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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Set20

Lula entrevista: “Podridão da Lava Jato enfraquece democracia"

Talis Andrade

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Em entrevista ao ‘Diário do Centro do Mundo’, ex-presidente reagiu à nova farsa montada pela operação sob forma de mais uma “denúncia” contra o Instituto Lula. ”Qual o crime eu cometi? Eu dei soberania a esse país. Esse país tinha orgulho quando eu governava, cresceu, acabou com a fome, melhorou a renda. O crime que eu cometi foi o “crime” da ousadia, de que era possível permitir que os pobres participassem do orçamento da Federação, que pudessem tomar café, almoçar e jantar todo dia”, lembrou o ex-presidente. “Como eu sei que eles querem anular essa parte da história do Brasil, meu papel é defender esse legado”, ressaltou

A nova farsa da Lava Jato, na forma de mais uma “denúncia” armada para atacar Lula, foi desmascarada nesta terça-feira (15) pelo ex-presidente, em entrevista ao ‘Diário do Centro do Mundo’ (DCM). Na conversa, que reuniu jornalistas de veículos progressistas e lideranças da esquerda mundial, Lula disse que a mais nova acusação de que o Instituto Lula lavou dinheiro da Odebrecht é mais uma tentativa de desviar o foco das ilegalidades cometidas pelos procuradores.

“[O procurador Deltan] Dallagnon montou uma quadrilha de perseguição, de afirmação da primeira mentira”, disse Lula, fazendo referência ao powerpoint apresentado com estardalhaço na imprensa em 2016, em especial na Rede Globo, que deu amplo espaço para a peça de ficção produzida pela força-tarefa contra ele. À época, Dallagnol fez um espetáculo midiático para apresentar a “tese” da acusação contra Lula por corrupção. “Eles estão presos àquela mentira, eles não têm como sair dela, envolveu muita gente na perspectiva de destruir o Lula”, afirmou.

Segundo Lula, o substituto de Dallagnol na operação, Alessandro Oliveira, não foi escolhido por ser imparcial. “Ele entrou porque compactua com a podridão e com as canalhices que Dallagnol fez, com o objetivo de destruir a industria naval, de óleo, gás, petróleo e de engenharia. Essa gente ainda vai ser condenada por crime de lesa-pátria, por destruído a base industrial desse país”, avaliou Lula. “É questão de tempo”.

“Qual o crime eu cometi? Eu dei soberania a esse país. Esse país tinha orgulho quando eu governava, cresceu , acabou com a fome, melhorou a renda”, pontuou o ex-presidente. “O crime que eu cometi foi o crime da ousadia, de que era possível permitir que os pobres participassem do orçamento da Federação, que pudessem tomar café, almoçar e jantar todo dia”, lembrou o ex-presidente. “Como eu sei que eles querem anular essa parte da história do brasil, meu papel é defender esse legado”.

Lula lembrou das tentativas da força-tarefa para enfraquecer o advogado Cristiano Zanin, que demonstrou, desde o início das investidas da Lava Jato contra o líder petista, o caráter político e persecutório da operação. “Estão fazendo a mesma canalhice com o Zanin”, observou.

“Essa podridão está enfraquecendo a democracia brasileira, está escancarando e desmoralizando a confiança que a sociedade aprendeu a ter no Ministério Público. Até quando o Poder judiciário será conivente com essa podridão?’, indagou. Lula lembrou que o julgamento do caso do powerpoint foi adiado 42 vezes, livrando procurador Deltan Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público. “Isso é uma farsa, uma coisa mentirosa”, disse Lula. “Para mim, é questão de honra a minha inocência e a punição dessa parte podre do Ministério Público”.

Integração Latino-americana

Lula reforçou a importância da integração latino-americana como forma de resistência ao neoliberalismo golpista, que vem promovendo ataques à Região há décadas. Ele citou o caso da Bolívia, vítima de um golpe que derrubou Evo Morales do poder. “Fui o primeiro operário eleito e o Evo Morales foi o primeiro indígena. Ele fez uma administração estupenda, nunca na história da Bolívia, houve tanto crescimento econômico e o povo teve tanta ascensão social como no governo dele”, ressaltou.

“Na linhagem e na política da América Latina, pobre não pode subir um degrau na escada de ascensão social. Espero que o MAS, o partido do Evo, possa ganhar as eleições na Bolívia”.

7 de setembro

Lula teceu comentários sobre seu histórico discurso do dia 7 de setembro, que atingiu repercussão internacional, em comparação ao pífio pronunciamento presidencial. “O problema é que ele não tem o que falar, porque ele não tem compromisso com o Brasil, a não ser liberar porte de arma. Deveríamos ter um presidente que pensasse em livro, em carteira de trabalho, no salário mínimo, nas universidades, em ciência e tecnologia, na saúde e nas pessoas”, destacou.

Segundo Lula, por causa de Bolsonaro, uma parte da sociedade brasileira está tomada pelo ódio, por mentiras. “A Rede Globo e outros meios de comunicação têm responsabilidade com o que aconteceu nesse país”, argumentou. “Esse fascismo não nasceu de graça, isso vem na negação da política, dos partidos”, lamentou.

Coronavírus

Ele também condenou a condução do governo durante a crise sanitária que teve início em fevereiro no país. Segundo Lula, Bolsonaro deveria ter evitado o “genocídio” da pandemia do coronavírus. “Temos um país governado por um desgoverno, um país dominado pela cabeça conversadora de uma elite que não pensa no povo como ser humano, pensa como número”.

Fortalecimento da ONU

Durante a entrevista, Lula defendeu ainda o apoio dos governos à Organização Mundial da Saúde (OMS), que, na sua avaliação, fez um trabalho excepcional no combate à pandemia. “É uma pena que o governante americano, grosseiro e irresponsável como ele é, propôs retirar U$ 400 milhões de ajuda à OMS, quando na verdade deveria ter colocado R$ 400 milhões a mais”. Lula defendeu uma reformulação do sistema ONU, por meio do fortalecimento de suas agências e uma atividade mais responsável e atuante, com papel mais destacado no combate às desigualdades.

“Não temos fome porque falta alimento, temos fome porque falta dinheiro para que as pessoas tenham acesso ao alimento”, explicou. “É importante que o mundo volte a ser mais humanizado e solidário”. Para isso, argumentou Lula, a ONU precisa ter mais força de decisão para que suas resoluções sejam cumpridas por todos os países.

Eleições municipais

Lula voltou a defender que partidos do campo progressista possam lançar candidaturas próprias nas eleições municipais. “Eu acho isso um luxo no Brasil, que partidos possam lançar candidato”, disse. “Quem for para o segundo turno, que tenha o apoio dos outros. Deixem cada um disputar voto, fazer campanha, defender seu programa, ir na televisão”.

“Essa campanha é muito importante para o PT, o partido está apresentando candidatos em muitas cidades. Tenho dito que o PT tem história para contar ao povo, tem programa e tem legado para conversar com o povo”. Segundo Lula, o PT tem a chance de perguntar ao eleitor qual é o partido que mais defendeu o trabalhador no país. “O PT pode fazer essa pergunta: quem é que fez mais política de inclusão social do que o PT?”, questionou.

Pantanal em chamas

Falando sobre os incêndios que assolam o Pantanal, Lula também criticou a política do governo para o meio ambiente. Segundo o ex-presidente, Bolsonaro desmontou mecanismos de proteção ambiental, como políticas preventivas para evitar incêndios. Ele mencionou a demissão do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, no fim de 2019.

“Tentaram desmoralizar uma instituição de muita credibilidade internacional, desmontaram o Ibama”, criticou Lula, que também não poupou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles: “ele não tem respeito pela natureza, pelos índios, negros, pelas matas, pelas florestas”, afirmou Lula. Para o ex-presidente, os incêndios não são causados por Bolsonaro, mas o quadro foi agravado “por causa dessa irresponsabilidade dele e da sua turma”.

Assange

Lula também se manifestou sobre o processo de extradição do ativista Julian Assange, fundador do ‘Wikileaks’, para os EUA, onde poderá ser condenado a 175 anos de prisão. “O Assange não pode ser extraditado, se as pessoas acreditam na democracia”, opinou Lula. Para ele, Assange deveria ser premiado pela revelação ao mundo de atrocidades cometidas pelos EUA e outras nações.

“Assange não merece ser punido, merece ser reconhecido como um homem que prestou um enorme serviço à humanidade, denunciando o genocídio das guerras, da mentira, da manipulação dos EUA”, afirmou Lula. Ele cobrou de associações internacionais de imprensa e organizações da sociedade civil uma posição clara em defesa de Assange e da liberdade de expressão. “[A extradição] não será o joelho de um policial sobre um homem negro, será o joelho de milhões de governantes do mundo sufocando o Assange para que ele morra em vida. Não temos o direito de permitir isso”.

 

20
Fev20

Parlamento europeu debate 'perseguições judiciais' do 'lawfare' latino-americano

Talis Andrade

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O que têm em comum o ex-presidente Lula e o separatista catalão Carles Puigdemont? Para seus advogados, é claro: ambos são vítimas do 'lawfare', o recurso a procedimentos judiciais para perseguir adversários, um tema debatido nesta quarta-feira (19) na Eurocâmara.

Na América Latina, Luiz Inácio Lula da Silva denuncia um 'lawfare' contra ele e seu Partido dos Trabalhadores, assim como os ex-presidentes do Equador, Rafael Correa, e do Peru, Ollanta Humala, entre outros.

O presidente argentino, Alberto Fernández, assegurou na véspera que essa prática "se instalou na Argentina" nos "últimos anos". Sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, denuncia também uma "guerra jurídica" contra ela.

Mas, o que é o 'lawfare'? "São as formas sutis, modernas, do século XXI, que substituem os golpes militares", resume Humala, intervindo no Peru durante ato organizado pela esquerda e ambientalistas na Eurocâmara, em Bruxelas. A Fundação do Espanhol Urgente (Fundéu) descreve essa prática como "o uso de procedimentos judiciais com a finalidade de perseguição política, descrédito ou destruição da imagem pública ou inabilitação de um adversário político".

"O juiz é o instrumento. Sempre há um homem invisível por trás (...) que usa todo tipo de disfarce: luta contra o terrorismo, contra a corrupção, contra a sedição", explica o ex-presidente de Honduras de 2006 a 2009, Manuel Zelaya.

Zelaya foi deposto em julho de 2009 pelo exército com o apoio do Congresso e do poder judiciário após se voltar para a esquerda e se alinhar com os países bolivarianos da Alba, liderada na ocasião pelo então presidente venezuelano Hugo Chávez.

Para o ex-presidente hondurenho, aqueles que constituíram "a Alternativa Bolivariana para as Américas" sofreram o "ataque direto" do "Plano Condor número 2 para a América Latina, promovido pela direita mais reacionária e conservadora".

"Uso estratégico das leis"

O caso de Lula costuma ser dado como exemplo do 'lawfare', sobretudo quando o então juiz anticorrupção Sergio Moro, que o condenou em 2017 no âmbito da operação Lava Jato, se tornou ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro.

Para sua advogada, Valeska Teixeira, que denuncia o "uso estratégico das leis" contra adversários, detalha que uma das partes dessa estratégia consiste na escolha da corte "mais vantajosa para atacar um inimigo".

Usar e controlar os meios de comunicação, a prisão arbitrária, a reinterpretação da lei, a falta de um julgamento justo ou penas desproporcionais são outras características, explica o advogado Andreu Van den Eynde, no Parlamento Europeu.

Van den Eynde defende o político catalão Oriol Junqueras, condenado a 13 anos de prisão na Espanha por tentativa de secessão de 2017. Para os independentistas, o 'lawfare' "é um tema também europeu", nas palavras de seu líder, Carles Puigdemont.

O ex-presidente regional catalão, que como eurodeputado presidiu o ato, partiu em 2017 para a Bélgica para evitar as ações judiciais na Espanha. Para seus detratores, é um foragido da justiça. Para seus partidários, busca justiça na Europa.

A justiça espanhola fracassou até o momento em obter sua demanda. A primeira solicitação foi retirada, e a segunda também, depois que a Alemanha aceitou sua extradição, mas não pelo crime mais grave, e agora a Bélgica tem a terceira em suspenso.

"Demonstramos em tempo real que estávamos diante do 'lawfare'", assegura o advogado Gonzalo Boye, para quem "enquanto se estava detendo políticos na Espanha", em Bruxelas eram enviados "para casa pelos mesmos atos".

A luta contra essa prática demanda "força, coragem e criatividade", assegura Christophe Marchand, advogado de políticos catalães, mas também do ex-presidente equatoriano Correa e inclusive do fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

No caso de Correa, residente na Bélgica e que denuncia uma perseguição do governo de seu sucessor, Lenin Moreno, mediante processos judiciais para impedir seu retorno político, seus advogados conseguiram frear os pedidos de extradição enviados à Interpol.

"A luta não acabou (...) No fim do dia, queremos que os juízes nacionais virem realidade", acrescenta Marchand, em alusão às ações em nível internacional para contrabalançar, em sua opinião, o 'lawfare'.

(Com informações da AFP)

 
30
Jan20

Quieren callar a Greenwald

Talis Andrade

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30-01-2020

Hildebrandt en sus trece (Perú)

 

El régimen Bolsonaro pretende amordazar el periodista Glenn Greenwald usando tácticas muy parecidas a las que Estados Unidos ha empleado contra Julian Assange, de WikiLeaks. Lo quieren acusar de crímenes “cibernéticos” por –presuntamente– colaborar con quienes hackearon los sistemas de mensajería del tramposo Juez Moro y los fiscales con los que coordinó el encarcelamiento del expresidente Lula da Silva.

 

“Lawfare”

Corría junio del 2019 cuando The Intercept Brasil, el medio dirigido por Greenwald, dio a conocer al mundo las comunicaciones privadas entre el Juez Sergio Moro y el equipo de fiscales a cargo de acusar al expresidente Luis Ignacio “Lula” da Silva. Los mensajes de chat filtrados pusieron al descubierto que Moro no solo coordinaba con el equipo de fiscales, sino que los dirigía en sus pesquisas y hasta le sugería filtraciones a la prensa. Ellos debían probarle a él que el líder del Partido de los Trabajadores (PT) había incurrido en actos de corrupción relacionados a Petrobras.

El encarcelamiento del socialista, en plena carrera electoral de 2018, le impidió competir por la presidencia de su país siendo el claro favorito, factor que le allanó el camino al ultraderechista Jair Bolsonaro, sirviéndole la victoria en bandeja. En un claro quid pro quo, el nuevo presidente nombraría a Moro ministro de justicia.

Así fue como la derecha brasileña se libró, luego de 15 años de gobierno del PT, de una de las figuras políticas más populares de los últimos tiempos, quien además sacó a decenas de millones de sus compatriotas de la pobreza.

Lo que no pudieron lograr en las urnas, sí lo consiguió el “lawfare”, el uso político del sistema judicial que ya había conseguido destituir a Dilma Rousseff, la sucesora de Lula, una de las pocas figuras no manchadas por la extendida corrupción política de su país. En los últimos años, cuanto izquierdista gobernó en Latinoamérica fue posteriormente empapelado. Detrás de bambalinas se esconde un elefante difícil de ocultar: el departamento de Justicia de Estados Unidos, colaborador cercano del Juez Moro. El golpe de Estado contra Manuel Zelaya, de Honduras, ocurrido en 2009, así como el efectuado contra Evo Morales, en 2019, sacaron a populares líderes de izquierda y vieron el ascenso al poder de políticos impopulares –como Janine Añez–, completamente negados en las urnas. En ambos casos subió al poder una derecha retrógrada, cavernaria; en el caso de Honduras, además, una profundamente involucrada en narcotráfico.

“Vaza Jato”

Antes de destapar esta trama de corrupción, el abogado y periodista que dirige The Intercept ya había cubierto el caso de Edward Snowden, el exagente de inteligencia norteamericano convertido en “whistleblower” que hace algunos años filtró información sobre los programas secretos de espionaje de la Agencia Nacional de Seguridad de Estados Unidos, más conocida por sus siglas: la NSA. Desde los ataques terroristas de 2001, esta oscura agencia tiene permiso para espiar a sus ciudadanos –y a quien le plazca– sin necesidad de andar tramitando esa sandez que los cojudos llaman “orden judicial”.  

Greenwald, pues, es un ducho abogado, además de experimentado periodista, y la acusación de colaboración con los hackers, que la justicia de Moro le quiere endilgar, no se sostiene. Incluso si hubiera prestado consejo o asistencia a los hackers en el manejo de la información filtrada, eso es una práctica inevitable en el manejo de fuentes delicadas, como explicó el año pasado el famoso “whistleblower” de los “Pentagon Papers”, Daniel Ellsberg, con respecto a la persecución de WikiLeaks. Greenwald aseguró, además, no haber dirigido en ningún momento la sustracción de los datos.

Qué duda podría caber, por otro lado, del interés público y el derecho de los brasileños y el mundo de enterarse de las trampas con las que se sacó de carrera a un político incomodísimo para el poder. Lula, salido de los sindicatos de trabajadores, terminó su mandato presidencial con un apabullante e inaudito 85% de aprobación. Nada a lo que la rancia derecha brasilera pueda aspirar.

En un reciente artículo, The Intercept Brasil explicó que los cargos hechos por el Ministerio Público Federal son “estrictamente los mismos que ya habían sido analizados por la policía” el año pasado, cuando el medio destapó el entuerto (21/01/20). Entonces, la policía brasileña no pudo encontrar ninguna conducta criminal.

Vaza Jato, como se bautizaron las filtraciones cubiertas por Greenwald y su equipo, en colaboración con Folha de Sao Paulo, revelaron, entre otras cosas, que Moro dirigió las delaciones premiadas de Leo Pinheiro, dueño de la constructora OAS, quien en un principio no habría involucrado a Lula en sus declaraciones. Pinheiro sería la clave de su encarcelamiento, pues aseguró haber sobornado al expresidente petista con un lujoso departamento en la playa.

Bolsonaro y su ocupado régimen

The Intercept Brasil ha sido un duro antagonista del ultraderechista, cubriendo, entre otros asuntos, el presunto involucramiento de su familia en el asesinato de la política y activista negra Marielle Franco –una “hija de la favela”, como ella misma se definía–, asesinada de tres balazos el 14 de marzo de 2018. Las investigaciones apuntaron a un aparato de represión integrado por milicias y paramilitares, del cual forman parte operadores vinculados a la familia Bolsonaro.

A fines del año pasado, su gobierno colaboró en la “Operación Trilogía”, una fallida incursión militar contra Venezuela llevada a cabo el último 22 de diciembre. Como informó Rede Globo (30/12/19), la incursión estaba planeada para producirse desde 3 frentes, uno en Colombia, otro en Brasil y el último en algún punto marítimo cerca de las costas venezolanas. Durante la fallida incursión, que finalmente solo se realizó desde el frente brasileño, varios disidentes venezolanos y algunos integrantes de la etnia pemón lograron robar una centena de fusiles y otras armas de una base militar. Algunos disidentes fueron capturados por el ejército bolivariano de Venezuela y otros lograron huir a Brasil, donde obtuvieron la protección del régimen Bolsonaro.

Globo informó al respecto haciendo eco de fuentes presuntamente militares y gubernamentales. Debemos tomar nota de lo que ellas advirtieron: la incursión sería parte de un esfuerzo conjunto de varios países vecinos; los fusiles se habrían sustraído con la finalidad de construir “una fuerza superior”, que actuaría en “futuras operaciones” militares contra Venezuela.

Debemos tener en claro que este tipo de operaciones no son nuevas en Latinoamérica y que no beneficiarán al “pueblo” venezolano, como tiende a asegurar la prensa corporativa siguiendo el discurso del establishment norteamericano. La motivación detrás es puramente política. Si no fuera así, las fuerzas “democráticas” coordinadas desde el norte y el Grupo de Lima ya habrían apuntado sus intentos de cambio de régimen hacia Colombia, donde durante años el gobierno Uribe asesinó a miles de civiles para disfrazarlos de guerrilleros y simular que se estaba ganando la guerra interna. Esa atrocidad contó con la colaboración de casi todos los estamentos militares colombianos y permanece, en gran medida, impune, pues los más altos responsables del ejército, lejos de pisar una celda, recibieron ascensos.

Human Rights Watch ha señalado que las políticas de seguridad de Iván Duque, sucesor de Uribe, presentan claros incentivos para un regreso de los falsos positivos (08/07/19). Además, en lo que va del año ya han sido asesinados una veintena de líderes sociales, un recrudecimiento de la violencia que ha sacado a los colombianos a las calles en señal en protesta.

Con gran descaro, este violento régimen criminal, protegido por Estados Unidos, pretende “liberar” Venezuela con la ayuda del ultraderechista Bolsonaro, un fanático de la tortura. Estos orates solo podrían empeorar considerablemente la situación de Venezuela y cualquier interés genuino por su gente escapa a sus capacidades.

Avanza la criminalización del periodismo

Tenemos derecho a conocer los crímenes de nuestros políticos. Los métodos por los cuales un periodista es capaz de sacar información como la referente a las tramposas operaciones políticas del juez Moro y el fiscal Deltan Dallagnol, servidores públicos, deben ser protegidas en aras de la transparencia. En su lugar, los periodistas que sí encaran al poder y destapan sus cochinadas están siendo acusados de pertenecer a “organizaciones criminales” o “agencias de espionaje”, como pretenden hacer con Greenwald y como ya han logrado con Assange, respectivamente.

Para llevar a Assange al calabozo, la colaboración de la prensa corporativa fue absolutamente indispensable. Ahí está The Guardian, el diario británico que sistemáticamente embarró su reputación con engaños, como cuando aseguró que un operador de Donald Trump llamado Paul Manafort visitó al australiano en la embajada ecuatoriana en Londres, una invención descarada para la que jamás presento evidencias. Su reportaje basura fue repetido por el resto de la prensa corporativa mundial, que no verifica la información cuando proviene de los medios santificados por el establishment.

En otros desenlaces alarmantes, el asesinato del iraní Soleimani provocó que Instagram censurara las cuentas de periodistas, activistas y políticos iraníes y, en general, de cualquiera que mostrara su simpatía hacia el líder ilegalmente asesinado. La sombra de una distopía nos acecha.

23
Jan20

Denúncia contra Glenn é “copia e cola” de ação do governo dos EUA contra Assange, diz revista

Talis Andrade

"É um ataque óbvio de Bolsonaro a alguém que se tornou um espinho jornalístico ao seu lado", diz o jornalista Mathew Ingram na Columbia Journalism Review, uma das mais respeitadas publicações do mundo sobre jornalismo

 

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Artigo do jornalista Mathew Ingram, publicada nesta quarta-feira (22) no site da Columbia Journalism Review, uma das mais conceituadas publicações sobre jornalismo do mundo, diz que a denúncia feita pelo procurador Wellington Divino Marques de Oliveira contra Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept, é praticamente uma cópia do argumento usado pelo Departamento de Justiça dos EUA na ação contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, no ano passado – com excessão à acusação de espionagem.

“O caso contra Greenwald passa a ser quase uma cópia do argumento do Departamento de Justiça na declaração que fez contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, no ano passado, que contém mais de uma dúzia de acusações sob a Lei de Espionagem. Assim como o governo brasileiro, os promotores estadunidenses tentam afirmar que Assange não apenas recebeu documentos diplomáticos vazados e outras informações do ex-funcionário do Exército, Chelsea Manning, mas que ele participou ativamente do hackeamento e vazamento e, portanto, não merece a proteção da Primeira Emenda”, diz o texto, citando o dispositivo da constituição dos EUA que estabelece a Liberdade de Imprensa.

Segundo Ingram, este é um “claro ataque ao jornalismo”. “É um ataque óbvio de Bolsonaro a alguém que se tornou um espinho jornalístico ao seu lado”, diz o jornalista, lembrando da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu que Greenwald fosse processado.

Declarações

No texto, O jornalista da Columbia Journalism Review lista ainda uma série de declarações de órgãos estadunidenses contra a denúncia do procurador brasileiro.

Entre elas, Ingram destaca o editorial do jornal The New York Times, que diz que o governo Bolsonaro “atira no mensageiro”. “Em um editorial sobre o caso, o New York Times disse que a denúncia do governo brasileiro contra Greenwald é “um caso cada vez mais familiar de atirar no mensageiro e ignorar a mensagem”, e uma perigosa ameaça ao Estado de Direito. O jornal também disse que, embora Trump não tenha prejudicado as liberdades de imprensa nos EUA, “seus ataques ultrajantes a repórteres … incentivaram pessoas como Bolsonaro”.

Leia o artigo na íntegra (em inglês)

27
Set19

El preso del Sur global

Talis Andrade

Por qué y cómo Lula ha llegado a ser el prisionero político más importante del mundo

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por Rafael Poch de Feliu

 Julian Assange es el más importante disidente occidental preso. Eduard Snowden, el principal exiliado. Luiz Inácio Lula da Silva es el prisionero del Sur global por excelencia. Noam Chomsky se ha referido a Lula como “el prisionero político más importante del mundo” y “una figura extraordinaria del siglo XXI”, y ha comparado su encarcelamiento con el del fundador del Partido Comunista Italiano, Antonio Gramsci (1891-1937). ¿Por qué esos títulos?

Bajo el mandato de Lula, Brasil pasó de la inexistencia en la esfera internacional a ser seguramente el país más respetado del mundo. Lula dignificó a la mayoría social de su país que no contaba para nada. En 2010, el programa alimentario mundial de la ONU le ortorgó el título de “campeón del mundo en la lucha contra el hambre”. Tras ocho años en la presidencia sacó de la pobreza a millones de brasileños y dejó el poder con un grado de aprobación sin precedentes.

Lula fue capital en la prometedora y en gran parte malograda integración independiente de América Latina, que implicó a Chávez, Morales, los Kirchner y demás, y entre todos ellos era el más respetado no solo por el peso específico de su enorme país. Con Lula nacieron los BRIC´s (Brasil, Rusia, India, China y otros) como concepto en el que Brasil ponía la primera letra. Pues bien, este personaje está en la cárcel desde hace año y medio, tras haber sido condenado a una pena total de doce años y once meses en un caso manifiestamente fabricado y seis meses antes de unas elecciones a las que acudía como favorito. ¿Por qué?

Sobre el motivo hay varias explicaciones. Según el profesor Elias Jabbour de la Universidad de Río de Janeiro, Lula fue víctima de una acción de guerra híbrida orquestada desde Estados Unidos después de que en Brasil se anunciara el descubrimiento de unas importantes reservas de petróleo, lo que dio fuerza a una agresiva campaña mediática contra la izquierda y la política en general. El propio Lula sugiere el motivo principal en otro aspecto: su protagonismo general en el establecimiento de los BRIC´s, y en los movimientos para crear una moneda alternativa al dólar en las relaciones comerciales de ese enorme conglomerado de países que incluye a la mayoría del planeta, tanto en población como en volumen de transacciones.

“Estados Unidos tenía mucho miedo de nuestros debates sobre la creación de una nueva divisa. Obama me llamó y preguntó, “¿estás intentando crear una nueva moneda, un nuevo euro?” y yo le dije, “No, estoy intentando deshacerme del dólar americano simplemente para no ser dependiente”. Según el periodista Pepe Escobar que recogió esta declaración en una entrevista con Lula mantenida este verano en la cárcel, “Obama pudo haber intentado advertir a Lula de que el Estado profundo (Deep State) americano nunca permitiría a los BRIC´s invertir en una moneda o una cesta de monedas para eludir al dólar. Más tarde, Putin y Erdogan advirtieron a (su sucesora en la presidencia) Dilma Roussef, antes de que fuera depuesta, de que Brasil sería atacada sin piedad. Al final, la dirección del Partido de los Trabajadores fue pillada completamente desprevenida por una conjunción de sofisticadas técnicas de guerra híbrida”, explica Escobar. “El resultado fue que una de las mayores economías del mundo fue tomada por asalto por duros neoliberales sin lucha alguna”.

Detrás de todo esto se advertía algo más que un revés para el hegemonismo occidental: la idea de que el consenso y la acción concertada entre BRIC´s y grandes países del Sur global, es capaz de elaborar un programa para el mundo, alternativo al caos del hegemonismo de Euroatlántida con sus recetas belicistas. El caso de Irán ofrecía una pista concreta.

Fue el Brasil de Lula quien en 2010 alcanzó en Teherán, de común acuerdo con Turquía e Irán un acuerdo nuclear con el régimen de los ayatollahs. Eso fue cinco años antes del famoso acuerdo de Viena de 2015, que Bolton y Trump han hundido con el apoyo de Israel y Arabia Saudita al retirarse de él y reabrir el escenario bélico. En la mencionada entrevista carcelaria, Lula recuerda que tras aquel acuerdo Obama y Merkel se mostraron nerviosos: “fui como el chaval que ha sacado un diez en la escuela, se lo dice a su madre y esta da a entender que eso está mal”.

En el mundo de hoy, un tipo con carisma que dirige un gran país y que va de por libre es algo que produce enorme recelo imperial. Empiezan a ponerse de acuerdo y a resolver problemas globales sin nosotros y sin nuestra moneda, ¿y dónde iremos a parar? Esas son las coordenadas del encarcelamiento de Lula.

El método fue la combinación de la guerra judicial con la manipulación informativa de los grandes medios en manos de magnates, dirigida a la destrucción del adversario político concreto mediante la judicialización de la política. Lo que se conoce bajo el término “Lawfare”.

“Comienza con denuncias sin pruebas, continua con campañas de denigramiento mediático y obliga a los señalados a interminables justificaciones, luego viene la cárcel y las multas, el Lawfareencierra los debates políticos en los tribunales de justicia”, señala un manifiesto firmado este mes por varios centenares de personalidades de todo el mundo. El resultado final de la operación - un cambio de régimen -  es el mismo que el de los golpes militares latinoamericanos de antaño auspiciados o  directamente dirigidos desde Estados Unidos.

Gracias al trabajo publicado este verano por el periodista Glenn Greenwald en The Intercept, se conocen los pormenores de esta corrupta guerra judicial contra Lula, pero el asunto trasciende a Brasil. Los expresidentes de Ecuador y Argentina, Rafael Correa y Cristina Kirchner son perseguidos por esta combinación bastarda. En África están los casos del mauritano Biram Dah Abeid, el candidato a la presidencia de Camerun Maurice Kamto, el ex diputado de Gabón Bertrand Zibi, el líder de la oposición camboyana Kem Sokha, el dirigente del Frente de Izquierdas de Rusia, Sergei Udaltsov, la senadora filipina Leila de Lima e incluso el líder de la izquierda francesa, Jean-Luc Mélenchon, objeto de acoso mediático y acusado de rebelión. De todo este muestrario, Lula es el más importante desde todos los puntos de vista.

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(Publicado en Ctxt)

12
Jul19

Blogueiros de Sergio Moro anunciam censura e prisão de jornalistas

Talis Andrade

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Três blogueiros da extrema direita anunciam a prisão da fonte (que eles chamam de hacker, repetindo Sergio Moro e procuradores) das reportagens do Intercepet. Isso é terrorismo mais justificativa antecipada da censura de imprensa pelo governo de ex-fardados e ex-togados de Jair Bolsonaro, o malogrado e complexado capitão. 

Três 'espalhafatos', que dependem de verbas oficiais, avisam, ordenados por Sergio Moro, via Polícia Federal: "O hacker que roubou as mensagens de Deltan Dallagnol vai ser preso". Sacanagem. Esse "vai" pode ser hoje, amanhã, ou dia de são nunca, como Moro fazia nos corredores dos porões da lava jato com os delatores que decoravam os depoimentos, os torturados e depenados "papagaios".

Delações que sempre começavam com o chefe da máfia libanesa Alberto Youssef, que financiava e financia impune, e numa boa, os tráficos internacionais de cocaína e pedras preciosas e moedas. 

Agora mesmo estão armando mais uma arapuca com Youssef, o faz tudo das sujeiras do BanEstado e da lava jato para Sergio Moro e Carlos Fernando dos Santos Lima. Que a Polícia Federal colocou escuta na cela do bandido, que pegou mais tempo de cadeia que "seu" Cabral, e já está leve e solto e podre de rico com amigos advogados da indústria de delações premiadas, com as participações nas multas milionárias e bilionárias, sendo que a vida de crimes não oficiais ficam por conta da adrenalina. Isso tem coisa. Transcrevo do GGN:

No dia que anuncia a prisão do hacker, cinco anos depois de ter sido revelado pela defesa de Alberto Youssef, a existência de um grampo ilegal na antiga cela do doleiro, na Superintendência em Curitiba, foi admitida em relatório produzido por um perito da Polícia Federal. A informação foi confirmada pela Folha de S. Paulo nesta sexta (12).

Segundo o jornal, uma análise feita pela PF mostrou que a escuta instalada sem autorização judicial captou falas de ao menos 3 presos da Lava Jato em 2014. São 260 horas (11 dias) de conversas entre Youssef, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e a doleira Nelma Kodama, amante de Youssef, reponsável pela entrega da grana para financiar o tráfico de cocaína.

A apuração começou a ser feita entre 2015 e 2016, mas “até hoje as circunstâncias da instalação da escuta ainda não foram esclarecidas”, frisou o jornal. Recentemente, a PF voltou a colher, em São Paulo, depoimentos de Youssef para “um processo administrativo disciplinar sobre o agente responsável pela instalação do equipamento de escuta, Dalmey Werlang.” Outro hacker famoso no Brasil ninguém conhece o nome. Foi preso pelo então secretário de Segurança de Alckmin Alexandre de Morais, e tal como aconteceu com Moro, recebeu o ministério da Justiça como prêmio. O sujeito invadiu o celular de Marcela Temer, esposa de Michel Temer. O hacker foi preso com nome falso, e assim julgado. Pegou seis anos de cadeia. Parece Fabrício Queiroz, que depositou dinheiro na conta de Michelle Bolsonaro. Ninguém sabe se está vivo ou morto. Ainda como prêmio, o Sergio Moro espera o mesmo. Ser nomeado ministro do Superior Tribunal de Justiça. 

 

“O advogado de Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, disse que não sabia da existência da análise e que a polícia negou o acesso da defesa às sindicâncias.”

Segundo a Veja, numa audiência de julho passado, o doleiro afirmou que Sergio Moro disse a seus advogados que não deu autorização para o grampo na cela. E mais: Os delegados apontados como mandantes da escuta ilegal, agora, ocupam postos de comando na Polícia Federal de Moro. O agente, segundo as perguntas da PF a Youssef, apontou os delegados Igor Romário, Márcio Anselmo e Rosalvo Franco, que atuavam na Lava-Jato naquele período, como os mandantes da ação clandestina.

Inventa o Antagonista super favorável a Bolsonaro e Moro: "Desde que supostas conversas entre os procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro começaram a ser publicadas no site The Intercept e em veículos parceiros do site, comparações com os hackers Julian Assange, Edward Snowden e Chelsea Manning foram ventiladas para tentar legitimar ou dignificar os atos criminosos cometidos no Brasil. A ideia subjacente é a de que, ao roubar mensagens privadas e publicá-las, os envolvidos na ação brasileira estariam seguindo a trilha dos que revelaram dados secretos do governo americano em nome da transparência e do combate ao abuso de autoridade. Se este é o caso, então o destino dos hackers estrangeiros deveria servir de aviso. Após desafiar o sistema de Justiça dos Estados Unidos e da Inglaterra, Assange, Chelsea e Snowden levaram a pior. Os dois primeiros estão presos. Snowden só não teve a mesma sorte porque se exilou na Rússia. É um aviso". Também já aterrorizaram com a ditadura da censura, o assédio judicial e degola de jornalistas (Caso mais recente: Paulo Henrique Amorim) 

O Antagonista acredita que só Delta ou D.D. foi invadido, penetrado. Juízes e procuradores outros, que denunciaram que também foram hackeados, mentiram, falsearam. E ameaça o Antagonista, em nome do ministro da Segurança Pública, que a notícia da prisão do "hacker" é "um aviso".

Ora, ora, que os jornalistas podem esperar de um governo que sonha uma ditadura, de um ministro quando juiz fez mais do que campanha eleitoral, prendeu o único adversário que podia derrotar o candidato Jair Bolsonaro? 

247 informa: Na tentativa de tirar a credibilidade das reportagens do Intercept Brasil que revelaram um conluio entre Sérgio Moro e procuradores da Operação Lava Jato, agentes policiais devem prender nas próximas horas o que o ministro da Justiça chama de "hacker", após o vazamento de conversas dele com membros do Ministério Público Federal (MPF-PR). A informação é do site O Antagonista, porta-voz da direita e de Moro.

O jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do Intercept, revelou que Moro interferiu no trabalho de procuradores quando era juiz da Lava Jato. Chegou, por exemplo, a pedir acréscimo de informações na elaboração de uma denúncia e recomendou a inversão da ordem das operações.

 

 

 

 

20
Abr19

A intransparente transparência: Assange, Lula e Moro

Talis Andrade

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Por Boaventura de Sousa Santos  

 

Por que é que o governo do Equador protegeu "os direitos humanos de Assange durante seis anos e 10 meses", nas palavras do presidente Lenin Moreno, e o entregou repentina e informalmente, violando o direito internacional de asilo? Será porque, segundo o New York Times, o novo empréstimo do FMI ao Equador no valor de cerca de 4 mil milhões de dólares teria sido aprovado pelos EUA sob a condição de o Equador entregar Julian Assange? Será porque a WikiLeaks revelou recentemente que Moreno poderia vir a ser acusado de corrupção em face de duas contas, tituladas pelo seu irmão, uma em Belize e outra no Panamá, onde alegadamente terão sido depositadas comissões ilegais?

 

Quanto à selectividade da luta pela transparência há que distinguir entre os que lutam a partir de fora do sistema político e os que lutam a partir de dentro. Quanto aos primeiros, a sua luta tem, em geral, um efeito democratizador porque denuncia o modo despótico, ilegal e impune como o poder formalmente democrático e legal se exerce na prática para neutralizar resistências ao seu exercício. No caso da WikiLeaks haverá que reconhecer que tem publicado informações que afectam governos e actores políticos de diferentes cores políticas, e este é talvez o seu maior pecado num mundo de rivalidades geopolíticas. A sorte da WikiLeaks mudou quando, em 2016, revelou as práticas ilegais que manipularam as eleições primárias no partido democrático dos EUA para que Hilary Clinton, e não Bernie Sanders, fosse o candidato presidencial, e mais ainda depois de ter mostrado que Hilary Clinton fora a principal responsável pela invasão da Líbia, uma atrocidade pela qual o povo líbio continua a sangrar. Pode objectar-se que a WikiLeaks se tem restringido, em geral, aos governos mais ou menos democráticos do dito mundo eurocêntrico ou nortecêntrico. É possível, mas também é verdade que as revelações que têm sido feitas para além desse mundo colhem muito pouca atenção dos média dominantes.

 

A selectividade da luta por parte dos que dominam o sistema político é a que mais dano pode causar à democracia porque quem protagoniza a luta pode, se tiver êxito, aumentar por via não democrática o seu poder. O sistema jurídico-judiciário é hoje o instrumento privilegiado dessa luta. Assistimos nos últimos dias a tentativas desesperadas para justificar a revogação do asilo de Assange e a sua consequente prisão à luz do direito internacional e direito interno dos vários países envolvidos, mas a ninguém escapou que se tratou de um verniz legal para cobrir uma conveniência política ilegal, se não mesmo uma exigência por parte dos EUA. Mas obviamente que o estudo de caso do abuso do direito para encobrir conveniências políticas internas e imperiais é a prisão do ex-presidente Lula da Silva. O executor desse abuso é Sérgio Moro, acusador, juiz em causa própria, ministro do governo que conquistou o poder graças à prisão de Lula da Silva. Lula da Silva foi processado mediante sórdidos dislates processuais e a violação da hierarquia judicial, foi condenado por um crime que nunca foi provado, e mantido na prisão apesar de o processo não ter transitado em julgado. Daqui a cinquenta anos, se ainda houver democracia, este caso será estudado como exemplo de como a democracia pode ser destruída pelo exercício abusivo do sistema judicial. Este é também o caso que melhor ilustra a falta de transparência na selectividade da luta pela transparência. Não é preciso insistir que a prática de promiscuidade entre o poder económico e o poder político vem de longe no Brasil e que cobre todo o espectro político. Nem tão pouco que o ex-presidente Michel Temer pôde terminar o mandato para o qual não fora eleito apesar dos desconchavos financeiros em que alegadamente teria estado envolvido. O importante é saber que a prisão de Lula da Silva foi fundamental para eleger um governo que entregasse os recursos naturais às empresas multinacionais, privatizasse o sistema de pensões, reduzisse ao máximo as políticas sociais e acabasse com a tradicional autonomia da política internacional do Brasil e se rendesse a um alinhamento incondicional com os EUA em tempos de rivalidade geopolítica com a China.

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Objectivamente, quem mais beneficia com estas medidas são os EUA. Não admira que interesses norte-americanos se tenham envolvido tanto nas últimas eleições gerais. Também é sabido que as informações que serviram de base à investigação da Operação Lava-Jato resultaram de uma íntima colaboração com o Departamento de Justiça dos EUA. Mas talvez seja surpreendente a rapidez com que, neste caso, o feitiço se pode virar contra o feiticeiro. A WikiLeaks acaba de revelar que Sérgio Moro foi um dos magistrados treinados nos EUA para a chamada "luta contra o terrorismo". Tratou-se de um treino orientado para o uso musculado e manipulativo das instituições jurídicas e judiciárias existentes e para o recurso a inovações processuais, como a delação premiada, com o objectivo de obter condenações rápidas e drásticas. Foi essa formação que ensinou os juristas a tratar alguns cidadãos como inimigos e não como adversários, isto é, como seres privados dos direitos e das garantias constitucionais e processuais e dos direitos humanos supostamente universais. O conceito de inimigo interno, originalmente desenvolvido pela jurisprudência nazi, visou precisamente criar uma licença para condenar com uma lógica de estado de excepção, apesar de exercida em suposta normalidade democrática e constitucional. Moro foi assim escolhido para ser o malabarista jurídico-político ao serviço de causas que não podem ser sufragadas democraticamente. O que une Assange, Lula e Moro é o serem peões do mesmo sistema de poder imperial, Assange e Lula, enquanto vítimas, Moro enquanto carrasco útil e por isso descartável quando tiver cumprido a sua missão ou quando, por qualquer motivo, se transformar num obstáculo a que a missão seja cumprida. [Transcrevi trechos]

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13
Abr19

NOAM CHOMSKY DIZ QUE LULA "É O PRISIONEIRO POLÍTICO MAIS IMPORTANTE DO MUNDO"

Talis Andrade

 PRISÃO DE JULIAN ASSANGE ESTÁ LIGADA À DE LULA

 

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O linguista, filósofo e cientista político Noam Chomsky concedeu uma entrevista ao canal Democracy Now em que compara a prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, com a do ex-presidente Lula e a do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci.

Segundo ele, há uma tentativa de silenciar as vozes de ambos, lembrando da prisão de Gramsci sob o fascismo. Chomsky ressalta a proibição de Lula fazer declarações públicas e afirma que "ele é o prisioneiro político mais importante do mundo. Você ouve alguma coisa [na imprensa] sobre isso? Bem, Assange é um caso similar: temos que silenciar essa voz"

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"Alguns podem se lembrar quando o governo fascista de Mussolini colocou Antonio Gramsci na prisão. O promotor disse: 'Temos que silenciar essa voz por 20 anos. Não podemos deixá-lo falar.' Isso é o Assange. Isso é o Lula. Isso é um escândalo."

"Sob o governo Lula, no início deste milênio, o Brasil foi um dos mais – talvez o país mais respeitado do mundo. Foi a voz do Sul Global sob a liderança de Lula da Silva", afirma o renomado linguista.

Assista aqui ao vídeo legendado:

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