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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

06
Jan22

De coroinha a condenado por estupro, livro conta vida de coronel Chavarry

Talis Andrade

Coronel da PM Pedro Chavarry Duarte - Reprodução

Coronel da PM Pedro Chavarry Duarte

 

por Juliana Dal Piva /UOL

Um chorinho de bebê chamou a atenção dos vizinhos ao redor de uma casa em Bangu. Era manhã de 18 de março de 1983. Por uma fresta uma mulher viu que, de fato, uma criança estava sozinha deitada no chão de uma casa vazia que pertencia ao coronel Pedro Chavarry Duarte. Ao redor, o mato alto já incomodava os vizinhos há tempos. Ao ver a criança, decidiram entrar e lá encontraram uma menina nua, suja e já cheia de formigas que vinham dos cantos da casa. Horas depois, Chavarry seria surpreendido chegando na casa onde a bebê, uma menina de três meses, estava sozinha.

Esse foi o primeiro momento em que o coronel foi flagrado com um bebê. Depois disso, por 33 anos, ele molestou várias crianças. Em setembro de 2016, ele foi, finalmente, flagrado por dois policiais militares dentro de um carro no estacionamento de um posto de gasolina, em Ramos, na Zona Norte do Rio, ao lado de uma criança de dois anos, nua, que aparentava estar grogue.

A trajetória de Chavarry e as histórias de alguns de seus crimes foram reunidas no livro "O coronel que raptava infâncias" de Matheus de Moura, editado pela Intrínseca, e lançado nos últimos dias. Segundo Moura, existem ao menos oito casos citados nas investigações desde 1993. 

chavarry - Divulgação - DivulgaçãoCapa do livro "O coronel que raptava infâncias" 

 

"Ele foi flagrado com abandono de menor nos anos 1990. Nos meandros da PM, havia desde os anos 2000 a frase 'ah, o Chavarry a gente deixa'. Sabia-se pelo menos que ele tinha uma relação estranha com crianças, mas, ainda assim, deixaram ele passar livre, muito pelo capital social que foi acumulando, ao alinhar-se com membros do alto comando, da igreja católica e da política carioca", contou o autor.

Chavarry chegou a ser condenado em primeira instância pelo caso em 1993, mas depois, em segundo grau, a sentença foi reformada e ele foi absolvido, em 1994.

Ao ver a notícia do caso, em 2016, Moura, ainda estudante de jornalismo, decidiu investigar o caso. Em seu livro, é possível conhecer um pouco das origens e da família do militar e entender um pouco da construção psicológica dele.

A narrativa percorre as origens bascas da sua família e um desempenho escolar pífio de Chavarry.

Chavarry cresceu em uma família humilde no Rio de Janeiro, nos arredores da Avenida dos Democráticos, em Bonsucesso, na Zona Norte, da capital. Ele chegou a ser coroinha da Paróquia Nossa Senhora do Bonsucesso na infância e depois seguiu carreira na Polícia Militar.

"A maior influência, muito provavelmente, foi no desenvolvimento de uma moralidade hipócrita cristã", contou Moura.

Para entender em profundidade, Moura resgatou os primeiros processos a que Chavarry respondeu e também reuniu mais de vinte e cinco horas de entrevistas que contam a sua escalada profissional, marcada por ações que, em tese, eram pautadas por bandeiras de assistência social.

Chavarry escolhia crianças muito pequenas, ainda na primeira infância, e com um perfil semelhante: todas oriundas de famílias em condições de extrema pobreza. Ele se apresentava como uma figura de reputação inquestionável. Era um homem branco, rico e benquisto dentro da corporação militar.

Assim, Chavarry encontrava suas vítimas em comunidades carentes do Rio de Janeiro, lugares onde o poder público não tem interesse.

Mulheres com filhos pequenos, às vezes recém-nascidos, o procuravam por indicações de que ele poderia ajudá-las a trabalhar e conseguir assistência financeira e, acima de tudo, alguém para cuidar de suas crianças em uma suposta creche. Jamais se descobriu, no entanto, o endereço dessa instituição.moura - Divulgação - Divulgação

Matheus de Moura, escritor e jornalista 

 

Há suspeitas de que ele também pudesse atuar vendendo bebês para processos ilegais de adoção.

Quando Chavarry colocava as crianças em seus carros de luxo alugados, custeados com dinheiro público, as mães não sabiam para onde elas eram levadas ou o que acontecia durante as muitas horas de ausência. Até a noite em que uma atendente de lanchonete, moradora da comunidade Uga-Uga, se deparou com a insólita cena no estacionamento do posto de gasolina, em setembro de 2016, o que resultou na denúncia à polícia.

Em 2017, o coronel foi condenado a 11 anos de prisão por estupro de vulnerável e corrupção ativa. Ao ser flagrado com a menina em 2016, ele chegou a oferecer dinheiro aos policiais militares que o prenderam em flagrante.

 

20
Dez21

Herodes tropical (vídeos)

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

- - -

Jair Bolsonaro quer exigir “receita médica” para que se vacinem crianças conta a Covid. E “autorização” dos pais – o que é uma tolice, porque é evidente que crianças de 5 anos não vão ao posto sozinhas, muito menos para serem espetadas com uma agulha .

Diz ele que “criança é coisa muito séria [e] não se sabe os possíveis efeitos adversos futuros e que deu “uma diretriz” ao seu “Pazuello de jaleco”, Marcelo Queiroga para providenciar isso.

Vacinas aplicadas em bilhões de pessoas, sem que haja nenhuma notícia de reações adversas sérias e disseminadas são evidências maiores que qualquer dos ensaios clínicos que se pudesse fazer.

Mas, se é assim, será que não se deveria fazer o mesmo nas muitas vacinas aplicadas nas crianças brasileiras contra a difteria, tétano, coqueluche, meningite, pólio, sarampo, rubéola, caxumba, hepatite B, febre amarela, rotavírus e outras que são obrigatoriamente aplicadas desde o nascimento até os 10 anos de idade?

Será que, “democraticamente”, estas crianças podem morrer ou terem sequelas destas doenças e que meninos e meninas agradeçam ao “tio Jair” terem escapado de espetadelas.

Mas é isso mesmo o que Bolsonaro quer?

Não, ele quer explorar o medo natural das pessoas em vacinarem-se e transformar isso em razão de apoio político.

Alguém deve ter contado a ele sobre a Revolta da Vacina [vacina contra a febre amarela] em 1904 e o sujeito acha que, quase 120 anos depois, vacinar-se é ainda algo capaz de provocar reações deste tipo.

É só isso o que se passa em sua cabeça doentia: mobilizar suas falanges negacionistas para criar comoção pública.

O resultado prático está aí; integrantes da Agência de Vigilância Sanitária sendo ameaçados de morte por anônimos bolsonaristas, tendo de ir pedir proteção ao Gabinete de Segurança Institucional, ao Ministério da Justiça, à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal.

O Herodes tropical está à toda.

 

16
Dez21

Ratinho rato Carlos Roberto Massa pede que loucos metralhem Natália Bonavides. Incitar homicídio é crime

Talis Andrade

 

 

 
 
 
 

natalia.jpeg

 

MST Oficial
O MST se solidariza com a deputada federal Natália Bonavides (@natbonavides),
atacada pelo apresentador Ratinho. O MST exige que Ratinho seja responsabilizado pelas declarações! Lugar de mulher é onde ela quiser! #MulheresSemTerra #SemeandoResistência #ContraOsVírusEAsViolências
Natália Bonavides
O apresentador Ratinho sugeriu que eu fosse metralhada, em programa visto por milhares de pessoas. Incitar homicídio é crime! Ele coloca a minha vida e minha integridade física em risco. Ratinho ainda disse que eu fosse lavar as cuecas de meu marido.

ratinho jorge omau.jpeg

 

Humberto Costa
Estou oficiando o MPF em São Paulo e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão para que apurem o cometimento de crime por parte de Ratinho contra a deputada
Luiza Erundina
Nossa solidariedade à deputada que recebeu ataques machistas, criminosos e desproporcionais proferidas por um apresentador, numa rádio. Machistas não passarão!
Mídia NINJA
O apresentador Ratinho, do SBT, passou de todos os limites ao ameaçar a dep federal de homicídio. Opressor, Ratinho ainda rebaixou o trabalho das mulheres limitando a cuidar dos afazeres domésticos
Marcia Tiburi
Não é surpreendente que a tenha sido atacada de maneira vil por um tipo como esse ratinho. Mas é lastimável que no Brasil a ameaça esteja sendo naturalizada, desde que Bolsonaro começou a fazer arminha pra todo lado, como se fosse bacana. Meu apoio à deputada.
Rui Falcão
Minha solidariedade e meu apoio à querida companheira deputada . Ela foi vítima de ataques machistas por parte do apresentador Ratinho. O ódio não irá vencer. Que as medidas cabíveis sejam tomadas e que o apresentador seja punido.
Marília Arraes
Quanto absurdo em tão poucas palavras. Tinha que vir de um rato como esse mesmo. Conte comigo, não vamos permitir que tanto ódio, misoginia e falta de civilidade seja normalizado.
Alice Portugal
Em nome do meu partido, toda solidariedade à de . Uma deputada qualificada e preparada que foi duramente atacada e ameaçada em rede nacional de forma agressiva, covarde e machista. A liberdade de opinião é um direito. Que providências sejam tomadas imediatamente!
Ana Júlia
Toda minha solidariedade à deputada federal @nataliabonavides que sofreu ataques absurdos do apresentador Ratinho. Durante um programa de rádio, ele sugeriu que ela fosse metralhada e ainda soltou seu discurso carregado de misoginia e violência. Incitar homicídio é CRIME! Não é de grande surpresa que a mesma pessoa que faz esse tipo de ameaça, também já foi acusado por trabalho escravo e aprova a ditadura militar. Esperamos que Ratinho pague por suas ações
Manuela
@ManuelaDavila
Absurdo, violento, nojento!! O bolsonarismo se sustenta na misoginia. Por isso, falamos que esse ódio nunca é sobre uma de nós, mas sobre todas as mulheres que ousam lutar. Minha solidariedade a minha amiga Incitação de violência é crime!
PT no Senado
Não deve haver mais espaço na sociedade para silenciamento, opressão e intimidação de mulheres, sobretudo na política e em uma democracia. A covardia e a ameaça não devem ser o motor que guia os debates fundamentais do país, ainda mais em concessão públicaImage
Gleisi Hoffmann
A ameaça de morte de Ratinho a nossa deputada @natbonavides é inadmissível. Dizer que a parlamentar deveria ser metralhada é incitar violência contra a parlamentar, colocando sua vida em risco. Terá que responder nos bancos dos tribunais. Força, @natbonavides. Estamos contigo!
Teresa Cristina
Sonegador, homofóbico, misógino. Isso já deixou de ser ratinho há muito tempo. É uma ratazana. De esgoto. Toda a minha solidariedade à deputada @natbonavides
09
Out21

"Nada está tão ruim que não possa piorar", Bolsonaro

Talis Andrade

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Juliana Dal Piva no Twitter
 
 
Hoje foi um grande dia para 2 ministros brasileiros. Damares ( "DH"): "A gente tem que decidir, a prioridade é a vacina ou é o absorvente?" Queiroga (Saúde): “Eu vou fazer uma lei obrigando as pessoas a usar preservativo? Imagina.”Image
O senador Marcos Rogério faz longa defesa de que foi o gov federal que comprou as vacinas. Só esqueceu, por ex, que o governo pediu SÓ 10% das doses ao consórcio Covax. Eles pretendiam vacinar apenas a pop do grupo de risco. Nem vou falar da Pfizer...
Sobrinho de Bolsonaro falou que ia matar, diz homem que evitou feminicídio. Em entrevista para a coluna, ele falou das agressões. Nos processos, as mulheres relatam intimidação com armas, tiro, agressões, afogamento e vítimas arrastadas pelos cabelos.
O empresário Orestes Bolsonaro Campos, 39 anos, responde a dois processos na Justiça de São Paulo por episódios violentos contra mulheres com quem ele se relacionou e um companheiro de uma delas. Sobrinho do presidente Jair Bolsonaro, ele é conhecido como "Orestinho" e se tornou réu em um caso de lesão corporal e em outro por "homicídio qualificado tentado - feminicídio".Image
"Nada está tão ruim que não possa piorar". Bolsonaro, Jair.
Preciso concordar.
Este ano, depois de muito falar das investigações dela, decidi fazer um perfil da Ana Cristina. Vida e obra. 
A advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro - Marcel Lisboa/UOL
A advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro
 
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Gravações inéditas apontam o envolvimento direto de Jair Bolsonaro
em esquema ilegal de entrega de salários de assessores quando era deputado federal. É a 1ª vez que um ex-funcionário aponta a relação direta dele.

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26
Set21

Respeito ao jornalismo: a violência contra os jornalistas não pode ser naturalizada

Talis Andrade

PCDF diz que Wassef não cometeu assédio antes de briga em restaurante

Coiteiro Frederick Wassef prefere ameaçar jornalistas mulheres

 

por Ricardo José Torres /objETHOS

 

Erros, desacertos, problemas de apuração e da aplicação das técnicas jornalísticas. Os jornalistas podem receber críticas por uma série de ações que realizam ou deixam de realizar nas suas atividades cotidianas; no entanto, o posicionamento crítico em relação aos profissionais não pode ser confundido com ataques e desrespeito. O que estamos acompanhando há algum tempo é a naturalização da violência contra os jornalistas. As ações contra os profissionais e contra a atividade se manifestam de diferentes formas e causam inúmeros danos de ordem psicológica, moral e física.

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Casos recentes, como o da jornalista Juliana Dal Piva, que foi vítima do que classificamos de ataque digital, diante de ameaças realizadas por Frederick Wassef por meio do WhatsApp são exemplares. Os ataques pessoais buscaram intimidar a jornalista: “Faça lá o que você faz aqui no seu trabalho, para ver o que o maravilhoso sistema político que você tanto ama faria com você. Lá na China você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo”. A mensagem que foi enviada no dia da divulgação do 4º episódio do podcast “UOL Investiga – A vida secreta de Jair” não é uma novidade para os jornalistas que atuam no Brasil.

O curso de Jornalismo da UFSC divulgou uma nota sobre o caso na qual lembra: “É premissa fundamental do Estado Democrático de Direito, no qual deve imperar o respeito à dignidade da pessoa humana, o livre exercício do jornalismo e a liberdade de expressão”. A nota ainda destaca: “É inadmissível, portanto, que seja atacada e ameaçada ao realizar seu trabalho, em um claro movimento de intimidação”. Alguns dos elementos presentes no texto da nota do curso de Jornalismo, do qual a profissional é egressa, nos lembram da necessidade de preservação da liberdade de atuação dos jornalistas em um contexto democrático e de respeito às prerrogativas da profissão.

Estas condições nos levam a outro caso recente tratado aqui no objETHOS pela mestra Tânia Giusti no comentário: A intimidação a Leandro Demori e o reflexo da nossa frágil democracia. O texto lembra que o jornalista Leandro Demori foi intimidado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), após publicar informações sobre um possível grupo de matadores na Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), grupo especial de operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Esse grupo estaria envolvido no Massacre do Jacarezinho, que deixou 27 mortos no dia 6 de maio de 2021. “Demori, exercendo sua função social de cobrar autoridades, pedia no texto que o fato fosse investigado pela PC, após o número inadmissível de letalidade das operações realizadas em comunidades vulneráveis”. O profissional foi acusado de cometer calúnia contra a Polícia Civil.

O cenário de violência e perseguição contra os jornalistas foi ratificado pelo relatório “Violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil” da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) de 2020. Conforme o documento, o ano de 2020 foi o mais violento para os jornalistas brasileiros, desde o início (em 1990) da série histórica dos registros dos ataques à liberdade de imprensa. Em 2020 foram registrados 428 casos de violência; este número é 105,77% acima do número de casos registrados (208) em 2019.

O relatório registrou duas mortes de profissionais, o que representa mais um indicativo de que há insegurança para o exercício da profissão no Brasil. Os dois assassinatos são exemplos de situações de riscos contextuais encontrados no país. De acordo com o documento, Léo Veras foi morto na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, que faz divisa com Ponta Porã, onde atuava na cobertura de casos relacionados ao crime organizado na fronteira. O jornalista Edney Menezes foi assassinado em Peixoto de Azevedo, município do interior de Mato Grosso.

Os casos são a materialização das ameaças recorrentes realizadas por grupos de ódio, milícias e crime organizado local. O crescimento progressivo da violência envolve casos de censura, agressões verbais, ataques virtuais, entre outros. A perseguição por grupos de ódio e a consequente devassa da vida pessoal dos profissionais é um aspecto que chama atenção no contexto atual da atividade jornalística. Convivemos diuturnamente com ataques e ameaças que buscam promover a modulação pelo medo.

Esta é uma estratégia sorrateira que se inicia no receio, no incômodo, no desconforto e pode acabar na anulação pela ausência da ação dos jornalistas. Em tempos de “lacração” os ataques são armadilhas que desestruturam a democracia de dentro para fora.  Ao colocar a informação jornalística em uma posição de vulnerabilidade, grupos digitais atuam na estruturação de ambientes de informação fomentados por estratégias obscuras de convencimento. Nestas condições, a atividade jornalística é dilacerada por simulacros que promovem ignorância e desinformação.

Liberdade para exercer o jornalismo

No Brasil, está se tornando natural jornalistas serem agredidos por populares nas ruas e no ambiente virtual. Mídias sociais e aplicativos de mensagens tornaram-se armas de destruição de reputações e arenas para agressões e ameaças. Este contexto hostil é perpassado pela possibilidade de utilização de ferramentas de vigilância das comunicações.

Em julho de 2021, um novo caso de intrusão comunicacional trouxe à tona esta forma de cerceamento e restrição da liberdade jornalística. De acordo com matéria divulgada pela BBC Brasil: “O mais recente escândalo de espionagem e roubo de dados foi revelado em investigações feitas pela ONG Forbidden Stories, com sede em Paris, e pelo grupo de direitos humanos Anistia Internacional. As denúncias sobre o uso do software, conhecido como Pegasus, foram divulgadas no domingo pelos jornais Washington Post, The Guardian, Le Monde e 14 outras organizações de mídia ao redor do mundo”. A utilização do malware Pegasus, produzido pela empresa israelense NSO Group, contra jornalistas é uma ação recorrente.

Práticas de intrusão comunicacional são ações inerentes aos países mais repressivos do mundo em termos de liberdade de informação, o que a Repórteres sem Fronteiras (RSF) classifica de “predadores da liberdade de imprensa”. Na liderança deste grupo estão regimes autoritários que adquiriram e continuam abastecendo-se com tecnologia que lhes permite traçar o mínimo ato ou gesto de jornalistas investigativos. O Pegasus possibilita acesso remoto aos telefones a partir de links que expõem o sistema operacional dos dispositivos, tendo grande capacidade invasiva, praticamente irrestrita, e em tempo real.

Em 19 maio de 2021, o portal UOL divulgou a matéria: “Carlos Bolsonaro intervém em compra de aparelho espião e cria crise militar”, sendo que a reportagem informa que o vereador Carlos Bolsonaro, teria participado de negociações para que a NSO Group participasse de uma licitação do Ministério da Justiça para compra do sistema. Conforme a reportagem, o envolvimento do vereador teria gerado insatisfação em militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Agência Nacional de Inteligência (Abin), já que o tema estaria fora da sua alçada. Na ocasião, o vereador negou que tivesse articulado qualquer negociação.

A NSO nega qualquer irregularidade e assegura que seus produtos são vendidos exclusivamente para governos e operacionalizados por agências governamentais autorizadas. Nos últimos anos, diversos casos de intrusão, armazenamento e manipulação de dados pessoais de jornalistas foram registrados em diferentes partes do mundo por inúmeros relatórios produzidos por organizações não governamentais nacionais e internacionais.

Neste cenário de intrusão, as restrições podem se tornar regras e o silêncio se tornar rotina. O silêncio está na essência da ação de repressão e perseguição, é a sombra que alimenta a violência.

As notas de repúdio são um expediente que demonstra desacordo e evidencia condutas nocivas. No entanto, carecemos de medidas práticas, ações que possam engajar a sociedade na defesa da atividade jornalística. O respeito pelo jornalismo deve estar no horizonte de todos os cidadãos. Os profissionais precisam reagir a esse cenário nocivo sob pena de não haver mais tempo para reação; precisamos exigir respeito ao jornalismo.

Referências

BBC Brasil – Pegasus: o que é o sistema que espionou jornalistas, ativistas e advogados. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57885795. Acesso em 24/07/2021.

Christofoletti, R., & Torres, R. J. (2018). Jornalistas expostos e vulneráveis: ataques digitais como modalidade de risco profissional. Revista FAMECOS, 25(3), ID29210. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2018.3.29210.

FENAJ. Violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil 2020. Disponível em: https://fenaj.org.br/wp-content/uploads/2021/01/relatorio_fenaj_2020.pdf. Acesso em: 24/07/2021.

Giusti, Tânia. A intimidação a Leandro Demori e o reflexo da nossa frágil democracia. Disponível em: https://objethos.wordpress.com/2021/06/21/a-intimidacao-a-leandro-demori-e-o-reflexo-da-nossa-fragil-democracia/. Acesso em: 24/07/2021.  

Jornalismo UFSC repudia ameaça do advogado Frederick Wassef à repórter investigativa Juliana Dal Piva. Disponível em: https://jornalismo.ufsc.br/jornalismo-ufsc-repudia-ameaca-do-advogado-frederick-wassef-a-reporter-investigativa-juliana-dal-piva/. Acesso em: 24/07/2021.

RSF. Pegasus: “uma ferramenta repugnante e sórdida apreciada por predadores da liberdade de imprensa”. Disponível em: https://rsf.org/pt/noticia/pegasus-uma-ferramenta-repugnante-e-sordida-apreciada-por-predadores-da-liberdade-de-imprensa. Acesso em: 24/07/2021. 

UOL. Advogado do presidente ataca colunista do UOL. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/juliana-dal-piva/2021/07/09/advogado-do-presidente-ataca-colunista-do-uol.htm. Acesso em: 24/07/2021.

UOL. Carlos Bolsonaro intervém em compra de aparelho espião e cria crise militar. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/05/19/briga-entre-militares-e-carlos-bolsonaro-racha-orgaos-de-inteligencia.htm. Acesso em: 24/07/2021.

13
Set21

Perigo do apoio de parte dos militares e da PM

Talis Andrade

 

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Lafa no Twitter
 
Ignorância Times - Quadrinhos
Reinaldo Azevedo
Os golpistas se dizem cristãos. A foto abaixo, de um deles, ilustra esse cristianismo. E vamos à semiótica. Veja a foto do “Mito” que foi escolhida. Do cabelo à sombra no rosto que sugere um bigodinho, parece que se busca uma associação de personagens, não? Cristo andava armado?
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Reinaldo Azevedo (@reinaldoazevedo): Acostuma-te à lama que te espera, Mito!

Hildegard Angel
Mérito de Lava Jato, Moro, José Serra, tucanato em geral, jornalistas lesa pátria, mídia corporativa, Temer, Pedro Parente. Todos merecem o banco dos réus por alta traição à Pátria brasileira.Image

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talisandrade
Queiroz assassino e parceiro miliciano de Adriano da Nóbrega que virou arquivo morto.
Juliana Dal Piva
Fabrício Queiroz tietado no RJ nas manifestações antidemocráticas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Na conta dele entraram mais de de R$ 2 milhões de um grupo de 11 assessores de @FlavioBolsonaro.
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A questão nunca foi o tamanho das manifestações golpistas, mas a reação das instituições. Não dá pra minimizar o perigo. São loucos, estão descolados da realidade, mas tem apoio de ao menos parte dos militares e da PM.Image

Charge Falada entrevista LafaAlmanaque Virtual - Cultura em Movimento

Os apresentadores do podcast Charge Falada, Miguel Paiva e Renato Aroeira, entrevistaram na última semana o chargista Daniel Lafayette, o Lafa, cuja trajetória confirma a inesgotável criatividade que garante o permanente surgimento de novos cartunistas.

O artista começou publicando em um jornal de bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em 1995, passando depois a desenhar tirinhas no Jornal do Brasil e na revista MAD. Ainda lançou uma coletânea pelo extinto selo Barba Negra da Editora Leya, chamado Ultralafa. 

O reconhecimento de seu talento mereceu prêmios no Salão Internacional de Humor de Piracicaba e no Salão Carioca de Humor.

Lafa, com sua modéstia, prefere não ressaltar esses prêmios. Exagero da parte dele. Ele merece todos os reconhecimentos. É desenho de primeira com ideias fantásticas

Sobre a motivação de publicar diariamente suas charges nas redes sociais, diz que foi um tiro no pé [o governo] atentar contra a cultura do País, pois mexeu com os chargistas e colocou a categoria mais mobilizada.

“O que não tem a menor graça nesse momento é esta coisa de não poder falar dos militares. Por quê?”, pergunta o convidado.

Miguel e Aroeira atestam que os cartuns de Lafa são, além de tudo, logomarcas, logotipos de humor de grudar nos olhos. Sintéticos e sofisticados como devem ser os desenhos de humor.

O Charge Falada é apresentado por Renato Aroeira e Miguel Paiva, do 247, e produzido pela Rádio GARAGEMImageDaniel Lafayette lança livro de tiras em quadrinhos na La Cucaracha, em  Ipanema - Jornal O Globo

Almanaque Virtual entrevista Daniel LaFayette

por Bruno Rios Evangelista

Daniel LaFayette. Nem digo que é para guardar este nome, pois inevitavelmente você ouvirá falar dele. Embora não seja exatamente um novato (está na ativa desde 1997), este cartunista carioca vem chamando a atenção de fãs e de consagrados quadrinistas com suas divertidas tiras. Daniel foi colaborador da revista independente Tarja Preta e trabalhou no Jornal do Brasil entre 2005 e 2007. Em 2009, juntamente com os cartunistas Tiago El CerdoStêvz e Eduardo Arruda lançou o álbumBeleléu, e a editora Leya/Barba Negra lançou o livro Ultralafa (176 páginas), compilação das melhores tiras publicada no blog do autor.

Almanaque Virtual - Vamos começar com sua biografia: quando começou o seu interesse por quadrinhos? Como foram os "primeiros passos" de sua carreira?
Daniel LaFayette - Comecei publicando num jornal de bairro de Jacarepaguá acho que em 1997. Naquela época não tinha tantas referências e acabava meio que copiando o estilo de alguns caras, tais como Matt Groening, Angeli e Henfil.

AV - Por favor, fale sobre suas maiores influências, sejam elas oriundas do mundo das HQs ou não.
DL - Difícil falar. Ao citar alguns nomes a gente sempre acaba esquecendo de outros tão importantes quanto. Mas tive muita influência de animadores como John Kricfaluzi (Ren & Stimpy), Matt Groening (Os Simpsons) e Mike Judge (Beavis & Butt-head) além dos clássicos da Warner e Hanna-Barbera. Cartunistas que me influenciaram são muitos. Devo citar ao menos Laerte, Angeli, Adão Iturrusgarai e Allan Sieber. Mas são muitos, muitos mais.

AV - O seu primeiro álbum solo pela Leya/Barba Negra. Como surgiu?
DL - Eu já sondava o Lobo (fundador da Barba Negra) desde que ele trabalhava em outra editora. A recíproca também é verdadeira pois já faz tempo que ele também me mostra interesse pelo projeto. Até que a idéia enfim amadureceu o suficiente para sair das mesas de bar e ir parar nas gráficas.

AV. Você publicou em revistas independentes como a Tarja Preta e a Beleléu, mas também trabalhou durante dois anos no Jornal do Brasil. A seu ver, qual a dirença entre aqueles trabalhos mais "underground" e o conteúdo criado para a grande imprensa? Existe a necessidade de "suavizar" o material?
DL - Olha, enquanto trabalhei pro Jornal do Brasil eu fiz o que me dava na telha. Quando fui entrevistado pelo Ziraldo para ver se conseguia a vaga, ele viu meus desenhos e disse pra que eu tomasse cuidado com essa coisa de criticar religião e isso talvez tenha ficado na minha cabeça porque, pensando agora, não fiz muitos quadrinhos falando de religião enquanto trabalhei lá.

AV. Poderia nos contar sobre a experiência em lançar uma revista própria (a Beleléu)? 
DL - A Beleléu é linda. Mas é filha de quatro pais e eu sou o pai menos atencioso dos quatro. Brinco com os outros que eu sou o pai que bebe e maltrata o filho quando chega em casa. Na verdade eu entrei de gaiato na Beleléu, mas acho que acabou fechando perfeitamente com o trabalho do Tiago El Cerdo, Stêvz e Eduardo Arruda. Mas foram eles que deram vida ao projeto. 

AV. A respeito dos seus quadrinhos: você prefere trabalhar com um personagem fixo ou com idéias diversas?
DL - Gosto das duas coisas. Se um personagem me cativa o suficiente para se tornar recorrente nas minhas tiras, então ele naturalmente ganha espaço. Mas geralmente não me preocupo com isso, o que acaba por me fazer criar histórias sem compromisso com um personagem fixo.

AV. Você trabalha com humor em quadrinhos, e no Brasil os quadrinhos de humor geralmente são bem "escrotos", no bom sentido. Mas atualmente existe meio que um ranço do "politicamente correto" na sociedade. Como você lida com isso? Existem limites para o humor, algum tema que você considera tabu?
DL - É, esse lance do "politicamente correto" é complicado, porque as vezes você vê algo "politicamente incorreto" simplesmente por não ter sacado as referências que o cartunista colocou no seu desenho. Se você tiver sido criado numa família ultraconservadora e de repente dá de cara com uma Chiclete com Banana é capaz de você se sentir ofendido. Mas eu acho que quadrinho é pra ofender, também. O Jaguar diz que o cartum tem que ser "uma porrada gráfica". Mas geralmente, o que acontece é um ruído de comunicação. Hora o cartunista não soube passar bem a mensagem, hora é o leitor que não soube ler a piada. Quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, vira polêmica.

AV. Para terminar, quais são os seus planos para o futuro?
DL - Essa coisa de fazer planos não é comigo. O único plano que tenho é o de saúde. No mais, estamos aí pra ver o que acontece. (Transcrevi trechos de uma entrevista de 09/04/2011)

cartum---jogo

09
Set21

Aroeira: carga e descarga na 'festa cívica' de Augusto Aras

Talis Andrade
 
Image
 
 Aroeira no Twitter
 
 
Sim, foram várias. Carga e descarga. brasil247.comBolsonaro e seus zumbis. Por Renato Aroeira
Orlando Guerreiro
Velhinhas ''simpáticas de bobs e velhos carecas e barrigudos com suas fraldas geriátricas passam vergonha na gramática também. #BolsonaroAcabou
Image
Gilberto Figueiredo
A VERDADE VERDADEIRA. (De Eliane Brum)
Image
Ro
@Fariasalves2
Image
Foto de bolsonaristas ao lado de morador em situação de rua em Brasília  viraliza | Brasil | iG
Juliana Dal Piva
Fabrício Queiroz tietado no RJ nas manifestações antidemocráticas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Na conta dele entraram mais de de R$ 2 milhões de um grupo de 11 assessores de @FlavioBolsonaro
ImageProcurador bolsonarista Marcelo Rocha Monteiro em ato no 7 de setembro de 2021 - Reprodução redes sociais
Procurador bolsonarista do MP-RJ acusa ministros do STF de "golpistas". Marcelo Monteiro da Rocha discurso em cima de um carro de som em Copacabana no 7 de setembro. Leia aqui
Reinaldo Azevedo
"Festa cívica" uma ova, Aras! Eis o procurador-geral da República de Weimar. A íntegra do discurso de Aras está no blog. Chama de "festa cívica" a patuscada que pedia o fechamento do Congresso e do Supremo; que incitava abertamente à resolução dos conflitos pelas armas; que desrespeitaram abertamente limites impostos pelas forças de segurança. E mais não se fez porque muita conversa de bastidor houve para conter os trogloditas. Entrou pra história da infâmia! Leia aqui
O "exército" de Bolsonaro. Por Aroeira
 
 
02
Set21

Assessor de Marcos Rogério é preso pela PF em operação contra tráfico de drogas

Talis Andrade

Parte do patrimônio da organização criminosa ficava em postos de combustíveis — Foto: PF/Divulgação

Parte do patrimônio da organização criminosa ficava em postos de combustíveis 

 

Em uma operação contra o tráfico de drogas, a Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (1), segundo Juliana Dal Piva, do UOL, o assessor do senador Marcos Rogério (DEM-RO) Marcelo Guimarães Cortez Leite. 

A casa de Leite foi alvo de um mandado de busca e apreensão e a prisão preventiva decretada pelo juiz Luís Antônio Sanada Rocha, da 1ª Vara de Tóxicos e Delitos de Porto Velho, no âmbito da Operação Alcance.

Segundo a PF, o grupo, que transporta drogas entre Rondônia e Fortaleza, no Ceará, movimentou uma tonelada de cocaína e chegou a receber R$ 1,5 milhão em 15 dias. A verba seria lavada em Porto Velho, capital de Rondônia.

 
27
Ago21

Filho 04 e ex de Bolsonaro mudam para mansão de R$ 3,2 milhões em Brasília (vídeos)

Talis Andrade

por Juliana Dal Piva e Eduardo Militão

- - -

Jair Renan Bolsonaro, o filho '04' de Jair Bolsonaro, e sua mãe, a advogada Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente, são desde junho deste ano os mais novos moradores de uma casa no Lago Sul de Brasília. O imóvel, avaliado em R$ 3,2 milhões, fica a quatro minutos da ponte JK, uma das áreas mais nobres e valorizadas da capital.

A família do presidente alugou a casa de um homem que comprou o imóvel por R$ 2,9 milhões (cerca de R$ 300 mil abaixo do valor avaliado da residência), em 31 de maio, dias antes da mudança de Jair Renan e Ana Cristina. O corretor Geraldo Antônio Machado, dono da casa, vive em uma outra, uma edificação modesta a 30 quilômetros do local, num condomínio em Vicente Pires, região administrativa de classe média no Distrito Federal.

"Eu ia mudar para lá [casa do Lago Sul], mas infelizmente a pessoa declinou do meu negócio aqui [casa onde vive]. Eu tive que, infelizmente, alugar. É um sonho morar no Lago [Sul] né. É bem localizado", justificou Machado, ao explicar o motivo de alugar a casa.

Por duas vezes, ele disse à coluna que é o proprietário de fato da casa no Lago Sul. A mansão é o único imóvel registrado em nome dele no Distrito Federal. Machado afirmou que possui outros bens, mas sem escritura.

geraldo - Eduardo Militão/UOL/ - Eduardo Militão/UOL/

O dono da casa no Lago Sul vive em uma residência modesta em Vicente Pires, região administrativa do DF Imagem: Eduardo Militão/UOL

 

A casa no Lago Sul estava à venda até dias antes da mudança de Ana Cristina e Jair Renan, que ocorreu em meados de junho. A coluna registrou imagens dos dois já vivendo no local no dia 22 daquele mês. Antes disso, eles moravam em um apartamento de 70 metros quadrados que está no nome do presidente Jair Bolsonaro.

A coluna apurou que casas com tamanho próximo à de Ana Cristina estão sendo alugadas na mesma quadra por cerca de R$ 15 mil. A advogada, que é assessora da deputada federal Celina Leão (PP-DF), possui um salário líquido de R$ 6.200. Nem a ex-mulher de Bolsonaro, nem Machado quiseram revelar o valor do aluguel.

O imóvel possui um terreno de 1.200 metros quadrados e cerca de 800 metros quadrados de área construída em dois pisos. Ainda tem quatro suítes. Como comparação, essas características se enquadram no que a Prefeitura de São Paulo define como "categoria F", as casas de mais alto padrão da cidade. No anúncio de venda, obtido pela coluna, o imóvel é descrito com diversos requintes.jair renan - Reprodução/UOL - Reprodução/UOL

A casa onde mora Jair Renan e Ana Cristina no Lago Sul em Brasília Imagem: Reprodução/UOL

 

"Quatro suítes, com fino acabamento e todas com closet. Escada em mármore. Suíte master ampla com cerca de 100 m², abre para grande terraço com potencial para jardim, espaço fitness, solarium e outros. Closet amplo na suíte master, com excelentes armários planejados. Banheiro da suíte master com acabamento também elegante e de tamanho avantajado proporcionando conforto e espaço luxuoso. Duas suítes amplas localizadas na parte anterior da casa com amplas varandas que possibilitam vista parcial do Lago", dizia um trecho do anúncio.

 

Local é privativo, destaca proprietário

Na nova residência, Jair Renan e Cristina têm vista privilegiada para a ponte JK, um dos cartões postais do Distrito Federal.

As instalações, segundo o anúncio de venda, possuem "salas amplas com quatro ambientes" e ainda "portas em painéis de vidro para varandas amplas, conferindo excelente ventilação, luminosidade e integração com o jardim e área de lazer". O espaço da sala de jantar possui pé direito duplo o que, segundo o anúncio, traz "modernidade e elegância ao ambiente".

A mansão possui uma piscina com 50 metros quadrados e conta com sistema de aquecimento solar. Há também escritório de "26 metros quadrados" e "dependência completa de empregada com armário". A casa tem sistema de gás encanado e um lavabo "elegante, com acabamentos em mármore e granito".

ana cristina - Reprodução/UOL - Reprodução/UOL

Foto externa da nova casa de Jair Renan e Ana Cristina, localizada no Lago Sul em Brasília Imagem: Reprodução /UOL

 

Seguranças e viagem

A coluna esteve no local na quinta-feira (26) de manhã e chegou a ver o momento em que Jair Renan estava saindo do imóvel empurrando uma mala de viagem.

Ana Cristina acompanhava o filho e falou com a coluna no portão. "Não vou dar entrevista. Não quero comentar não", disse. Questionada se a casa lhe pertencia, a advogada disse: "Claro que não".

Na última pergunta, antes de se despedir, a coluna perguntou se ela alugou o imóvel, e Ana Cristina disse que não iria comentar. Na última semana, mãe e filho chegaram a receber uma festa de uma cervejaria dentro da casa.

mansão - Eduardo Militão/UOL/26.ago.2021 - Eduardo Militão/UOL/26.ago.2021

A casa de Ana Cristina e Jair Renan fica no Lago Sul em Brasília, um dos endereços mais valorizados da capital Imagem: Eduardo Militão/UOL/26.ago.2021

 

"Probleminha" interrompeu planos do dono

O dono da casa no Lago Sul onde estão morando Ana Cristina Valle e Jair Renan Bolsonaro é o corretor de imóveis Geraldo Antônio Machado. Ele diz que atua no mercado do Distrito Federal há 13 anos.

A coluna localizou-o na casa onde vive a 30 quilômetros na mansão, também na quinta-feira (26) à tarde, horas depois de visitar a residência do filho "04" do presidente e sua ex-mulher.

Na frente da residência de Machado, uma pessoa pediu que a coluna aguardasse. Depois de 20 minutos, Machado veio à porta e contou que ainda não mora no Lago Sul por causa de um "transtorno". Ele afirmou que comprou a casa para viver lá, mas não conseguiu se mudar.

"Comprei a casa exatamente para mudar para a casa. Deu um probleminha na venda da minha casa aqui. Acabei tendo que alugar", disse ele.

Segundo Machado, ele alugou o imóvel há cerca de dois meses com a ajuda de um escritório em Águas Claras, pertencente a um advogado, e só soube que a casa estava alugada por Ana Cristina nesta semana.

"Fiquei sabendo esta semana", afirmou ele. "Eu odeio política."

Segundo os dados da escritura da casa no Lago Sul, ele pagou com "recursos próprios" uma entrada de R$ 580 mil e financiou o restante, R$ 2,32 milhões, no BRB (Banco de Brasília). O mesmo banco financiou a mansão do senador Flávio Bolsonaro (Patriota), ex-enteado de Ana Cristina, este ano no total de R$ 6 milhões.

Pela negociação feita com o BRB, se Geraldo Antônio Machado pagar a prestação do financiamento em dia ela custa um total de R$ 14.844,11.

Geraldo Machado destacou a privacidade do local. "É uma quadra mais fechada, mais exclusiva, por isso me levou a comprar."

lago sul - Reprodução - Reprodução

Ana Cristina e Jair Renan passaram a morar no local em junho deste ano Imagem: Reprodução

 

Dono alugou mais barato "apesar de ter 3 propostas"

Machado disse que teve três propostas de locação. No entanto, o corretor também disse que fechou o negócio rapidamente porque tinha pressa.

"A princípio, eu ia pedir um valor alto, mas eu pedi um valor de mercado mesmo para alugar rápido e eu resolver meu problema."

Machado disse que não queria revelar o valor do aluguel porque é algo "particular".

"A gente não pode abrir os negócios. Prefiro nem comentar", afirmou o dono do imóvel. Ele também não quis falar sobre o modo como estão ocorrendo os pagamentos. 

A coluna pesquisou os bens no nome de Geraldo Machado e não identificou nenhum outro imóvel no nome dele na região onde ele vive em Vicente Pires e em outros sete cartórios do Distrito Federal. Somente a casa no Lago Sul foi localizada no nome do corretor.

O único cartório que não retornou ainda a pesquisa foi o 5º registro de imóveis, que abrange os imóveis das regiões administrativas do Gama e de Santa Maria.

Machado disse que tem outros imóveis, mas não tem como comprovar a propriedade com escrituras em cartório. Em Vicente Pires, uma parte das residências ainda não tem documentos em tabelionatos, mas apenas a chamada "cessão de direitos", pois, antigamente, eram terras de zona rural pertencentes à União.

O corretor afirmou que está vendendo esses imóveis, inclusive sua residência, para quitar as despesas com a compra da casa no Lago.

"Eu comprei a casa [no Lago] e aluguei. Infelizmente, eu passei por esse transtorno de não realizar outro negócio que eu fiz. Estou trabalhando para vender a casa [em Vicente Pires] o mais rápido possível, a minha, os meus imóveis."

Machado diz que espera poder ir morar no local daqui um ano.escritura - Reprodução - Reprodução

A casa é avaliada em R$ 3,2 milhões, mas foi adquirida por R$ 2,9 milhões, de acordo com escritura Imagem: Reprodução

 

Negócios de Ana Cristina

Ana Cristina atualmente é investigada com outros parentes devido ao tempo em que foi chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) entre 2001 e 2008. O MP-RJ apura as denúncias de existência de rachadinha e funcionários fantasmas no gabinete do filho "02" do presidente.

Em junho, o podcast "UOL Investiga - A vida secreta de Jair" mostrou a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, irmã de Ana Cristina, admitindo que devolvia 90% do salário e que Jair Bolsonaro demitiu um irmão das duas chamado André Valle porque ele não concordou em devolver o que recebia como assessor do gabinete do então deputado federal, hoje presidente da República.

O episódio 2 do podcast mostra como Ana Cristina começou a montar o seu patrimônio no período em que se uniu a Jair Bolsonaro. Juntos, eles compraram, entre 1998 e 2008, um total de 14 imóveis, cinco deles quitados em dinheiro vivo. Em uma década, o casal trocou o apartamento no Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, por uma mansão na Barra da Tijuca, na zona oeste, com direito a piscina e à vizinhança do ex-jogador de futebol Zico. O patrimônio chegou a cerca de R$ 3 milhões em 2008 - atualizado pela inflação, ultrapassa hoje R$ 5 milhões.

Já no período da separação, ela ficou com dois terços desses bens. A advogada ficou com nove imóveis. No acordo, porém, ela abriu mão da guarda de Jair Renan, que cresceu aos cuidados de Bolsonaro e de Michelle, a terceira mulher do presidente e atual primeira-dama. Ouça os detalhes desta história no episódio abaixo do podcast "UOL Investiga - A vida secreta de Jair".

Com a venda de um apartamento e cinco terrenos, Ana Cristina obteve mais de R$ 2 milhões e passou alguns anos vivendo na Noruega, onde se casou novamente. Quando retornou ao Brasil, seguiu fazendo negócios com dinheiro em espécie. Em 11 de outubro de 2013, comprou um terreno de 420 metros quadrados e, conforme a escritura, pagou R$ 135 mil em dinheiro vivo. Nesse local, no bairro da Morada da Colina, em Resende (RJ), ergueu uma casa de dois pisos, quatro quartos e piscina - o mesmo imóvel que ela deixou para voltar a Brasília, em fevereiro deste ano.

Além desse imóvel, avaliado em mais de R$ 1 milhão, o patrimônio de Ana Cristina é composto pela casa dos pais, também em Resende, estimada em mais de R$ 260 mil; duas salas comerciais no centro do Rio, que valem cerca de R$ 1 milhão; e um apartamento na Barra da Tijuca, também avaliado em R$ 1,2 milhão. Um total de, pelo menos, R$ 3,5 milhões.

Veja aqui vídeos "A vida secreta de Jair" de Juliana Dal Piva

 

11
Jul21

Wassef, advogado dos Bolsonaro, manteve a jornalista Luísa Martins presa em um carro, "para reclamar de uma matéria"

Talis Andrade

Image

O todo poderoso advogado de porta de palácio Frederick Wassef forçou a jornalista Luísa Martins ir até um luxuoso carro. 

Espero que não seja a Land Rover preta modelo 2009/2010, que o presidente comprou por 50 mil, "embora o veículo, na época, fosse avaliado em cerca de R$ 77 mil".  

Luísa Martins solidária com a jornalista Juliana Dal Piva, ameaçada de morte por Wassef, relembra:

“Embora assustador, o comportamento de Wassef infelizmente não surpreende: em 1º de outubro de 2019, ele foi até a porta do STF e me coagiu a entrar no carro dele para reclamar de uma matéria. Não é fato isolado. Minha solidariedade à incrível repórter @julianadalpiva”, escreveu a jornalista do Valor Econômico.

Em sua conta no Twitter, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que Wassef deveria ser preso. Segundo o senador, que foi delegado por 17 anos, “ameaçar uma jornalista (Juliana Dal Piva) que está fazendo seu trabalho é coisa de marginal. E lugar de marginal é na cadeia”.

Felipe Santa Cruz
@felipeoabrj
Minha solidariedade à jornalista . Vou determinar que a corregedoria da OAB apure o fato ocorrido e tome as medidas necessárias.
 
Cárcere privado
Anjo' Wassef vira homem bomba no laranjal – Correio do Brasil

Frederick Wassef sequestrou e manteve Luísa Martins em cárcere privado.

Tribunal de Justiça do Distrito Federal define: "Trata-se de crime contra a liberdade pessoal, previsto no artigo 148 do Código Penal, cujo objetivo é garantir a livre locomoção das pessoas. 

O mencionado artigo descreve a conduta criminosa como o ato de privar alguém de sua liberdade através de sequestro ou cárcere privado.

A expressão cárcere privado decorre do verbo encarcerar, que significa deter, ou prender alguém indevidamente e contra sua vontade.

No crime de cárcere privado, a vítima quase não tem como se locomover, sua liberdade fica restrita a um pequeno espaço físico".

Leia sobre crimes contra a liberdade pessoal, e de constrangimento ilegal aqui 

José Nabuco Filho adverte: "O sequestro e cárcere privado é crime permanente".Anjo" Wassef vira 'homem bomba' no laranjal - Vermelho

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