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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Jun20

Bombeiro Suel é preso suspeito de ajudar a ocultar armas de assassino de Marielle

Talis Andrade

suel maxwell corrêa.jpg

 

 

por Fábio Regula, Herculano Barreto Filho e Marcela Lemos

 

O bombeiro Maxwell Simões Correa foi preso na manhã de hoje sob suspeita de envolvimento no Caso Marielle Franco, vereadora do Rio assassinada em março de 2018. Ele foi alvo de um mandado de prisão na Operação Submersus 2, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

De acordo com o MP, o bombeiro de 44 anos teria tentado "atrapalhar de maneira deliberada a investigação".

Conhecido como Suel, ele é suspeito de ter ajudado a esconder armas que pertenceriam a Ronnie Lessa, um dos acusados de matar a vereadora e seu motorista Anderson Gomes. A força-tarefa afirma que Maxwell é o braço-direito de Ronnie Lessa.

O delegado Antônio Ricardo Nunes confirmou a participação do bombeiro no sumiço das armas. "Esse agente público participou diretamente do descarte das armas no mar da Barra da Tijuca quando foram realizadas aquelas prisões que foram noticiadas anteriormente. Por isso está sendo preso", explicou Nunes.

Segundo o Ministério Público, Maxwell agiu em comunhão de ações com os já denunciados Elaine Pereira Figueiredo Lessa, mulher de Ronnie, Bruno Pereira Figueiredo, cunhado de Ronnie, José Marcio Mantovano e Josinaldo Lucas Freitas.

Os objetos estavam armazenados em um apartamento utilizado pelo ex-policial e foram posteriormente descartados em alto mar, segundo o MP. Leia mais no UOL

01
Nov19

Por que os “inimigos do crime” Bolsonaro e Moro nunca se empenharam no caso Marielle?

Talis Andrade

marielle rj.jpg

 

 

Por Cynara Menezes

Socialista Morena 

 

Com o lema “bandido bom é bandido morto” sempre engatilhado, Jair Bolsonaro se apresentou ao país ao longo dos anos como um grande defensor da lei e da ordem. Em seu programa de governo, prometia “tolerância zero” com o crime. Deputado federal, Bolsonaro defendia abertamente que  “a Polícia Militar tem que matar é mais”. Na presidência, volta e meia se gaba nas redes sociais de estar “derrotando o crime”.

Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro
 

MP 885, que agiliza a venda de bens apreendidos do tráfico de drogas e permite o uso dos recursos no combate ao crime organizado, aprovada na Câmara, com obstrução do PSOL. Vitória do Brasil! Derrota do crime! Seguimos na construção de segurança pública eficiente e inteligente.

 

Seu ministro da Justiça, Sergio Moro, ganhou fama no país como justiceiro, ao liderar a operação Lava-Jato. Alçado ao governo com a vitória de Bolsonaro, cujo principal adversário prendeu, a meta prioritária de Moro é aprovar o “projeto anticrime”, que segundo ele irá “melhorar a qualidade de vida” dos cidadãos brasileiros, que desejam “viver em um país mais seguro” –embora especialistas em segurança pública digam que, na verdade, apenas contribuirá para aumentar o genocídio de jovens negros nas favelas ao dar aos policiais “licença para matar”.

Com tal currículo público de “inimigos do crime”, era de se esperar que Bolsonaro e Moro se empenhassem na solução do caso que mais causou repercussão internacional e danos à imagem do país nos últimos anos: o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Certo? Errado. Nem Moro nem Bolsonaro nunca se mostraram especialmente interessados em descobrir quem matou e quem mandou matar Marielle.

Pelo contrário, durante a pré-campanha, Bolsonaro foi o único entre os 13 presidenciáveisque ignorou a morte bárbara da vereadora. Na primeira declaração que deu sobre o caso, um mês depois do assassinato, o então pré-candidato à presidência se mostrou cético em relação à elucidação do crime. “Se não tiver alguém denunciando e que tenha participado do evento, eu acho que dificilmente vai chegar a uma conclusão”, disse Bolsonaro, salientando suas diferenças ideológicas com a vereadora.

Se o candidato do PSL era lacônico, o mesmo não se pode dizer dos seus aliados, que foram flagrados em várias ocasiões atacando a memória de Marielle. Os futuros deputados Rodrigo Amorim (estadual) e Daniel Silveira (federal) foram fotografados rasgando uma placa em homenagem à vereadora. Uma desembargadora bolsonarista chegou a espalhar o boato de que a vereadora era “casada com um traficante”. Um assessor de Flávio Bolsonaro e o primo de Carluxo, Leo Índio, também debocharam de Marielle em redes sociais.

Já presidente e entrevistado à época em que foram feitas as prisões de Élcio Queiroz e Ronnie Lessa, Bolsonaro se mostrou mais interessado em saber quem mandou matá-lo, em referência a Adélio Bispo (autor da facada que o levou à presidência), mesmo sabendo que o inquérito foi encerrado apontando não haver mandante algum e que o agressor tem problemas mentais.

Moro, por sua vez, pouco falou do assassinato de Marielle desde que foi designado para a Justiça. Na primeira entrevista coletiva ao ser nomeado, disse que ainda ia tomar pé do caso. 

“Não desconheço o problema que envolve o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do sr. Anderson Gomes, acho que é um crime que tem que ser solucionado. Assumindo o ministério, pretendo me inteirar melhor dessas questões e ver o que é possível fazer no âmbito do ministério”, disse.

Ministério da Justiça e Segurança Pública@JusticaGovBR
 

O Ministro Sergio Moro, espera que as prisões e buscas relativas ao assassinato da vereadora #MarielleFranco e do motorista Anderson Gomes, realizadas hoje, sejam mais um passo para a elucidação completa deste grave crime e para que todos os responsáveis sejam levados à Justiça.

Ministério da Justiça e Segurança Pública@JusticaGovBR
 

Moro lembra que a @policiafederal tem contribuído e continuará contribuindo com todos os recursos necessários para a continuidade das investigações do crime e das tentativas de obstrui-las. #MarielleFranco

 

Depois que assumiu, porém, Moro continuou a ser um homem de poucas palavras em relação ao crime, apesar da cobrança da Anistia Internacional, que coletou 800 mil assinaturas de cidadãos pedindo uma solução para o caso, e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos por um desfecho. “O Estado tem a obrigação de garantir uma investigação completa, independente e imparcial sobre esses assassinatos. Instamos o Brasil a concluir a investigação o quanto antes, levando os responsáveis intelectuais e materiais à justiça e oferecendo reparação e indenização às famílias”, disseram especialistas da CIDH e da ONU.

Em março, quando completou um ano do crime e a prisão dos suspeitos Élcio Queiroz e Ronnie Lessa foi anunciada, o ministro soltou duas notas, através do perfil do ministério do twitter, dizendo que a Polícia Federal “tem contribuído e continuará contribuindo” para as investigações. No perfil pessoal de Moro no twitter, inaugurado em abril, nunca foi dita nenhuma palavra a respeito de Marielle Franco.

Em agosto, a viúva de Marielle, Monica Benício, se queixou em entrevista ao Correio Braziliense que o ministro da Justiça se recusava a recebê-la, diferentemente do antecessor, Raul Jungmann, no governo Temer. “Jungmann nunca deixou de me receber, sempre tive com ele um amplo diálogo a respeito das investigações, coisa que o atual ministro se recusa a fazer. Foram muitas tentativas para que me recebesse e conversássemos a respeito da investigação, que é de competência da Polícia Federal, sob comando do próprio Moro”, disse Monica. “Tentei contato por meio de assessores, mas nunca fui recebida.”

Há duas semanas o ministro da Justiça finalmente concordou em receber a viúva de Marielle, que lhe pediu justamente maior empenho. “Solicitei que ele desse mais peso político ao caso, manifestando publicamente sua preocupação com a não elucidação até agora e inserindo essa cobrança de forma permanente em sua agenda, uma vez que todos nós passamos vergonha após um ano e sete meses de um crime político dessa proporção não estar solucionado. Estou convencida de que é necessária uma cooperação mútua das autoridades”, afirmou.

Monica Benicio@monica_benicio
 

Ontem estive com o min @SF_Moro e cobrei do governo federal que se manifeste publicamente sobre o crime político que executou Marielle e Anderson. O mundo quer saber #QuemMandouMatarMarielle https://oglobo.globo.com/rio/viuva-de-marielle-se-reune-com-moro-pede-forca-tarefa-formada-por-policia-mp-estadual-federal-24020286?utm_source=aplicativoOGlobo&utm_medium=aplicativo&utm_campaign=compartilhar 

Viúva de Marielle se reúne com Moro e pede força-tarefa formada por polícia, MP estadual e federal

Em Brasília, Mônica Benício disse que é necessária uma cooperação mútua das autoridades. 'O que o mundo espera do Brasil hoje é uma resposta', disse

oglobo.globo.com

A falta de empenho do governo Bolsonaro em cobrar a solução do assassinato contrasta com o aparente esforço em tentar apagar a imagem da vereadora da memória dos brasileiros. Em outubro, a revista Época revelou que a TV Brasil censurou um especial sobre Jackson do Pandeiro onde a imagem de Marielle aparecia durante 5 segundos, numa xilogravura, ao lado do homenageado. Duas semanas depois, a emissora pública exibiu no youtube outra versão do vídeo, sem a vereadora.

Por que tanta aversão da extrema direita a Marielle, mesmo depois de morta? Por que um governo que se diz tão comprometido com o combate ao crime nunca se mostrou seriamente empenhado em elucidar o assassinato da vereadora? Por que Bolsonaro e Moro, que se dizem “inimigos do crime” e “contra a impunidade”, não demonstram estar interessados em mandar os responsáveis para a cadeia? Não seria fundamental para dirimir as dúvidas em torno do fato de que um dos principais suspeitos é vizinho do presidente e que dois dos presos até agora, Élcio Queiroz e Josinaldo Lucas Freitas, aparecem em fotos com ele?

A impunidade no caso Marielle Franco só tem servido para desgastar a imagem do Brasil internacionalmente e para criar as mais variadas teorias sobre o crime –inclusive a de que as autoridades do país não cobram um desfecho do caso por ter algo a esconder.

marielle assassinos.jpg

 

03
Out19

Polícia do Rio prende mulher e cunhado de Ronnie Lessa acusado de matar Marielle

Talis Andrade

A Polícia Civil do Rio prendeu Elaine de Figueiredo Lessa, mulher do sargento reformado da PM Ronnie Lessa, acusado de ser um dos autores do assassinato contra Marielle Franco (PSOL) Também foram presos Márcio Montavano, o "Márcio Gordo" e Josinaldo Freitas, o "Di Jaca", que são suspeitos de ajudar a ocultar provas. Elaine morava ao lado da casa de Jair Bolsonaro

 

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Ronnie Lessa (pistoleiro) e Élcio Queiroz, motorista 

 

247 - A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na manhã desta quinta-feira (3) três pessoas em uma operação relacionada à morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Entre elas está Elaine de Figueiredo Lessa, mulher do sargento reformado da PM Ronnie Lessa, acusado de ser um dos autores do crime. Também foram presos Márcio Montavano, o "Márcio Gordo" e Josinaldo Freitas, o "Di Jaca", que são suspeitos de ajudar a ocultar provas. 

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Residência de Elaine Lessa, no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca

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Prisão de Elaine Lessa (de óculos)

 

A residência para onde Elaine se mudou, há cerca de três meses, fica ao lado da casa Jair Bolsonaro. No novo endereço, só há casas. A dela é de número 57. Lessa também morava no mesmo condomínio do ocupante do Planalto.

De acordo com a Polícia Civil, os envolvidos teriam ocultado armas usadas pelo grupo do sargento, entre elas a submetralhadora HK MP5, que teria sido usada para matar Marielle e Anderson.

A suspeita é a de que o assassinato da parlamentar tenha ligação com o crime organizado. Marielle era ativista de direitos humanos e vinha denunciando a truculência policial que ocorria nas favelas, bem como a atuação de milícias.

Os criminosos perseguiram o carro dela por cerca de três quilômetros e efetuaram os disparos em um lugar sem câmeras no centro do Rio. 

Um quarto mandado de prisão ainda está sendo cumprido contra o irmão de Elaine, Bruno Figueiredo. Ronnie Lessa também é alvo de mandado, mas ele já está preso.

Os detidos são acusados de obstrução judicial, porte de arma e associação criminosa. A operação, chamada de "Submersus", ainda cumpre 20 mandados de busca e apreensão.

Ronnie Lessa está preso na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. 

Além dele, o ex-policial Élcio Queiroz, que foi expulso da Polícia Militar, também está preso sob a acusação de ter matado Marielle e seu motorista. Queiroz havia postado no Facebook uma foto ao lado de Bolsonaro. Na foto, o rosto de Bolsonaro está cortado. 

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Elaine Lessa, Bruno Figueiredo, irmão de Elaine,

Elaine Lessa, mulher de Ronnie; Bruno Figueiredo, irmão de Elaine; Márcio Montavano, o Márcio Gordo; e Josinaldo Freitas, o Djaca

 

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Márcio Montavano, o Márcio Gordo 

 

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Josinaldo Freitas postou foto ao lado de Bolsonaro nas redes sociais

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