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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

14
Nov22

RedeTV defenestra o bolsonarista Lacombe

Talis Andrade

 

Por Altamiro Borges

Não é apenas a Jovem Pan – também apelidada de Jovem Klan por suas posições ultradireitistas – que está demitindo seus jagunços bolsonaristas para se adaptar ao resultado das eleições e à necessidade de publicidade oficial. Ricardo Feltrin informa com exclusividade no site UOL que a RedeTV acaba de defecar um patético bajulador do “capetão”. 

“Após dois anos, o jornalista e bolsonarista Luís Ernesto Lacombe foi demitido na sexta-feira (11) da RedeTV. Ele ainda apresentará o programa desta semana, mas, nos bastidores da TV, é dado como certo que Amanda Klein o substituirá com um programa no mesmo horário. Até a noite desta sexta-feira, emissários do jornalista e da emissora tentavam encontrar uma saída honrosa para ele”, descreve o colunista. 

O defenestrado se projetou com suas posições reacionárias na GloboNews. Já na RedeTV – que virou um dos principais antros da ultradireita na mídia nativa –, ele apresentava o programa semanal “Agora é Com Lacombe” e também era um dos âncoras do telejornal RedeTV News. Como lembra a coluna do site UOL, “ao lado do vice-presidente da emissora, Marcelo Carvalho, ele era um dos maiores negacionistas e defensores do governo Jair Bolsonaro”. 

Ele nunca fez muito sucesso na tevê. “O programa, desde a estreia, registrou traço de audiência. Antes, ele apresentou na RedeTV o programa ‘Opinião no Ar’, que saiu do ar em março deste ano. A atração também era traço de ibope... Seu salário, segundo fontes ouvidas na emissora, era de cerca de R$ 200 mil, sendo que metade era paga por anunciantes bolsonaristas”, detalha Ricardo Feltrin.

Como derrotar o fascismo no pós-eleição?

 
 
02
Nov22

"Desobediência civil não sairá do meu bolso", diz Tutinha ao justificar demissão de apresentadores bolsonaristas na Jovem Pan

Talis Andrade

www.brasil247.com -

 

247 - Questionado a respeito das trocas, saídas e demissões de bolsonaristas da Jovem Pan, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, dono do grupo, disse em reuniões internas que "a desobediência civil não sairá do meu bolso". A reportagem é do jornalista Guilherme Seto, no jornal Folha de S.Paulo.

Ele se referia a penalidades que o grupo poderá sofrer caso comentaristas do canal contrários ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), descumpram decisões judiciais e continuem fazendo acusações ao petista.

O Tribunal Superior Eleitoral determinou que a empresa se abstenha de promover inserções e manifestações que digam que Lula mente a respeito de ter sido inocentado pela Justiça, com multa fixa de R$ 25 mil a cada infração. Além disso, concedeu três direitos de resposta ao petista.

O plenário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) puniu a emissora Jovem Pan em três decisões proferidas em julgamento no plenário virtual em razão de declarações de comentaristas da emissora consideradas distorcidas ou ofensivas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No UOL News, o colunista Kennedy Alencar comentou o assunto.

 

30
Out22

O falso atentado a Tarcísio de Freitas ainda é uma história inacabada

Talis Andrade

tiroteio - Twitter Search / Twitter

 

Ela passa pela Agência Brasileira de Inteligência, Jovem Pan, e sabe-se mais o quê

 

Armação, não foi. Mas um tiroteio entre bandidos, por pouco, não ficou como se tivesse sido um atentado contra o candidato bolsonarista ao governo de São Paulo

Tarcísio de Freitas (Republicanos).

 

por Ricardo Noblat

- - -

Na manhã do último dia 17, em Paraisópolis, Tarcísio visitava a sede de um projeto social quando estourou um tiroteio do lado de fora, que resultou na morte de um homem e na fuga de outro.

Quem fazia a segurança do candidato? Segundo ele, a Polícia Militar paulista. Segundo a Polícia Militar paulista, ela mesma. Mas apareceram indícios de que gente estranha também fazia.

A Jovem Pan deu primeiro na edição do seu “Jornal da Manhã”: “Informação de última hora: Tarcísio é alvo de atentado em Paraisópolis”. No Twitter, Tarcísio escreveu:

“Em primeiro lugar, estamos todos bem. Durante visita ao Polo Universitário de Paraisópolis, fomos atacados por criminosos. Nossa equipe de segurança foi reforçada rapidamente com atuação brilhante da PM de SP. Um bandido foi baleado. Estamos apurando detalhes sobre a situação”.

Às 11h49m, no Twittwer, Mário Frias, bolsonarista de raiz e ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, postou:

“URGENTE! Tarcisio de Freitas acaba de sofrer um atentado em Paraisópolis. Uma equipe da Jovem Pan estava próxima. As informações preliminares são de que o candidato estava em uma van blindada e todos estão bem.”

Seis minutos depois, ainda no Twitter, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou:

“Acabei de falar com nosso candidato ao Governo de São Paulo e ele está bem. Graças a Deus o atentado em Paraisópolis/SP não fez vítimas fatais.”

A mensagem de Flávio foi ilustrada com uma foto onde aparece uma chamada do programa “Morning Show”, da Jovem Pan, e o título: “Urgente: Tarcísio de Freitas sofre um atentado em Paraisópolis”.

Àquela altura, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro, o pai, já fora informado a respeito. Dali partiu a ordem para que seu programa de propaganda eleitoral daquele dia explorasse o episódio.

 A pressa foi tal que, sob um fundo preto, sem locução, foi aplicado apenas um letreiro que dizia:

“O candidato a governador de São Paulo Tarcísio de Freitas e sua equipe foram atacados por criminosos em Paraisópolis”.

Foi pela Jovem Pan que Bolsonaro soube? Segundo um assessor dele, não. Foi pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Pelo menos dois dos seus agentes faziam a segurança de Tarcísio.

A Abin não pode fazer segurança de candidatos. Ela é apenas um órgão de inteligência do governo federal. Mas, vê-se que vai além dos seus chinelos sempre que o presidente autoriza.

No fim da tarde daquele dia, depois que a Secretaria de Segurança Pública concluíra que não fora um atentado, Tarcísio, em entrevista coletiva à imprensa, reconheceu:

“Não foi um atentado contra a minha vida, não foi um atentado político, não tinha cunho político-partidário. Foi um ataque no sentido de que, se você intimida uma pessoa que está lá fazendo uma visita, isso é um ataque.”

“Foi um ato de intimidação. Foi um recado claro do crime organizado que diz: ‘Vocês não são bem-vindos aqui. A gente não quer vocês aqui dentro’. Para mim é uma questão territorial. Não tem nada a ver com uma questão política.”

Áudio obtido pela Folha de S. Paulo aponta que um integrante da campanha de Tarcísio mandou um cinegrafista da Jovem Pan apagar imagens do tiroteio. O cinegrafista filmou parte da ação.

Um dos encarregados da segurança do candidato, que portava um crachá, interrogou o cinegrafista:

“Você filmou os policiais atirando?” – ele perguntou.

“Não, trocando tiro efetivamente, não. Tenho tiro da PM pra cima dos caras”, respondeu o cinegrafista.

O segurança perguntou se ele havia filmado as pessoas que estavam no local onde tudo aconteceu, e o cinegrafista disse que não. Por fim, o segurança mandou:

“Você tem que apagar”.

Em nota, a Jovem Pan diz que “exibiu todas as imagens feitas durante o tiroteio”, e que “o trabalho do cinegrafista permitiu que a emissora fosse a primeira a noticiar o ocorrido.”

Acrescenta a nota:

“Não houve contato da campanha do candidato Tarcísio com a direção da emissora com o intuito de restringir a exibição das imagens e, por consequência, o trabalho jornalístico.”

A polícia paulista vai requisitar as imagens à emissora. O homem que morreu não foi identificado. O que fugiu, também não. O inquérito aberto pela polícia corre em segredo.Agente com Tarcísio em Paraisópolis estava com Bolsonaro no dia da facada |  Revista Fórum

Agente Danilo Cesar Campetti, de revolver na mão, na cena do crime, da execução de Felipe da Silva Liva desarmado, e morto a tiro pelas costas

tarcisio-de-freitas-abin-agente-paraisopolis-print

À esquerda, o agente licenciado da Abin Fabrício Cardoso de Paiva, assessor da campanha a governador de Tarcísio, à direita.

 

Reinaldo Azevedo: Tarcísio, Paraisópolis e o falso atentado

O repórter cinematográfico que gravou o tiroteio que matou um homem e parou a campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato ao Governo de São Paulo, na favela de Paraisópolis, falou com a equipe de jornalismo da TV Cultura. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. Na entrevista, Marcos Andrade revelou como foi abordado por um servidor da Agência Brasileira de Inteligência, que faz a segurança do candidato, pedindo para apagar as imagens do confronto. Ele disse que havia pelo menos mais um agente da Abin no local. O vídeo do repórter cinematográfico da TV Jovem Pan pode ter registrado o momento em que o homem "suspeito" foi morto. O material pode esclarecer se seguranças da campanha de Tarcísio de Freitas participaram do ataque ou se um policial militar foi o autor do tiro.

Quem matou Felipe? Passados 11 dias do assassinato do jovem de 27 anos em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, o candidato bolsonarista ao Governo do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a se colocar como "vítima" da ação de criminosos, mas todas as evidências levam a crer que o suposto “atentado”, anunciado nas redes antes de ter acontecido, foi uma grande armação. No debate na Globo desta quinta-feira (27), Tarcísio ainda fez uma confissão pública de que houve, a pedido de sua campanha, destruição de provas e evidências que poderiam esclarecer quem foi que assassinou Felipe a tiros. Confira a analise de Renato Rovai, editor da Fórum:

“Tarcísio fez armação e matou meu filho para se eleger”, diz pai de jovem em Paraisópolis

O pintor Fernando, pai de Felipe da Silva Lima executado pelos segurança do general Tarcísio de Freitas, deu entrevista a Joaquim de Carvalho. O irmão de Felipe também falou: "Temos medo", disse.

Vide comentários:


EX-BOZOLOIDE ARREPENDIDO

a habilidade para mentir e enganar as pessoas, vindas da ala bolsonarista, não tem limites.


Paulo Cezar Nogueira

O sujeito nem se elegeu e já implantou a milícia do Rio em São Paulo.



Antonio
O suposto tiroteio, onde só os seguranças do Tarcísio atiraram... mandaram até o cinegrafista apagar as filmagens, pra sumir com as provas do caso.
No começo os exaltados queriam explorar a tese de atentado. Depois, viram que seriam facilmente desmascarados, e ficaram caladinhos. Não querem mais falar sobre o assunto...


Jose Almeida

Quem é o homem morto? Ele não estava armado. Como ele foi baleado? POr quem? POr que? Toda essa armação será desmascarada. Tarciso fará companhia ao Bolsonaro em Bangu, como bom carioca.

Antonio
Escolha sua Teoria da Conspiração preferida:


- O “atentado” contra Tarcísio

- As urnas eletrônicas que tiram votos de Bolsonaro

- A armação dos policiais para prender Roberto Jefferson

- As rádios que não veiculam propaganda

- A censura do Alexandre de Moraes

- A vacina que implanta um chip

- A suposta “facção CPX”

- A mídia aumentando mortes por Covid


Eduardo de Paula Barreto

A ESTRATÉGIA DO MITO

 

Diante da certeza

De que será derrotado

Bolsonaro bate na mesa

E grita desesperado

Desafiando o Judiciário

Para minar com ataques diários

O Estado democrático de Direito

Porque acha preferível

Ser considerado inelegível

Do que perder o pleito.

.

Estimula a violência

Propagando mentiras

E com falsa benevolência

Com benesses conspira

Contra o arbítrio

Daqueles famintos

Que devido à carência

Talvez sejam induzidos

A reconduzir o mau mito

À cadeira da Presidência.

.

A outra opção imoral

Que Bolsonaro tem

É a convulsão social

Provocada por quem

Investe na instabilidade

Para que a sociedade

Assustada se abale

E aceite a instalação

De um governo de opressão

Exercido pelos militares.

.

Ao perder o seu cargo

Perderá o escudo do foro

E será processado

Pelos crimes e desaforos

Que cometeu impunemente

Enquanto foi o Presidente

Mais inapto, inepto e vil

E caberá a todos nós

Unir nossa força e voz

Para a reconstrução do Brasil.

.

Eduardo de Paula Barreto



Marcos Antônio da Silva

O povo de São Paulo tem responsabilidade moral de evitar que o Estado se transforme na República de Salò caipira, refúgio e reduto dos fascistas apeados do poder federal.


Eduardo de Paula Barreto

.

O TEMPO DAS TREVAS.

.

Chegamos ao fundo do poço

E nas trevas não enxergamos nada

Tornamo-nos apenas um esboço

De uma sociedade civilizada

Que deixou lá na superfície

Toda a expertise

Adquirida ao longo dos tempos

Desaprendemos a amar

A ser tolerantes e a aceitar

Que o mundo não é mais o mesmo.

.

Com oitenta tiros

Desfaz-se uma família

Deixando mortos os entes vivos

Em cuja memória o morto brilha

E os dedos que acionam os gatilhos

Apontando o pai para o triste filho

Destroem a sua reputação

E sem nenhuma autocrítica

Transformam a inocente vítima

Em apenas mais um ladrão.

.

Tornam-se frequentes os suicídios

E o ódio se materializa

Buquês são trocados por feminicídios

Ressurgem os ideais nazistas

E os embates físicos violentos

Se sobrepõem aos argumentos

Na resolução de conflitos

E o mal adquire maior relevância

Sempre que quem prega a intolerância

É chamado de mito.

.

Eduardo de Paula Barreto

27
Out22

Cinegrafista da Jovem Pan pede demissão após denunciar atentado fake de Tarcísio em Paraisópolis

Talis Andrade

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Marcos Andrade pediu a rescisão de seu contrato com a Jovem Pan. Após denunciar a farsa montada pela campanha de Tarcísio, o profissional relatou temer retaliações: "Você não sabe com quem está lidando" 

 

247 - O cinegrafista Marcos Andrade pediu nesta quinta-feira (27) a  rescisão de seu contrato com a Jovem Pan. Andrade foi o responsável por captar as imagens do tiroteio em Paraisópolis, favela de São Paulo, no último dia 17 que provam a farsa montada por Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato a governador do estado, para se vender como vítima de um atentado enquanto fazia campanha na região. 

>>> "Tarcísio organizou uma farsa em Paraisópolis para fraudar as eleições", diz Joaquim de Carvalho

Ele foi pressionado pela campanha do candidato a apagar as provas e relatou à Folha de S. Paulo que a equipe de Tarcísio estaria pedindo à Jovem Pan sua demissão.

Na entrevista, Andrade afirmou temer retaliações contra sua família. "Eu também estou assustado, porque você não sabe com quem está lidando. Medo não por mim, mas pela minha família, entendeu? Eu estou com minha esposa para ganhar nenê neste próximo mês. A minha preocupação é só essa, da minha família, entendeu, da integridade física de todos. Eu espero que acabe tudo bem, é a minha esperança, para a minha pessoa, para a minha família. Claro que eu tenho medos", afirmou. Andrade disse ter feito seu trabalho corretamente. "Eu, como jornalista, não vejo erro. Porque em nenhum momento estou mentindo, estou acrescentando vírgula, estou acrescentando ponto. A meu ver, eu não fiz nada de errado. Se alguém fez alguma coisa de errado, não fui eu".
 

Andrade contou que filmou um agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e policiais à paisana, da equipe do próprio Tarcísio, disparando tiros em Paraisópolis, numa ação que matou um jovem desarmado chamado Felipe Silva de Lima, de 28 anos.

 

As cenas filmadas por Marcos Andrade mostram policiais sem câmara, tiros nas costas de um motociclista, toda uma farsa montada pelos agentes do general Tarcísio e do general Heleno
 
 
Image
 
Revelação de cinegrafista da Jovem Pan sobre farsa de Tarcísio em Paraisópolis gera revolta nas redes brasil247.com/midia/revelaca Patrocinou uma execução. De Felipe Silva de Lima, que estava desarmado. Mandou matar para filmar. Um filme de terror eleitoral. Coisa de miliciano
Mônica Bergamo
@monicabergamo
A entrevista de Marcos Andrade revela fatos escandalosos. Mais que isso: revela um homem CORAJOSO. Que enfrenta o medo e filma o tiroteio de Paraisópolis. Que enfrenta de novo o medo e revela a pressão por sumiço de provas da equipe de Tarcísio de Freitas:

Cinegrafista relata pressão de equipe de Tarcísio e diz que filmou pessoas à paisana atirando

Repórter-cinematográfico afirma que emissora pediu que ele gravasse vídeo para candidato 

In Folha 

27
Out22

Quem mandou matar Felipe Silva de Lima cadáver propaganda do excludente de ilícitude da polícia de Bolsonaro sem câmera no fardamento? 

Talis Andrade

Folha de S.Paulo on Twitter: "#Eleições2022 | Cinegrafista relata pressão  de equipe de Tarcísio e diz que filmou pessoas à paisana atirando.  Repórter-cinematográfico afirma que emissora pediu que ele gravasse vídeo  para

 

Qual general ou marechal de contracheque comandou a matança de Paraisópolis: Tarcísio de Freitas ou Augusto Heleno?

 

O kit flagrante. Como sempre acontece nas costumeiras chacinas: a polícia tece uma extensa folha corrida do morto. Que passa ser bandido, um fora da lei que, no Brasil, anda de chinelo e reside em uma favela sem mando das milícias. Quando não é traficante é ladrão. Ladrão e assassino. Traficante ser ladrão sinal de que o tráfico não rende. Coisa sem lucro e, principalmente, sem dinheiro: traficar drogas, armas, ouro, pedras preciosas, órgãos, produtos florestais, minérios estratégicos, madeira de lei, dinheiro, coisitas mais desse Brasil sem governo e lei. O tráfico no Brasil não rende. Alguém conseguiu prender algum traficante com malas de dinheiro? 

Cadáver em sepulto, desarmado, e mesmo assim morto com tiros nas costas, para ser usado como garoto propaganda do governo policial-miliciano de Bolsonaro. Denunciada a farsa por um jornalista cinegrafista, que Mônica Bergamo chama de corajoso, Felipe Silva de Lima, de 28 anos, passou a ter uma vida de crimes, centenas de crimes, milhares, e só agora, os incompentes conseguiram matar. Cadáver rende votos no Brasil cordial. E Felipe Silva de Lima precisava ser morto antes do dia 30, domingo próximo, dia das eleições do segundo turno. Possivelmente outras vítimas estão marcadas para morrer. 

De mortes anunciadas vive este governo que ameaça um golpe. E todo golpe tem listas estaduais de presos, lista de lideranças marcadas para morrer. E todo golpe arrisca uma guerra civil.Dois suspeitos de participarem de tiroteio em Paraisópolis são  identificados pela polícia - Portal Mídia

 

Mônica Bergamo destaca coragem do cinegrafista da Jovem Pan que denunciou a farsa de Tarcísio em Paraisópolis

 

Marcos Andrade detalhou a cena montada pela campanha de Tarcísio para vender o candidato como vítima de um atentado

 

 

247 - A jornalista Mônica Bergamo destacou pelo Twitter nesta quinta-feira (27) a coragem do cinegrafista da Jovem Pan Marcos Andrade, que, em entrevista à Folha de S. Paulo, entregou a farsa montada pela campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato a governador de São Paulo, em Paraisópolis.

"A entrevista de Marcos Andrade revela fatos escandalosos. Mais que isso: revela um homem corajoso. Que enfrenta o medo e filma o tiroteio de Paraisópolis. Que enfrenta de novo o medo e revela a pressão por sumiço de provas da equipe de Tarcísio de Freitas", escreveu a jornalista.

Na entrevista, Andrade denunciou a campanha de Tarcísio, que preparou uma farsa em Paraisópolis para que o candidato vendesse a falsa narrativa de que teria sido vítima de um atentado quando fez campanha na região. 

Ele conta que filmou um agente da Abin ( Agência Brasileira de Inteligência) e policiais à paisana, da equipe do próprio Tarcísio, disparando tiros em Paraisópolis, numa ação que matou um jovem desarmado chamado Felipe Silva de Lima, de 28 anos.
 
O cinegrafista também afirmou que a campanha de Tarcísio pediu sua cabeça, cobrando a sua demissão da Jovem Pan, ou Jovem Klan, emissora de propaganda do fascismo bolsonarista. Tarcísio relatou pressões da própria emissora, que teria pedido que ele gravasse um vídeo em apoio ao candidato. Talvez um serviço de risco. Risco de morte. 
 

 

22
Out22

Traficantes preferem reeleição de Bolsonaro por facilitar acesso às armas, revela The Guardian

Talis Andrade

This year’s presidential election has pitted Brazilians, including Rio’s gangsters, against each other like never before.

por Tom Phillips 

 

Nesta sexta-feira (21), o jornal britânico The Guardian publicou texto do jornalista Tom Phillips que relata a preferência de criminosos do Rio de Janeiro pela reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com o relato, um traficante de armas disse que Bolsonaro facilitou acesso às armas, referindo-se aos CAC’s (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador). O traficante conta que 60% das armas utilizadas hoje no crime são de CAC’s e, inclusive, revelou que teria uma delas em seu carro.

Os relatos são de uma conversa entre um traficante de maconha, um ladrão de banco e um traficante de armas.

“A vida tem sido mais fácil com Bolsonaro. É mais fácil conseguir armas. É mais fácil conseguir munição”, comentou o traficante de armas com os outros dois criminosos.

No entanto, a divisão de opiniões também se impõe na conversa entre os criminosos citados no The Guardian. 

Ao mesmo tempo em que preferem a continuidade de Bolsonaro no poder, por conta das facilidades em obter armas e munições, o traficante, por exemplo, se demonstra preocupado com a pobreza agravada pelo governo Bolsonaro e o dia a dia da comunidade à sua volta. “Lula pode roubar – mas pelo menos ele coloca comida no prato das pessoas”, disse. “Para mim e minha família, Bolsonaro é melhor. Mas e as minhas raízes? E as crianças por aqui?”, indagou, “apontando para a favela carente ao seu redor”, reportou Phillips.

As críticas a Lula aparecem com “corrupção” e “comunismo”, palavras repetidas por adversários políticos em campanhas de desinformação. Um dos criminosos se informa pela Jovem Pan, conhecida por disseminar desinformação em sua programação. 

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20
Out22

André Valadão declara guerra religiosa

Talis Andrade

 

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Felipe Neto 
@felipeneto
No mesmo dia: - Jovem Pan inventou que foi censurada pelo TSE; - André Valadão inventou decisão do TSE contra ele; - Conselho Federal de Medicina inventou decisão de censura do TSE. Isso não é coincidência, isso é articulação de fakenews planejada e executada com precisão.ImageImage
 "Andrezinho" Valadão, pecando contra Marina Silva
 

 Picaretagem: André Valadão inventou decisão do TSE contra ele empresário do golpe
 

Pastor André Valadão ESPALHA MENTIRAS e cria PÂNICO entre EVANGÉLICOS 

André Valadão fica furioso e xinga pastores de esquerda e artistas globais: "não canto na Globo mais"


O cantor André Valadão, conhecido pelos anos que cantou no Diante do trono ao lado de sua irmã Ana Paula Valadão, da igreja Batista da Lagoinha, rasga o verbo contra pastores que apoiam e cristãos que apoiam a esquerda, como Caio Fábio, Leonardo Gonçalves, e artistas da Globo, como Anitta e Xuxa . Ele também afirma: "não piso mais nessa desgraça de emissora" .
 
 Picaretagem explícita e comprovada de um empresário que se diz pastor
 
 

Ana Paula Valadão revela motivo de sua saída da Igreja Batista da Lagoinha e fala de André Valadão

Xuxa emocionada fala sobre: "Pintou um clima" expressão usada por Bolsonaro

 

"NÃO SOU CONIVENTE, EU OUVI O QUE UM SENHOR DE 67 ANOS FALOU SOBRE MENINAS DE 14 ANOS"

21
Ago22

'Ele soa como nós': David Duke da Ku Klux Klan elogia Bolsonaro

Talis Andrade

 

David Duke

'Ele soa como nós': David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan, elogia Bolsonaro

 

Rosto mais conhecido do grupo racista Ku Klux Klan (KKK) nos Estados Unidos, o historiador americano David Duke fez um raro comentário sobre a política brasileira no programa de rádio que comanda.

"Ele soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista", disse o ex-líder da KKK sobre Jair Bolsonaro, candidato à presidência pelo PSL.

"Ele é totalmente um descendente europeu. Ele se parece com qualquer homem branco nos EUA, em Portugal, Espanha ou Alemanha e França. E ele está falando sobre o desastre demográfico que existe no Brasil e a enorme criminalidade que existe ali, como por exemplo nos bairros negros do Rio de Janeiro", afirmou Duke, que frequentemente classifica o prêmio Nobel da Paz sul-africano Nelson Mandela como um "terrorista", em declaração que foi ao ar em um programa de rádio no dia 9.

Os KKK, como se tornaram conhecidos, começaram a atuar em 1865 nos Estados Unidos. Frequentemente usavam capuzes brancos para proteger sua identidade e fazer com que parecessem ainda mais assustadores para suas vítimas. O grupo, que defende a supremacia branca sobre os negros e judeus, foi responsável ​​por muitas das torturas e linchamentos que ocorreram com os negros no país.

O historiador, conhecido também por negar o Holocausto, fez ressalvas à proximidade do candidato brasileiro com Israel, comparando o que classifica como "estratégia" de Bolsonaro à que teria sido adotada por Donald Trump, na visão dele.

Após a publicação desta reportagem, o candidato do PSL respondeu, pelo Twitter, às declarações de Duke. Bolsonaro disse rejeitar qualquer apoio "vindo de grupos supremacistas".

"Sugiro que, por coerência, apoiem o candidato da esquerda, que adora segregar a sociedade. Explorar isso para influenciar uma eleição no Brasil é uma grande burrice! É desconhecer o povo brasileiro, que é miscigenado", acrescentou o ex-capitão.

 

bolsonaro bbc 1.jpg

 

Um dos organizadores dos protestos em defesa da supremacia branca em Charlottesville, no ano passado, e cabo eleitoral de Donald Trump entre membros da extrema-direita americana (o presidente diz que não o conhece pessoalmente e que rejeita o apoio), Duke apontou Bolsonaro como parte de um fenômeno nacionalista global, mas fez ressalvas sobre sua proximidade com judeus, a quem, em uma clara manifestação de antissemitismo, acusou de promoverem uma "lavagem cerebral no mundo".

"Ele vai fazer coisas a favor de Israel, e acredito que ele esteja tentando adotar a mesma estratégia que Trump: acho que Trump sabe que o poder judaico está levando a América ao desastre, levando a Europa e o mundo ao desastre. Então, o que ele está tentando fazer é ser positivo em relação aos judeus nacionalistas em Israel como uma maneira de obter apoio", disse o americano.

 

'O incrível Bolsonaro'

 

Diferentemente de Duke, Bolsonaro mantém em sua vida política uma postura de proximidade com a comunidade judaica e a defesa do Estado de Israel.Brasil de Fato on Twitter: "Bolsonaro: revisionista do Holocausto Em viagem  a Israel o presidente Jair Bolsonaro (PSL) visitou o Memorial do Holocausto  e disse que nazismo era de esquerda. #Bolsonaro #Nazismo #

 

'Minha primeira viagem como presidente será para Israel', disse Bolsonaro

 

Há dois anos, enquanto o Senado votava o impeachment de Dilma Rousseff, o capitão brasileiro foi batizado nas águas do rio Jordão. Durante a campanha eleitoral, o candidato reforçou o elo com o país e promete expandir relações políticas, culturais e comerciais se eleito.

"Minha primeira viagem como presidente será para Israel", disse Bolsonaro em transmissão ao vivo no Facebook, no último domingo.

Como Bolsonaro, Trump é um defensor do Estado de Israel e apoia um alinhamento político com o país - ele fez sua segunda viagem internacional como presidente ao país, em maio do ano passado.

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David Duke foi um dos organizadores da marcha em defesa da supremacia branca em Charlottesville no ano passado

 

Na publicação sobre o programa de rádio em seu site pessoal, o americano se referiu ao brasileiro como "o incrível Bolsonaro". Na última segunda-feira, Duke compartilhou um vídeo com legendas em inglês em que o capitão reformado discursa "contra a degradação da família" e a "desconstrução da heteronormatividade".

Assim como a campanha de Bolsonaro, Duke também não respondeu aos pedidos de comentários enviados pela BBC News Brasil.

"A verdade é que os movimentos nacionalistas, que são basicamente pró-europeus, estão definitivamente varrendo o planeta. Mesmo em um país que você jamais imaginaria", afirmou Duke em referência à ascensão de Bolsonaro, que aparece com 59% das intenções de voto no segundo turno, segundo o Ibope (Fernando Haddad, do PT, tem 41%).

Dias antes do comentário de Duke, a agência internacional de notícias judaicas JTA classificou Bolsonaro como um "candidato extremamente pró-Israel que divide a comunidade judaica por sua retórica racista e homofóbica", ressaltando que o político "conta com o apoio apaixonado de grande parte dos judeus" no Brasil.

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Manifestantes exibiram bandeiras nazistas e dos Estados Confederados da América, que representa os estados sulistas nos EUA na época da Guerra Civil, durante marcha em Charlottesville

 

No ano passado, em palestra no clube judaico Hebraica, no Rio de Janeiro, Bolsonaro fez críticas a quilombolas e afirmou que "o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas, não fazem nada, eu acho que nem pra procriador servem mais". A fala foi aplaudida por parte dos presentes, mas depois recebeu críticas de lideranças judaicas.

Afrodescendentes de quilombos 'não servem nem para procriar', diz Bolsonaro  na Hebraica do Rio - YouTubeBolsonaro sendo Bolsonaro - CartaCapital

 

À JTA, na semana passada, o cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro, Osias Wurman, disse que Bolsonaro "se destacou entre os muitos candidatos por incluir o Estado de Israel em seus discursos principais de campanha".

"Ele é um apaixonado pelo povo do Estado de Israel", continuou Wurman.

 

Do Partido Nazista a 'BlacKkKlansman'

 

Nos anos 1960, antes de se juntar à KKK, David Duke foi membro do extinto "Partido Nazista da América", depois renomeado para Partido Nacional Socialista das Pessoas Brancas.

A liderança de Duke no Klan começou em 1974 e foi retratada no no filme BlacKkKlansman ("Infiltrado na Klan", em português), que narra a história de um policial negro que se infiltrou na Ku Klux Klan no Colorado, em 1978, e foi lançado pelo cineasta Spike Lee em agosto. O filme foi o vencedor do Grande Prêmio do Júri do festival de Cannes de 2018.

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Spike Lee (à dir.) e John David Washington, que faz o papel de Ron Stallworth, no set de filmagens de BlacKkKlansman

 

A produção mostra como Duke, então líder nacional da organização supremacista, foi enganado pelo policial Ron Stallworth, que fingiu ser branco com a ajuda de um colega e conseguiu se tornar membro oficial da KKK.

Stallworth, que escreveu o livro que deu origem ao filme e chegou a ser designado como guarda-costas de Duke, conta que conversava com supremacista branco por telefone.

"Um dia ele me disse que era capaz de reconhecer um negro pelo telefone, porque eles falavam diferente. E me disse que, por exemplo, sabia que eu era um homem branco. Dei muitas gargalhadas depois."

 

Depois de sair da KKK, Duke foi congressista pelo Estado da Luisiana entre 1989 e 1992 e se candidatou, sem sucesso, a uma série de cargos nos anos 1990, incluindo senador e governador.

Em 2002, ele foi preso por um ano após de confessar que enganou apoiadores em troca de apoio financeiro e sonegou impostos.

Autor de três livros sobre o que classifica como "supremacia judaica" e defensor de teses contestadas, como a que sugere que negros seriam mais violentos e teriam QI inferior aos dos brancos, Duke voltou a ganhar projeção mundial em 2016, quando passou a apoiar a campanha presidencial de Donald Trump.

Após críticas por não se posicionar sobre o cabo eleitoral, Trump afirmou que mantém distância do historiador e se referiu a Duke como "um cara ruim". Duke, por sua vez, continuou a apoiá-lo nas redes sociais e em entrevistas.

No ano passado, o ex-líder da Ku Klux Klan agradeceu aos comentários pouco enfáticos do presidente americano sobre os protestos que liderou em Charlottesville, onde milhares de manifestantes da extrema direita empunharam tochas como as da KKK e fizeram saudações nazistas.

"Trump nos empoderou", afirmou Duke na época, após o presidente americano igualar a violência entre supremacistas brancos e grupos contrários no protesto.

Quando Trump, dias depois, fez críticas mais contundentes aos supremacistas, Duke reagiu. "Foi o voto branco esmagador que o colocou na Casa Branca e ele deveria se lembrar disso."

 

Jovem Pan se posiciona após jornalista fazer comentário bizarro sobre nazismo

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por Naian Lopes /DCM

- - -

O comentarista José Carlos Bernardi, do Jovem Pan News, associou o desenvolvimento econômico da Alemanha com o Holocausto. O episódio é conhecido como um dos piores momentos da história da humanidade. Na ocasião, seis milhões de judeus foram assassinados entre as décadas de 1930 e 1940. Por conta da declaração do jornalista, a emissora se desculpou.

“Por meio desta nota, jornalista José Carlos Bernardi pede desculpas após posicionamento feito no Jornal da Manhã. Transmitido em 16/11/21, em uma discussão com a comentarista Amanda Klein”, iniciou o comunicado.

“’Peço desculpas pelo comentário infeliz que fiz hoje no Jornal da Manhã, primeira edição, ao usar um triste fato histórico para comparar as economias brasileira e alemã’”, falou Bernardi.

“Fui mal-entendido. Não foi minha intenção ofender a ninguém, a nenhuma comunidade, é só ver o contexto do raciocínio. Mas, de qualquer forma, não quero que sobrem dúvidas sobre o meu respeito ao povo judeu e que, reitero, tudo não passa de um mal-entendido. Obrigado”, concluiu.

 

Entenda o caso envolvendo o comentarista da Jovem Pan

 

Bernardi entrou em uma discussão com a jornalista Amanda Klein. Ele criticou a chanceler alemã Angela Merkel e a acusou de tentar interferir na soberania da Amazônia, argumento muito usado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Amanda Klein rebateu: “Quem dera o Brasil chegar aos pés do desenvolvimento econômico da Alemanha”.

Foi aí que José Carlos Bernardi soltou a franga. Em tom irônico, ele afirmou que o país teve sucesso após assaltar e matar “todos os judeus”.

“É só assaltar todos os judeus que a gente consegue chegar lá. Se a gente matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico dos judeus, o Brasil enriquece. Foi o que aconteceu com a Alemanha pós-guerra”, declarou.

 

17
Fev22

Tiro, porrada e bomba! O inferno do debate político nacional

Talis Andrade

nazista adrilles.jpg

 

O ex-comentarista da Jovem Pan Adrilles Jorge 

 

por Wilson Gomes /Cult

Esta foi uma semana ruim para o radicalismo político na esfera pública. O mercado de Opiniões e Comportamentos Políticos Desagradáveis, Radicais, Levianos e Feitos para Lacrar, que vinha em alta desde 2013, teve um revés. Mas é claro que isso não vai alterar o seu modo de funcionamento, e na semana que vem voltará à programação original para melhor servir à sua ampla e ativa clientela.

Já faz tempo que a esfera pública política vem funcionando sob o imperativo da lacração e da necessidade cotidiana de alimentar uma guerra cultural com fogo e fúria. Tudo motivado pelas recompensas em forma de amor digital e em “monetização” – sim, likes pagam boletos – que são reservadas apenas a quem apresentar as posições mais extremadas e da forma mais afrontosa possível. É preciso “causar”.

A necessidade por tretas e radicalismo se generalizou. O BBB22, por exemplo, é considerado a edição mais chata da franquia em muitos anos pela falta das “problematizações” e barracos entre tribos identitárias que foram abundantes no ano passado. Da mesma forma, os ambientes de produção e distribuição de informação foram pelo mesmo caminho. Os jornais de referência, os produtos noticiosos hiperpartidários, os sites de notícia e o público que discute política nas plataformas digitais, todos gostam mesmo é de radicalismo, pé no peito, polêmica pela polêmica, não de quem hesita, faz distinção, argumenta e fala baixo. Basta que se vejam as métricas de seguidores, visualizações, engajamento e faturamento para se comprovar este ponto de vista.

Com esse padrão em vigor, como ficar chocando com a espiral ascendente de brutalidade, provocações, cancelamentos e ódio que infestam a vida pública brasileira?

 

A inovação “disruptiva” do mercado de razões

 

Os melhores atores no provimento desse tipo política são, naturalmente, os grupos mais novos e inovadores no ramo da militância (militância não, desculpe, agora se chama “ativismo”) e do comentário político. Penso sobretudo na nova extrema-direita, que já nasceu digital, na nebulosa hiperliberal que emergiu no Brasil desde o início da década passada (Ancaps, liberteens, libertários e assemelhados) e nos identitários de esquerda. Todos, ao meu ver, fornecendo padrões de militância e comentário político “inovadores” baseados em três lemas: a) ou tem treta ou tem tédio; b) quem não radicaliza não é notado; c) ou você é um floquinho de neve, cheio de frescuras e flopa, ou você pisa no dedão de alguém e bomba.

Muita gente teve uma ascensão meteórica, de nadinha para influencer bombado, em alguns anos. Nem todos tratavam de política institucional, mas lembrem-se que estamos na mais plena materialização da ideia de que tudo é política, do pessoal e íntimo até as causas mais universais e abstratas. Além disso, o jogo político passou a ser o principal entretenimento brasileiro desde 2013, ganhando da fofoca e da ficção. Era normal que mesmo quem se ocupava inicialmente de outras coisas convertesse para a política o seu arsenal de gracejos, performances e opinião.

O resultado é o que estamos vendo. Só isso explica fenômenos como o fato de o Flow Podcast ou ou PoadPah terem se tornado arenas centrais irrecusáveis para candidatos presidenciais. Só isso explica pessoas como Caio Coppolla e Adrilles Jorge se tornaram comentaristas de política na Jovem Pan. Ou como Kim Kataguiri, Fernando Holiday e outros fundadores de startups antipetistas, além de uma lista enorme de youtubers antipetistas ou libertarianistas, terem conseguido mandatos populares nos últimos ciclos eleitorais. Ou a ascensão de figuras como Rodrigo Constantino, Jones Manoel e Allan dos Santos, que transformaram o provimento de opinião política controversa, extremada e provocadora em sua atividade e fonte de remuneração principal.

Não chegaram aonde estão por uma inteligência notável ou por uma formação sólida e consistente, mas porque entenderam o momento, as demandas da nova clientela consumidora de informação política e conseguiram projetar um produto que atende tais demandas: inovador, provocador, controverso, lacrador e chocante.

E há ofertas para todos os gostos. Se você é um stalinista ou acabou de sair da Guerra Fria, nem por isso deixará de ter um podcast, um canal no YouToube, um programa de rádio ou audiovisual para mastigar e interpretar o mundo conforme as suas expectativas. Se você é um identitário de esquerda, um evangélico conservador ou um hiperliberal, idem, sempre haverá alguém para oferecer uma interpretação radical, “disruptiva” e provocadora do mundo conforme os seus desejos.

Disso tudo resulta uma esfera pública política polarizada, devotada à provocação e ao reforço de pontos de vistas radicalizados, parciais e, geralmente, furiosos. Ora, quem semeia tretas e radicalismo, como pode esperar colher moderação e disposição para construir cooperativamente alternativas políticas?

 

Semeando conflitos para colher engajamento

 

E foi o que vimos esta semana, mais uma vez. Embora, nos casos em tela, o radicalismo tenha custado caro a quase todos os radicais.

No sábado (5/2), um vereador do PT de Curitiba liderou uma multidão de manifestantes políticos num protesto contra o assassinato de um congolês no Rio. A inovação consistiu em fazer este protesto dentro de um templo religioso católico, que, segundo a Arquidiocese local, foi agressivamente invadido. Os fiéis podem esperar, o identitarismo tem as suas urgências e não pode esperar.

Isso tudo enquanto a direita conservadora está justamente escolhendo os temas para a sua estratégia de semear o pânico moral contra a esquerda. No exato momento em que começava a circular em suas redes de WhatsApp os temas “os petistas querem acabar com as igrejas” e “eles são cristofóbicos”, a esquerda vai lá e fornece personagens e imagens. A ideia de que “estamos sitiados e oprimidos pelo Mal” precisava de vídeos, não precisa mais: o movimento negro identitário acabou de fornecer-lhes material até outubro.

Isso impede a vitória de Lula? Provavelmente não. Mas basta um ato estúpido como esse para dar mais 3 vereadores, 5 deputados estaduais e 2 federais ao PP, PL ou Republicanos. Jogada genial. A centro-esquerda provavelmente reconquistará a presidência da República na eleição de outubro, mas não a presidência da Câmara nem a maioria nas casas legislativas. Quem quer que venha a ser o futuro presidente do Brasil vai ter que negociar qualquer coisa com as bancadas da Bíblia e do Boi, que, afinal de contas, continuarão mandando nesse país. Em outras palavras, o bolsonarismo poderá perder a hegemonia em outubro, mas o identitarismo evangélico ultraconservador consolidará o seu predomínio. Com a ajuda dos radicais do petismo.

Não bastasse isso, começou a circular no submundo da extrema-direita uma campanha de uma rede de academias de ginásticas em que se diz “todas as pessoas brancas reproduzem racismo”. A direita bolsonarista, claro, fez a festa, reiterando que se você é branco, cis e hétero não tem nada a ganhar votando numa esquerda que esfrega na sua cara “você é um racista, reconheça os seus pecados que temos uma penitência aqui para você pagar”. Independentemente de você efetivamente ser racista ou não. Mais uma vez a militância-de-problematização dos identitários de esquerda alimenta a militância-de-treta dos identitários de direita. Tem sido assim há muitos anos.

Uma campanha como essa, que distribui culpas e exige penitência, tem pouquíssima capacidade de mudar atitudes e comportamentos fora da bolha dos progressistas. Este é um dos grandes problemas das táticas “de problematização” identitária de esquerda. Eles estão tão acostumados a pisar nos pés dos progressistas e a contar com um rio perene de remorsos e complacência da esquerda que não sabe falar para um auditório universal. Então, é tiro no pé a toda hora.

 

O ancap e o nazismo

 

Na última segunda (7/2), os libertarianistas de direita começaram o seu momento de meter os pés pelas mãos. Os âncoras do Flow Podcast, Bruno Monteiro Aiub (vulgo Monark) e Igor Coelho, conversavam com os deputados Tabata Amaral e Kim Kataguiri, quando o próprio Monark defendeu com veemência que um partido nazista ou antijudaico deveria ter o direito de existir no Brasil. Posição confortavelmente em circulação nos ambientes hiperliberais, em que todos os desejos e caprichos devem ser desembestados (liberdade como um absoluto) e a vida social tem que ser darwinismo duro e puro (liberalismo austríaco). Só que desta vez foi notado. Kim Kataguiri assentia e, indagado sobre se concorda com a criminalização de partidos nazistas na Alemanha, disse que não. Tabata Amaral, por sua vez, expressou com firmeza uma posição contrária à opinião dominante na mesa.

Bem, o fato foi considerado chocante e intolerável e a condenação veio de todos os lados, forte, rápida e intensa.

O Flow Podcast, de propriedade dos dois âncoras mencionados, começou a perder patrocinadores e o próprio Monark, um dos mais populares influenciadores digitais do público jovem, foi afastado do programa que criou, depois de explicar que não pensava realmente assim e dizer que estava bêbado quando disse o que disse. Kim Kataguiri declarou que se equivocou na resposta, que estava pensando em outra coisa e se distraiu. Ambos pediram sentidas desculpas e juraram ser antinazistas desde criancinhas.ImageImage

 

As coisas nem chegaram a esfriar e já no dia seguinte circulava a imagem de Adrilles Jorge, comentarista de política da Jovem Pan, rádio que é a voz do bolsonarismo no noticiário brasileiro, fazendo a reconhecida “saudação nazista” no encerramento de um programa jornalístico. Foi um gesto nítido, acompanhado de um sorriso de galhofa e um olhar para o lado buscando cumplicidade, enquanto o âncora do programa deixava escapar, estupefato, que considerava aquele gracejo “surreal”. O liberteen radical não conhece limite.Image

Ou seja, um dia depois de um par de radicais do darwinismo social defender a liberdade de ser nazista, um imbecil, que se considera poeta, que foi chamado de “inteligentíssimo, cultíssimo” por Bial e elevado a comentarista político pela Jovem Pan, saúda o Führer na frente das câmeras como se tudo na vida fosse apenas brincadeira e provocação. Até o nazismo.

A revolta e a retaliação vieram em seguida, inclusive com Guilherme Boulos declarando em tweet, depois apagado, que quem faz um gesto desses mereceria o mesmo tratamento que os comunistas deram aos nazistas ao ocupar Berlim. Fuzilamento ou forca, deduzo.

Sim, parece que todos os envolvidos nessa rodada de radicalismo e provocações foram ou serão punidos, de uma forma ou de outra. Acontece que as circunstâncias não mudarão por causa disso. Pensemos no caso desse modelo de debate político promovido pela CNN Brasil ou pela Jovem Pan, determinado a explorar a polarização política e estimular o conflito entre as posições. O que pode derivar daí? Da próxima vez provavelmente vai aparecer alguém vestindo de uniforme da SA ou SS na bancada, que se despedirá do público ao brado de “Sieg, Heil!”

Adrilles não foi fuzilado, mas foi demitido. Monark também. Kim se retratou, como raramente o faz, apesar de useiro e vezeiro nesse tipo de desafio e combate. Isso, contudo, nada muda. Afinal, são só peões no projeto de incendiar a discussão política brasileira. Será muito fácil encontrar outros, de todos os lados do espectro político, pois a oferta de radicais e provocadores no mercado da opinião política no Brasil é abundante. O que falta aqui são pessoas dispostas a argumentar, dar razões das premissas que adota, e dar opiniões baseadas em estudo e em evidências.

A própria Tabata Amaral, a única voz argumentativa dentre os personagens do turbilhão da semana, foi extremamente criticada pela esquerda. Para uns, ela deveria ter-se recusado a conversar com nazistas, para outros deveria ter dado voz de prisão aos presentes. Em ambas as queixas, a demanda explícita é de que não argumentasse, não oferecesse razões de forma pública e explicações das premissas que adota. As pessoas não querem argumentos, querem atitude, tomada de posição, repúdio e justiçamento. O método predileto do participante da esfera política hoje, para resolver diferenças de opinião, envolve basicamente isso: chamar a polícia ou acionar a autoridade, levantar-se e ir embora ou insultar o adversário, sobretudo quando ele ultrapassar a linha da nossa tolerância moral.

Cancelar é preciso, argumentar não é preciso.

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17
Fev22

O "jênios" das redes sociais e os "formadores" de opinião: pobre país

Talis Andrade

nazismo aroeira .jpeg

 

Por Lenio Luiz Streck /ConJur

 

O cronista da Folha de São Paulo, Antônio Prata, inspirou-me. Em um belo texto, mostra como os perdedores, os burros, os caras do fundão da classe da oitava série acabam se dando bem e se transformam em "comunicadores". Ou políticos.

Têm milhões de seguidores esses agentes da "fundãocracia", diz Prata. Ele lista as pérolas que constam no site do Monark (o que não difere de outros "formadores").

Incrível o conjunto de bobagens, tolices e platitudes que parecem ter sido tiradas de almanaques tipo Biotônico Fontoura ou Renascim. Ou Sadol. Ou daqueles livrinhos "pílulas de felicidade" — mas sem citar a fonte, é claro. E milhões de néscios seguem.ImageImage

 

Monark, para ficar no "case" da "moda", diz qualquer coisa sobre qualquer coisa (e foi demitido por defender a existência de um partido nazista). Ele tem o mesmo perfil do ex-Big Brother Brasil (que incrível coincidência ele ser ex-BBB; estou muito surpreso!) que foi demitido da Jovem Pan. Cá entre nós, ser demitido da JP por fazer gesto nazista é o sujeito ser expulso de uma rave por fumar maconha. Ou ser expulso da igreja do RR Soares por pedir mais do que dez por cento de dízimo. É o próprio paroxismo. Mas, enfim, parece que até na JP há limites (essa é a parte positiva da coisa toda).

Quando Bolsonaro repercutiu uma notícia das redes de que vacina e Aids estavam interligados, um dos "influencers" (argh — é uma onomatopeia) semianalfabetos, que serviu de fonte, tinha mais de 4 milhões de néscioseguidores.

Pizzaria Angelo's promove batalha de sabores com influencers - Tribuna  Feirense

Sim, o sujeito não tem futuro, é ignorante, esculhambou no colégio, é da turma do fundão e...pronto. O que vai fazer da vida? Simples. Será blogueiro e/ou influencer. Alguns fazem faculdade de Direito, é verdade. Ou fazem podcast espalhando fake news. Ou tiktokeiam.

Vasculhando as redes, encontramos especialistas tipo Almanaque. Algo como "não tenho partido". E aí tasca uma frase como "obrigar a vacinação é nazismo". "Minha liberdade vale mais do que a vida". Burrice autocontraditória.

Em mais de uma TV do RS é possível ver agentes da fundãocracia. Também em rádios. Dizem todos os dias, com ar de inteligentes, coisas como "os que defendem medidas restritivas na pandemia deviam passar férias em Cuba ou Venezuela". Que coisa "jenial", não? Ou copiam descaradamente notícias da internet (muitas fake) e "contam" sem mencionar a fonte. O pessoal do fundão não é perigoso por ser do fundão. São perigosos porque existem muitos...!

Dos Monarks e Adrilles aos atuais BBB's (que discutem herpes e bizarrices sob os olhares de milhões de egressos dos fundões das salas de aula espalhados pelo país — talvez eles já sejam maioria), passando pelos pastores que "curam" milhares de doentes de Covid retirando-lhes percentuais dos seus ganhos via PIX, o Brasil (ainda) resiste.

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O país resiste. Bravamente. Bom, se a justiça resiste a membros do MP que dizem coisas (em audiência) como "esses advogados são bosta" (sem o "s") ... é porque temos alguma gordura para queimar.

Sim, o Brasil é como o escaravelho. Voa. Mas ninguém sabe como voa. Impossível de explicar.

O Flow — que demitiu Monark — é um sucesso (eu nem sabia que existia). Bom, dá para ver o nível a partir do que aconteceu no "papo" entre os "filósofos contemporâneos" Kim, Monark, Tabata e quejandos.

Tempos de pós-modernidade (sabe-se lá o que é isso, exatamente) é assim. Se fizer um bate papo sobre ciência, enche uma Kombi. Ou uma monark. Quanto mais bobagem, melhor.

Saudade dos velhos almanaques. Eram bem melhores que os blogs e "falas" dos atuais influencers.

Junto com Antônio Prata, pergunto: onde foi que erramos? Não, não respondam. A pergunta é retórica. Ou não.

 

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