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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Nov21

Carta pública de apoio ao jornalista José Maschio

Talis Andrade

 

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná (Sindijor Norte PR), a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e mais de 100 entidades/pessoas vem à público divulgar carta de apoio ao jornalista José Maschio, conhecido como Ganchão. Ele noticiou a participação da juíza Isabelle Papafanurakis Ferreira Noronha nas manifestações do dia 7 de setembro, fato que motivou a abertura de uma sindicância pelo Tribunal de Justiça do Paraná para apurar a conduta da magistrada. Isabelle registrou Boletim de Ocorrência contra o jornalista e quer que ele retire a publicação, realizada em uma rede social, e se retrate.

“Essa é uma tentativa de cercear o jornalista, a liberdade da imprensa e abalar a democracia, impedindo a circulação de informações. Trata-se de uma antiga e condenável prática: censura. Se há justiça, o jornalismo não pode ser censurado nem o jornalista Ganchão ser perseguido por noticiar os fatos”, diz a carta, que se torna pública neste dia 8 de outubro.

 8 de outubro.

Foto: reprodução

De espalhafatosas perucas verde e amarelo. De perucas bolsonaristas para participar da onda golpista de 7 de setembro último. A juíza Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha e a procuradora Maria Isabel Araujo Silva viajaram do Paraná para São Paulo. Para atender a convocação fascista de Jair, o Messias Bolsonaro

 

10
Nov21

Navegando contra vento e maré

Talis Andrade

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Navegando contra vento e maré
José Maschio fala sobre o triângulo Imprensa X Governo X MST

por James Cimino

 

O jornalista José Maschio, o Ganchão, não tem esse nome por acaso (Maschio em italiano significa “Macho”) e, devido ao seu trabalho, um tanto atípico na atual imprensa brasileira, pode ser considerado, como diriam os nordestinos, um “Cabra Macho”. Correspondente do jornal Folha de S. Paulo no Norte do Paraná, Ganchão, como é conhecido no meio jornalístico, tem feito um trabalho bastante respeitado no tocante à questão agrária que, freqüentemente, tem posto em combate os trabalhadores sem- terras e os latifundiários. Ao contrário da imprensa “oficialesca”, como ele mesmo diz, Maschio enfatiza seu compromisso social e ético, como jornalista e cidadão. Isto significa, na maioria das vezes, abordar fatos que a maior parte dos veículos de comunicação faz questão de omitir.


Trabalhando há 13 anos na Folha, Ganchão diz que foi designado para fazer esse trabalho devido à sua experiência e conhecimento das questões que envolvem o MST e a nunca realizada reforma agrária. Numa pequena chácara, em Cambé, região de Londrina, onde mora, Ganchão conversou com nossa reportagem. 

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JAMES CIMINO ENTREVISTA JOSÉ MASCHIO


O que há de verdades e mentiras no que é publicado, na imprensa brasileira, em relação ao MST?
Não há verdades nem mentiras, o que existem são versões dos fatos. A mídia brasileira é controlada pelas elites e o MST é um movimento popular. Então, nada mais natural que haja um processo de satanização em relação aos sem-terras. E o que há também é um embate político no atual governo. A política neoliberal do governo FHC está mais preocupada com a agricultura de ponta. A agricultura de subsistência não é prioridade, principalmente nessa perspectiva que vê apenas o mercado e se esquece do indivíduo, do ser humano.


E qual é a dificuldade em se realizar um trabalho de ideologia contrária à da maioria dos meios de comunicação? 
O que ocorre, de fato, nessa profissão, é o seguinte: para se exercer o jornalismo com responsabilidade, principalmente trabalhando nos grandes jornais, como é o meu caso, é necessário saber que o jornalista tem que entrar em uma “guerra de guerrilha”. Ele acaba descobrindo que de cada dez matérias apenas uma vai cumprir sua função social. No meu caso é um pouco mais fácil porque na Folha há uma certa abertura para esse tipo de matéria. No caso do Estado de S. Paulo, por exemplo, que é um jornal declaradamente “quatrocentão”, conservador, herdeiro das capitanias hereditárias, não há o menor espaço para esse tipo de matéria de cunho social. O jornal O Globo é outro exemplo. É um jornal que tem a ideologia do regime militar, então isso já vem de longa data. 

Como o MST vê a mídia e o retrato que ela faz do movimento? 
Na verdade isso deveria ser perguntado aos militantes, mas o que eu percebo em relação a isso é que eles fazem uma restrição muito grande à mídia em geral. 
E é compreensível porque, como todo movimento popular no Brasil, são muito mal-tratados pela imprensa e, conseqüentemente, pela sociedade em geral. Além do mais, há proprietários dos veículos de comunicação que também são latifundiários. No entanto o MST se utiliza da mídia melhor do ela própria pensa.

" Eu acho que a Rede Globo é a principal responsável pela idiotização da sociedade brasileira." 

"Quem tem um caráter e uma formação humanista sabe que a fome 
é o grande problema do Brasil." 

"O MST, às vezes, quer apoio incondicional do jornalista. 
No entanto, defender o movimento significa também questionar coisas que possam, porventura, estar erradas."


E você já teve algum problema com o MST por representar a Folha de S. Paulo que, por sinal, é o maior jornal do Brasil?
 
Esses dias eu fui cobrir uma denúncia do MST contra um jornalista da sucursal de Brasília (o jornalista Josias de Souza) que foi acusado de utilizar um carro do Incra pra fazer uma matéria. Depois dessa cobertura o jornal determinou queeu refizesse o roteiro do Josias, porém, dessa vez, com um carro alugado. Então eu refiz esse roteiro mas não com intuito de limpar a imagem de um colega de trabalho. O que eu fiz foi jornalismo. Mostrei que quem havia feito a denúncia era um lavrador e que eu estava lá apenas para apurar os fatos e informar a população a esse respeito. Obviamente que também há denúncias contra o MST mas, como eu já disse, o que eu faço é jornalismo. Inclusive mantenho uma postura ética de não participar de jantares ou receber qualquer tipo de “cortesia” oferecidos por empresários. Também mantenho essa postura em relação ao movimento. Às vezes, O MST quer apoio incondicional do jornalista. No entanto, defender o movimento significa também questionar coisas que possam, porventura, estar erradas. 


E você já esteve em meio a um conflito? Como foi essa experiência?
Eu já fui preso (risos) em uma invasão em Guairacá. Era uma desocupação. Eu fui fazer a cobertura do conflito e a polícia me prendeu. Eu também já estive em meio a tiroteios, entretanto, hoje os conflitos são menos violentos. Mas realizando esse trabalho você acaba vendo que tudo isso é uma verdadeira operação de guerra.


E você acha que a questão agrária está se encaminhando para uma solução? 
Não está havendo uma solução para a questão agrária. Se o governo quisesse realmente solucionar o problema ou até mesmo desestabilizar o MST, ele deveria fazer a reforma agrária. É a melhor solução. 


Você disse que o governo está interessado na agricultura de ponta, o que demonstra um certo desdém em relação à capacidade dos trabalhadores rurais. Nesse contexto a Copavi seria uma exceção?
Não é só a Copavi que dá certo. Há outras comunidades que estão seguindo por esse caminho. A Copavi é apenas um exemplo do que pode ser feito. Qualquer experiência que tenha bases sólidas tende a ser bem sucedida. 


E qual é a situação em Querência do Norte? 
Em Querência a situação está complicada. Nós temos que entender que o coro-nelismo não existe só no nordeste. Em qualquer cidade brasileira que se chegue é só perguntar quem são as famílias que controlam o poder político e econômico para se constatar que eles se concentram nas mãos de uma minoria. Em Querência está havendo uma guerra entre a UDR e os assentados. Em Pontal do Tigre, por exemplo, os sem-terras estão realizando um trabalho, a exemplo da Copavi, muito produtivo. Tanto que eles são responsáveis por cerca de 45% do ICMS do município. Isso incomoda os fazendeiros que estão, inclusive, contratando pistoleiros para expulsar os assentados da região. Isso resultou na morte de um agricultor. Eu, infelizmente, acho que ainda vai haver muitas mortes. E o pior de tudo é a ironia do governo que enviou um “ouvidor agrário”, do Ministério da Justiça, que avisou que daqui a 60 dias a Polícia Federal vai passar pela região recolhendo os armamentos. Isto é, eles estão dando um prazo para que os pistoleiros contratados pelos fazendeiros escondam suas armas, e quando a Polícia Federal fizer esta “vistoria” ela só vai recolher enxadas e esparramadeiras dos sem-terras.

Então você acha que essa luta não vai chegar a um ponto de insustentabilidade que acabe obrigando o governo a tomar uma atitude em favor do MST?
 
Isso tudo depende do próximo presidente e do próximo governador. Se o Lerner eleger seu sucessor - e até mesmo o FHC acabar elegendo um substituto - a história vai continuar a mesma. Um governo que utiliza 600 policiais para tirar 350 pessoas de uma fazenda, pelotão de choque pra impedir trabalhadores de chegar a Curitiba, entre outros abusos, não me parece ter qualquer interesse em uma solução pacífica. Então, se esse pessoal continuar no poder, não vai haver pressão que os obrigue a tomar qualquer medida em relação a esse impasse. Apesar disso, não sou pessimista. Espero que tudo isso acabe logo.

 
10
Nov21

Jornalista que noticiou ida de juíza com peruca verde e amarelo a ato bolsonarista contra o STF é alvo de inquérito

Talis Andrade

Foto: reprodução

Duas juízas de peruca verde e amarelo: Supremo é o povo. De peruca bolsonarista que deveria ser adotada nos tribunais...

 

por Angieli Maros /Jornal Plural/Jornal do Brasil

 O jornalista José Maschio, de Londrina, no Norte do Paraná, teve de dar depoimento à Polícia Civil por ter publicado foto da participação da juíza Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha em atos antidemocráticos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 7 de setembro. 

No dia 11 de setembro, Maschio compartilhou em primeira mão foto da juíza ao lado de outras três pessoas no dia dos atos organizados por apoiadores de Jair Bolsonaro no feriado da Independência. O caso repercutiu e levou o Tribunal de Justiça do estado (TJPR) a abrir investigação contra a magistrada pela adesão às manifestações políticas. A participação viola a Lei Orgânica da Magistratura (Loman).

A imagem compartilhada pelo jornalista foi publicada pela procuradora federal Maria Isabel Araujo Silva, também de Londrina, em seu perfil do Instagram. Tanto ela quanto Noronha aparecem juntas, paramentadas de verde e amarelo, com outras duas pessoas. O grupo ostentava uma faixa com a frase “supremo é o povo”, expressão que tem sido bastante usada por bolsonaristas para pedir a destituição dos ministros do STF.

O registro foi feito no hall de um hotel de São Paulo, cidade onde Bolsonaro discursou na parte da tarde – voltando a atacar ministros do STF –, e foi repassado ao jornalista por uma fonte com acesso às publicações feitas pela procuradora Maria Isabel Araujo Silva, que tem a rede fechada para visualizações gerais. Dias depois de compartilhar a imagem junto a um texto questionando a participação da juíza paranaense em atos com pautas antidemocráticas, Maschio relatou ter sofrido ameaças da procuradora que postou a foto em sua rede social. A juíza Isabele Noronha prometeu registrar Boletim de Ocorrência.

Em postagem no Facebook, depois de dar depoimento à polícia, José Maschio disse que está sendo acusado de calúnia e difamação. Ele informou ainda que, ao justificar sua participação nos atos, a juíza de Londrina falou ter usado paramentos na cor verde e amarela por ser uma “tradição familiar”. O caso corre no 5º Distrito Policial de Londrina. A reportagem pediu acesso ao Boletim de Ocorrência, já que se trata de um documento público sobre uma investigação sem sigilo, mas o pedido não havia sido atendido até a publicação deste conteúdo.

O jornalista disse ter sido tratado com educação pelos profissionais de delegacia, mas classificou a situação como um “absurdo”.

“Essa questão de não pedir habeas corpus para encerrar este inquérito foi uma decisão política entre mim e meu advogado. Nós queremos ver onde está o Ministério Público do Paraná, porque o Ministério Público vai ter que se posicionar se o delegado enviar o inquérito para lá”, falou ao Plural.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná (Sindijor Norte PR), a juíza também pede para que o conteúdo seja retirado do ar e que Maschio se retrate “em todos os meios de comunicação em que a informação falsa foi indevidamente veiculada”.

O Sindijor Norte PR, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor PR) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vêm prestando apoio a Maschio.

Investigação
Com a repercussão da imagem, Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha passou a ser investigada pelo TJPR por ter aderido aos atos antidemocráticos organizados pela base de apoio do presidente Jair Bolsonaro no último dia 7 de setembro.

A sindicância instaurada pelo corregedor-geral da Corte paranaense, o desembargador Luiz Cezar Nicolau, considera trecho da Loman que determina a juízes a manutenção de conduta irrepreensível na vida pública e particular. A portaria também faz referência aos artigos 2º, 7º e 16º do Código de Ética da profissão, que veda aos magistrados a participação de qualquer atividade político-partidária e exige dos membros do poder Judiciário respeito à Constituição, às leis, ao  fortalecimento das instituições e à plena realização dos valores democráticos.

Em nota encaminhada ao Plural no dia 16 de setembro, a juíza de Londrina não falou sobre a representação da foto, mas afirmou não ter se manifestado “pelo fechamento de quaisquer dos Poderes constituídos do Estado, os quais sempre respeitei e diariamente procuro honrar, como cidadã e magistrada”. Ela disse ainda que não tem nenhuma rede social “justamente para evitar indevida exposição e garantir respeito à minha privacidade” e que não autorizou a publicação de qualquer publicação com imagem dela. Na nota, ela também informava a pretensão de “processar criminalmente e civilmente todos que indevidamente estão utilizando meu nome para o cometimento de crimes contra minha honra e disseminação de discurso de ódio, alterando a realidade dos fatos”.

Na ocasião, a procuradora federal Maria Isabel Araujo Silva não se manifestou, assim como também não o fizeram a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Esta não é primeira vez que a juíza Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha terá de se explicar por seu apoio aberto à Bolsonaro. Em 2018, nas últimas eleições gerais, a conduta dela e de outros 10 juízes que se manifestaram politicamente nas redes sociais contra e a favor de candidatos viraram discussão do CNJ. O Conselho, no entanto, decidiu por arquivar os pedidos por estrarem relacionados a provimentos pouco explorados, envolvendo redes sociais.

[Isabele Papafanurakiz pode não ter rede social, mas a procuradora Maria Isabel Araujo Silva tem sim, senhor. E para ameaçar jornalista. O ministro Alexandre de Moraes anda a investigar quem faz campanha antidemocrática. Quem joga pedra no telhado do Supremo Tribunal Federal. Desde que o propagandista não seja juíza ou procuradora] 

 

10
Nov21

Polícia indicia jornalista que compartilhou fotos de juíza do PR em protestos antidemocráticos

Talis Andrade

 

De peruca verde e amarela, a juíza de Londrina foi dar seu recado em São Paulo na concentração golpista de 7 de Setembro de Bolsonaro: o Supremo Tribunal Federal não é supremo. "Supremo é o povo"

 

JUDICIÁRIO DE PERUCA

Caso está agora no Ministério Público, que vai definir se oferece ou não denúncia contra o profissional da imprensa

20
Set21

TJPR vai investigar juíza que participou de atos bolsonaristas contra o STF

Talis Andrade

 

 

Procuradora federal de Londrina também foi à manifestação e acusou jornalista que divulgou o registro

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