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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

24
Jan23

Vale do Javari — terra de conflitos e crime organizado

Talis Andrade
 
 
 
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Equipes de reportagem da Agência Pública estão na Amazônia, no Vale do Javari, para se unir ao esforço de jornalistas de todo o mundo na tentativa de elucidar as circunstâncias do assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira e informar o público sobre as ações das autoridades e instituições no caso. Leia aqui as primeiras reportagens de Rubens Valente, Ciro Barros, Avener Prado, José Medeiros, editadas por Marina Amaral e Thiago Domenici para a Agência Pública.

 

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14
Jan23

VEJA QUEM SÃO OS 46 DEPUTADOS FEDERAIS QUE DEFENDERAM OU MINIMIZARAM O TERRORISMO EM BRASÍLIA

Talis Andrade
FAÇA PARTE  Ilustração: The Intercept Brasil

 

Conheça os nomes e os rostos dos parlamentares favoráveis aos atos golpistas de domingo ou à impunidade dos terroristas.

 

UM LEVANTAMENTO feito pelo Intercept identificou 46 deputados federais eleitos em 2022 que defenderam, incentivaram ou ao menos tentaram justificar de alguma forma os ataques terroristas do último domingo. Dez deles apoiaram abertamente os golpistas, como se eles se manifestassem por causas legítimas; 24 procuraram disfarçar o apoio, minimizando os protestos, desviando o foco das acusações ou culpando “infiltrados de esquerda”; e outros 12 foram contrários às prisões dos terroristas, chegando a alegar a ocorrência de violações – não comprovadas – de direitos humanos.

UM LEVANTAMENTO feito pelo Intercept identificou 46 deputados federais eleitos em 2022 que defenderam, incentivaram ou ao menos tentaram justificar de alguma forma os ataques terroristas do último domingo. Dez deles apoiaram abertamente os golpistas, como se eles se manifestassem por causas legítimas; 24 procuraram disfarçar o apoio, minimizando os protestos, desviando o foco das acusações ou culpando “infiltrados de esquerda”; e outros 12 foram contrários às prisões dos terroristas, chegando a alegar a ocorrência de violações – não comprovadas – de direitos humanos.

A lista poderia ser bem maior, pois vários parlamentares endossaram um tuíte de Jair Bolsonaro relativizando os atos. Destacamos, no entanto, apenas os casos mais expressivos, como os deputados que, mesmo tendo repudiado os atos oficialmente, divulgaram mensagens que colocam em dúvida se o repúdio foi genuíno.

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Gráfico: The Intercept Brasil

 

Independentemente da estratégia utilizada no momento de se pronunciarem publicamente sobre o terrorismo, todos os deputados citados deixaram de lado a defesa irrestrita da democracia. Boa parte dos parlamentares bolsonaristas que criticaram os atos de domingo só o fizeram por causa do vandalismo e da violência. No entanto, mesmo que o protesto tivesse sido pacífico, ainda seria antidemocrático, assim como eram os acampamentos na frente dos quartéis. Afinal, a motivação dos golpistas sempre foi contrariar o resultado de uma eleição e impor sua vontade contra a da maioria dos brasileiros.

Entre os defensores do terrorismo, está o deputado Sargento Gonçalves, do PL do Rio Grande do Norte. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, ele mandou uma mensagem para os “policiais militares de todo o Brasil, em especial aos policiais integrantes das forças de segurança pública do Distrito Federal”, pedindo que eles tivessem “muita sabedoria e serenidade, muita cautela na hora de agir contra os cidadãos que invadiram o Congresso Nacional”. O deputado que incentiva os policiais a serem coniventes com a depredação dos prédios públicos dos Três Poderes defendeu que os invasores “não são bandidos”. O Sargento Gonçalves também postou um vídeo do momento em que a multidão invadia o Congresso Nacional e escreveu na legenda que “todo poder emana do povo”.

Gráfico: The Intercept Brasil

 

Outro defensor dos atos golpistas foi o cearense André Fernandes, do PL. Pouco antes da meia-noite de sábado para domingo, ele postou no Twitter que ia acontecer, na Praça dos Três Poderes, “o primeiro ato contra o governo Lula” e avisou que estaria lá. Depois, publicou uma foto da porta do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que foi arrancada pelos terroristas, e escreveu na legenda: “quem rir vai preso”. Após a má repercussão, o deputado negou que estivesse no protesto e excluiu as postagens.

Quem também está no grupo dos defensores é a deputada bolsonarista Silvia Waiãpi, do PL do Amapá. Ela publicou ao menos três vídeos mostrando os golpistas em ação. Um deles é do momento em que um policial da cavalaria é derrubado e seu cavalo é ferido com barras de ferro.

Outros deputados federais que defenderam abertamente o terrorismo de domingo foram o monarquista Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o delegado Paulo Bilynskyj, ambos do PL de São Paulo. De Pernambuco, temos a deputada Clarissa Tércio, do PP, e o Coronel Meira, do PL. Bia Kicis e José Medeiros, respectivamente do PL do Distrito Federal e do Mato Grosso, também estão na lista, assim como Ricardo Barros, ex-ministro da Saúde de Michel Temer e ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, do PP do Paraná. Em uma entrevista para a CNN, Barros apoiou a ação dos terroristas. “As pessoas estão aí de cara limpa, não estão encapuzadas. Por que isso? Porque elas acham que a eleição foi roubada”, disse.

Muitos deputados federais publicaram notas de repúdio contra os protestos violentos, mas várias de suas postagens nas redes sociais revelam que eles são, na verdade, simpatizantes disfarçados do terrorismo. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, postou no Instagram o print de um tuíte do pai. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos às vésperas da posse de Lula, criticou as “depredações e invasões de prédios públicos”, comparando manifestações legítimas da esquerda com os atos golpistas de domingo. A postagem também foi reproduzida por vários deputados bolsonaristas.

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Gráfico: The Intercept Brasil

 

Dos 24 simpatizantes disfarçados, 17 são do PL, partido que falhou em reeleger Bolsonaro em outubro. Um desses parlamentares é o mineiro Nikolas Ferreira, deputado mais votado do Brasil. Os demais são do PSDB, Novo, MDB, União Brasil, PP, Avante e Republicanos. Entre eles, estão os que culparam o Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes ou o próprio Congresso pelos atos violentos. Um exemplo de apoio disfarçado é o do deputado federal Vicentinho Júnior, do PP de Tocantins. Ele gravou um vídeo se colocando contra as depredações, mas afirmou: “Não posso dizer aqui que não é de direito do cidadão reivindicar o seu direito à transparência, à lisura de um processo eleitoral”. Em seguida, diz que o código fonte das urnas devia ter sido aberto – embora o TSE afirme que abriu o código por um ano e que ele foi inspecionado pelas Forças Armadas.

O levantamento identificou também 12 deputados federais que defendem impunidade para terroristas e quem atenta contra a democracia, principalmente os que estavam acampados no Quartel-General do Exército em Brasília e foram levados para a Academia Nacional da Polícia Federal. Eles alegam que os direitos humanos dessas pessoas estão sendo desrespeitados e chegam ao cúmulo de comparar o local para onde elas foram conduzidas a “campos de concentração” nazistas.

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Gráfico: The Intercept Brasil

 

O deputado Osmar Terra, do MDB do Rio Grande do Sul, chegou a divulgar a falsa informação de que uma idosa havia morrido. Terra é ex-ministro do Desenvolvimento Social de Temer e ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro. Já o deputado Carlos Jordy, do PL do Rio de Janeiro, acusou o presidente Lula, o ministro da Justiça Flávio Dino e o “Xerife” – apelido que bolsonaristas deram a Alexandre de Moraes – de “abuso de autoridade”.

A Polícia Militar do Distrito Federal conduziu mais de 1,5 mil pessoas suspeitas de envolvimento no terrorismo protagonizado por bolsonaristas no último domingo. De acordo com a Polícia Federal, todos os detidos receberam “alimentação regular (café da manhã, almoço, lanche e jantar), hidratação e atendimento médico quando necessário”. Várias entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil, acompanham os procedimentos.

 

 

Ataques terroristas em Brasília têm culpados de sobra, mas são obra militar

Rafael Moro Martins
 

Como os intervencionistas criaram o ‘mito’ Bolsonaro e depois pularam do barco

Amanda Audi
 

Igrejas conservadoras serão incubadoras da extrema direita se governo não mudar forma de lidar com elas

Ronilso Pacheco

 

Após os trâmites realizados pela Polícia Federal, os presos foram apresentados à Polícia Civil e encaminhados ao Instituto Médico Legal. Segundo balanço divulgado na tarde de terça-feira, dia 10, 527 pessoas foram presas e 599 foram liberadas por questões humanitárias, “em geral idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e mães acompanhadas de crianças”.

Ainda na tarde de terça, políticos do PSOL pediram ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de 11 parlamentares no inquérito do STF que investiga os atos antidemocráticos. Seis deputados federais denunciados estão no levantamento feito pelo Intercept – André Fernandes, Ricardo Barros, Carlos Jordy, Silvia Waiãpi, Clarissa Tércio e José Medeiros. Os demais são o senador Magno Malta, do PL do Espírito Santos, e os deputados estaduais Júnior Tércio, do PP de Pernambuco, e Sargento Rodrigues, Coronel Tadeu e Ana Campagnolo, respectivamente do PL de Minas Gerais, de São Paulo e de Santa Catarina. Todos são acusados de estimular o golpismo e o terrorismo nas redes sociais.

Quem foi além e chegou a marcar presença nos atos terroristas foi a suplente de deputado federal Pâmela Bório, do PSC da Paraíba. Imagens divulgadas no seu próprio Instagram, depois apagadas, mostram que ela subiu no telhado do Congresso. A ex-esposa do ex-governador Ricardo Coutinho, do PT, aparece nos vídeos acompanhada do filho, que é menor de idade.

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Mapa: The Intercept Brasil

 

Segundo João Paulo Martinelli, advogado e doutor em Direito pela USP, os parlamentares que estimularam abertamente a participação em atos terroristas podem ser responsabilizados, mas o processo até a punição é longo. “Em âmbito criminal, o uso da violência ou grave ameaça com intuito de abolir o estado democrático de direito e depor o governo legitimamente constituído é considerado crime contra as instituições democráticas, previsto no artigo 359 do Código Penal. Já o artigo 287 trata da apologia ao crime ou ao criminoso”, explicou o jurista. Nesse caso, a denúncia teria que ser oferecida ao STF pelo procurador-geral da República, o bolsonarista Augusto Aras.

Já na esfera administrativa, a denúncia pode se dar por quebra de decoro parlamentar, ou seja, pelo comportamento inadequado de um deputado. Qualquer cidadão tem o direito de fazer uma denúncia ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, desde que um partido político assine a representação. Depois disso, há um trâmite interno que pode culminar na votação em plenário pela cassação do parlamentar. Para isso, é preciso que ao menos 257 deputados votem pela perda do mandato.

Na quarta-feira, dia 11, a Procuradoria-Geral da República solicitou ao STF a abertura de inquérito contra os deputados federais Clarissa Tércio, André Fernandes e Silvia Waiãpi, devido às postagens feitas por eles nas redes sociais. No mesmo dia, advogados que fazem parte do Grupo Prerrogativas solicitaram ao ministro Alexandre de Moraes uma medida cautelar para impedir a posse dos deputados federais Carlos Jordy, Silvia Waiãpi, André Fernandes e Nikolas Ferreira, prevista para 1º de fevereiro. O pedido se estende aos deputados estaduais Sargento Rodrigues, do PL de Minas Gerais, e Walber Virgolino, do PL da Paraíba. O documento pede, ainda, a instauração de inquérito policial para apurar a responsabilidade penal dos parlamentares.

 

ANTES QUE VOCÊ SAIA… Quando Jair Bolsonaro foi eleito, sabíamos que seria preciso ampliar nossa cobertura, fazer reportagens ainda mais contundentes e financiar investigações mais profundas. Essa foi a missão que abraçamos com o objetivo de enfrentar esse período marcado por constantes ameaças à liberdade de imprensa e à democracia. Para isso, fizemos um chamado aos nossos leitores e a resposta foi imediata. Se você acompanha a cobertura do TIB, sabe o que conseguimos publicar graças à incrível generosidade de mais de 11 mil apoiadores. Sem a ajuda deles não teríamos investigado o governo ou exposto a corrupção do judiciário. Quantas práticas ilegais, injustas e violentas permaneceriam ocultas sem o trabalho dos nossos jornalistas? Este é um agradecimento à comunidade do Intercept Brasil e um convite para que você se junte a ela hoje. Seu apoio é muito importante neste momento crítico. Nós precisamos fazer ainda mais e prometemos não te decepcionar.Faça parte do TIB 
 
13
Jan23

Anistia para golpista nunca mais

Talis Andrade
 
 
 
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ACABOU: Alexandre de Moraes arquiva notícia-crime de Nikolas Ferreira contra o ministro da Justiça, Flávio Dino. Moraes diz que arquivou por conta da ausência de indícios mínimos da ocorrência de ilícito penal.
 
Nikolas, com K, merece ser punido: queria tirar sarro com a cara de Flávio Dino. E trollar, morfar, caçoar, cornetar, zazumbar, zuar com a Justiça. Nikolas segue ritos nazistas propagados por Bolsonaro e defende o golpe, todos os nazismo
23
Jul22

Caso Bruno e Dom: 10 perguntas que a denúncia deixa no ar

Talis Andrade

Caso Bruno e Dom: 10 perguntas que a denúncia deixa no ar

Já aceita pelo juiz Adriano Verli, da Vara Federal Cível e Criminal de Tabatinga (AM), a peça acusatória dos procuradores afirma que os réus já presos agiram por motivo fútil.(Fotos: José Medeiros/Agência Pública; Reprodução TV Globo e Avener Prado/Agência Pública)

 

Por Cicero Pedrosa Neto /Amazônia Real

Belém (PA) – Finalizada com a data de 21 de julho e aceita já nesta sexta-feira (22) pela Justiça Federal de Tabatinga, a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) deixa pelo menos dez perguntas no ar em relação aos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips. Pela denúncia, os réus Amarildo da Costa Oliveira, o “Pelado”, Oseney da Costa de Oliveira, seu irmão, e Jefferson da Silva Lima cometeram o duplo homicídio por “motivo fútil, mediante emboscada”. O motivo, segundo o MPF, seria o pedido do indigenista para que o jornalista britânico tirasse uma foto de “Pelado”, um dia antes, ou mesmo uma imagem tirada pelo indigenista no dia do crime.

Pela narrativa construída pelos procuradores da República Nathália Geraldo de Santo, Samir Cabus Nachef Júnior, Edmilson da Costa Barreiros Júnior, Bruno Silva Domingos e Ricardo Pael Ardenghi, “Pelado” e Jefferson teriam decidido matar o indigenista Bruno e o jornalista Dom Phillips acabou sendo morto “para assegurar a ocultação e a impunidade” pelo primeiro crime.

O juiz Adriano Verli, da Vara Federal Cível e Criminal de Tabatinga (AM), aceitou a denúncia do MPF e tornou réus Amarildo, o “Pelado”, Oseney e Jefferson. Eles já estão presos e vão responder pelos crimes de duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. 

Na confissão, os réus informaram que Bruno foi atingido por pelo menos dois tiros, enquanto estava de costas, e um derradeiro, no rosto,  enquanto Dom, por apenas um disparo.  Segundo a perícia, os corpos dos dois foram esquartejados, queimados e enterrados em solo argiloso da região, com a participação de parentes e outras pessoas identificadas na denúncia, mas que não foram acusadas ainda. De acordo com o MPF, outras investigações serão conduzidas “a fim de esclarecer a autoria e participação dos demais agentes na prática da ocultação dos cadáveres e do próprio homicídio”. 

A denúncia do MPF cita os nomes de “Sirinha”, Edvaldo, “Guerão” e “Patuti”, que seriam os “demais agentes” envolvidos no caso. Sirinha é Elicley Oliveira da Costa e irmão de “Pelado”; enquanto Papa é cunhado dele, casado com a sua irmã Bete.

 

Dúvidas em aberto

Comunidade de São Rafael em Atalaia do Norte (Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

A reportagem da Amazônia Real, que acompanha o caso desde o princípio, esmiuçou a denúncia do MPF, ancorada nas investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e Polícia Civil do Amazonas, e a confrontou com base nas entrevistas feitas com suas fontes ao longo da cobertura jornalística. A peça acusatória aceita pela Justiça Federal é baseada quase que exclusivamente na confissão de um criminoso. A agência considera que ainda existem lacunas em aberto não resolvidas. São elas:

  1. A denúncia cita a perseguição da fiscalização da EVU a “Pelado”, numa lancha motor 60 HP, no rio Itacoaí, por volta das 5h40 do sábado, 4 de junho. O réu estava acompanhado de mais dois homens: Franciney Lopes Andrade e Elicley, respectivamente padrasto e irmão de “Pelado”. Os três apontaram espingardas para Bruno e Dom, segundo relato de uma testemunha à Amazônia Real.  A denúncia afirma que Bruno filmou essas ameaças e que Jefferson confirmou o caso. Bruno levaria a denúncia no dia 6 à Polícia Federal (PF), com sede em Tabatinga (AM). Em depoimento, “Pelado” conta outra versão sobre esses fatos. Isso não indicaria que o crime foi premeditado?  
  1. No domingo, 5 de junho, Bruno e Dom visitaram a comunidade São Rafael para uma reunião previamente marcada com Manuel Vitor Sabino da Costa, o “Churrasco”, que é tio do “Pelado”, mas ele não foi encontrado na comunidade. A preparação da emboscada aconteceu após a visita a São Rafael? A denúncia do MPF cita a palavra “emboscada”, mas não a descreve em detalhes.
  1. Segundo Jânio Freitas de Souza, o indigenista e o jornalista estiveram na comunidade por volta das 7h20 (9h20 no horário de Brasília) de domingo (5). Conforme Jânio, Bruno estava “avexado” (apressado) porque tinha uma reunião em Tabatinga com a PF [onde entregaria as provas, filmagens de Dom, de crimes ambientais de “Pelado”. Logo após essa visita, Bruno e Dom foram assassinados. Eles deveriam chegar em Atalaia do Norte às 8 horas. Que horas ocorreram as mortes?
  1. Onde estão o celular, o notebook e a câmera fotográfica do jornalista britânico Dom Phillips? Uma testemunha disse à reportagem que Dom registrou a rotina e as imagens dos indígenas da EVU para seu livro no período em que esteve acompanhando o trabalho da equipe. Onde foram parar esses registros? A morte do Dom foi pelo chamado “dano colateral”?
  1. Por que o MPF denunciou apenas três pessoas, ignorando as que ajudaram a ocultar os corpos queimados e esquartejados de Bruno e Dom? As pessoas que estão em liberdade por determinação da Justiça Federal passaram quatro horas cuidando da ocultação. São: Edivaldo, Elicley Oliveira da Costa, o “Sirinha”, Otávio, o “Guerão”, e “Patuti”. Segundo o delegado da PF Eduardo Fontes, todos são do “clã da família do Pelado”.  
  1. Por que o peruano Rubem Dario da Silva Villar, o “Colômbia”, comerciante da pesca e suspeito de ser o mandante dos crimes, preso por documento falso no dia 7 de julho, sequer foi citado na denúncia do MPF, embora ele seja um nome diversas vezes citado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja)?
  1. Afinal de contas, a PF conseguiu esclarecer quem é o “Colômbia”, o seu nome real, e qual é a sua nacionalidade? 
  1. Por que só na data de 22 de julho a PF fez buscas e apreensão de documentos na casa de “Colômbia”? Segundo testemunhas, o comerciante tem uma residência na cidade de Benjamin Constant, no Amazonas, vizinha de Atalaia do Norte, e seus parentes fugiram para o Peru após sua prisão 15 dias atrás.  
  1. Por que as relações entre pescadores ilegais, traficantes e invasores da Terra Indígena Vale do Javari e políticos da região nunca foram levadas a sério nas investigações? E também por que as investigações ignoraram inúmeras denúncias e mais relatos testemunhais dos indígenas, que acompanharam Bruno Pereira e Dom Phillips o tempo todo?
  1. Por que procuradores das cidades de Atalaia do Norte e de Benjamin Constant chegaram a participar da defesa dos agora réus no caso dos assassinatos?

 

“Tira a foto dele”

Bruno Pereira e Dom Phillips no Vale do Javari (Foto Gary Carlton/The Observer)

Para acusar Amarildo e Jefferson, o MPF se baseou na confissão deles como executores do crime na manhã do dia 5 de junho. Já a participação de Oseney, o “Dos Santos”, irmão de “Pelado”, é sustentada por menções feitas a ele no depoimento de testemunhas, cujos nomes foram preservados tanto pela investigação quanto pela denúncia do MPF.

O que chama a atenção na denúncia é que os procuradores dão crédito ao inquérito da PF, apontando que o motivo para o crime foi simplesmente porque o indigenista Bruno teria dito a Dom Phillips: “Tira a foto dele”, referindo-se a “Pelado” na manhã do sábado, 4 de junho, e “esse é o bote do invasor”, no dia 5, quando o indigenista passou na frente da comunidade do acusado, e tirado uma foto do barco.

A primeira frase, segundo “Pelado”, conforme consta na denúncia do MPF, teria sido dito por Bruno na varanda da casa de Raimundo Bento da Costa, o Raimundinho (tio de “Pelado”), onde o indigenista e Dom pernoitaram. No entanto, no início da manha do dia 4, “Pelado” e outras duas pessoas cruzaram com Dom e Bruno e com indígenas da EVU no rio, e fizeram ameaças exibindo armas em tom ameaçador. Neste momento, Dom fotografou “Pelado” e seus acompanhantes. Segundo a fonte da Amazônia Real, “Pelado” não falou com Bruno na varanda da casa de Raimundinho.

Embora o indigenista e “Pelado” tenham tido conflitos antigos – e frisado na denúncia do MPF -, era comum que a base da EVU ficasse ancorada no trapiche (porto) por questões logísticas, em frente à casa de “Raimundinho”. A distância entre a embarcação da EVU e a casa de Raimundinho era de centímetros porque o nível do rio Itacoaí estava cheio naquele período (início de junho).

Segundo a testemunha – que estava com Bruno e Dom nos dias que antecederam o assassinato – ouvida pela Amazônia Real sob a condição de não revelar seu nome, temendo mais ameaças, todos os dias em que a base da EVU esteve neste local “Pelado” foi avistado pela equipe, ora sozinho, ora acompanhado por outros pescadores ilegais de pirarucu e tracajá, prática vigiada e frequentemente denunciada pela EVU e por Bruno Pereira.

“Quando o rio está alagado, a gente costuma deixar o canoão da EVU na frente da casa do Raimundinho. Foi de lá que a equipe [de vigilância da Univaja] avistou “Pelado” na quinta e na sexta”, afirmou a testemunha.

Segundo pessoas ouvidas pela reportagem em Atalaia do Norte, Bruno mantinha boa relação já há alguns anos com Raimundinho. E era justamente o irmão de Raimundinho, Manuel Vitor Sabino da Costa, conhecido como “Churrasco”, que Bruno deveria encontrar na comunidade São Rafael – último lugar onde a dupla foi vista antes da emboscada, como narrado na reportagem “Os minutos finais de Bruno e Dom em São Rafael”, publicada pela Amazônia Real.

Conforme essa testemunha, no sábado seguinte (um dia antes do assassinato), por volta das 5h30, Bruno, Dom e membros da EVU partiram em direção à base da Funai para pedir ao técnico responsável do órgão que avisasse a Força Nacional sobre a presença de “Pelado” naquelas imediações, considerando se tratar da TI do Vale do Javari. No caminho, encontraram “Pelado”, que estava acompanhado de mais dois homens: Franciney Lopes Andrade e Elicley, respectivamente seu irmão e padrasto. Eles estavam em duas embarcações: “Pelado” e o irmão em uma balieira, embarcacão típica da região, equipada com um motor 60 HP, e Franciney em um barco de pesca de pequeno porte. Ao cruzar com a equipe no rio, “Pelado” e Elicley teriam levantado armas em direção ao grupo em tom de ameaça.

“Era como se eles estivessem ameaçando a gente porque ele [o “Pelado”] sabia que a gente estava indo na base da Funai”, afirma a testemunha ouvida pela reportagem.

A testemunha não sabe informar se Vitor (como se chamaria o técnico da Funai com quem Bruno esteve em contato na base) tomou alguma providência. 

No dia do crime, por volta das 7 horas, “Pelado” e Bruno se cruzaram mais uma vez, antes da emboscada. Na ocasião, o indigenista chegou a tirar uma foto da embarcação de “Pelado” e ainda descreveu a imagem como “esse é o bote do invasor”. E, segundo o MPF, esse foi o estopim para que “Pelado” dissesse a Jefferson: “Lá vai o cara, bora matar ele?”. 

A Amazônia Real tentou contato com o advogado Edilson Tananta, que representa Amarildo dos Santos (o “Pelado”), mas até o fechamento desta reportagem não houve resposta.

 

Veja o que diz a Univaja

Eliésio Marubo, advogado da Univaja, divulgou vídeo criticando o desfecho do inquérito e o teor da denúncia do MPF. Ele disse que o inquérito deixou de considerar informações de suma relevância.

“A autoridade não indicou quem é de fato o mandante. Nós entendemos que há mandante. Há informações que indicam participação de outras pessoas, como uma quadrilha e como mando. É necessário que a autoridade dê as respostas não só para as famílias das vítimas, mas para sociedade e paro mundo que tem acompanhado esse caso horrendo na nossa região”, disse ele (veja vídeo acima).

 

Motivo fútil?

Policiais federais com os restos mortais de Dom Phillips e Bruno Pereira (Foto: Avener Prado/Agência Pública)

A tese de um crime por motivo fútil é mais um capítulo de açodamento com que esse caso vem sendo conduzido pelas autoridades, a despeito de todas as evidências de que houve um crime premeditado, conforme narrado pela Amazônia Real ainda na terça-feira, dia 7 de junho, e nos dias seguintes. 

O desaparecimento de Dom e Bruno foi informado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e pelo Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI) ainda em 6 de junho.  Pressionado, o governo federal enviou equipes da PF, da Marinha e do Exército, que só foram a campo a partir do dia seguinte. O Ministério Público Federal também dizia estar monitorando o caso.

“Pelado” foi preso no dia 8 de junho. Mas os corpos de Bruno e Dom só foram encontrados uma semana depois, quando decidiu confessar o crime. No dia 17 de junho, a Superintendência da PF, em Manaus, emitiu uma nota afirmando que “as investigações também apontam que os executores agiram sozinhos, não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito”.

A nota da PF foi duramente criticada, já que as investigações, que àquela altura ainda estavam no início, descartavam outras hipóteses para o crime. A tese de não haver indícios da existência de um mandante para o assassinato foi reforçada pelo superintendente da PF, Eduardo Fontes, em audiência pública ocorrida no dia 12 de julho, na Câmara Federal, no âmbito da Comissão Temporária Externa que acompanha as investigações do duplo assassinato. 

Nesta sábado (23), a Polícia Federal informou que transferiu os réus Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos” e Jefferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, do sistema prisional de Tabatinga para Manaus. Na capital amazonense, já estavam na cadeia da PF desde o dia 9 de julho, “Pelado” e “Colômbia”, que cumpre preventiva por falsificação de documentos. Após serem apresentados no Instituto Médico Legal (IML) para o exame de corpo de delito, “Colômbia” e “Pelado da Dinha” serão transferidos para o sistema prisional de Manaus. Os irmãos “Pelado” e “Dos Santos” continuaram presos na cadeia de PF.(Colaboraram Elaíze Farias, Kátia Brasil e Eduardo Nunomura)

 

20
Jun22

60% população está com alguma dificuldade para se alimentar. Não é hora de jogar pessoas na rua!

Talis Andrade
 
 
 
 
Natália Bonavides no Twitter
 
Natália Bonavides
O Tribunal de Justiça/SP decidiu que não é aceitável o presidente da República ofender, usando insinuação sexual, uma jornalista. Parece óbvio, mas nos tempos em que
 
 vivemos se faz cada vez mais necessário reafirmarmos o justo. Parabéns à Patrícia e todas que se somam à luta!A máquina do ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência  digital (Portuguese Edition) eBook : Mello, Patrícia Campos: Amazon.fr:  Boutique Kindle
 
GOVERNO INIMIGO DAS MULHERES! Agora é o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que responde por assédio sexual. Funcionárias denunciam os abusos sofridos durante o trabalho. Os relatos são enojantes!www.brasil247.com - { imgCaption }}
Que orgulho! Sideral é o "Melhor Curta Internacional" do Festival Internacional de Curtas de Palm Springs!

Somos o "Melhor Curta Internacional" do Palm Springs — Festival Internacional de Curtas! O Palm Spring é o mais importante festival de curtas dos Estados Unidos e é um forte indicador de filmes que podem chegar à reta final do Oscar! Por aqui estamos vibrando de felicidade!
Outra vitória! Comemorando a restauração e reabertura do Forte dos Reis Magos em NatalNatal ganha de presente a reabertura do Forte dos Reis Magos na festa de  emancipação | ESTADO | Mossoró Hoje - O portal de notícias de MossoróSINSP/RN
Forte Dos Reis Magos, Natal | Ticket Price | Timings | Address: TripHobo
 
Mais de 33 milhões de brasileiros passam fome e quase 60% população do país está com alguma dificuldade para se alimentar. Não é hora de jogar pessoas na rua!Pode ser uma imagem de 2 pessoas, pessoas em pé e texto que diz "21DE JUNHO DIA DE LUTA CONTRA OS DESPEJOS NO BRASIL Nas ruas e nas redes participe das mobilizações por Despejo Zero! AOO 05a DESPEJO ZERO #DespejoNoBrasilNãc"
 
O STF precisa prorrogar a suspensão dos despejos. #BrasilPorDespejoZero
 
O legado do governo Bolsonaro para a população é a volta da fome, mais pobreza e a maior queda de renda desde 2012.

Enquanto o presidente é investigado pelos gastos milionários no cartão corporativo, vive de motociatas e passeios de jet ski, mais de 200 mil pessoas não tem um teto para morar. São 33 milhões de pessoas passando fome!Image
Fernando Haddad
Bolsonaro é sinônimo de destruição e morte.Image
Rayane Andrade
Até quando povos originários e indigenistas serão vitimas de garimpeiros e latifundiários? Toda solidariedade às famílias de Bruno Pereira e do jornalista Dom Philips. Queremos justiça! Precisamos saber quem são os mandantes! Esse crime é fruto do golpe de 16 e do bolsonarismo!Image
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JUSTIÇA POR GENIVALDO Não podemos deixar que esse crime bárbaro caia no esquecimento e que seus assassinos não respondam devidamente.PRF: Anistia Internacional cobra governo Bolsonaro por caso Genivaldo,  homem sufocado em "câmara de gás"
 

Encontrados os corpos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. Causa muita indignação saber que o governo brasileiro nada fez para proteger as vidas, pedir agilidade nas buscas e apoiar a família. Mais um duro crime que recai sobre o governo da mortePode ser um desenho animado de em pé e texto

Uma CRIANÇA de 11 anos, grávida após ser vítima de estupro, está sendo induzida criminosamente pela justiça de Santa Catarina a evitar que interrompa a gestação. Querem submetê-la à segunda violência de ter um filho de um estuprador. Que a menina tenha seus direitos respeitados!Pode ser uma captura de ecrã do Twitter de 1 pessoa e texto que diz "Natália Bonavides @natbonavides Por que expor uma garota vítima de violência desse jeito? Por que fazer ela reviver publicamente toda essa história? Isso é sadismo, passa longe de ser jornalismo. Que tempos... Toda solidariedade e apoio!"

A gente sabe o motivo do desespero! Toda solidariedade à companheira
@taliriapetrone e ao companheiro
George Marques 
@GeorgMarques
Na Comissão de Direitos Humanos da Camara, há pouco o deputado José Medereiros partiu pra cima do @pauloteixeira13. Medeiros quis censurar pergunta da @taliriapetrone ao ministro da Justiça, Anderson Torres, sobre o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips. Veja vídeoImage
 
15 JUNHO é o aniversário daquela que orgulha o RN, dessa companheira aguerrida que defende o povo com coragem e ternura. Feliz aniversário, deps! Estamos com você na defesa das coisas mais belas  #EquipeNatáliaBonavides
 
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02
Jan22

Dallagnol recebe mesada do partido da família Abreu

Talis Andrade

fundo partidario_adnael.jpg

 

Comendo o fundo partidário

 

Partido da família Abreu paga mesada a Deltan Dallagnol, ex todo poderoso procurador da Lava Jato, chefe da cruzada contra a corrupção, comandante da autodenominada Liga da Justiça da autodenominada República de Curitiba. O ex-juiz suspeito, considerado parcial pelo Supremo Tribunal Federal, e chamado de ladrão no Congresso Nacional, Sergio Moro também recebe jabaculê do Phodemos.

Cinicamente, pelo Instagram, Dalagnol divulgou uma nota de "transparência sobre minha atividade pública" e comparou o valor que receberá do partido com o que ganhava no MPF: "corresponderá num ano a cerca de metade do total que recebi líquido como procurador da República em 2020 e consta nos meus contracheques, no portal da transparência".

A renda de Dallagnol - 15 mil mensais - será patrocinada pelo fundo eleitoral do Phodemos. Ou seja, paga pelo contribuinte brasileiro. Idem a de Moro (22 mil por mês, para não fazer nada de nada)

 

Partido de apoio a Bolsonaro

O Phodemos é um partido da direita fundado pela rica família Abreu acusada de corrupção. Passa de pai para irmão e deste para a filha.

Escreve Brenno Grillo:

A história do Podemos, a presença de alguns nomes controversos nos quadros da sigla e a alta aderência dela às pautas do governo Bolsonaro no Congresso põem em dúvida a firmeza dos compromissos assumidos com a filiação de Moro. 

O Podemos nasceu em 2017, após a fusão do PTN com o PHS. O primeiro era o sócio mais relevante nesse novo consórcio. Ao menos desde 1995, o PTN era mais um dos partidos altamente fisiológicos que contaminam a política brasileira. Um negócio familiar, como outros: o presidente era Dorival de Abreu, que morreu e deixou o controle do partido para seu irmão, José de Abreu. Este transferiu esses poderes em 2013 para sua filha, Renata Abreu, que hoje lidera o Podemos. 

Embora a nova marca sugira o contrário, o projeto tem um passado. E ele não é imaculado. 

Fisiologismo e corrupção

Ainda como PTN (1995-2017), o partido pediu R$ 1 milhão para apoiar Eduardo Paes nas eleições municipais de 2012. No ano seguinte, um dos tios de Renata, Paulo Masci de Abreu - que foi filiado ao PTN - ganhou as manchetes por oferecer a José Dirceu um emprego de gerente num hotel de Brasília.

A oferta de R$ 20 mil mensais foi feita para que o petista (à época condenado apenas no Mensalão) pudesse usufruir do regime semiaberto. O acordo não se concretizou depois que a imprensa noticiou a história. Anos depois foi descoberto que o sócio majoritário do hotel era uma offshore no Panamá, a Truston International.

A empresa tinha entre seus diretores, à época dos fatos com Dirceu, José Eugenio Silva Ritter, ex-auxiliar de escritório da Morgan & Morgan - especializado em abrir trustes e responsável por registrar a consultoria do petista no Panamá.

Passados três anos desse caso, o partido se viu envolvido na Lava Jato. Wellington Magalhães - à época vereador em Belo Horizonte - foi citado nas delações de diretores da Odebrecht pelos apelidos "aço" e "navalha". Ele foi indiciado pela PF por omitir R$ 2,6 milhões em rendimentos.

Considerado homem forte da Casa (que chegou a presidir, assim como o diretório mineiro do PTN), Magalhães foi alvo de processo disciplinar pelo Podemos logo que o partido mudou de nome. Mas deixou a sigla rumo ao Democracia Cristã antes de ser expulso - o político também foi cassado pela Câmara da capital mineira em 2019 após ser acusado de corrupção passiva.

A própria transição de PTN para Podemos foi questionada quando ocorreu. Pois, na realidade, o partido apenas mudou de nome, com Renata Abreu permanecendo na presidência. Ela, inclusive, é uma das representantes institucionais do Podemos em ação por 60 supostas candidaturas laranja de mulheres em 2018.

No caso é apurada ainda a conduta de Roberto Lucena e Marco Feliciano (expulso do partido por apoiar o governo Bolsonaro e hoje no PL).

Segundo a presidente do Podemos, a ação foi movida por candidatas insatisfeitas com os valores que receberam do partido para disputar as eleições de 2018. O argumento desse grupo é que os baixos montantes pagos configuram suas candidaturas como laranjas. O julgamento da ação no TSE está marcado para semana que vem, de acordo com a deputada.

A força da dinastia Abreu no Podemos é tamanha que nem a absorção do PHS, em 2019, alterou seu poder no partido - inclusive, no ano seguinte à incorporação, o fundo partidário do Podemos dobrou, chegando a R$ 77 milhões. Só que a chegada dos novos parceiros trouxe consigo problemas na Justiça.

Apesar de já terem deixado o Podemos, Laércio Benko e Clelia Gomes, por exemplo, são investigados pela PF por suposto esquema de rachadinhas que teria ocorrido ainda na época do PHS. Eduardo Machado, que também veio do partido extinto e ocupa a vice-presidência do Podemos, é outro com sua porção de denúncias.

roque rachadinha.jpg

Ele foi acusado por diretores da extinta legenda de roubo de documentos, chegando a ser afastado do PHS, e de usar dinheiro do fundo partidário da sigla para custear gastos pessoais. Uma das obras mais recentes de Machado foi colocar Patrique Welber para dirigir o diretório do Podemos no Rio de Janeiro.

O bombeiro é conhecido na política fluminense, tendo coordenado a campanha de diversos políticos, como Jorge Picciani (MDB) - o ex-presidente da Alerj foi condenado a 21 anos de prisão na Lava Jato. Como recompensa, em setembro deste ano, Welber foi nomeado secretário do Trabalho do Rio.

A cadeira dada por Cláudio Castro foi um aceno ao partido, que integra a base do governador na Alerj. O bombeiro então levou consigo Francisco Floriano, ex-deputado federal investigado por lavagem de dinheiro, e Clébio Lopes Pereira, empresário acusado de participar de esquemas de corrupção durante a gestão Marcelo Crivella na Prefeitura do Rio.

Ainda no plano nacional, Luiz Claudio Souza França, secretário-geral do partido, foi filmado durante as investigações da Operação Caixa de Pandora (também conhecida como mensalão do DEM) recebendo R$ 38 mil de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do DF.

Sobre França, o Podemos afirmou ao Bastidor que não comentará o caso, pois é "algo relacionado diretamente à defesa do secretário-geral na Justiça". Ressaltou, porém, que ele assumiu um posto no partido por indicação do PHS no momento da incorporação - França já disse diversas vezes à imprensa "que pedirá a prescrição" do seu processo.

 

Ziguezagues ideológicos 

O caminho adotado pelo Podemos desde que deixou de ser PTN foi reforçar cada vez mais a agremiação como apoiadora do Judiciário e do Ministério Público. A presidente do partido, Renata Abreu, afirmou ao Bastidor que ele surgiu como "renascimento de um movimento" que elegeu Jânio Quadros, mas renovado para entender demandas de um eleitorado digital que não se identifica com partidos analógicos.

Um exemplo a favor do Judiciário é o líder do Podemos no Senado, Álvaro Dias, integrar a frente parlamentar ampla pela prisão após condenação em 2ª instância e pelo fim do foro privilegiado.

A chegada de Moro, contudo, desagradou alguns parlamentares do Podemos. Por exemplo, os deputados federais José Medeiros (MT), que é apoiador de Jair Bolsonaro, e João Carlos Bacelar Batista, que é próximo ao PT da Bahia.

Esses descontentamentos refletem bem a orientação política do partido, que, como PTN, apoiou Dilma Rousseff em 2010 e Aécio Neves quatro anos depois. A variação ideológica também é resultado do histórico de José de Abreu, pai de Renata, que foi filiado ao PMDB (atual MDB) e ao PSDB - onde foi buscar espaço político e terminou eleito deputado federal em 1994.

O partido, apesar de não integrar a base de apoio do presidente no Congresso, vota com os bolsonaristas. Em 2019, o Podemos foi a sigla com mais aderência (92% ) às pautas do governo, seguido pelo Patriota (90%) - agremiação que negociou o chegada de Jair Bolsonaro para disputar as eleições de 2022.

No Senado, Marcos do Val e Eduardo Girão defenderam o governo durante a CPI da Pandemia. E Styvenson Valentim, que apoiou Bolsonaro em 2018, agora se diz decepcionado com o presidente da República. (Transcrevi trechos)

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19
Nov21

Moraes abre inquérito contra deputado da extrema direita que chamou mulher de “mulamba”

Talis Andrade

 

Consciencia-Negra- racismo bolsonaro.jpg

 

O deputado federal José Medeiros (Podemos-MT) responderá pela prática de racismo. A ofensa machista ocorreu via Twitter

 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a instauração de inquérito contra o deputado federal José Medeiros (Podemos-MT) pela prática de racismo.

A decisão desta quinta-feira (18/11) atende ao pedido formulado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em razão da existência de indícios do crime.

Segundo consta na ação, em 25 de fevereiro deste ano o parlamentar teria se manifestado de forma discriminatória contra a comunidade negra em seu Twitter.

O parlamentar chamou uma mulher de “mulamba”, após ela declarar na rede social ser favorável à abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a pandemia de Covid-19 vivenciada no país.

José Medeiros postou: “Mulamba… vai atrás de voto, na faixa não vai levar não.”

O Ministério Público entendeu que “em discriminação negativa à raça negra, o parlamentar fez alusão a um termo de origem angolana, o qual remonta à época da escravatura, para se referir à cidadã mencionada na rede social. Com esse comportamento, ele, em tese, teria ofendido a dignidade da pessoa, considerada coletivamente.”

A mulher falou em nome do povo em geral, principalmente dos familiares de mais de 600 mil brasileiros mortos por um governo genocida, que sabotou as vacinas, patrocinou a automedicação de remédios ineficazes, promoveu aglomerações, não distribuiu máscaras, não promoveu testes e nem isolou as pessoas contaminadas. 

Que sejam devidamente punidos todos os criminosos indiciados pela CPI da Covid-19. 

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21
Mai21

Em áudio antes de morrer pela Covid-19, assessor culpa Bolsonaro: "Estou mal para caramba. A culpa é desse capitão bunda suja que não comprou vacina"

Talis Andrade

Jair Bolsonaro e José MedeirosBolsonaro e José Medeiros

247 - Circula na internet um áudio gravado pelo advogado José Roberto Feltrin antes de sua morte por Covid-19 no qual ele culpa Jair Bolsonaro por seu estado de saúde. Feltrin era assessor parlamentar no gabinete do deputado federal José Medeiros (Podemos-MT) e faleceu na última terça-feira (18), aos 55 anos.

No áudio, Feltrin chama Bolsonaro de "capitão bunda suja" e destaca que "já era para ter vacina para nós". Medeiros também não escapou das críticas de seu assessor. "Eu estou mal para caramba. A culpa é desse capitão bunda suja (sic) que não comprou vacina para nós. Esse tal Medeiros também é responsável por tudo que está acontecendo com o povo brasileiro (...). Esse cara vem apoiando esse governo genocida, que vem sabotando a vacina desde o início. Já era para ter vacina para nós, para pessoas da minha idade e não tem".

A Tales Faria, do UOL, o parlamentar disse que a divulgação da gravação é "obra" de um ex-chefe de seu gabinete, mas não quis revelar o nome. "Tenho certeza de que o Feltrin foi traído. Não quero fazer maiores comentários em memória dele. Uma pessoa muito ponderada, honesta. Sei que, se estivesse vivo, estaria defendendo-me".

 

 

29
Mai20

Bolsonaro fala em “desaparecimento” de ministros do STF. Seria Teori Zavascki um desaparecido político?

Talis Andrade

Teori Zavascki

Por Denise Assis

Jornalistas pela Democracia

 

Quinhentos dias de governo e estamos roçando no número de 500 mil infectados pelo coronavírus. É isto mesmo. São mil infectados para cada dia que o senhor Bolsonaro está sentado na cadeira da presidência. Sem avançar em um projeto em favor da sociedade, sem promover o prometido crescimento da economia, disseminando o ódio, a discórdia e governando com ameaças quase infantis, com o fito de nos paralisar.

São mais de 26 mil mortos e ele sentado sobre a tampa dos seus ataúdes, “negocia” com desembaraço e tranquilidade o seu destino em 2022.  “Nós trocamos algum cargo neste sentido, atendemos, sim, alguns partidos neste sentido, conversamos sobre eleições de 2022. Se eu estiver bem em 2022, há interesse de alguns parlamentares desses estados em ter o seu respectivo candidato a governo, se eu poderia (sic) entrar neste acordo em alguns estados do Brasil”, antevê, num português mastigado e maltratado.

Nem uma palavra sobre a pandemia, a não ser os seus “esperneios” por armar a população para abrir o comércio à bala, e fazer girar a economia “na porrada”, como é de seu feitio, para vergonha geral da Nação. Como sabemos, suas preocupações pessoais e familiares se sobrepõem às suas obrigações de governante. Na sua pauta, agora, o mais urgente é salvar a própria pele e a dos integrantes da “famiglia” e, para isto, não corou nem piscou, ao jogar no ar a seguinte fala, durante live feita ontem, ao lado de um “eufórico” presidente da Caixa Econômica federal, Pedro Guimarães – por que sorri tanto, esse economista?

“Se aparecer uma terceira vaga —espero que ninguém desapareça—, mas o Augusto Aras entra fortemente na terceira vaga”. A vaga em questão, é para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde se sabe, elas não existem. Estão todas preenchidas. Tivesse ele o mínimo de educação, e saberia que não se deve tratar do tema até que elas estejam disponíveis. E isto só será possível em novembro, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, ou em julho do ano que vem, quando pelo mesmo motivo, deixa o cargo o ministro Marco Aurélio Mello.

Mas não se deve esperar tanto de alguém que troca o bom dia por um “porra”. O que se pode esperar dele, isto sim, é um profundo conhecimento sobre desaparecidos. Temos 434 mortos e desaparecidos políticos, que a turma do general Augusto Heleno – com quem ele muito se identifica -, saberia nos informar o paradeiro. Porém, não dizem, porque, neste caso eles deixariam de ser “desaparecidos”, e os seus amigos passariam a ser “criminosos”.

 

E quando Bolsonaro fala que espera, “ninguém desapareça”, difícil não lembrar de outra modalidade de expediente para abrir vagas no Supremo: a dos “acidentados”. Poderíamos recordar das indagações sobre o acidente do ex-ministro Teori Zavascki, que continuam sem resposta, desde que sofreu um “acidente”, em 19 de janeiro de 2017. Na ocasião, publiquei artigo no site “O Cafezinho”, onde fazia perguntas sobre a “queda” do seu avião, que até hoje são pertinentes, pois ficaram sem resposta:

– Por que será que ninguém estranhou o fato de a Marinha do Brasil, que em 1992, tinha condições de rastrear com sonares toda a costa fluminense, em busca do corpo do Dr. Ulysses, e enviou ao local aparelhagem sofisticadíssima, desta vez vem a público dizer que não é capaz de erguer do mar, a uma profundidade de quatro metros, uma aeronave de pequeno porte, em frangalhos, coisa que os próprios pescadores fizeram, antes de chegar socorro, conforme detalha André Barcinsky na Folha de São Paulo? Quais os impedimentos técnicos?

– Ninguém considera esquisito transferir para a empresa dona do avião, a responsabilidade de retirar da água uma aeronave que transportava uma alta personalidade pública, responsável por conclusões em torno de delações que implicariam a cúpula do governo?

– A Marinha do Brasil não conseguiria, ou estaria economizando recursos, conforme disse um constrangido oficial na TV, ou dentro do avião estariam aparelhos (lap top) e documentos que deveriam ser entregues apenas a quem de “direito”? Ou seja, à família do empresário, ou ao filho de Teori e a quem mais tivesse interesse naquela viagem.

– Por que os bombeiros não abriram a aeronave para resgatar a moça que apelava pela vida (todos vimos)? Era mais importante retirá-la viva ou preservar seco o ambiente interno do avião, para resguardar o que lá estivesse (um lap top) e pudesse ser retirado? (Até que um pescador solidário furou a fuselagem, alagando tudo, na sanha de passar oxigênio para a moça que apelava por socorro).

– Por que o senador José Medeiros (PSD) de Mato Grosso – a mesma cidade das mulheres que estavam no avião, e cujas identidades levaram uma eternidade para serem reveladas -, disse, às 10h58, em seu Face, que à noite, no JN, a população seria assombrada com uma “bomba” sobre o Supremo?

– Qual seria a agenda do senador José Medeiros no gabinete presidencial do Michel, por volta das 17h, justamente quando a notícia chegou ao gabinete do presidente, e que o fez clamar por Deus! Como reproduziram os jornais?

– Por que o hangar de onde partiu a aeronave tinha tão poucas informações a dar a respeito dos passageiros?

E, por fim, por que não estamos tratando disto como o fizemos com o caso do Riocentro, que pôs fim à ditadura de 21 anos que se abateu sobre o Brasil?

Depois da fala de Bolsonaro, de ontem, talvez fosse útil acrescentar aí mais uma pergunta: Seria Teori Zavascki mais um desaparecido político?

 

09
Jul19

A TROPA DE CHOQUE DE SERGIO MORO NO CONGRESSO É UM DESFILE DE HOMENS COM PROBLEMAS COM A LEI

Talis Andrade

trofeu boca suja.jpgDeputado Boca Aberta (PROS-PR) entrega troféu ao ministro Sergio Moro durante depoimento na Câmara. Foto: Pedro Ladeira/Folhapres

 

NA SEXTA, logo após saírem as novas revelações da Vaza Jato publicadas pela Veja em parceria com Intercept, Luciano Hang apareceu ao lado de Sergio Moro dizendo que “o Brasil o ama”. Ele agradeceu as palavras e não demonstrou qualquer constrangimento em aparecer amistosamente ao lado de um condenado por lavagem de dinheiro que deve milhões à Receita Federal e ao INSS. Ninguém pode se dizer surpreso. O dono da Havan simboliza muito bem a atual base de apoio de Sergio Moro.

Mesmo estando moralmente nu após as revelações da Vaza Jato, o ex-juiz ainda é o político mais popular do país e conta com uma legião de políticos dispostos a defendê-lo incondicionalmente. A tropa de choque bolsonarista no Congresso tem se mostrado fiel. Não é pra menos. O herói anti-corrupção mal chegou no governo e já começou a passar pano para a lama bolsonarista. Perdoou o caixa 2 de Onyx Lorenzoni, fechou os olhos para o laranjal do PSL e não se incomodou com as estreitas relações da família Bolsonaro com as milícias. Pelo contrário, o ministro tem se mostrado bastante confortável em integrar o governo da extrema direita.

Nos depoimentos que Moro deu no Senado e na Câmara, os bolsonaristas o exaltaram com um fervor que nem Dallagnol no escurinho do Telegram seria capaz. Ninguém pretende largar o companheiro ferido na estrada. São muitos os parlamentares com coragem para defender publicamente um juiz que cometeu graves ilegalidades no exercício da profissão e influenciou intencionalmente o jogo político. A grande maioria dos defensores de Moro hoje no Congresso é de fundamentalistas religiosos, reacionários, investigados e condenados por corrupção.

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São muitos os parlamentares com coragem para defender publicamente um juiz que cometeu graves ilegalidades no exercício da profissão e influenciou intencionalmente o jogo político
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No Senado, o líder do governo Fernando Bezerra Coelho, MDB de Pernambuco, foi quem articulou a ida de Moro à CCJ. Logo ele, um dos alvos da Lava Jato, que há pouco mais de um mês teve seus bens bloqueados pela justiça por desvios na Petrobras. Bezerra gastou boa parte da sua fala inicial tecendo elogios à Lava Jato e ao trabalho do ex-juiz no ministério da Justiça. Moro agradeceu as palavras do colega bolsonarista. Horas mais tarde, quando respondia perguntas de outros deputados, Moro citou o caso em que o emedebista esteve envolvido: “Quantas refinarias se poderia construir se não houvesse essa corrupção disseminada? Tudo aquilo foi vantagem indevida? Propina? Não, é muito dinheiro”. A Lava Jato denunciou Bezerra ao STF em 2016 por receber propina de pelo menos R$ 41,5 milhões de empreiteiras contratadas pela Petrobras para obras na refinaria Abreu e Lima.

Na Câmara, a sessão foi comandada pelo presidente da CCJ, Felipe Francischini, do PSL do Paraná, que deu uma definição perfeita sobre o que ocorria ali: “Parece a Escolinha do Professor Raimundo”. É verdade. E ele, atuando como o professor Raimundo, fez de tudo para poupar Sergio Moro da fúria da oposição. Apesar de elogiar o trabalho de Moro no combate à corrupção, Francischini tem seus esqueletos no armário. Há poucos meses, a justiça do Paraná determinou o bloqueio dos bens do deputado por suspeita de gastos irregulares com alimentação com verba da Assembleia Legislativa do Paraná. Foram mais de R$ 100 mil bloqueados na conta de Felipe Francischini.

Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, e o deputado Felipe Francischini (PSL). Há poucos meses, a justiça do Paraná determinou o bloqueio dos bens do deputado por suspeita de gastos irregulares com alimentação com verba da Assembleia Legislativa do Paraná.

Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, e o deputado Felipe Francischini (PSL). Há poucos meses, a justiça do Paraná determinou o bloqueio dos bens do deputado por suspeita de gastos irregulares com alimentação com verba da Assembleia Legislativa do Paraná. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

 

José Medeiros, do Podemos de Mato Grosso, disse que a Lava Jato é maior “operação de combate à corrupção do mundo”. Disse também que a Vaza Jato tem dois objetivos: libertar Lula e desconstruir a “figura mítica de Sergio Moro”. É irônico que Medeiros veja o ministro com um herói do combate à corrupção. Em 2015, ele era o segundo suplente da chapa do ex-senador tucano Pedro Taques, que deixou o Senado para assumir o cargo de governador. Quem ocuparia a vaga seria Paulo Fiuza, o primeiro suplente, mas Medeiros adulterou a ata eleitoral, se colocou como primeiro suplente da chapa e roubou a vaga. Fiuza comprovou a fraude, e Medeiros teve o mandato cassado.

“O senhor é um verdadeiro herói brasileiro”, disse Coronel Chrisóstomo, do PSL de Rondônia, cuja candidatura pode ser cassada após pedido da Procuradoria Regional Eleitoral, que identificou fraude no preenchimento de cota de gênero. O caso faz parte do laranjal do PSL, que é alvo de um inquérito da Polícia Federal que corre sob sigilo. Ou melhor, deveria correr sob sigilo. Acontece que Sergio Moro não é um homem que se preocupa em sempre respeitar as leis. Durante viagem ao Japão, o presidente falastrão deixou escapar que Moro lhe deu acesso privilegiado a dados do inquérito que envolvem o seu partido. Ou seja, o ministro cometeu uma gravíssima ilegalidade também no exercício do Ministério da Justiça. A isso chamamos de Estado policial.

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Moro fez questão de agradecer a todos esses parlamentares que o elogiaram. São apoios importantes que o ex-juiz certamente jamais irá querer melindrar.
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Filipe Barros, PSL do Paraná, ligado ao MBL, talvez tenha sido o bolsonarista que defendeu Moro com mais afinco durante seu depoimento. Bastante nervoso, atacou deputados e se aproveitou do foro privilegiado para chamar Glenn Greenwald de “embusteiro criminoso”. Essa cólera já lhe rendeu um processo judicial por intolerância religiosa. Quando era vereador de Londrina, Barros publicouem seu Facebook um vídeo de uma peça teatral que apresentava uma história sobre as religiões afro-brasileiras. Ele ficou indignado com o que viu: “Na semana da Pátria, a programação para crianças foi: MACUMBA EM FRENTE À PREFEITURA. Se fosse um Culto ou uma Missa, essas mesmas pessoas estariam agora gritando que o Estado é laico. Os pais estavam sabendo? Qual a relação disso com o Dia da Independência do Brasil?” Ele ainda acrescentou: “Pluralismo religioso pra eles é ensino de MACUMBA (sic)”. Barros tem tolerância zero com religiões afro-brasileiras, mas larga tolerância com um juiz que desrespeita a Constituição.

deputado herculano .jpgO deputado Herculano Passos, do MDB de São Paulo, já foi condenado por transformar seu escritório político em Atibaia em uma fábrica de fake news, usada para difamar seus críticos. Também foi condenado diversas vezes por improbidade e dano ao erário público. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

 

O deputado Herculano Passos, do MDB de São Paulo, disse que “graças ao nobre juiz Sergio Moro, foi possível avançar nas investigações e condenar muita gente que estava envolvida em corrupção e lavagem de dinheiro”. Pois bem. Herculano já foi condenado por transformar seu escritório político em Atibaia em uma fábrica de fake news, usada para difamar seus críticos. Mas isso é fichinha perto do que ele é capaz. O ex-prefeito de Itu também já foi condenado diversas vezes por improbidade e dano ao erário público. Só por improbidade administrativa, foi processado 14 vezes. É um fenômeno.

O auge da bajulação ao ministro ganhou contornos surrealistas quando o deputado Boca Aberta, do PROS paranaense, entregou a Moro uma réplica da taça da Champions League enquanto berrava: “é uma honra estar na frente de V.Exa. hoje. Este homem que está aqui — atenção, Brasil! — é de conduta ilibada e inquestionável, intocável, irrepreensível. Devem todos aqui respeito ao Sergio Moro. Sergio Moro equivale ao troféu da Champions League, a Liga dos Campeões, troféu este que é cobiçado, Exmo. Sergio Moro, pelas maiores estrelas do futebol mundial — Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo.” Era a esquete que faltava para a Escolinha do Professor Raimundo.

O deputado Boca Aberta (PROS-PR) responde a pelo menos 30 processos, a maioria deles por calúnia, injúria e difamação, mas também por fraude processual e falsificação de documento público.

O deputado Boca Aberta (PROS-PR) responde a pelo menos 30 processos, a maioria deles por calúnia, injúria e difamação, mas também por fraude processual e falsificação de documento público. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

 

Quando se olha para a ficha corrida de Boca Aberta, a coisa fica ainda mais divertida. O deputado responde a pelo menos 30 processos, a maioria deles por calúnia, injúria e difamação, mas também por fraude processual e falsificação de documento público. Boca Aberta já chegou a desfilar pela sua cidade, Londrina, com tornozeleira eletrônica por ordem judicial.

Moro fez questão de agradecer a todos esses parlamentares que o elogiaram. São apoios importantes que o ex-juiz certamente jamais irá querer melindrar. Afinal de contas, nem o escancaramento do esquema de corrupção judicial comandado pelo ministro foi capaz de rachar a base de apoio lavajatista no congresso.

Depois de mais de oito horas de sessão, Glauber Braga, do PSOL fluminense, fez uma analogia com futebol e chamou o ministro de “juiz ladrão”. O paraense Eder Mauro, do partido de Bolsonaro, que já defendeu intervenção militar e foi alvo de inquérito no STF por prática de tortura, foi para cima do psolista e por pouco o pau não comeu. A Escolinha do Professor Raimundo pegou fogo, e a sessão teve que ser encerrada. Moro deixou o recinto escoltado pela trupe bolsonarista, uma imagem simbólica da derrocada do herói.

 

 

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