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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

06
Jan19

Pastoral afirma que conflito em Colniza era ‘tragédia anunciada’ desde novembro

Talis Andrade

Delegado desmente os seguranças de Riva e Silval: “Os elementos de informação produzidos pela perícia, até o momento, nos levam a acreditar que não houve confronto armado, pois só foram encontradas cápsulas de armas de mesmo calibre dos seguranças da propriedade”

 

sem terra sepultura.jpg

 

 

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) afirmou que o confronto que aconteceu em Colniza no último sábado (5), que matou dois trabalhadores rurais, e deixou outros nove feridos foi uma tragédia anunciada desde novembro de 2018. Segundo uma nota publicada, os trabalhadores vinham sendo ameaçados pelo ex-deputado José Geraldo Riva, que se declara proprietário da fazenda onde aconteceu o conflito, e por seus ‘capangas fortemente armados’.

“A área do conflito, conhecida como Fazenda Magali, se encontra em uma grande gleba de terras da UNIÃO (que as famílias já solicitaram a arrecadação para ser destinada à reforma agrária), que é alvo de disputa entre os antigos grileiros e o ex-deputado estadual José Riva em sociedade com o ex-governador Sinval Barbosa, que supostamente adquiriram parte dessa área com dinheiro de desvios do erário público”, afirma a nota.

Além disso, a Pastoral e as organizações denunciam que as vítimas foram surpreendidas enquanto iam buscar água no Rio Traíra, pelos seguranças armados. “Os trabalhadores testemunham que a Polícia Militar não queria sequer deixar o SAMU ir buscar as vítimas no local da tragédia e, inicialmente, se negou a ir ao local também”.

Neste domingo (6), quatro seguranças da empresa Unifort, que participaram da trama da chacina, foram presos em flagrante pela Polícia Judiciária Civil de Colniza. De acordo com o delegado à frente da investigação, Alexandre da Silva Nazareth “os elementos de informação produzidos pela perícia, até o momento, nos levam a acreditar que não houve confronto armado, pois só foram encontradas cápsulas de armas de mesmo calibre dos seguranças da propriedade”.

Entidades e organizações sociais do MT divulgam Nota Pública sobre a tentativa de massacre em Colniza. Organizações já vinham denunciando o conflito desde novembro passado e a iminência de um massacre na área.

O ano de 2019 inicia com mais uma tentativa de massacre no campo em MT. Tentativa essa que já havia sido amplamente denunciada e anunciada no final de 2018 aos órgãos competentes. Um trabalhador assassinado – Eliseu Queres de aproximadamente 30 anos -, nove feridos, sendo três gravemente. Esse foi o saldo da tentativa de massacre ocorrida na manhã de hoje em Colniza. Os trabalhadores são ligados à Associação Gleba União, município de Colniza – MT e ao movimento de luta por terra 13 de Outubro.

O Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT) e demais entidades já haviam anunciado essa possibilidade de massacre conforme nota de 1 de novembro de 2018 “É baseado nesse histórico que tememos o pior. Das quase 200 famílias que lá estão sob a mira dos pistoleiros na Fazenda Agropecuária Baurú… Se algo acontecer, é uma morte anunciada. TODOS SABIAM.”.

A área do conflito, conhecida como Fazenda Magali, se encontra em uma grande gleba de terras da UNIÃO (que as famílias já solicitaram a arrecadação para ser destinada á reforma agrária), que é alvo de disputa entre os antigos grileiros e o ex deputado estadual José Riva em sociedade com o ex governador Silval Barbosa, que supostamente adquiriram parte dessa área com dinheiro de desvios do erário público.

Há alguns meses vários trabalhadores foram ameaçados, pelo próprio ex deputado, pelos capangas fortemente armados que ele colocou na fazenda, que diuturnamente ameaçavam as famílias no acampamento, efetuando disparos de armas de grosso calibre, inclusive fuzis, e fogos de artifícios, na intenção de incendiar os barracos. Todos esses fatos foram denunciados amplamente pelos trabalhadores para o governo do Estado (Governador, Casa Civil, Casa Militar, SESP), bem como para o MPF, OAB e Assembleia Legislativa, solicitando as medidas cabíveis para estancar o conflito.

O fato das famílias terem cumprido a decisão judicial da Vara Agrária em Ação possessória e terem mudado o acampamento de local não foi suficiente para garantir sua segurança. Hoje pela manhã quando um grupo pequeno de trabalhadores se dirigia à estrada de acesso para irem ao Rio Traíra para buscar água foram surpreendidos pelos seguranças armados, sendo alvejados vil e covardemente. Os trabalhadores denunciam que a Polícia Militar não queria sequer deixar o SAMU ir buscar as vítimas no local da tragédia e, inicialmente se negou a ir ao local também. As vitimas da tentativa de massacre são:

ELISEU QUERES - ASSASSINADO 
MILTON JOSE DA SILVA – GRAVAMENTE FERIDO 
MOISES FERREIRA – GRAVEMENTE FERIDO 
VALMIR NUNES JANUARIO – GRAVEMENTE FERIDO 
ANTONIO JOSE MAIA SILVA 
MANOEL FERREIA BARBOSA 
MARCOS MARTINS DO PRADO 
NALBES APOLINARIO 
TAHIK BRUNO OLIVEIRA 
TIAGO ALVES LOPES

Mais um ato de extrema violência contra o povo do campo marcou o início de 2019, ano que promete ser mais violento que 2018. Entre 2017 e 2018, a violência no campo subiu 15%.

A impunidade é a característica principal da violência contra o povo do campo. Exigimos a punição dos culpados! Ou será que os mandantes desta tentativa de chacina também ficarão impunes como estão os da chacina de 2017, que vitimou 9 trabalhadores também no município de Colniza?


06
Jan19

Dois sem-terra assassinados e "Jagunço" diz que Bolsonaro autorizou matar “bandidos”

Talis Andrade

Dois camponeses morrem e sete ficam feridos

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Sargento reformado João Benedito Neto, vulgo "Jagunço Olho do Cão"

 

Dois homens morreram e outras sete pessoas ficaram feridas durante um confronto armado na madrugada de sábado (05), nas terras griladas pelo governador Silval Barbosa e o deputado José Geraldo Riva, denominadas Fazenda Agropecuária Bauru (Magali), em Colniza (a 1006 quilômetros de Cuiabá).

Na fazenda estão acampados seguranças da empresa Unifort, de propriedade de João Benedito da Silva Neto, ex-sargento da Polícia Militar do Mato Grosso, que atende pelo apedido de Jagunço Olho do Cão.  

Segundo o site O DOCUMENTO, apesar de nenhum documento ter sido apresentado, o representante da Unifort, e chefe dos seguranças e jagunços, João Benedito da Silva Neto diz que a fazenda está legalizada e se sente no direito de matar os trabalhadores rurais. “A fazenda é do Riva, houve invasão dos sem-terra, que agora não é mais sem-terra. Segundo Bolsonaro são bandidos… morreram dois bandidos e cinco baleados, estão no hospital…Estou subindo pra Colniza com mais 15 homens pra reforçar lá”.

Existem cerca de 200 membros da Associação Gleba União que residem no local, e vivem do plantio de lavoura de subsistência. Eles afirmavam que só deixariam o local se Riva e/ou Sinval apresentassem documentos que comprovassem a posse da terra de 46 mil alqueires. Há quatro meses, o Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria de Justiça de Colniza, oficiou o Governo do Estado sobre risco de conflito armado no local. A preocupação é que ocorra uma tragédia como a chacina de abril de 2017, na qual nove pessoas foram mortas naquela região - área de desmatamento florestal, e dominada pelo tráfico internacional de madeira nobre.  
 
 
Fazenda citada em delação do governador corrupto


A fazenda em questão foi citada pelo  ex-governador do Estado Silval da Cunha Barbosa  em sua delação premiada. Ele declarou que negociou com o ex-deputado José Geraldo Riva a compra de uma fazenda pela quantia de  R$ 18 milhões no município de Colniza, denominada “Fazenda Bauru”. O delator disse que pagou apenas R$ 4,5 milhões neste contrato, pois a compra não foi para frente. Admitiu que  valor para a aquisição era oriundo de propinas do programa “MT Integrado".
 

 



 

 

 

06
Jan19

Assassinado o primeiro trabalhador rural do governo Bolsonaro

Talis Andrade

Segundo o chefe dos jagunços, João Benedito da Silva Neto, houve invasão dos sem-terra, que "agora não é mais sem-terra. Segundo Bolsonaro são bandidos… morreram dois bandidos e cinco baleados, estão no hospital… Estou subindo pra Colniza com mais 15 homens pra reforçar lá”.

O ataque acorreu em terras invadidas e griladas pelo governador Silval Barbosa e comparsa deputado José Riva. De 2003 até agora foram registrados 16 assassinatos em conflitos agrários no município

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Governador Silval Barbosa 

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Deputado José Riva, condenado a 22 anos de prisão por desvio de dinheiro público

por Lina Marinelli

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Começou. Oito trabalhadores rurais ligados à Associação Gleba União foram atacados por capangas da Fazenda Agropecuária Bauru hoje em Colniza, a 1065 km de Cuiabá. A fazenda pertence ao ex-deputado José Riva e ao ex-governador Silval Barbosa. Um dos agricultores está morto e vários estão feridos gravemente. A Comissão Pastoral da terra conta que o grupo estava indo buscar água no Rio Traira para levar ao acampamento, onde estão desde outubro do ano passado. Parece insano, cruel, tenebroso, e é. Os atiradores dizem que houve “troca” de tiros. Dá pra acreditar em troca, quando só um lado morre? A segurança da fazenda é feita pela empresa Unifort Segurança Patrimonial.

O acampamento, com cerca de 200 famílias, foi criado para exigir que José Riva apresente documento comprovando a posse de 46 mil alqueires da terra que ele afirma ser proprietário. A área do conflito, conhecida como Fazenda Magali, se encontra em uma grande gleba de terras da UNIÃO. As famílias solicitam que a terra seja destinada à Reforma Agrária. A maioria dos que estão acampados sob a mira dos pistoleiros, são posseiras, já moram em seus lotes há algum tempo, produzem alimento e criam animais. A região possui grave histórico de assassinatos, consequência da luta pela terra. De 2003 até agora foram registrados 16 assassinatos em conflitos agrários no município. Em abril de 2017, nove trabalhadores com idade entre 23 e 57 anos foram mortos a mando do empresário Valdelir João de Souza, o "Polaco", exportador de madeira nobre para os Estados Unidos e Europa. Eles estavam em barracos erguidos na Gleba Taquaruçu do Norte, foram rendidos, torturados e mortos.

Segundo o site O DOCUMENTO, apesar de nenhum documento ter sido apresentado, o representante da Unifort, e chefe dos jagunços, João Benedito da Silva Neto diz que a fazenda está legalizada e se sente no direito de matar os trabalhadores rurais. “A fazenda é do Riva, houve invasão dos sem-terra, que agora não é mais sem-terra. Segundo Bolsonaro são bandidos… morreram dois bandidos e cinco baleados, estão no hospital…Estou subindo pra Colniza com mais 15 homens pra reforçar lá”.

A guerra começou. A tese da legítima defesa da propriedade tá valendo, ainda que José Riva e Sinval Barbosa não comprovem a posse da terra. Ganha quem tem mais dinheiro e mais armas. Isso se chama barbárie. O Governo tem obrigação de punir os culpados por esse crime e resolver a questão de maneira civilizada. Essa tragédia já vem sendo anunciada há tempos. Se o Presidente Bolsonaro e sua turma realmente acreditam em Deus, devem acreditar também no Diabo. Pois que se aprumem ou irão arder nas chama dos infernos por atacarem os mais fracos e mais necessitados, e defenderem os ricos e poderosos.

No vídeo anexo é possível ver o momento em que, em Outubro, o acampamento foi montado e os trabalhadores explicam aos seguranças da Unifort, por que estão ali.

A chacina em Colniza

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A polícia já sabe que foram quatro homens os autores da chacina na gleba Taquaruçu do Norte, em Colniza. Perícia aponta que as vítimas sofreram tortura. Alguns corpos estavam amarrados e um delas teve uma orelha cortada (e levada); vítimas foram assassinadas a golpes de facão e por tiros de uma arma calibre 12.

Segundo policiais, os assassinos ‘entraram e executaram, barraco por barraco, as pessoas que estavam dentro deles‘, disse. O clima é de pânico na vila e segurança foi reforçada. A identificação da maioria dos corpos só foi possível com apoio de prontuários civis dos Institutos de Identificação dos estados e ou cidades de origem das vítimas.

Os nove trabalhadores rendidos, torturados e mortos a mando do escravocratas e cruel empresário Valdelir João de Souza, dono de uma madeireira:

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Sebastião de Souza, 57
Pastor da Assembleia de Deus em Guatá, distrito de Colniza a cerca de 140 km de Taquaruçu do Norte. Era um dos posseiros da linha (picada) 15, alvo de disputa. Sua casa no local já havia sido incendiada em 2014. Foi encontrado com um facão enterrado na nuca.

Fábio dos Santos, 37
Trabalhava principalmente como pedreiro. Foi contratado pelo pastor Sebastião de Souza para limpar o terreno -o dia de trabalho custa cerca de R$ 55 na região. Morava em uma vila próxima e não tinha terras. Evangelista da Assembleia de Deus, deixou quatro filhos.

Ezequias de Oliveira, 26
Posseiro, tinha um lote fora da área em disputa e estava no local trabalhando como diarista. Fiel da Assembleia de Deus.

Edison Antunes, 32
Outro posseiro que estava no local contratado como diarista. Era diácono da Assembleia de Deus. Tinha quatro filhos.

Aldo Carlini, 50
Um dos que estavam no local trabalhando como diarista. Seu lote está fora da área em conflito.

Samuel da Cunha, 23
Recém-chegado de Nova Brasilândia (RO), estava no local como diarista e também tinha lote fora da linha 15.

Valmir do Nascimento, 55
Um dos três mortos que tinham lote na linha 15, área do assentamento em disputa. Foi encontrado com as mãos amarradas para trás. Tinha dois filhos.

Izaul dos Santos, 50
Posseiro da linha 15, palco de disputa. Estava no local desde o ano passado, quando comprou cerca de 200 hectares por R$ 110 mil. Respondia a um processo por homicídio simples. O seu filho e a nora são dois dos quatro que estavam na área da chacina e conseguiram fugir.
 

Francisco da Silva, 56
Também estava no local como diarista. Em agosto de 2015, foi multado em R$ 115 mil pelo Ibama por ter desmatado ilegalmente 22 hectares de floresta.

 

 

 

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