncia à polícia.

Em 2017, o coronel foi condenado a 11 anos de prisão por estupro de vulnerável e corrupção ativa. Ao ser flagrado com a menina em 2016, ele chegou a oferecer dinheiro aos policiais militares que o prenderam em flagrante.

 

20
Dez21

Herodes tropical (vídeos)

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

- - -

Jair Bolsonaro quer exigir “receita médica” para que se vacinem crianças conta a Covid. E “autorização” dos pais – o que é uma tolice, porque é evidente que crianças de 5 anos não vão ao posto sozinhas, muito menos para serem espetadas com uma agulha .

Diz ele que “criança é coisa muito séria [e] não se sabe os possíveis efeitos adversos futuros e que deu “uma diretriz” ao seu “Pazuello de jaleco”, Marcelo Queiroga para providenciar isso.

Vacinas aplicadas em bilhões de pessoas, sem que haja nenhuma notícia de reações adversas sérias e disseminadas são evidências maiores que qualquer dos ensaios clínicos que se pudesse fazer.

Mas, se é assim, será que não se deveria fazer o mesmo nas muitas vacinas aplicadas nas crianças brasileiras contra a difteria, tétano, coqueluche, meningite, pólio, sarampo, rubéola, caxumba, hepatite B, febre amarela, rotavírus e outras que são obrigatoriamente aplicadas desde o nascimento até os 10 anos de idade?

Será que, “democraticamente”, estas crianças podem morrer ou terem sequelas destas doenças e que meninos e meninas agradeçam ao “tio Jair” terem escapado de espetadelas.

Mas é isso mesmo o que Bolsonaro quer?

Não, ele quer explorar o medo natural das pessoas em vacinarem-se e transformar isso em razão de apoio político.

Alguém deve ter contado a ele sobre a Revolta da Vacina [vacina contra a febre amarela] em 1904 e o sujeito acha que, quase 120 anos depois, vacinar-se é ainda algo capaz de provocar reações deste tipo.

É só isso o que se passa em sua cabeça doentia: mobilizar suas falanges negacionistas para criar comoção pública.

O resultado prático está aí; integrantes da Agência de Vigilância Sanitária sendo ameaçados de morte por anônimos bolsonaristas, tendo de ir pedir proteção ao Gabinete de Segurança Institucional, ao Ministério da Justiça, à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal.

O Herodes tropical está à toda.

 

16
Dez21

Ratinho rato Carlos Roberto Massa pede que loucos metralhem Natália Bonavides. Incitar homicídio é crime

Talis Andrade

 

 

 
 
 
 

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MST Oficial
O MST se solidariza com a deputada federal Natália Bonavides (@natbonavides),
atacada pelo apresentador Ratinho. O MST exige que Ratinho seja responsabilizado pelas declarações! Lugar de mulher é onde ela quiser! #MulheresSemTerra #SemeandoResistência #ContraOsVírusEAsViolências
Natália Bonavides
O apresentador Ratinho sugeriu que eu fosse metralhada, em programa visto por milhares de pessoas. Incitar homicídio é crime! Ele coloca a minha vida e minha integridade física em risco. Ratinho ainda disse que eu fosse lavar as cuecas de meu marido.

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Humberto Costa
Estou oficiando o MPF em São Paulo e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão para que apurem o cometimento de crime por parte de Ratinho contra a deputada
Luiza Erundina
Nossa solidariedade à deputada que recebeu ataques machistas, criminosos e desproporcionais proferidas por um apresentador, numa rádio. Machistas não passarão!
Mídia NINJA
O apresentador Ratinho, do SBT, passou de todos os limites ao ameaçar a dep federal de homicídio. Opressor, Ratinho ainda rebaixou o trabalho das mulheres limitando a cuidar dos afazeres domésticos
Marcia Tiburi
Não é surpreendente que a tenha sido atacada de maneira vil por um tipo como esse ratinho. Mas é lastimável que no Brasil a ameaça esteja sendo naturalizada, desde que Bolsonaro começou a fazer arminha pra todo lado, como se fosse bacana. Meu apoio à deputada.
Rui Falcão
Minha solidariedade e meu apoio à querida companheira deputada . Ela foi vítima de ataques machistas por parte do apresentador Ratinho. O ódio não irá vencer. Que as medidas cabíveis sejam tomadas e que o apresentador seja punido.
Marília Arraes
Quanto absurdo em tão poucas palavras. Tinha que vir de um rato como esse mesmo. Conte comigo, não vamos permitir que tanto ódio, misoginia e falta de civilidade seja normalizado.
Alice Portugal
Em nome do meu partido, toda solidariedade à de . Uma deputada qualificada e preparada que foi duramente atacada e ameaçada em rede nacional de forma agressiva, covarde e machista. A liberdade de opinião é um direito. Que providências sejam tomadas imediatamente!
Ana Júlia
Toda minha solidariedade à deputada federal @nataliabonavides que sofreu ataques absurdos do apresentador Ratinho. Durante um programa de rádio, ele sugeriu que ela fosse metralhada e ainda soltou seu discurso carregado de misoginia e violência. Incitar homicídio é CRIME! Não é de grande surpresa que a mesma pessoa que faz esse tipo de ameaça, também já foi acusado por trabalho escravo e aprova a ditadura militar. Esperamos que Ratinho pague por suas ações
Manuela
@ManuelaDavila
Absurdo, violento, nojento!! O bolsonarismo se sustenta na misoginia. Por isso, falamos que esse ódio nunca é sobre uma de nós, mas sobre todas as mulheres que ousam lutar. Minha solidariedade a minha amiga Incitação de violência é crime!
PT no Senado
Não deve haver mais espaço na sociedade para silenciamento, opressão e intimidação de mulheres, sobretudo na política e em uma democracia. A covardia e a ameaça não devem ser o motor que guia os debates fundamentais do país, ainda mais em concessão públicaImage
Gleisi Hoffmann
A ameaça de morte de Ratinho a nossa deputada @natbonavides é inadmissível. Dizer que a parlamentar deveria ser metralhada é incitar violência contra a parlamentar, colocando sua vida em risco. Terá que responder nos bancos dos tribunais. Força, @natbonavides. Estamos contigo!
Teresa Cristina
Sonegador, homofóbico, misógino. Isso já deixou de ser ratinho há muito tempo. É uma ratazana. De esgoto. Toda a minha solidariedade à deputada @natbonavides
09
Out21

"Nada está tão ruim que não possa piorar", Bolsonaro

Talis Andrade

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Juliana Dal Piva no Twitter
 
 
Hoje foi um grande dia para 2 ministros brasileiros. Damares ( "DH"): "A gente tem que decidir, a prioridade é a vacina ou é o absorvente?" Queiroga (Saúde): “Eu vou fazer uma lei obrigando as pessoas a usar preservativo? Imagina.”Image
O senador Marcos Rogério faz longa defesa de que foi o gov federal que comprou as vacinas. Só esqueceu, por ex, que o governo pediu SÓ 10% das doses ao consórcio Covax. Eles pretendiam vacinar apenas a pop do grupo de risco. Nem vou falar da Pfizer...
Sobrinho de Bolsonaro falou que ia matar, diz homem que evitou feminicídio. Em entrevista para a coluna, ele falou das agressões. Nos processos, as mulheres relatam intimidação com armas, tiro, agressões, afogamento e vítimas arrastadas pelos cabelos.
O empresário Orestes Bolsonaro Campos, 39 anos, responde a dois processos na Justiça de São Paulo por episódios violentos contra mulheres com quem ele se relacionou e um companheiro de uma delas. Sobrinho do presidente Jair Bolsonaro, ele é conhecido como "Orestinho" e se tornou réu em um caso de lesão corporal e em outro por "homicídio qualificado tentado - feminicídio".Image
"Nada está tão ruim que não possa piorar". Bolsonaro, Jair.
Preciso concordar.
Este ano, depois de muito falar das investigações dela, decidi fazer um perfil da Ana Cristina. Vida e obra. 
A advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro - Marcel Lisboa/UOL
A advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro
 
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Gravações inéditas apontam o envolvimento direto de Jair Bolsonaro
em esquema ilegal de entrega de salários de assessores quando era deputado federal. É a 1ª vez que um ex-funcionário aponta a relação direta dele.

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26
Set21

Respeito ao jornalismo: a violência contra os jornalistas não pode ser naturalizada

Talis Andrade

PCDF diz que Wassef não cometeu assédio antes de briga em restaurante

Coiteiro Frederick Wassef prefere ameaçar jornalistas mulheres

 

por Ricardo José Torres /objETHOS

 

Erros, desacertos, problemas de apuração e da aplicação das técnicas jornalísticas. Os jornalistas podem receber críticas por uma série de ações que realizam ou deixam de realizar nas suas atividades cotidianas; no entanto, o posicionamento crítico em relação aos profissionais não pode ser confundido com ataques e desrespeito. O que estamos acompanhando há algum tempo é a naturalização da violência contra os jornalistas. As ações contra os profissionais e contra a atividade se manifestam de diferentes formas e causam inúmeros danos de ordem psicológica, moral e física.

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Casos recentes, como o da jornalista Juliana Dal Piva, que foi vítima do que classificamos de ataque digital, diante de ameaças realizadas por Frederick Wassef por meio do WhatsApp são exemplares. Os ataques pessoais buscaram intimidar a jornalista: “Faça lá o que você faz aqui no seu trabalho, para ver o que o maravilhoso sistema político que você tanto ama faria com você. Lá na China você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo”. A mensagem que foi enviada no dia da divulgação do 4º episódio do podcast “UOL Investiga – A vida secreta de Jair” não é uma novidade para os jornalistas que atuam no Brasil.

O curso de Jornalismo da UFSC divulgou uma nota sobre o caso na qual lembra: “É premissa fundamental do Estado Democrático de Direito, no qual deve imperar o respeito à dignidade da pessoa humana, o livre exercício do jornalismo e a liberdade de expressão”. A nota ainda destaca: “É inadmissível, portanto, que seja atacada e ameaçada ao realizar seu trabalho, em um claro movimento de intimidação”. Alguns dos elementos presentes no texto da nota do curso de Jornalismo, do qual a profissional é egressa, nos lembram da necessidade de preservação da liberdade de atuação dos jornalistas em um contexto democrático e de respeito às prerrogativas da profissão.

Estas condições nos levam a outro caso recente tratado aqui no objETHOS pela mestra Tânia Giusti no comentário: A intimidação a Leandro Demori e o reflexo da nossa frágil democracia. O texto lembra que o jornalista Leandro Demori foi intimidado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), após publicar informações sobre um possível grupo de matadores na Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), grupo especial de operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Esse grupo estaria envolvido no Massacre do Jacarezinho, que deixou 27 mortos no dia 6 de maio de 2021. “Demori, exercendo sua função social de cobrar autoridades, pedia no texto que o fato fosse investigado pela PC, após o número inadmissível de letalidade das operações realizadas em comunidades vulneráveis”. O profissional foi acusado de cometer calúnia contra a Polícia Civil.

O cenário de violência e perseguição contra os jornalistas foi ratificado pelo relatório “Violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil” da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) de 2020. Conforme o documento, o ano de 2020 foi o mais violento para os jornalistas brasileiros, desde o início (em 1990) da série histórica dos registros dos ataques à liberdade de imprensa. Em 2020 foram registrados 428 casos de violência; este número é 105,77% acima do número de casos registrados (208) em 2019.

O relatório registrou duas mortes de profissionais, o que representa mais um indicativo de que há insegurança para o exercício da profissão no Brasil. Os dois assassinatos são exemplos de situações de riscos contextuais encontrados no país. De acordo com o documento, Léo Veras foi morto na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, que faz divisa com Ponta Porã, onde atuava na cobertura de casos relacionados ao crime organizado na fronteira. O jornalista Edney Menezes foi assassinado em Peixoto de Azevedo, município do interior de Mato Grosso.

Os casos são a materialização das ameaças recorrentes realizadas por grupos de ódio, milícias e crime organizado local. O crescimento progressivo da violência envolve casos de censura, agressões verbais, ataques virtuais, entre outros. A perseguição por grupos de ódio e a consequente devassa da vida pessoal dos profissionais é um aspecto que chama atenção no contexto atual da atividade jornalística. Convivemos diuturnamente com ataques e ameaças que buscam promover a modulação pelo medo.

Esta é uma estratégia sorrateira que se inicia no receio, no incômodo, no desconforto e pode acabar na anulação pela ausência da ação dos jornalistas. Em tempos de “lacração” os ataques são armadilhas que desestruturam a democracia de dentro para fora.  Ao colocar a informação jornalística em uma posição de vulnerabilidade, grupos digitais atuam na estruturação de ambientes de informação fomentados por estratégias obscuras de convencimento. Nestas condições, a atividade jornalística é dilacerada por simulacros que promovem ignorância e desinformação.

Liberdade para exercer o jornalismo

No Brasil, está se tornando natural jornalistas serem agredidos por populares nas ruas e no ambiente virtual. Mídias sociais e aplicativos de mensagens tornaram-se armas de destruição de reputações e arenas para agressões e ameaças. Este contexto hostil é perpassado pela possibilidade de utilização de ferramentas de vigilância das comunicações.

Em julho de 2021, um novo caso de intrusão comunicacional trouxe à tona esta forma de cerceamento e restrição da liberdade jornalística. De acordo com matéria divulgada pela BBC Brasil: “O mais recente escândalo de espionagem e roubo de dados foi revelado em investigações feitas pela ONG Forbidden Stories, com sede em Paris, e pelo grupo de direitos humanos Anistia Internacional. As denúncias sobre o uso do software, conhecido como Pegasus, foram divulgadas no domingo pelos jornais Washington Post, The Guardian, Le Monde e 14 outras organizações de mídia ao redor do mundo”. A utilização do malware Pegasus, produzido pela empresa israelense NSO Group, contra jornalistas é uma ação recorrente.

Práticas de intrusão comunicacional são ações inerentes aos países mais repressivos do mundo em termos de liberdade de informação, o que a Repórteres sem Fronteiras (RSF) classifica de “predadores da liberdade de imprensa”. Na liderança deste grupo estão regimes autoritários que adquiriram e continuam abastecendo-se com tecnologia que lhes permite traçar o mínimo ato ou gesto de jornalistas investigativos. O Pegasus possibilita acesso remoto aos telefones a partir de links que expõem o sistema operacional dos dispositivos, tendo grande capacidade invasiva, praticamente irrestrita, e em tempo real.

Em 19 maio de 2021, o portal UOL divulgou a matéria: “Carlos Bolsonaro intervém em compra de aparelho espião e cria crise militar”, sendo que a reportagem informa que o vereador Carlos Bolsonaro, teria participado de negociações para que a NSO Group participasse de uma licitação do Ministério da Justiça para compra do sistema. Conforme a reportagem, o envolvimento do vereador teria gerado insatisfação em militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Agência Nacional de Inteligência (Abin), já que o tema estaria fora da sua alçada. Na ocasião, o vereador negou que tivesse articulado qualquer negociação.

A NSO nega qualquer irregularidade e assegura que seus produtos são vendidos exclusivamente para governos e operacionalizados por agências governamentais autorizadas. Nos últimos anos, diversos casos de intrusão, armazenamento e manipulação de dados pessoais de jornalistas foram registrados em diferentes partes do mundo por inúmeros relatórios produzidos por organizações não governamentais nacionais e internacionais.

Neste cenário de intrusão, as restrições podem se tornar regras e o silêncio se tornar rotina. O silêncio está na essência da ação de repressão e perseguição, é a sombra que alimenta a violência.

As notas de repúdio são um expediente que demonstra desacordo e evidencia condutas nocivas. No entanto, carecemos de medidas práticas, ações que possam engajar a sociedade na defesa da atividade jornalística. O respeito pelo jornalismo deve estar no horizonte de todos os cidadãos. Os profissionais precisam reagir a esse cenário nocivo sob pena de não haver mais tempo para reação; precisamos exigir respeito ao jornalismo.

Referências

BBC Brasil – Pegasus: o que é o sistema que espionou jornalistas, ativistas e advogados. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57885795. Acesso em 24/07/2021.

Christofoletti, R., & Torres, R. J. (2018). Jornalistas expostos e vulneráveis: ataques digitais como modalidade de risco profissional. Revista FAMECOS, 25(3), ID29210. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2018.3.29210.

FENAJ. Violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil 2020. Disponível em: https://fenaj.org.br/wp-content/uploads/2021/01/relatorio_fenaj_2020.pdf. Acesso em: 24/07/2021.

Giusti, Tânia. A intimidação a Leandro Demori e o reflexo da nossa frágil democracia. Disponível em: https://objethos.wordpress.com/2021/06/21/a-intimidacao-a-leandro-demori-e-o-reflexo-da-nossa-fragil-democracia/. Acesso em: 24/07/2021.  

Jornalismo UFSC repudia ameaça do advogado Frederick Wassef à repórter investigativa Juliana Dal Piva. Disponível em: https://jornalismo.ufsc.br/jornalismo-ufsc-repudia-ameaca-do-advogado-frederick-wassef-a-reporter-investigativa-juliana-dal-piva/. Acesso em: 24/07/2021.

RSF. Pegasus: “uma ferramenta repugnante e sórdida apreciada por predadores da liberdade de imprensa”. Disponível em: https://rsf.org/pt/noticia/pegasus-uma-ferramenta-repugnante-e-sordida-apreciada-por-predadores-da-liberdade-de-imprensa. Acesso em: 24/07/2021. 

UOL. Advogado do presidente ataca colunista do UOL. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/juliana-dal-piva/2021/07/09/advogado-do-presidente-ataca-colunista-do-uol.htm. Acesso em: 24/07/2021.

UOL. Carlos Bolsonaro intervém em compra de aparelho espião e cria crise militar. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/05/19/briga-entre-militares-e-carlos-bolsonaro-racha-orgaos-de-inteligencia.htm. Acesso em: 24/07/2021.

13
Set21

Perigo do apoio de parte dos militares e da PM

Talis Andrade

 

Image

Lafa no Twitter
 
Ignorância Times - Quadrinhos
Reinaldo Azevedo
Os golpistas se dizem cristãos. A foto abaixo, de um deles, ilustra esse cristianismo. E vamos à semiótica. Veja a foto do “Mito” que foi escolhida. Do cabelo à sombra no rosto que sugere um bigodinho, parece que se busca uma associação de personagens, não? Cristo andava armado?
Image
Reinaldo Azevedo (@reinaldoazevedo): Acostuma-te à lama que te espera, Mito!

Hildegard Angel
Mérito de Lava Jato, Moro, José Serra, tucanato em geral, jornalistas lesa pátria, mídia corporativa, Temer, Pedro Parente. Todos merecem o banco dos réus por alta traição à Pátria brasileira.Image

Image

talisandrade
Queiroz assassino e parceiro miliciano de Adriano da Nóbrega que virou arquivo morto.
Juliana Dal Piva
Fabrício Queiroz tietado no RJ nas manifestações antidemocráticas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Na conta dele entraram mais de de R$ 2 milhões de um grupo de 11 assessores de @FlavioBolsonaro.
Image
A questão nunca foi o tamanho das manifestações golpistas, mas a reação das instituições. Não dá pra minimizar o perigo. São loucos, estão descolados da realidade, mas tem apoio de ao menos parte dos militares e da PM.Image

Charge Falada entrevista LafaAlmanaque Virtual - Cultura em Movimento

Os apresentadores do podcast Charge Falada, Miguel Paiva e Renato Aroeira, entrevistaram na última semana o chargista Daniel Lafayette, o Lafa, cuja trajetória confirma a inesgotável criatividade que garante o permanente surgimento de novos cartunistas.

O artista começou publicando em um jornal de bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em 1995, passando depois a desenhar tirinhas no Jornal do Brasil e na revista MAD. Ainda lançou uma coletânea pelo extinto selo Barba Negra da Editora Leya, chamado Ultralafa. 

O reconhecimento de seu talento mereceu prêmios no Salão Internacional de Humor de Piracicaba e no Salão Carioca de Humor.

Lafa, com sua modéstia, prefere não ressaltar esses prêmios. Exagero da parte dele. Ele merece todos os reconhecimentos. É desenho de primeira com ideias fantásticas

Sobre a motivação de publicar diariamente suas charges nas redes sociais, diz que foi um tiro no pé [o governo] atentar contra a cultura do País, pois mexeu com os chargistas e colocou a categoria mais mobilizada.

“O que não tem a menor graça nesse momento é esta coisa de não poder falar dos militares. Por quê?”, pergunta o convidado.

Miguel e Aroeira atestam que os cartuns de Lafa são, além de tudo, logomarcas, logotipos de humor de grudar nos olhos. Sintéticos e sofisticados como devem ser os desenhos de humor.

O Charge Falada é apresentado por Renato Aroeira e Miguel Paiva, do 247, e produzido pela Rádio GARAGEMImageDaniel Lafayette lança livro de tiras em quadrinhos na La Cucaracha, em  Ipanema - Jornal O Globo

Almanaque Virtual entrevista Daniel LaFayette

por Bruno Rios Evangelista

Daniel LaFayette. Nem digo que é para guardar este nome, pois inevitavelmente você ouvirá falar dele. Embora não seja exatamente um novato (está na ativa desde 1997), este cartunista carioca vem chamando a atenção de fãs e de consagrados quadrinistas com suas divertidas tiras. Daniel foi colaborador da revista independente Tarja Preta e trabalhou no Jornal do Brasil entre 2005 e 2007. Em 2009, juntamente com os cartunistas Tiago El CerdoStêvz e Eduardo Arruda lançou o álbumBeleléu, e a editora Leya/Barba Negra lançou o livro Ultralafa (176 páginas), compilação das melhores tiras publicada no blog do autor.

Almanaque Virtual - Vamos começar com sua biografia: quando começou o seu interesse por quadrinhos? Como foram os "primeiros passos" de sua carreira?
Daniel LaFayette - Comecei publicando num jornal de bairro de Jacarepaguá acho que em 1997. Naquela época não tinha tantas referências e acabava meio que copiando o estilo de alguns caras, tais como Matt Groening, Angeli e Henfil.

AV - Por favor, fale sobre suas maiores influências, sejam elas oriundas do mundo das HQs ou não.
DL - Difícil falar. Ao citar alguns nomes a gente sempre acaba esquecendo de outros tão importantes quanto. Mas tive muita influência de animadores como John Kricfaluzi (Ren & Stimpy), Matt Groening (Os Simpsons) e Mike Judge (Beavis & Butt-head) além dos clássicos da Warner e Hanna-Barbera. Cartunistas que me influenciaram são muitos. Devo citar ao menos Laerte, Angeli, Adão Iturrusgarai e Allan Sieber. Mas são muitos, muitos mais.

AV - O seu primeiro álbum solo pela Leya/Barba Negra. Como surgiu?
DL - Eu já sondava o Lobo (fundador da Barba Negra) desde que ele trabalhava em outra editora. A recíproca também é verdadeira pois já faz tempo que ele também me mostra interesse pelo projeto. Até que a idéia enfim amadureceu o suficiente para sair das mesas de bar e ir parar nas gráficas.

AV. Você publicou em revistas independentes como a Tarja Preta e a Beleléu, mas também trabalhou durante dois anos no Jornal do Brasil. A seu ver, qual a dirença entre aqueles trabalhos mais "underground" e o conteúdo criado para a grande imprensa? Existe a necessidade de "suavizar" o material?
DL - Olha, enquanto trabalhei pro Jornal do Brasil eu fiz o que me dava na telha. Quando fui entrevistado pelo Ziraldo para ver se conseguia a vaga, ele viu meus desenhos e disse pra que eu tomasse cuidado com essa coisa de criticar religião e isso talvez tenha ficado na minha cabeça porque, pensando agora, não fiz muitos quadrinhos falando de religião enquanto trabalhei lá.

AV. Poderia nos contar sobre a experiência em lançar uma revista própria (a Beleléu)? 
DL - A Beleléu é linda. Mas é filha de quatro pais e eu sou o pai menos atencioso dos quatro. Brinco com os outros que eu sou o pai que bebe e maltrata o filho quando chega em casa. Na verdade eu entrei de gaiato na Beleléu, mas acho que acabou fechando perfeitamente com o trabalho do Tiago El Cerdo, Stêvz e Eduardo Arruda. Mas foram eles que deram vida ao projeto. 

AV. A respeito dos seus quadrinhos: você prefere trabalhar com um personagem fixo ou com idéias diversas?
DL - Gosto das duas coisas. Se um personagem me cativa o suficiente para se tornar recorrente nas minhas tiras, então ele naturalmente ganha espaço. Mas geralmente não me preocupo com isso, o que acaba por me fazer criar histórias sem compromisso com um personagem fixo.

AV. Você trabalha com humor em quadrinhos, e no Brasil os quadrinhos de humor geralmente são bem "escrotos", no bom sentido. Mas atualmente existe meio que um ranço do "politicamente correto" na sociedade. Como você lida com isso? Existem limites para o humor, algum tema que você considera tabu?
DL - É, esse lance do "politicamente correto" é complicado, porque as vezes você vê algo "politicamente incorreto" simplesmente por não ter sacado as referências que o cartunista colocou no seu desenho. Se você tiver sido criado numa família ultraconservadora e de repente dá de cara com uma Chiclete com Banana é capaz de você se sentir ofendido. Mas eu acho que quadrinho é pra ofender, também. O Jaguar diz que o cartum tem que ser "uma porrada gráfica". Mas geralmente, o que acontece é um ruído de comunicação. Hora o cartunista não soube passar bem a mensagem, hora é o leitor que não soube ler a piada. Quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, vira polêmica.

AV. Para terminar, quais são os seus planos para o futuro?
DL - Essa coisa de fazer planos não é comigo. O único plano que tenho é o de saúde. No mais, estamos aí pra ver o que acontece. (Transcrevi trechos de uma entrevista de 09/04/2011)

cartum---jogo

09
Set21

Aroeira: carga e descarga na 'festa cívica' de Augusto Aras

Talis Andrade
 
Image
 
 Aroeira no Twitter
 
 
Sim, foram várias. Carga e descarga. brasil247.comBolsonaro e seus zumbis. Por Renato Aroeira
Orlando Guerreiro
Velhinhas ''simpáticas de bobs e velhos carecas e barrigudos com suas fraldas geriátricas passam vergonha na gramática também. #BolsonaroAcabou
Image
Gilberto Figueiredo
A VERDADE VERDADEIRA. (De Eliane Brum)
Image
Ro
@Fariasalves2
Image
Foto de bolsonaristas ao lado de morador em situação de rua em Brasília  viraliza | Brasil | iG
Juliana Dal Piva
Fabrício Queiroz tietado no RJ nas manifestações antidemocráticas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Na conta dele entraram mais de de R$ 2 milhões de um grupo de 11 assessores de @FlavioBolsonaro
ImageProcurador bolsonarista Marcelo Rocha Monteiro em ato no 7 de setembro de 2021 - Reprodução redes sociais
Procurador bolsonarista do MP-RJ acusa ministros do STF de "golpistas". Marcelo Monteiro da Rocha discurso em cima de um carro de som em Copacabana no 7 de setembro. Leia aqui
Reinaldo Azevedo
"Festa cívica" uma ova, Aras! Eis o procurador-geral da República de Weimar. A íntegra do discurso de Aras está no blog. Chama de "festa cívica" a patuscada que pedia o fechamento do Congresso e do Supremo; que incitava abertamente à resolução dos conflitos pelas armas; que desrespeitaram abertamente limites impostos pelas forças de segurança. E mais não se fez porque muita conversa de bastidor houve para conter os trogloditas. Entrou pra história da infâmia! Leia aqui
O "exército" de Bolsonaro. Por Aroeira
 
 

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