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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

27
Jan22

Peça 4 – o papel do TCU

Talis Andrade

camelo moro nos estados unidos .jpg

 

 

Xadrez do grande negócio de Sérgio Moro com a Alvarez & Marsal

27
Jan22

Olavo, o guru de Bolsonaro

Talis Andrade

bolsonaro Olavo _atorres.jpg 

Por que a cloroquina não salvou #OlavoDeCarvalho? Por que ele não se tratou com ivermectina também? #BolsonaroTemRazao, Olavo não estaria vivo se tivesse tomado o kit #COVID?

Sidney Andreato
Google resolveu homenagear o Olavo de Carvalho. Mandem no zap!
 
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Carl Mac
"El comunismo, no es un gran ideal que se pervirtió. Es una perversión que se vendió como un gran ideal", #OlavoDeCarvalho
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Pensando Alto
Negacionismo mata - até negacionista. #OlavoDeCarvalhoImage

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Francisco Bach
I'm gonna miss you, rest in peace Professor! The greatest philosopher of our time! #OlavoDeCarvalho

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07
Jan22

Moro é recebido com vaias e gritos de 'juiz ladrão' em aeroporto da Paraíba

Talis Andrade

juiz ladrao.jpeg

 

O empresário Sergio Moro, em campanha antecipada à presidência da República, pelo Phodemos, foi hostilizado no Aeroporto Internacional Castro Pinto, em João Pessoa (PB).

A agenda de Moro na Paraíba segue até o próximo sábado (8), com passagens por outras cidades do Estado, além de João Pessoa.

Quem o acompanha é a presidente nacional do partido, a deputada federal Renata Abreu (SP) e o deputado federal Julian Lemos (PSL-PB), ex-aliados bolsonaristas.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro (PL), Moro foi recepcionado por um grupo de pessoas que gritava "traíra" e "juiz ladrão", quando desembarcou no aeroporto. Houve princípio de tumulto, logo controlado pelas equipes de segurança.

Juiz ladrão | Humor Político – Rir pra não chorar

04
Jan22

Quanto dinheiro Sérgio Moro ganhou para entrar na Alvarez & Marsal? 

Talis Andrade

 

 

 
 

bolsonaro inútil.jpeg

 
Reinaldo Azevedo no Twitter
 
 
Reinaldo Azevedo
Moro diz q “lava jato combateu PT de modo eficaz”. É??? NEM EFICAZES os MERDAS são. Não fosse a condenação sem prova, com prisão arbitrária, Lula teria sido eleito em 18. A “eficácia”, no caso, chama ilegalidade. Não sou petista. Como sabem petistas. Nem de esquerda sou. E daí?
Alvarez & Marsal Instagram posts - Picuki.com
Ah, sim: 1: quanto dinheiro Sérgio Moro ganhou para entrar na Alvarez & Marsal?            2: quanto dinheiro Moro ganhou para, em tese, sair da Alvarez & Marsal? Queremos saber. Temos o direito de saber. E é melhor dizer a verdade. Tentar esconder é pior…Veja os memes da saída de Sergio Moro do governo
Empresa privada o CARVALHO! A tal pagou salário a um ex-juiz q ajudou a quebrar uma empreiteira de q seus novos patrões são “recuperadores judiciais”. Vc é BURRO MESMO ou finge? Ñ sei o q é pior. Moralmente, é a 2ª hipótese. Eticamente, é a 1ª. Ñ explico. Não entendeu? Estude!Altamiro Borges: Moro agora cobra Bolsonaro. Haja cinismo! - PCdoB
Moristas, xinguem à vontade. Vocês são um lixo tão — ou mais — abominável como o bolsonarismo. De resto, eram todos bolsonaristas. E agora dizem: “Ah, não sabia q ele era assim”. Existem, com efeito, essas pessoas. Mas serão vcs? Têm certeza?Novo emprego de Moro coloca 'processos que ele julgou em suspeição' |  Jornal Alto Vale Online
“P q Bolsonaro sempre ignora os q sofrem e ainda tripudia?” Resposta: 1: pq ele é assim. Tal conformação psíquica ñ tem cura; 2: pq seu eleitorado-raiz quer isso. Eis p q Moro, outro extremista de direita, ñ lhe rouba eleitores. O ex-juiz precisa da imprensa e ñ pode ir tão longe
28
Dez21

TCU determina que empresa dos Estados Unidos revele quanto pagou a Moro

Talis Andrade

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Ministério Público pediu investigação da prática de 'porta giratória', quando uma pessoa vira lobista em área em que atuava anteriormente como servidor público

 

O Tribunal de Contas da União determinou que a Alvarez & Marsal revele quanto pagou a Sergio Moro antes de ele ingressar na política. O ministro Bruno Dantas acatou o pedido do Ministério Público e pretende descobrir se houve conflito de interesses na relação entre o ex-ministro e a consultoria, que trabalhou no processo de recuperação da Odebrecht. Como juiz da Lava Jato, Moro chegou a decretar prisões de executivos da construtora. Agora o TCU investiga se houve prática de “porta giratória” – quando alguém passa a atuar como consultor privado na mesma área em que prestava serviço público. Moro nega ter trabalhado para a Odebrecht.Image

Folha de S.Paulo @folha

TCU determina que empresa revele quanto pagou a Moro Ministério Público pediu investigação da prática de 'porta giratória', quando uma pessoa vira lobista ou consultor em área em que atuava anteriormente como servidor público @monicabergamo

Fausto Macedo
@fausto_macedo
Bruno Dantas também pede que empresa para a qual ex-juiz da Operação Lava Jato trabalhou antes de se lançar na politica, filiado ao Podemos, detalhe processos de recuperação judicial em que atuou desde 2013
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João Batista Jr.
@joao_batistajr
Há alguns meses, quando Moro passou a fazer um road show em busca de clientes para a Alvarez e Marsal, questionei a empresa sobre o valor de seus honorários. Não quiseram falar, sob o argumento de ser uma empresa privada e tal.
24
Dez21

Nicolelis defende interdição de Queiroga e questiona quantas crianças terão de morrer

Talis Andrade

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A VOLTA DA CAPITÃ CLOROQUINA
 
"Ministro da Saúde tem que ser interditado/demitido depois de uma das declarações mais absurdas na história da medicina"
 
 

247 - O médico e neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, usou as redes sociais para defender a demissão do ministro da saúde, Marcelo Queiroga, em função de sua atitude em protelar a vacinação de crianças contra a Covid-19. 

“Onde estão as instituições brasileiras? Como é possível que nenhuma se manifeste? Ministro da Saúde tem que ser interditado/demitido depois de uma das declarações mais absurdas na história da medicina brasileira! + de 300 crianças mortas! Quantas crianças mais vão ter que morrer?", postou Nicolelis. 

A postagem vem na esteira da decisão de Queiroga em abrir uma consulta pública sobre vacinação infantil, apesar do parecer técnico-científico da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendar a imunização. Ele também minimizou os riscos para esta faixa etária ao afirmar “que não é preciso decidir com urgência sobre a vacinação do grupo”. 

Apesar da reticência do Ministério da Saúde em autorizar a vacinação infantil, a Covid-19 matou uma criança com idades entre 5 e 11 anos a cada dois dias no Brasil desde o início da pandemia. Ao todo, foram registrados  6.163 casos e 301 óbitos nesta faixa etária até o dia 6 de dezembro.

Miguel Nicolelis
Onde estão as instituições brasileiras? Como é possível q nenhuma se manifeste? Ministro da Saúde tem q ser interditado/demitido depois de uma das declarações mais absurdas na história da medicina brasileira! + de 300 crianças mortas! Qtas crianças mais vão ter q morrer?
 
Nas vésperas do Natal e Ano Novo Brasil está completamente à deriva: sem nenhuma estratégia ou plano nacional ou mesmo regional para conter a convergência de epidemias múltiplas no país: DELTA ÔMICRON INFLUENZA Tivemos um respiro e ñ soubemos tirar vantagem dele p/ nos preparar
 

 

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12
Dez21

Damares promove ataque a política de direitos humanos consolidada

Talis Andrade

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Editorial de O Globo 

 

 

É atordoante o festival de estultices que tem emanado nos últimos dias do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), sob o comando da pastora Damares Alves. Ex-assessora do ex-senador Magno Malta, Damares caiu no ministério meio por acaso, quando o chefe submergiu em meio às intrigas do bolsonarismo. No cargo, ela não perdeu a oportunidade de tornar a pasta um veículo de sua militância conservadora, exercida em nome da pretensa defesa das crianças, da família e da moral cristã.

A ministra conhecida no início do governo por declarações caricatas — a visão de Jesus numa goiabeira ou a inesquecível “menino veste azul, menina veste rosa” — transformou-se num blindado eficaz no avanço bolsonarista sobre as políticas de direitos humanos consolidadas. Escolheu como alvos fetiches da extrema direita: a pedofilia e a famigerada “ideologia de gênero” (termo que pouco significa na realidade, além do preconceito contra gays e a comunidade LGBTQIA+).

Pois a tal “ideologia de gênero”, mesmo sem sentido real, foi incluída no manual para tratar as mensagens recebidas no Disque 100, canal de denúncias do MDH, usado, no caso das crianças, sobretudo para relatar abusos. Com base nessa orientação e numa denúncia anônima, revelou reportagem do GLOBO, o diretor de uma escola de Resende (RJ) foi intimado a dar explicações na polícia. Os professores foram acusados de promover “o comunismo e a ideologia de gênero”.

Diante do despropósito, uma vez que a escola informou apenas seguir o programa de ensino regular, obviamente a denúncia foi arquivada. Mas não se trata de caso isolado. Episódios similares têm se multiplicado pelo país, sob o beneplácito do MDH e insuflados pelo movimento Escola sem Partido, cujo projeto que pretendia regular o ensino segundo os cânones conservadores foi derrotado tanto no Parlamento quanto no Supremo Tribunal Federal (STF).

Não bastasse a tentativa de cercear a liberdade de cátedra dos professores, partiu agora do ministério de Damares outra proposta sem cabimento: classificar garimpeiros e pecuaristas como povos tradicionais da Amazônia. Desse modo, os principais responsáveis pelo desmatamento ilegal receberiam o mesmo tratamento dispensado a indígenas, quilombolas e ribeirinhos. A intenção é óbvia: proteger grupos bolsonaristas que atuam na ilegalidade. O ministério alega que apenas “repassou a demanda de segmentos específicos solicitando análise” da questão.

Damares já tivera desempenho sofrível quando encarregada da estratégia de proteção dos povos indígenas na pandemia, corrigida depois de reprovada pelo STF. Agora, aparentemente pretende proteger aqueles que atacam índios — não quem precisa ser protegido. O governo de um presidente que elogia a ditadura, a tortura e não cansa de demonstrar desprezo pelos direitos humanos encontrou nela um representante à altura para cuidar da questão. Quanto mais tempo permanecer no cargo alimentando fantasias ideológicas, pior para quem precisa do apoio do Estado garantido na Constituição.

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10
Dez21

Ciro critica cessão de créditos do Banco do Brasil ao BTG Pactual, agora questionada pela CGU

Talis Andrade

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Corrupção governo militar de Bolsonaro

“Repito: não foi venda, foi doação, foi roubo vergonhoso”

 

247 - O presidenciável Ciro Gomes, do PDT, questionou uma operação de cessão de créditos feita pelo Banco do Brasil ao BTG Pactual, que foi recentemente questionada pela Controladoria-Geral da União. “Repito: não foi venda, foi doação, foi roubo vergonhoso! Entregaram por R$ 370 milhões uma carteira que valia  R$ 2,9 bilhões. Pergunto: vai ficar por isso mesmo? Ninguém vai pagar por este crime?”, indagou. Confira abaixo seus tweets:

Ciro Gomes
Passei meses e meses denunciando, como voz clamando no deserto, e agora é a própria Controladoria Geral da União que diz, tardiamente, que houve irregularidade na venda de uma carteira de créditos do Banco do Brasil ao BTG Pactual.
08
Dez21

Moro: mais um candidato a ser√iço do atraso

Editorial Revista Focus

Talis Andrade

 

 

moro candidato por jota camelo.jpeg

A queda de apoio ao governo Bolsonaro tem alvoroçado aqueles que ainda tentam viabilizar a chamada terceira via, como alternativa à polarização entre Lula e o presidente genocida nas eleições presidências de 2022.

Os entusiastas da ideia apostam suas fichas na candidatura de Sérgio Moro, o ex-juiz federal e dublê de ministro da Justiça do governo negacionista.

Filiado ao Podemos, com salário mensal de R$ 22 mil pago pela legenda, como um profissional da política, Moro deixa a condição de paladino da moralidade e para assumir publicamente a condição de agente político a serviço das elites.

Entretanto, sem a proteção da toga, o ex-magistrado terá muito o que explicar para o povo, especialmente, sobre sua responsabilidade pela catástrofe econômica e social que assola o país, com mais de 19 milhões de pessoas passando fome e outros 15 milhões desempregados.

Não há como Moro apagar da própria biografia o fato de que, enquanto comandante da Lava Jato, atuou de forma autoritária, parcial e ilegal para condenar o ex-presidente Lula sem provas e impedi-lo de disputar as eleições presidenciais de 2018.

A gravidade da atuação de Moro veio a público pela Vaza Jato e foi reconhecida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

O juiz parcial não só atropelou a legalidade, desrespeitou a democracia e foi um dos responsáveis diretos pela eleição de Bolsonaro, a quem passou a atuar de maneira subserviente como ministro da Justiça, também devastou a economia nacional.

Estudo do Dieese aponta que, entre 2014 e 2017, a Lava Jato fez o Brasil perder R$ 172,2 bilhões em investimentos e destruiu 4,4 milhões de empregos, com redução da massa salarial do país em R$ 85,8 bilhões.

Enquanto isso, os promotores que atuavam na Lava Jato articulavam a criação de uma fundação privada, fomentada com dinheiro proveniente de um acordo entre a Petrobrás e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

A intenção da força-tarefa seria usar R$ 2,5 bilhões recuperados para atuar politicamente, sabe-se lá a serviço de quais interesses.

Nunca é demais lembrar que após deixar o governo Bolsonaro, Moro se mudou para os Estados Unidos para atuar na Alvarez & Marsal. A empresa funciona como administradora judicial da Odebrecht, empreiteira investigada pela Lava Jato.

Agora, começam a vir à tona outros casos de ações autoritárias e ilegais do ex-magistrado contra os trabalhadores, como denuncia a matéria de capa desta edição (vide tag agricultura familiar).

Com o mesmo expediente do uso de conduções coercitivas ilegais e prisões abusivas, Moro perseguiu agricultores familiares e servidores públicos, no Paraná, com a suposição de que cooperativas não entregavam produtos contratados pelo Programa de Aquisição de Alimentos, carro-chefe da agricultura familiar criado pelo governo Lula.

Seis anos depois, nenhuma das ações abertas pelo Ministério Público resultou em condenação por falta de provas.

O encanto da mídia corporativa e do mercado financeiro com Sergio Moro reside no fato do ex-ministro de Bolsonaro não ter qualquer compromisso com o povo, com a democracia ou com a soberania do Brasil.

No fundo, Moro e Bolsonaro são duas faces de uma mesma moeda: a política a serviço dos conservadores e das forças antipopulares.

O projeto econômico de Sérgio Moro é o mesmo de Bolsonaro. Quer aprofundar a agenda neoliberal que já resultou na tragédia social e econômica do país, com o desmonte do Estado, mais privatizações e ampliação da desigualdade social e da pobreza.

Por isso, Moro diz publicamente não ter problema nenhum em privatizar a Petrobrás e defende a reforma administrativa contra os servidores públicos.

Ademais, a experiência do rábula de Maringá como juiz reforça que o projeto político dele é tão autoritário quanto o de Bolsonaro, com o uso das forças do Estado e do arbítrio contra opositores e movimentos populares.

Além disso, o ex-ministro e o presidente a quem apoiou, assim como a quase totalidade da terceira via, participaram ativamente do Golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff, que chocou o ovo da serpente da extrema direita no Brasil.

De toda forma, o problema da chamada terceira via é que, além de não ter votos e de ser composta majoritariamente por ex-bolsonaristas, seus candidatos não apresentaram, até o momento, um projeto consistente e inovador de superação da crise.

Não têm como apresentar uma proposta que rompa com a lógica neoliberal e que concilie estabilidade, crescimento, justiça social, soberania e projeção internacional. Essa não é a agenda da terceira via.

Enquanto a terceira via patina em busca de votos, Lula segue ampliando o diálogo, construindo alianças e conquistando corações e mentes. É o candidato do povo, com liderança política reconhecida pelo Brasil e por outros chefes de Estado. É Lula quem traz a chama da esperança, liderando todas as pesquisas em todos os cenários. O candidato do povo vencerá as eleições de 2022.

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06
Dez21

Desgraça pouca é bobagem: o retorno do juizeco (Episódio 6)

Talis Andrade

 

marreco nu vaza.jpg

 

por Maura Montella

- - -

Encerrei o último episódio com a tétrica notícia do touro, que Jegues, o mentor financeiro de Bobo, mandou matar, empalhar, pintar de amarelo e colocar em frente aos portões do castelo, para que todos os súditos, ao irem catar ossos e outros restos para comer, tivessem consciência daquele momento de pujança e esplendor (que só o débil mental do Jegues enxergava).

Pois é, triste realidade... E como desgraça pouca é bobagem, a maré de infortúnios que devastava o Reino do Sul não parou por aí. Eis que o Juizeco (juiz com voz de marreco), que tinha se bandeado para o Reino do Norte, voltara exigindo seu lugar ao sol.

Você se lembra do Juizeco e da sua trama para prender Nove Dedos e colocar Bobo no trono real, não se lembra? Bom, de todo modo, vou recapitular aqui.

Marreco era um homem das leis a serviço de Trunc, o truculento mandatário do Reino do Norte. Nove Dedos estava no poder, e o Reino do Sul estava indo de vento em popa. Indignado com a soberania do Sul, Trunc preparou Marreco para que ele tirasse Nove Dedos do trono e assumisse o reinado, de modo que ele (Trunc) estendesse seu império pelas terras do Sul também. Isso porque Trunc, além de truculento, tinha mania de grandeza. Ele já tinha criado problemas tanto com o Reino do Oeste, a pequena ilha à esquerda do Reino do Sul, com altos índices de saúde e educação, quanto com o Reino do Leste, o enorme e populoso território conhecido pela produção de quase tudo, incluindo, claro, arroz.

Na verdade, Trunc queria ser o dono do mundo, e não poupou esforços financeiros para atingir seus objetivos. Marreco era o instrumento perfeito para isso. Ele mesmo deveria assumir o trono real no lugar de Nove Dedos, mas a sua falta de carisma aliada à sua falta de leitura não permitiria tal façanha. Foi então que Marreco, mancomunado com o pessoal do Norte, tramou um plano para alçar o idiota do Bobo da Corte ao posto de rei. 

Bobo, que não sabia fazer nada, nem mesmo graça, aceitou na mesma hora. Sua missão era tão somente espalhar pelos quatro ventos que Nove Dedos era "comunista". Como ninguém sabia o que significava, ficou fácil para o dissimulado Juizeco convencer a todos de que Nove Dedos era um criminoso e jogálo na masmorra para que ele apodrecesse ali.

Como você já sabe, Bobo virou rei, e Marreco, seu grão-vizir. Desde então, o outrora virtuoso Reino do Sul foi só declinando, decaindo, descendo ladeira abaixo. Quando tudo indicava que o reinado de Bobo estava chegando ao fundo do poço, duas coisas ainda aconteceram: ávidos por poder, e só tendo lugar para um deles, Bobo e Marreco se desentenderam. Viraram inimigos. Bobo liberou seus cachorros/filhos raivosos para atacarem o dissimulado homem das leis, que, logicamente, se refugiou nas terras do seu patrocinador, o Reino do Norte.

A outra coisa que ninguém esperava foi o aparecimento de uma peste muito, mas muito violenta, que matava as pessoas (quanta tristeza), impedindo que elas conseguissem respirar. Bobo era tão pestilento que nem a peste quis se aproximar daquele corpo putrefato, e ele ainda viu na pandemia uma forma de se livrar de Nove Dedos, que, a essa altura, definhava por mais de 500 dias na masmorra do palácio. Pra ser sincera, a ideia não partiu de Bobo, porque embora ele fosse mau, sua capacidade cognitiva e intelectual era muito limitada. Foi Algoz, o palaciano, quem deu a letra: sugeriu que Bobo autorizasse jogar Nove Dedos ao relento, no meio da rua e entregue à própria sorte. Assim - explicou Algoz - o aguerrido prisioneiro morreria da peste sem que ele, o rei Bobo, precisasse sujar as mãos de sangue.

Bobo achou a ideia excelente e ordenou que fosse logo executada. Bobo só não podia contar (e quem poderia?) com as artimanhas do amor. Pois não é que praticamente no mesmo momento em que Nove Dedos foi solto, Jane, uma linda aldeã, percorria desesperada as desertas ruas do reino?! Ela esperava encontrar umas folhas de eucalipto para ajudar sua pobre mãe, acometida pela infame doença, a respirar melhor. No meio do caminho, Jane se deparou com Nove Dedos e resolveu levá-lo para casa para cuidar dele também.

Por meses, Jane o alimentou com uma sopa fortificada, conhecida como "canja", e seu já completamente apaixonado paciente, passou a chamá-la de Janja. Infelizmente, a mãe de Janja não resistiu à implacável peste, mas não foi embora antes de abençoar o amor do jovem casal.

Janja tinha um primo com um talento muito especial. Bastava um pedaço de carvão na mão e uma superfície plana para que aquele menino fosse capaz de retratar qualquer pessoa. Seus desenhos eram um verdadeiro estouro; talvez por isso tenha recebido o apelido de Estouckert.

Estou contando essa história, porque enquanto Nove Dedos se fortalecia física e psicologicamente, Juizeco, o juiz com voz de marreco, regressava mais uma vez às devastadas terras do Sul. Desta vez, ele não veio com a esposa, a Conja, mas com um jovenzinho, projeto de vigarista, com bochechas rosadas e voz de criança. Nem bem tinha asas e já queria voar, o rapaz.

Por seu jeito imaturo e infantil, mais parecia um passarinho e, para completar, seu sobrenome era Rouxignol. Assim começava a indissolúvel e nefasta dupla: Marreco & Rouxignol.

Marreco & Rouxignol, para cumprirem a missão imposta por seus financiadores do Norte, se aliaram a uma família de nobres abastados que viviam em seu próprio palácio perto do mar. Os Marítimo, como eram tratados por essa proximidade com o mundo marinho, eram conhecidos pela pesca predatória e pelo domínio ilegal do fundo do mar: eles capturavam tudo quanto era tipo de peixe e crustáceo, mas moluscos não eram o seu forte. Nunca conseguiam pegar uma lula sequer, ninguém entendia por quê. Bem que eles tentaram, mas enfim... Os Marinho, ops!, os Marítimo também eram todos letrados e profundos conhecedores dos métodos de espalhar notícias, verdadeiras ou inventadas, de forma global. Com o poder financeiro que já possuíam somado ao baú de moedas de ouro e prata doado pelo Reino do Norte, não foi difícil para os Marítimo encaparem a ideia de destronar o rei Bobo e colocar o Marreco em seu lugar.

A família Marítimo e o Juizeco só tinham um obstáculo, o maior de todos os obstáculos: neutralizar Nove Dedos, que estava solto desde que Bobo resolveu largá-lo no meio da rua para morrer da peste.

Dado como morto, imaginem a confusão que não foi quando Bobo & sua prole e Marreco & Rouxignol viram, penduradas nas casas dos humildes trabalhadores, cópias do retrato, desenhado por Estuckert, de Janja e Nove Dedos abraçados na maior demonstração de amor e companheirismo. Foi um Deus nos acuda!

Marreco não queria acreditar que o homem que ele tinha tanta convicção de mandar prender sem provas estava tão bem disposto, forte e revigorado; e Bobo, sempre tão preocupado com sua masculinidade, olhava o retrato enquanto coçava a cabeça no lugar dos chifres, maldizendo a sua própria falta de sorte nos relacionamentos.

Marreco e Bobo, de queixo caído, apontavam para os retratos pendurados nas portas das casas e não se conformavam com o que viam, afinal, era o Nove Dedos Lá!

Marreco, já sem esperanças de ocupar o trono real, foi procurar uma alternativa que não fosse nem o Reino do Sul nem o Reino do Norte. Disseram que ele estava em busca de uma terceira via e que ele passou anos e anos procurando sem nunca encontrar.

Bobo, por sua vez, foi extravasar sua ira invejosa nas aulas de artes marciais, dadas pelo viril, mas ao mesmo tempo acolhedor, cavaleiro da guarda real de nome Alcebides. Alcebides estava noivo, mas não me pergunte porque eu não sei de quem.

Só sei, minha gente, que fico por aqui. Encerro esta temporada, prometendo começar outra logo em breve, porque assunto é o que não falta no abençoado, mas igualmente devastado Reino do Sul, onde, apesar do estigma de que DESGRAÇA POUCA É BOBAGEM, ainda impera a esperança de que dias melhores virão.

moro marreco Ohi.jpg

 

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