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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Nov20

Áudio de Jucá monta parte militar do quebra-cabeça do golpe

Talis Andrade

a charge de Jucá é a síntese de um sistema pol

 

Fernando Brito /Tijolaço

- - -

Os generais Sérgio Etchegoyen e Eduardo Villas Boas correram a desmentir as informações contidas no livro de Michel Temer, ainda não lançado, em que o vice-presidente revela ter consersado com ambos com vistas a obter apoio para derrubar a ex-presidenta Dilma Rousseff.

Curioso é que “desmentem” confirmando, isto é, admitindo que conversaram sobre a destituição de sua então comandante em chefe, numa clara afornta nao so à hierarquia militar como, claro, à ordem civil constitucional.

Hoje, o excelente repórter Rubens Valente, no UOL, junta peças do quebra-cabeças golpista para mostrar que estas conversas nada tinham de “mera troca de ideias”.

Ele recupera o trecho da fala de Romero Jucá, talvez o personagem mais próximo a Temer no MDB que foi vazada depois do afastamento de Dilma, mas que foi gravada quando, ainda e cinicamente, o partido integrava o governo. Diz Jucá:

Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras diz (sic) ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras diz (sic) que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.”

Na conversa, discute-se afastar ou obrigar Dilma a uma licença, em troca de “parar tudo” nas apurações que se fazia contra o governo e contra Lula.

Não fica claro, apesar de óbvio, se, como e quando isso foi proposto. Mas os fatos evidenciam que, se foi, foi recusado.

Os “desmentidos” de Etchegoyen – na ocasião chefe do Estado Maior do Exército, e Villas Boas, seu comandante, estavam entre os militares que conspiraram – ao se oferecerem para “garantir” o golpismo – contra o poder legitimamente eleito. Como deixa evidente que à frente de suas motivações estava o desejo de manter encoberto o período em que o Exército foi desonrado pela presença de assassinos e torturadores em suas fileiras e seus comandos, matando e seviciando brasileiros, muitos deles cativos e indefesos

Foi um golpe e, ainda que não se possa reparar seus efeitos, é preciso conhecer a verdade, ou ela servirá apenas para a hipocrisia da citação bíblica de João: 8, 32, aquela que o presidente que Villas e Etchegoyen urdiram, dando-lhe trânsito nos quarteis e garantindo aos seus colegas de farda alguns milhares de “boquinhas” na Administração Federal.

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17
Set20

O espectro da ditadura

Talis Andrade

cordao-da-mentira

 

O antipetismo radical nos conduziu às catacumbas do extinto regime militar

por Paulo Silveira

1.

Em 2013, enquanto Geraldo Alckmin e Fernando Haddad cantavam, em Paris, Trem das onze de Adoniran Barbosa, iniciava-se nas ruas de São Paulo e depois irradiado para o Brasil aquilo que foi, até então, o maior movimento popular em décadas (só menor que o das “Diretas Já” de 1984); centenas de milhares de pessoas expunham reivindicações contraditórias sob o manto de um descontentamento geral, especialmente com o Congresso Nacional. Neste afã de mudança, muito provavelmente encontraríamos germes de uma direita radical e de seu complemento, o antissistema, que mais adiante tomaria a forma de um antipetismo.

No Rio de Janeiro, quase como uma continuação daquele movimento, um pequeno e aguerrido grupo acampou em frente ao apartamento do governador Sérgio Cabral no Leblon. Era o princípio do fim desse governo. Alguns meses depois e faltando ainda oito meses para terminar seu mandato, Cabral renuncia, abrindo espaço para Pezão assumir o governo e em outubro (pasmem) ser eleito para mais um mandato.

Nesta eleição, a de 2014, Bolsonaro foi o deputado federal mais votado do estado do Rio de Janeiro com mais de cem mil votos à frente do segundo colocado. O ovo da serpente começava a sair da casca anunciando sua cria.

Na antevéspera do Natal do ano seguinte (2015), ainda no Leblon, de onde Cabral fora enxotado, desta vez sobrou (quem diria) para Chico Buarque. Na saída de um restaurante onde jantara com alguns amigos, todos septuagenários, foi acossado por um bando de jovens de classe média alta e além. No episódio, tornava-se visível um antipetismo radical e agressivo que depois entraria em simbiose com várias correntes bolsonaristas.

Em abril do ano seguinte a Câmara dos deputados votou o impedimento da presidente Dilma. Nesta sessão, impressionante pela quantidade de besteiras que se produziu, destaca-se o voto de Bolsonaro. Como se talvez não fosse capaz de lembrar o nome completo da pessoa que queria homenagear, seu filho Eduardo manteve-se coladinho ao pai assoprando, sílaba por sílaba o nome do coronel do Exército Brasileiro (para que não esqueçamos sua origem) Carlos Alberto Brilhante Ustra. Reconhecido por tantos como torturador, mas também judicialmente por uma ação declaratória, Ustra foi escolhido a dedo para escancarar uma das facetas mais obscuras do então deputado federal.

No calor da hora, essa declaração de voto foi entendida como uma provocação, tão a gosto do declarante. Mas, retrospectivamente, ela pode ser vista por um ângulo bem diferente. Como se tratava de uma sessão que visava impedir a presidente do PT, esse voto poderia servir de teste para aferir até onde o antipetismo aceitaria chegar: quem sabe até as catacumbas do extinto regime militar. Como a chiadeira que veio a seguir não assustou, Bolsonaro recebeu um passe livre para a campanha eleitoral de 2018. Abria-se politicamente uma fusão entre bolsonarismo e antipetismo, com o deputado largando à frente de qualquer candidato ou partido que escolhesse o antipetismo como bandeira. Mas não só estava na frente como também prometia ir mais longe nessa sua cruzada antipetista.

Na eleição de 2018, como todos sabem, o bolsonarismo/antipetismo atingiu seu apogeu.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral, o voto a bolsonaristas e antipetistas contou-se aos milhões. No Rio de Janeiro, um exemplo que parece ser o mais notável, o candidato a deputado federal mais votado foi Hélio Fernando Barbosa Lopes, subtenente da reserva do exército, que sempre aparece atrás de Bolsonaro, misto de segurança e papagaio de pirata. Em 2004, concorreu ao cargo de vereador em Queimados, sua cidade natal, e obteve 277 votos; voltou a concorrer ao mesmo cargo em 2016, agora em Nova Iguaçu, conseguiu melhorar seu desempenho obtendo 480 votos. Apenas dois anos depois se candidatou a deputado federale com o apoio de Bolsonaro deu um salto extraordinário, obteve 345.234 votos.

Sem dúvida uma bela lavada nas correntes progressistas. Dela fizeram parte também alguns caciques do norte e do nordeste, especialmente do MDB: Romero Jucá, Edison Lobão, Garibaldi Alves Filho, Eunício de Oliveira concorreram ao senado e foram mandados de volta para casa.

2.

Ao sair da primeira audiência em Curitiba, com sua afiada intuição, Lula se deu conta da enrascada em que estava envolvido. Recebido por uma multidão de simpatizantes, declarou enfaticamente que desejaria mesmo “é ser julgado pelo povo” e não por aquele tipo de justiça, no caso representada pela Lava Jato, que acabara de interrogá-lo. “Ser julgado pelo povo”: um enunciado preciso e sintético de uma das dimensões mais sensíveis do populismo. Este faz não apenas economia do sistema de justiça, do poder judiciário, mas, por extensão, refere-se ao conjunto das instituições que constituem os pilares e as salvaguardas do regime democrático, isto é, o que pode ser chamado de Estado democrático de direito. Essa economia das instituições ou, mais enfaticamente, o trabalho em direção a sua supressão, é um dos elementos cruciais para se entender o populismo, uma política populista.

Aquilo que para Lula, naquele momento, era a manifestação de uma intenção que não mirou o gesto, palavras que se dissolveram no ar anunciando um desejo irrealizável, para o governo Bolsonaro é quase um projeto de governo: um populismo em ato, em andamento. Basta passarmos os olhos em sua política para a educação, para os direitos humanos, para sua política externa orientada à crítica tão ideológica quanto fantasmática a um “marxismo cultural”.

Alguns meses atrás, quando ainda estava mais confiante em sua reeleição,Trump disse que se assassinasse alguém ao acaso nas ruas de Nova York não perderia nenhum de seus eleitores. Essa é a aura daqueles que se propõem como mito a seus seguidores. Não importa o que façam, contam com a absoluta fidelidade de seus eleitores. Uma fidelidade que se desloca dos feitos para a própria pessoa do presumível mito.

Bolsonaro tem sido chamado de mito e tem cultivado essa disposição de pelo menos parte de seus eleitores. Há pouco, sua mulher foi chamada de “mita”; neologismo que agride nossos canais auditivos. Prefiro acompanhar o ator inglês Stephen Fry que depois de entrevistar Bolsonaro afirma que “certos mitos contemporâneos não passam de meros ídolos de barro”. E acrescento: com um destino certo, que só uma mente maldosa chamaria de “lixo da história”.

3.

Desde o início de seu governo, e mesmo antes, Bolsonaro esteve sob o manto de seu guru, o ideólogo, Olavo de Carvalho. Aliás, atribuir a este senhor o título de ideólogo beira ao exagero. Num passado, nem tão longe assim, distinguia-se com clareza ideologia de utopia. Hoje, diferentemente, ideologia deve ser pensada também como um sistema que morde o futuro, isto é, que contém em si mesmo um vir-a-ser, um lastro de utopia. A crítica ao dito “marxismo cultural”, carro-chefe desta ideologia, no mínimo, tem a função de aprisionar o pensamento e a ação a uma dimensão destrutiva: muito mais para dinamitar o presente e voltar ao passado do que acenar para o futuro – o futuro, paradoxalmente, como um passado radiante, a despeito do sol não brilhar: a noite da civilização.

O governo Bolsonaro desde logo ataca destrutivamente em algumas frentes principais. Na educação um colombiano, depois substituído por um tal de Weintraub que confessa publicamente que desejaria prender os ministros do Supremo; nos direitos humanos uma senhora Damares que pelo menos sabe perfeitamente distinguir quais devam ser as cores dos uniformes de meninos e meninas e nas relações exteriores Ernesto Araújo cuja função é a de produzir um alinhamento apequenado à política externa do governo Trump e a correspondente ideologização do Itamaraty. E pensar que em governos anteriores tivemos na educação um Paulo Renato e um Fernando Haddad, nos direitos humanos um José Gregori e um Paulo Vanucchi e no Itamaraty, só para citar um nome, Antonio Patriota, lembram? Onde estávamos e para onde fomos levados …

Para afiançar essa debacle são chamados os militares, sobretudo os do Exército; os de alto coturno em cargos palacianos bem próximos ao presidente, os demais povoando ministérios, onde sempre sobra uma “boquinha”. Aos primeiros ainda resta a capacidade estoica para suportar os destemperos do tal ideólogo. Afinal quanto vale um cargo… (lembro de um colega tenente que fazia sua boquinha fazendo a segurança de Paulo Maluf [cria da ditadura militar]; lá pelas tantas destratado pelo prefeito ou governador, e sem pestanejar, e com o pouquinho de equilíbrio que lhe escapara da espuma da cólera que lhe invadira, mandou-lhe às favas, simplesmente às favas: boquinha pelos ares). Mas general é de outro estofo, tem o couro mais curtido.

Os militares no coração do governo ainda exercem outra função, certamente menos nobre: a de ocupar o lugar de espectro da ditadura. Ameaçar com esse espectro se tornou um hábito do clã presidencial. E nenhum general de alto coturno ousou declarar abertamente uma aversão à ditadura e muito menos acompanhou a conhecida palavra de ordem “ditadura nunca mais”. No máximo ouvimos vozes para lá de tímidas, apenas comparáveis à autocrítica do PT, que, de tão esperada, morreu de velha. O que não deverão contar as entrelinhas desse encontro de opostos?

Mas se num malfazejo dia aquele espectro vier tomar corpo, quem poderia garantir que um ex-capitão, quase enxotado do exército, seria mantido no mais alto cargo da república? Eis algo inverossímil que, ainda assim, o clã presidencial cultiva como um pensamento mágico, como uma fantasia sombria e mal guardada.

 

14
Set20

A reação da Lava Jato

Talis Andrade

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por André Singer

- - -

No dia 9 de setembro, a Polícia Federal deflagrou uma operação para desvendar um esquema de desvios no Sistema S. Em princípio, seria apenas um caso isolado, uma investigação sobre extravios financeiros no âmbito do Sistema S na cidade do Rio de Janeiro. A operação, no entanto, tornou-se enorme, com 50 mandatos de busca e apreensão tendo como alvo grandes escritórios de advocacia, alguns dos maiores do país, e entre eles os escritórios de advocacia ligados ao ex-presidente Lula e ao atual presidente Jair M. Bolsonaro.

O que chama a atenção neste episódio – cujas ramificações não estão muito claras, pois envolvem uma série de informações ainda não disponíveis – é o fato de que parece ser uma reação da operação Lava Jato, que recentemente sofreu uma série de derrotas. O Conselho Nacional do Ministério Público decidiu, no dia 08 de setembro, impor a pena de “censura” ao procurador Deltan Dallagnol por tuítes emitidos por ele na ocasião da eleição para a presidência do Senado, em fevereiro de 2019, no âmbito do julgamento de uma representação feita pelo senador Renan Calheiros.

Neste mesmo dia, a Segunda Turma do STF deliberou por remeter processos abertos contra os ex-senadores Romero Jucá e Valdir Raupp, do MDB, para a Justiça Federal, fato que também foi interpretado como outra derrota da Lava Jato. Em suma, há uma série de elementos que dão a impressão de que a Lava Jato passa por um período de retrocesso e que essa operação da Polícia Federal denominada “Esquema S”, sob a jurisdição do juiz Marcelo Bretas, de algum modo, parece ser uma reação à essa situação.

A Lava Jato foi um elemento importante do processo de judicialização da política brasileira a partir de 2014. Estamos tratando, portanto, de uma operação que perdura por seis anos, o que, por si, não é bom. A judicialização da política não é recomendável, porque a justiça é uma coisa e a política é outra.

No decorrer da Lava Jato ficou comprovada uma atitude de facciosismo que prejudicou muitos setores da política brasileira, em particular o PT e o presidente Lula. Por outro lado, a operação Lava Jato desvendou uma série de aspectos importantes acerca do modo de funcionamento da política brasileira.

No confronto que agora está posto o que podemos observar, de uma perspectiva política propriamente dita, é o acirramento do conflito entre o governo de Jair M. Bolsonaro – que, em boa medida, chegou à presidência por causa da Lava Jato – e essa operação, processo intensificado a partir da saída do líder da operação Lava Jato, o ex-ministro Sérgio Moro, do governo.

Tudo isso aponta para o fortalecimento da tendência autoritária que constitui um elemento do caráter do governo de Jair M. Bolsonaro. De modo geral, o que precisa ser restabelecido no Brasil é uma situação em que a disputa política possa ser exercida de forma democrática, com lisura, transparência e, ao mesmo tempo, sem judicialização e sem facciosismo.

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08
Set20

Justiça do Paraná não é competente para julgar todo caso de corrupção do país

Talis Andrade

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por Fernanda Valente/ ConJur

"Nenhum órgão jurisdicional pode arvorar-se como juízo universal de todo e qualquer crime relacionado ao desvio de verbas para fins político-partidários, à revelia das regras de competência."

O entendimento é do ministro Gilmar Mendes, da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal. Nesta terça-feira (8/9), ele deu voto condutor para reconhecer a competência da seção judiciária do Distrito Federal para processar e julgar um inquérito contra os ex-senadores Romero Jucá Filho e Valdir Raupp de Matos. Eles são acusados de corrupção e lavagem de dinheiro na Transpetro.

No agravo regimental, as defesas dos ex-senadores questionaram decisão do relator, ministro Luiz Edson Fachin, que encaminhou o inquérito para o juízo da 13ª Vara Federal do Paraná. 

Gilmar Mendes proferiu voto-vista nesta terça, em que acolhe o pedido dos advogados para afastar uma possível prevenção de Curitiba. O ministro entendeu que o caso não tem relação com a Petrobras e que a acusação limita-se a atuação de Jucá quando exercia o mandato de senador. Como a acusação narra fatos que aconteceram especificamente no gabinete do ex-senador, a competência para o caso é da Justiça do DF.

Ele reiterou o entendimento já apontado por Dias Toffoli: "o fato de a polícia judiciária ou o Ministério Público Federal denominarem determinadas apurações como fases da Operação Lava Jato, a partir de uma sequência de investigações sobre crimes diversos, não se sobrepõe às normas disciplinadoras de competência". 

Citou ainda que o Plenário da corte já decidiu que o núcleo de políticos investigados na "lava jato", por ilícitos relacionados com as funções desempenhadas durante os mandatos, deveria ser processado no DF.

Ele foi acompanhado pelo ministro Ricardo Lewandowski, que afirmou que o processo trata da atuação de Jucá enquanto senador. "Não foi possível reconhecer a 13ª Vara Federal como juízo universal competente para julgar qualquer caso de corrupção no país", disse.

O relator votou para manter a decisão anterior e foi acompanhado pela ministra Cármen Lúcia. Diante do empate, foi aplicado o in dubio pro reo, benefício a favor do réu. O ministro Celso de Mello está afastado por licença médica.

PET 8.090
INQ 4.215

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23
Ago20

Advogados criminalistas aponta Operação Lava Jato como embrião dos atropelos democráticos

Talis Andrade

Enquanto o Brasil se deslumbrava em 2014 com uma investigação policial na Petrobras que alimentava o noticiário diariamente, um grupo de advogados criminalista assistia estarrecido a cada lance dessa operação. Começava a Lava Jato, e com ela, o Brasil hipnotizado pelas ações de policiais federais batendo na porta de poderosos para que prestassem contas à Justiça. A Lava Jato caía na boca do povo. A ideia de colocar na cadeia toda classe de corrupto de colarinho branco era um deleite para um país carente de ética com os bens públicos desde a sua fundação.

Nessa luta do bem contra o mal, coube a esses advogados defender os vilões da história. Executivos e políticos que delatavam e eram delatados por supostamente movimentar milhões por baixo do pano. A Lava Jato era personificada por uma força tarefa de procuradores jovens e destemidos, e um juiz pronto a atender ao anseio popular. Sergio Moro, um paranaense nascido em Maringá, despertava a fúria por justiça no país. O então juiz virou livro antes mesmo de mostrar a que veio. Depois foi tema de série da Netflix, ganhou prêmios, outdoor, boneco gigantes no Carnaval de Olinda e infláveis na avenida Paulista.

O grupo de advogados estava acuado no Brasil de 2014. A operação trazia elementos inacreditáveis para a mídia. Escutas, áudios vazados, histórias de amantes, traições entre antigos aliados. Um dos pontos altos foi o vazamento de uma gravação de Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, uma subsidiária da Petrobras, numa conversa com o ex-ministro de Dilma Rousseff, Romero Jucá, divulgada em maio de 2016. Ali se tramou um impeachment do Governo Dilma e a costura de “um grande acordo nacional”, nas palavras de Machado, “com o Supremo, com tudo”, como afirmou Jucá, com o intuito de frear a Lava Jato que até então batia em cheio no PT, e ainda não chegava com força aos demais partidos. O Brasil conheceu os detalhes dessa conversa por força das escutas coladas ao corpo de Machado. Ele queria se livrar da prisão, e o plano era conseguir informações comprometedoras de seus antigos convivas para os procuradores com quem negociava a redução da pena.

Esse era apenas mais um episódio contido numa das mais de 70 operações da Lava Jato nestes seis anos de existência. Nesse êxtase, a defesa de executivos e políticos tidos como corruptos tinham pouco espaço. Certamente queriam impedir a revolução em curso trazida pela Lava Jato. A operação era unanimidade e não havia quem pudesse ir contra ela. (Continua)

28
Jun19

Bolsonaro esqueceu de perguntar onde o Japão compra nióbio

Talis Andrade

Bolsonaro faz Brasil passar pelo maior vexame de sua história no G20 e fala em exportar bijuterias de nióbio

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O bocal do foguete do Apollo 15 CSM na órbita lunar é feita de liga de nióbio-titânio.

 

Percebido por líderes internacionais como um personagem tóxico, Jair Bolsonaro não conseguiu se reunir com nenhuma liderança importante e, isolado, fez sua live em que falou em tom de deboche do escândalo do tráfico de drogas no avião presidencial e também na possibilidade de que o Brasil passe a exportar bijuterias de nióbio. Foi infame e ultrajante.

Nenhuma vez perguntou onde o Japão comprou nióbio. O Brasil possui quase 98 por cento das reservas mundiais de nióbio, vendido a preço vil ou traficado. In Wikipédia: O político Eneas Carneiro (1938-2007) afirmou que só a riqueza produzida pelo nióbio no Brasil correspondia ao PIB, que na época era R$ 2,6 trilhões em 2007.

Não existem informações precisas sobre o nióbio. É tudo muito confuso e misterioso. In Wikipedia: Coltan é uma mistura de dois minerais: columbita e tantalita. Em português essa mistura recebe o nome columbita-tantalita. Da columbita se extrai o nióbio e da tantalita, o tântalo. Esse último é um minério de alta resistência térmica, eletro-magnética e corrosiva e por tais capacidades é muito utilizado na fabricação de pequenos condensadores utilizados na maioria dos aparelhos eletrônicos portáteis (celulares, notebooks, computadores automotivos de bordo). O nióbio é semelhante ao tântalo além de ter potencial como supercondutor. Ambos metais foram e continuam sendo fundamentais para toda a tecnologia relacionada a equipamentos eletrônicos. In Oficina da Net: O metal ainda não é pauta do Estado brasileiro, que ainda não o incluiu em nenhuma regulamentação sobre mineração vigente no país. O comércio e extração, por sua vez não é de domínio público, estando concentrado nas mãos de 2 companhias privadas que operam no país, gerando segundo os mais críticos, uma enorme evasão de divisas geradas pelas riquezas naturais brasileiras. E para aumentar as especulações, em 2011, um grupo de companhias chinesas, japonesas e sul coreanas adquiriram por US$ 4 bilhões 30% do capital da brasileira CBMM, Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), maior produtora mundial de nióbio (a CBMM é controlada pelo grupo Moreira Salles, mesmos fundadores do Unibanco. A 2ª empresa é a Mineração Catalão de Goiás, controlada pela britânica Anglo American). Os ex-senadores Aécio Neves e Romero Jucá são mais do que lobistas A entreguista Globo dos Marinho reclama dos nacionalistas, mas informa: Trata-se de um mineral nobre e encontrado em poucos países, mas o preço está muito distante do valor do ouro. O Brasil é o maior produtor mundial, respondendo por mais de 90% da oferta, seguido pelo Canadá e Austrália. O país detém mais de 98% das reservas conhecidas de nióbio no mundo, mas o mineral também é encontrado - para vender - em países como Egito, Congo, Groelândia, Rússia, Finlândia e Estados Unidos. Sua utilização garante alta performance em setores relacionados à siderurgia, sobretudo na produção de aços de alta resistência. Hoje, o nióbio já pode ser considerado um insumo essencial para indústria aeroespacial, de óleo e gás, naval e automotiva. Mas não se trata de uma fonte de energia primária ou de alto nível de consumo como o petróleo. O metal possui uma série de vantagens competitivas na produção de aços mais leves e ligas especiais. Quando adicionado na proporção de gramas por tonelada, confere maior resistência ao aço. Hoje é empregado em automóveis, turbinas de avião, gasodutos, tomógrafos entre outras aplicações. O nióbio possui vários nomes para confundir os nacionalistas. Segundo o Ibram, o nióbio respondeu por 4,68% das exportações minerais brasileiras em 2012. O nióbio tem sido nos últimos anos o 3º item mais importante da pauta mineral de exportação, ficando atrás apenas do minério de ferro e do ouro, cujas exportações no ano passado somaram, respectivamente, US$ 30,9 bilhões (80,06%) e US$ 2,3 bilhões (6,06%).

Informa 247: O Brasil se tornou motivo de piada internacional com a participação de Jair Bolsonaro no encontro do G20, as nações mais ricas do mundo, em Osaka, no Japão. Percebido como um personagem tóxico e ultrajante, Bolsonaro não teve nenhuma agenda relevante e fez sua live de quinta-feira em que falou da perspectiva de que o Brasil passe a exportar bijuterias de nióbio. Além disso, ele teve que falar do escândalo internacional de tráfico de drogas num avião presidencial. Segundo o jornalista Fábio Pannunizio, âncora da Band, Bolsonaro conseguiu transformar o Brasil nas Filipinas das Américas, numa alusão ao presidente Rodrigo Duterte, motivo de vergonha internacional. Detalhe: no governo Lula, o ex-presidente foi chamado de "o cara" por Barack Obama.

Fabio Pannunzio@blogdopannunzio
 

Anote aí. Bolsonaro viajou ao Japão para protagonizar um dos maiores vexames da história da nossa diplomacia. Se o que está se desenhando no horizonte se confirmar, o Brasil sairá do G-20 isolado e estigmatizado. Somos as Filipinas da América. Ninguém nos quer por perto.

George Marques@GeorgMarques
 

Bolsonaro foi para o Japão comprar uma bijuteria de nióbio. Tudo pago com dinheiro público. Não se encontrou com nenhum chefe de estado relevante. O mundo o reconhece como tóxico, uma criatura desprezível. O Brasil virou motivo de piada no exterior

 
 
Vídeo incorporado
Paulo Pimenta@DeputadoFederal
 

BRASIL, EXPORTADOR DE BIJUTERIAS

A equipe falou e eu não acreditei. Mas é verdade e está aqui: Bolsonaro foi ao Japão participar do encontro do #G20 e cita BIJUTERIAS de nióbio como EXEMPLO de produto para o Brasil investir e exportar.

Não existe limite de vergonha pra ele?!

 

 

03
Jun18

POR QUE MORO SOLTOU O HOMEM-CHAVE DA OPERAÇÃO DA PETROBRAS EM CONTRATOS INTERNACIONAIS? / O Rei das Delações Premiadas Abre Portas

Talis Andrade

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Mário Miranda 

 

por Carlos Henrique Machado

 

Mario Miranda, solto por Moro nessa última sexta, é homem chave do MDB.

 

Miranda é operador de propina do partido de Temer, Jucá, Eduardo Cunha e outros bichos soltos da corrupção nacional.

 

Mas o que envolve o universo de propinas de Miranda segue para uma linha perigosíssima.

 

Miranda e outro operador, Sérgio Bocaletti, são suspeitos de receber US$ 31 milhões por meio de contas mantidas por operadores financeiros no exterior e supostamente representavam políticos do MDB.

 

O dinheiro, segundo ele próprio, teve origem em ‘práticas ilícitas em contratos da Petrobrás’.

 

A investigação, imagina isso, está relacionada a um contrato da área Internacional da Petrobras no valor de US$ 825 milhões que teria rendido propinas de US$ 40 milhões ao MDB, em suposto encontro entre delatores da Odebrecht, os ex-presidentes da Câmara Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha e Temer, em 2010.

 

É estranho que, numa hora dessas em que o Brasil toma consciência da natureza bruta das transações entre Pedro Parente e as refinarias internacionais, Moro mande soltar, do nada, um sujeito que, certamente, tem muitas informações sobre tudo o que está relacionado ao fluxo de interesses entre a turma que hoje comanda a Petrobras e as refinarias dos EUA.

 

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 P.S. deste correspondente: Mais um acordo via Antonio Figueiredo Basto, rei das delações premiadas. Veja que Mário Miranda assinou a procuração no dia 17 último, e só entregue a Moro no dia 21, e neste mesmo dia 21 divulgado pela tv oficial da república de Curitiba, a Globo. Miranda foi rapidamente solto. Não deu tempo para as autoridades confirmarem a existência das referidas contas. E mais: Miranda não cita os valores. Não é estranho? É muita confiança da justiça na palavra de um preso. Será que essa pressa faz parte de alguma trama? 

 

 

30
Mar18

Mecanismo de propaganda imperialista da Netflix contra Lula

Talis Andrade

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O ex-presidente Lula é representado pelo caricato ex-presidente Higino (Arthur Kohl) 

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que não vai ficar quieto diante do conteúdo da polêmica série de propaganda política da Netflix O Mecanismo, que recria facciosamente alguns dos episódios da Operação Lava Jato. "Nós vamos processar a Netflix, nós não temos que aceitar isso. Eu não vou aceitar", disse o líder petista.

 

Informa o jornal El País da Espanha: Nem Lula nem Dilma aparecem na série com os seus nomes, mas é muito fácil reconhecê-los nas personagens de João Higino e Janete Ruscov. Lula alegou que os roteiristas colocam na boca da sua personagem palavras que ele nunca disse. O ex-presidente se referia a uma das cenas mais polêmicas da obra, quando Higino fala da Lava Jato e diz que é preciso "estancar essa sangria". Essas palavras foram pronunciadas, na realidade, pelo senador do MDB Romero Jucá, segundo uma conversa que foi grampeada pelos investigadores do caso. Noutro momento, a personagem de Lula também conversa com a presidenta Ruscov sobre a necessidade de trocar o comando da Policia Federal, mais um fato que nunca apareceu no inquérito da Lava Jato.

 

No comício que fechou a caravana em Curitiba, Lula acusou os criadores da obra: "Eles produziram uma peça que é mais uma mentira". "Aviso que vamos denunciar os responsáveis aqui ou em qualquer lugar", acrescentou o ex-presidente em um discurso no qual lembrou os incidentes ocorridos ao longo do seu percurso pelos estados do Sul para tentar impedir os atos planejados pelo PT em várias cidades. 

 

A Netflitx vem gastando milhões de dólares na série de propaganda política neste ano de eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Uma série que se pode assistir gratuitamente aqui. E que também está sendo ofertada por partidos políticos, e adéptos de Temer, Bolsonaro, Henrique Meirelles, Marina Silva e Alckmin. 

 

BBC, estatal do Reino Unido, apresenta as invenções do Mecanismo:

 

1. Lula falou sobre "estancar a sangria"? Falso
Na série dirigida por José Padilha, a frase é dita pelo personagem José Higino (que representa o ex-presidente Lula) ao "Mago", inspirado em Márcio Thomaz Bastos. O diálogo fictício ocorre em 2014, antes das eleições presidenciais. Mas a cena é fantasiosa.

 

2. A prisão de Youssef em 2014 aconteceu daquele jeito mesmo? Verdadeiro, mas…

Na série, o doleiro Roberto Ibrahim aproveita-se de um descuido do agente "China"  para pegar um jatinho no aeroporto de Congonhas (SP) e se mandar para Brasília.

A diferença é que a polícia não deixou Youssef escapar e o doleiro tampouco estava em Brasília no momento da prisão.
Quando foi detido, Youssef estava no quarto nº 704 do Hotel Luzeiros, um dos mais requintados de São Luís (MA), com vista para o mar. Segundo o Ministério Público, a mala continha R$ 1,4 milhão em propina, vinda da empreiteira UTC, e que seria paga a um secretário do governo maranhense, na gestão de Roseana Sarney (MDB). A prisão ocorreu em 17 de março de 2014. 

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Os donos do lava a jato em Brasília estão soltos e imensamente ricos  

3. O posto de gasolina de Yousseff realmente existe? Verdadeiro
Na série, o local é chamado de "Posto da Antena". Na vida real, o estabelecimento funciona até hoje - trata-se do Posto da Torre, localizado no Setor Hoteleiro Sul, ao lado da Torre de TV, um dos cartões-postais de Brasília. O empreendimento foi alvo da primeira fase da Lava Jato.

Além de 16 bombas de combustíveis, o Posto da Torre abrigava uma lanchonete especializada em kebab e uma casa de câmbio - além de um lava-jato. O estabelecimento era comandado por Carlos Habib Chater, sócio de Youssef. Na série, Chater é representado pelo personagem "Chebab". Na vida real, o posto também serviu para de inspiração para a delegada Erika Marena ("Verena Cardoni") cunhar o nome "Lava Jato" para a operação

[Informa este correspondente: "Chebab" está solto e rico. Youssef está solto e rico. Ganhou do juiz Sergio Moro delação premiada no assalto ao BanEstado. E condenado a mais de cem anos de prisão, recebeu outra delação mais do que premiada do juiz Sergio Moro, porque também livrou a esposa, a amante, a filha doleiras independentes e associadas. A delegada Erika está envolvida no suicídio do reitor Cancellier].

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 Ex-presidente Dilma Roussef ganha o nome russo Janete Ruscov (Sura Berditchevsky)

 

 4. Youssef circulava pelo comitê de campanha de Dilma Rousseff? Falso

Logo no começo da série, o personagem Roberto Ibrahim (que representa o doleiro Alberto Youssef) aparece em uma cena dentro do comitê de campanha do "Partido Operário" - na vida real, o comitê de Dilma Rousseff (PT). "Você quer quanto? R$ 500 (mil) resolve, para esta semana?", pergunta o personagem a uma integrante do staff fictício. "R$ 600 (mil), meu amor. Para agora", responde ela.
Na vida real, esta cena jamais poderia ter acontecido: durante a campanha eleitoral de 2014, Alberto Youssef estava preso em Curitiba, no Paraná (ele foi detido na 1ª fase da Lava Jato, em 17 de março de 2014, e ficou na cadeia até 17 de novembro de 2016).

Gerson Machado.jpg

Gerson Machado é representado por Marco Rufo (Selton Mello) 

 

5. O policial Marco Rufo existiu realmente e fuçou extratos no lixo? Não foi bem assim...
Assim como outras figuras da série, o policial Marco Rufo é baseado em uma pessoa real - neste caso, um ex-delegado da PF, hoje aposentado, chamado Gerson Machado. Assim como Rufo, Machado é de Londrina (PR). Esta é também a cidade natal de Alberto Youssef (na série, Roberto Ibrahim).
Assim como Rufo - o da ficção - Machado investigou Youssef, e disse ter sido acusado de "perseguição" pelo doleiro. Na vida real, Machado abriu um inquérito sobre o caso em 2008, anos antes da Lava Jato começar. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Machado disse em 2016 que foi afastado das investigações e depois "foi aposentado" precocemente, aos 49 anos de idade, em 2013. O afastamento o deixou deprimido.

 

6. Youssef realmente foi preso e fez delação uma década antes da Lava Jato? Verdadeiro, mas…
Em 1969, o Banco Central do Brasil editou uma norma, a Carta Circular nº 5, com o objetivo de facilitar a vida de brasileiros vivendo no exterior. A norma criou um tipo de conta bancária - batizada de CC5 em referência à Circular do BC - que permitia depositar dinheiro em moeda estrangeira no Brasil e sacá-lo no exterior.
Entre 1996 e 2003, um grupo de doleiros utilizou as contas CC5 do Banco do Estado do Paraná, o antigo Banestado, para enviar cerca de US$ 30 bilhões para fora do país. Um deles era Alberto Youssef. Ele admitiu mais tarde que efetivamente pagou propina, em nome de empresas, aos dirigentes do Banestado, para facilitar empréstimos a essas empresas. O nome do banco batizou o escândalo.

Youssef fechou seu primeiro acordo de delação premiada em 2004 - o acordo foi homologado pelo juiz Sérgio Moro. Em 2014, na segunda prisão do doleiro, o mesmo juiz invalidou o acordo de 2004.
A história é contada de forma resumida pela série de José Padilha - inclusive com uma menção às contas CC5. Mas há pelo menos dois pontos que merecem reparos. Ao ser preso, Youssef diz que não vai ficar muito tempo preso, já que o seu advogado "é o ministro da Justiça". Naquela época, o ministro era Márcio Thomaz Bastos ("O Mago", na série). Bastos nunca defendeu Youssef. Além disso, a série deixa de mencionar o fato de o esquema ter começado a funcionar em 1996, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

 

padilha.jpg

 

25
Mar18

O 'mecanismo' do cinema como propaganda eleitoral

Talis Andrade

Padilha pôs expressões canalhas de Jucá na boca de Lula em série da Netflix sobre a Lava Jato

 

Denunciei que a série "O Mecanismo" continua no cinema internacional a antecipada campanha eleitoral do Brasil deste ano. Tudo começou e continua com uma narrativa da Lava Jato, tendo os políciais de Sérgio Moro e Temer, à moda mexicana revista pelos gringos, como heróis bem representados no Rio de Janeiro pelas milícias.

 

Não sei quem paga, via Netflix, essa propaganda cara e nefasta, em que o grande herói do José Padilha é o policial de Temer, o Segovia. 

 

segovia o policial de temer.jpg

 

 

DCM - A crítica de Lucas Salgado no site Adoro Cinema à série “O Mecanismo”, de José Padilha, aponta um problema de “desonestidade”:

 

“No Brasil, a definição de justiça no dicionário não contém as palavras equilíbrio e imparcialidade”, diz a narração de O Mecanismo em importante momento da trama. Não que seja o objetivo da série buscar justiça, mas é certo que um pouco mais de equilíbrio era bem necessário para a produção.

 

Já sobre imparcialidade… Há de se reconhecer o esforço dos criadores José Padilha e Elena Soarez e o time de roteiristas de tentarem vender a ideia de que o tal mecanismo engloba todas as partes, da esquerda e da direita, do Presidente da República ao funcionário da companhia de água, passando pelo jovem da classe média e alta que falsifica carteira de estudante e dá uma “cervejinha” para o policial.


Por alguns momentos, a série consegue bem vender essa imagem. Em outros, no entanto, fica clara uma postura tendenciosa por parte da mesma, como quando vemos o personagem do ex-presidente (claramente inspirado em Lula) usando frases como “estancar a sangria” e “construir um grande acordo nacional”. Usar fala do notório diálogo entre Sérgio Machado e Romero Jucá como sendo de Lula é algo pra lá de desonesto, e isso é algo que deveria ser claro para pessoas das mais diversas visões ideológicas. (…)

 

===

 

Maria Jose Silveira: É lamentável o que ele faz com Lula e Dilma. Me parece caso de difamação e merece processo. E que quantidade de publicidade paga está tendo a série! Propaganda nas revistas e jornais. Será que está sendo bancada pela Netflix?

Fernando Monteiro: Uma coisa é certa -- ou mais do que certa --, Maria amiga: desde que o cinema brasileiro foi assumindo posturas de "conquista do mercado" (o analfabeto ministro atual da "Cultura" é um adepto fervoroso disso, desde seus nefandos tempos da RioFilmes etc), nós vimos surgir os Padilhas. Padilhas por todo lado, no solo cinematográfico dignificado pela trajetória limpa -- e heroica -- de Glauber, de Nelson Pereira, de Leon, Joaquim Pedro e outros. Surgiu, então, o olhar cúpido daqueles oclinhos dos Meirelles-idem -- ávidos pelos Oscar (que nunca veio) e outros penduricalhos de acesso ao mercado americano acima de tudo. Lembra-se que o ridículo Bruno Barreto chegou a se transferir para Los Angeles, a fim de -- lá -- filmar qualquer merda?


Pois bem: é assim que estamos -- ou parece que estamos --, agora: servidos pelos Padilhas, "reduzidos" a eles e seus Robocops da bilheteria descerebrada. São os "novos" tempos: Padilha é "in", Padilha está na moda do "audiovisual" indiferente ao destino do Brasil, à decifração -- ainda -- da nossa identidade etc. Padilha é isso: um Padilha, lá nos States dos "cucarachos" que pensam que são respeitados em Hollywood e adjacências. Enganam-se. Eles apenas trabalham para a velha indústria que Glauber execrava do fundo do coração baiano, eles apenas cumprem as ordens da Netflix e de quem pague seus "serviços" de "profissionais" sem pátria.

 

===

 

 

Leia a conversa original, gravada pela Polícia Federal:

 

JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.[...]

 

MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

 

JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ’Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

 

MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

 

JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.

 

MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.

 

JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.

 

 

24
Set17

Temer entrega a Amazônia com arrastão na Venezuela

Talis Andrade

 

Após os Estados Unidos terem imposto duras sanções financeiras contra a Venezuela, o Canadá anunciou o “congelamento de ativos e à proibição de transações dirigidas a indivíduos específicos”, assim como à proibição para os canadenses de “prestar seus serviços financeiros ou serviços conexos”.

 

As medidas visam atingir Nicolás Maduro, o vice-presidente da Venezuela Tareck el Aissami, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral Tibisay Lucena, o ministro da Educação Elías Jaua, e o procurador-geral Tarek Saab. 

 

As sanções não valem para os adversários políticos de Maduro. 

 

O Canadá é rico porque possui dois (2) por cento das jazidas de nióbio. Um nióbio sem qualidade. O Brasil possui noventa e oito (98) por cento das jazidas de nióbio do mundo e é pobre. Quem pode explicar?

 

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O Canadá exporta mais nióbio que o Brasil, quem pode explicar?

 

Dois senadores brasileiros comandam o tráfico de nióbio: Aécio e Jucá.  


A Venezuela que possui as maiores jazidas de ouro do mundo na Amazônia, não quer entregar o ouro para os bandidos. O Brasil não tem nenhuma pepita de ouro na Amazônia, quem pode explicar tanta falta de sorte?

 

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Reservas-de-Oro_Carta-Financiera américa latina.p

 

 

 

A Venezuela que possui os principais poços de petróleo do mundo na Amazônia, não quer entregar o excremento do diabo para os piratas. O Brasil não consegue achar petróleo na Amazônia, quem pode explicar?

 

“O Canadá não se calará em um momento em que o governo da Venezuela priva seu povo de seus direitos democráticos fundamentais”, discursou Chrystia Freeland, ministra das Relações Exteriores do Canadá.

 

O Brasil não sofre sanções dos países que tentam conquistar as riquezas da Venezuela. Tudo porque o Brasil, um país democrático de golpe à Honduras e Paraguai, sofre pedidos de intervenção militar de generais de pijama sem bandeira nacionalista, sem tropas, sem povo, sem votos.  

 

In Wikipédia: Com a licença do presidente Chávez em dezembro de 2012 para tratamento médico, assumiu a presidência interina da Venezuela o vice-presidente Maduro. Assumiu o poder após Hugo Chávez morrer na tarde de 5 de março de 2013. Antes de viajar a Cuba para a última fase do tratamento contra o câncer, Chávez pediu a unidade da população "em favor da Revolução Bolivariana" e pediu apoio ao vice-presidente. 

 

Em 14 de abril de 2013, Maduro foi eleito com 50,66% dos votos contra 49,07% de seu opositor, Henrique Capriles Radonski – governador do estado de Miranda e também o candidato da oposição na eleição anterior contra Hugo Chávez, em outubro de 2012 – uma diferença de cerca de 220 mil votos numa eleição com cerca de 19 milhões de eleitores registrados. A participação eleitoral foi de 78,71%.

 

Radonski fez a mesma reclamação do derrotado Aécio Neves contra a eleição de Dilma Rousseff.

 

Dilma e Temer foram empossados para o segundo mandato no início da tarde de 1.º de janeiro de 2015. Em 2 de dezembro, Cunha aceitou a abertura do processo de impeachment de Dilma. Após o Senado instaurar processo de impeachment em 12 de maio de 2016, Temer foi empossado interinamente na presidência da República, convertendo-se no presidente mais idoso da história do país e o primeiro descendente de árabes.

 

O Presidente da Venezuela é eleito por um voto plural, através de sufrágio universal e direto, e tem funções quer de chefe de estado, quer de chefe do governo. A duração do mandato é de 6 anos e um presidente pode ser reeleito, depois de referenda a emenda constitucional, a 15 de Fevereiro de 2009.

 

A Venezuela faz referendos que o Brasil não faz. Faz plebiscitos que o Brasil não faz. A Venezuela acaba de eleger uma Assembléia Constituinte, coisa que o Brasil não faz. 


Que ordem constitucional deve ser restabelecida na Venezuela? A reclamada pelo Canadá, conforme os desejos dos Estados Unidos? 

 

O que falta à Venezuela um presidente do tipo de Temer, que extinguiu uma reserva ambiental em um território de quase quatro milhões de hectares entre o Pará e o Amapá, permitindo atividades privadas de mineração na região.

 

A entrega dos recursos naturais do Brasil a grupos econômicos nacionais e estrangeiros não tem limite para o governo Michel Temer. A entrega abrange uma região fronteiriça. De conflito entre a Guiana e a Venezuela.

 

Tríplice fronteira brasil venezuela guiana no mon

 Tríplice Fronteira Brasil - Venezuela - Guiana, no Monte Roraima 

 

Alerta o Brasil 247, citando a BBC: Entreguismo de Michel Temer supera, mais uma vez, as piores expectativas; depois de abrir o pré-sal para multinacionais do petróleo e decidir vender até o território nacional, convidou o exército dos Estados Unidos para uma atuação inédita na Amazônia: um exercício militar na tríplice fronteira amazônica.

 

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 A rendição da Amazônia valeu uma medalha da Ordem do Mérito Militar ao major-general americano Clarence K. K. Chinn em março

 

 

 

 

 

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