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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

02
Set21

Após afastamento, coronel se arrepende de ter convocado PMs para manifestação golpista de 7 de setembro

Talis Andrade

 

 

‘Ele está arrependido até o último fio de cabelo’, afirma José Vicente, ex-secretário Nacional de Segurança Pública

O coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo e ex-secretário Nacional de Segurança Pública José Vicente afirmou nesta quinta-feira 2 que Aleksander Lacerda está ‘profundamente arrependido’ de ter convocado policiais a participarem dos atos antidemocráticos no dia 7 de setembro.

Lacerda comandava sete batalhões da Polícia Militar de São Paulo e uma tropa de cerca de 5 mil homens. Ele foi afastado do cargo pelo governador João Doria (PSDB) após o episódio. O caso está sendo analisado em procedimento interno da PM.

Na entrevista ao portal, Vicente definiu o episódio como ‘um caso estritamente isolado’ e alegou que Lacerda teria sido o único coronel da ativa a fazer a convocatória para o dia 7. No entanto, no mesmo dia em que ele foi afastado, o caso de outro coronel paulista veio à tona: Homero de Giorge Cerqueira também compartilhou publicações com chamamentos para as manifestações.

“É bom salientar que o coronel Aleksander foi o único oficial da ativa que fez isso. Nós temos 64 coronéis. Ele fez uma brincadeira de mau gosto, vai ser punido – tem que ser punido -, porque acabou misturando… uma grande liderança da estrutura da polícia mais poderosa do país fazer uma bobagem dessa”, disse Vicente.

O ‘bolsonarismo radical’, no entanto, cresceu 35% entre os oficiais das polícias militares no Brasil em 2021, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A pesquisa acompanha o comportamento de policiais militares nas redes e identificou um crescimento na adesão às teses mais radicais de Jair Bolsonaro, como o fechamento do Supremo e a prisão de ministros.

 

 

25
Nov20

Carrefour fica com imagem "manchada de sangue" após morte João Alberto, estima Le Monde

Talis Andrade

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RFI - O jornal Le Monde mostra nesta quarta-feira (25) como o grupo francês Carrefour "está contra a parede" no Brasil, sem conseguir evitar os protestos que acusam a empresa de "assassina", após a morte brutal do soldador João Alberto Silveira Freitas. O crime envolvendo o cliente negro aconteceu na última quinta-feira (19) em uma unidade da zona norte de Porto Alegre.

Le Monde relata que milhares de brasileiros têm saído às ruas, em várias capitais, aos gritos de "Carrefour assassino". Em meio à campanha municipal, além dessas manifestações populares, "o grupo francês também é alvo de críticas de quase toda a classe política, com exceção de Jair Bolsonaro, que se cala sobre o assunto", reporta o jornal francês.

"Guilherme Boulos, candidato de esquerda a prefeito de São Paulo, qualificou o drama de 'puro racismo'. O juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moares falou em 'homicídio bárbaro'. Para José Vicente, uma personalidade do movimento afro-brasileiro, o assassinato de João Alberto seria 'ainda mais selvagem' do que o de George Floyd nos Estados Unidos. (...) Mais preocupante para o grupo: uma petição on-line pedindo um boicote ao Carrefour coletou mais de 16.000 assinaturas. (...) Diariamente, a imprensa noticia novos 'escândalos do Carrefour': atos diários de racismo, espancamento de negros, casos de tortura ou de estupro cometidos por agentes de segurança, que são comparados a 'milícias' a serviço dos brancos."

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"O grupo, que tem um logotipo conhecido em todo o mundo, com duas setas, uma azul e outra vermelha, desenhando um C, vê essa última flecha transformada em uma poça de sangue nas redes sociais", relata o jornal. Por enquanto, nem as desculpas oficiais, nem a criação de um fundo de R$ 25 milhões (€ 3,9 milhões) para lutar contra o racismo no Brasil, nem o rompimento do contrato com a empresa de segurança Vector, onde trabalhavam os dois vigias acusados pelo assassinato, foram suficientes para apagar o incêndio, explica o correspondente no Rio de Janeiro.

Le Monde ouviu Stéphane Engelhard, secretário-geral do Carrefour Brasil. O executivo afirma que "o racismo é um problema social, no país fortemente marcado pela escravidão”. Engelhard diz que o mais importante é entender o que aconteceu, dialogar com as instâncias e associações, e trabalhar para construir "uma sociedade melhor”.

Supervisora é presa e será investigada por coautoria de homicídio

O jornal gratuito 20 Minutos relata que a polícia prendeu na terça-feira (24) a supervisora da loja, Adriana Alves Dutra, como suposta "coautora" do homicídio de João Alberto. A funcionária, que foi vista filmando a cena, teria mentido em seu primeiro depoimento aos investigadores, ao dizer que não ouviu quando a vítima pediu ajuda e ocultando que um dos seguranças trabalhava no local. Em um vídeo, ela é vista avisando à vítima que ela deveria se acalmar para ser liberada, ou dizendo que João não seria solto até a chegada da polícia.

Diante da queda das ações do grupo francês na Bolsa de Valores de São Paulo, 12 fornecedores do Carrefour, entre eles gigantes como Coca Cola, Danone, Pepsico, Heineken, JBS, General Mills, Kellogg's, L'Oréal e Nestlé, anunciaram uma coalizão que se propõe a tomar iniciativas "para combater o racismo estrutural" no Brasil, que aboliu a escravidão em 1888.

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20
Nov20

Mourão foi "racista expresso", diz reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares

Talis Andrade

 

247 - O reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente, classificou como racista a declaração do vice-presidente Hamilton Mourão sobre o assassinato de João Alberto Silveira Freitas por seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre, na noite dessa quinta-feira (19). 

Ao comentar o crime bárbaro, Mourão disse que não tratou-se de racismo, porque "não existe racismo no Brasil".

“Além de equivocado, ele está totalmente fora de seu tempo, fora de seu lugar”, afirmou Vicente em entrevista à Globonews. “Ele já disse isso antes. Ele dizia que o problema do Brasil é a preguiça do índio e a desonestidade do negro. Então ele nessa manifestação é um racista expresso”, afirmou o reitor.  

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16
Jul20

RACISMO Negros são apagados do poder Judiciário, diz advogado e reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares

Talis Andrade

 

 

Em entrevista ao Migalhas, o reitor José Vicente conta que já sentiu de perto o preconceito ao longo de sua trajetória no Direito

Uma pesquisa de perfil demográfico dos magistrados brasileiros do CNJ mostrou que o número de magistrados negros e negras na Justiça é baixíssimo: na Justiça Estadual, Federal e do Trabalho, por exemplo, a quantidade de juízes negros não passa de 1% em cada ramo. Já o número de magistrados brancos, ocupa a maior faixa entre os perfis "amarelo", "pardo", "preto" e "branco".

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No mesmo sentido, a pesquisa nacional da AMB de 2018 mostrou o baixíssimo acesso de pessoas negras nos concursos para a magistratura. De 1.941 entrevistados que prestaram concurso para a magistratura estadual, em 1º grau, apenas 12 pessoas foram aprovadas para vagas destinadas às pessoas negras, o que representa 0,6%.

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Racismo estrutural

Diante do cenário preocupante da baixa representatividade, Migalhas conversou com José Vicente, advogado e reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares. O empresário conta sua trajetória no mundo jurídico e relata as dificuldades: "Negros restam apagados e invisibilizados em toda a estrutura do poder Judiciário. Nós não temos juízes, desembargadores, negros nos Tribunais Superiores", disse.

José Vicente conta que, ao longo de sua trajetória profissional do Direito, já sentiu várias manifestações preconceituosas: "Não foram poucas as vezes que senti os olhares e questionamentos de desconfiança, bem como o tratamento desconsiderado nos mais diversos ambientes. Ninguém fala, ninguém se manifesta, mas o olhar e o gesto são sempre denunciadores", relatou. 

Quando questionado sobre a discriminação em condenações, justamente pela falta de negros na magistratura, José Vicente afirmou que a estrutura contribui, sim, para entrega de Justiça de forma "contaminada". Para ele, o racismo no poder Judiciário gera no negro uma sensação frustração e dúvida em relação à imparcialidade e legitimidade das decisões.

Acerca dos avanços sobre o tema, José Vicente destacou o lançamento, pelo CNJ, de grupo de trabalho para propor políticas judiciárias de combate ao racismo institucional no Poder Judiciário. O grupo atuará para encontrar soluções para o racismo na forma de políticas públicas, bem como na elaboração de diagnósticos que resultem em propostas de aprimoramento da legislação e outros normativos institucionais.

"Nós queremos que os operadores de Justiça possam ter muito mais pluralidade e diversidade, e possam ter muitos jovens negros participando das suas estruturas e colaborando para construir uma Justiça que seja plural, diversa e que respeite e valorize a integridade da qual ela própria se constuti,  que é a miscigenação de negros e brancos do povo brasileiro", finalizou. 

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