Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

06
Jan22

Assessor bolsonarista pivô no Escândalo do Laranjal do PSL é encontrado morto

Talis Andrade
Gilberto Figueiredo
Antes das eleições de 2022 muita gente da milícia vai "se morrer".Image
 

Haissander Souza de Paula, próximo do ex-ministro do Turismo e deputado Marcelo Álvaro Antônio, chegou a ser preso pela PF por cobrar a devolução da verba pública de campanha por candidatas da legenda em 2018

 
 

Haissender Souza de Paulo, que foi assessor do ex-ministro do Turismo do governo Bolsonaro e deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, acusado pela Polícia Federal de ser o operador do Escândalo do Laranjal do PSL, um esquema de desvio de verbas de campanha na eleição de 2018, foi encontrado morto nesta quarta-feira (5) numa propriedade de sua família em Aimorés (MG).

Ainda não ficou claro em que circunstâncias Haissander morreu. De acordo com pessoas da região, ele teria sido encontrado desorientado há alguns dias, perambulando pelas ruas de Governador Valadares (MG), a 180 km de Aimorés, também na região do Vale do Rio Doce, o que motivou a realização de um vídeo que foi postado nas redes sociais no intuito de localizar algum parente do ex-assessor parlamentar.

Encontrado pelos familiares e de volta à cidade natal, Haissander teria passado mal na última noite (4) e vomitando sangue, o que o levou a buscar ajuda num hospital local. Após ser medicado e liberado, ele voltou para a residência de sua família e para ser encontrado já sem vida na manhã desta quarta-feira (5).

Em junho de 2019, Haissander chegou a ser preso durante uma operação da PF e disse em depoimento que “parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”, envolvendo o presidente da República no esquema ilegal de caixa 2.

Meses depois, os investigadores descobriram que R$ 690 mil de verbas do fundo partidário chegaram a ser repassados à ex-esposa de Álvaro Antônio, Janaina Cardoso, que foi candidata. Em depoimento à PF, Jandir Siqueira, presidente do PSL em Belo Horizonte, contou que o valor foi repassado para a campanha de Janaina por determinação do próprio ex-marido dela.

Em suas redes sociais, o ex-assessor encontrado morto nesta manhã ostentava fotos com figuras influentes do bolsonarismo, como o empresário Luciano Hang, conhecido como Véio da Havan, o apresentador Ratinho, parlamentares e com o próprio chefe de Estado.Carlos Heraclio #LulaLivre on Twitter: "Charge : Moro diz que suspeitas  sobre 'laranjas' do PSL serão apuradas e eventuais culpados serão  responsabilizados. https://t.co/HyzPBrd6h3" / Twitter

Laranjal dos bolsonarista do PSL

Nas eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República pelo PSL, um esquema de desvio de recursos do fundo partidário foi descoberto pela Polícia Federal envolvendo o candidato eleito pelo partido em Minas Gerais Marcelo Álvaro Antônio, que seria nomeado no início do mandato pelo líder radical como ministro do Turismo.

Segundo a investigação dos federais, Álvaro Antônio e o assessor Haissander liberavam candidatura de mulheres pelo PSL, mesmo não tendo qualquer intenção de realizar campanha para elas ou elegê-las, em troca do compromisso de que repassariam à empresa ligada a um outro assessor os valores recebidos do fundo partidário, a verba pública destinada por lei aos que pleiteiam um cargo em eleições.

A I9 Minas e Assessoria, que recebeu R$ 267,2 mil do partido apenas de janeiro a abril de 2020, pertence a Reginaldo Donizete Soares, irmão de Robertinho Soares, também assessor do ex-ministro e atualmente deputado Marcelo Álvaro Antônio. Robertinho chegou a ser preso durante a operação que investigava o esquema de candidaturas de fachada no PSL.

Alvo de busca e apreensão no ano passado, a I9 foi apontada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público como parte fundamental do esquema de desvio de recursos de candidatas laranja na eleição de 2018.

Notícias relacionadas

 
05
Jan22

"É altamente suspeita a troca do delegado do caso Adélio", diz Joaquim de Carvalho

Talis Andrade

controle bolsonaro.jpeg

 

247 - O jornalista Joaquim de Carvalho, em participação no programa Bom Dia 247 desta quarta-feira (5), falou a respeito da Polícia Federal, que escolheu um delegado que já investigou o PCC (Primeiro Comando da Capital) para dar continuidade ao inquérito sobre as circunstâncias do suposto atentado contra Jair Bolsonaro nas eleições de 2018.

De acordo com o jornalista, que foi a Juiz de Fora (MG) em 2021 produzir um documentário sobre a suposta facada contra Bolsonaro, a movimentação requer atenção. 

“É preciso ficar de olho no inquérito sobre o caso da facada ou suposta facada em Juiz de Fora. Não conheço o delegado nomeado para o caso, em substituição a Rodrigo Morais, que foi para os EUA. Mas trocar o titular do inquérito em um caso complexo como este é altamente suspeito”, disse Joaquim. 

O jornalista ainda explicou que acompanhou a atuação de Rodrigo e que ele estava “buscando informações mais consistentes sobre o episódio”. 

“Numa investigação complexa como essa, jamais podemos trocar o condutor da investigação”, completou.Geuvar on Twitter: "Para que servem as forças armadas? Apoie o trabalho do  cartunista Tocantinense *Geuvar Oliveira* (clique no link):  https://t.co/5992OBs9nn #golpe #charge #bozonaro #BANESTADOleaks #CC5gate  #cloroquina #covid19 #viralatismo ...

 

Bolsonaro contra atestado de doido

 

O delegado em questão, Martin Bottaro Purper, está há 17 anos na corporação. Caberá a  ele buscar informações que possam esclarecer se Adélio Bispo de Oliveira cometeu o atentado sozinho ou contou com a ajuda de alguém.

A Justiça o considerou doente mental e, por isso, inimputável.

Bolsonaro insiste na tese de que a PF não fez uma investigação correta e de que houve um mandante. O objetivo é político, levantar a bandeira de que foi vítima de um atentado político a mando da esquerda. A narrativa sobre a facada volta ao cenário da disputa eleitoral de 2022.É só um meme - 9GAG

 
 
 [Por que Adelio Bispo, que treinou armas de fogo na mesma escola de tiro dos filhos de Bolsonaro, preferiu usar uma arma branca no meio de uma multidão de bolsonaristas exaltados em Juiz de Fora, MG?]
23
Out21

Como o enrolado parceiro comercial do filho de Bolsonaro tentou me silenciar com ameaça à minha família

Talis Andrade

Jair Renan Bolsonaro e o parceiro comercial Allan Lucena, suspeitos de Lobby, o BO e o print da conversa ameaçadoraJair Renan Bolsonaro e o parceiro comercial Allan Lucena, suspeitos de lobby, o BO e o print da conversa ameaçadora

 

por Joaquim de Carvalho

Eu fui até a casa do personal trainer Allan Lucena, parceiro comercial de Jair Renan, depois que tomei conhecimento de uma estranha denúncia que ele fez, em registro de BO em 16 de março deste ano na Polícia Civil de Brasília. Ele  relatou que estava sendo seguido. 

Um dia antes do registro do BO,  a imprensa tinha noticiado que a PF investigaria a suposta ação de lobby praticada por ele e Jair Renan junto ao governo federal, para beneficiar a Gramazini Granitos e Mármores Thomazini

A notícia dava conta de que Jair Renan Bolsonaro teria recebido um carro elétrico de presente do grupo empresarial.

Segundo o BO, no dia 16 de março, Allan viu na garagem do prédio onde mora um carro preto com uma pessoa gravando imagens dele com celular. Era o mesmo carro que tinha visto segui-lo nos dias anteriores.

Allan mandou o porteiro fechar o portão da garagem e chamou a PM. Os policiais descobriram então que quem estava no carro e gravava as imagens era o policial federal Luís Felipe Barros Félix. Ele foi qualificado e disse que estava lá para encontrar uma garota de programa. Allan foi à delegacia para registrar a queixa , mas o agente da PF não compareceu.

A Polícia apurou, então, que Barros Félix estava lotado na Presidência da República — trabalharia para a Abin.Jair Bolsonaro-Luís Felipe Barros Félix-Polícia Federal-AdélioBolsonaro segura no ombro do agente da PF Luíz Felipe Barros Félix, no dia da fakeada em Juiz de Fora. Foto Leonardo Costa

 

Como faço documentário sobre o caso da facada ou suposta facada em Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, sabia que esse Barros Félix era um dos principais segurança de Bolsonaro naquele dia do suposto atentado na cidade mineira.

Procurei Allan Lucena na quinta-feira desta semana (21/10) porque queria detalhes sobre o monitoramento de que tinha sido alvo. 

Na portaria, o funcionário, depois de interfonar, disse que Allan não estava, mas o havia autorizado a passar o número do celular dele. 

Eu então, ali mesmo, na calçada do prédio, liguei para Allan e fiz a entrevista, gravada em vídeo.

Allan não deu a razão pela qual, uma semana depois de registrar o BO, renunciou ao direito de representar contra o policial federal. Disse que tinha sido orientação do advogado, mas que não sabia porquê. 

À noite da mesma quinta-feira, eu recebo uma ligação dele, que não pude atender. Retornei pouco depois, e Allan disse que havia ligado por engano.

No dia seguinte (22/10/2021), às 10h58, ele me mandou uma mensagem com o print de uma conversa com alguém não identificado:

Na conversa, em letras maiúsculas, está o nome completo da minha esposa e também o de um dos meus filhos. Na conversa, ele dizia que o meu telefone estava em nome dos dois, além do meu, o que é uma absoluta inverdade.

Abaixo do print, numa frase dirigida a mim, Allan afirmou “Vocês poderiam parar de me ligar?”

Eu não estava mais ligando para ele — já tinha feito a entrevista.

Por que me dar conhecimento de que sabia do nome completo da minha mulher e do meu filho? Para mim, é uma intimidação, como se dissesse: “Sei quem são”.

Isso é inaceitável. 

Num país em que a vereadora Marielle Franco foi assassinada e muitos jornalistas, alvo de agressão, inclusive homicídio, não posso me calar. Tornar público o ocorrido é uma forma de proteger.

Continuarei apurando histórias que pessoas como Allan Lucena querem esconder. 

Por que um segurança que falhou no dia da facada (ou suposta facada) em Juiz de Fora foi levado para dentro do Palácio do Planalto, e fazia operações de arapongagem sensíveis de interesse específico da família Bolsonaro? 

É a resposta que busco.

Sobretudo porque sabemos que Gustavo Bebianno, numa entrevista ao Roda Viva, disse que Carlos Bolsonaro — que havia estado em Juiz de Fora, no único ato público de campanha de que participou em 2018 — queria montar uma Abin paralela.

Bebianno disse que, alguns dias depois da posse de Bolsonaro, Carlos lhe apresentou quatro nomes para formar uma Abin paralela.

Bebianno, na mesma entrevista, relatou ter afirmado a ele: “Isso dá impeachment do seu pai”...

Bebianno morreu de infarto no dia 14 de março de 2020, aos 56 anos de idade.

Eu já mostrei que outros dois agentes da Polícia Federal que organizaram o esquema de segurança de Bolsonaro em Juiz de Fora foram nomeados para a Abin, depois que Alexandre Ramagem assumiu a direção-geral.

Luís Felipe pode ser outro que passou a integrar o que Bebianno chamou ser o desejo de Carlos Bolsonaro, a Abin paralela. 

A mim, como repórter, cabe apurar. É o que estou fazendo, e ameaças desse tipo, como a que sofri em Brasília, não me intimidarão.

 

07
Ago21

Adélio volta à cena, mas ninguém cita que ele frequentou o Clube de Tiro dos bolsonaros

Talis Andrade

Adelio Bispo preso pela Polícia Federal, que vem se transformando na polícia política de Bolsonaro 

 

por Larissa Roncon

 

Após as complicações de saúde do presidente, que esteve internado por causa de obstrução intestinal, Adélio Bispo voltou a bombar nas redes.

Internautas questionam onde está Adélio e o que foi feito dele após ser acusado de esfaquear Bolsonaro em setembro de 2018.

A polêmica se estabeleceu entre bolsonaristas e críticos do presidente.

De um lado, apoiadores usam Adelio de bode expiatório para justificar cada espirro de Bolsonaro, enquanto outros acreditam que a facada nunca aconteceu e foi uma jogada eleitoral para o capitão poder escapar dos debates.

LEIA: Adélio volta ao debate com aparelhamento da PF por Bolsonaro e tentativa de desenterrar caso facada

Adélio está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS).

Em maio, desembargadores do Tribunal Regional Federal decidiram que ele não poderá sofrer sanções administrativas pelo crime, já que tem laudo médico em que apresenta transtorno mental delirante persistente. Por isso, é considerado inimputável.

LEIA: Liberdade de Adélio, autor de facada em Bolsonaro, será decidida em 14 de junho de 2022

O seu caso deverá voltar a ser discutido em julho de 2022, quando Adélio pode solicitar liberdade [Mês que antecede as eleições presidenciais, para criar um clima emocional que favoreça mais uma vez Bolsonaro, que disputará em outubro a presidência com Lula. E Adelio continuará proibido de falar com a imprensa. Vários pedidos de entrevista continuam engavetados. O bolsonarismo impede a fala de Adélio. Que permaneça amordaçado. O atirador treinado, que prefere matar com um canivete, continua preso em uma penitenciária federal, administrada por bolsonaristas] 

arma povo bolsonaro.jpeg

 

Embora não tenha sido condenado à prisão, ele foi mantido preso por ter sido considerado pessoa de alta periculosidade, cuja liberdade representaria risco a si e a terceiros.

Quem quer saber o paradeiro do autor da facada hoje nunca se importou com um fato real e que gera ainda mais suspeitas.

Carlos e Eduardo Bolsonaro frequentavam o mesmo clube de tiro, o 38, que Adélio, em Florianópolis.

Eis um fato que tem potencial para deixar todo mundo com a pulga atrás da orelha.

Renan Antunes contou essa história aqui no DCM.Clube de tiro frequentado pelos Bolsonaros e por onde Adélio Bispo passou  tem curso a R$ 5 950Eduardo Bolsonaro comemora aumento da letalidade policial — Conversa Afiada

O clube de tiro ponto 38 é um templo do bolsonarismo: a maioria dos frequentadores é gente sarada, bombada, tatuada, de sorriso forçado e pistola na cintura.

Localizado a 10 minutos da ponte Hercílio Luz, cartão postal de Floripa, o clube ganhou, nos cinco meses do governo Bolsonaro, a notoriedade que jamais teve em 27 anos de existência, graças a dois frequentadores ilustres e um maldito.

Os notáveis são os filhos do Bozo, o Zero 2 Carlos e o Zero 3 Eduardo.

O infame é Adélio Bispo, o maluco da facada de Juiz de Fora, gesto que catapultou a candidatura de Jair à presidência.

Por mais que se busque, ninguém conseguiu estabelecer uma conexão dos filhos do presidente com o maluco, exceto pelo fato de terem estado ao mesmo tempo no 38.

Corre uma versão que o clube pertence aos Bolsonaros, que seriam sócios ocultos.

É fake news. Talvez a fonte desta informação seja a mesma que espalhou que os filhos de Lula eram donos da JBS.

Passei duas tardes entre os frequentadores comuns do lugar – tem gente que chega de Porsche!

O pessoal fica algumas horas dando tiros em alvos de papel, ao custo mínimo de 99 reais a saraivada de balas calibre 22. Os preços sobem de acordo com o calibre.

O público principal é gente da segurança, mas também encontrei advogados e universitárias dando tiros nos estandes, só pelo prazer da coisa: tem gosto pra tudo.

O “ponto 38” do nome da casa significa o calibre do velho três oitão, arma padrão da polícia brasileira das antigas.

O clube foi fundado em 1992 por um delegado de polícia de Santa Catarina, Tim de Lima e Silva Hoerhann.

Eu conheci o delegado Tim. Ele é descendente do patrono do Exército, Luiz Alves de Lima e Silva, nosso Duque de Caxias.

Uma pesquisa histórica feita pela família, exibida em quadros no clube, sustenta que ela está no ramo de armas desde o tempo das Cruzadas, dos cristãos  contra os mouros, no século XII.

A linhagem inicia por um certo Ferdinand Brandon, cavaleiro normando, ancestral dos Lima e Silva.

O lado Hoerhann também era de armas:  o delegado Tim descende do fidalgo Miguel, instrutor de artilharia do império austro-húngaro, professor de esgrima de salão e ginástica sueca no… Maranhão!

Mais: em 1904, Miguel assinou o horripilante livro “A esgrima de baioneta”, muito popular na época.

O delegado tem uma mancha inapagável na carreira. Nos anos 80, ele foi encarregado de guardar um pacote de joias de um joalheiro morto num acidente aéreo.

Quando o pacote foi aberto pelas autoridades, havia pedras e até um bloco de concreto. Tim foi punido por negligência, mas as joias jamais reapareceram.

Tim ergueu o 38 num galpão industrial, ao lado da uma oficina mecânica, em local hoje muito valorizado, no bairro Campinas.

O salão de tiros é isolado da rua por uma chapa de aço de 15 milímetros, capaz de deter o chumbo de qualquer das armas ali existentes. Pode abrigar seis atiradores ao mesmo tempo.

Em quase três décadas no anonimato, o local reuniu a nata dos atiradores das redondezas – isto é, quem ama dar tiros, policiais e seguranças de lojas.

Hoje, os  irmãos Tony e Rafael, filhos do delegado, administram o 38. Nenhum deles tem formação militar ou policial, mas se vestem como se estivessem enfrentando tempos pós apocalipse.

Tony (38) é parrudo, luta jiujitsu com os lendários irmãos Gracie e dizem que até ensina os caras.

Tony também dá cursos à polícia da China comunista, treinou a segurança do primeiro ministro – o que faz com que entre no radar como uma possível conexão vermelha.

Mesmo com este currículo de amigo de comunistas, Tony é amigão dos filhos do Bozo.

A amizade começou antes do pai virar candidato. Vem dos tempos em que o Zero 3 entrou na Polícia Federal e fez curso de treinamento com Tony, evoluindo para o clube. O Zero 2 veio junto com o brother.

Tony adquiriu a ojeriza dos Bolsonaros à imprensa e não dá entrevista. Ele fica num salão acima do retrato do duque, espiando pela janela, enquanto o pessoal de marketing da casa fala com o repórter.

O guru civil dos Lima e Silva é Olavo de Carvalho. Recebeu da família a medalha de amigo da família, honraria cunhada pela própria família.

O herói da turma é Troy, um amigo de Tony, da SWAT do estado americano de Oklahoma. Ele vem de tempos em tempos e pá, pum, ensina os nativos a atirar no estilo americano.

Os caras amam muito os States. Tanto que o salão de jogos ostenta uma bandeira americana tamanho gigante, maior do que uma brasileira.

Do outro lado, estão as bandeiras, também gigantes, do xerifado de Oklahoma e do estado de Oklahoma – uma espécie de nirvana para atiradores.

O 38 tem uma lojinha de armas, pequena, mas bem movimentada.

É uma sala com espingardas calibre 12 e revólveres até o 45. Há carabinas AR15 como as usadas pelo exército americano (e pelos traficantes cariocas), numa versão popular, ao custo de 14 mil reais.

O negócio de venda de armas é legal, registrado no Exército. Qualquer um pode entrar, escolher a arma, manuseá-la, dar tiros para testar e sair com uma embaixo do braço, desde que atendida uma pequena burocracia – a casa faz tudo para o cliente.

O negócio só vende armas importadas. Carlos Souza, double de instrutor e vendedor, explica que “as nacionais Rossi e CBC só dão problemas”.

E aí está o tchã do 38: todos os papos giram, naturalmente, em torno de armas. Fala-se do coice que dá uma 12 ao disparar? O vendedor engatilha a arma mesmo sem balas e oferece: “Ouça o clique”, ensina. Pá, bate o gatilho.

Outra rodinha de papo é sobre o revólver Colt 45. Tratava-se de uma réplica, não pude apurar se era chinesa.

Mais papo: alguém viu um meliante num terreno baldio perto das lojas Koerich e queria saber se alguém poderia ir dar uma olhada, mas ninguém se escalou.

O salão de jogos, o mesmo onde está o memorial ao Duque de Caxias, abriga também a mesa de sinuca e um pequeno bar, quase sempre vazio.

“O nosso horário forte é depois do expediente, o pessoal passa por aqui e lota os estandes. Dão uns tiros para relaxar e vão para casa”, explica Carlos.

Como é relaxar dando tiros: a pessoa escolhe as armas (ou traz a sua de casa) e entra no estande de tiro. Bota óculos e protetores de ouvido. Aí, compra um pacote de balas, coloca um meliante de papel como alvo e pipoca nele.

Feito isto, ele recolhe o “morto”, confere os acertos e, se estiver num grupo, vai comentar os furos com os amigos. Se estiver sozinho, pode fazer um discreto gesto de “yes”, com o punho fechado.

Não achei muita gente disposta a puxar papo comigo no 38.

Me senti um zero à esquerda ao comprar o pacote básico calibre 22, com direito a um guaraná e uma barra de cereais, ao preço promocional de 56 reais.

Enchi de balas meu alvo – se fosse um meliante de verdade, estaria no mínimo num hospital, com o peito furado.

Saí do estande para um grupinho de instrutores. O papo era sobre Troy, o americano, com chegada prevista para sábado – era como se Zeus fosse descer do Olimpo.

O pessoal que frequenta a casa tem um figurino mais ou menos padrão, começando por uma botinha 3×4 e calças com bolsos laterais, coldre fabricado no próprio 38, lanterna e faca na cintura.

Surpresa: apesar de SC ter um baixo índice de violência, um em cada 422 habitantes do estado tem uma arma.

Do outro lado do 38, atravessando a avenida, temos o mar, com seu azul profundo.

 

Os tiros que nosso repórter deu foram no alvo

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub